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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Still crazy after all these years
- Um bom trabalho do FMI sobre a eterna questão dos juros altos no Brasil.

- A performance de vários ativos nos cinco anos desde o início da crise.

- Saiu a lista de indicados para o prêmio de livro de negócios do ano pelo Financial Times. Vergonhosamente, ainda não li nenhum deles. A Diane Coyle, do The Enlightened Economist, montou sua própria lista.

- Um repórter do Spiegel, alemão nascido na Espanha, refaz a viagem de férias da sua infância e faz uma bela crônica da crise.

- Ezra Klein, do Washington Post, andou pelo Brasil e montou uma compilação interessante de dados sobre o país.

- Raghuram Rajan volta para a Índia, para um cargo que deve ser muito, muito difícil.

- O fim dos "milagres" de crescimento.

- Grande coletânea de gráficos e dados sobre o mercado imobiliário americano.

- Galeria de fotos sobre ouro, da mineração às medalhas olímpicas.

- Última semana de links olímpicos (e eu finalmente vou ter minha vida de volta): o quadro de medalhas per capita. A final dos 100m rasos no último domingo foi a corrida mais rápida da história. Fotos dos momentos de glória em Londres (a do fundista Mo Farah abraçando o mascote é épica). A saga rocambolesca da família dos boxeadores Esquiva e Yamaguchi Falcão. Coisas estranhas acontecem quando a equipe de handebol de um país de 320 mil habitantes ganha uma medalha olímpica. Algumas lições de desenvolvimento aplicado às Olimpíadas. Hoje completa 35 anos Luciana Aymar, a "Maradona de saias", possivelmente a maior jogadora de hóquei da história, e as Leonas disputam a final olímpica contra a Holanda. Fica a torcida da casa.

- E o gráfico do dia, dessa pesquisa esculhambada do FT Alphaville:


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Leituras da Semana

- Apresentação de Jim Chanos sobre o que ele considera armadilhas de valor (Petrobras entre elas).

- Liaquat Ahamed, de Lords of Finance, sobre a atual geração de banqueiros centrais.

- Os últimos países AAA.

- Jens Nordvig, do Nomura, sobre a volta da dominância de política sobre a economia.

- Anatole Kaletsky sobre as consequências de uma eventual saída da Alemanha do euro.

- Mark Dow sobre metais preciosos.

- Persio Arida fala ao Estado sobre o Plano Real (prestes a completar 18 anos) e o Brasil de hoje.

- Fabuloso artigo de Deirdre McCloskey sobre felicidade, uma crítica aguda e pertinente aos "quantitative hedonists".Quando não se perde na própria erudição, McCloskey tem, de longe, o melhor texto que conheço entre economistas vivos. Vejam esse trecho: "Decades ago, I was in Paris alone and decided to indulge myself with a good meal, which, you know, is rather easy to do in Paris. The dessert was something resembling crème brulée, but much, much better. I thought, “I shall give up my professorships at the University of Iowa in economics and history, retire to this neighborhood on whatever scraps of income I can assemble, and devote every waking moment to eating this dessert.” It seemed like a good idea at the time."

- Qual o candidato à presidência dos EUA mais preparado para lidar com uma invasão alienígena?

- A Manifesto for Economic Sense

- O centro de gravidade da economia global.

- Conheça La Línea de la Concepción, a vizinha espanhola de Gibraltar e interessante (e deprimente) microcosmo da crise na Espanha.

- The Economist comenta a biografia de Ryszard Kapuscinski, agora traduzida para o Inglês.

- John Gray desconstrói Slavoj Žižek (e não sobra muita coisa).Guardian sobre Žižek .

- Um congestionamento de 12 horas em Lagos, Nigéria.

- Uma teoria geral dos tipos de Muppets.

- A resposta de Ronald Reagan a um quarto de adolescente declarado área de desastre (via goombagoomba).

- Algumas concorrentes do concurso anual de fotografia de viagem da National Geographic (a que ilustra este post está entre elas).

- Os 10 mandamentos do bowieismo.

- A Noite Estrelada, de Van Gogh, com dominós.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uma olhada em commodities

Esclarecimento prévio necessário: estou muito longe de ser especialista em commodities, e reconheço que esses mercados são cheios de nuts & bolts que estou longe de compreender. Olho commodities como olho, por exemplo, o mercado imobiliário da Austrália, a milhares de quilômetros de distância e de uma perspectiva meio abstrata, meio global demais. Devo cometer vários erros de supersimplificação; correções e comentários são sempre muito benvindos. Dito isso...

