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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Leituras atrasadas

—O mercado frequentemente prevê altas de juros nos EUA cedo demais.

—Porque não vai haver quebradeira nos mercados emergentes.

—Por mais igualdade de oportunidades nos EUA. Deve valer mil vezes mais para o Brasil.

—Dois ótimos projetos do Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande: "House of Cunha", analisando as votações da legislatura atual da Câmara e "Quem me representa?", que ordena os deputados de acordo com as preferências de quem acessa.

—Perfil de Daniel Kahneman no Guardian.

—Oliver Blanchard, o ex-economista-chefe do FMI, tem um homônimo que escreveu este belo artigo sobre sharing economy.

—O departamento de economia mais influente dos EUA: MIT, Stanford ou Berkeley? De qualquer jeito, Harvard lidera com folga o ranking de citações.

—Slides de Susan Athey e Guido Imbens sobre machine learning. Uma bela visualização sobre o básico do tema.

—Mais um teste de orientação política, este nos termos usados nos EUA.

—A filosofia moral da prostituição.

—O milagre científico do sorvete (amém).

—Uma hierarquia da discordância.

—João Gilberto cantando em comercial da Brahma, 1991.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os livros de 2014

Li tão poucos livros neste ano que nem vou fazer a tradicional divisão por categorias. Aí vai o que gostei, na ordem em que li:

—Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie. Vale todo o hype, foi "o" livro que indiquei pra listinha do Amálgama.

—The Great Escape: Health, Wealth, and the Origins of Inequality, Angus Deaton. Um ótimo panorama de como a humanidade tem conseguido escapar da pobreza, por um grande entendido do assunto. Relevante tanto para leigos quanto para (presumo) doutores.

—Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago. Não, eu ainda não tinha lido. Brilhante.

—The Sense of an Ending, Julian Barnes. Primeiro romance do Barnes que leio, vou virar freguês. Assustador, mostra que provavelmente não vou ficar mais sábio com a idade.

—My Brilliant Friend, Elena Ferrante. Outra autora que justifica o hype, das coisas boas que li na Itália. Também um antídoto para a era em que escritores são mais famosos pelo o que colocam no Instagram do que pelo o que escrevem.

—Stoner, John Williams. Depois que li, soube que virou um best seller tardio e acidental na Europa. Como o Barnes acima, bem pessimista quanto a segunda metade da vida (olha a minha mid-life crisis chegando adiantada).

—Thinking, Fast and Slow, Daniel Kahneman. Uma biografia científica brilhante de um dos poucos Nobeis de economia que faz-se entender além da academia, e das lições de humildade mais convincentes que já tive.

—The Structure of Scientific Revolutions, Thomas S. Kuhn e The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte, Karl Marx. Da categoria "deveria ter lido na faculdade, mas era vagabundo demais." Eternamente grato aos colossais Michael Piore e Suzanne Berger por terem me colocado pra ler isso no fabuloso curso de Economia Política do MIT (tem uma versão online).

—Man's Search for Meaning, Viktor E. Frankl. Não é o Primo Levi, mas adiciona a um relato comovente sobre a vida nos campos de concentração nazistas uma exposição sobre logoterapia, abordagem interessantíssima da psicologia.


Ainda estou pra terminar o The Great Transformation, do Polanyi, que certamente entraria nessa lista, e ontem comecei o primeiro volume do My Struggle, do Knausgaard, que deve ser a leitura do verão. Ao Papai Noel, só peço mais tempo livre ano que vem.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Líderes políticos e desempenho econômico

Em tempos de eleição, quando políticos tendem a atribuir a si próprios as conquistas e ao azar ou a "heranças malditas" os fracassos, é interessante ver o que a academia econômica tem feito para definir sucesso econômico e a quem ele cabe. Alguns trabalhos recentes que me parecem pertinentes:

—Jones & Olken, de 2005, já é meio clássico: eles usaram episódios de transição política que envolve a morte de líderes como um experimento natural e avaliaram o que ocorre depois com o crescimento do PIB. Encontraram um efeito bastante forte nas autocracias (o exemplo mais evidente é a China depois da morte de Mao), mas não em democracias, o que sugere que nestas outros fatores são mais importantes para explicar variações no crescimento do que a influência de um presidente;

