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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fatos e experimentos econômicos no Brasil

Em um de seus últimos ensaios para a New York Review of Books, em 1996, Isaiah Berlin escreveu (tradução livre minha):
“Se os fatos – isto é, o comportamento de seres humanos vivos – são recalcitrantes a tal experimento, o experimentador irrita-se e tenta alterar os fatos para que se encaixem na teoria, o que, na prática, significa um tipo de vivissecção de sociedades até que elas se tornem o que a teoria originalmente declarou que o experimento deveria ter causado que elas fossem.”

O Brasil sempre foi um território fértil para experimentos econômicos – seja pelas circunstâncias herdadas, que, de fato, muitas vezes pediam experimentalismo e ousadia para serem dobradas ou por um tipo peculiar de excepcionalismo, que insiste em pregar que, dentro de nossas fronteiras, práticas testadas e estudadas funcionam de forma diferente, muitas vezes opostas ao que dizem a teoria consagrada e o senso comum.

O resto do texto está no Estadão.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Grafico do Dia - Produtividade

Da Folha de hoje. E deve ser inedito que alguem da CNI explique isso sem jogar a culpa no cambio:

"O baixo desempenho do Brasil resulta de questões de natureza regulatória e problemas associados à formação fraca dos trabalhadores", diz José Augusto Fernandes, diretor de políticas e estratégia da entidade.


P.S. Desculpas pela falta de acentos, ainda nao tive paciencia para configurar o teclado novo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Leituras da Semana

- O Irã desvalorizou sua moeda, o rial, em mais de 50%. Pode se declarar vencedor da guerra cambial?

- Paper novo de Dani Rodrik, sobre ideias e interesses em economia política.

- Entrevista com Stephen King, do HSBC.

- Entrevista com Persio Arida no Estado.

- Esse artigo do Eike Batista no Valor merece ser lido.

- Um seminário bacana sobre reindustrialização, aqui em São Paulo.

- John Cassidy sobre os problemas com os lucros (recordes) dos bancos americanos.

- O mercado de apostas para o próximo presidente do Fed. Nassim Taleb paga 1000 para 1, para quem quiser apostar no cisne negro.

- A associação de João Gilberto e Daniel Dantas, isso sim é inovação financeira. Deveria virar caso de estudo para as escolas de negócios.

- A lista de livros de verão de Bill Gates.

- Tyler Cowen sobre o livro novo de Jon Elster.

- Onde estão os 34.492 Mc Donald's do mundo.

- O tamanho médio das dissertações em várias disciplinas.

- Galeria de fotos de escritórios de professores de Harvard.

- Claro que não há nada errado com um jogo de futebol que termina 79-0, né?

- Robert Galbraith, mas pode chamar de JK Rowling.

- Uma história animada da tipografia em cinco minutos.

- Um TED talk imperdível com Pico Iyer.

- Michel Laub sobre falácias na literatura.

- Um festival de jazz imperdível aqui no SESC Pompéia: McCoy Tyner, Lonnie Smith, Cassandra Wilson... O modelo de financiamento do SESC é detestável, mas, pqp, como fazem coisas bacanas...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Valor Agregado

Leio na Economist que a Suíça exportou, no ano passado, US$23,3 bilhões em relógios (mais de 30 milhões de unidades ao preço médio de incríveis US$685). No mesmo período, o Brasil exportou 327 milhões de toneladas de minério de ferro, recebendo por isso US$31 bilhões. Mas beleza, bom mesmo é gastar dinheiro público para incentivar campeões nacionais produtores de commodities.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Frases do Dia - Eficiência

"An industrial system which uses forty per cent of the world's resources to supply less than six per cent of the world's population could be called efficient only if it obtained strikingly successful results in terms of human happiness, well-being, culture, peace, and harmony. I do not need to dwell on the fact that the American system fails to do this, or that there are not the slightest prospects that it could do so if only it achieved a higher rate of growth of production."

