quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Engordando o BNDES

Na falta de notícia melhor...

Governo libera R$ 80 bi extras para BNDES emprestar

O Tesouro segue financiando a dieta hipercalórica do BNDES. Aguardamos a contrapartida em desenvolvimento econômico e social.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

COP15, a festa dos burocratas

Um amigo me informou hoje que o Brasil levou para a Conferência Climática da ONU uma delegação modesta, de 720 pessoas, ao custo de R$ 30 milhões (de onde qualquer calculadora pode concluir que o gasto médio por representante da nossa pátria amada, idolatrada, foi de R$ 41,7 mil - belas férias, não?). Tudo isso com a nobilíssima intenção de salvar o país e o mundo do aquecimento global (não vamos considerar que o Ministro do Ambiente ainda não entrou em acordo com os diplomatas sobre o que o Brasil vai pedir na conferência).

Não quero entrar no mérito da causa -- não entendo absolutamente nada de clima, e, até onde sei, há bons argumentos para os dois lados. Ademais, enquanto a tecnologia não andar, me parece uma questão de solução impossível -- o bem estar de grande parte da humanidade atualmente depende de consumo de energia. Na margem, quem vai consumir mais energia são as pessoas que estão saindo da pobreza, e não há nenhuma motivação de curto ou longo prazo que justifique privá-las de uma oportunidade de vida mais confortável. Fica, portanto, a opção para quem pode "reduzir suas emissões", o que só virá via incentivos que, provavelmente, não são viáveis em um mundo já tão endividado (apedrejamentos nos comentários, por favor). O caso aqui é o desperdício de recursos em nome da "causa", do qual o Brasil, claro, é o exemplo mais gritante.

Burocratas e políticos estão sempre atrás de uma "causa", que justifique seus empregos e seus salários. Para isso, apoiam-se em especialistas e colocam-se como donos da verdade, sem deixar margem para dúvidas ou questionamentos. Há pouco tempo vimos o caso da Gripe H1N1: o desconhecimento geral virou pânico e justificou o desperdício de bilhões de dinheiro de contribuintes, para depois concluir-se que o perigo não era tão grande, assim. Como disse acima, não entendo absolutamente nada de clima. Mas sei que é uma questão extremamente complexa, com muitas variáveis não controláveis. Complexa demais para que, em tão pouco tempo, já tenha-se chegado a conclusões incontestáveis e que justifiquem tanto empenho. Quanto à colaboração entre países, devemos lembrar que os EUA seguem produzindo açúcar de beterraba, apesar de todas as rodadas de negociação de comércio internacional. Copenhague será um fiasco, podem anotar.


P.S. Ainda no campo das boas intenções:
Prostitutas dinamarquesas oferecem sexo grátis durante COP15

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dado inútil do dia - Ibovespa vs S&P 500

Há cerca de 14 meses, o índice S&P 500 (de ações americanas) estava mais ou menos no mesmo nível em que está hoje. O Ibovespa valia 46 mil pontos (hoje vale quase 69 mil). Brasil, todo mundo acredita.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os livros do ano, pela The Economist

Mais uma daquelas listas para arrancar os cabelos pensando em quanta coisa interessante deixamos de ler durante o ano.

Emoções e investimentos

Ótimo gráfico que o Batata me mandou (clique para aumentar).



Pão de Açúcar compra Casas Bahia

Melhor comentário até agora:

"Foi em 36 vezes sem juros e sem entrada!!! E o melhor: a primeira parcela só em fevereiro!!! Isso mesmo!!! Só em fevereiro!!! Mas é só até sábado, hein!!! Tá esperando o quê?!? Vai lá!!! Vai lá!!! "

Via Kibe Loco.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Festival de extrapolação aplicada ao mercado (5)


85 mil está virando piso... aguardo a primeira projeção de 100,000 (afinal, seriam "apenas" 45% de valorização).

