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sábado, 15 de outubro de 2016

Frases do Dia – Jane Jacobs e livres pensadores

The sad truth is that the saints we revere for thinking for themselves almost always end up thinking by themselves. We are disappointed to find that the self-taught are also self-centered, although a moment’s reflection should tell us that you have to be self-centered to become self-taught. (The more easily instructed are busy brushing their teeth, as pledged.) The independent-minded philosopher-saints are so sure of themselves that they often lose the discipline of any kind of peer review, formal or amateur. They end up opinionated, and alone.

Adam Gopnik, neste ótimo ensaio sobre Jane Jacobs, que teria feito 100 anos em maio.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O gráfico mais libertino da história?

Está na última The Economist, cuja matéria de capa fala sobre como a internet está liberalizando o comércio de sexo—cortando intermediários, distribuindo informação, tornando toda transação mais segura, etc. A revista analisou 190 mil perfis de um "site internacional de reviews" para montar uma base de dados para a matéria. O grande Alvin Roth provavelmente diria que esse é mais um mercado que está deixando de ser repugnante. De qualquer jeito, vai ser interessante olhar a seção de cartas na semana que vem.



terça-feira, 29 de julho de 2014

Mais uma opinião sobre o "Santandergate"

Ando pensando muito no "caso Santander", tanto pelo o que representa quanto porque muita gente me pergunta a respeito. Na preguiça de fazer um texto coerente, aí vão alguns aspectos que me chamam a atenção, em itens mais ou menos independentes:

--É enorme a ignorância quanto à organização e funcionamento de um banco grande. Para esclarecer minimamente: primeiro, há várias áreas que empregam economistas, cujas opiniões não necessariamente coincidem. Da mesma forma, a opinião corporativa (o que "o banco" pensa) pode ser bastante distinta do que é passado aos clientes. Parece confuso, mas é um jeito de evitar conflitos de interesse e evitar que o banco revele sua estratégia.

De forma mais concreta: os bancos tipicamente têm um economista-chefe, que é o responsável pela área de pesquisa econômica. Geralmente é quem faz as projeções "oficiais" para as variáveis macroeconômicas e é o economista com o qual o público geralmente associa a instituição. Esse economista e sua equipe atendem, na maior parte do tempo, os clientes institucionais do banco, que têm negócios com a tesouraria, a corretora e as áreas de relacionamento com empresas.

Outras áreas de negócios têm seus próprios economistas, como a gestão de recursos, private banking e varejo. Esses atendem suas respectivas áreas e, de novo, podem ter opiniões divergentes das do economista-chefe. Sua função é orientar os clientes para que tomem melhores decisões de investimento com base no que acham que vai acontecer com o cenário econômico.

Curiosamente, os economistas mais importantes para a instituição não são todos esses, e sim os que atendem a tesouraria (há casos em que a equipe do economista-chefe é a mesma que atende a tesouraria, porém), que é a área que opera com o capital próprio do banco . Esses muito raramente publicam opiniões, mas são os que realmente influenciam como o banco vai alocar seus recursos e especular. Ainda mais importante é o comitê de ativos e passivos, que recebe opiniões de diversos economistas (entre eles o economista-chefe e o responsável pela tesouraria) e toma as decisões mais estratégicas, levando ou não em conta o que ouve. Por cima disso tudo estão os acionistas, representados pelos executivos. No caso do Santander, o capital é relativamente pulverizado, mas a família Botín ainda parece ter peso enorme no direcionamento do grupo.

--Dentro da instituição há uma hierarquia informal de prestígio e relevância. Com todo o respeito aos profisionais envolvidos, o responsável por escrever a nota que gerou toda a polêmica está muito longe (na verdade, isolado—pelo bom motivo, mencionado acima, de tentar evitar conflitos de interesse e pela distância hierárquica até os altos comitês) das principais decisões do banco e de uma virtual "opinião oficial" da companhia.

--A probabilidade de uma análise que é distribuída para um segmento do varejo ter qualquer efeito nos mercados é bem próxima de zero. Daí o ridículo de se comparar a situação a episódios passados que envolvem declarações do George Soros ou achar que há qualquer tentativa de influenciar no resultado das eleições.

--O tamanho do barulho por, efetivamente, quase nada, é muito mais interessante do que a nota em si. Algumas coisas para pensar:
  • Como a necessidade da imprensa de, todo dia, criar manchetes que geram repercussão acaba distorcendo a importância relativa de notícias e cria factoides;
  • A enorme insegurança do PT e do governo—mesmo depois de 12 anos no poder, ainda parecem ter necessidade de mostrar que o mercado financeiro não tem porque temê-los;
  • A grande (e assustadora) mobilização da máquina de propaganda e relações públicas do governo para abafar uma opinião que, se ignorada, não teria nenhuma consequência prática;
  • A ridícula ideia de que, entre as prioridades de um governo, tem que estar "agradar o mercado", e partindo daí, numa distorção em cima da distorção, concluir que o desempenho da bolsa ou do câmbio são boas métricas de sucesso ou fracasso relativos;
  • A preferência de uma grande empresa privada por agradar o governo contra defender ter uma opinião independente ou preservar seus funcionários (mais sobre isso abaixo).
--De um dos itens acima: o episódio serve também para observar como a opinião geral sobre especulação é distante da realidade (até grandes como o Elio Gaspari costuma escorregar aqui). Para alguns palpiteiros, especular é fácil e traz lucros garantidos: basta plantar um boato, comprar ou vender ativos, esperar o mercado se mover e contar o dinheiro. No mundo real, salvo em casos de manipulações (que são muito mais plausíveis na negociação de ações de uma empresa específica do que em uma classe de ativos ou do elusivo "risco-país"), os mercados frequentemente teimam em não seguir roteiros pré-determinados, e é estatisticamente impossível lucrar com informação velha—os eventuais lucros de quem tenta fazer isso são obra do acaso, e não determinados pelo sucesso de um plano. O jogo de expectativas, tão bem descrito por Keynes no capítulo 12 da Teoria Geral, é muito mais complexo e imprevisível do que normalmente se supõe; e o tipo de especulação com a qual bancos conseguem lucrar é de outra natureza.