E.F. Schumacher, Small Is Beautiful, 1973. Citado no Economix, que terminei há pouco. Quanto a este: a primeira metade é excelente, uma introdução à história do pensamento econômico clara, acessível e honesta (o autor realmente leu os livros de que trata). Na segunda, ele assume que o pensamento econômico morreu com o Milton Friedman e começa a contar uma história econômica dos EUA do ponto de vista de luta de classes. Consegue alguns bons insights, mas não escapa do tom panfletário e às vezes descolado da realidade (ou do que é possível ser feito). No saldo, vale muito a leitura.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Leituras das últimas duas semanas

Skål!
- Trabalho interessante do BIS sobre mercados de dívida em moeda local.

- Nova carta de Jeremy Grantham, da GMO, sempre pertinente.

- Uma boa lista de livros sobre história das finanças; outra de filmes sobre mercado financeiro.

- Mark Dow defende Hillary Clinton como próxima secretária do tesouro americano.

- Entrevista com Eugene F. Fama.

- Luiz Felipe de Alencastro acha que a reeleição de Obama é uma vitória do keynesianismo (não sei se concordo).

- John Kay sobre o fetiche da manufatura.

- Nassim Taleb e cinco princípios para uma sociedade antifrágil. A Economist resenhou seu novo livro, que sai nos EUA semana que vem.

- Acemoglu, Robinson e Verdier sobre variedades de capitalismo (ou porque não podemos ser todos nórdicos).

- O fundo soberano da Noruega tornou-se o maior do mundo, ultrapassando o de Abu Dhabi.

- A história da participação de mulheres em trabalhos científicos. Economia é dos campos com menos presença feminina.

- O Santa Fe Institute abriu seu primeiro curso online, gratuito.

- Coisas mais novas que Oscar Niemeyer.

- A história do piso de cacos de lajota das casas paulistas.

- Ganhe um Nobel de Física... e uma torneira com cerveja ilimitada.

- Uma entrevista longa, meio velha e muito boa com João Moreira Salles.

- Cartões de visita dos personagens de Star Wars.

domingo, 13 de maio de 2012

Quiz de Domingo - respondido

Acabei de me deparar com essa frase em uma coletânea de artigos. Quem adivinhar (ou souber) de quem é ganha um ano de acesso grátis ao blog quando um grande portal comprá-lo e passar a cobrar pelo acesso:

"A liberalização comercial não só não é compatível (sic) com o crescimento mas até o facilita, desde que a taxa cambial seja realista. A sobrevalorização cambial, esta sim é perigosa, pois equivale a um subsídio às importações, em detrimento dos produtores nacionais."

Amanhã coloco a resposta aqui.


Respondendo: a frase é do ex-ministro Roberto Campos, em Reflexões Sobre a Modernização, de dezembro de 1992. No mesmo artigo, porém, ele critica a adoção de política industrial: “Toda vez que o tecnocrata opta por uma ´política industrial´ ativista, ele quer aumentar seu poder de intervenção para ´coordenar´ a produção e escolher os ´setores de ponta´, como se ele e não o empresário fosse o descobridor de oportunidades. A melhor política industrial para o Brasil é não ter uma política industrial, deixando o empresário livre para produzir.”

Claro que o difícil é saber o que determina se o câmbio é ou não sobrevalorizado, e resta imaginar que resposta o velho Campos daria para essa pergunta (ou, se alguém já leu algo dele a respeito, pode colocar aí nos comentários).

P.S. "O" Anônimo, nos comentários, apontou, com razão, uma dupla negativa esquisita no texto. Eu tentei arrumar trocando "compatível" para "incompatível", mas estou longe do livro pra checar. Arrumo assim que o fizer. Update: arrumei, e era como estava, ainda que o sentido seja o oposto.

P.P.S. A julgar por alguns dos palpites aí nos comentários, bastante gente acha que gasto muito mal meu escasso tempo de descanso. Preciso melhorar a imagem.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Leituras da Semana

Bruxelas, Domingo de Páscoa
- The Economist sobre a Gávea e as gestoras de dinheiro brasileiras (seu Armínio deve ter ficado feliz com a matéria, não sei se com a legenda "Shakira with a beard").

- Acemoglu & Robinson sobre política industrial.


- Edward Glaeser sobre a corrida presidencial americana e como a campanha de Romney pode ajudar o país.

