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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Temporada de caça aos ursos

2013 não está terminando bem para os pessimistas com os mercados de ações dos Estados Unidos. O índice S&P 500 deve terminar o ano perto dos 1800 pontos, tendo subido cerca de 25% com relação ao nível do final de 2012. A expectativa média das projeções que 14 grandes instituições apresentaram há um ano a seus clientes era 1534 pontos, mais de 17% abaixo de onde o mercado se encontra. O mais otimista entre esses (usualmente exageradamente otimistas) analistas esperava alta de pouco mais de 12%. Os pessimistas foram atropelados, mesmo com um cenário econômico pior do que se imaginava: em dezembro do ano passado, o Fed acreditava que o PIB americano cresceria, em 2013, entre 2,3% e 3,0%. O crescimento efetivo dificilmente passará de 2,0%.

O resto do texto está no Estadão.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Arte

Marc Johns:


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Leituras das Últimas Semanas

Adam Smith faria 290 anos hoje
- Reforma e contra-reforma dos sistemas bancários do mundo desenvolvido, por Andrew Haldane.

- Entrevista com a brasileira Leda Braga, da BlueCrest, uma das gestoras (de qualquer gênero) de fundos  mais bem sucedidas do mundo.

- Apresentação de Dani Rodrik sobre a crise europeia.

- Uma volta dos bond vigilantes?

- Keynes: “How long will it be found necessary to pay City men so entirely out of proportion to what other servants of society commonly receive for performing social services not less useful or difficult?”

- Bresser-Pereira, depois de longos anos, jogou a toalha com a economia argentina. Salve-se quem puder.

- Longa reportagem do Financial Times sobre a Colômbia.

- Uma resenha da autobiografia de Benoît Mandelbrot.

- Versão eletrônica grátis da autobiografia de Deirdre McCloskey.

- Boa análise da política econômica do futebol brasileiro.

- As hospedagens mais caras do mundo.

- Porque a educação na Finlândia é tão boa.

- Dambisa Moyo x Bill Gates.

- Tyler Cowen sobre Borgen.

- Um ótimo ensaio sobre ensaios.

- Os 15 países mais difíceis de se visitar.

- O que se aprende usando apenas produtos do Google.

- Para quem gosta de drogas pesadas, vários downloads gratuitos de Anthony Braxton.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Avaliando fundos

Dilbert de hoje:


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Leituras da Semana

- Pesquisa do Deutsche Bank sobre preços pelo mundo.

- Uma aula de humildade (parece sincera) por Bill Gross.

- O que a Europa tem a aprender com as crises de dívida da América Latina.

- Charles Gave prevê uma depressão para a França.

- Entrevista da Salon com Jim Chanos.

- John Cassidy sobre Janet Yellen, a possível futura presidente do Fed.

- Robert M. Solow sobre Ben Bernanke e a financialização nos EUA.

- George Soros volta a defender a emissão de eurobônus.

- Barry Eichengreen e a influência da história nas políticas monetárias dos EUA e da Europa.

- A entrevista mais recente de Stanley Druckenmiller, para a Bloomberg.

- Um documentário sobre planos de estabilização no Brasil (ainda não vi).

- Os departamentos de história nos EUA voltaram a estudar o capitalismo.

- Qual questão vários cientistas temem ser perguntados?

- Quatro livros de Tony Judt estão sendo relançados nos EUA.

- Como investir na Coreia do Norte.

- O tratado definitivo sobre tretas na internet.

- Uma tabela periódica do jazz.

- Ian McEwan sobre Margaret Thatcher. Sua carreira em 10 momentos e pelas capas da The Economist. Recomendação de livros sobre o thatcherismo.

- Dana Stevens, a ótima crítica de cinema da Slate, sobre Roger Ebert. Duas das críticas mais legais dele: a do lançamento de Apocalypse Now e  a de Waking Life para a série Great Movies.

- Literatura erótica, literalmente.

