Passado o choque, resta tentar entendê-lo. A lista abaixo é parte recomendações, parte lição de casa pra mim mesmo:
–Niall Ferguson: populismo como reação à globalização.
–Joachim Voth compara Trump e Hitler. (Ele pode. Só ele.)
–Evan Osnos, num tremendo (e antecipado – a matéria é de setembro) esforço para entender como será o governo Trump.
–The Economist, também de setembro, sobre "post-truth politics".
–Nate Silver sobre como o resultado das eleições poderia ter mudado.
–Jorge Castañeda sobre as implicações para a América Latina.
–Andrew Sullivan, antes e depois. Pessimista, muito pessimista.
–Gabriel Trigueiro, bem longe da histeria e mais otimista.
–Fukuyama e a nova ordem global de mais nacionalismo e populismo. Timothy Garton Ash mais ou menos na mesma linha.
–A teoria política previu Trump, enquanto a ciência política o descartou.
–Sociólogos e cientistas políticos que foram aos Estados Unidos profundos também fizeram um trabalho melhor. (Este link e o anterior via Lucas Novaes – obrigado!)
–Acemoglu falando de – adivinhem – instituições. Ainda há muito a ser escrito sobre como instituições informais foram derrubadas na campanha deste ano.
–Tyler Cowen sobre Peter Navarro, que, supostamente, é o economista que mais influencia Trump.
–Ainda é a economia, estúpido (pelo menos quando tratada por Ray Fair).
–Hirschman, em 1973, sobre tolerância à desigualdade de renda (o famoso paper do "efeito túnel").
A imagem foi roubada da capa da Der Spiegel.
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domingo, 13 de novembro de 2016
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Leituras da Semana
—Um paper recente de Nelson Barbosa sobre os desafios macroeconômicos do segundo mandato de Dilma, talvez ilumine algo do que vem por aí.
—As consequências econômicas dos bancos estatais no Brasil.
—A política econômica da Argentina é uma decisão racional frente a muitas restrições? O que acontece se aplicarmos o mesmo raciocínio para o Brasil?
—A Finlândia está considerando um programa nacional de renda mínima.
—Os Estados Unidos ainda mandam no mundo.
—A ameaça do Socialismo ajudou a tornar o Capitalismo mais igualitário?
—Ensaio fotográfico com os imigrantes que tentam entrar no Brasil pelo Acre.
—Procrastine lendo sobre procrastinação.
—A importância de se ensinar sobre ignorância.
—Teju Cole em São Paulo, tentando replicar uma fotografia de 1960.
—Porque odiamos ouvir nossa própria voz gravada.
—Engenheiros no mercado financeiro (abaixo)
—As consequências econômicas dos bancos estatais no Brasil.
—A política econômica da Argentina é uma decisão racional frente a muitas restrições? O que acontece se aplicarmos o mesmo raciocínio para o Brasil?
—A Finlândia está considerando um programa nacional de renda mínima.
—Os Estados Unidos ainda mandam no mundo.
—A ameaça do Socialismo ajudou a tornar o Capitalismo mais igualitário?
—Ensaio fotográfico com os imigrantes que tentam entrar no Brasil pelo Acre.
—Procrastine lendo sobre procrastinação.
—A importância de se ensinar sobre ignorância.
—Teju Cole em São Paulo, tentando replicar uma fotografia de 1960.
—Porque odiamos ouvir nossa própria voz gravada.
—Engenheiros no mercado financeiro (abaixo)
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Leituras atrasadas
—O mercado frequentemente prevê altas de juros nos EUA cedo demais.
—Porque não vai haver quebradeira nos mercados emergentes.
—Por mais igualdade de oportunidades nos EUA. Deve valer mil vezes mais para o Brasil.
—Dois ótimos projetos do Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande: "House of Cunha", analisando as votações da legislatura atual da Câmara e "Quem me representa?", que ordena os deputados de acordo com as preferências de quem acessa.
—Perfil de Daniel Kahneman no Guardian.
—Oliver Blanchard, o ex-economista-chefe do FMI, tem um homônimo que escreveu este belo artigo sobre sharing economy.
—O departamento de economia mais influente dos EUA: MIT, Stanford ou Berkeley? De qualquer jeito, Harvard lidera com folga o ranking de citações.
—Slides de Susan Athey e Guido Imbens sobre machine learning. Uma bela visualização sobre o básico do tema.
—Mais um teste de orientação política, este nos termos usados nos EUA.
—A filosofia moral da prostituição.
—O milagre científico do sorvete (amém).
—Uma hierarquia da discordância.
—João Gilberto cantando em comercial da Brahma, 1991.
—Porque não vai haver quebradeira nos mercados emergentes.
—Por mais igualdade de oportunidades nos EUA. Deve valer mil vezes mais para o Brasil.
—Dois ótimos projetos do Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande: "House of Cunha", analisando as votações da legislatura atual da Câmara e "Quem me representa?", que ordena os deputados de acordo com as preferências de quem acessa.
—Perfil de Daniel Kahneman no Guardian.
—Oliver Blanchard, o ex-economista-chefe do FMI, tem um homônimo que escreveu este belo artigo sobre sharing economy.
—O departamento de economia mais influente dos EUA: MIT, Stanford ou Berkeley? De qualquer jeito, Harvard lidera com folga o ranking de citações.