- Extraordinário texto de Michael J. Sandel (professor do curso mais pop de Harvard, Justice) sobre os limites do livre mercado e a ausência de um elemento moral no debate sobre o que deve ou não ser vendido.


- New York Times comendo com Tyler Cowen.

- Também no NYT, perfil da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

- O discurso de Dilma na Kennedy School, de Harvard.

- Na Foreign Affairs, o fim do "momento mágico" do Brasil (ainda não consegui uma boa alma para me mandar a matéria inteira).

- Dez fatos interessantes sobre a Turquia (via Mauricio Santoro).

- Timothy Garton Ash sobre a omissão da Europa na Síria e um déjà-vu otomano.

- Como modelos de previsão econométrica falharam em prever a crise de 2008 (mas acertaram a recuperação subsequente).

- Belo trabalho do Credit Suisse sobre urbanização (via Urban Demographics).

- Como era a lista das 500 maiores empresas americanas há 200 anos.

- Quanto ganham os professores das universidades americanas (em muitos casos, menos que muito analista com três anos de experiência do mercado financeiro no Brasil).

- Mais um paper drunkeynesiano: como a cerveja criou a Bélgica (via Marginal Revolution).

- Mais um aspecto nefasto da crise no Reino Unido: caiu a qualidade das pole dancers (via Epicurean Dealmaker).

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Leituras da Páscoa

- Capitalistas de todos os credos deveriam parar para ler esse excelente texto de John Lanchester para a London Review of Books sobre os acertos e erros de Karl Marx, 193 anos depois de seu nascimento (dica: Bruno Borges).

- Um bom relatório do Santander sobre a indústria brasileira e os fatores que determinam sua produtividade.

- Na Grécia, falta dinheiro para treinar a equipe olímpica de atletismo. O colapso das vendas no varejo.

- Juros para hipotecas nos EUA podem estar muito baixos, mas há tempos os padrões de crédito não eram tão exigentes.

- Barry Ritholtz, do The Big Picture, indica cinco livros sobre as causas da crise financeira.

- A Argentina regride ao escambo, e faz importadoras trocarem vinho e amendoim por carros.

- Paul Krugman compara as recuperações econômicas de Islândia e Letônia.

- Um gráfico para exemplificar o atraso brasileiro na educação.

- Compilação das críticas de livros que Nassim Taleb escreveu na Amazon.

- Antoine Danchin, professor de medicina, sobre antifragilidade na natureza.

- Janteloven em números: os escandinavos estão entre os que menos dão importância para riqueza ou consumo.

- Por que o Haiti é tão pobre?

- O fundo soberano do greatest country in the world avisa: "The stock market is, in fact, a sophisticated tool. It is unpredictable, and therefore all citizens of Kazakhstan should approach investment in shares of national companies seriously and deliberately."

- A tentativa nazista de controlar o... jazz - proibição de tocar o baixo em pizzicato, limite de 10% de síncopes por composição...

Bom feriado aos leitores, segunda-feira estou de volta.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Plano Brasil Maior, ou: muito barulho por (quase) nada

A essa altura, muita gente mais qualificada do que eu já opinou sobre as medidas anunciadas ontem por Mantega, Luciano Coutinho & Fernando Pimentel (ver, por exemplo, o texto do Mansueto Almeida). Quero aqui chamar a atenção para uma picuinha, apenas um gráfico tirado da apresentação do próprio Mantega (página 2):


O gráfico é de crescimento anual do PIB. Minha implicância é que todas essas desonerações e aumento do volume de crédito subsidiado (que, dando errado, são garantidas pelo Tesouro, a grande curva de rio para qualquer besteira que se faça por aqui) são para, se tudo der certo como o governo espera, aumentar em um décimo de ponto percentual o crescimento médio anual do PIB durante o governo Dilma (com relação aos quatro anos anteriores). Repetindo e refraseando: estamos mexendo na estrutura tributária, criando privilégios, escolhendo "vencedores" e gerando montes de efeitos colaterais para, se tudo correr como o planejado, ganharmos 0,1% de crescimento anual (já tinha tocado nesse tema aqui).