- A explicação definitiva para a escalada dos preços do tomate.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dylan Grice

Dylan Grice deixou o time de estrategistas do Societe Generale no final do ano passado (seguindo os passos de outro grande profisisonal que passou por lá, James Montier, foi trabalhar com gestão de fundos). O banco fez a gentileza de compilar o melhor de seus textos entre 2009 e 2012, recomendo fortemente a leitura.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

David Einhorn: mais um ilustre pessimista com minério de ferro

David Einhorn junta-se a Jim Chanos ao prever dias difíceis para as mineradoras:


Mais na última carta trimestral da Greenlight Capital.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O mundo de acordo com Paul McCulley

Paul McCulley era um dos mais influentes Fed watchers enquanto trabalhava na PIMCO, de onde se aposentou no final de 2010. Hoje dedica-se a pescar e escrever para o Global Interdependence Center, uma ONG sediada na Filadélfia criada para promover o livre comércio. Em seu último trabalho (em coautoria com Zoltan Pozsar), ele desenha o seguinte mapa da macroeconomia global:


McCulley é, declaradamente, seguidor de Keynes e Minsky. Aqui, dá um passo em direção às heterodoxias que apareceram nos últimos anos, como a Teoria Monetária Moderna, defendendo que a única solução possível (que evitará uma depressão) para os bancos centrais e governos do mundo desenvolvido é alimentar uma simbiose entre bancos centrais e tesouros, na direção do que ele chama de "helicopter money" (o quadro 6 do mapa). Vale a leitura para entender o tal mapa e notar quanto essas ideias radicais estão ganhando em influência.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Algumas cartas históricas de hedge funds

Opiniões que envolvem dinheiro, diz a teoria, valem mais - daí eu achar preferível ler sobre mercados nas palavras de gestores de fundos do que de economistas e estrategistas de bancos e corretoras. As cartas aos investidores do passado são grandes documentos históricos e potenciais fontes de aprendizado: lá estão as decisões sob incerteza, os vieses, as desculpas, a sorte, o azar... Abaixo alguns exemplos que eu coletei ao longo dos últimos anos:

- 2000, perto do topo da bolha de tecnologia (a máxima do índice Nasdaq foi em 10 de março). Dois gestores lendários entregam os pontos, a poucos meses de se provarem corretos:

Em 30 de março, Julian Robertson, da Tiger Funds:


The current technology, Internet and telecom craze, fueled by the performance desires of investors, money managers and even financial buyers, is unwittingly creating a Ponzi pyramid destined for collapse. The tragedy is, however, that the only way to generate short-term performance in the current environment is to buy these stocks. That makes the process self-perpetuating until the pyramid eventually collapses under its own excess.
(...)
Consequently, after thorough consideration, I have decided to return all capital to our investors, effectively bringing down the curtain on the Tiger funds. We have already largely liquefied the portfolio and plan to return assets as outlined in the attached plan.


Em 28 de abril, George Soros:


We have come to realize that a large hedge fund like Quantum Fund is no longer the best way to manage money. Markets have become extremely unstable and historical measures of value at risk no longer apply. Quantum Fund is far too big and its activities too closely watched by the market to be able to operate successfully in this environment.

Ambas as cartas completas aqui.


- John Paulson, em fevereiro de 2008, quando o "greatest trade ever" acelerou os ganhos que fariam dele um multibilionário:


Given the current trends in the industry, we believe it is highly likely that the losses in RMBS will severely impair or extinguish the BBB and BBB- tranches we are short. Therefore, while the bonds declined significantly in February, subject to mark to market volatility, we think the bonds will move much lower in the upcoming months. If the subprime origination market ultimately shuts down, which recent events indicate it likely will, then these tranches may collapse as defaults will rise to unprecedented levels as subprime Adjustable Rate Mortgages reset at usurious interest rates (Libor plus 600 bps) with limited sources to refinance.


Carta completa aqui.