—Easterly & Pennings, de 2014, tenta responder a mesma pergunta de Jones & Olken (líderes importam?) usando uma metodologia diferente, que tenta decompor taxas de crescimento e encontrar, isolando fatores específicos ao país e choques aleatórios, a fração que cabe exclusivamente ao líder político. Os resultados sugerem que líderes explicam muito pouco da variação nas taxas de crescimento. Nas palavras deles: "our results are consistent with plausible views of how even seemingly unconstrained autocratic leaders  might find it difficult to exert control over the growth rate of the economy... We find in this paper little reason to believe in “great men” –either benevolent or malevolent – driving the growth process."

—Blinder & Watson, de 2013, compara o crescimento econômico nos EUA com presidentes Democratas e Republicanos após a II Guerra: durantes mandatos Democratas, o crescimento anual do PIB foi, em média, 1,8% maior do que em governos Republicanos. A conclusão, porém, é que tal diferença não é produto de políticas diferentes, mas, mais provavelmente, do acaso: Democratas têm mais sorte com os preços de petróleo, choques de produtividade e se beneficiam de algo de profecia autorrealizável alimentada pelo histórico mais favorável.

—Por fim, mas não menos importante: Carrasco, de Mello & Duarte, de 2014, tentam comparar o desempenho de vários indicadores de desenvolvimento econômico no Brasil de 2003 a 2012 com o que poderia ter sido o Brasil com outro governo, este simulado a partir da composição de um grupo de países com características passadas parecidas. A conclusão é que o desempenho brasileiro, medido pela maioria dos indicadores (crescimento, investimento, inflação, redução de pobreza, etc), foi aquém do grupo de comparação—a importante exceção é o mercado de trabalho.

 
L'État, c'est moi?

Se tomarmos esses trabalhos em conjunto, um possível resumo é: (i) em democracias, líderes têm muito menos influência sobre o desempenho econômico do que se costuma supor; (ii) não houve "milagre" no Brasil dos últimos anos, mas sim uma grande oportunidade desperdiçada, com ventos externos muito favoráveis; (i) + (ii) bravatas e acusações de "herança maldita" de um governo anterior específico provavelmente são retórica oca, ao menos no que diz respeito a crescimento, e (iii) copiando o amigo Batata, provavelmente inspirado no Kahneman, o acaso é foda (e também a reversão à média).

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Leituras atrasadas

O que deu pra contrabandear entre as páginas do Mas-Collel, Whinston & Green (aliás, estou pensando em fazer uma camiseta com esses nomes nesse estilo--acho que já preciso de férias):

- Os 200 blogs de economia mais influentes do mundo.

- Um Q&A útil da Goldman Sachs sobre como andam os mercados emergentes.

- Um tradutor economia - sociologia (e vice-versa).

- Michael Woodford, o economista mais influente do mundo?

- Livro interessante que está por vir, sobre a reinvenção do capitalismo de estado a partir do caso do Brasil.

- Tim Harford sobre os grandes bancos, não poderia concordar mais.

- Morreu o grande David S. Landes, autor de A Riqueza e a Pobreza das Nações. Uma resenha de Deirdre McCloskey da época do lançamento desse livro (via Leo Monasterio) e o obituário do NY Times. Morreu também o Ronald Coase, mas este era famosão, mais fácil encontrar informação.

- Mark Blyth indica cinco livros sobre economia política.

- A orientação política da The Economist.

- Cinco distorções cognitivas de "gente que faz".

- Dinamarca = Boston.

- Viva a boa cerveja: o criador da Sam Adams ficou bilionário.

- Um esquema de citações em algumas publicações científicas brasileiras.

- Um dicionário de clichês, por Teju Cole.

- 10 grandes entrevistas da Playboy. Faltou a do Tim Maia.

- Um mapa dinâmico com todos os protestos no planeta desde 1979.