Meu pessimismo com preços de commodities existe há algum tempo, é crescente e começa a ser confirmado pelos mercados. Minha convicção é que a alta estrutural de vários produtos deve-se a demanda da China, que parece pelo menos mais fraca do que nos últimos anos (o que eu acho mesmo é que a economia da China evoluiu para uma grande fraude, mas isso fica na opinião leviana, por enquanto). Além disso, creio que boa parte da demanda especulativa (alguém que tente provar que não existe) foi alimentada nos últimos anos pela ideia que o dólar americano é estruturalmente fraco e todos os preços marcados em dólar deveriam subir. Outra ideia bastante frequente (usada como argumento para comprar ouro) é o risco de inflação e de destruição do sistema de moeda fiduciária. A julgar pelos juros, o risco mais concreto no momento é o de deflação, e o sistema de moeda fiduciária está passando pelo teste do presidente do maior banco central do mundo imprimindo quantias épicas de dinheiro, sem abalo na confiança. Abaixo coloco alguns dados que achei pertinentes:

1. Esses gráficos são de um working paper recente e muito interessante do FMI, onde o autor analisa o impacto de choques de demanda em diversas commodities:





Notemos a importância da China no comércio de dois dos principais produtos da pauta de exportações do Brasil: minério de ferro e soja. No ano passado, minério de ferro correspondeu a 17% dos US$ 219 bilhões exportados pelo Brasil; soja e seus derivados, 9,4%. As exportações desses dois produtos para a China somaram quase US$ 32 bilhões, mais do que o saldo acumulado de toda balança comercial (esses dados todos são cortesia do Credit Suisse). O governo brasileiro gastou muito tempo e saliva falando da guerra cambial e lutando contra um câmbio muito apreciado; pode, em breve, sofrer da maldição de conseguir o que queria.

2. Um dos indicadores que mais gosto de acompanhar para medir a preocupação do mercado com a China são as ações das principais empresas produtoras de minério de ferro. Todas tiveram um desempenho de ruim a muito ruim nos últimos três meses, mas a maioria ainda ganha no acumulado do ano. Seguirei acompanhando:


3. Ouro: acho que esse gráfico (feito pelo Morgan Stanley) dá uma boa medida da especulação nesse mercado. Notemos que a demanda final vem caindo desde 2005, enquanto o preço mais que triplicou nesse período - evidentemente pelo aumento da demanda do metal como investimento, especulação ou hedge.


A cara do gráfico de preços não é boa:


4. Também não parecem bons os gráficos de outros indicadores:

Índice CRB
DBA (commodities agrícolas)

Petróleo (WTI, 1º futuro)

Talvez seja para isso que o Banco Central esteja olhando quando diz que o cenário externo continua desinflacionário, e, por enquanto, é difícil discordar (pelo menos enquanto o câmbio não anular as quedas nos preços em dólares).

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Leituras da Semana

- Charlie Munger, o primeiro violino do maestro Warren Buffett, faz companhia a Keynes na definição de ouro como uma "relíquia bárbara": "I think gold is a great thing to sew in to your garments if you're a Jewish family in Vienna in 1939 but I think civilized people don't buy gold." A maioria dos americanos acha que ouro é o investimento mais seguro (seguido de imóveis, não parecem ter aprendido muito).

- O poder da "repressão financeira" para destruir dívida.


- Um bom relatório do Santander sobre os limites (ou falta deles) para a atuação do BNDES.

- Os fantásticos cursos abertos virtuais de Yale viraram livros. A iniciativa é tão bacana que eu deveria fazer propaganda toda semana. Dá para aprender sobre mercados financeiros com um tal Robert Shiller; eu comecei a assistir a um curso sobre capitalismo que parece muito bom.

- Enquanto isso, na UERJ, você pode aprender como se tornar um ninja.

- Elio Gaspari e o cheiro de picaretagem no livro Breakout Nations (o autor diz que o Plano Real saiu durante o governo Collor). A The Economist resenhou.

- Raghuram Rajan publicou, na Foreign Affairs, um artigo muito comentado sobre as possíveis lições da recessão nos EUA. Aqui um resumo das discussões.

- John Kay defende o fim do oligopólio bancário e menores barreiras de entrada no setor.

- Shaquille O'Neal agora é doutor (provavelmente o maior do mundo). Título da tese: How Leaders Utilize Humor or Seriousness in Leadership Styles.

- Uma conversa do Wall Street Journal com Deirdre McCloskey (é de Janeiro, tinha deixado passar).

- Para quem estiver pensando em seguir carreira de trader.

- Hugh Hendry preocupado com a "monocultura de fundos". Eu, com iniciativas como a do banco central do Japão, que está comprando ETFs de ações. A época parece ser de grande ameaça para livres mercados.

- James Montier, da GMO, na conferência anual do CFA Institute.

- Celso Barros, do NPTO, sobre as complicações de ler Marx.


- Das Kapital... em quadrinhos.

- O ministério de piadas prontas de Portugal, numa tentativa de amenizar a crise, cortou quatro feriados do calendário. Ganha um (ig)Nobel quem provar a relação entre número de feriados em um país e crescimento econômico.