—Slides de Susan Athey e Guido Imbens sobre machine learning. Uma bela visualização sobre o básico do tema.
—Mais um teste de orientação política, este nos termos usados nos EUA.
—A filosofia moral da prostituição.
—O milagre científico do sorvete (amém).
—Uma hierarquia da discordância.
—João Gilberto cantando em comercial da Brahma, 1991.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Frases do Dia—o Estado de Direito e o Capitalismo Americano
“The pioneers of American capitalism were not graduated from Harvard’s School of Business Administration. The early settlers and founding fathers, as well as those who “won the West” and built up cattle, mining and other fortunes, often did so by shady speculations and a not inconsiderable amount of violence. They ignored, circumvented, or stretched the law when it stood in the way of America’s destiny and their own—or were themselves the law when it served their purposes. This has not prevented them and their descendants from feeling proper moral outrage when, under the changed circumstances of the crowded urban environments, latecomers pursued equally ruthless tactics."
Do sociólogo Daniel Bell, citado nessa matéria interessante do Malcolm Gladwell.
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Líderes políticos e desempenho econômico
Em tempos de eleição, quando políticos tendem a atribuir a si próprios as conquistas e ao azar ou a "heranças malditas" os fracassos, é interessante ver o que a academia econômica tem feito para definir sucesso econômico e a quem ele cabe. Alguns trabalhos recentes que me parecem pertinentes:
—Jones & Olken, de 2005, já é meio clássico: eles usaram episódios de transição política que envolve a morte de líderes como um experimento natural e avaliaram o que ocorre depois com o crescimento do PIB. Encontraram um efeito bastante forte nas autocracias (o exemplo mais evidente é a China depois da morte de Mao), mas não em democracias, o que sugere que nestas outros fatores são mais importantes para explicar variações no crescimento do que a influência de um presidente;
—Easterly & Pennings, de 2014, tenta responder a mesma pergunta de Jones & Olken (líderes importam?) usando uma metodologia diferente, que tenta decompor taxas de crescimento e encontrar, isolando fatores específicos ao país e choques aleatórios, a fração que cabe exclusivamente ao líder político. Os resultados sugerem que líderes explicam muito pouco da variação nas taxas de crescimento. Nas palavras deles: "our results are consistent with plausible views of how even seemingly unconstrained autocratic leaders might find it difficult to exert control over the growth rate of the economy... We find in this paper little reason to believe in “great men” –either benevolent or malevolent – driving the growth process."
—Blinder & Watson, de 2013, compara o crescimento econômico nos EUA com presidentes Democratas e Republicanos após a II Guerra: durantes mandatos Democratas, o crescimento anual do PIB foi, em média, 1,8% maior do que em governos Republicanos. A conclusão, porém, é que tal diferença não é produto de políticas diferentes, mas, mais provavelmente, do acaso: Democratas têm mais sorte com os preços de petróleo, choques de produtividade e se beneficiam de algo de profecia autorrealizável alimentada pelo histórico mais favorável.
—Por fim, mas não menos importante: Carrasco, de Mello & Duarte, de 2014, tentam comparar o desempenho de vários indicadores de desenvolvimento econômico no Brasil de 2003 a 2012 com o que poderia ter sido o Brasil com outro governo, este simulado a partir da composição de um grupo de países com características passadas parecidas. A conclusão é que o desempenho brasileiro, medido pela maioria dos indicadores (crescimento, investimento, inflação, redução de pobreza, etc), foi aquém do grupo de comparação—a importante exceção é o mercado de trabalho.
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sábado, 19 de abril de 2014
Thomas Piketty e o espírito do tempo
![]() |
| Piketty ontem na Harvard Kennedy School (foto roubada da Masoomeh Khandan) |
Desperto o blog da sonolência dos últimos meses para falar sobre o que todo mundo tem falado (o mundo como esse estranho lugar onde as pessoas debatem conceitos abstratos ligados a dinheiro e produção): o novo livro de Thomas Piketty, "Capital in the 21st Century", que deve roubar de "Why Nations Fail" e "This Time Is Different" o título de obra de economia menos lida (qual o público para um trabalho acadêmico de mais de 600 páginas, traduzido do Francês, por mais que escrito de forma acessível e bem editado? Admitindo que fica bonito na estante, "CAPITAL" em letronas vermelhas na lombada) e mais comentada deste século.
Como parte do tour de lançamento da obra nos EUA, que o New York Times noticiou como "Economist Receives Rock Star Treatment", ontem o autor parou por aqui, mais especificamente do lado da sala onde eu costumo ter a maioria das minhas aulas. Cheguei meia hora antes, com a intenção de olhar o movimento e comer algo antes de sentar; acabei, alertado por um amigo, pegando um dos últimos lugares disponíveis. A sala foi enchendo, enchendo, enchendo, enchendo, e, quando Piketty chegou, poucos minutos atrasado, havia gente em pé, a um metro da porta, esticando o pescoço para tentar ver e ouvir qualquer coisa. De fato, tratamento de rock star.