O oba-oba do PIB 2010

A capa do Valor de hoje traz algumas previsões para o crescimento do PIB brasileiro no ano que vem. Tem gente projetando aumento de 20% nos investimentos e crescimento total de 6,5%. Tudo isso com juros baixos, para fechar a conta de uma projeção de Ibovespa acima de 80 mil pontos. Acredite quem quiser.

Vídeo do dia - A Década em 7 minutos

Na visão centrada nos EUA da Newsweek:

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os 100 pensadores globais de 2009

A lista da revista Foreign Policy é encabeçada por Ben Bernanke e inclui Larry Summers e Dick Cheney. Acho que resume bem o espírito do ano: nada mudou, business as usual. A leitura subliminar é que os problemas continuam os mesmos, e sem nenhum sopro de renovação para resolvê-los.

Top 10 filmes dos anos 00

Toda lista desse tipo não tem como não ser estritamente pessoal e sujeita a idiossincrasias que muitas vezes passam longe de qualquer argumento técnico, histórico, artístico, etc... Eu entendo muito pouco desses aspectos. Sou apenas uma pessoa que assiste a muitos filmes. Sendo assim, consegui separar mais de 40 títulos que me agradaram bastante. Para chegar ao Top 10, resolvi separar os filmes que mais me tocaram, na maioria dos casos os que têm personagens nos quais identifiquei o meu passado ou como gostaria que fosse / imagino que será o meu futuro. Gosto quando o cinema fornece algo a mais que cento e poucos minutos de diversão, embora, claro, diversão de qualidade tenha muito valor. Aí vai; divirtam-se, critiquem e, sobretudo, façam suas próprias listas. Certamente será uma lição de autoconhecimento.




Top 10 (feito a muito custo, que pode mudar a qualquer minuto, e a ordem entre o Top 3 e dele para baixo é quase aleatória):




1. Match Point (Woody Allen, 2005)

Woody Allen dirigiu exatamente dez longas durante a década (teria tido uma regularidade ainda mais impressionante se não tivesse passado em branco por 2004 e compensado lançando dois títulos em 2005). Uma sequência fraca (para padrões Woody Allen, claro) nos primeiros cinco anos foi interrompida por este filme, o melhor dos anos 00 e um dos melhores da carreira de Allen. Match Point volta aos temas de culpa e moralidade do genial Crimes e Pecados (1989), constrói uma versão século XXI para a obra prima de Dostoiévski Crime e Castigo e introduz a visão do diretor, cínica e realista, sobre o papel da sorte na vida. Nas mãos de alguém menos hábil, tal combinação poderia resultar em um filme árido e sonolento; nas mãos do mestre, virou uma história de suspense, temperada com bom humor e Scarlett Johansson.



2. Antes do Pôr do Sol (Before Sunset, Richard Linklater, 2004)

Eu imagino qual teria sido o impacto desse filme em mim se eu tivesse a mesma idade dos protagonistas – algo como vinte e poucos anos em 1995, quando foi lançado o primeiro filme (Antes do Amanhecer) e mais perto dos 30 em 2004. De qualquer maneira, como só fui ver os dois em uma idade intermediária, me identifiquei com as duas situações. O passado, romântico e bastante ingênuo; e o futuro breve, mais difícil, mas não menos fascinante. Talvez por este filme ter tido participação dos dois atores principais (Ethan Hawke e Julie Delpy) no roteiro, ele às vezes parece um documentário, mas não deixa de alimentar um pouco do ideal romântico de Antes do Amanhecer.

Ah, e a cena final, com Julie Delpy imitando os trejeitos de Nina Simone no palco, contem toda a sensualidade que todas as cenas que a Megan Fox já gravou com roupas mínimas nunca terão.

3. As Invasões Bárbaras (Les Invasions Barbares, Denys Arcand, 2003)

Denys Arcand traz de volta os mesmos personagens de O Declínio do Império Americano (1986): intelectuais da parte francófona do Canadá, inteligentes, céticos, beberrões, sarcásticos e meio tarados. As Invasões Bárbaras é sobre a despedida de um deles, Rémy, da vida, e traz uma reflexão honesta e realista sobre família, amigos e a morte.






4. Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights, Wong Kar Wai, 2007)

Fui assistir a esse filme esperando absolutamente nada, já que tinha achado muito chato o único filme (In the Mood for Love, não lembro como ficou o título em Português) que havia visto do diretor. Dada a posição dele na lista, não preciso falar quão boa foi a surpresa ao terminar a sessão. As histórias dos personagens de Norah Jones (grata surpresa como atriz), Jude Law, David Strathairn, Rachel Weisz (não dá para entender como ela ganhou o Oscar por O Jardineiro Fiel e não por este papel) e Natalie Portman são envolventes e profunamente humanas. E a música (The Story) composta por Norah Jones para a trilha é das coisas mais sensuais que já foram gravadas. Aliás, a trilha toda (Cat Power, Cassandra Wilson, Otis Redding, Ruth Brown) é tão boa quanto o filme.

5. Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)

Cidade de Deus deve ser quase uma unanimidade nessas listas de Top 10 da década. Há muito tempo um filme brasileiro não era tão reconhecido, e hoje é uma influência visível para histórias filmadas sobre países subdesenvolvidos (vide Quem Quer Ser um Milionário?, talvez o filme mais superestimado da década).








6. Antiherói Americano (American Splendor, Shary Springer Berman / Robert Pulcini, 2003)

Antiherói Americano mistura cinema, quadrinhos e documentário para contar a história de Harvey Pekar, um americano ranzinza, funcionário público e viciado em jazz. Esse vício levou-o a conhecer o grande desenhista Robert Crumb, e a amizade dos dois transformou-se numa parceria onde Pekar contava seus “causos” e pensamentos e Crumb transformava-os em histórias em quadrinhos. Brilhante interpretação de Paul Giamatti, e uma cena comovente usando a interpretação de John Coltrane para My Favorite Things como trilha sonora.


7. Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, Quentin Tarantino, 2009)

“Tarantino é doente”, foi o consenso que eu e os amigos cinéfilos conseguimos chegar após ver Bastardos Inglórios. Felizmente sua doença é canalizada para filmes brilhantes e delirantes como este, o melhor desde Pulp Fiction. E se há alguma justiça no Oscar, Christoph Waltz sai da premiação do ano que vem com uma estatueta pelo papel do coronel poliglota Hans Landa.




8. O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, David Fincher, 2008)

A idéia do conto de F.S. Fitzgerald é tão boa que é de se estranhar que tenha levado tanto tempo para ser adaptada para o cinema. Felizmente a espera foi recompensada, e ganhamos um ótimo filme de um dos diretores mais interessantes da atualidade. Infelizmente, o filme teve que concorrer com a febre Quem Quer Ser um Milionário?, e não levou nada no Oscar. Acho as cenas em que Brad Pitt e Tilda Swinton contracenam, no segmento em que Button está em Murmansk, uma aula sobre como mulheres gostam, sobretudo, de serem ouvidas.




9. Os Sonhadores (The Dreamers, Bernardo Bertolucci, 2003)

Valeria só pelas cenas com a Eva Green, mas, como mulher pelada não é o critério da lista, esse filme é um dos motivos que me fazem ter vontade de ter vivido os anos 1960. Ou melhor, ser um estudante americano morando em Paris em 1968 e tendo um caso com a Eva Green.








