—Um paper recente de Nelson Barbosa sobre os desafios macroeconômicos do segundo mandato de Dilma, talvez ilumine algo do que vem por aí.
—As consequências econômicas dos bancos estatais no Brasil.
—A política econômica da Argentina é uma decisão racional frente a muitas restrições? O que acontece se aplicarmos o mesmo raciocínio para o Brasil?
—A Finlândia está considerando um programa nacional de renda mínima.
—Os Estados Unidos ainda mandam no mundo.
—A ameaça do Socialismo ajudou a tornar o Capitalismo mais igualitário?
—Ensaio fotográfico com os imigrantes que tentam entrar no Brasil pelo Acre.
—Procrastine lendo sobre procrastinação.
—A importância de se ensinar sobre ignorância.
—Teju Cole em São Paulo, tentando replicar uma fotografia de 1960.
—Porque odiamos ouvir nossa própria voz gravada.
—Engenheiros no mercado financeiro (abaixo)
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terça-feira, 1 de setembro de 2015
Leituras da Semana
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Leituras atrasadas
—O mercado frequentemente prevê altas de juros nos EUA cedo demais.
—Porque não vai haver quebradeira nos mercados emergentes.
—Por mais igualdade de oportunidades nos EUA. Deve valer mil vezes mais para o Brasil.
—Dois ótimos projetos do Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande: "House of Cunha", analisando as votações da legislatura atual da Câmara e "Quem me representa?", que ordena os deputados de acordo com as preferências de quem acessa.
—Perfil de Daniel Kahneman no Guardian.
—Oliver Blanchard, o ex-economista-chefe do FMI, tem um homônimo que escreveu este belo artigo sobre sharing economy.
—O departamento de economia mais influente dos EUA: MIT, Stanford ou Berkeley? De qualquer jeito, Harvard lidera com folga o ranking de citações.
—Slides de Susan Athey e Guido Imbens sobre machine learning. Uma bela visualização sobre o básico do tema.
—Mais um teste de orientação política, este nos termos usados nos EUA.
—A filosofia moral da prostituição.
—O milagre científico do sorvete (amém).
—Uma hierarquia da discordância.
—João Gilberto cantando em comercial da Brahma, 1991.
—Porque não vai haver quebradeira nos mercados emergentes.
—Por mais igualdade de oportunidades nos EUA. Deve valer mil vezes mais para o Brasil.
—Dois ótimos projetos do Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande: "House of Cunha", analisando as votações da legislatura atual da Câmara e "Quem me representa?", que ordena os deputados de acordo com as preferências de quem acessa.
—Perfil de Daniel Kahneman no Guardian.
—Oliver Blanchard, o ex-economista-chefe do FMI, tem um homônimo que escreveu este belo artigo sobre sharing economy.
—O departamento de economia mais influente dos EUA: MIT, Stanford ou Berkeley? De qualquer jeito, Harvard lidera com folga o ranking de citações.
—Slides de Susan Athey e Guido Imbens sobre machine learning. Uma bela visualização sobre o básico do tema.
—Mais um teste de orientação política, este nos termos usados nos EUA.
—A filosofia moral da prostituição.
—O milagre científico do sorvete (amém).
—Uma hierarquia da discordância.
—João Gilberto cantando em comercial da Brahma, 1991.
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sexta-feira, 17 de julho de 2015
(A volta das?) Leituras da Semana
![]() |
| Fractal? Escher? |
—Amartya Sen sobre austeridade, revisitando Keynes.
—Richard Thaler sobre o concurso de beleza de Keynes.
—Shiller dizendo que gestores de dinheiro não serão substituídos por computadores (ufa!).
—Carteis existem, sim, em mercados de um só comprador, ao contrário do que os defensores das empreiteiras têm pregado.
—A Arábia Saudita nunca extraiu tanto petróleo. Curiosamente, a Vale, que deve ser o produtor mais eficiente de minério de ferro do mundo, está diminuindo a produção, concentrando-se nas jazidas mais produtivas.
—Porque desvalorização cambial poderia não melhorar muito a vida da Grécia.
—Os países onde a aprendizagem dos filhos (medida como nota em um teste de leitura) depende mais da renda dos país, mais um aspecto lamentável da desigualdade da América Latina.
—Para marcar na agenda: seminário de alto nível sobre política educacional, em São Paulo.
—Grande debate sobre altruísmo efetivo.
—Os livros com mais sabedoria por página.
—Fotografias louconas de templos no Irã (foto ao lado é de lá).
—Disco novo do Wilco, de graça.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
(Mais) Fronteiras da Análise Técnica
(Sim, o primeiro post do blog em 2015 veio depois de quase 60 dias e é só a continuação de uma série sem graça. Precisava, porém, postar algo pra ver se saio da inércia. Espero voltar com alguma frequência até o meio do ano.)
Via Suvi Kosonen, o Vomiting Camel:
E uma lição valiosa do Dilbert:
Mais fronteiras da análise técnica:
- O Beija-Flor
- O Martelo de Thor (Batista)
- Intraday Bart
- Velociraptor
- Vampire Black Swan
- Bullish Cyclist
- Evil Knievel Formation
Via Suvi Kosonen, o Vomiting Camel:
E uma lição valiosa do Dilbert:
Mais fronteiras da análise técnica:
- O Beija-Flor
- O Martelo de Thor (Batista)
- Intraday Bart
- Velociraptor
- Vampire Black Swan
- Bullish Cyclist
- Evil Knievel Formation
terça-feira, 29 de julho de 2014
Mais uma opinião sobre o "Santandergate"
Ando pensando muito no "caso Santander", tanto pelo o que representa quanto porque muita gente me pergunta a respeito. Na preguiça de fazer um texto coerente, aí vão alguns aspectos que me chamam a atenção, em itens mais ou menos independentes:
--É enorme a ignorância quanto à organização e funcionamento de um banco grande. Para esclarecer minimamente: primeiro, há várias áreas que empregam economistas, cujas opiniões não necessariamente coincidem. Da mesma forma, a opinião corporativa (o que "o banco" pensa) pode ser bastante distinta do que é passado aos clientes. Parece confuso, mas é um jeito de evitar conflitos de interesse e evitar que o banco revele sua estratégia.