--Quanto à reação do Santander, também há muito a ser entendido. Se partirmos da ideia básica de que a finalidade, direta ou indireta, de qualquer ação estratégica do banco é gerar lucros para os acionistas, a preferência por "cortar na carne" a defender um princípio de independência pode indicar:
  • Um baixo valor atribuído a tal princípio: mesmo ante uma pequena ameaça aos lucros é preferível se submeter às "regras do jogo" ditadas pelo governo. Isso, acredito, não é totalmente específico ao Santander: diz algo sobre o ambiente de negócios do Brasil e a cultura da matriz. É de se imaginar como seria vista uma interferência desse tipo nos Estados Unidos, onde liberdade de expressão é um direito quase sagrado ou, pelo menos, está seguramente acima de qualquer melindre político; ou se o controle do Santander não fosse espanhol;
  • Uma real ameaça aos lucros futuros como consequência da nota do economista—esta viria, possivelmente, de alguma retaliação do governo contra a companhia caso esta não se "enquadrasse." Isso, sim, é de deixar os cabelos em pé. Minha tese (a ser desenvolvida quando eu for agraciado com o milagre do tempo livre abundante) é que o Estado brasileiro tem se tornado cada vez mais um poderoso arbitrador de lucros do setor privado: os lucros de "livre mercado" são muito baixos para atrairem investimentos, e qualquer empresa grande que opera no país depende, em alguma medida, de rent seeking—extração de lucros acima da média de mercado, mediada pelo governo. Isso é uma marca do capitalismo brasileiro, mas que parece ter se aprofundado com o PT pós-Palocci;
  • Qualquer combinação desses dois extremos, claro.
--Ainda sobre o Santander, também há o que se pensar da relação do banco com o país. Foi o único grupo estrangeiro a conseguir manter relevância entre os grandes bancos de varejo, provavelmente não por acaso. Isso começou, creio, com a cartada certeira da compra do Banespa, a um valor que, na época, parecia injustificável (o lance que ganhou o leilão de privatização foi muito maior do que os dos concorrentes) mas que, em poucos anos, se provou uma pechincha e uma demonstração de cojones dos espanhois quando pouca gente acreditava que o país decolaria. Depois, em 2002, seguindo um episódio muito parecido com o recente, o banco parece ter sido dos primeiros a "fechar" com Lula: nós acreditamos na "Carta ao Povo Brasileiro" e evitamos criticar a política econômica, vocês garantem um ambiente em que consigamos operar no Brasil (esta matéria da Bloomberg conta um pouco dessa história). Tal acordo de cavalheiros (ou de capi) parece valer, com as devidas mudanças no contexto, até hoje (outro episódio ilustrativo é o que, há alguns anos, envolveu críticas a Petrobras e o mesmo Santander). Não é necessária muita criatividade maquiavélica para imaginar como poderia ser diferente, partindo da ideia do governo como arbitrador de lucros que coloquei acima somada a algum nacionalismo (mais abaixo).

--Um exercício interessante é pensar quanto do episódio é aumentado pelo Santander ser controlado por capital estrangeiro. Como seria a repercussão de exatamente o mesmo relatório feito pelo Bradesco? Ou pelo Banco do Brasil? Parece haver também um componente de nacionalismo rasteiro, exacerbado pelo clima de eleições e polarização política, onde um partido é, claramente, "amigo" do mercado e o incumbente faz questão de deixar opaca a forma de como pretende tocar a economia depois das eleições. Também a frase "o que esses espanhois, com 25% de desemprego, querem palpitar no Brasil" parece se encaixar bem na média dos discursos de líderes petistas.

--Grandes empresas têm o que pode ser visto como uma "censura interna": ao menos uma área (compliance) é responsável por verificar se as informações tornadas públicas pela companhia não violam nenhuma lei e, mais sutilmente, não vão contra diretrizes internas, que, novamente, visam proteger os lucros ou algum outro interesse corporativo. O episódio ganha uma nuance interessante se pensarmos nele como uma falha dessa área: parece relativamente claro que um relatório do tipo do que foi divulgado traz um risco de repercussão negativa e que poderia ser modificado de forma a passar exatamente o mesmo recado de forma mais sutil (isso é uma arte que qualquer economista que já trabalhou em algum banco brasileiro precisa aprender a dominar). Caso isso tivesse acontecido, a polêmica provavelmente não existiria. É bruto, cínico e abominável, mas é como o jogo é jogado (e o lambari é pescado, completaria o saudoso Luciano do Valle).


Esclarecimento (talvez) necessário: trabalhei no Santander de 2001 a 2007, e devo muito da minha carreira (não é grande coisa, mas é a que tenho) ao banco e aos colegas e amigos que encontrei por lá. Não tenho como não ser grato por isso.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Volcker e a austeridade (na pele)

Paul Volcker, velho batuta
Da coluna de hoje do Elio Gaspari:

Em 1979, quando Paul Volcker foi nomeado presidente do Federal Reserve Bank, perdeu 50% de sua receita e foi morar numa quitinete de estudante em Washington. Sua mulher ficou em Nova York e equilibrou as contas alugando um quarto de seu apartamento.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

É hora de vender dólar?

