segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Notas sobre o petróleo barato

Uma conversa pelo Twitter me inspirou a escrever isso, que deve muito também ao ótimo curso que fiz com o Francisco Monaldi.

—Muito se confundem dois conceitos essenciais para a exploração: breakeven e custo marginal.

  • Breakeven é o preço necessário, por barril, para que um determinado projeto de exploração tenha lucro. A definição de lucro aqui não é uniforme, mas, geralmente, corresponde a uma taxa de retorno acima do custo de capital para o projeto. Como esse custo varia muito em função do risco-país e do tipo de exploração, as taxas de retorno correspondentes aos preços de breakeven também variam: o retorno exigido para furar um poço raso na Arábia Saudita é muito menor, por exemplo, do que o de um projeto de águas ultraprofundas na costa de Angola, e este, portanto, requer um preço do petróleo maior como breakeven
  • Custo marginal é, simplesmente, quanto custa para se extrair um barril de petróleo adicional em um poço em funcionamento. 
O preço relevante para determinar se um projeto continuará ou não a ser explorado é o custo marginal, já que o investimento inicial (sunk cost) é geralmente, intransferível e não pode ser recuperado. Em outras palavras, um projeto seguirá produzindo petróleo mesmo se tiver que vender o óleo a um preço muito abaixo do breakeven (tendo prejuízo no projeto), desde que esse preço seja maior do que o custo marginal. É, portanto, errado dizer que o petróleo a tal preço "inviabiliza" a exploração no pré-sal: alguns investimentos já foram feitos ou estão contratados, e os projetos seguirão mesmo que, ao longo do tempo, não se provem lucrativos. Não conheço bem os projetos da Petrobras a ponto de fazer uma análise mais profunda, mas saber o que vai acontecer com o pré-sal é mais complicado do que bater o olho na cotação do petróleo e cravar uma resposta. 

O gráfico abaixo (daqui, clique para aumentar) mostra o breakeven dos principais projetos de petróleo no mundo. Para o poço de Libra, por exemplo, o preço é algo como US$65. Se esse poço vai ou não ser explorado caso o petróleo fique ao redor de US$40, como disse, depende da estratégia da Petrobras, incluindo o quanto a empresa está disposta a perder dinheiro em nome do "projeto nacional" (mais uma variável difícil de se estimar).



—O extremo do gráfico é o campo de Kashagan, no Cazaquistão. O projeto já consumiu US$48 bilhões e está 12 anos atrasado—e depende de uma distante volta do petróleo a US$100/barril para dar lucro.

—A resposta de um produtor a preços mais baixos, em muitos casos, pode ser aumentar a produção (desde que, como vimos, o preço ainda seja mais alto que o custo marginal). É o que tem feito a Arábia Saudita, o produtor mais eficiente e com folgas mais evidentes na produção; e é o que provavelmente está tentando fazer a Venezuela, no desespero do regime chavista para gerar receita e se manter no poder (o lado positivo disso pode ser uma reforma na PDVSA, a empresa estatal de óleo, progressivamente sucateada nos últimos anos).

—A inviabilidade mais evidente está nos projetos de shale gas nos Estados Unidos, onde os breakevens e custos marginais mais se aproximam. Esses projetos, diferentemente dos tradicionais, maturam em pouco tempo e têm o pico de produção no início da exploração. O avanço na tecnologia pode fazer com que, mesmo a preços menores, a exploração seja viável, mas, no curto prazo, o boom nas regiões produtoras deve arrefecer.

—A tecnologia de produção do shale gas é uma Espada de Dâmocles para os produtores de petróleo: se o preço do barril subir, produção adicional torna-se viável e pode ser acionada de forma relativamente rápida, assim como também passa a ser viável tentar recuperar produção de poços que eram dados como esgotados—em ambos os casos, a oferta aumenta e os preços são pressionados para baixo. Em algum lugar, Schumpeter tira sarro de Malthus.

