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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sambas e a economia brasileira

O pessimista: "Saco de Feijão", de Chico Santana, gravado pela Beth Carvalho em 1977 (inflação era algo como 45% no ano—ainda tinha muito pra piorar):

No tempo dos "derréis" e do vintém
Se vivia muito bem, sem haver reclamação
Eu ia no armazém do seu Manoel com um tostão
Trazia um quilo de feijão
Depois que inventaram o tal cruzeiro
Eu trago um embrulhinho na mão
E deixo um saco de dinheiro



O otimista: "Partido Baixo do Partido Alto", de Miguel Gustavo, gravado pela Elizeth Cardoso em 1972. Não consegui achar um histórico bom de retornos da bolsa brasileira (Alguém tem aí? Acho que tem uma tabela boa no final do Ordem do Progresso, não tenho o livro aqui), mas, de acordo com este gráfico, o mercado foi bem festivo entre 1966 e 1971.

Comprei Banco do Brasil  
Comprei Vale e Petrobras 
Até eu já estou na bolsa, ninguém me segura mais





Bônus: e mais recentemente tivemos... bem, tivemos "Eike Batista", com o Forró Estourado:

Eu durno na Disney, acordo em Las Vegas
Jogo no cassino com as mulheres mais belas
Que vida boa, não faço nada, e a minha conta só aumenta
A minha vida é 5 estrelas, eu não sei o que é problema
Me diz ai o que é que eu sou
Bi-bi-bilionario... bi-bi-bilionario... bi-bi-bilionario
Dei uma gorjeta pro garçom e ele comprou uma BMW


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Foto do ano (até agora)



Roubei do Mauricio Santoro, que postou com o seguinte comentário:

O Rio de Janeiro está uma mistura surrealista de Noviça Rebelde, Os Sonhadores e Tropa de Elite". Observação genial do Pedro Roquete. Eu diria que há também toques de Federico Fellini, e da constatação de Oswald de Andrade: "Nunca fomos catequizados. Fizemos foi carnaval.

Um amigo que mora em Madri e cuja opinião respeito bastante achou a história toda uma "bobajada nacionalista, machista e intelectualóide", accrescentando:

Na JMJ em Madrid, uma foto parecida fez muito sucesso e causou frisson na imprensa, facebook e CNBB local: tambem uma moca bonita, sem camisa, sò de sutia. E era peregrina, a "safada". E aqui nao tem Carnaval, nem Oswald, nem Febeapa...

Concordo em parte com esta opinião, mas não encontrei o peso sexista, achei a foto muito divertida e sensível... O que acham?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Frases do Dia - não existe amor em Copenhague

"...our language is one of the most ugly and limited around. You can't seduce anyone in Danish; it sounds like you are throwing up."

Sidse Babett Knudsen, a primeira-ministra Birgitte Nyborg da extraordinária série dinamarquesa Borgen, em entrevista para o Guardian. Está numa matéria da New Yorker sobre o sucesso recente da TV escandinava.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Espanha e os 0,1%, aplicado ao futebol

Anteontem, na premiação da FIFA de melhores de 2012 no futebol, foi escolhida uma seleção mundial - os 11 jogadores mais votados por mais de 50.000 outros jogadores profissionais. Em teoria e descontados alguns vieses, são os melhores jogadores do mundo em suas respectivas posições - ou pelo menos é seguro afirmar que estão entre os três ou cinco primeiros em todos os casos. Chamou-me a atenção que todos, 100%, os 11, jogam em clubes espanhóis - cinco no Real Madrid, cinco no Barcelona e um no Atletico de Madrid.


A Espanha, como sabemos, terminou o ano passado com mais de 25% de desemprego - 56,5% para os jovens com menos de 25 anos. Passou mais da metade dos últimos quatro anos em recessão. Ainda assim, seus clubes têm dinheiro para pagar e manter os onze maiores futebolistas em atividade no mundo. Onde está o erro?

Dá pra falar de vários aspectos desse caso (quer dizer, daria se eu entendesse alguma coisa dos assuntos), todos fascinantes: a capacidade do futebol descolar do ambiente da sede dos clubes, tanto pela transcendência do esporte quanto pelo dinheiro globalizado aplicado nos times grandes; a atual fase do futebol espanhol (mais da metade dos eleitos) e a tendência desses jogadores preferirem jogar no país / clube de origem, mesmo com potenciais ofertas melhores; o efeito "winner takes all" que o atual esquema de receitas alimenta; a enganação que são os "dois melhores laterais do mundo" brasileiros, etc... Vou me concentrar em um que especialmente me incomoda: os subsídios cruzados que ajudam a sustentar o futebol.