Piketty foi apresentado por Larry Summers como o autor do livro de economia que "causou mais sensação do que qualquer outro em duas décadas, abraçando uma vasta rede de informação e experiência." A tal rede de informação foi construída em um projeto de 20 anos de pesquisa que juntou dados de declarações de renda de mais de 20 países, com séries começando, em alguns casos, no fim do século XVIII. Depois de dividir o mérito dessa base de dados com um grande time de pesquisadores, Piketty logo disse que o objetivo principal do livro é difundir o conhecimento sobre a evolução da riqueza no mundo (zhe knowledge ov evolution ov wealth) e que as recomendações de política econômica são secundárias (mais sobre isso adiante). Sua intenção era atualizar o famoso trabalho de Simon Kuznets, um dos pais do uso de métodos empíricos na economia, agora com mais dados de mais países e poder de computação infinitamente maior.
Ele divide os principais resultados da pesquisa em três pontos:
1. O retorno de uma sociedade patrimonial e baseada em riqueza—a desigualdade de renda e riqueza nos EUA e Europa parece ter voltado aos patamares do início do século XX, no que Paul Krugman, em sua resenha de "Capital in the 21st Century" para a New York Review of Books chamou de "uma nova era dourada." Isso já havia sido adiantado no ano passado, quando Emmanuel Saez (coautor frequente de Piketty) publicou uma atualização para o clássico "Income Inequality in the United States, 1913—1988", de 2003.
2. O futuro da concentração de riqueza—aqui entra a inequação que tem sido repetida como se fosse a nova fórmula da teoria da relatividade. Se r > g (o retorno para o capital for maior do que a taxa de crescimento da economia), como parece ocorrer na maior parte do tempo, a riqueza tende a se concentrar. Entre 1987 e 2013, pelas estimativas de Piketty, a riqueza dos bilionários cresceu a 6,8% anuais, enquanto a mesma taxa para a riqueza média foi de 2,1%.
3. O tratamento da desigualdade nos Estados Unidos—ele comenta que, em 1919, Irving Fisher era presidente da Associação Americana de Economia e demonstrava preocupação com a crescente desigualdade, qualificando-a como uma "ameaça para a democracia americana." Hoje, qualquer tentativa de aumento em impostos progressivos é rotulada como "anti-liberdade" no melhor dos casos e "fascista" no pior. Piketty mostra o gráfico com evolução da alíquota de imposto de renda para a faixa mais altas, que chegou a 90% nos EUA do pós-II Guerra e foi exportada para os derrotados Alemanha e Japão.
Terminada a apresentação, Larry Summers foi o primeiro a perguntar, sugerindo que talvez a desigualdade atual não seja produto do sistema de impostos ou da remuneração do estoque de capital, mas do fato de que "há mais empreendedores, mais Bill Gates e Mark Zuckerberg." Piketty respondeu, de bate-pronto, que empreendedorismo e inovação não começaram ontem, e que inventores de tecnologias muito mais disruptivas do que o WhatsApp não chegaram perto de acumular os bilhões de dólares acumulados pelos magnatas de hoje. Summers parece ter ficado irritado e aproveitou o resto do tempo na sala para atualizar o sono.
Outro figurão na plateia, Michael Ignatieff, perguntou se não era preciso fazer uma diferenciação normativa entre os tipos de desigualdade (lembrou muito, mas sem citar, a ideia de categorias que Daniel Markovits, de Yale, delineou—vejam o último slide desta apresentação que fiz há um tempinho). Piketty concordou, mas disse haver um trade-off entre esse tipo de diferenciação e manter o código tributário simples e não-intrusivo.
͏
—
Thomas Piketty é o primeiro a admitir que as aplicações para política pública não são o forte do seu trabalho. Um imposto global sobre fortunas parece altamente implausível, e os efeitos do aumento da desigualdade no crescimento estão longe de ser claros—ele argumenta que concentração de riqueza provavelmente reduz crescimento, mas tanto a teoria como a evidência empírica estão longe de apontarem de forma inequívoca para a confirmação dessa hipótese. É possível que desigualdade seja apenas um sintoma de um mal do capitalismo que ainda não foi identificado, mas que parece também ser responsável por baixo dinamismo do mercado de trabalho e uma recuperação lenta da crise de 2007/2008. De qualquer forma, as razões para combater desigualdade continuam sendo mais morais do que contidas no domínio da economia.
Por que, então, todo o barulho em torno do livro? Aqui, apelo para o pensamento atribuído a Victor Hugo que diz que não há nada mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou. Desde que a crise foi controlada, governos e progressistas parecem buscar uma nova agenda de política econômica. Atacar a desigualdade parece conveniente, tanto numa tentativa de estender a influência do governo sobre a economia quanto pelo forte apelo moral. O problema é o costumeiro às boas intenções: se um mundo mais igual é preferível, os meios para atingir esse objetivo estão cercados de obscuridade e consequências indesejadas. Aumentar impostos talvez seja a única política factível, mas criará distorções e não necessariamente atingirá os alvos desejados (vide a experiência recente de François Hollande na terra de Piketty). Por outro lado, outras propostas que mais provavelmente contribuiriam mais para a diminuição da desigualdade global (que, sujeita a pouco debate, é muito maior entre países do que dentro de um determinado país), como leis de imigração mais flexíveis, passam longe do debate.
Escrevi tudo isso sem ter lido mais do que as orelhas e a contracapa do livro, que pode ou não surpreender quando o fizer, mas arrisco uma conclusão: "Capital in the 21st Century" é uma obra de pesquisa empírica de ponta, resultado de um trabalho que leva nosso entendimento sobre riqueza e desigualdade para o ponto mais alto da história. Piketty, porém, não é o novo Marx ou Keynes (ou nem mesmo o salvador da economia política no século XXI): é brilhante, estava no lugar certo na hora certa, mas sua obra e suas conclusões ainda vão ter que sobreviver a vários testes de realidade para que a aura de profeta se justifique. O lado positivo é que ele parece saber disso, e deve continuar seu excelente trabalho, agora como improvável herói de um ramo do conhecimento que, ao menos aos olhos do público geral, andava a procura de uma figura sobrehumana.