- Perfilzão de Chris Ware na Intelligent Life, que é a melhor revista que você pode assinar de graça no iPad.

- Paulo Francis entrevistando Gisele Bündchen.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Frases do Dia - Decisões

... he also gave me some of the best advice I've ever received. Trying to decide whether to major in psychology or art history, I had gone to his office to see what he thought. He squinted and lowered his head. "Is this a hard choice for you?" he demanded. Yes! I cried. "Oh," he said, springing back cheerfully. "In that case, it doesn't matter. If it's a hard decision, then there's always lots to be said on both sides, so either choice is likely to be good on its way. Hard choices are always unimportant."

Adam Gopnik falando sobre Albert Bregman, professor emérito de psicologia na McGill University, em uma boa matéria sobre música tridimensional (?!?) e o que nos faz gostar dessa arte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Incentivos funcionam?


Na porta de um restaurante da linda Bryggen de Bergen, Noruega. Coincidência ou não, não havia crianças por perto.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Leituras da semana (passada)

Palau, mom
- Uma boa entrevista de Miriam Leitão com o professor Eduardo Giannetti.

- Pedro Malan sobre os 18 anos do Plano Real. Semana passada resgataram também um texto da época assinado por um tal Guido Mantega.

- Edmar Bacha consegue encontrar erotismo na macroeconomia. Cada um com sua tara...

- Flavio Comim sobre o acerto de Dilma ao minimizar a importância do PIB.

- Um mito da FEA-USP se despede.

- Marcelo Ballvé sobre securitização e os problemas dos bancos médios no Brasil. O Marcelo tem feito um ótimo trabalho na cobertura desses temas, vale acompanhar.

- Dani Rodrik acha que Brasil, Índia e Coréia do Sul estão em boa posição relativa para os próximos anos na economia global.

- Richard P. Mattione, da GMO, sobre a Espanha.

- Os "gráficos mais importantes do mundo" (sei lá se são, mas muitos são bem interessantes).

- Uma boa crítica de Noah Smith ao Zero Hedge.

- O maior hedge fund do mundo não está tendo um ano exatamente brilhante.

- As ligações perigosas de Hayek com Pinochet.

- Como economistas se atrapalham com estatística.

- O que Daniel Kahneman sabe.

- Guardian sobre um possível renascimento do marxismo na Inglaterra.

- Infográficos (picaretas) da antiga União Soviética.

- Uma carta de Kurt Vonnegut para a família, direto de um campo de repatriação de prisioneiros da II Guerra.

- Como fazer um TED Talk.

- Procrastine e seja feliz.

- Considere migrar para Palau.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Uma lista de livros sobre mercados, por Ed Seykota

Ed Seykota, o lendário trader e tocador de banjo escreveu o prefácio para o novo Hedge Fund Wizards, onde conta uma parábola sobre o mercado de trigo em um reino e recomenda uma curta lista de livros para entender como os mercados funcionam:

- Edwin Lefèvre, Reminiscences of a Stock Operator (na tradução, Reminiscências de um Especulador Financeiro);

- Gustav Le Bon, The Crowd (na tradução, Psicologia das Multidões);

- Charles Mackay, Extraordinary Delusions and the Madness of Crowds (na tradução, Ilusões Populares e a Loucura das Massas);

- Jack Schwager, Market Wizards series: Market Wizards (na tradução, Magos do Mercado), New Market Wizards, Stock Market Wizards, Hedge Fund Wizards (nenhum desses traduzido).

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Leituras da Semana

- Dois pesquisadores na Inglaterra reconstruíram o desempenho dos investimentos de Keynes - matéria no Wall Street Journal (de onde saiu o gráfico aí do lado); paper na SSRN.

- O mimimi dos traders de câmbio.

- Benjamin Graham e o primeiro hedge fund da história.

- A Petrobras só sobe o preço da gasolina se o petróleo voltar a US$ 130 / barril (e, suponho, ficar lá por alguns meses). Preços de gasolina ao redor do mundo.