- Outubro de 2008, Andrew Lahde, outro que lucrou com o furo da bolha imobiliária nos EUA, encerra as atividades:


Recently, on the front page of Section C of the Wall Street Journal, a hedge fund manager who was also closing up shop (a $300 million fund), was quoted as saying, “What I have learned about the hedge fund business is that I hate it.” I could not agree more with that statement. I was in this game for the money.
(...)
I will no longer manage money for other people or institutions. I have enough of my own wealth to manage. Some people, who think they have arrived at a reasonable estimate of my net worth, might be surprised that I would call it quits with such a small war chest. That is fine; I am content with my rewards. Moreover, I will let others try to amass nine, ten or eleven figure net worths.Meanwhile, their lives suck. Appointments back to back, booked solid for the next three months, they look forward to their two week vacation in January during which they will likely be glued to their Blackberries or other such devices. What is the point? They will all be forgotten in fifty years anyway. Steve Balmer, Steven Cohen, and Larry Ellison will all be forgotten. I do not understand the legacy thing. Nearly everyone will be forgotten. Give up on leaving your mark. Throw the Blackberry away and enjoy life.
(...)
I now have time to repair my health, which was destroyed by the stress I layered onto myself over the past two years, as well as my entire life – where I had to compete for spaces in universities and graduate schools, jobs and
assets under management – with those who had all the advantages (rich parents) that I did not.
(...)
At a time when rhetoric is flying about becoming more self-sufficient in terms of energy, why is it illegal to grow this plant in this country? Ah, the female. The evil female plant – marijuana. It gets you high, it makes you laugh, it does not produce a hangover. Unlike alcohol, it does not result in bar fights or wifebeating. So, why is this innocuous plant illegal? Is it a gateway drug? No, that would be alcohol, which is so heavily advertised in this country. My only conclusion as to why it is illegal, is that Corporate America, which owns Congress, would rather sell you Paxil, Zoloft, Xanax and other additive drugs, than allow you to grow a plant in your home without some of the profits going into their coffers. This policy is ludicrous.
Carta completa aqui.


- Fevereiro de 2010, os mercados de metais básicos espirram e o Ebulio Commodity Fund pega ebola:

February 2010 was the worst month in the history of the Ebulio Commodity Fund and we regret to report a return of -86.25 pct for the month, which brings our total return for the year to -95.83 pct and to -89.63 pct since inception.
(...)
Ebulio Capital Management LLP is also strong and has, as a token of confidence in the future, waived its 2 pct management fee for 2010.

O gran finale é a citação do personagem de Jeff Bridges em Crazy Heart:

"You don't see it coming, until it's gone..."

Carta completa aqui.

- Agosto de 2010, Stanley Druckenmiller anuncia sua aposentadoria:


After much self reflection, I have decided to retire from managing client funds and I wanted to give you prompt notice of my intentions and explain the reasons for this. I have had to recognize that competing in the markets over such a long timeframe imposes heavy personal costs. While the joy of winning for clients is immense, for me the disappointment of each interim drawdown over the years has taken a cumulative toll that I cannot continue to sustain.

Carta completa aqui.

- Setembro de 2011, Bruce Kovner também se aposenta:


I write you this letter to announce that on December 31st of this year, I will retire as Chairman and CEO of Caxton Associates After 34 years in the trading business and  rnore than 28 years leading Caxton, the time has corne to hand the leadership of the  company to a new generation.

Carta completa aqui.

Agradeço a indicação de outras cartas históricas nos comentários.




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Conferindo as previsões para 2012

Hora do leitor se divertir com a pretensão deste escriba ao imaginar há um ano o que aconteceria nos doze meses seguintes:


- Juros reais no Brasil vão seguir caindo. Investir em NTN-Bs seguirá sendo uma boa opção, o retorno deve superar o CDI por mais um ano.

Comecei com um mega acerto: para a alegria dos fundos multimercados, os juros caíram de forma praticamente ininterrupta durante 2010. Para os detentores de NTN-B, melhor ainda, já que a inflação seguiu relativamente alta. O rendimento anual da NTN-B 2022 caiu de 5,47% para 3,32%, e o índice IMA-B rendeu quase 27% no ano. 1 / 1.

- Juros das Treasuries americanas também cairão, fazendo novas mínimas históricas.

Fato: os juros de 10 anos americanos começaram o ano a 1,95%, terminaram a 1,80%, mas chegaram a 1,39% em julho, menor taxa desde sempre. 1 / 1.