Acho altamente improvável que o Brasil atinja essa "meta" nos próximos anos. Acho que o governo superestima o crescimento potencial - um jeito meio tosco de pensar nisso é que, durante os oito anos de boom de commodities (que coincidiram com o tempo de Lula na presidência), o crescimento anual médio foi de pouco mais de 4%, e, com commodities ajudando menos, suponho que o crescimento esperado seja menor. Nada ou muito pouco está sendo feito para efetivamente aumentar o crescimento potencial. Quase todas essas medidas são de caráter fiscal e anticíclico - não é, por princípio, errado, mas está longe de ser revolucionário ou de ter impacto de longo prazo.

O Plano Brasil Maior, assim como o PAC e outros "programas" com nomes mais ou menos infelizes, por enquanto não passa de uma peça de retórica, essencialmente oca. Ainda falta coragem ou capital político para o governo anunciar algo que realmente tenha potencial de fazer a diferença no futuro. A última iniciativa nesse sentido, o plano de exploração do pré-sal, fez dobrar a aposta do país na premissa que commodities seguirão se valorizando. Enquanto isso, seguem o autoengano e a falação sem substância. Deve haver quem se contente com isso.

P.S. Para polemizar: as críticas da mídia às medidas do governo são tão unânimes que, de algum jeito misterioso, arrisca dar certo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Frases do dia - armas de fogo e primatas

"Muitas vezes, você tem que dar um tiro de carabina 12, e alguns estilhaços acabam se espalhando. Vamos achar soluções para isentar o setor genuinamente exportador."

Ministro Mantega, após anunciar um novo aumento de IOF para captações externas de empresas. Incrível como o trato da política econômica no Brasil adora violar o inestimável princípio KISS e sempre pende para a legislação bizantina e uma lista de exceções com bases em privilégios semi-arbitrários. Mesmo se um dia cair de volta o IOF, vai tentar tirar a "compensação" dada para o exportador...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Leituras da ressaca pós-Carnaval

- A Barron's entrevistou Hugh Hendry, que andava sumido. Pérola recolhida: "I am an existentialist. To my mind, the three most important principles when it comes to investing are Albert Camus' principles of ethics: God is dead, life is absurd and there are no rules."

- Dois novos blogs para adicionar à lista de leituras: o flamboyant Xavier Sala-i-Martín, de Columbia e Daron Acemoglu (MIT) / James Robinson (Harvard), que lançam no mês que vem o esperado Why Nations Fail. O livro se propõe a responder a pergunta de vários milhões de dólares do desenvolvimento (meu chute é que é mais fácil determinar porque países dão errado do que conseguir identificar o que leva ao sucesso).

- Timothy Garton Ash defende a busca de uma estratégia de crescimento para a Grécia, não tenho como concordar mais. No Kathimerini, uma defesa do euro; na The Economist, ex-banqueiros centrais da Argentina e do México dizem porque acham que a Grécia não deve sair da moeda única.

- Christina Romer, ex-conselheira econômica de Obama, indica quatro livros sobre a Grande Depressão.

- Simon Wren-Lewis, de Oxford, sobre a polarização da macroeconomia após a crise.

- Eduardo de Carvalho Andrade, do Insper, explicando porque não existe milagre no crescimento chinês (e porque árvores não crescem até o céu).

- Duas boas análises do Nomura: Richard Koo argumenta que os banqueiros centrais e políticos ainda não entenderam a natureza da crise e insistem apenas no estímulo monetário; Bob Janjuah segue preocupado e afirma que os preços da onça de ouro (hoje em US$ 1.780) e do índice Dow Jones (13.000) vão se encontrar nos próximos anos.

- Recomendado por Dani Rodrik, texto do NY Times sobre a Apple e os empregos que a China absorveu. Ele argumenta que a produção não segue nenhum critério de vantagem comparativa, mas não vejo como não acreditar que a China possui essa vantagem para quase qualquer atividade que exija trabalho semi-qualificado intensivo.

- Como a internet pode ameçar a serendipity.

- Domingo é dia de Oscar (zzzzzzzzzzzzzz). O Valor fez uma ótima análise do zeitgeist americano pelos filmes indicados. Para os maníacos por dados, doze maneiras criativas de visualizar informações sobre filmes (via Alex Bellos). Quantos Oscar Meryl Streep deveria ter.