- A ferramenta da Microsoft de busca acadêmica, que, entre outras coisas, traça ligações entre coautores.

- A pequena e irrelevante Harvard juntou-se à guerra contra as editoras que cobram por jornais científicos.

- As FGV de São Paulo e do Rio não concordam muito quanto a Argentina.

- Que ¢$Ħ%Φ*₪ acontece com a Argentina, por Acemoglu e Robinson.

- 11 supostas bolhas que flutuam a altura de nossos olhos.

- Notícia boa: para ser feliz, "bastam" US$ 50 mil por ano. Notícia ruim: isso é mais que o PIB per capita de todos os países do mundo, exceto os 20 mais ricos.

- O Brasil ficou em primeiro em um estudo com 28 países sobre educação financeira. Tanto tempo lidando com indexação e mudanças de regras amalucadas deve ter deixado algum legado.

- Lula encontra Eric Hobsbawm (via Mauricio Santoro).

- Uma história minimalista das Copas do Mundo.

- Quanto custaria a piscina de moedas de ouro do Tio Patinhas (recalcular corrigindo a premissa da onça de ouro a US$ 5 - o preço atual é 330 vezes maior).

- Uma câmera que fotografa descrições.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Frases do Dia - Na Prática, a Teoria É Outra

"A professor from Columbia University was struggling over whether to accept an offer from a rival university or to stay. His colleague took him aside and said, 'Just maximize your expected utility - you always write about doing this.' Exasperated, the professor responded, 'Come on, this is serious.'"


Caso narrado logo na primeira página de Gut Feelings, do professor Gerd Gigerenzer. O livro promete.

P.S. Celso, pode mandar a conta dos royalties pelo título.
P.P.S. Mestre Yogi Berra, sabe muito:


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Criando incentivos para crianças

Via The Perry Bible Fellowship (a coletânea das tiras é brilhante, recomendo). Clique para aumentar.


P.S. Isso me lembra um texto que dizia que US$ 20 é o "suborno universal" (não estou achando o link). Será que ainda vale ou já inflacionou?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Leituras da Semana

De novo, lista mais longa do que o usual... A proximidade do Natal deve estar fazendo meu critério amolecer. Ah, hoje é dia de 20 anos da independência do Greatest Country in the World.

- 10 previsões realistas para os mercados em 2012.

- As apostas pessimistas com a China começam a render.

- Bill Gross, o Total Return Fund e seu momento sic transit gloria mundi.

- 10 coisas que achávamos que sabíamos sobre economia, por Stephen King, do HSBC.

- Daron Acemoglu, aposta certeira para um futuro Nobel, indica cinco livros sobre desigualdade.

- Dani Rodrik sobre a ocupação das aulas de introdução à economia de Harvard. Parágrafo que vale ser destacado, sobre a graduação em economia:

In our zeal to display the profession’s crown jewels in untarnished form – market efficiency, the invisible hand, comparative advantage – we skip over the real-world complications and nuances, well recognized as they are in the discipline. It is as if introductory physics courses assumed a world without gravity, because everything becomes so much simpler that way. 

- Economistas ouvidos pela BBC escolhem os gráficos que definiram 2011.

- Magno Karl, do OrdemLivre, teve a paciência de compilar todas as previsões furadas de Guido Mantega para o crescimento do Brasil neste ano.

- O lado liberal da Suíça: alguns cantões da parte francófona liberaram o cultivo doméstico de maconha, e um estudo do governo concluiu que o download de material para uso pessoal não deve ser criminalizado.

- O guia de economia comportamental para presentes de Natal.

- A piauí deste mês tem dois bons textos: um sobre o Banco PanAmericano e outro sobre Farouk al-Kasim, um imigrante iraquiano que contribuiu enormemente para o tratamento primoroso que a Noruega dá a seu petróleo. O último ainda não está aberto para não-assinantes; na falta dele, vale ler outro perfil feito pelo Financial Times, há dois anos.

- Um tributo a Christopher Hitchens.

- Os livros do ano, pela The Economist.

- Química orgânica aplicada: convertendo açúcar em cocaína e tequila em diamantes.

