quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Leituras da Semana

A procrastinação anda em níveis críticos, por isso tenho lido muito...

- A PIMCO, maior gestora de fundos de renda fixa do mundo (US$ 1,3 tri de ativos), está abrindo um escritório no Rio de Janeiro (claro que, podendo escolher, alguém criado em Newport Beach não viria para São Paulo).

- O mundo em 2012, por Jim Rogers.

- Richard Koo sobre a Europa.

- Nunca é demais relembrar a contribuição de Benoît Mandelbrot para as finanças...

- ... nem a de Amartya Sen para o desenvolvimento econômico. A Índia batizou um deserto uma sobremesa (obrigado ao anônimo que corrigiu) com o nome dele.

- Como emular o "sucesso" da China: começa com uma insurreição comunista e anos de guerra civil.

- Um raio-x das exportações brasileiras. Impressionante ver que o valor das exportações para a China aumentou quase 40 vezes desde 2000. Quando a China espirrar, o Brasil pegará uma bela pneumonia.

- Lembre-se disso quando reclamar do trânsito: o governo brasileiro é o maior financiador das montadoras estrangeiras que produzem aqui.

- Bom comentário sobre a compra de um pedaço da Companhia das Letras pela Penguin e os rumos do mercado editorial no Brasil.

- Indícios de corrida bancária na Grécia.

- Greg Mankiw está assessorando um candidato republicano, mas não vê o estudo de economia carregado de ideologia.

- Uma cutucada nos austríacos: a (falta de) importância de Hayek para a macroeconomia.

- Efeitos colaterais do liberalismo: uma família do Tennessee não pagou a taxa anual dos bombeiros e assistiu ao próprio trailer ser queimado, sem ter o que fazer.

- A Bloomberg lançou um blog de história econômica (incrivelmente não tem RSS, mas devem arrumar isso logo).

- Um dos "Dois Liberais" sobre blogs de economia.

- John Kay sobre limites do conhecimento.

- Do que se falou em 2011 no Twitter e no Facebook.

- 45 imagens de 2011.

- Porque daguerreótipos do século XIX podem ser mais detalhados do que fotos digitais de última geração.

- Para os quem tem crianças, sugestões de presentes de Natal: os cinco melhores brinquedos de todos os tempos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um possível roteiro para a "nova" União Européia

Dona Merkel e Seu Sarkozy dizem já ter concordado em uma proposta pra uma "nova" União Européia, que teria punições automáticas para os países que desobedecerem uma meta de 3% de déficit fiscal sobre o PIB. Chegaram a sugerir até que isso deveria ser escrito nas respectivas Constituições. Se for esse mesmo o caminho, segue um possível roteiro para os próximos anos:

1. O aperto fiscal aprofunda a recessão que deve começar em meados do ano que vem. A arrecadação de impostos cai e, surpresa, os indicadores fiscais não melhoram;

2. Enquanto a recessão se aprofunda, o desemprego aumenta e, junto com ele, a insatisfação da população;

3. Novamente o mercado reconhece a dívida como insustentável, e a bola volta para a União Européia;

a) A União Européia decide, de algum jeito, que as dívidas dos países passam a ser, total ou parcialmente, continentais (o que já deveriam ter feito este ano);

b) Algum país resolve, por iniciativa própria, se livrar das "algemas de ouro" do euro e voltar a usar uma moeda própria. A iniciativa é seguida, até que a união monetária afunde de vez ou vire o "super euro" hipoteticamente sonhado pela Alemanha.

No fundo, parece mesmo que a Alemanha só aceita salvar a União Européia nos seus termos, o que envolve um grande sacrifício de países que já partem de uma situação muito ruim. Parece muito correto do ponto de vista moral (de um ponto de vista moral específico, na verdade), mas no futuro, creio, vai empurrar para soluções extremas e não-consensuais. Pior para a Europa.

Por fim, achei apropriado (talvez um pouco alarmista) reproduzir aqui um pedaço do discurso de State of Union que Franklin D. Roosevelt fez em 1944 (a Sylvia Nasar cita no Grand Pursuit, para quem tiver um pouco de tempo e paciência, vale ler o discurso inteiro, é uma extraordinária defesa do welfare state e da classe média):

We have come to a clear realization of the fact that true individual freedom cannot exist without economic security and independence. "Necessitous men are not free men." People who are hungry and out of a job are the stuff of which dictatorships are made.
É, não acordei otimista hoje...

Obrigado aos 99%

Dilbert de hoje:

Dilbert.com

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gráfico do dia - em caso de acidente...