Os sinais contrários se acumulam... (minha opinião: talvez seja no curto prazo, mas o ajuste ainda não terminou).





segunda-feira, 22 de julho de 2013

A economia de Marina Silva

Elena apontou para uma entrevista de Marina Silva na última Exame, surpreendente para quem, como eu, achava que ela tinha pouca ideia do que fazer com a economia se fosse eleita. Talvez ela de fato não tenha, mas:

- Já juntou um time algo respeitável:

Marina tem em torno de si um grupo de economistas que vêm, desde a candidatura de 2010, ajudando a criar um plano para a anêmica economia brasileira. O capitão do time é Eduardo Giannetti da Fonseca, professor da escola de negócios Insper. Com ele estão Paulo Sandroni, da FGV, e Ricardo Abramovay, da USP. Mais recentemente, André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, tem participado das discussões.

- Ao menos para fora, parece ter sido influenciada por uma visão ortodoxa que é bem distante do seu partido de origem (penso aqui no PT, não no PV):

A inflação está subindo. O topo da meta virou o centro. A preocupação, hoje, é não romper os 6,5%. O que está dando errado?  
Eu dizia, em 2010, que o atraso na política ia acabar nos levando a perder as conquistas alcançadas a duras penas nos 16 anos anteriores: a estabilidade econômica e a inclusão social. Quando tivemos a crise financeira em 2008, foram tomadas medidas corretas para o estímulo do consumo. Quando o país voltou a crescer, a partir do segundo semestre de 2009, o governo teria de ir puxando o freio do intervencionismo, como agora está sendo feito nos Estados Unidos. Como se fez uma ginástica para chegar a um crescimento de 7,5% em 2010 por razões eleitorais, o governo brasileiro continuou dando os mesmos incentivos quando já não era mais necessário. Isso nos levou a um problema. Atualmente, o próprio tripé da estabilidade econômica está sendo comprometido, sobretudo em relação à inflação. 
A senhora acha que a independência do Banco Central por lei ajudaria a consolidar nosso tripé macroeconômico? 
Não é necessária uma lei para dizer que não devo comer açúcar de manhã, à tarde e à noite para não me tornar diabética. Não precisa da institucionalização. Até porque já tivemos experiências no governo de Fernando Henrique e no de Lula em que havia essa autonomia. Mas controlar a inflação por meio da elevação de juros é apenas um dos instrumentos. O gasto público também precisa ser controlado. Como se cria uma cultura de controle do gasto público se a governabilidade é feita da distribuição indiscriminada de mais e mais pedaços do Estado? Se há 39 ministérios?

- Não perde a chance de chutar a Geni favorita dos últimos meses:

...E também as surpresas na hora de explorar, porque nem sempre o que se apresenta como possibilidade se transforma em realidade. Eike Batista que o diga.

Marina para mim ainda é uma esfinge, e talvez ela tenha só aproveitado o momento em que a política econômica atual está em baixa para defender algo diferente. Ainda assim, é interessante ver o rumo que a discussão de política econômica para a campanha do ano que vem está começando a tomar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Brasil x México, de novo

Isso é do Financial Times de hoje:


E esse é a razão (em moeda local e sem correção, e, sim, sei que talvez não seja o melhor jeito de comparar) entre o Ibovespa e o principal índice de ações do México (IPC) - estamos em níveis de 1994:




Uma das minhas "previsões" do início do ano é que o desempenho da bolsa brasileira seria melhor do que o da mexicana. Por enquanto estou muito errado (mais de 10% errado), mas tanto o sentimento desse valor relativo quanto os preços são extremos (e por isso sigo acreditando na previsão). Nem o Brasil era tão bom, nem o México é tão bom, nem o Brasil é tão ruim, etc, etc, etc...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A inflação no Brasil vai cair

Duas das principais revistas semanais do país falam de inflação em suas matérias de capa das últimas edições (ambas usando a "criativa" alegoria do tomate). Cuidado, compradores de NTN-B.


O mercado já começou a precificar a queda na inflação - o gráfico abaixo é das inflações futuras precificadas por vários dos vencimentos de NTN-B (gráfico roubado da Tullett Prebon - clique para aumentar):


Como de costume, há uma diferença sensível entre as opiniões que não custam e as que custam. Sempre prefiro as da segunda categoria.

P.S. O Mansueto Almeida tem razão, isso é mais marcante que qualquer capa de revista. Só espero que ele esteja errado e não seja essa a influência decisiva em Brasília.

terça-feira, 12 de março de 2013

Etanol no Brasil

Clássico da aborrescência
Ontem fiz, no twitter, um resumo dessa bela matéria da Consuelo Dieguez na piauí sobre como anda a indústria de etanol brasileira. Muita gente (aproximadamente três pessoas) pediu num formato melhor para repassar, aí vai (com ligeiras modificações):


1. O governo federal incentivou a criação de uma bolha de investimento em etanol em 2007 / 2008, enquanto o preço do petróleo passava de $100/barril e parecia que ia ficar por lá.


2. O governo federal também passou bastante tempo alimentando a ideia de que "país bom é país onde todo mundo anda de carro", dando incentivo para montadoras e concessão de crédito. A frota aumentou rapidamente.

3. Passado um tempo, surpresa, surpresa - o preço do petróleo caiu e fez com que, no relativo, o etanol ficasse muito caro.


4. Mesmo com a recuperação do preço do petróleo, a Petrobras segura o preço da gasolina abaixo do preço internacional. O etanol segue sem competitividade.

5. O consumo de combustível explodiu, o país tem que importar gasolina. Fura a bolha do etanol, usinas quebram ou são vendidas por uma fração do que custaram.


6. O contribuinte acaba tendo que financiar tanto a salvação das usinas quanto o subsídio à gasolina.

7. Dá pra ler de vários jeitos, mas a história toda me parece um exemplo de livro-texto de como tentar passar por cima de um sistema de preços de mercado gera grandes distorções e má alocação de capital.