10. Closer - Perto Demais (Closer, Mike Nichols, 2004)

Closer é o contraponto à esperança de Antes do Amanhecer, e condensa, embora de forma menos bem humorada, o pensamento de Woody Allen sobre relacionamentos no final de Annie Hall: "I thought of that old joke, y'know, the, this... this guy goes to a psychiatrist and says, "Doc, uh, my brother's crazy; he thinks he's a chicken." And, uh, the doctor says, "Well, why don't you turn him in?" The guy says, "I would, but I need the eggs." Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships; y'know, they're totally irrational, and crazy, and absurd, and... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us... need the eggs”

Filmes que poderiam, a qualquer minuto, entrar para o Top 10:

- Up - Altas Aventuras (Up, Peter Docter / Bob Peterson, 2009)
- Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)
- Tropa de Elite (José Padilha, 2007)
- Superbad (Greg Mottola, 2007)
- Juno (Jason Reitman, 2007)
- Na Natureza Selvagem (Into the Wild, Sean Penn, 2007)
- WALL-E (Andrew Stanto, 2008)
- Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, Clint Eastwood, 2003)
- Amantes (Two Lovers, James Gray, 2008)
- Kill Bill (Quentin Tarantino, 2003/2004)

Filmes que entraram na primeira lista que fiz para filtrar os escolhidos acima:

- Réquiem Para um Sonho (Requiem for a Dream, Darren Aronofsky, 2000)
- Oldboy (Chan-wook Park, 2003)
- Senhor das Armas (Lord of War, Andrew Niccol, 2005)
- Soldado Anônimo (Jarhead, Sam Mendes, 2005)
- Syriana (Stephen Gaghan, 2005)
- Os Inflitrados (The Departed, Martin Scorsese, 2006)
- Babel (Alejandro González Iñárritu, 2006)
- Borat (Larry Charles, 2006)
- Shrek (Andrew Adamson / Vicky Jenson, 2001)
- Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen, 2008)
- O Pianista (The Pianist, Roman Polanski, 2002)
- Quase Famosos (Almost Famous, Cameron Crowe, 2000)
- Alta Fidelidade (High Fidelity, Stephen Frears, 2000)
- Volver (Pedro Almodóvar, 2006)
- Fale Com Ela (Hable Con Ella, Pedro Almodóvar, 2002)
- Sideways (Alexander Payne, 2004)
- A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale, Noah Baumbach, 2005)
- Desejo e Reparação (Se, jie, Ang Lee, 2007)
- Do Outro Lado (Auf der Anderen Seite, Fatih Akin, 2007)
- Batman Begins e Batman: O Cavaleiro das Trevas (Batman Begins / The Dark Knight, Christopher Nolan, 2005 / 2008)
- Quando Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburger, 2006)
- A Viagem de Chihiro (Sem to Chihiro no kamikakushi, Hayao Miyazaki, 2001)
- Um Táxi para a Escuridão (Taxi to the Dark Side, Alex Gibney, 2007)
- Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr., David Lynch, 2001)
- Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, Sam Mendes, 2008)
- Mais Estranho que a Ficção (Stranger Than Fiction, Marc Forster, 2006)
- C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y., Jean-Marc Vallée, 2005)

Filmes que iam entrar na lista, mas depois fui ver que são de 1999:

- Magnolia (Paul Thomas Anderson)
- O Clube da Luta (Fight Club, David Fincher)
- Beleza Americana (American Beauty, Sam Mendes)
As listas do Ronalt e da galera estão aqui.

Dados do dia - Bancos Europeus

Da Bloomberg:

Paris-based BNP Paribas, the world’s biggest bank by assets, increased its balance sheet by 59 percent to 2.29 trillion euros ($3.5 trillion) since the beginning of 2007, an amount equal to 117 percent of France’s gross domestic product.
Assets at London-based Barclays jumped 55 percent to 1.55 trillion pounds ($2.6 trillion), or 108 percent of U.K. GDP.
Santander’s rose 30 percent to 1.08 trillion euros, about the size of Spain’s GDP.

Alguém falou em too big to fail?

Dezembro, o mês do off-topic

O ano vai acabando, a liquidez dos mercados vai minguando, e os assuntos sobre mercado financeiro e economia vão ficando cada vez mais batidos. Todos estão felizes com o brilhante ano que o mercado de ações teve (Bovespa +83% por enquanto - era só ter comprado, infiéis), e o abismo parece ter sido empurrado para 2010.

