Afinal, a prioridade é ler coisas aleatórias na internet, não ficar montando móveis da IKEA e tirando coisas de caixas:
- Mantega no Financial Times.
- A paranoia nas discussões econômicas.
- Um escritor para o Fed.
- Porque prever uma crise bancária não é como prever o tempo.
- Milton Friedman como lembrado pelo público.
- O Nobel de Economia é um indicador contrário da influência do economista.
- As consequências distributivas de um boom de commodities, analisando o caso da Austrália.
- Um mapa da evolução da desigualdade no Brasil na última década.
- A grave crise demográfica de Portugal.
- O que lê Bill Gross, da PIMCO.
- Lista de leituras de Tyler Cowen sobre comércio internacional.
- Um gráfico com toda a história do mundo.
- As rotas aéreas mais movimentadas do mundo.
- A utilidade de arte ruim.
- Os Ensaios de Montaigne, ilustrados por Salvador Dalí.
- Confissões de um viciado em livros, alguns vão se identificar.
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Leituras das Últimas Semanas
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Um Brasil do futuro: bom para o consumidor, pior para os capitalistas
De ler notícias e ouvir conversas, fiquei com uma impressão que pode ter desdobramentos interessantes (assumindo, claro, que eu não esteja redondamente errado, o que pode perfeitamente acontecer): ao mesmo tempo em que o Brasil tem se tornado mais protecionista para o comércio exterior (tentando manter um câmbio mais depreciado do que o que seria caso o regime fosse flutuante, com medidas tributárias para setores específicos, criando "campeões nacionais", etc), o país está se abrindo e atraindo investimento estrangeiro direto, em diversos setores da economia.
Uma consequência disso é que várias atividades que eram dominadas por players nacionais estão passando ou passarão a ter concorrentes estrangeiros de peso - o que me deu o "clique" foi a notícia de ontem do investimento de Peter Thiel na Oppa, loja virtual de móveis (que já havia sido fundada com capital estrangeiro). Pra pegar esse exemplo aplicado aqui a São Paulo: o mercado que antes era disputado por Casas Bahia e seus dormitórios Bartira, a Marabraz, a Tok & Stok e um monte de pequenos produtores que vendem na rua Teodoro Sampaio terá agora que se adaptar à existência de um novo varejista, possivelmente mais eficiente e disposto a disputar mercado via preços (isso mesmo sem a IKEA ainda não ameaçando aparecer por aqui). As margens devem cair (o que é condizente com a queda nos juros básicos), e o ganhador por excelência é o consumidor, com opções mais abundantes, melhores e mais baratas.
Outros exemplos recentes que me ocorrem (grandes players multinacionais anunciando entrada no mercado brasileiro): Expedia, Financial Times, Amazon, Netflix, GAP... devo estar esquecendo de muitos outros.
Não sei com qual grau de intenção, mas parece que foi criada uma situação em que o comércio exterior ainda é complicado e de pouco crescimento, mas as taxas de retorno (caindo, mas ainda altas quando comparadas ao resto do mundo), o ambiente macroeconômico / institucional e a expectativa de evolução do mercado têm atraído fluxos robustos de investimento estrangeiro direto. Se a tendência permanecer, esses fluxos devem aliviar as contas externas caso os preços de commodities comecem a cair, afastando por mais tempo o problema crônico de crises cambiais no país - isso tem funcionado para a Austrália há mais de 30 anos. Isso gera um efeito reflexivo para o investimento estrangeiro - com o fim do "peso problem", ou risco de uma grande desvalorização súbita do câmbio, mais investidores sentem-se seguros para trazer dinheiro para o país.
Enfim: margens e preços em queda, mais opções para o consumidor, menor risco de crise cambial. Talvez esse seja um caso próspero e otimista para o Brasil dos próximos anos (mais para o consumidor médio do que para os capitalistas, curiosamente). No caminho, muita coisa pode dar errado, mas boas sementes parecem estar sendo plantadas.
Uma consequência disso é que várias atividades que eram dominadas por players nacionais estão passando ou passarão a ter concorrentes estrangeiros de peso - o que me deu o "clique" foi a notícia de ontem do investimento de Peter Thiel na Oppa, loja virtual de móveis (que já havia sido fundada com capital estrangeiro). Pra pegar esse exemplo aplicado aqui a São Paulo: o mercado que antes era disputado por Casas Bahia e seus dormitórios Bartira, a Marabraz, a Tok & Stok e um monte de pequenos produtores que vendem na rua Teodoro Sampaio terá agora que se adaptar à existência de um novo varejista, possivelmente mais eficiente e disposto a disputar mercado via preços (isso mesmo sem a IKEA ainda não ameaçando aparecer por aqui). As margens devem cair (o que é condizente com a queda nos juros básicos), e o ganhador por excelência é o consumidor, com opções mais abundantes, melhores e mais baratas.