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domingo, 5 de janeiro de 2014
Volcker e a austeridade (na pele)
![]() |
| Paul Volcker, velho batuta |
Em 1979, quando Paul Volcker foi nomeado presidente do Federal Reserve Bank, perdeu 50% de sua receita e foi morar numa quitinete de estudante em Washington. Sua mulher ficou em Nova York e equilibrou as contas alugando um quarto de seu apartamento.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Temporada de caça aos ursos
2013 não está terminando bem para os pessimistas com os mercados de ações dos Estados Unidos. O índice S&P 500 deve terminar o ano perto dos 1800 pontos, tendo subido cerca de 25% com relação ao nível do final de 2012. A expectativa média das projeções que 14 grandes instituições apresentaram há um ano a seus clientes era 1534 pontos, mais de 17% abaixo de onde o mercado se encontra. O mais otimista entre esses (usualmente exageradamente otimistas) analistas esperava alta de pouco mais de 12%. Os pessimistas foram atropelados, mesmo com um cenário econômico pior do que se imaginava: em dezembro do ano passado, o Fed acreditava que o PIB americano cresceria, em 2013, entre 2,3% e 3,0%. O crescimento efetivo dificilmente passará de 2,0%.
O resto do texto está no Estadão.
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
As últimas leituras do ano..
... já que semana que vem começam minhas provas e não deve sobrar tempo pra diletantismo:
- McKinsey sobre os efeitos dos juros muitos baixos no mundo na distribuição.
- Stiglitz descendo a lenha na política de subsídio agrícolas dos EUA.
- O último Journal of Economic Perspectives sobre os 100 anos do Fed, com textos de Bernanke, Eichengreen, Feldstein, Sandel...
- Na visão (bem mercantilista) de Dani Rodrik, os verdadeiros heróis da economia global são: Áustria, Canadá, Filipinas, Lesoto e Uruguai.
- Robert Solow sobre crescimento igualitário.
- Teoria dos jogos aplicada a jantares.
- Coletânea de gráficos bacanas sobre as megacidades do mundo.
- Pankaj Mishra dá seus pitacos sobre o arranca-rabo entre Amartya Sen e Jagdish Bhagwati.
- Esporte e crescimento com redistribuição.
- A Irlanda está destruindo projetos residenciais abandonados.
- A América Latina enriqueceu e diminuiu desigualdade, mas o crime nunca foi tão alto.
- Tim Harford sobre renda mínima universal. A Suíça vai votar um pagamento mensal de 2.500 francos para cada adulto.
- O megatorneio de previsões de Philip Tetlock e Dan Gardner.
- Mangabeira Unger no BBC Hardtalk.
- Philip Roth x Bertrand Russell.
- John Gray esculachando Malcolm Gladwell.
- Os muros do mundo no Guardian.
- Já é aquela época do ano, de novo: as listas de melhores livros do ano do New York Times e do Financial Times.
- Os cinco melhores ensaios de George Orwell.
- A viagem de ônibus de 96 horas e 5.800 quilômetros (mesma distância de Nova York a Ocotal, Nicarágua) entre São Paulo e Lima.
- Se os times da NFL fossem para o futebol europeu...
- Forte candidata a foto do ano.
- McKinsey sobre os efeitos dos juros muitos baixos no mundo na distribuição.
- Stiglitz descendo a lenha na política de subsídio agrícolas dos EUA.
- O último Journal of Economic Perspectives sobre os 100 anos do Fed, com textos de Bernanke, Eichengreen, Feldstein, Sandel...
- Na visão (bem mercantilista) de Dani Rodrik, os verdadeiros heróis da economia global são: Áustria, Canadá, Filipinas, Lesoto e Uruguai.
- Robert Solow sobre crescimento igualitário.
- Teoria dos jogos aplicada a jantares.
- Coletânea de gráficos bacanas sobre as megacidades do mundo.
- Pankaj Mishra dá seus pitacos sobre o arranca-rabo entre Amartya Sen e Jagdish Bhagwati.
- Esporte e crescimento com redistribuição.
- A Irlanda está destruindo projetos residenciais abandonados.
- A América Latina enriqueceu e diminuiu desigualdade, mas o crime nunca foi tão alto.
- Tim Harford sobre renda mínima universal. A Suíça vai votar um pagamento mensal de 2.500 francos para cada adulto.
- O megatorneio de previsões de Philip Tetlock e Dan Gardner.
- Mangabeira Unger no BBC Hardtalk.
- Philip Roth x Bertrand Russell.
- John Gray esculachando Malcolm Gladwell.
- Os muros do mundo no Guardian.
- Já é aquela época do ano, de novo: as listas de melhores livros do ano do New York Times e do Financial Times.
- Os cinco melhores ensaios de George Orwell.
- A viagem de ônibus de 96 horas e 5.800 quilômetros (mesma distância de Nova York a Ocotal, Nicarágua) entre São Paulo e Lima.
- Se os times da NFL fossem para o futebol europeu...