—Muito do ponto anterior está no trabalho algo profético (de 2012) de Leonardo Maugeri. Maugeri acredita que, até 2020, o principal fator de aumento na produção global de petróleo é o renascimento dos campos do Iraque, algo que pode já estar acontecendo:
Crude Oil Production, Iraq, Monthly

—A queda nos preços deveria ser uma excelente oportunidade para o mundo começar a se livrar dos US$5,3 trilhões em subsídios oferecidos aos preços de combustível. A ver quem vai dar esse passo.

—Por fim, sempre bom lembrar:
“The Stone Age did not end for lack of stone, and the Oil Age will end long before the world runs out of oil.”

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Algumas novas medidas de desigualdade de renda no Brasil

Esta semana saíram algumas novas medidas interessantes de desigualdade no Brasil:

—O Valor publicou uma matéria com o trabalho dos economistas do IPEA Sérgio Gobetti e Rodrigo Orair, que olharam a base de declarações de imposto de renda disponibilizada recentemente pela Receita Federal (não achei um paper deles sobre o assunto, mas deve sair em breve). Há duas coisas interessantes nessas medidas: i. elas capturam melhor renda do capital, que é subestimada nas pesquisas por amostragem de domicílios (como a PNAD) e, ii. são (algo) comparáveis com a World Top Incomes Database, que ficou famosa pelo trabalho de Thomas Piketty.

Com base nos dados publicados no Valor, fiz a tabelinha abaixo. Informações muito mais ricas (e compiladas por gente muito mais competente) devem aparecer em breve:


—O LIS, que compila e padroniza dados de renda de vários países, acrescentou às suas bases a PNAD de 2013. De lá saíram os dados de desigualdade do gráfico abaixo—por esses dados, a desigualdade seguiu caindo no Brasil entre 2011 e 2013, conclusão diferente de outros estudos, que apontavam para uma estagnação a partir de 2012 (não me perguntem quais são as diferenças de metodologia, fiquem à vontade para esclarecer ou especular nos comentários).



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Leituras atrasadas

O mercado frequentemente prevê altas de juros nos EUA cedo demais.

Porque não vai haver quebradeira nos mercados emergentes.

Por mais igualdade de oportunidades nos EUA. Deve valer mil vezes mais para o Brasil.

—Dois ótimos projetos do Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande: "House of Cunha", analisando as votações da legislatura atual da Câmara e "Quem me representa?", que ordena os deputados de acordo com as preferências de quem acessa.

Perfil de Daniel Kahneman no Guardian.

—Oliver Blanchard, o ex-economista-chefe do FMI, tem um homônimo que escreveu este belo artigo sobre sharing economy.

—O departamento de economia mais influente dos EUA: MIT, Stanford ou Berkeley? De qualquer jeito, Harvard lidera com folga o ranking de citações.

Slides de Susan Athey e Guido Imbens sobre machine learning. Uma bela visualização sobre o básico do tema.

Mais um teste de orientação política, este nos termos usados nos EUA.

A filosofia moral da prostituição.

O milagre científico do sorvete (amém).

Uma hierarquia da discordância.

João Gilberto cantando em comercial da Brahma, 1991.

terça-feira, 7 de julho de 2015

O que aprendi no mestrado

Estou há uns 3 meses enrolando pra escrever este post, que deve servir tanto para compartilhar um pouco da minha experiência com os nobres leitores quanto como um longo epitáfio para esses dois últimos anos. Agora que (temporariamente) acabaram minhas desculpas para falta de tempo livre, aqui estamos. Parte da enrolação também é devida à minha completa inabilidade de conseguir olhar para o passado em transições—vamos ver como me saio aqui.