- Juros de 10 anos dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Alemanha começam 2012 mais ou menos nos mesmos níveis (entre 1,9% e 2,0%). Acredito em algumas apostas de divergência, comprando EUA e Canadá e vendendo os outros dois.

A hipótese por trás dessa previsão é que o mercado de renda fixa ia começar a diferenciar ainda mais entre os créditos soberanos; aconteceu justo o contrário: spreads fecharam e os juros tiveram uma nova convergência. No caso da Europa, a decisão da Alemanha de, indiretamente, financiar a dívida da parte "ruim" do continente não só não piorou sua percepção de risco de crédito, mas muito dinheiro entrou no país em busca de segurança. Os juros de EUA, Canadá e Inglaterra terminaram 2012 mais ou menos no mesmo patamar (perto de 1,9%); a Alemanha furou de vez a previsão e encerrou o ano pagando 1,32%. 0 / 1.

- Política monetária segue frouxa no mundo todo. E tome QE3 nos EUA, QEn no Reino Unido, algo parecido na Europa...

Sim, bancos centrais seguiram muito ativos, e a política monetária seguiu bastante frouxa (mais em termos de juros baixos do que em crescimento de balanços - monetaristas vão preferir esta medida). A próxima alta de juros no mundo desenvolvido concorre no futuro distante com a volta do cometa Halley. 1 / 1.

- O real vai seguir se depreciando contra o dólar americano, assim como o rand sul-africano, a lira turca, o peso mexicano e o forint húngaro.

2012 passou longe de ser um ano de fortalecimento geral do dólar. O real e o rand de fato se depreciaram, mas as demais moedas que listei bateram com gosto na minha cara (lira turca +6%, peso mexicano +8,4%, forint +10%). 0,3 / 1.

- Reservas internacionais brasileiras não chegam aos US$ 400 bilhões. Chance não desprezível de começarem a cair. Comprar CDS do Brasil e México a um prêmio de 160 b.p. (50 b.p. mais baixo que o da França) parece uma boa aposta assimétrica.

De novo previsão baseada na ideia de dólar mais forte, ou um aperto na liquidez nesta moeda. Valeu para as reservas do Brasil (terminaram o ano perto de US$380 bilhões, mais ou menos estáveis desde maio), mas os prêmios de CDS seguiram o fechamento dos spreads de renda fixa. Brasil e México começam 2013 com prêmios próximos a 100 b.p. (do ponto de vista de assimetria, a aposta agora é ainda melhor). 0,4 / 1.

- Sigo comprando bancos americanos, vendendo bancos europeus (o short selling está banido na maioria dos mercados na Europa, mas há como montar proxies disso).

A estratégia teria sido muito ganhadora se fosse revertida por volta do meio do ano. Desde então, o pacote de bondades de Mario Draghi e companhia provocou uma forte recuperação nas ações dos bancos europeus. Os índices que representam esses mercados tiveram desempenhos muito parecidos: o S&P500 Financials Index (EUA) subiu 26%; o Stoxx 600 Banks subiu 23,5%. 0,5 / 1.

- Se o crescimento da China ameaçar ir abaixo do esperado, o banco central voltará a desvalorizar o yuan. Acho o payoff dessa aposta muito bom, mesmo num cenário de crescimento inalterado, já que a maioria do mundo acha que o yuan só deveria se valorizar. Outra aposta muito boa em moedas é comprar coroa dinamarquesa contra euro, favorita do Cerebelo Econômico.

É, a maioria do mundo teve razão, e o yuan valorizou 1% contra o dólar durante 2012 (pelo menos confirmou a assimetria da aposta). O peg euro / coroa dinamarquesa seguiu inabalado. 0,2 / 1.

- Preços de imóveis nos EUA já fizeram a mínima; o índice Case-Shiller deve voltar a subir. Em São Paulo e no Rio, creio que estamos perto de uma inflexão. No melhor dos casos, acredito em altas até 10%, e o custo de oportunidade começaria a pesar.