Os times da liga espanhola, segundo estudo de um professor da Universidade de Barcelona (mais, muito mais no ótimo The Swiss Ramble) acumulam cerca de €3,5 bilhões em dívidas - Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, somados, correspondem a quase metade desse valor. Os clubes devem a bancos, outros clubes e ao fisco espanhol (€426 milhões para este). No mundo ideal, essas dívidas um dia seriam devidamente pagas. Clubes de futebol, porém, não estão entre os melhores pagadores, talvez porque não têm grandes incentivos para tal: como executar um grande clube? Decretar sua falência, liquidar e encerrar a história? Quem vai lidar com a pressão popular, ou dos torcedores poderosos (apenas o rei da Espanha, no caso do Real Madrid)? Para piorar, estamos numa conjuntura em que bancos não podem mais quebrar, e suas más decisões de crédito, emprestar a times de futebol entre elas, acabam sendo bancadas pelo contribuinte.

No fim das contas, todos os contribuintes acabam sustentando os clubes - o governo precisa arrecadar de outra maneira os impostos que deixa de cobrar, resgata os bancos que emprestaram aos clubes e, pelo exemplo brasileiro (deve haver muitos outros), resgata os próprios clubes, quando preciso. É um crowdfunding compulsório, tendo como fundo a ideia que clubes de futebol são, ao menos parcialmente, bens públicos. Podem até ser, mas isso deveria ficar mais claro para que os eleitores decidam se é legítimo manter essa casta de multimilionários às custas da população.

O caso específico da Espanha hoje parece particularmente imoral pelo descolamento entre a conjuntura do país e a riqueza da liga de futebol, mas não é o único. Nem é o futebol - o mundo está repleto de negócios que criam milionários indiretamente subsidiados por contribuintes. É ridículo políticos defenderem uma era de austeridade geral  enquanto esses casos não se tornarem explícitos, analisados e repensados.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

100 Things to Watch in 2013

A tradicional lista de uma das maiores agências de publicidade do mundo:


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Zeitgeist 2012

O já tradicional e imperdível vídeo do Google:



Update: o hotsite do Google Zeitgeist. O ano no mundo em três buscas: Whitney Houston, Gangnam Style e furacão Sandy. No Brasil: Face (?), BBB12 e Ask (???).

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Capitalismo como objeto impossível e o inconsciente coletivo*

Provavelmente o Bruno Maron nunca viu a arte encomendada pela Artemis Capital que coloquei aqui, mas sua tira mais recente abre com esse quadro:

* Perdão pelo título, mais apropriado para uma tese de doutorado amalucada do que para um simples post.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Leituras da Semana

- Fabio Giambiagi sobre o impacto da queda dos juros nos fundos de pensão brasileiros.

- Olivier Blanchard sobre o multiplicador fiscal.

- Um ótimo trabalho do Banco da Inglaterra defendendo mais simplicidade na regulação bancária, fortemente inspirado nas ideias do psicólogo alemão Gerd Gigerenzer.

- Aritmética simples aplicada a preços pode ser muito cruel.

- Um paper sobre o aumento do uso de equações e ferramentas econométricas nos trabalhos de economia. Essa figura é de lá (via Justin Wolfers):


- A última edição da Foreign Policy, sobre economia global, está muito boa: quem ganhou na Grande Recessão, repensando os BRICS e alguns pensamentos de Nassim Taleb.

- Noah Smith divaga sobre as consequências de blogar sobre economia.

- A relação (ou não) entre centros financeiros e centros de arte.

- A Suécia leva a sério essa história de igualidade.

- Ótimo texto sobre parte da geração que chega agora aos 20 e alguns anos, seu egocentrismo e problemas em lidar com o mundo fora da faculdade (acho que em larga medida vale também para a minha geração, dos 30 e poucos). Dica: Marcio Guilherme.

- Small Demons, um site que lista referências culturais em livros e vai te tomar muitas e muitas horas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Leituras da Semana

- Cortesia do J.P. Morgan Asset Management, um guia para os mercados globais nesse último trimestre do ano.