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013
As consequências econômicas da senhora Yellen
O aspecto mais importante da nomeação de Janet Yellen para a presidência do Fed foi a nomeação em si. Primeiro, por ela ser a primeira mulher a ocupar esse posto, em um campo ainda amplamente comandado por homens. Annie Lowrey, no New York Times, observou que não há nenhuma mulher entre os 23 membros do conselho do Banco Central Europeu ou os 9 do mesmo órgão no Banco da Inglaterra, e apenas uma no equivalente do Japão. Fora do mundo desenvolvido, mulheres presidem os bancos centrais da África do Sul, Malásia e Botsuana, mas não há mais do que 10 no cargo mais importante dos bancos centrais do resto do mundo. Atualmente, não há nenhuma mulher entre os membros do nosso Copom.
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terça-feira, 8 de outubro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Leituras perdidas
- A miragem da classe média na América Latina.
- Bela lista de leituras para um mestrado caseiro em economia.
- Um ótimo compilador de notícias sobre conjuntura macroeconômica.
- Porque voos com passagens totalmente vendidas decolam da Venezuela com metade da lotação.
- Debate no NY Times sobre a crise diplomática Brasil-EUA.
- 10 mandamentos para o uso de e-mail, por Tim Harford.
- Um GIF animado útil, ensinando a melhorar a apresentação de gráficos.
- Desintelligentsia, blog novo do Vinicius Justo com o nobre propósito de desancar as asneiras ditas por aí. Vida longa!
- O Grande Lebowski em um minuto.
- Duke Ellington no Afeganistão (!!!)
- O CalTech disponibilizou em HTML o primeiro volume das célebres aulas de Richard Feynman.
- Clarice Lispector entrevistando Pablo Neruda.
- Bela lista de leituras para um mestrado caseiro em economia.
- Um ótimo compilador de notícias sobre conjuntura macroeconômica.
- Porque voos com passagens totalmente vendidas decolam da Venezuela com metade da lotação.
- Debate no NY Times sobre a crise diplomática Brasil-EUA.
- 10 mandamentos para o uso de e-mail, por Tim Harford.
- Um GIF animado útil, ensinando a melhorar a apresentação de gráficos.
- Desintelligentsia, blog novo do Vinicius Justo com o nobre propósito de desancar as asneiras ditas por aí. Vida longa!
- O Grande Lebowski em um minuto.
- Duke Ellington no Afeganistão (!!!)
- O CalTech disponibilizou em HTML o primeiro volume das célebres aulas de Richard Feynman.
- Clarice Lispector entrevistando Pablo Neruda.
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O Ibovespa está morto, vida longa ao Ibovespa!
Um exercício simples, que pode ser resolvido com duas buscas na internet: quais são as 10 maiores companhias dos Estados Unidos? E do Brasil? Se usarmos como critério as receitas anuais, as respostas são, para os EUA: Wal-Mart, Exxon Mobil, Chevron, Phillips 66, Berkshire Hathaway, Apple, General Motors, General Electric, Valero Energy e Ford Motor; e, para o Brasil: Petrobras, BR Distribuidora, Vale, Ipiranga Produtos, Volkswagen, Cargill, Fiat, Vivo, Raízen e Bunge. Todas as 10 maiores americanas fazem parte do S&P 500, o principal índice do mercado de ações por lá. No Brasil, apenas três são listadas na Bovespa, sendo uma delas de controle estatal.
O resto do texto está no Estadão.
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Gráficos do Dia - Desigualdade nos EUA
Emmanuel Saez, de Berkeley, atualizou os dados do seu famoso trabalho de 2003 (em parceria com Thomas Piketty) sobre desigualdade de renda nos EUA. Nunca antes na história daquele país os 1% mais ricos (em 2012, famílias com renda anual maior que US$ 112 mil) ou os 0,1% mais ricos (renda familiar maior que US$ 10,25 milhões) tiveram fração maior do total:
A Economist montou esse gráfico, derivado dos mesmos dados. Curioso ver que os ricos ganharam pra valer nos anos Clinton, com a "exuberância irracional" no mercado de ações, perderam pouco na recessão de 2011 e voltaram a prosperar nos anos Bush. E chocante notar que 95% do aumento da renda nos últimos quatro anos veio dos 1% mais ricos:
Joseph Stiglitz comentou no Financial Times.
A Economist montou esse gráfico, derivado dos mesmos dados. Curioso ver que os ricos ganharam pra valer nos anos Clinton, com a "exuberância irracional" no mercado de ações, perderam pouco na recessão de 2011 e voltaram a prosperar nos anos Bush. E chocante notar que 95% do aumento da renda nos últimos quatro anos veio dos 1% mais ricos:
Joseph Stiglitz comentou no Financial Times.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Leituras da Semana
- Duplo autojabá: falei para uma matéria da revista InfoMoney sobre o papel do Twitter em investimentos e um texto meu em inglês sobre livre comércio no Brasil.
- Relatório do Credit Suisse sobre infraestrutura no Brasil.
- O mais recente relatório anual da OECD sobre educação.
- Relatório anual da UNCTAD sobre investimentos globais.
- Robert Gordon e uma teoria para a estagnação dos EUA.
- Entrevista de José Alexandre Scheinkman para a Folha. Scheinkman está trocando Princeton por Columbia.
- Um modelo econômico para o mercado de etanol no Brasil.