De forma mais concreta: os bancos tipicamente têm um economista-chefe, que é o responsável pela área de pesquisa econômica. Geralmente é quem faz as projeções "oficiais" para as variáveis macroeconômicas e é o economista com o qual o público geralmente associa a instituição. Esse economista e sua equipe atendem, na maior parte do tempo, os clientes institucionais do banco, que têm negócios com a tesouraria, a corretora e as áreas de relacionamento com empresas.
Outras áreas de negócios têm seus próprios economistas, como a gestão de recursos, private banking e varejo. Esses atendem suas respectivas áreas e, de novo, podem ter opiniões divergentes das do economista-chefe. Sua função é orientar os clientes para que tomem melhores decisões de investimento com base no que acham que vai acontecer com o cenário econômico.
Curiosamente, os economistas mais importantes para a instituição não são todos esses, e sim os que atendem a tesouraria (há casos em que a equipe do economista-chefe é a mesma que atende a tesouraria, porém), que é a área que opera com o capital próprio do banco . Esses muito raramente publicam opiniões, mas são os que realmente influenciam como o banco vai alocar seus recursos e especular. Ainda mais importante é o comitê de ativos e passivos, que recebe opiniões de diversos economistas (entre eles o economista-chefe e o responsável pela tesouraria) e toma as decisões mais estratégicas, levando ou não em conta o que ouve. Por cima disso tudo estão os acionistas, representados pelos executivos. No caso do Santander, o capital é relativamente pulverizado, mas a família Botín ainda parece ter peso enorme no direcionamento do grupo.
--Dentro da instituição há uma hierarquia informal de prestígio e relevância. Com todo o respeito aos profisionais envolvidos, o responsável por escrever a nota que gerou toda a polêmica está muito longe (na verdade, isolado—pelo bom motivo, mencionado acima, de tentar evitar conflitos de interesse e pela distância hierárquica até os altos comitês) das principais decisões do banco e de uma virtual "opinião oficial" da companhia.
--A probabilidade de uma análise que é distribuída para um segmento do varejo ter qualquer efeito nos mercados é bem próxima de zero. Daí o ridículo de se comparar a situação a episódios passados que envolvem declarações do George Soros ou achar que há qualquer tentativa de influenciar no resultado das eleições.
--O tamanho do barulho por, efetivamente, quase nada, é muito mais interessante do que a nota em si. Algumas coisas para pensar:
Esclarecimento (talvez) necessário: trabalhei no Santander de 2001 a 2007, e devo muito da minha carreira (não é grande coisa, mas é a que tenho) ao banco e aos colegas e amigos que encontrei por lá. Não tenho como não ser grato por isso.
--É enorme a ignorância quanto à organização e funcionamento de um banco grande. Para esclarecer minimamente: primeiro, há várias áreas que empregam economistas, cujas opiniões não necessariamente coincidem. Da mesma forma, a opinião corporativa (o que "o banco" pensa) pode ser bastante distinta do que é passado aos clientes. Parece confuso, mas é um jeito de evitar conflitos de interesse e evitar que o banco revele sua estratégia.
De forma mais concreta: os bancos tipicamente têm um economista-chefe, que é o responsável pela área de pesquisa econômica. Geralmente é quem faz as projeções "oficiais" para as variáveis macroeconômicas e é o economista com o qual o público geralmente associa a instituição. Esse economista e sua equipe atendem, na maior parte do tempo, os clientes institucionais do banco, que têm negócios com a tesouraria, a corretora e as áreas de relacionamento com empresas.
Outras áreas de negócios têm seus próprios economistas, como a gestão de recursos, private banking e varejo. Esses atendem suas respectivas áreas e, de novo, podem ter opiniões divergentes das do economista-chefe. Sua função é orientar os clientes para que tomem melhores decisões de investimento com base no que acham que vai acontecer com o cenário econômico.
Curiosamente, os economistas mais importantes para a instituição não são todos esses, e sim os que atendem a tesouraria (há casos em que a equipe do economista-chefe é a mesma que atende a tesouraria, porém), que é a área que opera com o capital próprio do banco . Esses muito raramente publicam opiniões, mas são os que realmente influenciam como o banco vai alocar seus recursos e especular. Ainda mais importante é o comitê de ativos e passivos, que recebe opiniões de diversos economistas (entre eles o economista-chefe e o responsável pela tesouraria) e toma as decisões mais estratégicas, levando ou não em conta o que ouve. Por cima disso tudo estão os acionistas, representados pelos executivos. No caso do Santander, o capital é relativamente pulverizado, mas a família Botín ainda parece ter peso enorme no direcionamento do grupo.
--Dentro da instituição há uma hierarquia informal de prestígio e relevância. Com todo o respeito aos profisionais envolvidos, o responsável por escrever a nota que gerou toda a polêmica está muito longe (na verdade, isolado—pelo bom motivo, mencionado acima, de tentar evitar conflitos de interesse e pela distância hierárquica até os altos comitês) das principais decisões do banco e de uma virtual "opinião oficial" da companhia.
--A probabilidade de uma análise que é distribuída para um segmento do varejo ter qualquer efeito nos mercados é bem próxima de zero. Daí o ridículo de se comparar a situação a episódios passados que envolvem declarações do George Soros ou achar que há qualquer tentativa de influenciar no resultado das eleições.