- O que deveríamos saber sobre o tempo.

- A versão 2011 do Julgamento de Paris, agora com vinhos... chineses!

- 2011 em Lego.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

As 10 Regras de Investimento de Bob Farrell

Robert Farrell, hoje um senhor de 79 anos, foi uma lenda de Wall Street, um dos pouquíssimos analistas do sell side lidos e respeitados pela turma das mesas de operações. Em 1992, se aposentou depois de uma carreira de 25 anos na Merrill Lynch (onde foi mentor, entre outros, de David Rosenberg) e atualmente vive na Flórida, de onde, dizem, segue produzindo uma newsletter para uma lista de contatos bastante exclusiva.

Em 2008 o Marketwatch compilou dez regras que resumem suas conclusões de anos de observação dos mercados. O Barry Ritholtz, do The Big Picture, fez essa versão comentada, que, acho, é a mais difundida hoje em dia (costumo citar algumas delas com frequência). Creio que não há uma versão em Português, então resolvi fazer esse serviço. Para muitos vai soar como mais uma das pajelanças que o pessoal do mercado usa para justificar seus atos quase aleatórios; para quem (como eu) acha que mercados são construções sociais que possuem heurísticas (à la Kahneman e Tversky), nuts & bolts (à la Jon Elster) e fractalidades (à la Mandelbrot), as regras são de grande sabedoria e uma ótima ferramenta para evitar as armadilhas da euforia e depressão. Aí vão, de qualquer maneira:

1. Mercados tendem a voltar à média ao longo do tempo
Quando ações vão muito longe em uma direção, voltam. Euforia e pessimismo podem confundir a cabeça das pessoas. É fácil ser pego no calor do momento e perder a perspectiva.
2. Excessos em uma direção levarão a excessos opostos na outra direção
Pense na base de referência do mercado como se estivesse presa a um elástico. Qualquer ação muito grande em uma direção trará você não apenas de volta à referência, mas levará a um exagero na direção oposta.
3. Não existem novas eras - excessos nunca são permanentes
Qualquer que seja o último setor "quente", acaba esquentando demais, retorna à média e exagera a correção. Veja quão longe foram mercados emergentes e BRICs nos útlimos seis anos (nota: isso foi escrito em agosto de 2008), apenas para serem cortados pela metade.
Na medida que a febre vai sendo construída, um coro de "esta vez é diferente" será ouvido, mesmo que essas palavras exatas não sejam usadas. E é claro que ela - a Natureza Humana - nunca é diferente.
4. Mercados com quedas ou altas exponenciais costumam ir mais longe do que você imagina, mas eles não são corrigidos com movimentos de lado.
Não importa quão "quente" seja um setor, não espere que uma planície corrija os excessos. Lucros são realizados com vendas, e isso invariavelmente leva a uma correção significativa.
5. O público compra mais no topo e menos no fundo
Esse é o motivo pelo qual investidores com mentalidade contrária podem fazer um bom dinheiro se seguirem os indicadores de sentimento e tiverem um bom timing. 
6. Medo e cobiça são mais fortes que firmeza de longo prazo
Investidores podem ser seus piores inimigos, particularmente quando a emoção toma conta. Ganhos "nos fazem exuberantes; incrementam o bem estar e promovem otimismo," diz o professor de finanças da Universidade de Santa Clara Meir Statman. Seus estudos de comportamento do investidor mostram que "perdas trazem tristeza, desgosto, medo, arrependimento. O medo aumenta a percepção de risco e alguns reagem se afastando de ações".
7. Mercados são mais fortes quando abrangentes e mais fracos quando limitados a poucas blue chips
Daí amplitude e volume serem tão importantes. Pense nesses indicadores como força em números. Momentum amplo é difícil de ser contido, Farrell observa. Fique atento quando o momentum se limita a um pequeno número de ações.
8. Mercados em queda têm três estágios - queda violenta, recuperação reflexiva e continuidade da tendência fundamental de queda
Eu sugeriria que (em Agosto de 2008) estamos na terceira recuperação reflexiva - os cortes de juros de Janeiro, as mínimas da Bear Stearns em Março, e, agora, os resgates de Fannie Mae e Freddie Mac.
Mesmo com esses ralis esporádicos, ainda veremos a longa etapa de continuidade baseada em fundamentos da queda do mercado.
9. Quando todos os experts e previsões concordam - algo diferente vai acontecer
Como Stovall, o estrategista de investimentos da S&P, coloca: "Se todo mundo está otimista, quem sobrou para comprar? Se todo mundo está pessimista, quem sobrou para vender?"
Ir contra a manada, como Farrell repetidamente sugere, pode ser muito lucrativo, especialmente para compradores pacientes que fazem caixa em mercados eufóricos e reinvestem quando o sentimento é mais obscuro.
10. Mercados em tendência de alta são mais divertidos que mercados em tendência de queda
Especialmente se você tem um mandato para ficar todo tempo investido. Aqueles com planos mais flexíveis podem eventualmente sorrir nas duas situações.

