sexta-feira, 28 de março de 2014

O Brasil BBB-

O rebaixamento da nota de crédito no Brasil começou em junho do ano passado. Foi quando, após uma forte alta no risco-país, generalizada entre os emergentes de perfil parecido (México, Colômbia, Peru), os demais crédiotos começaram a se recuperar e o risco-Brasil permaneceu significativamente mais alto. Quando o movimento começou, o prêmio do CDS de 5 anos dos quatro países era algo como 170 pontos; hoje, o Brasil segue pagando 170 pontos, enquanto México, Colômbia e Peru pagam, respectivamente, 87, 108 e 113 pontos. O comportamento do CDS brasileiro assemelha-se mais ao da Turquia, que tem uma situação externa muito pior (6% do PIB em déficit de conta corrente, contra menos de 4% do Brasil) e, politicamente, ameaça descambar de vez para o autoritarismo.

O resto do texto está no Estadão.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Desigualdade, a bola da vez

Os países desenvolvidos ainda não saíram da crise iniciada em 2007/2008, mas agora parecem conseguir tratá-la como um problema do dia-a-dia: requer constante monitoramento e esforço, mas não mais choques e medidas de emergência. A última evidência a favor dessa tese foi a mini-crise no Chipre, que completa um ano nesta semana. Os abalos foram restritos ao pequeno país e duraram poucos dias para serem dispersados pelos mercados, que seguira escalando o proverbial muro de preocupações.

O resto do texto está no Estadão.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Livros no mercado futuro

Tem sobrado pouco tempo para ler algo além do que está nos syllabi e executar as funções vitais. Portanto, atualmente só opero livros no mercado futuro—acumulo, anoto os títulos e empurro para a frente. Aí vão os que saíram há pouco ou vão sair em breve e quero ler, ficam como dicas para quem ainda passa por este tristemente abandonado blog:

- The Tyranny of Experts, do William Easterly e The Idealist, de Nina Munk. Foram resenhados juntos no FT do último fim de semana. Amanhã vou numa apresentação do Easterly, se der tempo (probabilidade menor do que a do Levy Fidelix levar a eleição presidencial deste ano) posto algum comentário aqui.

- Reinventing State Capitalism: Leviathan in Business, Brazil and Beyond, de Aldo Musacchio (Harvard Business School) e Sergio G. Lazzarini (Insper, autor do indispensável Capitalismo de Laços).

- Brazil: The Troubled Rise of a Global Power, de Michael Reid, editor da The Economist para as Américas.

- Exceptional Argentina, de Rafael Di Tella, Edward Glaeser e Lucas Llach. Tem uma versão prévia por aí, não sei se tem previsão de lançamento.

- The Killing Fields of Inequality, tema da moda aos olhos do grande sociólogo Göran Therborn.

- Flash Boys: A Wall Street Revolt, o novo do Michael Lewis.

- Everyday Is for the Thief, o primeiro livro do Teju Cole, agora relançado.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Mantega, acreditando em almoço grátis desde (pelo menos) 1994

Um amigo mandou essa coluna do nobre ministro, deleitem-se (clique para aumentar).


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fatos e experimentos econômicos no Brasil

Em um de seus últimos ensaios para a New York Review of Books, em 1996, Isaiah Berlin escreveu (tradução livre minha):
“Se os fatos – isto é, o comportamento de seres humanos vivos – são recalcitrantes a tal experimento, o experimentador irrita-se e tenta alterar os fatos para que se encaixem na teoria, o que, na prática, significa um tipo de vivissecção de sociedades até que elas se tornem o que a teoria originalmente declarou que o experimento deveria ter causado que elas fossem.”

O Brasil sempre foi um território fértil para experimentos econômicos – seja pelas circunstâncias herdadas, que, de fato, muitas vezes pediam experimentalismo e ousadia para serem dobradas ou por um tipo peculiar de excepcionalismo, que insiste em pregar que, dentro de nossas fronteiras, práticas testadas e estudadas funcionam de forma diferente, muitas vezes opostas ao que dizem a teoria consagrada e o senso comum.

O resto do texto está no Estadão.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Argentina, a megera domada?

Na peça de Shakespeare, Catarina, a megera do título, é “domada” com uma série de privações impostas por seu marido, Petrúquio. Na semana passada, o ministro da economia da Argentina, Axel Kicilof, anunciou uma nova metodologia de cálculo para a inflação no país, marcando uma “mudança qualitativa com relação ao passado” (palavras dele). Ainda é altamente especulativo pensar que a Argentina foi domada pelas privações impostas pelos mercados internacionais. Porém, a medida, em meio a negociações (que precisam de um aval do FMI) de uma dívida de US$ 6,5 bilhões com o Clube de Paris, pode indicar que o país quer levantar uma bandeira branca para tais mercados.

O resto do texto está no Estadão.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

De Roberto Campos para Paul Samuelson

Em dezembro de 1973, governo Médici, depois de cinco anos de AI-5, seu Roberto Campos, nosso mais ilustre liberal, enviou uma carta a Paul Samuelson "esclarecendo" alguns comentários da nova edição do seu clássico livro-texto, Economics. O documento está no site que acompanha o relançamento da série de livros de Elio Gaspari sobre a ditadura. Campos diz que o regime no Brasil é "autoritário", mas não ditatorial:

"Its most appropriate description would be a regime of 'consented authoritarianism'"

E completa:

"Solid operational democracies like the US can afford to ignore the difference between opposition and subversion."

Sendo esse um dos ícones da defesa das liberdades individuais, não é de se estranhar que o liberalismo tenha tanta dificuldade em se firmar por aqui...



