quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Atlas de Complexidade Econômica

Por algum motivo, no final do ano passado deixei passar um dos trabalhos mais interessantes e criativos que já vi em economia: o Atlas de Complexidade Econômica, obra conjunta de Ricardo Hausmann (Harvard, Venezuelano), César A. Hidalgo (MIT, Chileno - América Latina dominando) e outros seis pesquisadores. O grupo tentou medir o nível de desenvolvimento dos países pelo nível de complexidade de suas relações econômicas (produzir e exportar maquinaria pesada, por exemplo, é mais complexo do que extrair e exportar ouro), tentando, com isso, estimar "a quantidade de conhecimento produtivo que cada país possui". Não vou entrar aqui em mais detalhes da metodologia, mas a quantidade de dados tratada é absolutamente impressionante, assim como o modo de apresentar os resultados. A "cara" da economia do Brasil, por exemplo, é esta:


Claro que uma interpretação mais refinada requer alguma familiarização com a notação usada; uma vez feito isso, não é difícil perceber padrões e identificar potenciais pontos fortes e fracos de cada país.

Os resultados ainda devem ser objeto de bastante estudo entre a turma do desenvolvimento, mas o trabalho original mostra várias correlações fortes entre o Índice de Complexidade Econômica calculado e diversas outras variáveis que indicam desenvolvimento (com os tradicionais problemas de econometria, claro, como o quê explica o quê). Curiosidade: o Brasil está entre os países cujo tal índice mais cresceu entre 1964 e 2008 - atrás de Maurício, alguns países do Sudeste Asiático (Tailândia, Malásia, Cingapura e Indonésia) e Uganda.

Para quem tiver um tempo e/ou interesse, recomendo uma boa olhada no site do projeto (que tem o trabalho em pdf e algumas visualizações interativas que permitem, por exemplo, visualizar como evoluíram no tempo as exportações de um determinado país). Para os preguiçosos ocupados, o Free Exchange fez um resumo do trabalho quando foi lançado.

2 comentários:

Delfim Bisnetto disse...

Muito legal...

"Curiosidade: o Brasil está entre os países cujo tal índice mais cresceu entre 1964 e 2008"

Cresci os olhos nisso aí pra arrumar um argumento contra a tese da "desindustrialização", mas dei com os burros n'água...

Entre 64-08 o Brasil é primeiro na América Latina em crescimento do índice, mas entre 98-08 é apenas o 19º, com queda de de 63% nesse índice...

Nesse período, ganhamos apenas de Venezuela e Chile, aliás, dois países de gestão macro diametralmente opostas.

ANTONIO DE JESUS SANTOS DE VASCONCELOS VASCO disse...

O Atlas da Complexidade está pegando. Ressussita a teoria das vantagens comparativas, a da deterioração dos termos de intercambio e com a contabilidade do Insumo - Produto. Mexe com o calculo de um indice de inteligencia produtiva, que é dada, evidentemente, pela tecnologia, latu sensu, de cada nação. Tudo fincado no circuito do comercio internacional. Acho interessante e criativo, mas choca com teorias ainda não defasadas. Minha opinião é que serve para orgaizar contabilmente as relaçoes internacionais da globalização, mas não como teoria. Só precisa um pouco de cuidado. Sem ofensas.