A última leitura do Case-Shiller é do final de outubro; se vale a tendência, de fato, o índice fez uma mínima no final de 2011 e passou a subir. A alta até então era de 5%. Por aqui, o FIPE ZAP subia 13% nos doze meses até o final de novembro - nada perto da exuberância dos últimos anos, mas longe de causar alguma preocupação para os compradores. 0,5 / 1.

- Ações para vender: LinkedIn, Zynga, Groupon, Facebook (depois do IPO). No geral, negócios que dependem de muita fé em crescimento de fluxos de caixa futuros não irão bem (Grupo X?). Vou seguir apostando contra a Apple porque errei no ano passado (péssimo motivo, mas aqui passa).

Nas ações americanas LinkedIn bateu na minha cara (+75%), acertei em cheio as demais (Zynga -75%, Groupon -75%, Facebook caiu 33% do IPO até o final do ano). O ano de fato foi péssimo para os sócios do Eike Batista (OGX -65%, MMX -36%, LLX -25%, OSX -11%), assim como era o motivo para apostar contra a Apple (+33% - ainda que tenha valido a regra de bolso que diz que empresas ainda não conseguiram passar muito tempo com valor de mercado acima de US$500 bilhões). 0,7 / 1.

- Agências de classificação de risco vão continuar o mergulho na direção da irrelevância. Venderia ações da Moody's, por princípio. Possivelmente sofrerão ameaças ou represálias dos governos que tiverem suas notas rebaixadas.

Talvez tenha acertado o princípio (os mercados de dívida soberana pouco reagiram a vários rebaixamentos, sobretudo na Europa), mas o acionista da Moody's teve um grande ano (+47%), provavelmente pela forte atividade de novos emissores. 0,3 / 1.

- Será bom comprar ações no Brasil, mas num preço pelo menos 10% mais baixo do que estão começando o ano. Ainda assim, melhor fazer o mínimo de stock picking do que comprar o índice, temo muito pela combinação de commodities + empresas picaretas que o compõe hoje. Para pegar um caso, bancos grandes devem ir melhor do que o índice. Empresas "parceiras" do BNDES, pior.

10% de queda no Ibovespa coincide (foi sorte, mesmo, não tinha pensado nesses termos) com o melhor suporte para o índice no ano, ao redor dos 52.000 pontos. E de fato o stock picking evitando commodities e picaretas funcionou muito bem, vide o bom desempenho de muitos fundos ativos ou long-short. Houve alguma dispersão entre os bancos grandes (BB e Bradesco melhores, Itaú e Santander piores), e as empresas X e os frigoríficos (pra ficar nos casos mais evidentes) de fato foram pior do que o índice. 0,8 / 1.

- Não gosto de Vale, vai ser dos shorts mais líquidos disponíveis no mercado quando o mundo se der conta de que a China pode, surpresa, não crescer perto de 10% ano após ano.

Vale chegou a cair mais de 20% no ano, teve uma grande recuperação e terminou mais ou menos no 0 x 0. O susto com o minério de ferro passou relativamente rápido, mas foi uma oportunidade para quem soube realizar lucros. 0,4 / 1.

- Bancos médios vão seguir indo mal no Brasil. O modelo de negócios da maioria deles (captar caro no exterior e emprestar ainda mais caro aqui) parece estar se esgotando. O FGC deve ter trabalho.

BVA, Cruzeiro do Sul... as fraudes começaram a aparecer, mas o mercado diferenciou bem o setor, e os demais listados (Indusval, Pine, ABC) tiveram um bom ano. 0,5 / 1.

- Não tenho grandes convicções em commodities, mas se fosse pra comprar algo, seria petróleo.Agrícolas têm cara de que ainda podem cair muito.

Petróleo passou bem pouco tempo acima de onde começou o ano ($103 para o barril de WTI), teria sido péssimo investimento. O índice de agrícolas (DBA) caiu um pouco durante o ano (3%), com grande diferenciação (trigo, soja e milho subiram; açúcar, algodão e café caíram bastante). 0,1 / 1.

- Creio que hedge funds terão outro ano para ser esquecido, com mercados de ações sem tendência e intervenções cada vez maiores dos governos.