A Nomura estimou o valor das moedas nacionais da Europa caso o euro imploda (clique para aumentar):


Não parece bonito para os ativos da maioria dos países...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ao que importa

A memória do Doutor foi devidamente honrada. Orgulhoso por ter visto os cinco Brasileiros do Timão.


sábado, 3 de dezembro de 2011

Dogbert Roubini

Memo - fechamento do Dow ontem: 12.019.

Dilbert.com

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Som da Sexta - Andrea Motis, Sant Andreu Jazz Band

A banda é nascida na escola municipal de música de um dos distritos de Barcelona. A vocalista tinha 15 anos quando gravou isso (ah, ela ainda toca saxofone e trompete). Entre os músicos, o mais velho tem 23 e o mais novo tem 8 (a média deve ser uns 15). O resultado é isso aqui:



Obrigado a Luiza por apresentar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A besteira dos BRICs

Num dos primeiros posts deste blog, há longos quatro anos, eu demonstrava meu desespero ao ver uma jogada de marketing de um banco americano ser levada a sério pela diplomacia brasileira. Desde então, o desespero só aumentou: em 2009, em Yekaterimburgo, Rússia, foi realizado o primeiro fórum dos BRICs (que passou a ser anual, em 2012 ocorrerá na Índia) e, no final do ano passado, a África do Sul se juntou ao grupo unido pela cabeça do Jim O'Neill e um "S" foi adicionado ao acrônimo. Ainda estamos para ver algo prático e benéfico sair desses encontros, e assim deve continuar por algum tempo. Pode ter algum valor como ferramenta de soft power, mas não consigo deixar de achar, no fundo, uma distração do que realmente importa pro país.

Tudo isso pra comentar que esta semana apareceram mais alguns que compartilham da minha birra com o conceito, em diferentes frentes:

- Clóvis Rossi, da Folha (em quem eu tinha metido o pau aqui, dessa vez ele acertou a mão - ou simplesmente concordou comigo), pegou os ganchos de uma palavra chinesa (hoyou) citada pelo Elio Gaspari e uma entrevista do Jim O'Neill para contar a história e falar da irrelevância do grupo nas discussões internacionais;

- Albert Edwards, do Société Générale, fala do fracasso que foi investir em BRICs neste ano, e cita a apropriada (re)definição de um amigo: Bloody Ridiculous Investment Concept.

- Update: o Moska indicou esse texto do Financial Times de alguns dias atrás. Já estou me sentindo um visionário.


Gráfico do dia - Mulheres no congresso

Da reportagem especial da última The Economist; há um tempo, indiquei uma matéria que destacava a alta (para padrões internacionais) proporção de mulheres entre executivos de companhias no Brasil. Infelizmente isso ainda não se repetiu na política.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Leituras pré-Dezembro

Hoje é dia da independência de Barbados, terra da Rihanna e do lindo brasão aí do lado (o dístico, por algum motivo, me lembra o poético lema da Gaviões da Fiel: Lealdade, Humildade e Procedimento).

- Novo paper de Martin Feldstein sobre o euro e a Europa, bem conciso e informativo (e livre de equações).

- Um enorme trabalho da Nomura sobre a China.

- John Paulson tenta explicar seu annus horribilis.

- A Rovio, que criou o Angry Birds, recusou uma oferta de US$ 2,25 bi. E diz-se que o Facebook vai fazer uma oferta inicial de ações que precificará a companhia em US$ 100 bi (isso é o DOBRO de uma avaliação feita em Abril, que comentei aqui). O "bolhômetro" parece estar chegando no nível 7.

- Timothy Garton Ash fala sobre a Europa para o Spiegel.

- A nova lista de 100 pensadores globais da Foreign Policy. Contei 20 economistas e afins entre eles, e ainda não consegui concluir se isso é bom ou ruim. Também não sei se é bom ver que o livro mais citado pelos listados é uma história dos banqueiros centrais durante a Grande Depressão (o excelente Lords of Finance).

- Economistas são bons cientistas?

- Noruega, manual do usuário.

- Stanley Kubrick fotografando os tipos de Nova York, nos anos 1940.

- Uma homenagem a Renato Russo, em quadrinhos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Perfil da Dilma na New Yorker

Saiu na edição desta semana. Aproveitem enquanto o Scribd não tira do ar (no site da revista só tem um resumo aberto). Se clicar em "Fullscreen" dá pra ler na tela; também dá para baixar a versão em pdf.

As 10 Regras de Investimento de Bob Farrell

Robert Farrell, hoje um senhor de 79 anos, foi uma lenda de Wall Street, um dos pouquíssimos analistas do sell side lidos e respeitados pela turma das mesas de operações. Em 1992, se aposentou depois de uma carreira de 25 anos na Merrill Lynch (onde foi mentor, entre outros, de David Rosenberg) e atualmente vive na Flórida, de onde, dizem, segue produzindo uma newsletter para uma lista de contatos bastante exclusiva.