Mais sobre Bob Farrell no Hall of Fame da Institutional Investor.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Paper do dia - fins de semana

Apropriado para uma segunda-feira. Trecho do abstract:

We find that there is no day-of-week effect for life evaluations, represented here by the Cantril Ladder, but significantly more happiness, enjoyment, and laughter, and significantly less worry, sadness, and anger on weekends (including public holidays) than on weekdays.

A íntegra está no NBER.

domingo, 15 de maio de 2011

Edição de domingo - Drunkeynesian Tablóide

E assim seu Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI e virtual favorito para suceder de Sarkozy na presidência francesa, ameaça enterrar sua carreira. O ser humano é um bicho complicado, mesmo.

Na Folha, Strauss-Kahn nega acusação de abuso sexual, diz advogado.

No NY Times, Arrest Throws France Into Disarray and Disbelief.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Leituras do começo do outono - Hathaways, Soros, Greenspan...

- A popularidade de Anne Hathaway ajuda o preço das ações da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett? Pense de novo (The Atlantic).

- A cara de pau de Alan Greenspan segue inabalável: para ele, o ativismo dos governos está impedindo uma recuperação econômica mais robusta (The Big Picture).

- George Soros sobre a Europa, apontando o dedo para Alemanha (Project Syndicate).

- Porque a bolha imobiliária não estoura no Canadá e na Austrália (FT).

- El PIBón: a Argentina cresceu 9.2% em 2010. Confiável ou não, não vai demorar para aparecer gente louvando o sucesso do crescimento pelo 'modelo argentino' (WSJ).

- Receita para reduzir dívida, sem calote: inflação + juros reais negativos (Reinhart e Sbrancia, NBER).

- O Aid Watch entrevistou Deidre McCloskey sobre seu novo livro, que diz que não é a economia, estúpido: o que explica o sucesso econômico do mundo moderno é uma mudança de atitude da sociedade na direção de mais dignidade e liberdade para a burguesia empreendedora (Aid Watch).

- A economia comportamental encontra o desenvolvimento (Boston Review).

- A qualidade da música pop piorou com a explosão dos downloads? Paper de Joel Waldfogel. Vale pelo menos pela colossal compilação de listas de best of que o autor fez para extrair os dados da pesquisa (NBER).

- O exame mais difícil do mundo (Paul Kedrosky).

- Vem aí mais uma coletânea 'definitiva' da história do jazz (NYT). Aceito doações para que eu possa fazer minha própria avaliação.

- Dez artigos bizarros da Wikipedia (ListVerse).

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Frase do dia - Liev Tolstói

"At the approach of danger there are always two voices that speak with equal force in the heart of man: one very reasonably tells the man to consider the nature of the danger and the means of avoiding it; the other even more reasonable says that it is too painful and harassing to think of the danger, since it is not a man's power to provide for everything and escape from the general march of events; and that it is therefore better to turn aside from the painful subject till it has come, and to think of what is pleasant. In solitude a man generally yields to the first voice; in society to the second."

Em Guerra e Paz, de 1869.