De fato, o ano foi muito difícil para hedge funds, que muito provavelmente (dados demoram para serem consolidados) tiveram desempenho pior do que a maioria das estratégias passivas. Ações ficaram mesmo sem tendência durante grande parte do ano, e as intervenções tiveram gatilhos e consequências muito difíceis de serem previstas. 1 / 1.

- Ainda há alguma intenção de concluir a Rodada de Doha, da OMC? Se há, vai falhar.

Não houve, aparentemente o mundo tinha coisas mais importantes para se preocupar. 0 / 0.

- São Paulo vai eleger um prefeito de ruim a muito ruim.

Considerando que estivemos perto de eleger o Rousseau Mano, acho que saímos no lucro. 0,5 / 1.

- Metade das participantes do Big Brother farão capas da Playboy e/ou Sexy.

Não contei, mas essa previsão é quase como dizer que o sol vai nascer amanhã: um dia vai falhar, mas demora... 1 / 1.

- Meryl Streep será, de novo, indicada para um Oscar (dããã).

Não só foi indicada, ganhou o terceiro como a Margaret Thatcher do fraquinho A Dama de Ferro. 1 / 1.

- O Corinthians finalmente vence a Libertadores (PAREM DE RIR!). Lusa se segura na série A.

Preciso recorrer aos grandes irmãos Gershwin para celebrar o maior acerto da história deste blog:


They all laughed at Christopher Columbus 
When he said the world was round 
They all laughed when Edison recorded sound 
They all laughed at Wilbur and his brother 
When they said that man could fly 

They told Marconi 
Wireless was a phony 
It's the same old cry 

(...)


For ho, ho, ho! 
Who's got the last laugh? 
Hee, hee, hee! 
Let's at the past laugh 
Ha, ha, ha! 
Who's got the last laugh now?

E a Lusa bem que tentou cair, mas se segurou entre os grandes. 1,2 / 1.



- Usain Bolt perde os 100m rasos, mas leva os 200m em Londres. Brasil fará novo fiasco, no futebol masculino e no geral.

Bolt foi a Apple dos esportes, impossível apostar contra. Quanto ao Brasil:


0,7 / 1.

- Os filmes argentinos continuarão (muito) melhores que os brasileiros.

Na minha lista de melhores do ano entraram um argentino e um brasileiro, mas não foi um ano em que acompanhei de perto a produção de ambos (leitores, alguma opinião?). Grandes expectativas para O Som ao Redor, que estreia em SP amanhã. 0,5 / 1.

- O megahit Ai Se Eu Te Pego será regravado em Espanhol, Italiano, Romeno, Swahili, Esperanto e Cantonês.

Devem ter gravado até em klingon e algumas das línguas do Tolkien. Algumas amostras aqui. 0,8 / 1.

- O mundo não vai acabar em 21 de Dezembro. Lá pra Novembro eu publico a nova data.

Esqueci de publicar a nova data, mas, aparentemente, sobrevivemos. 1 / 1.

- Vou errar mais previsões do que no ano passado.

Somando meus pontos (se corretamente atribuídos, cornetem nos comentários):

Previsões "sérias" (economia, mercados e afins): 8,5 / 16 = 53%
Previsões aleatórias: 6,9 / 8 = 86%
Total: 15,4 / 24 = 64%

Acertei mais do que ano passado, o que faz esta metaprevisão contar como erro e joga meu desempenho para 62%, um pouco melhor do que um chimpanzé jogando cara ou coroa (pior ainda considerando que o que puxou a média pra cima foram as previsões não relacionadas à economia - aceito ofertas de emprego para comentar entretenimento e esportes).

Numa nota um pouco mais séria: a cada ano que passo trabalhando com gestão de dinheiro, aumenta minha convicção de que acertar previsões tem importância secundária para essa atividade (sorte, flexibilidade, gestão de risco e margem de segurança são muito mais relevantes). Hoje trato-as como hipóteses: boas até serem contrariadas pelos mercados, tendo que ser trocadas ou modificadas a partir daí (como diz um antigo chefe, somos pagos para ganhar dinheiro para os clientes, não para nos provarmos certos). Tendo partido de economista de formação quase totalmente ortodoxa e cheio de convicções, esse tem sido um processo difícil de deseducação, mas que tem facilitado enormemente minha vida. Talvez sirva de conselho para quem quer seguir o mesmo caminho.


