quarta-feira, 12 de setembro de 2007

À guisa de introdução

Começo aqui um novo projeto, que espero que se prove duradouro e consistente. A idéia é emitir opiniões isentas sobre economia, mercados financeiros e assuntos relacionados, pretensiosamente tentando preencher uma lacuna na mídia local. Em outras palavras, cansei de ler análises desinformadas e/ou simplesmente burras, e acho que posso contribuir nesse sentido - ao menos fazer as minhas próprias análises desinformadas e burras.

Acho que cabem aqui alguns esclarecimentos:

-- Inicialmente, minha verdadeira identidade ficará anônima. Assim poderei escrever sem me preocupar em contrariar interesses ou opiniões das entidades onde trabalho ou trabalhei. Ainda não enriqueci ou envelheci o suficiente para não me preocupar com isso.

-- Não sou keynesiano. Sou libertário. Na classificação acéfala que costuma se usar no Brasil, sou ortodoxo (e não "desenvolvimentista", embora eu, assim como, acredito, a imensa maioria dos "ortodoxos", não tenha absolutamente nada contra desenvolvimento).

Segundo o livro-texto de Olivier Blanchard, os keynesianos enfatizavam a política fiscal (em vez da política monetária) como chave para combater recessões; muitos acreditavam na existência de um dilema confiável entre desemprego e inflação, mesmo no longo prazo; e acreditavam na eficácia do estado como formulador de política econômica. Após a revolução das expectativas racionais, muitas dessas idéias foram sepultadas, e os chamados neo-keynesianos focaram seus estudos em outros pontos, bem menos controversos (como a rigidez nominal de salários e preços, imperfeições no mercado de crédito, etc). Entretanto, as idéias dos keynesianos de primeira época ainda encontram adeptos, como se a teoria econômica não tivesse evoluído desde os anos de 1940.

"When the facts change, I change my mind. What do you do, sir?" Esta é uma das citações mais famosas do próprio John Maynard Keynes. Se estivesse vivo, até ele discordaria dos keynesianos.

-- Então, qual é o porquê do nome? Primeiro, porque me pareceu um bom trocadilho. Mais do que isso, é original - tente fazer uma busca no Google por "drunkeynesian": orgulhosamente, "nenhum documento correspondente" aparece (bem, em breve aparecerá ao menos este humilde blog).

Tirando os motivos mundanos, acho que homenagens ao velho Keynes nunca são excessivas. Além disso, Keynes foi um bêbado, ainda que tardio. Supostamente suas últimas palavras foram: "I should have drunk more Champagne." Em resumo, Keynes foi o primeiro "drunkeynesiano", sou apenas um modesto discípulo.

-- Odeio escrita obtusa. Os escassos leitores podem me cobrar por isso. O título deste texto é irônico.

-- Escrever sobre economia e mercados financeiros sem usar termos em inglês é virtualmente impossível (que o Aldo Rebelo não me leia...). Tentarei respeitar a língua de Camões e MC Serginho, mas, às vezes, os leitores serão brindados com algumas palavras ou siglas consagradas que fogem do vocabulário-padrão do português. A Investopedia resolve a maioria das dúvidas; as restantes podem ser esclarecidas, com o maior prazer, nos comentários.

-- Não vou vender nem comprar nada que eu ataque ou defenda aqui. Não tenho dinheiro. Portanto, também não adianta me processar.

Por enquanto, é isso. Divirtam-se!

7 comentários:

brasaustin disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gcamargo disse...

Gostei. Longa vida!
Abs,

Rach disse...

excelente!

Anônimo disse...

Ainda que tardio, você acabou de ganhar mais um leitor.

Vida longa!

Anônimo disse...

Esse blog voltará? É uma pena que tenha parado (ainda que temporariamente, espero

Henrique Martins de Araujo disse...

Excelente Blog! Obrigado pela referência ao meu blog!

Estou retribuindo a gentileza, excelente conteúdo!

abraços desde Dakar!
Henrique

Paty de repente 30 disse...

Excelente Blog!

Ganhou mais uma leitora.

Abraços
Patrícia Quaresma