- Dylan Grice sobre o valor intrínseco do ouro.
- Timothy Garton Ash sobre a liderança da Alemanha na Europa.
- Duas conferências de Barry Eichengreen em São Paulo.
- Entrevista do FT com Edward Tufte.
- Os filmes favoritos de Kubrick, Scorsese, Woody Allen, Coppola, Tarantino... A lista de filmes que Spike Lee recomenda a seus alunos na NYU.
- Problemas envolvendo o Microsoft Word.
- As semelhanças entre Walter White, Steve Jobs e Marc Zuckerberg.
- Como escolher as melodias mais bonitas já compostas.
- Relatório do Credit Suisse sobre infraestrutura no Brasil.
- O mais recente relatório anual da OECD sobre educação.
- Relatório anual da UNCTAD sobre investimentos globais.
- Robert Gordon e uma teoria para a estagnação dos EUA.
- Entrevista de José Alexandre Scheinkman para a Folha. Scheinkman está trocando Princeton por Columbia.
- Um modelo econômico para o mercado de etanol no Brasil.
- Dylan Grice sobre o valor intrínseco do ouro.
- Timothy Garton Ash sobre a liderança da Alemanha na Europa.
- Duas conferências de Barry Eichengreen em São Paulo.
- Entrevista do FT com Edward Tufte.
- Os filmes favoritos de Kubrick, Scorsese, Woody Allen, Coppola, Tarantino... A lista de filmes que Spike Lee recomenda a seus alunos na NYU.
- Problemas envolvendo o Microsoft Word.
- As semelhanças entre Walter White, Steve Jobs e Marc Zuckerberg.
- Como escolher as melodias mais bonitas já compostas.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
Albert O. Hirschman e a Brahma
Malcolm Gladwell, abrindo um texto sobre Albert O. Hirschman:
Cristiane Correa em Sonho Grande, a história do império construído por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira:
In the mid-nineteenth century, work began on a crucial section of the railway line connecting Boston to the Hudson River. The addition would run from Greenfield, Massachusetts, to Troy, New York, and it required tunnelling through Hoosac Mountain, a massive impediment, nearly five miles thick, that blocked passage between the Deerfield Valley and a tributary of the Hudson.
James Hayward, one of New England’s leading railroad engineers, estimated that penetrating the Hoosac would cost, at most, a very manageable two million dollars. The president of Amherst College, an accomplished geologist, said that the mountain was composed of soft rock and that tunnelling would be fairly easy once the engineers had breached the surface. “The Hoosac . . . is believed to be the only barrier between Boston and the Pacific,” the project’s promoter, Alvah Crocker, declared.
Everyone was wrong. Digging through the Hoosac turned out to be a nightmare. The project cost more than ten times the budgeted estimate. If the people involved had known the true nature of the challenges they faced, they would never have funded the Troy-Greenfield railroad. But, had they not, the factories of northwestern Massachusetts wouldn’t have been able to ship their goods so easily to the expanding West, the cost of freight would have remained stubbornly high, and the state of Massachusetts would have been immeasurably poorer. So is ignorance an impediment to progress or a precondition for it?
Cristiane Correa em Sonho Grande, a história do império construído por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira:
No dia 6 de novembro de 1989 ele [Marcel Telles] pisou na cervejaria pela primeira vez. Um problema inesperado já o aguardava. Na ânsia de fechar o acordo com a Brahma, o Garantia dispensou a tradicional due dilligence, análise detalhada que o comprador realiza nas contas da empresa a ser adquirida antes que o negócio seja concretizado. Quando finalmente teve acesso a todos os números, Marcel tomou um susto. O fundo de previdência da cervejaria tinha um patrimônio de 30 milhões de dólares e uma necessidade de reservas para cumprir suas obrigações que somava 250 milhões de dólares - quatro vezes o valor que o banco havia pago para comprar a Brahma. Hoje, quando comentam o assunto, Marcel, Jorge Paulo e Beto dizem que foi ótimo não ter feito a lição de casa. Se soubessem o tamanho da encrenca, provavelmente não teriam levado o negócio adiante.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Os 1%
Gráficos do novo trabalho de Facundo Alvaredo, Anthony B. Atkinson, Thomas Piketty e Emmanuel Saez sobre como evolui a renda do primeiro percentil da população em vários países da OECD. Aqui fica sugerida a importância do papel da política tributária para a redução de desigualdade (clique nas figuras para aumentar)..
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Gráficos do Dia - mercado imobiliário nos EUA
Hoje foi divulgada a mais recente leitura do índice Case-Shiller. A recuperação do mercado imobiliário dos EUA parece cada vez mais sólida:
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| roubado do Quartz |
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| roubado do Zero Hedge |
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| roubado do Phil Izzo |
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Leituras da Semana
- Entrevista de André Lara Resende no Valor. Entrevista de Gustavo Franco no Estado.
- Teoria dos jogos aplicada à guerra cambial. O grande Ariel Rubinstein: "after nearly 40 years of engaging in this field [game theory], I have yet to encounter even a single application of game theory in my daily life."
- Perfil de Janet Yellen no NY Times.
- George Akerlof sobre o futuro da macroeconomia aplicada.
- Como 37 bancos se transformaram nos quatro gigantes americanos.
- A carta de despedida de Jim O'Neill.
- Brian Eno inicia uma troca de cartas com Nassim Taleb.