Em alguns dias coloco aqui meus chutes para este ano, ainda preciso gastar mais um tempo pensando.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Leituras das últimas duas semanas

Skål!
- Trabalho interessante do BIS sobre mercados de dívida em moeda local.

- Nova carta de Jeremy Grantham, da GMO, sempre pertinente.

- Uma boa lista de livros sobre história das finanças; outra de filmes sobre mercado financeiro.

- Mark Dow defende Hillary Clinton como próxima secretária do tesouro americano.

- Entrevista com Eugene F. Fama.

- Luiz Felipe de Alencastro acha que a reeleição de Obama é uma vitória do keynesianismo (não sei se concordo).

- John Kay sobre o fetiche da manufatura.

- Nassim Taleb e cinco princípios para uma sociedade antifrágil. A Economist resenhou seu novo livro, que sai nos EUA semana que vem.

- Acemoglu, Robinson e Verdier sobre variedades de capitalismo (ou porque não podemos ser todos nórdicos).

- O fundo soberano da Noruega tornou-se o maior do mundo, ultrapassando o de Abu Dhabi.

- A história da participação de mulheres em trabalhos científicos. Economia é dos campos com menos presença feminina.

- O Santa Fe Institute abriu seu primeiro curso online, gratuito.

- Coisas mais novas que Oscar Niemeyer.

- A história do piso de cacos de lajota das casas paulistas.

- Ganhe um Nobel de Física... e uma torneira com cerveja ilimitada.

- Uma entrevista longa, meio velha e muito boa com João Moreira Salles.

- Cartões de visita dos personagens de Star Wars.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Conheça Christopher Cole

Se você acompanha mercados financeiros globais e tem alguma familiaridade com o conceito de volatilidade e afins (elementos na intersecção desse conjunto com o de leitores do blog: aproximadamente 2), não deixe de conhecer o trabalho de Christopher Cole. Cole passou anos na Merrill Lynch estruturando transações com derivativos e dívida, e hoje dirige a Artemis Capital Management, gestora independente focada em operações que envolvem opções e outros derivativos.

Cole é o "pensador" de mercados mais original que conheci desde Hugh Hendry - daqueles caras de cujas conclusões pode-se concordar ou discordar, mas geralmente vai trazer um jeito diferente de olhar para as coisas. Os relatórios dele (o mais recente aqui) são recheados de muitos dados não-triviais derivados de preços de mercado e referências à arte. Ele é o tipo do cara que paga um artista para fazer uma versão alusiva a economia dos nossos tempos do famoso Waterfall, de M. C. Escher (para ele, o capitalismo de hoje também é um objeto impossível - e essa ilustração daria uma bela capa de livro):


Outra sacada artística muito bacana foi essa representação das economias do mundo como barcos, entre o fogo da inflação e o abismo da deflação - a manobra para escapar de um extremo pode levar a outro (notem onde está a nau brasileira):


No início do ano, ele tinha produzido esse vídeo, ilustrando os diferentes regimes de volatilidade das ações americanas nas últimas duas décadas:



Ele também é bom de frases. Do último relatório que ele escreveu:
A "black swan" is not dying because your parachute didn't open while skydiving... it is dying because the guy whose parachute didn't open landed on you while you were golfing.
E uma que pesquei de orelha numa conferência em que fui e ele estava falando:
Acreditar que é impossível um governo calotar a dívida interna porque sempre pode emitir moeda para pagar é o mesmo que acreditar que sua casa nunca pode ser vítima de um roubo, porque sempre há a opção de atear fogo na casa com tudo dentro.
Enfim: acompanhem o cara, tem valido a pena.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Leituras da Semana

- Fabio Giambiagi sobre o impacto da queda dos juros nos fundos de pensão brasileiros.

- Olivier Blanchard sobre o multiplicador fiscal.