Um bom resumo de tudo é este cartum do SMBC:

O mestrado me empurrou ladeira abaixo do "Mount Stupid" em muita coisa que eu achava que "sabia" (o sumiço do blog é, em parte, consequência disso). É muito difícil encontrar algo pra falar sobre um assunto que: i.você domina bem a ponto de saber que o básico já foi dito em outro lugar, ii. você não tem conhecimento suficiente para dizer algo que passe pelo seu novo filtro de autocrítica e, iii. você sabe de um monte de gente que escreveria melhor e com mais propriedade. Outra dificuldade associada é descer do nível de rigor e abstração que a academia impõe, que em grande medida não serve para o tal "mundo real" (i.e., a maioria dos empregos), nem para tocar um blog de público mais amplo. Acho que com o tempo vou achando um novo equilíbrio e me soltando, mas quando eu desandar a falar muito sobre qualquer coisa, tenham em mente que é mais provável que eu esteja no topo do tal Mount Stupid. 

Outras observações mais leves e, talvez, mais úteis (vou completando ao longo do tempo):

—Um outro lado do que disse acima talvez seja a tal "humildade epistêmica": saber mais sobre o tamanho do corpo de conhecimento sobre determinado assunto e a quantidade de incertezas que o cercam é o equivalente mental a levar uma surra daquele baixinho de quem você subestimou a força e chamou pra briga.

—Nessa linha, claro que a minha antibiblioteca aumentou muito por lá.

—A academia americana é muito mais generosa do que eu imaginava, pelo menos para quem consegue passar do portão. A grande maioria dos professores está disposta a gastar muito tempo com alunos, seja abrindo espaço na agenda para reuniões, respondendo e-mails ou compartilhando papers, bases de dados, códigos, etc. Um paraíso comparado ao clima de torre de marfim que predomina em alguns departamentos aqui no Brasil. Claro que alguns egos são de fato enormes e subindo na cadeia alimentar o clima talvez não seja assim tão amistoso, mas, no geral, até os professores mais famosos são acessíveis e dispostos a colaborar. No fim das contas, acho que tudo aquilo depende de uma troca incessante de ideias, e quem se isola tende a sair perdendo.

—Não dá para, hoje em dia, ser cientista social empiricista e não saber lidar com volumes colossais de dados, tanto para extrair informação e testar hipóteses quanto para gerar visualizações convincentes. Na maioria dos meus cursos usamos Stata, que é bem amigável e relativamente poderoso, mas não chega perto da fronteira. Jovens, aproveitem os neurônios frescos para aprender logo R ou Python. E a fronteira de verdade, mesmo em ciência política, está em machine learning.

—Definições são extremamente importantes, sobretudo se você não vai usar matemática para expressar seu raciocínio. O que pode parecer neutro e preciso muitas vezes carrega juízos de valor, ideologias e um monte de premissas implícitas. Sempre é bom procurar saber o que o autor quer dizer com termos que são contestáveis—muitas vezes percebe-se que ele próprio não sabe. Nessa linha, o Politics and the English Language, do Orwell, merece ser relido regularmente.

—Os trade-offs saber fazer conta/ter bom raciocínio lógico e analítico x escrever bem/ser criativo/ser articulado não existem (isso eu já deveria saber). A separação dessas habilidades é coisa da preguiça intelectual daqui, ou: dá para negligenciar totalmente um lado se você for um artista genial ou um teórico brilhante, mas para nós, mortais, é muito melhor quando os dois lados se completam.

—Muitas conclusões "definitivas" e pseudocientíficas são tiradas a partir de amostras muito pequenas. Identificação causal em ciências sociais é um pesadelo.

—A boa política pública, aprendemos, deve ser tecnicamente correta, administrativamente factível e politicamente apoiável (esta é a santíssima trindade da Kennedy School). Calculem aí o quanto é difícil fazer isso em contextos de falta de mão de obra qualificada, interesses de pequenos grupos infiltrados há séculos na política e falta de capacidade de implementação do estado. Vivemos condenados a um mundo de "second" (ou "third", "fourth"...) bests.