O fim de 2009 marca também o fim da década, e a onda dos Top 10 dos anos 00s (noughties, para os gringos descolados) é quase irresistível. Vou, portanto, unir o útil ao agradável (os leitores podem argumentar que é o inútil ao desagradável) e decretar este o mês do off-topic, publicando algumas listas pessoais de melhores da década, que não tem nada a ver com o assunto principal deste blog.

Claro que, sendo relativamente boa, a idéia de publicar Top 10 da década não foi minha. O Ronalt sugeriu a outros amigos que fizessem suas listas; cada um publica a sua e ele faz uma compilação no blog dele. Esta semana começamos com os melhores filmes da década, ainda hoje devo colocar minha lista aqui. Divirtam-se!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

2009 foi o ano de...

Michael Jackson, pelo Google Zeitgeist. Barack Obama, como dizem lá, is sooooooooo 2008...

Notícia do dia - Bolhas e Fé

Acabou de passar por aqui:

*PLOSSER SAYS HE `NOT A BIG BELIEVER' IN ASSET PRICE BUBBLES

Plosser, no caso, é Charles Plosser, presidente do Fed da Filadélfia. Que deve achar que a NASDAQ a 4,500 pontos era sustentada por fundamentos sólidos e que faz todo sentido esperar que preços de imóveis subam eternamente a 20% ao ano.

Um urso em hibernação

Nassim Taleb tira uma folga da mídia, após considerar que o reapontamento de Ben Bernanke para a presidência do Fed é demais para aguentar. Para ele, o mundo nunca esteve tão frágil.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ainda Dubai

Até por falta de assunto melhor, só se fala de Dubai... A melhor análise sobre o tema, até agora, é esta:

domingo, 29 de novembro de 2009

Reflexão sobre a pausa para reflexão

Quem trabalha no mercado financeiro é levado, muitas vezes, a acreditar que tem as melhores informações e o melhor julgamento. Afinal, somos nós que mexemos com dinheiro, que lemos, que estudamos, que falamos com pessoas que conhecem outras pessoas que conhecem quem manda. Observação e mea culpa número 1 feita.

Há a política. Há interesses que passam longe da racionalidade como a imaginamos (mas que devem fazer perfeito sentido para quem os defende). Há, como o próprio autor do artigo abaixo disse, "a complexidade da condição humana". E vai haver, no ano que vem, uma disputa pelo poder no "país do futuro", na possível-futura quinta maior economia do mundo.

Há um presidente que conta com uma aprovação assombrosa, mais ainda considerando que ele comanda uma democracia livre. Por trás desse presidente, há uma história de sucesso, fruto ou não do acaso, mas que faz com que ele paire acima do bem e do mal. Há uma possível sucessora. Há uma oposição acanhada, que ainda não decidiu o que quer (ou pelo menos isso aparenta). Há jornalistas, com diferentes graus de isenção, e seus veículos. No meio de tudo isso, vai haver muita sujeira, muito ruído, e pouca informação. De forma que vou me abster, daqui para a frente, de comentar política -- simplesmente não conheço, ou não entendo o bastante. Sou tonto. Deixo-me levar pelos meus vieses e não enxergo o que talvez seja óbvio. Estou engatinhando no entendimento de política e mídia -- tão ou mais opacas que mercado financeiro e economia, mas, pelo menos, esses eu estudo e vivencio há algum tempo.

Antes disso, tenho a obrigação de dar o outro lado da história. Um estimado amigo para quem mandei o texto abaixo disse que a opinião dele sobre a história está mais ou menos nesse texto do Luiz Carlos Azenha -- fica aí o contraponto, um dos possíveis. Tantos outros estão na mídia, é só procurar. Não conheço bem o trabalho do Luiz Carlos Azenha, nem suas orientações políticas, nem seus interesses. Como não conhecia esses aspectos do César Benjamin, que me impressionou pela biografia e pela história contada.

