terça-feira, 12 de março de 2013

Etanol no Brasil

Clássico da aborrescência
Ontem fiz, no twitter, um resumo dessa bela matéria da Consuelo Dieguez na piauí sobre como anda a indústria de etanol brasileira. Muita gente (aproximadamente três pessoas) pediu num formato melhor para repassar, aí vai (com ligeiras modificações):


1. O governo federal incentivou a criação de uma bolha de investimento em etanol em 2007 / 2008, enquanto o preço do petróleo passava de $100/barril e parecia que ia ficar por lá.


2. O governo federal também passou bastante tempo alimentando a ideia de que "país bom é país onde todo mundo anda de carro", dando incentivo para montadoras e concessão de crédito. A frota aumentou rapidamente.

3. Passado um tempo, surpresa, surpresa - o preço do petróleo caiu e fez com que, no relativo, o etanol ficasse muito caro.


4. Mesmo com a recuperação do preço do petróleo, a Petrobras segura o preço da gasolina abaixo do preço internacional. O etanol segue sem competitividade.

5. O consumo de combustível explodiu, o país tem que importar gasolina. Fura a bolha do etanol, usinas quebram ou são vendidas por uma fração do que custaram.


6. O contribuinte acaba tendo que financiar tanto a salvação das usinas quanto o subsídio à gasolina.

7. Dá pra ler de vários jeitos, mas a história toda me parece um exemplo de livro-texto de como tentar passar por cima de um sistema de preços de mercado gera grandes distorções e má alocação de capital.

8. Em resumo, a gasolina precisa subir, e o álcool precisa se viabilizar como alternativa mesmo com a flutuação de preços de mercado ou ser abandonado. Triste para as nossas ambições nacionalistas, porém verdadeiro.

Esse é um resumo bem rasteiro, vale ler a matéria toda.



11 comentários:

Moska disse...

Drunk,

Minha leitura foi um pouco diferente da sua.
Para mim a mensaegm principal é a volatilidade do governo quanto às suas "estrategias" de desenvolvimento energético e agricola. Segundo o texto o governo ficou deslumbrado com o pre-sal e esqueceu de todo o resto (doença das comodities?) inclusive deixando que algumas empresas de tecnologia do setor fossem adquiridas por grupos estrangeiros.
Na comparação com a política do alcool dos EUA fica bem claro o quanto as trapalhadas do governo retiraram a segurança dos agricultores para investirem.

Tambem acho que a questão do alcool ter que se viabilizar dado que o preço do petróleo pode uma hora ser favorável e outra não, deve ser uma variável de decisão dos produtores. O governo não deveria querer estabilizar nenhum desses preços, mas poderia ter uma política de desenvolvimento mais consistente.

Drunkeynesian disse...

É outro jeito de ler, e acho que não exclui o que eu disse. Mas acho que também reforça a necessidade dos usineiros caminharem com as próprias pernas, e não dependerem de pacotes de bondades infinitos (nunca vai acontecer, ok...)

Alberto disse...

Para mim, esta história está mal contada.
As usinas, compradas por uma fração do que custaram, estão paradas?
Porque, onde está o etanol?

Não seria porque elas foram planejadas para serem “reversíveis” e produzir açúcar quando o preço do etanol caísse? Porque será que a exportação de açúcar aumentou horrores neste período e mesmo assim estas empresas deram prejuízo?
Veja em: http://www.unicadata.com.br/listagem.php?idMn=44

Quem produziu este açúcar adicional neste período?
Formigas? Sei não. Para mim tem usineiros querendo mamar, de novo pois o BNDES bancou boa parte dos investimentos, na viúva.

Victor Pacheco disse...

Nos últimos 5 anos a produção de etanol (de cana) no Brasil cresceu 29%, enquanto a americana (de milho) cresceu 185%.
Há 10 anos a produção americana mal chegava à metade do que o Brasil produzia, hoje já é 230% maior.
Pretendiamos ser uma potência exportadora de bio-combustivel. Em 2011, o EUA derrubaram a barreira protecionista contra o etanol brasiliero, mas depois do pré-sal a direção mudou em 180º.


Anônimo disse...

DK,

Desculpe sair do tema, mas, aí vai ...

Dylan (aquele) salienta a possibilidade de que o Japão venha a ter maiores dificuldades para rolagem de sua dívida no futuro. Outros dizem o mesmo sobre a Europa e mesmo sobre os EUA.

Salienta-se o tamanho das dívidas públicas e privadas e a diminuição das poupanças em função do problema demográfico dos países desenvolvidos.

Pergunta: É possível supor que os juros subam no longo prazo por uma alteração entre poupança disponível e necessidade de crédito. É possível estimar um momento para que isso aconteça?

Abraço

Gian disse...

"Dá pra ler de vários jeitos".
Pergunta: algum destes jeitos é positivo à ação estatal?

Drunkeynesian disse...

Difícil... talvez se deixassem quebrar quem investiu mal, mas acho que não vai acontecer.

Anônimo disse...

O único grande programa de álcool existiu foi o proalcool criado na década de 70. Com todos os erros e acertos que aconteceram, a maioria dos participantes não devia ser nascido então não pode dar pitaco. A não ser lendo em livros. O pico foi em 1995 com a frota predominante de veículos à alcool, depois degringolou em decorrência das filas nos postos de abastacimento.

De 1995 até hoje não houve nenhum programa de financiamento consistente de usinas e plantio de lavouras, apenas umas poucas indústrias que foram financiadas.

Começamos a ver nossas usinas sendo vendidas para capitais estrangeiro, principalmente francês, a partir de 2.000. Hoje não sei a evolução de tal quadro.

No auge do biocombustível foi posto de lado por uma série de promessas que não se cumpriram.

Com o pré-sal fomos para a opep.

Uma usina de álcool ou anexa precisa de financiamento para implantação de lavouras, renovação e custeio de lavouras.

De estocagem do álcool e de investimentos no preparo da usina até o início da safra.

Infelizmente o setor foi relegado e trata-se de uma atividade perfeitamente adaptada ao nosso território com mais de 500 anos de exploração e após o corte rebrota e após um ano ou menos já está pronta para ser colhida.

Realmente é uma pena tamanho desperdício.

Anônimo disse...

algum assinante poderia, por gentileza, copiar a matéria na íntegra nos comentários?

obrigado

Anônimo disse...

google:

http://www.canaoeste.com.br/conteudo/colheita-amarga

rodrigo disse...

Petroleo é barato, caro é ser brasileiro. Impraticável é tentar enfiar algo no meio disso, tipo etanol. A saída pro Brasil é o Galeão ou Combica. Por enquanto.