- Daron Acemoglu Facts e Stuff Keynes Said.
- A melhor carreira para recém-formados nos EUA é... engenharia!
- Stephen Wolfram brincando com dados de usuários do Facebook.
- O projeto mais alucinado da ditadura brasileira?
- Como mudou o mapa da Europa desde os tempos do Império Romano.
- Para quem gosta de listas: 65 pensadores globais e as 500 pessoas mais poderosas do mundo.
- 17 segredos de comissários de voo.
- Teoria dos jogos aplicada à guerra cambial. O grande Ariel Rubinstein: "after nearly 40 years of engaging in this field [game theory], I have yet to encounter even a single application of game theory in my daily life."
- Perfil de Janet Yellen no NY Times.
- George Akerlof sobre o futuro da macroeconomia aplicada.
- Como 37 bancos se transformaram nos quatro gigantes americanos.
- A carta de despedida de Jim O'Neill.
- Brian Eno inicia uma troca de cartas com Nassim Taleb.
- Daron Acemoglu Facts e Stuff Keynes Said.
- A melhor carreira para recém-formados nos EUA é... engenharia!
- Stephen Wolfram brincando com dados de usuários do Facebook.
- O projeto mais alucinado da ditadura brasileira?
- Como mudou o mapa da Europa desde os tempos do Império Romano.
- Para quem gosta de listas: 65 pensadores globais e as 500 pessoas mais poderosas do mundo.
- 17 segredos de comissários de voo.
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quarta-feira, 24 de abril de 2013
Pensando alto sobre mercados
Esse é daqueles posts que faço pra organizar minha cabeça. Não deve ser de interesse para quem não se interessa por mercados ou futurologia gratuita (devem sobrar dois leitores).
Depois dos problemas com o sistema bancário do Chipre, passei a trabalhar com a possibilidade que poderíamos voltar a ver sombras de uma crise bancária generalizada sobre a Europa. Por um tempo essa tese encontrou correspondência nos mercados: as bolsas do continente, no geral, tiveram desempenho pior do que as dos EUA; e, dentre essas bolsas, sofreram mais as de países com grande peso de bancos no índice e maior percepção de fragilidade (Espanha, França, Itália). Há mais ou menos dez dias esses movimentos se intensificaram, com bolsas americanas também caindo e alguns movimentos violentos em commodities dando indicações de uma mini-crise deflacionária.
Em algum momento da semana passada, isso mudou, com os movimentos descritos acima sendo descontinuados: bolsas europeias passaram a subir, deixando EUA para trás; entre essas bolsas, os maiores ralis foram nos países mais frágeis. O ouro começou a se recuperar de um movimento particularmente agudo e o iene voltou a se depreciar contra a maioria das outras moedas. O dólar seguiu se fortalecendo e os juros de títulos longos em parte do mundo desenvolvido fizeram novas mínimas.
Como fundo a isso, vejo duas possibilidades:
i. Uma recuperação técnica, já que alguns dos índices europeus estavam testando suportes importantes, que, se respeitados, levariam a uma correção da queda e possível formação de um intervalo bem definido para os próximos meses;
ii. Indicação de corte de juros pelo Banco Central Europeu - isso seria compatível com as indicações de atividade mais fraca na Alemanha, o movimento das bolsas, dos títulos e do euro. Também estaria em linha com o tema geral de iniciativa dos bancos centrais, que deixaram de reagir a choques e passaram a tomar iniciativas para tentar promover crescimento.
Se (ii) estiver correto, poderemos ver bolsas fazendo novas máximas para o ano e, eventualmente, o euro encontrando um novo patamar, mais perto de US$1,20. Com o dólar relativamente forte, é mais difícil para commodities encontrarem espaço para subir, o que daria continuidade à fraqueza relativa de moedas de produtores e suas respectivas bolsas.
Ontem outro fato me convenceu de que provavelmente estamos no início de um período de recuperação das bolsas da Europa com relação às dos EUA: a Apple, que foi claramente a líder dos índices americanos no ano passado, anunciou recompra de ações e aumento de dividendos. Creio que a mensagem é que a companhia perdeu, ao menos temporariamente, a capacidade de gerar lucros com base em inovação, e está gastando caixa para agradar acionistas e comprar tempo (e tomando um risco de cross-border grande, já que o caixa da companhia está no exterior e ela tomará empréstimos nos EUA para pagar as recompras e dividendos). Isso pode ser bom para os preços das ações no curto prazo, mas me parece um sinal claro de que a companhia está num momento de inflexão (como se não bastasse o movimento dos preços). Evidentemente tudo pode mudar com o lançamento de novos produtos, mas não é bom contar com isso (o que também ficou evidenciado desde o ano passado, quando muitos analistas citavam a "capacidade infinita de inovar" da empresa como justificativa para preços-alvo ao redor de $1,000). Se a Apple não lidera, os candidatos naturais são os bancos, novamente registrando lucros recorde. Porém, se é esse o tema dominante, há muito mais espaço para recuperação na Europa, a preços mais descontados e possibilidade de aumento de lucros com juros mais baixos e outras possíveis benesses do BCE.