- PIMCO sobre o impacto da queda dos juros no Brasil.

- A Atlantic Media lançou o Quartz, um projeto ambicioso de jornalismo voltado a alguns temas que surgiram depois da crise de 2007 / 2008. Tem valido a pena acompanhar.

- John Quiggin revisita, 82 anos depois, um dos ensaios clássicos de Keynes, Economic Possibilities for our Grandchildren.

- Um bestiário ilustrado das criaturas que povoam a blogosfera econômica.

- Uma crônica deprimente do escritor Gary Shteyngart sobre a American Airlines.

- O riquíssimo relatório sobre educação da OECD.

- Comparação entre as composições de gastos familiares no Brasil, Índia, China, Rússia, Egito, Turquia, Indonésia e Arábia Saudita.

- "Economists have correctly predicted nine of the last five recessions."

- Ótima matéria da Economist sobre a queda do uso de carros no mundo desenvolvido.

- Como é crescer Gangnam-style.

- 211 anos de mudanças políticas em um GIF animado.

- Dois bons obituários de Eric Hosbawm: no NY Times e na Jacobin.

- Filmes por gênero, de 1908 a 2012.

- Meio atrasado, mas ainda relevante: como a escuridão tem permeado a cultura pop. Trecho brilhante: "These are dark stories about a man in a dark suit driving a dark car through dark streets thinking dark thoughts while darkly fighting dark men doing dark deeds in the dark of night."

- Entrevista com Randall Munroe, do xkcd.

- Zumbis da proatividade, deve ter um perto de você.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Frases do Dia - Uma Distopia Carioca

Ilustração: Pedro de Kastro
Naqueles primeiros anos da década de dez, a cidade começava a se perder de vez para alguns de seus velhos moradores. Quem não tinha como pagar pelo Novo Rio era varrido aos subúrbios escuros e calorentos que seguiam crescendo viroticamente ao longo das sucateadas linhas de trem nos bairros fora do cinturão olímpico. O preço dos imóveis dentro do pequeno colar de pérolas delimitado pelo mar e pelo Maciço da Tijuca passou a ser regulado pelo mercado internacional, em desproporção com o poder real de compra de seus habitantes: em 2013, o aluguel de um conjugado de trinta metros quadrados em um prédio superpopuloso nos tenebrosos corredores de concreto de Copacabana era igual ao de um apartamento similar em Paris ou Nova York e o dobro de outro em Berlim ou Lisboa. 
Em pouco mais de três anos entre a primeira e a segunda década do século XXI, o mesmo processo econômico que fez os preços dos imóveis se multiplicarem por dois ou quatro transformou o real na moeda mais sobrevalorizada do mundo. Nesses tempos, o consultor financeiro de Tomás Anselmo lhe telefonava girando o dedo num copo de uísque com soda e muito gelo às cinco da tarde para dizer coisas como "Olha, meu caro, eu vou jogar todo o investimento no DI e a rentabilidade colocamos naquele fundinho de ações, eu tenho conversado com o pessoal do Factual e eles têm sido obscuros sobre o mercado, então é papo de proteger o seu principal e só tirar a rentabilidade de um fundo de renda fixa". 
Menos informados, nativos de todas as idades arregaçavam as gengivas para repetir orgulhosos as manchetes do New York Times e do Guardian sobre o crescimento e o aumento do custo de vida no país - sem desconfiar ou esquecendo propositalmente que a abundância de dinheiro era a mesma que financiava empréstimos de risco, os negócios de célebres megapicaretas e que drenava a competitividade da indústria. Quando a Economist publicou em novembro de 2009, pouco depois que o Arcanjo Gabriel anunciou a Profecia Olímpica, que o Brasil em algum momento da década "posterior a 2014" seria a quinta economia do mundo, superando o Reino Unido e a França, que o único risco do Brasil, dali em diante, seria o orgulho excessivo, que o Brasil, ao contrário da Índia, não tinha conflitos étnicos e insurgentes, que o Brasil, ao contrário da China, era uma democracia, e, ainda, que o Brasil, ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas, acreditou-se que o futuro do pretérito havia chegado. 
Anos depois, Tomás Anselmo diria com os olhos embotados: - A edição da Economist com o Cristo Redentor decolando na capa foi o início da nossa derrocada. Eles penduraram essa revista nas paredes dos escritórios da cidade inteira, como um quadro num altar. A maioria nunca leu o especial de vinte páginas sobre o futuro mágico do Brasil, mas tinha aquilo enquadrado. Que semanas! Que meses! Havia manhãs naquele tempo! Aceitaram aquela matéria como uma teofania, como se tivesse sido escrita não por um grupo de jornalistas gringos, com tentáculos ligados aos fundos de investimento do próprio Belzebu, mas por um apóstolo em êxtase transcrevendo a voz de trombeta de Deus lhe narrando o paraíso e mandando que enviasse o texto às sete igrejas da Ásia. Acreditamos naquele momento que estávamos condenados à prosperidade - e infelizmente esse não foi o nosso último ato ingênuo. Antes a Economist houvesse reproduzido em suas páginas sobre o Brasil o apocalipse de São João, já que agora as coisas antigas desapareceram e tanta gente enxuga dos olhos toda lágrima, disso não há dúvida.