8. Em resumo, a gasolina precisa subir, e o álcool precisa se viabilizar como alternativa mesmo com a flutuação de preços de mercado ou ser abandonado. Triste para as nossas ambições nacionalistas, porém verdadeiro.

Esse é um resumo bem rasteiro, vale ler a matéria toda.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O inferno da The Economist

Dá para gastar um bom tempo pirando na capa da última The Economist do ano (não dá pra ver muita coisa nessa versão em baixa definição, mas vale procurar o impresso). Ainda não li, mas a edição de fim de ano nunca decepcionou, com várias matérias muito boas sobre temas aleatórios (este ano: história do Paraguai, uma roadtrip para o Tibete, a maior favela da África, quadrinhos na internet etc...).


terça-feira, 27 de novembro de 2012

É o desenvolvimento, estúpido

Surrupio dois gráficos interessantíssimos da edição de hoje do Valor:

1. O Delfim Netto reproduziu o gráfico abaixo, de um estudo do IPEA. Trata-se de um índice simples de bem-estar social criado pelo grande Amartya Sen, que multiplica a renda média pelo complementar do índice de Gini (de forma a obter um número que é maior quanto menor a desigualdade). Explica o Delfim:


O gráfico abaixo mostra a mudança de situação a partir de 2003, onde o indicador cresce fortemente (quase 5% ao ano), impulsionado por múltiplos fatores: 1) o aprofundamento da política econômica; 2) a colheita da estabilidade monetária e fiscal; 3) o aumento da produtividade produzida pelas privatizações e pequenas reformas estruturais; 4) e, mas não menos importante, pela ênfase à inclusão introduzida nas políticas sociais e consequente redução das distâncias entre a renda dos indivíduos, o que explica por que o governo é popular.


2. O Boston Consulting Group (jamais confundir com o Boston Medical Group - OK, perdão pela piada cretina) calculou, para 150 países, um índice que mede ganhos de bem-estar nos últimos cinco anos. O Brasil foi o primeiro na ampla amostra.



Enfim, os dados não explicam ou justificam a incompetência da oposição, mas mostram que a vida dela não estaria fácil de nenhuma maneira - e não estará enquanto o país conseguir manter esse ritmo de progresso.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Nate Silver, o cara

Um negro, nascido no Havaí de pai queniano e que passou parte da infância na Indonésia; e um judeu, gay, nerd, de 34 anos, formado em Chicago e morador do Brooklyn são os grandes personagens das eleições dos EUA. O primeiro todo mundo sabe quem é; o segundo é Nate Silver, o estatístico que fazia previsões sobre a carreira de jogadores de beisebol (como o personagem de Jonah Hill em Moneyball) e ganhou destaque ao prever com grande acurácia o resultado das eleições presidenciais de 2008. Este ano ele justificou o hype e o dinheiro que o NY Times gastou para colocar seu blog embaixo do portal do jornal, cravando o resultado da votação em todos os estados - calando a boca dos que o acusavam de um viés democrata e enchendo a bola das pesquisas e métodos estatísticos, quando bem utilizados.


É evidente que o modelo de Silver não é infalível - em alguma eleição futura ele vai errar (ou encerrar a carreira antes, no auge). Por enquanto, vai desfrutar da fama merecida e vender alguns milhares de cópias a mais (alô, editoras brasileiras) do seu livro recém lançado, The Signal and the Noise: Why So Many Predictions Fail-but Some Don't. Este escriba já vai ter que adquirir a sua, para cumprir a promessa que fez caso ele repetisse o sucesso das previsões nesta eleição.

Mais Nate Silver:

- Nate Silver e as lições de 2012

- Entrevista para o Huffington Post

P.S. O xkcd diz verdades:



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ricardo Paes de Barros

A última piauí tem um perfil longo do cara (por enquanto na rede só para assinantes), a quem se atribui a paternidade intelectual do Bolsa Família - fato que, junto com seu cargo na Secretaria de Assuntos Especiais da presidência, faz dele um dos economistas mais influentes na formulação de políticas no Brasil (no critério usado por alguns brilhantes conselhos regionais, ele não contaria como economista, já que fez graduação em engenharia, no ITA).

A matéria segue a tradição de boa qualidade da piauí, com algumas escorregadas que não comprometem o resultado final (exemplos aleatórios: meio forçado dizer que o Paes de Barros é um dos "mais respeitados especialistas mundiais em pobreza e desigualdade", e não precisava tacar uma foto dele escrevendo equações na janela, à moda do Russell Crowe - John Nash de Uma Mente Brilhante). Destaco algumas passagens que me chamaram a atenção:

1. Não tinha ideia que o Carlos Langoni escreveu um artigo seminal (no início dos anos 1970) sobre desigualdade no Brasil. Pergunta para o pessoal da área: é seminal, mesmo, ou o repórter exagerou?

2. Paes de Barros foi para o doutorado em Chicago mal sabendo falar inglês, algo inimaginável hoje (mais ainda considerando que ele sempre passou por boas escolas, vindo de uma família que aparentemente dava importância à educação). É muito curiosa a mudança, em duas ou três gerações, na importância dada por aqui a saber falar mais uma ou duas línguas.

3. Sei que o Paes de Barros está longe de ser unanimidade entre quem trabalha com problemas de desenvolvimento no Brasil. Pela matéria, as ideias dele tem muita ênfase em reduzir o índice de Gini, concentrando esforços no quê, pelos modelos econométricos, provoca essa redução de forma mais eficiente. É essa a principal crítica?

4. Diz o Moreira Franco na matéria:
"Foi entre 2001 e 2002", recorda o hoje ministro da SAE. "Fizemos um grande seminário, o texto foi aprovado. Fomos apresentar o documento ao Serra, durante uma reunião, como manda o figurino, num hotel no Rio de Janeiro. Dessa reunião participaram Marcos Lisboa, Ricardo Henriques, Michel Temer. Ao final do encontro, o Serra me chama e diz: ´Pô, Wellington, como você gosta desse pessoal de direita! Você não tem jeito, você só anda com a direita!'"