- Um ótimo trabalho do Banco da Inglaterra defendendo mais simplicidade na regulação bancária, fortemente inspirado nas ideias do psicólogo alemão Gerd Gigerenzer.

- Aritmética simples aplicada a preços pode ser muito cruel.

- Um paper sobre o aumento do uso de equações e ferramentas econométricas nos trabalhos de economia. Essa figura é de lá (via Justin Wolfers):


- A última edição da Foreign Policy, sobre economia global, está muito boa: quem ganhou na Grande Recessão, repensando os BRICS e alguns pensamentos de Nassim Taleb.

- Noah Smith divaga sobre as consequências de blogar sobre economia.

- A relação (ou não) entre centros financeiros e centros de arte.

- A Suécia leva a sério essa história de igualidade.

- Ótimo texto sobre parte da geração que chega agora aos 20 e alguns anos, seu egocentrismo e problemas em lidar com o mundo fora da faculdade (acho que em larga medida vale também para a minha geração, dos 30 e poucos). Dica: Marcio Guilherme.

- Small Demons, um site que lista referências culturais em livros e vai te tomar muitas e muitas horas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Leituras da Semana

- Cortesia do J.P. Morgan Asset Management, um guia para os mercados globais nesse último trimestre do ano.

- PIMCO sobre o impacto da queda dos juros no Brasil.

- A Atlantic Media lançou o Quartz, um projeto ambicioso de jornalismo voltado a alguns temas que surgiram depois da crise de 2007 / 2008. Tem valido a pena acompanhar.

- John Quiggin revisita, 82 anos depois, um dos ensaios clássicos de Keynes, Economic Possibilities for our Grandchildren.

- Um bestiário ilustrado das criaturas que povoam a blogosfera econômica.

- Uma crônica deprimente do escritor Gary Shteyngart sobre a American Airlines.

- O riquíssimo relatório sobre educação da OECD.

- Comparação entre as composições de gastos familiares no Brasil, Índia, China, Rússia, Egito, Turquia, Indonésia e Arábia Saudita.

- "Economists have correctly predicted nine of the last five recessions."

- Ótima matéria da Economist sobre a queda do uso de carros no mundo desenvolvido.

- Como é crescer Gangnam-style.

- 211 anos de mudanças políticas em um GIF animado.

- Dois bons obituários de Eric Hosbawm: no NY Times e na Jacobin.

- Filmes por gênero, de 1908 a 2012.

- Meio atrasado, mas ainda relevante: como a escuridão tem permeado a cultura pop. Trecho brilhante: "These are dark stories about a man in a dark suit driving a dark car through dark streets thinking dark thoughts while darkly fighting dark men doing dark deeds in the dark of night."

- Entrevista com Randall Munroe, do xkcd.

- Zumbis da proatividade, deve ter um perto de você.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Legítimo representante do "nobre povo"
- Um caveat emptor para os compradores de ações no México.

- Pastore, Gazzano e Pinotti sobre a estagnação da produção industrial no Brasil.

- Dilma na capa da edição da Forbes com as mulheres mais poderosas do mundo.

- A Bloomberg descobriu a mulher mais rica do Brasil.

- PIMCO sobre a "japanização" do mundo desenvolvido.

- Timothy Garton Ash na Foreign Affairs sobre a história do euro.

- Uma história dos regimes de câmbio no mundo.

- O FRED, ótima base de dados do Fed de St. Louis, agora tem versões para tablets e celulares (sei lá, deve ter um tipo de pessoa que sente uma vontade incontrolável, durante um jantar, de checar como anda a criação de empregos nos EUA).

- Algumas coisas que é bom estudar caso queira discutir política externa a sério.

- Uma lista de leitura sobre economia comportamental, por Michael Mauboussin, da Legg Mason.

- Como se explica o sucesso da The Economist.

- Por que estudar Ayn Rand?

- Virou filme a história do ilustre desconhecido Aristides de Sousa Mendes: cônsul de Portugal em Bordeaux durante a Segunda Guerra, emitiu cerca de 30 mil vistos para refugiados (10 mil judeus, entre eles).

- Baroque Yo' Mama, judeu, nascido em Oslo, presidente dos EUA.