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O interminável reinado do CDI

Deve haver poucos lugares onde a máxima “dinheiro é rei” vale tanto quanto no Brasil. Em tempos de crise, diz a sabedoria dos mercados, ter dinheiro em caixa, mesmo sem receber juros, é imperativo para o bom desempenho de qualquer carteira de investimentos. Primeiro, porque em tempos difíceis não perder é a maneira mais fácil de bater a concorrência. Segundo, porque a flexibilidade decorrente permite aproveitar as boas oportunidades que uma liquidação generalizada proporciona. Por aqui, entretanto, mesmo nos períodos de bonança não é fácil bater o rendimento do dinheiro emprestado por um dia, com garantias, para bancos (ou para o banco central).

O resto do texto está no Estadão.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

50 tons de vermelho nas crises cambiais

Levou menos de um mês para os mercados de câmbio aprontarem a primeira surpresa de 2014. Se as resposta de alguns bancos centrais – maxidesvalorização na Argentina, choque de juros na Turquia, as “rações” de dólares ao mercado que o BC brasileiro vem fornecendo há algum tempo – lembram algumas grandes crises do passado, o contexto global atual é tão distinto, e as diferenças entre os países tão grandes a ponto de tornar impossível usar a história como mapa para o futuro.

O resto do texto está no Estadão.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Frases do Dia - os desastres do século XX

The great economist and Nobel laureate James Meade used to complain that the three great disasters of the twentieth century were the "infernal" combustion engine, the population explosion, and the Nobel prize in economics.

Citado por Angus Deaton no ótimo The Great Escape.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Som da Sexta - Black Joe Lewis

Pra animar a festa no apê.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Duke Ellington, CEO

Desse ótimo artigo de Adam Gopnik sobre Duke e os Beatles:

Ellington's ear, his energy, his organizational abilities, the sureness of his decisions are a case study for management school. (Consider the way he fired Charles Mingus for fighting with Tizol, fondly but with no appeal: "I'm afraid, Charles - I've never fired anybody - you'll have to quit my band. I don't need any new problems. Juan's an old problem... I must ask you to be kind enough to give me your notice.") These are not ordinary or secondary gifts. They were the essence of his genius. Ellington had an idea of a certain kind of jazz: tonal, atmospheric, blues-based but elegant. He took what he needed to realize the ideal he had invented. The tunes may have begun with his sidemen; the music was his. This is not a secondary form of originality, which needs a postmodern apologia, in which "curating" is another kind of "creating." It is the original kind of originality.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Drunkeynesian Awards 2013

Atrasado, mas (acho que) ainda a tempo de manter a "tradição":

Notícia mais importante do ano: a decisão da China de flexibilizar a política de filho único

Troféu "calça de veludo ou bunda de fora": Eike Batista, claro (ainda que esteja longe de ter ficado pobre como pessoa física)

Troféu Paracelso: Arno Augustin, o homem do método das partidas triplicadas (a cada débito podem corresponder um ou mais créditos)

Troféu Pirro, para o vencedor da guerra cambial: Irã, que desvalorizou a moeda em mais de 50% ao longo do ano

Troféu Judas no Sábado de Aleluia: Malcolm Gladwell, malhado como nunca pelo seu David and Goliath 

Treta intelectual do ano: Amartya Sen x Jagdish Bhagwati sobre a Índia

Cefalópode do Ano: o polvão do NROL-39

Ideia econômica do ano (micro): distribuição direta de dinheiro para pessoas (por governos, ONGs, etc)

Ideia econômica do ano (macro): o forward guidance de Michael Woodford

Ideia econômica do ano passado, requentada pelo Larry Summers: a "grande estagnação" do mundo desenvolvido - até onde sei, o papo começou com esse paper de Robert Gordon

Troféu "Muito Barulho por Nada": Chipre, que na cabeça de alguns analistas (este incluído, em alguma medida) começaria a afundar o euro. A história recente da Europa tem sido um oceano de água gelada na cabeça dos que gostam de fazer previsões catastróficas (novamente me incluo aqui)

Factóide do ano: a "inflação do tomate". Podia ser também o "caráter transformador das manifestações de junho", mas não quero comprar essa briga (ops...)

Descoberta arqueológica do ano na internet: o vídeo do dr. Eneas explicando (em Inglês) o novo sistema de Bretton Woods

Maior brasileiro do ano: o Rei do Camarote, claro

Maior brasileiro vivo: Paulinho da Viola, também claro

Nobel de Linguística: deveria ser criado especialmente para celebrar Thamsanqa Jantjie

Melhor série de TV: Breaking Bad, que entra para a história a apenas um Grand Canyon de distância para The Wire

Pior capa de um disco bom: a do novo do Chick Corea

Descoberta musical do ano: Melissa Aldana, saxofonista chilena de 25 anos

Troféu Bolas de Aço: David Ortiz

Melhor Twitter: @zambininha, na luta incessante contra as várias categorias de normatividade

Estagiário do Ano: o que revisou as planilhas Excel de Reinhart & Rogoff e falou "tá beleza, pode publicar"

Troféu "vou fingir que não estou vendo essa gracinha aí": Michelle Obama. Aliás, saudades da Birgitte Nyborg.



Fotos do Ano: prêmio dividido entre:

- O presidente da Venezuela, em guerra permanente contra não se sabe bem o quê (parece uma versão vida real da Corrida Maluca, também):


- As coisas estranhas que acontecem quando resolve nevar em Jerusalém:


- O amor (correspondido) de Nigella Lawson pela coxinha:


- Esse dragão de Komodo anônimo, apropriadamente vestido para festejar:



2013 foi um ano complicado de se analisa. Ainda bem que, pra este ano, basta falar da Copa e das Eleições, assuntos simples e que não geram polêmica.