De onde pode-se especular ou concluir que: i) uma equipe econômica do Serra, se tivesse ganhado a eleição em 2002, seria bem mais heterodoxa do que a do Lula; ii) com Serra, não existiria Bolsa Família; iii) o definhamento político do Serra não é obra do acaso.

5. Também da matéria, falando sobre o período após Marcio Pochmann assumir a presidência do Ipea, do qual Paes de Barros era funcionário:
Paes de Barros disse acreditar que Pochmann tinha como objetivo deliberado minar as suas resistências, o que quase conseguiu. "Porque isso não é assim, e o Marcio sabia: 'Esse cara vai resistir um ano, dois anos, três anos. Uma hora esse ostracismo, essa falta de demanda, essa falta de tudo vai...' Eu não resistiria a um novo governo assim. Se eu não tivesse sido convidado para vir para cá, para a SAE, teria procurado outra coisa para fazer. Dificilmente eu iria passar esse governo Dilma no Ipea."

Enfim, vale ir atrás da revista, que está muito boa - ainda não terminei de ler, mas além desse perfil, tem um editorial bom do Fernando de Barros e Silva sobre as eleições municipais, um relato-gonzo engraçado e desesperador da Vanessa Barbara nos "cinemas VIP" de São Paulo, a tradução de um trecho muito bom do livro novo (sobre experiências com drogas) do Oliver Sacks e o Marcos Nobre sobre a última onda de modernização do Brasil. E, não, o João Moreira Salles não me mandou um cheque-jabá.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Leituras atrasadas

"50 years of excitingly detonated hardware
and women breathing “Jaaames” in states
 of postcoital gratitude, thousands of air
miles clocked en route to tropical lagoons
where villainy lurks among the ravenous
barracuda"
- Eichengreen e O'Rourke sobre multiplicadores fiscais.

- Perfil de Felix Salmon na The New Republic.

- Sheila Bair propõe cinco reformas para Wall Street.

- Os BRICs continuam perdendo o apelo.

- Os entrevistadores casca-grossa do Spiegel falam com Mario Draghi.

- Um documentário sobre o Fed, a ser lançado em breve.

- Jeffrey Frankel e as dificuldades da disciplina fiscal em tempos de crise.

- Boas conversas: Hugh Hendry e David Einhorn na conferência da The Economist; Paul Krugman e Joseph Stiglitz.

- Como mudou, em 200 anos, a terminologia de desenvolvimento.

- O Brasil é o país que tem mais cachorros pequenos per capita do mundo.

- Sir Mervyn King e Don Diego Maradona.

- A paulistanização do Rio.

- Um livro sobre as origens do neoliberalismo.

- Steven Pinker explica como os estados americanos se tornaram democratas ou republicanos.

- Robert D. Kaplan sobre a arte de viajar.

- Simon Schama sobre o novo James Bond.

- Uma vida com livros - os bibliófilos certamente vão se identificar. Trecho:

The world is changing, but I am not changing with it. There is no e-reader or Kindle in my future. My philosophy is simple: Certain things are perfect the way they are. The sky, the Pacific Ocean, procreation and the Goldberg Variations all fit this bill, and so do books. Books are sublimely visceral, emotionally evocative objects that constitute a perfect delivery system.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Legítimo representante do "nobre povo"
- Um caveat emptor para os compradores de ações no México.

- Pastore, Gazzano e Pinotti sobre a estagnação da produção industrial no Brasil.

- Dilma na capa da edição da Forbes com as mulheres mais poderosas do mundo.

- A Bloomberg descobriu a mulher mais rica do Brasil.

- PIMCO sobre a "japanização" do mundo desenvolvido.

- Timothy Garton Ash na Foreign Affairs sobre a história do euro.

- Uma história dos regimes de câmbio no mundo.

- O FRED, ótima base de dados do Fed de St. Louis, agora tem versões para tablets e celulares (sei lá, deve ter um tipo de pessoa que sente uma vontade incontrolável, durante um jantar, de checar como anda a criação de empregos nos EUA).

- Algumas coisas que é bom estudar caso queira discutir política externa a sério.

- Uma lista de leitura sobre economia comportamental, por Michael Mauboussin, da Legg Mason.

- Como se explica o sucesso da The Economist.

- Por que estudar Ayn Rand?

- Virou filme a história do ilustre desconhecido Aristides de Sousa Mendes: cônsul de Portugal em Bordeaux durante a Segunda Guerra, emitiu cerca de 30 mil vistos para refugiados (10 mil judeus, entre eles).

- Baroque Yo' Mama, judeu, nascido em Oslo, presidente dos EUA.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Leituras da Semana e Meia

Índia, 65
- O Spiegel acha que o Brasil é um país-modelo. Ouch.

- Mark Dow sobre as dificuldades dos fundos global macro.

- Uma lista de leituras para o verão europeu, por Barry Eichengreen.

- Nicholas Kaldor, há 41 anos, sobre a União Européia.

- A Companhia das Letras lança ainda esta semana a versão brasileira do livro de Sylvia Nasar sobre pensamento econômico. A Folha publicou um trecho e a resenha do NY Times. Eu havia resenhado aqui.

- John Kay sobre a abordagem de Keynes para probabilidade.

- 36 indicadores econômicos bizarros.

- Nassim Taleb acha que não é mais uma boa ideia trabalhar na indústria de investimentos.

- Uma retrospectiva da crise argentina.

- McKinsey sobre a Austrália.