- Quanto custaria construir a Estrela da Morte (boa motivação para Dr Evil em um futuro filme da série Austin Powers).

- Kassab também olha para coisas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leituras da Sexta

- Três anos depois, João Moreira Salles, da piauí, voltou a Islândia, balão de ensaio da crise de 2008 e possíveis respostas a ela. Encontrou um país onde os cidadãos e credores foram tratados como adultos, o que, acho, não é pouco para os dias de hoje. Por enquanto está disponível no site só para assinantes; ao longo do mês, a matéria deve ser liberada, como é o bom costume da revista.

- As ações da Apple continuam a escalada (até o céu, dirão alguns): esta semana o valor de mercado da companhia ultrapassou a soma de Google e Microsoft; se a Apple fizesse parte do Dow Jones, o índice estaria em sua máxima histórica; James Altucher, que há cinco anos disse que o Facebook valeria US$ 100 bilhões, acredita que a Apple pode ser a primeira empresa a alcançar US$ 1 trilhão no mercado. Antes disso, precisa testar a heurística que diz que nenhuma companhia aberta valeu por muito tempo mais que US$ 500 bilhões (Petrochina, Exxon e Microsoft tentaram e falharam) - mais nessa fala de Geoffrey West.

- Warren Buffett volta à famosa imagem do cubo de ouro de 21m de aresta para defender o investimento em ações.

- Mais um texto que, indiretamente, alimenta o senso de auto-importância dos economistas ao defender que o paradigma neoclássico causou a crise.

- O que é ser keynesiano hoje em dia? (dica Maurício Santoro)

- Para o zeitgeist americano, ver o comercial que a Chrysler passou no intervalo do Super Bowl, com Clint Eastwood.

- 5.000 pesquisadores já aderiram a um boicote a Elsevier, maiora editora de revistas científicas do mundo. Tyler Cowen decidiu não aderir, e comenta. Aqui no Brasil, costumo pegar no pé da Elsevier / Campus pelos preços extravagantes dos livros que publica - o clássico Desafio aos Deuses, por exemplo, custa aqui R$ 122, contra US$ 12,50 na Amazon. Sim, a qualidade da publicação aqui é melhor e há um problema de escala, mas... seis vezes mais caro?

- Christina Romer discorda de Dani Rodrik e diz que a indústria não deve ter tratamento especial.

- Como desgraça gosta de companhia, apareceu na Grécia um supergerme resistente a antibióticos que causa pneumonia.

- Tyler Cowen sobre o novo livro de Tony Judt (com Timothy Snyder).

- Pensar que tempo = dinheiro é receita para infelicidade, diz um estudo da Universidade de Toronto.

- A The Economist sobre o leilão dos aeroportos brasileiros.

- Uma playlist de Barack Obama, devidamente cornetada.

- Para saudosos da Chiclete com Banana: Angeli e Laerte planejam lançar, juntos, uma nova revista.

- Homenagem, em vida, do Laerte à obra do Wando, aí do lado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Gráfico do dia - Brasil e China, 2002-2011

Pode escolher entre vantagens comparativas ou desindustrialização; por enquanto, não há como negar que a vida do brasileiro médio melhorou desde então.



Mais na última The Economist.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Leituras da Semana

A procrastinação anda em níveis críticos, por isso tenho lido muito...

- A PIMCO, maior gestora de fundos de renda fixa do mundo (US$ 1,3 tri de ativos), está abrindo um escritório no Rio de Janeiro (claro que, podendo escolher, alguém criado em Newport Beach não viria para São Paulo).

- O mundo em 2012, por Jim Rogers.

- Richard Koo sobre a Europa.

- Nunca é demais relembrar a contribuição de Benoît Mandelbrot para as finanças...

- ... nem a de Amartya Sen para o desenvolvimento econômico. A Índia batizou um deserto uma sobremesa (obrigado ao anônimo que corrigiu) com o nome dele.

- Como emular o "sucesso" da China: começa com uma insurreição comunista e anos de guerra civil.

- Um raio-x das exportações brasileiras. Impressionante ver que o valor das exportações para a China aumentou quase 40 vezes desde 2000. Quando a China espirrar, o Brasil pegará uma bela pneumonia.