--O tamanho do barulho por, efetivamente, quase nada, é muito mais interessante do que a nota em si. Algumas coisas para pensar:
- Como a necessidade da imprensa de, todo dia, criar manchetes que geram repercussão acaba distorcendo a importância relativa de notícias e cria factoides;
- A enorme insegurança do PT e do governo—mesmo depois de 12 anos no poder, ainda parecem ter necessidade de mostrar que o mercado financeiro não tem porque temê-los;
- A grande (e assustadora) mobilização da máquina de propaganda e relações públicas do governo para abafar uma opinião que, se ignorada, não teria nenhuma consequência prática;
- A ridícula ideia de que, entre as prioridades de um governo, tem que estar "agradar o mercado", e partindo daí, numa distorção em cima da distorção, concluir que o desempenho da bolsa ou do câmbio são boas métricas de sucesso ou fracasso relativos;
- A preferência de uma grande empresa privada por agradar o governo contra defender ter uma opinião independente ou preservar seus funcionários (mais sobre isso abaixo).
--De um dos itens acima: o episódio serve também para observar como a opinião geral sobre especulação é distante da realidade (até grandes como o Elio Gaspari costuma escorregar aqui). Para alguns palpiteiros, especular é fácil e traz lucros garantidos: basta plantar um boato, comprar ou vender ativos, esperar o mercado se mover e contar o dinheiro. No mundo real, salvo em casos de manipulações (que são muito mais plausíveis na negociação de ações de uma empresa específica do que em uma classe de ativos ou do elusivo "risco-país"), os mercados frequentemente teimam em não seguir roteiros pré-determinados, e é estatisticamente impossível lucrar com informação velha—os eventuais lucros de quem tenta fazer isso são obra do acaso, e não determinados pelo sucesso de um plano. O jogo de expectativas, tão bem descrito por Keynes no capítulo 12 da Teoria Geral, é muito mais complexo e imprevisível do que normalmente se supõe; e o tipo de especulação com a qual bancos conseguem lucrar é de outra natureza.
--Quanto à reação do Santander, também há muito a ser entendido. Se partirmos da ideia básica de que a finalidade, direta ou indireta, de qualquer ação estratégica do banco é gerar lucros para os acionistas, a preferência por "cortar na carne" a defender um princípio de independência pode indicar:
--Grandes empresas têm o que pode ser visto como uma "censura interna": ao menos uma área (compliance) é responsável por verificar se as informações tornadas públicas pela companhia não violam nenhuma lei e, mais sutilmente, não vão contra diretrizes internas, que, novamente, visam proteger os lucros ou algum outro interesse corporativo. O episódio ganha uma nuance interessante se pensarmos nele como uma falha dessa área: parece relativamente claro que um relatório do tipo do que foi divulgado traz um risco de repercussão negativa e que poderia ser modificado de forma a passar exatamente o mesmo recado de forma mais sutil (isso é uma arte que qualquer economista que já trabalhou em algum banco brasileiro precisa aprender a dominar). Caso isso tivesse acontecido, a polêmica provavelmente não existiria. É bruto, cínico e abominável, mas é como o jogo é jogado (e o lambari é pescado, completaria o saudoso Luciano do Valle).
--Quanto à reação do Santander, também há muito a ser entendido. Se partirmos da ideia básica de que a finalidade, direta ou indireta, de qualquer ação estratégica do banco é gerar lucros para os acionistas, a preferência por "cortar na carne" a defender um princípio de independência pode indicar:
- Um baixo valor atribuído a tal princípio: mesmo ante uma pequena ameaça aos lucros é preferível se submeter às "regras do jogo" ditadas pelo governo. Isso, acredito, não é totalmente específico ao Santander: diz algo sobre o ambiente de negócios do Brasil e a cultura da matriz. É de se imaginar como seria vista uma interferência desse tipo nos Estados Unidos, onde liberdade de expressão é um direito quase sagrado ou, pelo menos, está seguramente acima de qualquer melindre político; ou se o controle do Santander não fosse espanhol;
- Uma real ameaça aos lucros futuros como consequência da nota do economista—esta viria, possivelmente, de alguma retaliação do governo contra a companhia caso esta não se "enquadrasse." Isso, sim, é de deixar os cabelos em pé. Minha tese (a ser desenvolvida quando eu for agraciado com o milagre do tempo livre abundante) é que o Estado brasileiro tem se tornado cada vez mais um poderoso arbitrador de lucros do setor privado: os lucros de "livre mercado" são muito baixos para atrairem investimentos, e qualquer empresa grande que opera no país depende, em alguma medida, de rent seeking—extração de lucros acima da média de mercado, mediada pelo governo. Isso é uma marca do capitalismo brasileiro, mas que parece ter se aprofundado com o PT pós-Palocci;
- Qualquer combinação desses dois extremos, claro.
--Ainda sobre o Santander, também há o que se pensar da relação do banco com o país. Foi o único grupo estrangeiro a conseguir manter relevância entre os grandes bancos de varejo, provavelmente não por acaso. Isso começou, creio, com a cartada certeira da compra do Banespa, a um valor que, na época, parecia injustificável (o lance que ganhou o leilão de privatização foi muito maior do que os dos concorrentes) mas que, em poucos anos, se provou uma pechincha e uma demonstração de cojones dos espanhois quando pouca gente acreditava que o país decolaria. Depois, em 2002, seguindo um episódio muito parecido com o recente, o banco parece ter sido dos primeiros a "fechar" com Lula: nós acreditamos na "Carta ao Povo Brasileiro" e evitamos criticar a política econômica, vocês garantem um ambiente em que consigamos operar no Brasil (esta matéria da Bloomberg conta um pouco dessa história). Tal acordo de cavalheiros (ou de capi) parece valer, com as devidas mudanças no contexto, até hoje (outro episódio ilustrativo é o que, há alguns anos, envolveu críticas a Petrobras e o mesmo Santander). Não é necessária muita criatividade maquiavélica para imaginar como poderia ser diferente, partindo da ideia do governo como arbitrador de lucros que coloquei acima somada a algum nacionalismo (mais abaixo).