De Antes da Queda, capítulo de romance que está sendo escrito por J.P. Cuenca e está na edição da Granta dedicada aos jovens escritores brasileiros.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Frases do Dia - O Mal Estar na Civilização

Negrito meu:


Louise Richardson, now the vice chancellor of the University of St. Andrews, in Scotland, combined an assistant professorship in government at Harvard with mothering three young children. She organized her time so ruthlessly that she always keyed in 1:11 or 2:22 or 3:33 on the microwave rather than 1:00, 2:00, or 3:00, because hitting the same number three times took less time.

Do ultracomentado texto de Anne-Marie Slaughter para a The Atlantic, Why Women Still Can't Have It All. O texto é bom e honesto, mas se conforma com uma visão de sucesso que me deixa profundamente incomodado. Devo andar precisando de férias.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ai-que

Eike dureza ter que olhar de novo
pra essa capa ridícula...
This post in English.

Ontem o Arthur M. me mandou um e-mail perguntando se eu não ia escrever nada sobre a, digamos, maré de azar nas empresas do grupo X (considerando o meu muitas vezes manifestado ceticismo com relação a esses negócios). Eu respondi que não pretendia porque: primeiro, não entendo quase nada de petróleo - a maior queda (perda de metade do valor de mercado neste mês) foi da OGX, em teoria provocada por um corte de estimativa de produção em uma das áreas de exploração e; segundo, ainda era cedo para declarar Eike e suas empresas uma fraude completa. Isso foi enquanto a queda da OGXP3 no pregão era de "apenas" 7%. No fim do dia acelerou para quase 20%, a MMXM3 caiu outros 17% e fiquei com a impressão de que, na melhor expressão da célebre frase de Dornbusch, as coisas poderiam estar acontecendo mais rápido do que qualquer um poderia imaginar.

Eike é o arquétipo da ilusão do "Brasil que deu certo", que conseguiria enriquecer em uma geração com um modelo baseado em pouco mais do que exploração de commodities e a crença de que os termos de troca nunca voltariam a piorar. A genialidade de Eike foi perceber que o mundo havia se convencido dessas falácias, e que empresas pré-operacionais, com todo o risco associado a esse estágio do negócio e à exploração de commodities, poderiam ser vendidas como empresas maduras, cash cows em plena operação. Acho que o ajuste dos preços de mercado neste mês (que não sei se já terminou - de qualquer forma, o mês útil termina hoje) reflete a reversão dessa ilusão, e as empresas serão reprecificadas de forma a refletir melhor a realidade, não a expectativa de um futuro onde tudo deu certo. Uma próxima reprecificação pode ocorrer se o mercado se convencer de que alguns dos projetos vendidos são fraudes e que o investimento será perdido; não os conheço a fundo para saber se isso vai acontecer, ainda que não me pareceria uma grande surpresa. Ecoa na minha cabeça a frase que ouvi do professor L. Randall Wray em um seminário, há alguns meses: "nada é mais lucrativo que fraude". É possível que a loucura com o caso do Brasil tenha chegado a um ponto em que as expectativas exageradas de lucros só poderiam ser correspondidas com a venda de fraudes, com todas as letras. O próximo par de anos deve ser um bom teste para essa tese.