- Lembre-se disso quando reclamar do trânsito: o governo brasileiro é o maior financiador das montadoras estrangeiras que produzem aqui.

- Bom comentário sobre a compra de um pedaço da Companhia das Letras pela Penguin e os rumos do mercado editorial no Brasil.

- Indícios de corrida bancária na Grécia.

- Greg Mankiw está assessorando um candidato republicano, mas não vê o estudo de economia carregado de ideologia.

- Uma cutucada nos austríacos: a (falta de) importância de Hayek para a macroeconomia.

- Efeitos colaterais do liberalismo: uma família do Tennessee não pagou a taxa anual dos bombeiros e assistiu ao próprio trailer ser queimado, sem ter o que fazer.

- A Bloomberg lançou um blog de história econômica (incrivelmente não tem RSS, mas devem arrumar isso logo).

- Um dos "Dois Liberais" sobre blogs de economia.

- John Kay sobre limites do conhecimento.

- Do que se falou em 2011 no Twitter e no Facebook.

- 45 imagens de 2011.

- Porque daguerreótipos do século XIX podem ser mais detalhados do que fotos digitais de última geração.

- Para os quem tem crianças, sugestões de presentes de Natal: os cinco melhores brinquedos de todos os tempos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Frases do dia - a heterodoxia se levanta

Enquanto o tripé ortodoxo é "taxa de juros elevada, taxa de câmbio sobreapreciada, e Estado mínimo", o tripé novo-desenvolvimentista é "taxa de juros baixa, taxa de câmbio de equilíbrio, que torna competitivas as empresas industriais que usam tecnologia moderna e papel estratégico para o Estado".

Luiz Carlos Bresser-Pereira, na Folha de hoje. Os ortodoxos dirão que os bárbaros começaram a arrebentar o portão. Eu acho que não conseguiremos escapar da descrição acima. No papel, é o modelo que enriqueceu a Coréia do Sul; na prática, não sei se é uma variedade que se adapta bem aos trópicos, e, intelectualmente, talvez pudéssemos estar em melhores mãos. Mais sobre o tema aqui, ao longo de muito tempo...

P.S. É claro que onde está "taxa de câmbio de equilíbrio..." pode-se ler "câmbio desvalorizado". Está para aparecer o país que consegue manter o câmbio "no equilíbrio" deliberadamente.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capitalismo no pós-guerra, via desenhos animados

Estava zapeando na TV há uns dias e parei na Cartoon Network, que estava passando uma sequência dos fantásticos desenhos da Warner feitos nos anos de 1950 (Looney Tunes). Comecei a ver um chamado By Word of Mouse, de 1954 (o título em Português é totalmente diferente, não vou lembrar). Começa com uma família de ratinhos alemães reunidos em volta do pai (Hans), que conta, em flashback, da sua visita a um primo que mora nos EUA. Chegando lá, Hans se impressiona com a massa de consumidores e opções de compras e é levado pelo primo a uma universidade (Putnell University, não captei a referência), onde um professor-rato fala das vantagens da livre concorrência e do consumo em massa. O professor conclui: "All this raised our standard of living to the highest in the world!"



O cartoon é uma peça tão óbvia de propaganda capitalista do pós-guerra que fui pesquisar qual era a origem. Ocorre que By Word of Mouse é o primeiro de três episódios encomendados a Warner pela Alfred P. Sloan Foundation, do lendário ex-presidente da General Motors que a batizou com seu nome. Os seguintes estão no YouTube e têm páginas na Wikipedia, talvez por serem mais populares - têm como protagonistas os mais carismáticos Frajola [Sylvester] e Hortelino Troca-Letras [Elmer Fudd].

Heir-Conditioned (1955) - Frajola herda três milhões de dólares, e é assessorado pelo Hortelino, que defende o investimento em companhias que pagam bons dividendos, geram inovações e melhor padrão de vida.



Yankee Dood It (1956) - Hortelino é o líder de um grupo de duendes que decide convencer um sapateiro a abandonar o trabalho artesanal (que contava com ajuda dos duendes) e migrar para a manufatura.