—Microeconomia é muito mais legal (e difícil) do que eu sempre achei—cortesia tanto da minha ignorância quanto de uma horrenda geração de professores da FEA-USP.

—E, já que é pra falar mal da alma mater: é incrível notar como a USP transforma(va?) uma geração de bons estudantes (privilegiados, claro, mas tantos outros privilegiados não passavam no vestibular) em vagabundos desinteressados, e como uma universidade excelente faz algo totalmente diferente. A maioria dos meus colegas da Poli e da FEA não é menos "inteligente" que meus colegas de Harvard, mas a maioria teve trajetórias acadêmicas medíocres e enormes potenciais frustrados ou adiados, em grande medida, creio, por um sistema de incentivos que não leva o aluno a querer aprender e perseguir seus interesses. Também é chocante notar que é muito mais fácil encontrar alunos negros em Harvard do que em algumas das unidades da USP.

Tenho um monte de outras observações de caipira brasileiro deslumbrado com os EUA, mas vou poupá-los delas. Em um post futuro, falarei mais sobre o programa de mestrado que cursei.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mestre

Acabaram minhas férias na Disneylândia intelectual e depois de amanhã estou de mudança, de volta para o Brasil. Depois escrevo algo sentimentaloide e pseudo-profundo sobre a experiência; por ora fiquem com essa brilhante citação (infelizmente não sei quem é o autor para poder dar o devido crédito).



sexta-feira, 22 de maio de 2015

O que não ler quando...

...você está há dois anos estudando fora do Brasil e prestes a voltar para procurar emprego (sim, este post é um mimimi de um ultraprivilegiado):

Oreopoulos, von Wachter & Heisz, que mostram que, numa base de dados do Canadá, pessoas que se formaram (na graduação, OK) e procuraram trabalho durante recessões sofrem efeitos negativos em seus salários por dez anos, por terem que aceitar inicialmente trabalhar para firmas que pagam relativamente mal;

Goldin & Katz, numa base de dados de ex-alunos de Harvard, estimaram que um hiato de 18 meses em uma carreira de 15 anos (após terminar a graduação) implica em uma queda de 41% na renda dos que têm um MBA.

Pelo lado positivo, no Brasil não vou ter essa maldita alergia a pólen que está me derrubando há uma semana.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

B.B. King

Uma vez, há uns 5 anos, cheguei muito cedo (antes das 7h00) para uma conferência em um hotel perto da Paulista. Na porta, estava parado um ônibus com "B.B. KING" escrito em letras imensas--sabia que ele tinha se apresentado em São Paulo na noite anterior e estava indo para Curitiba. No saguão do hotel, um velhinho meio corcunda, de boina e camiseta, dava um esporro geral no pessoal que carregava as caixas para o ônibus. Fiquei olhando para o Rei do Blues, meio pasmo; ele percebeu, armou um sorriso, acenou, virou as costas e foi embora.



Ouço regularmente bem pouca coisa do que ouvia há 10 ou 15 anos. B.B. King, claro, está entre elas. Poucos músicos me tocam tanto (me perdoem pelo clichê) na alma quanto King. Algumas letras--otimistonas, quase tontas--servem mais para me consolar do que qualquer filosofia ou texto religioso.



O melhor de B.B. King, creio, são os discos ao vivo dos anos 1960 e 1970. Live at the Regal, Live in Cook County Jail, Live in Japan e esse delírio, Live in Africa (que acho que só existe em DVD--vejam também o documentário Soul Power) são todos impecáveis. King era também o rei dos palcos, incendiário e ridiculamente carismático: ouçam, no show de Cook County Jail, ele dando dicas amorosas para os--como não dizer?--privilegiados detentos.