Outros exemplos recentes que me ocorrem (grandes players multinacionais anunciando entrada no mercado brasileiro): Expedia, Financial Times, Amazon, Netflix, GAP... devo estar esquecendo de muitos outros.
Não sei com qual grau de intenção, mas parece que foi criada uma situação em que o comércio exterior ainda é complicado e de pouco crescimento, mas as taxas de retorno (caindo, mas ainda altas quando comparadas ao resto do mundo), o ambiente macroeconômico / institucional e a expectativa de evolução do mercado têm atraído fluxos robustos de investimento estrangeiro direto. Se a tendência permanecer, esses fluxos devem aliviar as contas externas caso os preços de commodities comecem a cair, afastando por mais tempo o problema crônico de crises cambiais no país - isso tem funcionado para a Austrália há mais de 30 anos. Isso gera um efeito reflexivo para o investimento estrangeiro - com o fim do "peso problem", ou risco de uma grande desvalorização súbita do câmbio, mais investidores sentem-se seguros para trazer dinheiro para o país.
Enfim: margens e preços em queda, mais opções para o consumidor, menor risco de crise cambial. Talvez esse seja um caso próspero e otimista para o Brasil dos próximos anos (mais para o consumidor médio do que para os capitalistas, curiosamente). No caminho, muita coisa pode dar errado, mas boas sementes parecem estar sendo plantadas.
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Gráficos do Dia - Lucky (and Expensive) Country
Estou cada vez mais convencido de um caso pessimista para a Austrália, sobretudo para a moeda (o índice de ações já parece razoavelmente descontado). Minha hipótese é que o momento favorável para termos de troca já acabou, e que a moeda está sendo sustentada sobretudo por compras de bancos centrais (como o da Suíça, notado pelo próprio BC da Austrália) - dinheiro que chega atrasado e é quase insensível a fundamentos e preço.
O caso dos termos de troca da Austrália é bastante parecido com o do Brasil, com a diferença fundamental da postura dos bancos centrais - daí ser possível imaginar que o dólar australiano é ainda mais sobrevalorizado do que o real. Veremos como anda nos próximos meses.
O caso dos termos de troca da Austrália é bastante parecido com o do Brasil, com a diferença fundamental da postura dos bancos centrais - daí ser possível imaginar que o dólar australiano é ainda mais sobrevalorizado do que o real. Veremos como anda nos próximos meses.
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| Gráfico do estudo recente da McKinsey |
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| Gráfico do UBS, via FT Alphaville. Clique para aumentar. |
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| Minério de ferro 62% Fe, porto de Tianjin, US$ / tonelada |
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terça-feira, 21 de agosto de 2012
Leituras da Semana e Meia
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| Índia, 65 |
- Mark Dow sobre as dificuldades dos fundos global macro.
- Uma lista de leituras para o verão europeu, por Barry Eichengreen.
- Nicholas Kaldor, há 41 anos, sobre a União Européia.
- A Companhia das Letras lança ainda esta semana a versão brasileira do livro de Sylvia Nasar sobre pensamento econômico. A Folha publicou um trecho e a resenha do NY Times. Eu havia resenhado aqui.
- John Kay sobre a abordagem de Keynes para probabilidade.
- 36 indicadores econômicos bizarros.
- Nassim Taleb acha que não é mais uma boa ideia trabalhar na indústria de investimentos.
- Uma retrospectiva da crise argentina.
- McKinsey sobre a Austrália.
- Começa a esquentar o debate pré-eleições nos EUA: Simon Schama e a escolha entre Franklin Roosevelt e Ayn Rand. A matéria de capa da última Newsweek, com Niall Ferguson panfletando para os republicanos. Entre as dezenas de reações, a de Noah Smith e o comentário de John Cassidy. Ezra Klein e o melhor caso contra o mandato de Obama.
- Jeremy Grantham sobre a crise de alimentos.
- O Oikomania faz um resumo sobre as hipóteses correntes para o desenvolvimento.
- As desigualdades regionais na Europa e uma boa reflexão sobre educação.
- Um manual do Brasil, pelo J.P. Morgan.
- William Easterly prova que as Olimpíadas não produzem medalhas.
- Os guias de viagens e suas concessões a tiranias.
- Como tem crescido o consumo de cerveja no mundo.
- Das Kapital em mangá.
- Caso não saibam, é proibido entrar com livros em estádios de futebol no Brasil.
- O Financial Times lê o quadro de medalhas das Olimpíadas de Londres.
- As 10 verdadeiras lições de gestão dos jogos.
- Sonny Rollins na New York Review of Books.
- A globalização segundo a revista Cosmopolitan (Nova, por aqui).
- Os bons tempos em que se podia beber no trabalho.
- Fotos dos 65 anos de independência do Paquistão e da Índia.
- Escândalo: o bolovo é uma invenção escocesa.