No médio / longo prazo, é importante notar que quase toda a recuperação dos mercados estará fundada em ideias no mínimo duvidosas: que bancos centrais podem influenciar decisivamente os níveis de atividade e preços, que ações de bancos com problemas graves de balanço podem valer alguma coisa e que bancos são os melhores instrumentos para distribuir dinheiro público para toda a economia. Isso faz com que os níveis atuais sejam extremamente frágeis, já que não parece haver melhora significativa em fundamentos (justo o contrário, em alguns casos). Porém, talvez o confronto com a realidade demore a acontecer, e também é possível que a primeira indicação (dados do Japão neste ano) apontem para a direção oposta, de sucesso da iniciativa de expansão monetária. O "sucesso" levaria, claro, a mais incentivos para repetição desse tipo de política, inflando ainda mais preços e deixando cada vez menos opções à disposição dos governos.
Em resumo, creio que tudo vai acabar em lágrimas, mas provavelmente estamos num período de euforia para alguns mercados, até que um novo esqueleto saia do armário (não são poucos enfiados nos balanços de bancos na Europa). Na dúvida, compre dólares.
Depois dos problemas com o sistema bancário do Chipre, passei a trabalhar com a possibilidade que poderíamos voltar a ver sombras de uma crise bancária generalizada sobre a Europa. Por um tempo essa tese encontrou correspondência nos mercados: as bolsas do continente, no geral, tiveram desempenho pior do que as dos EUA; e, dentre essas bolsas, sofreram mais as de países com grande peso de bancos no índice e maior percepção de fragilidade (Espanha, França, Itália). Há mais ou menos dez dias esses movimentos se intensificaram, com bolsas americanas também caindo e alguns movimentos violentos em commodities dando indicações de uma mini-crise deflacionária.
Em algum momento da semana passada, isso mudou, com os movimentos descritos acima sendo descontinuados: bolsas europeias passaram a subir, deixando EUA para trás; entre essas bolsas, os maiores ralis foram nos países mais frágeis. O ouro começou a se recuperar de um movimento particularmente agudo e o iene voltou a se depreciar contra a maioria das outras moedas. O dólar seguiu se fortalecendo e os juros de títulos longos em parte do mundo desenvolvido fizeram novas mínimas.
Como fundo a isso, vejo duas possibilidades:
i. Uma recuperação técnica, já que alguns dos índices europeus estavam testando suportes importantes, que, se respeitados, levariam a uma correção da queda e possível formação de um intervalo bem definido para os próximos meses;
ii. Indicação de corte de juros pelo Banco Central Europeu - isso seria compatível com as indicações de atividade mais fraca na Alemanha, o movimento das bolsas, dos títulos e do euro. Também estaria em linha com o tema geral de iniciativa dos bancos centrais, que deixaram de reagir a choques e passaram a tomar iniciativas para tentar promover crescimento.
Se (ii) estiver correto, poderemos ver bolsas fazendo novas máximas para o ano e, eventualmente, o euro encontrando um novo patamar, mais perto de US$1,20. Com o dólar relativamente forte, é mais difícil para commodities encontrarem espaço para subir, o que daria continuidade à fraqueza relativa de moedas de produtores e suas respectivas bolsas.
Ontem outro fato me convenceu de que provavelmente estamos no início de um período de recuperação das bolsas da Europa com relação às dos EUA: a Apple, que foi claramente a líder dos índices americanos no ano passado, anunciou recompra de ações e aumento de dividendos. Creio que a mensagem é que a companhia perdeu, ao menos temporariamente, a capacidade de gerar lucros com base em inovação, e está gastando caixa para agradar acionistas e comprar tempo (e tomando um risco de cross-border grande, já que o caixa da companhia está no exterior e ela tomará empréstimos nos EUA para pagar as recompras e dividendos). Isso pode ser bom para os preços das ações no curto prazo, mas me parece um sinal claro de que a companhia está num momento de inflexão (como se não bastasse o movimento dos preços). Evidentemente tudo pode mudar com o lançamento de novos produtos, mas não é bom contar com isso (o que também ficou evidenciado desde o ano passado, quando muitos analistas citavam a "capacidade infinita de inovar" da empresa como justificativa para preços-alvo ao redor de $1,000). Se a Apple não lidera, os candidatos naturais são os bancos, novamente registrando lucros recorde. Porém, se é esse o tema dominante, há muito mais espaço para recuperação na Europa, a preços mais descontados e possibilidade de aumento de lucros com juros mais baixos e outras possíveis benesses do BCE.
No médio / longo prazo, é importante notar que quase toda a recuperação dos mercados estará fundada em ideias no mínimo duvidosas: que bancos centrais podem influenciar decisivamente os níveis de atividade e preços, que ações de bancos com problemas graves de balanço podem valer alguma coisa e que bancos são os melhores instrumentos para distribuir dinheiro público para toda a economia. Isso faz com que os níveis atuais sejam extremamente frágeis, já que não parece haver melhora significativa em fundamentos (justo o contrário, em alguns casos). Porém, talvez o confronto com a realidade demore a acontecer, e também é possível que a primeira indicação (dados do Japão neste ano) apontem para a direção oposta, de sucesso da iniciativa de expansão monetária. O "sucesso" levaria, claro, a mais incentivos para repetição desse tipo de política, inflando ainda mais preços e deixando cada vez menos opções à disposição dos governos.
Em resumo, creio que tudo vai acabar em lágrimas, mas provavelmente estamos num período de euforia para alguns mercados, até que um novo esqueleto saia do armário (não são poucos enfiados nos balanços de bancos na Europa). Na dúvida, compre dólares.
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