- Começa a esquentar o debate pré-eleições nos EUA: Simon Schama e a escolha entre Franklin Roosevelt e Ayn Rand. A matéria de capa da última Newsweek, com Niall Ferguson panfletando para os republicanos. Entre as dezenas de reações, a de Noah Smith e o comentário de John Cassidy. Ezra Klein e o melhor caso contra o mandato de Obama.

- Jeremy Grantham sobre a crise de alimentos.

- O Oikomania faz um resumo sobre as hipóteses correntes para o desenvolvimento.

- As desigualdades regionais na Europa e uma boa reflexão sobre educação.

- Um manual do Brasil, pelo J.P. Morgan.

- William Easterly prova que as Olimpíadas não produzem medalhas.

- Os guias de viagens e suas concessões a tiranias.

- Como tem crescido o consumo de cerveja no mundo.

- Das Kapital em mangá.

- Caso não saibam, é proibido entrar com livros em estádios de futebol no Brasil.

- O Financial Times lê o quadro de medalhas das Olimpíadas de Londres.

- As 10 verdadeiras lições de gestão dos jogos.

- Sonny Rollins na New York Review of Books.

- A globalização segundo a revista Cosmopolitan (Nova, por aqui).

- Os bons tempos em que se podia beber no trabalho.

- Fotos dos 65 anos de independência do Paquistão e da Índia.

- Escândalo: o bolovo é uma invenção escocesa.

- Um grande dilema de lecionar.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Brasil x México, dados e pitacos em 10 tópicos

"Ah, que saudades de ganhar do México, amigo!"
Galvão Bueno


Em algum momento nos últimos meses, o que chamamos de "mercado" tornou-se convencido que, entre as grandes economias da América Latina, bom mesmo é investir no México. Alguns exemplos:

- Is Mexico the new Brazil, no Financial Times
- Mexico Ousts Brazil As Investors' Top Choice In Latin America
- Why Investors Love Mexico
- Sorry Brazil, Investors Prefer Mexico
- Sorry Brazil, Mexico Is Better
- Can Mexico Overtake Brazil By 2022?
- Economia mexicana pode passar Brasil em 10 anos
- Brazil or Mexico?

Algumas dessas análises fazem sentido, outras não escapam da categoria de modismos passageiros. Compilei alguns dados para dar um contexto melhor para a história e ver se aparece alguma conclusão. Como bons dados, alguns confirmam supostas "obviedades", outros as desmentem. Aí vão:


1. Nos últimos 30 anos, histórias de crescimento de Brasil e México são parecidas - e não muito brilhantes

Separei em períodos arbitrários a história de crescimento dos dois países e do mundo nos últimos 30 anos: de 1981 até o fim da inflação alta no Brasil, em 1993; de 1994 até o início do ciclo de alta de commodities e de lá até o ano passado. O Brasil só cresceu mais que o México neste último período. Na média de longo prazo, os crescimentos são muito parecidos - e mais fracos do que o crescimento mundial:



Em termos per capita, nenhum dos dois países conseguiu fazer um catch-up consistente com os EUA, ainda que o México (em PPP) seja mais rico e esteja mais perto do seu melhor momento nos últimos 30 anos:


2. Ciclos de crescimento de Brasil e México tem sido muito distintos

Pelo gráfico abaixo, dá para perceber certa alternância nos períodos em que os dois países andam melhor ou pior do que o mundo. Não sei bem porque: talvez o ciclo aqui seja mais atrasado com relação aos EUA, ou talvez, grosso modo, o que ajuda a economia brasileira (commodities em alta?) atrapalha a mexicana. Se essa relação se mantiver e de fato estivermos perto do esgotamento do "modelo" de crescimento brasileiro dos últimos anos, o relativo deve ser mesmo favorável ao México:


3. Se EUA vão bem, México vai bem

A partir da implementação do NAFTA, em 1994, o México escolheu, no que diz respeito à economia, ser uma espécie de 51º estado dos EUA. A importância do comércio exterior para o PIB mexicano cresceu muito (enquanto o Brasil só viu algum aumento com o boom de commodities), sendo que hoje entre 80% e 90% das exportações são destinadas aos EUA. Para investidores de mercados emergentes, investir no México é a maneira de comprar a recuperação dos EUA com relação ao resto do mundo desenvolvido, o que, neste momento e antes de olhar para preços, faz todo sentido.



4. Composição das exportações dos dois países

Do fabuloso Atlas de Complexidade Econômica, dados de 2009, ajudam a esclarecer os itens anteriores:

México

Brasil

4. No relativo, México foi ficando muito, muito barato

Já tinha mostrado aqui um estudo do UBS que apontava para isso. Abaixo a evolução do câmbio real dos dois países nos últimos 10 anos:


5. Bolsas contam histórias muito diferentes...

Entre 2002 e meados de 2010, havia uma correlação muito alta entre os principais índices de ações do Brasil (Ibovespa) e México (IPC). Desde então, o Ibovespa tem patinado e o IPC seguiu fazendo novas máximas. Como boa parte do mercado se guia por performance passada, esse deve ser um dos fatores mais importantes para explicar o modismo atual:



6. ... refletindo as grandes diferenças em suas composições

Quem compra Ibovespa compra commodities, bancos e um pouco de consumo doméstico; no México, o peso de consumo é maior e há o "privilégio" de ser sócio de Carlos Slim na America Movil.


7. Investimento estrangeiro no Brasil vem de excessos

O volume de investimento estrangeiro direto que entrou no Brasil nos últimos três anos foi muitas vezes maior do que no México. Parte disso deve ser investimento em portifólio disfarçado para não pagar imposto; mesmo levando isso em conta, creio que boa parte desse dinheiro teve retornos bem menores do que o esperado pelos investidores - pelo movimento do câmbio ou pela dificuldade de gerar lucros no país. 