- Um grande dilema de lecionar.
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Passeando pelo mundo das ações
O Merrill Lynch publicou há alguns dias um relatório inspiradamente intitulado The Equity Hitchhiker’s Guide to the Global Galaxy. Para quem olha os mercados a uma certa altura, é uma grande fonte de ideais e dados interessantes. Aí vão alguns que me chamaram a atenção:
- O valor das ações negociadas no mundo é US$ 27 trilhões. O PIB global é US$ 70 trilhões, mercado de dívida US$ 43 trilhões, total de reservas internacionais US$ 10,4 trilhões.
- O setor de tecnologia do mercado dos EUA é maior do que todo o mercado de ações da zona do euro.
- Ações de empresas financeiras (bancos, seguradoras, etc) ainda são a maior fatia do mercado global, quase 20% do total.
- Setor financeiro brasileiro vale tanto quanto o da Alemanha ou da França.
- Ações dos setores de saúde e consumo básico estão, globalmente, bastante perto de suas máximas históricas. Entre os países, México e Malásia são os mais próximos dos melhores dias.
- Setor de saúde como proporção do mercado é ridiculamente pequeno no Brasil - 0,9%, contra 9,6% no mundo.
- Em termos de múltiplo preço / lucro esperado, México é o mercado mais caro do mundo.
- O rendimento de dividendos no Brasil está entre os maiores do mundo, 4,8% nos últimos 12 meses.
- Como eu tinha mostrado, o retorno sobre o capital dos bancos brasileiros não é absurdo ou astronômico: 15,5%, pouco maior que a média do setor nos emergentes (14,4%). Os maiores retornos do setor estão na Indonésia (ah, Armínio Fraga...), na Rússia e no Chile.
- Para entender a atual onda de "largue o Brasil, compre México", olhe o crescimento dos lucros esperado para este ano - deve ser de quase 40% no México; no Brasil, cairão 6,4% - e junte a velha mania de extrapolação que permeia as atividades de analistas e economistas.
- Esse gráfico:
- O valor das ações negociadas no mundo é US$ 27 trilhões. O PIB global é US$ 70 trilhões, mercado de dívida US$ 43 trilhões, total de reservas internacionais US$ 10,4 trilhões.
- O setor de tecnologia do mercado dos EUA é maior do que todo o mercado de ações da zona do euro.
- Ações de empresas financeiras (bancos, seguradoras, etc) ainda são a maior fatia do mercado global, quase 20% do total.
- Setor financeiro brasileiro vale tanto quanto o da Alemanha ou da França.
- Ações dos setores de saúde e consumo básico estão, globalmente, bastante perto de suas máximas históricas. Entre os países, México e Malásia são os mais próximos dos melhores dias.
- Setor de saúde como proporção do mercado é ridiculamente pequeno no Brasil - 0,9%, contra 9,6% no mundo.
- Em termos de múltiplo preço / lucro esperado, México é o mercado mais caro do mundo.
- O rendimento de dividendos no Brasil está entre os maiores do mundo, 4,8% nos últimos 12 meses.
- Como eu tinha mostrado, o retorno sobre o capital dos bancos brasileiros não é absurdo ou astronômico: 15,5%, pouco maior que a média do setor nos emergentes (14,4%). Os maiores retornos do setor estão na Indonésia (ah, Armínio Fraga...), na Rússia e no Chile.
- Para entender a atual onda de "largue o Brasil, compre México", olhe o crescimento dos lucros esperado para este ano - deve ser de quase 40% no México; no Brasil, cairão 6,4% - e junte a velha mania de extrapolação que permeia as atividades de analistas e economistas.
- Esse gráfico:
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Gráfico do Dia - Minério de Ferro
O Grant's chamou a atenção para esse gráfico, que é um longo histórico do preço do minério de ferro em dólares atuais, deflacionado pelo índice de preços ao produtor dos EUA (PPI). O preço de hoje é o dobro da média anual desde 1947. Não sei se vai cair ou subir de onde está, mas adotar esse nível como premissa para qualquer decisão de investimento me parece, para dizer o mínimo, arriscado.
A China consome metade do minério de ferro comercializado no mundo, e uma das maneiras mais acessíveis de apostar num hard landing da economia de lá é vender ações das mineradoras brasileiras e australianas* - Vale, BHP, Rio Tinto e Fortescue. Vale (sem trocadilho) colocar no radar.
* A ideia não tem nada de original, claro. James Chanos vem perseguindo esse tema há algum tempo.
A China consome metade do minério de ferro comercializado no mundo, e uma das maneiras mais acessíveis de apostar num hard landing da economia de lá é vender ações das mineradoras brasileiras e australianas* - Vale, BHP, Rio Tinto e Fortescue. Vale (sem trocadilho) colocar no radar.
* A ideia não tem nada de original, claro. James Chanos vem perseguindo esse tema há algum tempo.
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