Um outro aspecto pernicioso do "fenômeno Eike" é o uso de sua história como modelo de gênio capitalista visionário - nada é mais ilustrativo disso do que a ridícula capa de uma edição de janeiro deste ano da revista com maior circulação no país. O capitalismo, nesse caso, é a exploração do setor primário, intensivo em capital e de baixíssimo potencial de inovação, fortemente regulado pelo governo, com o uso de grandes volumes de financiamento a juros subsidiados de um banco de fomento estatal. Compare com a trajetória de verdadeiros capitalistas visionários (pode ser o Steve Jobs, pra pegar um caso mais recente) e ache os sete erros. Até a alusão ao caso da China é apropriada: crescimento brutal em todos os sentidos, também com a possibilidade de ter sido alimentado além do verdadeiro potencial com uma miríade de fraudes. É esse o modelo que queremos usar?

"Não éramos tão ruins, nem ficamos tão bons", foi o que disse o professor Eduardo Giannetti em uma entrevista de dezembro de 2009. Pensando em mercados, se juntarmos a magnitude e o tempo que durou a ilusão de que eramos muito bons com a segunda regra de Bob Farrell (excessos em uma direção levam a excessos na direção oposta), podemos esperar um longo e duro período de correção, até que pareça de novo que somos muito ruins. Talvez estejamos vendo o início desse movimento. Torçamos pelo melhor, nos preparemos para o pior.

Agradeço ao Arthur M. pela provocação e discussão.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Como são decisões de política econômica

As opções:


O processo.

Tudo do espetacular episódio "Margaritaville", da 13ª temporada de South Park. Foi exibido originalmente em março de 2009, poucos dias depois da pior fase da crise nos mercados americanos - teria servido como um bom indicador contrário. Vale ver inteiro aqui. O pai de Matt Stone (um dos criadores da série), Gerald W. Stone, foi professor de economia (chegou até a escrever um livro-texto) e serviu de consultor para o roteiro, que tem um final inequivocamente keynesiano.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Frases do dia - Inferno


"For nearby countries, Europe no longer shines as a beacon of democracy. The Arab Middle East takes a decisive turn towards authoritarian Islamic states. In Asia, economic strife between the US and China spills over into military conflict, with increasingly frequent naval clashes in the South China Sea threatening to erupt into a full-scale war.


Many years later, Merkel, who has withdrawn from politics and become a recluse, is asked whether she thinks that she should have done anything differently during the euro crisis.  Unfortunately, her answer comes too late to change the course of history."

De um possível cenário apocalíptico desenhado por Dani Rodrik, no Project Syndicate. Vale a leitura.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Gráfico do Dia - Goldman Sachs e os estudantes

Ontem saiu a pesquisa da CNN Money com os empregadores preferidos dos estudantes de MBA nos EUA. Desde 2007, o líder é o Google. Aqui, chamo a atenção para a posição da Goldman Sachs no ranking: este ano foi a mais baixa dos últimos sete anos. A teoria a ser testada é que a era dos grandes bancos de investimento nos EUA acabou, e emprego neles vai cada vez mais se parecer com o resto do mercado, tanto em termos de remuneração quanto de badalação. Esse seria um movimento de muitos anos, talvez o dado seja mais um sinal de que já começou:


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Europa, por europeus

Ontem o Pew Research Center (think thank baseada em Washington, financiada com dinheiro da família fundadora da petrolífera Sunoco) publicou um relatório muito interessante, intitulado European Unity on the Rocks - Greeks and Germans at Polar Opposites. O trabalho foi baseado em entrevistas com cerca de 9 mil pessoas em nove países, e busca investigar como os europeus se sentem com relação ao atual arranjo do seu continente e os outros países que o compõe (o projeto do qual faz parte, chamado Global Attitudes, pesquisa 21 países em vários continentes).

O relatório tem inúmeros insights interessantes sobre o espírito do tempo atual; aqui destaco alguns:

- Como os europeus enxergam os outros europeus: o Mark Dow fez uma reflexão muito apropriada sobre a seguinte tabela:


- Como avaliam as condições econômicas e o futuro: a diferença entre Grécia e Alemanha é brutal (mesmo entre Alemanha e todos os outros países pesquisados). Como bem observou o Mark Dow, as forças que atuam no continente são centrífugas, não centrípetas:


Ainda assim, a maioria dos gregos quer permanecer no euro - mais surpreendente que, entre os países pesquisados, são os que mais defendem continuar na moeda única. Talvez isso explique porque até agora não houve uma corrida bancária e porque a opção pelo radicalismo na política está sendo revista (pesquisas para a nova eleição mostram fortalecimento dos partidos moderados).