--Um exercício interessante é pensar quanto do episódio é aumentado pelo Santander ser controlado por capital estrangeiro. Como seria a repercussão de exatamente o mesmo relatório feito pelo Bradesco? Ou pelo Banco do Brasil? Parece haver também um componente de nacionalismo rasteiro, exacerbado pelo clima de eleições e polarização política, onde um partido é, claramente, "amigo" do mercado e o incumbente faz questão de deixar opaca a forma de como pretende tocar a economia depois das eleições. Também a frase "o que esses espanhois, com 25% de desemprego, querem palpitar no Brasil" parece se encaixar bem na média dos discursos de líderes petistas.
--Um exercício interessante é pensar quanto do episódio é aumentado pelo Santander ser controlado por capital estrangeiro. Como seria a repercussão de exatamente o mesmo relatório feito pelo Bradesco? Ou pelo Banco do Brasil? Parece haver também um componente de nacionalismo rasteiro, exacerbado pelo clima de eleições e polarização política, onde um partido é, claramente, "amigo" do mercado e o incumbente faz questão de deixar opaca a forma de como pretende tocar a economia depois das eleições. Também a frase "o que esses espanhois, com 25% de desemprego, querem palpitar no Brasil" parece se encaixar bem na média dos discursos de líderes petistas.
--Grandes empresas têm o que pode ser visto como uma "censura interna": ao menos uma área (compliance) é responsável por verificar se as informações tornadas públicas pela companhia não violam nenhuma lei e, mais sutilmente, não vão contra diretrizes internas, que, novamente, visam proteger os lucros ou algum outro interesse corporativo. O episódio ganha uma nuance interessante se pensarmos nele como uma falha dessa área: parece relativamente claro que um relatório do tipo do que foi divulgado traz um risco de repercussão negativa e que poderia ser modificado de forma a passar exatamente o mesmo recado de forma mais sutil (isso é uma arte que qualquer economista que já trabalhou em algum banco brasileiro precisa aprender a dominar). Caso isso tivesse acontecido, a polêmica provavelmente não existiria. É bruto, cínico e abominável, mas é como o jogo é jogado (e o lambari é pescado, completaria o saudoso Luciano do Valle).
Esclarecimento (talvez) necessário: trabalhei no Santander de 2001 a 2007, e devo muito da minha carreira (não é grande coisa, mas é a que tenho) ao banco e aos colegas e amigos que encontrei por lá. Não tenho como não ser grato por isso.
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segunda-feira, 5 de maio de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
O interminável reinado do CDI
Deve haver poucos lugares onde a máxima “dinheiro é rei” vale tanto quanto no Brasil. Em tempos de crise, diz a sabedoria dos mercados, ter dinheiro em caixa, mesmo sem receber juros, é imperativo para o bom desempenho de qualquer carteira de investimentos. Primeiro, porque em tempos difíceis não perder é a maneira mais fácil de bater a concorrência. Segundo, porque a flexibilidade decorrente permite aproveitar as boas oportunidades que uma liquidação generalizada proporciona. Por aqui, entretanto, mesmo nos períodos de bonança não é fácil bater o rendimento do dinheiro emprestado por um dia, com garantias, para bancos (ou para o banco central).
O resto do texto está no Estadão.
O resto do texto está no Estadão.
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O Sr. Dinheiro e o negócio de entretenimento
Hoje (escrevo em 18 de Dezembro) fiquei sabendo da existência do Sr. Dinheiro, personagem criado, aparentemente, pelo "Fantástico" da TV Globo em cima de Luis Carlos Ewald. O Sr. Dinheiro ganha para ensinar finanças na FGV do Rio e prestar assessoria financeira. Hoje ele concedeu uma entrevista ao portal InfoMoney dizendo que há uma bolha imobiliária no Brasil que vai estourar "no primeiro semestre de 2014". A entrevista não fala como ele precisou tão bem o timing. Se tem um modelo para isso, é forte candidato ao Nobel nos próximos anos.
Assumindo que, de fato, haja uma bolha no mercado imobiliário brasileiro, o que garante que ela vai estourar nos próximos seis meses, ou seis anos? Nada. Se é fato consumado que toda bolha estoura (ver a pesquisa da GMO sobre o assunto, a mais completa que conheço), também é mais ou menos estabelecido que bolhas podem ser incrivelmente resilientes. As perdas amargadas por muitos grandes investidores que tentaram ir contra bolhas, de Julian Robertson a George Soros, passando pela própria GMO, parecem confirmar a frase (aparentemente apócrifa) atribuída a Keynes: o mercado pode permanecer irracional por mais tempo do que você pode permanecer solvente.
Ewald, porém, não deve ter problemas de solvência (ou pode ser mais esperto que Robertson, Soros, Jeremy Grantham ou o próprio Keynes). Ele e outros consultores financeiros não vivem de acertar ou errar: vivem de colocar o nome nas manchetes, fazendo previsões "ousadas" e "bombásticas". Em seis meses, se errar, ninguém mais vai se lembrar e ele pode continuar cobrando por aulas e consultoria; se acertar, vira guru. Baixíssimo risco, alto retorno potencial: esse é o melhor investimento que o Sr. Dinheiro poderia recomendar.