"Tive na vida várias fases de tentar explicar tudo, mesmo sem compreender. Quando compreendia, não tinha palavras para explicar." O Tostão escreveu isso em sua coluna de hoje. Há sabios e há tontos. Estou caminhado entre eles, sem ter idéia de quem estou mais perto.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pausa para reflexão

Reserve alguns minutos do seu tempo para ler o texto de César Benjamin na Folha de hoje. E mais algum tempo, depois, para uma reflexão sobre o Brasil e os brasileiros.

Artigo de César Benjamin na Folha de S. Paulo - 27/11/2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Gráfico do dia - Americanos x Perus

Feliz Dia de Ação de Graças para os americanos, que engordaram menos que os perus.




Da The Economist.

Não quer pagar estacionamento?

Não vá ao shopping! Ou vá de transporte público. Ou procure vaga na rua, e sofra com os odiosos flanelinhas.

Por que os shoppings de São Paulo têm de investir milhões em andares e andares de estacionamento, para depois não poderem cobrar pela facilidade? Qual a dificuldade dos legisladores em entender que uma vaga de estacionamento é um espaço privado, e que o preço cobrado nada mais é que um aluguel? Por que os clientes dos shoppings entendem isso e lotam tais vagas, e os deputados estaduais tentam violar a lei de oferta e demanda e a propriedade privada?

Se há algum alívio é que o executivo tenta vetar tal aberração. Que o judiciário compartilhe do mesmo pensamento.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A festa das isenções continua

Aproveite para fazer o seu puxadinho e mobiliar com um dormitório Bartira:


O Gian escreveu no comentário do post de ontem que concorda com o Friedman. Eu adoraria concordar também, sobretudo com a noção de que os governos, no geral, gastam muito e mal. O problema é que, no caso do Brasil hoje, as isenções de impostos muito provavelmente não serão acompanhadas por um corte correspondente nos gastos. E a operação acaba sendo uma transferência: de toda a base de contribuintes para quem compra móveis / carros / material de construção / etc. e seus respectivos produtores. Não vejo como isso pode ser bom (numa visão um pouco mais que imediatista) ou prioritário para um país que se financia a mais de 6% de juro real e só este ano conseguiu prover saneamento básico para metade dos domicílios.

Ai, ai, ai, Dubai

É a clássica história da formiga e da cigarra aplicada aos Emirados Árabes Unidos: enquanto a formiga Abu Dhabi poupava a receita do petróleo e montava o maior fundo soberano do mundo, a cigarra Dubai, cuja receita do petróleo já acabou há algum tempo, se endividava para construir o prédio mais alto do mundo, um hotel seis estrelas, um condominío de ilhas em forma de palmeira, etc. Na crise, a cigarra foi pedir abrigo para a formiga, e Abu Dhabi injetou dinheiro em Dubai para que esta não quebrasse. Agora, com o mundo inundado em liquidez, aparece a prova de quão frágil é a situação na terra "onde o sol nunca se põe": a Dubai World, uma das companhias estatais, tenta negociar o pagamento de títulos que vencem no próximo dia 14. O mundo parece não querer financiar Dubai; o que vai acontecer quando a formiga resolver não abrir a porta?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A palhaçada verde, versão Brasil

A cara de pau de políticos não têm limites. Veja o Brasil, bonito por natureza e dotado do maior potencial de geração hidroelétrica do mundo: um acaso da natureza agora faz com que o país possa alardear que tem a energia mais limpa do mundo, e leva o nosso Ministro de Minas e Energia a apontar o dedo para os americanos, que dependem do carvão para gerar 50% da energia que consomem. Esse tipo de bravata não custa ao consumidor, pelo menos. O caso do Ministério da Fazenda é mais grave: a causa verde ("Brasil está muito preocupado com meio ambiente", proclamou o çábio Mantega) está sendo usada como justificativa para subsidiar, via isenções e corte de impostos, indústrias com boa influência no governo. Paga a conta, como sempre, o contribuinte. Já havia sido anunciada uma isenção para geladeiras que tivessem um "selo verde". Hoje foi a vez da indústria automotiva: foi mantido o IPI reduzido de 3% para carros flex 1.0 até março do ano que vem (o plano inicial era voltar, gradualmente, a alíquota aos 7% pré-crise). Segundo a Fazenda, tal medida vai custar R$ 1,3 bilhão às contas públicas.