Quase todos gostam dos alemães:


Daria para destacar outros tantos dados, fica recomendada a leitura do relatório inteiro.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Supersimplificando a crise

Esse modelinho me ocorreu semana passada, fruto das muitas horas gastas lendo e tentando entender a crise da Europa (e, em menor medida, dos EUA - sigo achando que o país está muito mais adiantado no ciclo de desalavancagem e liquidação). Deve ter várias simplificações grosseiras, mas tem me ajudado a colocar o imenso fluxo de notícias e ruído em perspectiva; talvez também sirva para algum leitor:


Governos não querem desagradar os plutocratas, seja porque foram eleitos com ajuda deles ou porque não têm incentivos para isso. Daí parte que todas as soluções pensadas para a crise são acomodativas e não atacam o status quo, partindo do princípio que bancos precisam ser salvos a quase qualquer custo (a quebra da Lehman é vista como o principal erro de política econômica dos últimos anos) e que o dinheiro investido nesses salvamentos fluirá para o resto da economia (ainda há grande confiança em "trickle-down economics", um dos zumbis do livro do John Quiggin). Líderes políticos não têm vontade ou legitimidade para tomar ações de real impacto, e quase toda a ação fica concentrada em bancos centrais, que gozam de certa discricionariedade mas têm apenas uma ferramenta (ou variações dela) e são submetidos aos mesmos interesses dos políticos. Essas ações têm efeito temporário; quando deixam de ter efeito, são renovadas com incrementos às mesmas ações.

Aos eleitores insatisfeitos, resta, sabendo que os partidos moderados à esquerda e à direita são muito semelhantes entre si, tentar alternativas radicais e/ou populistas. Há duas possibilidades para o ciclo ser quebrado, ambas dependendo de ação da população: primeira, quando uma dessas alternativas for eleita com uma plataforma de profundas mudanças, não necessariamente boas ou racionais (talvez seja o que está acontecendo na Grécia, ainda que a maioria não veja o euro como problema). Segunda, com uma corrida bancária, que força ação imediata sob pena de total desestabilização no sistema e caos financeiro. Semana passada, aparentemente, estivemos perto disso, mas, por algum motivo que não compreendo, o movimento de manada não se acelerou. Em qualquer dos casos, fica (mais) evidente o equívoco da tese do "fim da história" e uma renovação da importância da política.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Escambo: troco Facebook 0KM por 3M + Danone usadas + uns trocados

Troco você por iogurte e post-its.
Acabou de sair a precificação da oferta inicial do Facebook, que avalia a companhia em US$ 104 bilhões. Esse valor é correspondente, para pegar um caso, à soma dos valores de mercado da Danone (US$ 42,4 bilhões) e da Minnesota Mining and Manufacturing, vulga 3M (US$ 59 bilhões). Faço uma aposta para daqui a três anos, com quem quiser (Soneca?): troco o Facebook por essas duas empresas (e fico com US$ 2,6 bilhões para comprar em NTN-B 2050). Prêmio a combinar.

P.S. Outras empresas com valor de mercado ao redor de US$ 100 bilhões: Amazon, Qualcomm, Total, Gazprom, Pepsico, Ambev...

P.P.S. O "bolhômetro" do broadstuff completou oficialmente o nível 7.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Ironia Britânica do Dia

Da última The Economist:

In a move hailed as a triumph by the digerati but deplored by bibliophiles, the publishers of "Encyclopaedia Britannica" decided to discontinue the printed edition of the 32-volume tome in order to focus on the online and digital versions. The encyclopedia contains 40m words, is in its 15th edition and was first published in Edinburgh in 1768 but has been based in America since 1901 (according to Wikipedia).

P.S. Claro que a tecnologia empurrou esse tipo de produto para a obsolescência e tal, mas vou sempre lembrar com saudades da Britannica impressa - devo muito da minha educação randômica e sem foco à edição de 1986 da Barsa (versão tropicalizada e editada no Brasil pela Britannica, que também publicava a Mirador) que meus pais compraram para mim e para minha irmã quando entramos na escola. Na época, custava o preço de um bom carro usado.

P.P.S. Este livro, que conta a saga de um jornalista que resolveu ler a Britannica de cabo a rabo, é bem divertido.