O problema aqui é como reputações no mercado financeiro são construídas e destruídas. O assunto merece um estudo mais cuidadoso, mas arrisco alguns palpites: é uma área que lida com variáveis complexas, com um componente brutal de incerteza, onde o sucesso é difícil de ser mensurado ao longo do tempo, e povoada por um nível monumental de ignorância. Isso gera um grande problema de seleção: como saber escolher um bom profissional se (i) o nível de conhecimento geral sobre o assunto é baixo e qualquer um que fala besteiras com convicção pode se passar por expert; (ii) mesmo os verdadeiros experts sofrem para entregar resultados (e estes são os que, sabendo da incerteza, cercam de cautela suas opiniões e frequentemente são vistos como "fracos" ou "pouco arrojados"); (iii) os resultados mais visíveis são os de poucos meses - para períodos mais curtos, o peso da incerteza é ainda maior, e anos de bom trabalho são facilmente esquecidos após um semestre de performance fraca. Aqui, de novo, o grande Keynes: "é melhor para a reputação falhar de forma convencional do que ter sucesso de forma não convencional".
Aqui, a analogia com o futebol e seus inúmeros comentaristas é quase perfeita: o assunto, complexo, é parte importante da vida de milhões; há um corpo de conhecimento sobre o assunto, dominado por poucos; o conhecimento implica reconhecer que grande parte do jogo é determinada por fatores que não podem ser explicados; quem reconhece isso não chama a atenção devida e quem ganham os holofotes são os que gritam mais alto, usam metáforas mais coloridas ou criam mais polêmicas. Tostão escreveu hoje, na Folha, que, caso o Atlético Mineiro passasse do Raja Casablanca, podia tanto ser goleado pelo Bayern ou ganhar a final do Mundial de Clubes. Isso pode parecer óbvio, mas embute grande dose de humildade, conhecimento e sabedoria. Coloquem ele em um canal da TV dizendo isso e no outro o Craque Neto dizendo que o Galo é favorito, que esses times da Europa não são tudo isso, etc, e vejamos quem atrai mais audiência. Em resumo, ambos os negócios remuneram mais entretenimento e menos conhecimento. Ao menos no futebol raramente se coloca em risco o dinheiro da aposentadoria.
O post já está longo demais e ainda nem cheguei ao que mais me deixou doente na entrevista do professor. Cito:
Entre 2007 e 2008, o preço de imóveis nos EUA, medido por um índice criado pelo professor de Yale que ganhou o Nobel este ano e o Sr. Dinheiro orgulhosamente citou como referência para suas previsões, caiu pouco mais de 25%. As açoes americanas, medidas pelo S&P 500, perderam mais de um terço do seu valor. O mesmo aconteceu em inúmeros outros países onde o mercado imobiliário colapsou. A crise que se arrasta até hoje é das maiores da história do capitalismo, mas não é evidência suficiente para o Sr. Dinheiro, que prefere sacar uma teoria estapafúrdia para empurrar incautos para o mercado de ações.
Uma das frases que Nassim Taleb gosta de repetir (acho que está no Antifragile, se bobear é emprestada de algum grego): se você vê uma fraude e não grita "fraude", você é uma fraude. O Sr. Dinheiro é uma fraude. Espero ter coragem e isenção para apontar outras ao longo da vida.
Assumindo que, de fato, haja uma bolha no mercado imobiliário brasileiro, o que garante que ela vai estourar nos próximos seis meses, ou seis anos? Nada. Se é fato consumado que toda bolha estoura (ver a pesquisa da GMO sobre o assunto, a mais completa que conheço), também é mais ou menos estabelecido que bolhas podem ser incrivelmente resilientes. As perdas amargadas por muitos grandes investidores que tentaram ir contra bolhas, de Julian Robertson a George Soros, passando pela própria GMO, parecem confirmar a frase (aparentemente apócrifa) atribuída a Keynes: o mercado pode permanecer irracional por mais tempo do que você pode permanecer solvente.
Ewald, porém, não deve ter problemas de solvência (ou pode ser mais esperto que Robertson, Soros, Jeremy Grantham ou o próprio Keynes). Ele e outros consultores financeiros não vivem de acertar ou errar: vivem de colocar o nome nas manchetes, fazendo previsões "ousadas" e "bombásticas". Em seis meses, se errar, ninguém mais vai se lembrar e ele pode continuar cobrando por aulas e consultoria; se acertar, vira guru. Baixíssimo risco, alto retorno potencial: esse é o melhor investimento que o Sr. Dinheiro poderia recomendar.
O problema aqui é como reputações no mercado financeiro são construídas e destruídas. O assunto merece um estudo mais cuidadoso, mas arrisco alguns palpites: é uma área que lida com variáveis complexas, com um componente brutal de incerteza, onde o sucesso é difícil de ser mensurado ao longo do tempo, e povoada por um nível monumental de ignorância. Isso gera um grande problema de seleção: como saber escolher um bom profissional se (i) o nível de conhecimento geral sobre o assunto é baixo e qualquer um que fala besteiras com convicção pode se passar por expert; (ii) mesmo os verdadeiros experts sofrem para entregar resultados (e estes são os que, sabendo da incerteza, cercam de cautela suas opiniões e frequentemente são vistos como "fracos" ou "pouco arrojados"); (iii) os resultados mais visíveis são os de poucos meses - para períodos mais curtos, o peso da incerteza é ainda maior, e anos de bom trabalho são facilmente esquecidos após um semestre de performance fraca. Aqui, de novo, o grande Keynes: "é melhor para a reputação falhar de forma convencional do que ter sucesso de forma não convencional".
Aqui, a analogia com o futebol e seus inúmeros comentaristas é quase perfeita: o assunto, complexo, é parte importante da vida de milhões; há um corpo de conhecimento sobre o assunto, dominado por poucos; o conhecimento implica reconhecer que grande parte do jogo é determinada por fatores que não podem ser explicados; quem reconhece isso não chama a atenção devida e quem ganham os holofotes são os que gritam mais alto, usam metáforas mais coloridas ou criam mais polêmicas. Tostão escreveu hoje, na Folha, que, caso o Atlético Mineiro passasse do Raja Casablanca, podia tanto ser goleado pelo Bayern ou ganhar a final do Mundial de Clubes. Isso pode parecer óbvio, mas embute grande dose de humildade, conhecimento e sabedoria. Coloquem ele em um canal da TV dizendo isso e no outro o Craque Neto dizendo que o Galo é favorito, que esses times da Europa não são tudo isso, etc, e vejamos quem atrai mais audiência. Em resumo, ambos os negócios remuneram mais entretenimento e menos conhecimento. Ao menos no futebol raramente se coloca em risco o dinheiro da aposentadoria.