Milton Friedman dizia que nunca houve um corte de impostos de que ele não tivesse gostado. Eu discordo. Odeio cortes de impostos que favorecem diretamente o consumidor e, indiretamente, indústrias que não geram inovação. Odeio medidas que vão incentivar mais compra de automóveis, quando é nítido que o país precisa de mais transporte público de qualidade (o que, por sinal, seria muito mais ecológico do que aumentar o ritmo de produção de carros). Odeio pensar que gastança e incompetência serão confundidas com boa vontade, consciência ecológica e vanguarda. Odeio pensar que não vou rir por último, já que provavelmente farei parte dos que pagarão por excessos desse tipo. Já estou odiando esta enumeração, então vou parar por aqui.

Festival de extrapolação aplicada ao mercado (4)

Continuando a nossa série... por enquanto, ninguém prevê nada diferente da continuação do movimento.

Memórias da marolinha

Hoje o Valor nos informa que, durante a "marolinha" de outubro do ano passado, o Banco do Brasil jogou uma bóia de R$ 5,8 bilhões para os bancos Votorantim, Alfa e Safra. Na época, tivemos de ouvir bravatas por todos os lados, que diziam, entre outras barbaridades, que a crise financeira era coisa de "banqueiro loiro de olhos azuis". Infelizmente, passado o calor do momento, pouca gente vai prestar atenção na história que começa a aparecer. Infelizmente porque seria um bom aprendizado e exercício de humildade, pelo menos. Mas chegaremos no ano de eleição com a imagem de que temos um banco central infalível e um presidente onisciente. Pior para o país.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Gráfico do dia - Wikipedia


De um artigo do Wall Street Journal falando sobre a queda no número de editores da Wikipedia.

Frase(s) do dia - Delfim Netto

"Se fizermos uma análise geológica de Brasília, fatiagráfica, notaremos camadas que se superpõem. E qual é a regra do jogo? É a nova camada respeitar cuidadosamente os benefícios recebidos pela que está sendo substituída."




Professor Antonio Delfim Netto, numa boa entrevista na Folha de hoje.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Qual será a maior economia do mundo em 100 anos?

Se a resposta que veio imediatamente é “China”, pense de novo e leia o texto de Scott Sumner.

Gráfico do dia - Trufas

Da Bloomberg, que informa que os preços das trufas brancas em Asti, noroeste da Itália, caíram de €500 por 100 gramas em dezembro de 2007 para atuais €300. Aproveitem a pechincha.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Frase do dia - Max Planck

"A new scientific truth does not triumph by convincing its opponents and making them see the light, but rather because its opponents eventually die, and a new generation grows up that is familiar with it."


Max Planck, Nobel de Física de 1918, citado por Alan Kirman em um texto interessante sobre a teoria econômica pós-crise.

Banco Central do Uzbequistão, Brasília

Elio Gaspari, com a sobriedade e inteligência habituais, fala sobre o "caso Mario Torós".

Construindo pirâmides no século XXI

Funciona assim: o governo emite dívida para dar dinheiro aos bancos. Os bancos recebem esse dinheiro, usam parte para comprar a mesma dívida que o governo emitiu e lucram, recebendo, nos dois casos, dinheiro do contribuinte. Os mesmos bancos, agora que já garantiram os bônus dos executivos no ano, resolvem ser filantropos e emprestar parte do dinheiro para apoiar pequenos negócios. Os pequenos negócios, tocados por alguns contribuintes, prosperam, com dinheiro, em última instância, também de contribuintes.