8. Economia do México maior que a do Brasil?

No ano passado, em dólares correntes, o PIB per capita do Brasil fechou perto de US$ 12.600, contra US$ 10.070 do México. Ajustando apenas pelos movimentos do câmbio neste ano (muito maiores do que as eventuais diferenças de crescimento de PIB e população), essa diferença deve cair de 25% para perto de 9% a favor do Brasil - historicamente é de 14% a favor do México, mas vamos aceitar que os 10 anos de bonança de commodities geraram algum benefício mais duradouro por aqui. 

Em 2020 o United States Census Bureau projeta a população do Brasil em 211,7 milhões e a do México em 124,7 milhões - Brasil quase 70% mais populoso. Para a economia do México ser maior que a Brasileira, seu PIB per capita em dólares tem que crescer, no período, 85% a mais do que o do Brasil, ou 8% por ano. Pelo crescimento, não vai acontecer. Pelo câmbio, só se ocorrer algum alinhamento de astros que faça com que o real fique muito desvalorizado com relação ao peso - não seria inédito (ocorreu entre 2001 e 2004), mas improvável que seja sustentável: se há algo em comum nos dois países é a baixa eficiência recente de suas políticas de desenvolvimento (quando existem).

9. Futebol

Em partidas das seleções principais, o Brasil jogou 37 vezes com o México, ganhou 21, empatou 6 e perdeu as demais.Ocorre que, em cinco finais disputadas, o Brasil perdeu todas (Copa Ouro 1996 e 2003, Copa das Confederações 1999, Mundial Sub-17 2005 e Olimpíadas 2012). Podendo, melhor evitar.

10. Conclusões

Há várias maneiras de interpretar o atual modismo, e provavelmente todas elas se completam:

- A mídia só agora se deu conta de algo que o preço das ações vem mostrando desde 2010: as companhias mexicanas estão melhor no concurso de beleza do mercado. Isso pode ser sinal de que o movimento está perto do fim (ou de uma pausa) - ver as regras de Bob Farrell # 1, 2, 5 e 9.

- Parte do mercado vive de vender em histórias. Por um bom tempo, a história mais vendável era a dos BRICs, da qual o México ficou de fora. Agora, parecendo menos plausível que a China e a Índia vão continuar crescendo a taxas altas sem interrupção e puxando para cima preços de commodities, há a necessidade de criar novos casos de sucesso. O do México é de fato interessante: a essa altura parece melhor apostar em temas ligados a uma recuperação dos EUA do que à manutenção do crescimento da China. Para ações porém, os preços não são evidentemente baratos, e embutem a certa euforia das manchetes que citei no começo do post.

- Os dois países estão longe de serem casos de crescimento acelerado, e assim devem continuar - são duas economias tentando fugir da "armadilha da renda média", com grandes dificuldades de promover reformas estruturais e investir. 

- Em dólares, o Brasil segue relativamente caro - mesmo com o movimento de 15% neste ano no câmbio reais x peso mexicano, os excessos da última década ainda estão longe de serem corrigidos. Para investimentos, isso, na minha opinião, é mais importante que qualquer consideração que se faça sobre perspectivas de crescimento futuro (sem levar em conta características específicas de setores ou empresas).

- Testei um monte de conclusões-clichê para esse post, não gostei de nenhuma. Fiquem com uma frase interessante que li hoje na entrevista de Martin Taylor, do Nevsky Fund, para o Hedge Fund Market Wizards:

"In an emerging market, the smart money is domestic, not international."

Não sei o que os mexicanos andam fazendo com o dinheiro, mas siga eles.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mais um para a lista de indicadores contrários

Amanhã chega às bancas a primeira edição da Forbes em Português:



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Greatest sungas in the world
- Não sei o que pensar quando o economista de um grande veículo sugere distribuir dinheiro diretamente à população.

- Barry Eichengreen sobre o desaquecimento da economia da China.

- Suíça: país ou hedge fund?

- Um perfil de Mohamed El-Erian, da PIMCO, no New York Times. Se você acha o bônus de banqueiros absurdo, veja quanto ele e Bill Gross levaram no ano passado (em que os fundos da PIMCO não foram bem).

- 10 cidades americanas onde casas custam menos que um carro (Detroit no topo, para provar que a história gosta de produzir ironias).

- A incapacidade da Europa de fomentar empreendedorismo, ótima matéria na The Economist.

- Cinco livros sobre estatística e risco.

- Compartilhamento de arquivos na internet virou uma religião, na Suécia.

- Saiu a atualização desta década da lista dos melhores filmes da história pela Sight and Sound. Cidadão Kane perdeu o topo que vinha ocupando nos últimos 50 anos.

- Uma bela crítica de O Porto, um dos melhores filmes que vi este ano.

- Susan Sontag sobre amor, ilustrado.

- Os links olímpicos: o The Big Picture sempre tem as melhores coletâneas de fotos - aqui a primeira dos jogos.Cartazes das Olimpíadas de Moscou. As escolhas de grandes momentos olímpicos do ótimo Iconic Photos. Uma classificação dos esportes em duas dimensões.Os significados políticos e históricos da cerimônia de abertura. Uma crítica de Christopher Hitchens aos jogos, de 2010.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Top 25 dos Últimos 25 anos

A revista Global Finance está completando 25 anos, e na edição comemorativa publicou vários Top 25 interessantes (pelo menos servem para o papo de boteco - e quem fez a lista de livros deve ter nascido em 1990) desse período. Aí vão:

25 eventos-chave dos últimos 25 anos:

  1. Crise financeira na Ásia em 1997
  2. As bolhas ponto-com e de tecnologia
  3. Alta forte dos preços de commodities
  4. Crise financeira global de 2008
  5. Crise da dívida na zona do euro
  6. G20 tomando o lugar do G7
  7. Reforma regulatória
  8. Queda do muro de Berlim e do comunismo na Europa
  9. Massacre da Praça da Paz Celestial
  10. Fim do apartheid
  11. Retorno de Hong Kong a China
  12. 11 de setembro
  13. As guerras no Iraque e Afeganistão
  14. O tsunami de 2011 no Japão e o acidente nuclear de Fukushima
  15. A Primavera Árabe
  16. AIDS
  17. A invenção da world wide web
  18. A ascensão dos telefones celulares
  19. Clonagem da ovelha Dolly
  20. O projeto genoma humano
  21. O envelhecimento da população mundial e o buraco negro das previdências
  22. Ampla aceitação do aquecimento global
  23. O desenvolvimento de energia renovável
  24. O rápido alastramento de novas doenças, como gripe aviária, SARS e H1N1
  25. Urbanização acelerada
25 ideias que moldaram os últimos 25 anos:
  1. Globalização
  2. Democratização
  3. Economia de livre mercado / livre comércio
  4. Privatização
  5. Desregulação financeira
  6. BRICs
  7. Deslocamento de poder do Oeste para Leste
  8. Comércio entre mercados emergentes
  9. Outsourcing
  10. Comércio, não ajuda
  11. Redes sociais
  12. A guerra ao terror
  13. Jihad
  14. Nafta
  15. O euro
  16. Ambientalismo
  17. Energia renovável
  18. O efeito Bilbao (tem link porque eu não sabia o que era, confesso)
  19. Leveraged buyout
  20. Derivativos
  21. CDOs
  22. Fracking
  23. O movimento Occupy
  24. Hackers ativistas
  25. Todo mundo é um repórter / blogueiro
25 pessoas mais influentes dos últimos 25 anos:
  1. Ronald Reagan e Margaret Thatcher
  2. Mikhail Gorbachev
  3. Deng Xiaoping
  4. Jacques Delors
  5. Nelson Mandela
  6. Luiz Inácio Lula da Silva
  7. Osama Bin Laden
  8. Vladimir Putin
  9. Carlos Slim
  10. Ratan Tata
  11. Sergio Marchionne
  12. Howard Schultz
  13. Oprah Winfrey
  14. Rupert Murdoch
  15. Bill Gates
  16. Steve Jobs
  17. Larry Page e Sergey Brin
  18. Mark Zuckerberg
  19. George Soros
  20. Alan Greenspan
  21. Fischer Black e Myron Scholes
  22. Bernie Madoff
  23. Michael Milken
  24. Kenneth Lay
  25. Richard Fuld
25 companhias mais influentes dos últimos 25 anos:
  1. Petrochina
  2. Gazprom
  3. Rosneft
  4. Petrobras
  5. BHP Billiton
  6. Glencore
  7. Apple
  8. IBM
  9. Vodafone
  10. Google
  11. Napster
  12. eBay
  13. Facebook
  14. Skype
  15. Youtube
  16. Walmart
  17. Amazon
  18. Toyota
  19. Sony
  20. Samsung
  21. Nokia
  22. Kohlberg Kravis Roberts
  23. JPMorgan Chase
  24. Berkshire Hathaway
  25. Industrial and Commercial Bank of China
25 companhias para acompanhar nos próximos 25 anos:
  1. Amex
  2. Apple
  3. Royal Dutch Shell
  4. Gazprom
  5. BHP Billiton
  6. Rio Tinto
  7. HSBC
  8. Industrial and Commercial Bank of China
  9. Google
  10. Deutsche Bank
  11. Volkswagen Group
  12. Nestlé
  13. Qatar Investment Authority
  14. Procter & Gamble
  15. Vodafone
  16. Samsung
  17. Infosys
  18. Hyndai
  19. Bally Technologies
  20. Bayer
  21. Lenovo
  22. Haier
  23. Embraer
  24. Pernod Ricard
  25. Hutchison Whampoa
25 livros de finanças e negócios mais influentes dos últimos 25 anos:
  1. Too Big to Fail, Andrew Ross Sorkin
  2. Boomerang, Michael Lewis
  3. The Great Crash: 1929, John Kenneth Galbraith
  4. The Big Short, Michael Lewis
  5. The Subprime Solution, Robert Shiller
  6. The Warren Buffet Way, Robert Hagstrom
  7. The World Is Flat, Thomas Friedman
  8. Anatomy of the Bear, Russell Napier
  9. When Money Dies, Adam Fergusson
  10. Civilization, Niall Ferguson
  11. The Tipping Point, Malcolm Gladwell
  12. The Innovator's Dilemma, Clayton Christensen
  13. The Great Unraveling, Paul Krugman
  14. End This Depression Now!, Paul Krugman
  15. Freefall, Joseph Stiglitz
  16. Fault Lines, Raghuram Rajan
  17. The Rational Optimist, Matt Ridley
  18. The Facebook Effect, David Kirkpatrick
  19. Doing Business with China, Stewart Hamilton e Jinxuan Zhang
  20. Breakout Nations, Ruchir Sharma
  21. Greece's 'Odious' Debt, Jason Manolopoulos
  22. Extreme Money, Satyajit Das
  23. The Quest, Daniel Yergin
  24. Steve Jobs, Walter Isaacson
  25. The Ascent of Money, Niall Ferguson
25 destinos de investimento estrangeiro nos próximos 25 anos:
  1. Turquia
  2. Polônia
  3. Eslováquia
  4. Romênia
  5. Albânia
  6. Cazaquistão
  7. Mongólia
  8. Quênia
  9. Nigéria
  10. Gana
  11. África do Sul
  12. Egito
  13. Marrocos
  14. Vietnã
  15. Indonésia
  16. Colômbia
  17. Cuba
  18. Omã
  19. Qatar
  20. Emirados Árabes Unidos
  21. Austrália
  22. Coréia do Sul
  23. Mianmar
  24. Malásia
  25. Cingapura