O post já está longo demais e ainda nem cheguei ao que mais me deixou doente na entrevista do professor. Cito:
Ainda segundo o Sr. Dinheiro, quando o mercado imobiliário desaba, a bolsa de valores (e o mercado acionário como um todo) melhora muito. “Essa bolha que vai estourar no ano que vem vai criar uma ótima oportunidade para os investidores do mercado de renda variável, afinal, o desempenho de ambos são inversamente proporcionais”, finalizou.
Entre 2007 e 2008, o preço de imóveis nos EUA, medido por um índice criado pelo professor de Yale que ganhou o Nobel este ano e o Sr. Dinheiro orgulhosamente citou como referência para suas previsões, caiu pouco mais de 25%. As açoes americanas, medidas pelo S&P 500, perderam mais de um terço do seu valor. O mesmo aconteceu em inúmeros outros países onde o mercado imobiliário colapsou. A crise que se arrasta até hoje é das maiores da história do capitalismo, mas não é evidência suficiente para o Sr. Dinheiro, que prefere sacar uma teoria estapafúrdia para empurrar incautos para o mercado de ações.
Uma das frases que Nassim Taleb gosta de repetir (acho que está no Antifragile, se bobear é emprestada de algum grego): se você vê uma fraude e não grita "fraude", você é uma fraude. O Sr. Dinheiro é uma fraude. Espero ter coragem e isenção para apontar outras ao longo da vida.
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Temporada de caça aos ursos
2013 não está terminando bem para os pessimistas com os mercados de ações dos Estados Unidos. O índice S&P 500 deve terminar o ano perto dos 1800 pontos, tendo subido cerca de 25% com relação ao nível do final de 2012. A expectativa média das projeções que 14 grandes instituições apresentaram há um ano a seus clientes era 1534 pontos, mais de 17% abaixo de onde o mercado se encontra. O mais otimista entre esses (usualmente exageradamente otimistas) analistas esperava alta de pouco mais de 12%. Os pessimistas foram atropelados, mesmo com um cenário econômico pior do que se imaginava: em dezembro do ano passado, o Fed acreditava que o PIB americano cresceria, em 2013, entre 2,3% e 3,0%. O crescimento efetivo dificilmente passará de 2,0%.
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Frases do Dia - vivendo em tempos de bolha imobiliária
I wonder if a house has ever represented as much as it does now, for people like Lisa and me. It has been the full measure and symbol of our wealth and security over the last few years; every cent we threw into it and every cent we took out, seemed so smart, like such a good bet. Every time we got ahead, we borrowed against the thing to remodel, and every time we remodeled the thing we congratulated ourselves of our wisdom, and every time we saw a house go up for sale on our block (They're asking three-eighty-five and it's half the size!) we became like derivative-crazed brokers; we stopped thinking of the value of our home as a place of shelter and occupancy and family-or even as the aesthetic triumph witnessed from our alley-but as a kind of faith equation, theoretical construct, mechanism of wealth-generation, salvation function on a calculator, its value no longer what it's worth but some compounded value that might exist given the continued upward tick of the market, because this was the only direction housing markets could ever go: up. All the geniuses said so. If housing had survived the dump of the technology bubble and the brief realization after 7/11 that we weren't alone in the scary, scary world, then what could possibly stop its march? In eighty years, the geniuses told us, actual housing values had only fallen once. One time in eighty years? I can still close my over-leveraged eyes and hear two decades of such party talk: real estate is the only safe bet; real estate can only go up; they aren't making any more real estate.
Do ótimo The Financial Lives of Poets, de Jess Walter.
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013
De volta aos dois dígitos
Nosso governo gosta de repetir variações da frase “quem aposta contra o Brasil sempre perde”. A volta da taxa Selic para os dois dígitos, padrão com o qual nos acostumamos por muito tempo, mostra que, ao menos no mercado de juros, vale o oposto da versão oficial: quem acha que o Brasil pode sustentar juros básicos abaixo de 10% por muito tempo acaba sempre perdendo dinheiro.
O resto do texto está no Estadão.
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sábado, 2 de novembro de 2013
5 lições da queda do Império X para o Brasil
Em 13 de junho de 2008, quando os melhores dias para a bolsa americana antes da crise já haviam passado, a OGX fez a maior oferta inicial da história da Bovespa até então (depois foi superada por Cielo, BB Seguridade e Santander). 6.7 bihões de reais foram levantados, e as ações fecharam o primeiro dia no pregão com mais de 8% de alta. Pouco menos de 2,000 dias depois, a empresa registrou um pedido de recuperação judicial na 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Leituras Perdidas
- O blog novo da Helen Joyce, editora da The Economist que deixa o Brasil em breve.
- Hal Varian sobre o negócio de jornais.
- Entrevista do Spiegel com George Soros.
- Físicos e o mercado financeiro.
- Conheça o escritório de Alvin E. Roth, Nobel de Economia do ano passado.
- Chris Blattman sobre o livro novo de Angus Deaton. Deaton sobre Reinhart & Rogoff.
- Stiglitz sobre desigualdade.
- Entrevista de Lula para o El País.
- Onde estão os 1% mais ricos do mundo.
- No quê cada país é líder mundial.
- Pankaj Mishra sobre a Indonésia.
- Como o Grateful Dead levou o basquete masculino da Lituânia aos seus primeiros Jogos Olímpicos.