Em finanças, o que parece complicado e bom demais para ser verdade geralmente prova-se um Ponzi, uma pirâmide. Estamos diante da maior da história? Tire suas próprias conclusões, e o tempo se encarregará de provar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Os mais corruptos do mundo

Somália, Afeganistão e Myanmar são os lanternas da lista do Índice de Corrupção Percebida, pulicada hoje pela Transparência Internacional. O Brasil? Pelo lado bom, está na metade de cima da lista e subiu da 80ª para a 75ª posição. Pelo lado ruim, segue atrás de Gana, Cuba, Namíbia...

O ouro de Maurício

Abra o Google Maps e tente achar as ilhas Maurício. Dica 1: aumente o zoom. Dica 2: vá para a costa oriental da África, no Oceano Índico, a leste de Madagascar. Ali estão: 1,3 milhão de habitantes, área quatro vezes menor que a região metropolitana de São Paulo. A notícia do dia é que tal país adquiriu, do FMI, duas toneladas de ouro, a preços de mercado. Motivos possíveis: diversificar reservas para fugir do dólar e surfar a tendência de alta do ouro. Os últimos convidados para a festa estão chegando, logo mais, ela acaba.

Via Zero Hedge.

(Mais) um "companheiro" no Banco Central

É claro que Mario Torós não sobreviveria à matéria do Valor de sexta-feira. Ontem ele anunciou sua saída da diretoria de política monetária do Banco Central, por motivos pessoais. Foi reposto por Aldo Luiz Mendes, funcionário de carreira do Banco do Brasil e que presidia a Companhia de Seguros Aliança do Brasil, cargo para o qual foi transferido pelo nosso estimado Ministro da Fazenda. E aqui temos o nosso banco central "independente".

Mais no Estado.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Gráfico do Dia - Harvard Endowment

Da última carta mensal da Eclectica Asset Management, a composição da carteira de investimentos do fundo que administra o dinheiro da maior universidade do mundo. Uma carteira que deveria ser conservadora (afinal, dela depende a existência da universidade) com apenas 8% em renda fixa. Algo deve estar errado com o mundo -- ou com o meu modo de enxergá-lo.

A íntegra da carta vale por um MBA em finanças, e, por isso, não é exatamente uma leitura fluente e acessível. Para os interessados, está aqui.

Krugman e os desequilíbrios

O Nobel de economia escreve hoje no New York Times sobre os profundos desequilíbrios que o câmbio fixo da China causa no resto do mundo.

Ilustração da última The Economist.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Som da Sexta - Ney Matogrosso

Fiquei a semana inteira com essa música na cabeça, um samba clássico de Herivelto Martins e Marino Pinto. Está no novo disco de Ney Matogrosso, cuja voz deve ter encontrado a fonte da juventude -- segue impecável, aos 68 anos. Esta versão é do show Pescador de Pérolas, de 1987, onde ele canta acompanhado do monstro do violão Raphael Rabello.

Frase do dia - Derivativos

"Paciência, o câmbio é flutuante, vocês fizeram isso, se virem."

Mario Torós, diretor de política monetária do Banco Central, em resposta ao diretor de uma empresa que reclamava da desvalorização do real, durante a crise do final do ano passado.

Hoje o caderno de final de semana do Valor traz uma reportagem grande sobre os bastidores da crise -- incrível como, um ano depois, começam a aparecer os "heróis", com diferentes graus de merecimento e veracidade. Neste caso, o Banco Central do Brasil sai como salvador do país, presciente e sempre oportuno...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Brasil decolando

A capa e a longa reportagem especial da The Economist desta semana tratam do nosso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Ainda não li as matérias, mas coloco aqui quando achar algum destaque.

Festival de extrapolação aplicada ao mercado (edição especial)



A ÚNICA aposta lógica para o ano que vem. Infelizmente ele não coloca uma previsão numérica. Aguardamos ansiosamente.

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