Me despeço de King no dia do meu 35º aniversário. Sua música, tenho certeza, vai me acompanhar até o último. Até mais, gênio.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sambas e a economia brasileira

O pessimista: "Saco de Feijão", de Chico Santana, gravado pela Beth Carvalho em 1977 (inflação era algo como 45% no ano—ainda tinha muito pra piorar):

No tempo dos "derréis" e do vintém
Se vivia muito bem, sem haver reclamação
Eu ia no armazém do seu Manoel com um tostão
Trazia um quilo de feijão
Depois que inventaram o tal cruzeiro
Eu trago um embrulhinho na mão
E deixo um saco de dinheiro



O otimista: "Partido Baixo do Partido Alto", de Miguel Gustavo, gravado pela Elizeth Cardoso em 1972. Não consegui achar um histórico bom de retornos da bolsa brasileira (Alguém tem aí? Acho que tem uma tabela boa no final do Ordem do Progresso, não tenho o livro aqui), mas, de acordo com este gráfico, o mercado foi bem festivo entre 1966 e 1971.

Comprei Banco do Brasil  
Comprei Vale e Petrobras 
Até eu já estou na bolsa, ninguém me segura mais





Bônus: e mais recentemente tivemos... bem, tivemos "Eike Batista", com o Forró Estourado:

Eu durno na Disney, acordo em Las Vegas
Jogo no cassino com as mulheres mais belas
Que vida boa, não faço nada, e a minha conta só aumenta
A minha vida é 5 estrelas, eu não sei o que é problema
Me diz ai o que é que eu sou
Bi-bi-bilionario... bi-bi-bilionario... bi-bi-bilionario
Dei uma gorjeta pro garçom e ele comprou uma BMW


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Os discos de 2014

(Ou: o post que deveria ter saído em dezembro, mas se a Camila fez a lista dela em fevereiro, eu também posso.)

Depois de muito tempo, em 2014 consegui acompanhar mais ou menos sistematicamente os lançamentos do que me interessa em música. Aqui o que mais gostei, sem ordem particular:


  • Trilhas de Boyhood e Chef, as melhores mixtapes do ano: a primeira tão boa quanto o filme, músicas seguindo a vida do personagem principal (finalmente me cocei pra ouvir Wilco depois de gamar em I Hate It Here); a segunda, trilha para uma roadtrip acompanhada de música caribenha e do sul dos EUA. Boyhood ainda nos presenteou com uma excelente coletânea pirata das melhores músicas dos ex-Beatles em carreira solo. Os caras eram bons, mesmo (OK, o Ringo, muito mais sortudo do que bom).
  • D'Angelo and the Vanguard, Black Messiah. Disse tudo o Sasha Frere-Jones: "D’Angelo is worthy of the arrogance of Isaac Hayes, who, in 1971, called an album “Black Moses,” with no apparent metaphoric dodges, and the self-regard of Prince. Arrogance suits pop stars, as their swagger encourages our own, especially in a moment of social fracture. D’Angelo is entitled to brag."
  • Avishai Cohen's Triveni, Dark Nights. Trio de trompete, baixo e bateria, tudo meio soltão, pra ouvir no escuro e esquecer do tempo passando. Cohen também está no lindo Lathe of Heaven, do Mark Turner Quartet (também sem piano), e Turner, grande saxofonista, tocou com o colossal trompetista Tom Harrell em Trip—este inspirado em Dom Quixote.
  • Girma Yifrashewa, Love and Peace. Pianista etíope, às vezes lembra Keith Jarrett, às vezes Chopin, às vezes a compatriota Emahoy Tsegue-Maryam Gebrou (que apareceu na sensacional Ethiopiques). E não costumo gostar muito de piano solo...
  • Tord Gustavsen Quartet, Extended Circle, melhor representante do jazz escandinavo da ECM. Tudo lindamente tocado, quase melhor que o silêncio.
  • Christine Jensen Jazz Orchestra, Habitat e Marius Neset/Trondheim Jazz Orchestra, Lion. Dois discaços de orquestras, ambos lembrando um pouco o que faz a Maria Schneider. Lion faz belo uso do acordeão, instrumento do qual tenho gostado cada vez mais.
  • Andrew Bird, I Want to See Pulaski at Night, só pela primeira música, que tocou em um episódio de Orange Is the New Black e não me saiu da cabeça desde então.
  • Pat Metheny Unity Group, Kin (←→). Pelo Chris Potter, talvez o melhor saxofonista da geração. O baterista é o mexicano Antonio Sánchez, que fez a trilha de Birdman.
  • Melissa Aldana & Crash Trio, a chilena quebrando tudo, sem o suporte do piano, sob a melhor influência de Sonny Rollins. Também foi dos melhores (poucos) shows que vi no ano passado, no festival da Berklee.
  • Quadraceratops, septeto de Londres que descobri por acaso, lendo jornal.
  • Jeff Ballard Trio, Time's Tales. Miguel Zenon melhor aqui do que no seu solo lançado no ano, Identities Are Changeable. Lionel Loueke completa o trio.
  • Jerome Sabbagh, The Turn, acho que o disco que mais vezes ouvi no ano passado, junto com o da Melissa Aldana. Difícil saber quem está melhor, Sabbagh ou o guitarrista Ben Monder.
  • Noura Mint Seymali, Tzenni. Como disse no Twitter, o melhor disco de rock do ano passado foi feito por uma mulher da Mauritânia (podem me xingar de cosmopolitohipster, ou algo do tipo).