- Resolvendo problemas de tradução... com vetores, claro.
- Sugestão de presente de Natal para seu amigo estatístico.
- Hal Varian sobre o negócio de jornais.
- Entrevista do Spiegel com George Soros.
- Físicos e o mercado financeiro.
- Conheça o escritório de Alvin E. Roth, Nobel de Economia do ano passado.
- Chris Blattman sobre o livro novo de Angus Deaton. Deaton sobre Reinhart & Rogoff.
- Stiglitz sobre desigualdade.
- Entrevista de Lula para o El País.
- Onde estão os 1% mais ricos do mundo.
- No quê cada país é líder mundial.
- Pankaj Mishra sobre a Indonésia.
- Como o Grateful Dead levou o basquete masculino da Lituânia aos seus primeiros Jogos Olímpicos.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Fronteiras da Análise Técnica - o Beija-Flor
O pássaro que voa sem sair do lugar aparece como uma possível salvação para a OGXP3:
Dica do Fabrício, obrigado.
Mais fronteiras da análise técnica:
- O Martelo de Thor (Batista)
- Intraday Bart
- Velociraptor
- Vampire Black Swan
- Bullish Cyclist
- Evil Knievel Formation
Dica do Fabrício, obrigado.
Mais fronteiras da análise técnica:
- O Martelo de Thor (Batista)
- Intraday Bart
- Velociraptor
- Vampire Black Swan
- Bullish Cyclist
- Evil Knievel Formation
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Brasil, The Economist e as indicações contrárias
Quando a The Economist lançou a famosa edição com o Cristo Redentor decolando na capa (14 de novembro de 2009), o Ibovespa estava em 65.000 pontos, vindo de uma espetacular recuperação de mais de 80% nos doze meses anteriores (no mesmo período, o S&P500 havia subido “só” 28%, tendo feito uma nova mínima em março e só então iniciado uma correção). Uma ação da Petrobras (PETR4) valia R$ 37, uma ação da OGX (OGXP3) valia R$ 14 e gente como Jeremy Grantham, o conservador e respeitado estrategista da gigante americana GMO, dizia que ações de mercados emergentes deveriam operar com um prêmio sobre seus pares em países desenvolvidos, para (aqui cito literalmente de uma das cartas trimestrais dele) “celebrar seu crescimento do PIB obviamente superior comparado ao de um mundo desenvolvido envelhecendo”.
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
Como caíram os poderosos (capitalismo de estado)
Matéria interessante na última Economist sobre o desencanto do mercado com companhias de controle estatal. Em 2009, estavam entre as 10 maiores companhias do mundo bancos chineses, uma petrolífera chinesa e a Petrobras. Hoje, 9 das 10 são americanas, e o capitalismo de mercado parece ter se salvado. O gráfico é de lá, e não custa lembrar que há pouco mais de ano e meio a capa da mesma Economist era essa aqui do lado.
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O Ibovespa está morto, vida longa ao Ibovespa!
Um exercício simples, que pode ser resolvido com duas buscas na internet: quais são as 10 maiores companhias dos Estados Unidos? E do Brasil? Se usarmos como critério as receitas anuais, as respostas são, para os EUA: Wal-Mart, Exxon Mobil, Chevron, Phillips 66, Berkshire Hathaway, Apple, General Motors, General Electric, Valero Energy e Ford Motor; e, para o Brasil: Petrobras, BR Distribuidora, Vale, Ipiranga Produtos, Volkswagen, Cargill, Fiat, Vivo, Raízen e Bunge. Todas as 10 maiores americanas fazem parte do S&P 500, o principal índice do mercado de ações por lá. No Brasil, apenas três são listadas na Bovespa, sendo uma delas de controle estatal.
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Gráficos do Dia - Desigualdade nos EUA
Emmanuel Saez, de Berkeley, atualizou os dados do seu famoso trabalho de 2003 (em parceria com Thomas Piketty) sobre desigualdade de renda nos EUA. Nunca antes na história daquele país os 1% mais ricos (em 2012, famílias com renda anual maior que US$ 112 mil) ou os 0,1% mais ricos (renda familiar maior que US$ 10,25 milhões) tiveram fração maior do total:
A Economist montou esse gráfico, derivado dos mesmos dados. Curioso ver que os ricos ganharam pra valer nos anos Clinton, com a "exuberância irracional" no mercado de ações, perderam pouco na recessão de 2011 e voltaram a prosperar nos anos Bush. E chocante notar que 95% do aumento da renda nos últimos quatro anos veio dos 1% mais ricos:
Joseph Stiglitz comentou no Financial Times.
A Economist montou esse gráfico, derivado dos mesmos dados. Curioso ver que os ricos ganharam pra valer nos anos Clinton, com a "exuberância irracional" no mercado de ações, perderam pouco na recessão de 2011 e voltaram a prosperar nos anos Bush. E chocante notar que 95% do aumento da renda nos últimos quatro anos veio dos 1% mais ricos:
Joseph Stiglitz comentou no Financial Times.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Leituras atrasadas
O que deu pra contrabandear entre as páginas do Mas-Collel, Whinston & Green (aliás, estou pensando em fazer uma camiseta com esses nomes nesse estilo--acho que já preciso de férias):
- Os 200 blogs de economia mais influentes do mundo.
- Um Q&A útil da Goldman Sachs sobre como andam os mercados emergentes.
- Um tradutor economia - sociologia (e vice-versa).
- Michael Woodford, o economista mais influente do mundo?
- Livro interessante que está por vir, sobre a reinvenção do capitalismo de estado a partir do caso do Brasil.
- Tim Harford sobre os grandes bancos, não poderia concordar mais.
- Morreu o grande David S. Landes, autor de A Riqueza e a Pobreza das Nações. Uma resenha de Deirdre McCloskey da época do lançamento desse livro (via Leo Monasterio) e o obituário do NY Times. Morreu também o Ronald Coase, mas este era famosão, mais fácil encontrar informação.