Em 2008 o Marketwatch compilou dez regras que resumem suas conclusões de anos de observação dos mercados. O Barry Ritholtz, do The Big Picture, fez essa versão comentada, que, acho, é a mais difundida hoje em dia (costumo citar algumas delas com frequência). Creio que não há uma versão em Português, então resolvi fazer esse serviço. Para muitos vai soar como mais uma das pajelanças que o pessoal do mercado usa para justificar seus atos quase aleatórios; para quem (como eu) acha que mercados são construções sociais que possuem heurísticas (à la Kahneman e Tversky), nuts & bolts (à la Jon Elster) e fractalidades (à la Mandelbrot), as regras são de grande sabedoria e uma ótima ferramenta para evitar as armadilhas da euforia e depressão. Aí vão, de qualquer maneira:

1. Mercados tendem a voltar à média ao longo do tempo
Quando ações vão muito longe em uma direção, voltam. Euforia e pessimismo podem confundir a cabeça das pessoas. É fácil ser pego no calor do momento e perder a perspectiva.
2. Excessos em uma direção levarão a excessos opostos na outra direção
Pense na base de referência do mercado como se estivesse presa a um elástico. Qualquer ação muito grande em uma direção trará você não apenas de volta à referência, mas levará a um exagero na direção oposta.
3. Não existem novas eras - excessos nunca são permanentes
Qualquer que seja o último setor "quente", acaba esquentando demais, retorna à média e exagera a correção. Veja quão longe foram mercados emergentes e BRICs nos útlimos seis anos (nota: isso foi escrito em agosto de 2008), apenas para serem cortados pela metade.
Na medida que a febre vai sendo construída, um coro de "esta vez é diferente" será ouvido, mesmo que essas palavras exatas não sejam usadas. E é claro que ela - a Natureza Humana - nunca é diferente.
4. Mercados com quedas ou altas exponenciais costumam ir mais longe do que você imagina, mas eles não são corrigidos com movimentos de lado.
Não importa quão "quente" seja um setor, não espere que uma planície corrija os excessos. Lucros são realizados com vendas, e isso invariavelmente leva a uma correção significativa.
5. O público compra mais no topo e menos no fundo
Esse é o motivo pelo qual investidores com mentalidade contrária podem fazer um bom dinheiro se seguirem os indicadores de sentimento e tiverem um bom timing. 
6. Medo e cobiça são mais fortes que firmeza de longo prazo
Investidores podem ser seus piores inimigos, particularmente quando a emoção toma conta. Ganhos "nos fazem exuberantes; incrementam o bem estar e promovem otimismo," diz o professor de finanças da Universidade de Santa Clara Meir Statman. Seus estudos de comportamento do investidor mostram que "perdas trazem tristeza, desgosto, medo, arrependimento. O medo aumenta a percepção de risco e alguns reagem se afastando de ações".
7. Mercados são mais fortes quando abrangentes e mais fracos quando limitados a poucas blue chips
Daí amplitude e volume serem tão importantes. Pense nesses indicadores como força em números. Momentum amplo é difícil de ser contido, Farrell observa. Fique atento quando o momentum se limita a um pequeno número de ações.
8. Mercados em queda têm três estágios - queda violenta, recuperação reflexiva e continuidade da tendência fundamental de queda
Eu sugeriria que (em Agosto de 2008) estamos na terceira recuperação reflexiva - os cortes de juros de Janeiro, as mínimas da Bear Stearns em Março, e, agora, os resgates de Fannie Mae e Freddie Mac.
Mesmo com esses ralis esporádicos, ainda veremos a longa etapa de continuidade baseada em fundamentos da queda do mercado.
9. Quando todos os experts e previsões concordam - algo diferente vai acontecer
Como Stovall, o estrategista de investimentos da S&P, coloca: "Se todo mundo está otimista, quem sobrou para comprar? Se todo mundo está pessimista, quem sobrou para vender?"
Ir contra a manada, como Farrell repetidamente sugere, pode ser muito lucrativo, especialmente para compradores pacientes que fazem caixa em mercados eufóricos e reinvestem quando o sentimento é mais obscuro.
10. Mercados em tendência de alta são mais divertidos que mercados em tendência de queda
Especialmente se você tem um mandato para ficar todo tempo investido. Aqueles com planos mais flexíveis podem eventualmente sorrir nas duas situações.

Mais sobre Bob Farrell no Hall of Fame da Institutional Investor.