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

(Mais) Fronteiras da Análise Técnica

(Sim, o primeiro post do blog em 2015 veio depois de quase 60 dias e é só a continuação de uma série sem graça. Precisava, porém, postar algo pra ver se saio da inércia. Espero voltar com alguma frequência até o meio do ano.)

Via Suvi Kosonen, o Vomiting Camel:


E uma lição valiosa do Dilbert:



Mais fronteiras da análise técnica:

- O Beija-Flor
O Martelo de Thor (Batista)
Intraday Bart
Velociraptor
Vampire Black Swan
Bullish Cyclist
Evil Knievel Formation


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Os filmes (e séries) de 2014


Tem muita coisa que foi lançada em 2013 e eu não tinha visto, não sei se regula com o que passou no Brasil ano passado. Em ordem aleatória:

All Is Lost, J.C. Chandor. Belíssima atuação do Robert Redford, mais um golaço de Chandor (ele dirigiu Margin Call).

August Osage County, John Wells. Julia Roberts encarando Meryl Streep sem fazer feio (pelo contrário), em mais uma história de famílias infelizes.

Before Midnight, Richard Linklater. Inferior ao anterior, mas um final digno para uma grande trilogia.

La Grande Bellezza, Paolo Sorrentino. Não há cinismo que resista a Roma, tive a sorte de comprovar.

In a World..., Lake Bell. A estreia da bela Bell na direção, grata surpresa.

Movie 43, Steven Brill & Elizabeth Banks. Não vejam, é totalmente idiota (ri demais, porém).

Prisoners, Denis Villeneuve. Melhor noir dos últimos tempos.

A Touch of Sin, Zhangke Jia. Filmaço chinês que acho que o Tarantino gostaria de ter feito.

La vie d'Adèle, Abdellatif Kechiche. Valeria só pela Adèle Exarchopoulos, linda e talentosa, mas é um filmaço por si só.

Boyhood, Richard Linklater. Óbvio.


Entre as séries, gostei das temporadas de Orange Is the New Black, Girls (julguem!) e Ray Donovan. Homeland chegou a empolgar um pouco, mas terminou mal, mal. Penei pra ver uma temporada de The Americans, achei uma merda, estragaram uma premissa ótima. Gostei bastante de True Detective, mas acho que menos do que a média dos palpiteiros. House of Cards se perdeu e nunca mais vai se encontrar, acho. E bom, mas bom mesmo é Black Mirror, mas a última temporada é de 2013 (ainda não vi o episódio de Natal deste ano, bom programa pra daqui a pouco).

Feliz Natal, caros!