- Mark Blyth indica cinco livros sobre economia política.
- A orientação política da The Economist.
- Cinco distorções cognitivas de "gente que faz".
- Dinamarca = Boston.
- Viva a boa cerveja: o criador da Sam Adams ficou bilionário.
- Um esquema de citações em algumas publicações científicas brasileiras.
- Um dicionário de clichês, por Teju Cole.
- 10 grandes entrevistas da Playboy. Faltou a do Tim Maia.
- Um mapa dinâmico com todos os protestos no planeta desde 1979.
- Perfilzão de Chris Ware na Intelligent Life, que é a melhor revista que você pode assinar de graça no iPad.
- Paulo Francis entrevistando Gisele Bündchen.
- Os 200 blogs de economia mais influentes do mundo.
- Um Q&A útil da Goldman Sachs sobre como andam os mercados emergentes.
- Um tradutor economia - sociologia (e vice-versa).
- Michael Woodford, o economista mais influente do mundo?
- Livro interessante que está por vir, sobre a reinvenção do capitalismo de estado a partir do caso do Brasil.
- Tim Harford sobre os grandes bancos, não poderia concordar mais.
- Morreu o grande David S. Landes, autor de A Riqueza e a Pobreza das Nações. Uma resenha de Deirdre McCloskey da época do lançamento desse livro (via Leo Monasterio) e o obituário do NY Times. Morreu também o Ronald Coase, mas este era famosão, mais fácil encontrar informação.
- Mark Blyth indica cinco livros sobre economia política.
- A orientação política da The Economist.
- Cinco distorções cognitivas de "gente que faz".
- Dinamarca = Boston.
- Viva a boa cerveja: o criador da Sam Adams ficou bilionário.
- Um esquema de citações em algumas publicações científicas brasileiras.
- Um dicionário de clichês, por Teju Cole.
- 10 grandes entrevistas da Playboy. Faltou a do Tim Maia.
- Um mapa dinâmico com todos os protestos no planeta desde 1979.
- Perfilzão de Chris Ware na Intelligent Life, que é a melhor revista que você pode assinar de graça no iPad.
- Paulo Francis entrevistando Gisele Bündchen.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
O que leem os gestores de investimentos brasileiros?
O Valor teve uma iniciativa legal, perguntando para vários gestores de investimentos brasileiros quais livros eles recomendam. Dos entrevistados de hoje (espero que sigam fazendo matérias desse tipo):
Paulo Bodin, Tempo Capital:
- Against the Gods: The Remarkable Story of Risk, Peter L. Bernstein
- Wealth, War & Wisdom, Barton Biggs
Arminio Fraga, Gávea Investimentos:
- Manias, Panics and Crashes: A History of Financial Crises, Charles Kindleberger
- Pioneering Portfolio Management: An Unconventional Approach to Institutional Investment, David Swensen
- Against the Gods: The Remarkable Story of Risk, Peter L. Bernstein
- Fortune's Formula: The Untold Story of the Scientific Betting System that Beat the Casinos and Wall Street, William Poundstone
- The Collected Writings of John Maynard Keynes, volume XII: Economic Articles and Correspondence Investment and Editorial, John Maynard Keynes
Luiz Carlos Mendonça de Barros, Quest Investimentos:
- Un Sorte de Diable: Les vies de John M. Keynes, Alain Minc
- Keynes: O Regresso do Mestre, Robert Skidelsky
- A Bola de Neve: Warren Buffett e o Negócio da Vida, Alice Schroeder
- A Arte da Guerra, Sun Tzu
Dório Ferman, Opportunity:
- The Warren Buffett Way, Robert G. Hagstrom
- Fooled by Randomness, Nassim Nicholas Taleb
- When Genius Failed, Roger Lowenstein
- Against the Gods: The Remarkable Story of Risk, Peter L. Bernstein
Roberto Vinhaes, Investidor Profissional:
- The Foundation Trilogy, Isaac Asimov
- Sources of Power: How people make decisions, Gary Klein
- Atlas Shrugged, Ayn Rand
- Philosophy, who needs it, Ayn Rand
Paulo Bodin, Tempo Capital:
- Against the Gods: The Remarkable Story of Risk, Peter L. Bernstein
- Wealth, War & Wisdom, Barton Biggs
Arminio Fraga, Gávea Investimentos:
- Manias, Panics and Crashes: A History of Financial Crises, Charles Kindleberger
- Pioneering Portfolio Management: An Unconventional Approach to Institutional Investment, David Swensen
- Against the Gods: The Remarkable Story of Risk, Peter L. Bernstein
- Fortune's Formula: The Untold Story of the Scientific Betting System that Beat the Casinos and Wall Street, William Poundstone
- The Collected Writings of John Maynard Keynes, volume XII: Economic Articles and Correspondence Investment and Editorial, John Maynard Keynes
Luiz Carlos Mendonça de Barros, Quest Investimentos:
- Un Sorte de Diable: Les vies de John M. Keynes, Alain Minc
- Keynes: O Regresso do Mestre, Robert Skidelsky
- A Bola de Neve: Warren Buffett e o Negócio da Vida, Alice Schroeder
- A Arte da Guerra, Sun Tzu
Dório Ferman, Opportunity:
- The Warren Buffett Way, Robert G. Hagstrom
- Fooled by Randomness, Nassim Nicholas Taleb
- When Genius Failed, Roger Lowenstein
- Against the Gods: The Remarkable Story of Risk, Peter L. Bernstein
Roberto Vinhaes, Investidor Profissional:
- The Foundation Trilogy, Isaac Asimov
- Sources of Power: How people make decisions, Gary Klein
- Atlas Shrugged, Ayn Rand
- Philosophy, who needs it, Ayn Rand
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