quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Leituras das últimas duas semanas

Skål!
- Trabalho interessante do BIS sobre mercados de dívida em moeda local.

- Nova carta de Jeremy Grantham, da GMO, sempre pertinente.

- Uma boa lista de livros sobre história das finanças; outra de filmes sobre mercado financeiro.

- Mark Dow defende Hillary Clinton como próxima secretária do tesouro americano.

- Entrevista com Eugene F. Fama.

- Luiz Felipe de Alencastro acha que a reeleição de Obama é uma vitória do keynesianismo (não sei se concordo).

- John Kay sobre o fetiche da manufatura.

- Nassim Taleb e cinco princípios para uma sociedade antifrágil. A Economist resenhou seu novo livro, que sai nos EUA semana que vem.

- Acemoglu, Robinson e Verdier sobre variedades de capitalismo (ou porque não podemos ser todos nórdicos).

- O fundo soberano da Noruega tornou-se o maior do mundo, ultrapassando o de Abu Dhabi.

- A história da participação de mulheres em trabalhos científicos. Economia é dos campos com menos presença feminina.

- O Santa Fe Institute abriu seu primeiro curso online, gratuito.

- Coisas mais novas que Oscar Niemeyer.

- A história do piso de cacos de lajota das casas paulistas.

- Ganhe um Nobel de Física... e uma torneira com cerveja ilimitada.

- Uma entrevista longa, meio velha e muito boa com João Moreira Salles.

- Cartões de visita dos personagens de Star Wars.

13 comentários:

Daniel V. disse...

Paradoxal o paper do BIS vir agora.
"EM local currency government yields have behaved more like safe
haven yields since 2008"

In BZ, not since the paper is out....

Anônimo disse...

Faltou esse na lista de filmes
http://www.youtube.com/watch?v=uI4fVgVVpiw

Jorge Browne disse...

Muito bom o artigo do Skidelsky, achei que ele pegou pesado demais com os tomadores de empréstimos e leve demais com os credores, mas vale a leitura.

Anônimo disse...

Keynesianismo, em 2012, significa o quê?

Pedro disse...

Drunk,
Chegou a ver esse site aqui ?
Tem mt curso bom.

https://www.coursera.org/

Frank disse...

o link do Acemoglu et al tá funcionando ?

Drunkeynesian disse...

Anon, boa pergunta. Suponho que o oposto de austeridade, mas as definições acho que são vagas, mesmo.

Pedro, tinha visto, sim. Muito legal esse site.

Frank, o Vox mudou o link por algum motivo, já atualizei.

Delfim Bisnetto disse...

"Keynesianismo, em 2012, significa o quê?" (Anônimo)

É engraçando que, tirando o título e o resumo, o nome de Keynes só aparece uma vez no final do texto.

Acho que mais do que a vitória do keynesianismo, a reeleição de Obama foi a derroda do anti-keynesianismo radical da direita republicana.

Keynesianismo mesmo é difícil de dizer o que seria, mas acho que vai na linha do contrário da austeridade mesmo. Mas acho que teria mais relação com investimento e empreendedorismo do setor público do que as políticas de auxílio ou subsídio destacadas pelo Alencastro.

A grande dificuldade de um movimento em grande escala nesse sentido atualmente é a enorme proporção adquirida pelos usos das dívidas públicas no mercado financeiro, o que torna a (aparência de) sustentabilidade daquelas dívidas um requisito fundamental para o funcionamento desses mercados. Nenhum governo tem condições de chutar (ainda mais) o balde fiscal sem causar consequências talvez piores no financiamento da economia do que os possíveis benefícios da política.

Por incrível que pareça, o colapso financeiro de 1929 talvez tenha sido uma condição para o keynesianismo dos anos 1930...

Frank disse...

Fama sobre Behavioral Finance:

"In Daniel Kahneman’s book Thinking, Fast and Slow,8 he states that our brains have two sides: One is rational, and one is impulsive and irrational. What behavior can’t be explained by that model?"

reduziu o Kahneman a cinzas, não ?

Anônimo disse...

Keynesianismo hoje é o contrário da austeridade mesmo. Ele pesa favoravelmente ao emprego/crescimento, considera secundário outros riscos, principalmente para o capital, e num limite para a economia em geral. Consideram como riscos menores, ou que valem a pena ser corridos, se endividar mais mesmo com o endividamento já elevado, supondo que país emissor de moeda não terá problema de financiar sua dívida e que a inflação tem que subir um pouco e, novamente, o risco de descontrole inflacionário é pequeno ou mesmo vale a pena ser corrido. O time contra é o cara que acha que excesso se combate com falta, que os ciclos tem sua função e que fazer menos é a mais garantido que experimentalismos fiduciários.
Dantas

Igor T. disse...

Existe algum país que realmente pratique a tal austeridade? Por enquanto, me parece só um bicho-papão que ainda não saiu do armário. O máximo que soube foi de países desacelerarem o endividamento. Austeridade, mesmo, eu não sei de país importante algum que a esteja praticando a serio. Por incrível que pareça, talvez o único país "austero" hoje seja a Grécia, mas porque não tem a menor capacidade de pegar emprestado, e não porque os políticos gregos não adorariam pegar mais e mais euros. Alguém tem uma informação mais detalhada sobre isso?

Um caso misto, talvez seja a Islândia, que não fez bail-out, mas estatizou os bancos (fez sentido contratualmente, já que o garantidor era o Estado - quando você quebra um empreendimento e não paga o que deve, sempre tem alguém que fica com os seus bens). Cortou gastos, mas desvalorizou a coroa islandesa, relativizando um pouco o impacto desses cortes. Saiu da crise e aceitando o desemprego em alta inicialmente, mas parece que este vem caindo. Na minha opinião, é o modelo mais próximo de austeridade e paciência. Acho que bail-out deve ser para as pessoas na sociedade como um todo, que não tem nada a ver com a irresponsabilidade das firmas, e só. Bem, o Krugman diz que não é austeridade, muito ao contrário, mas a dívida abissal dos EUA é, até porque, para ele, ainda é pouco - o que me fez parar de acompanhar a cruzada economico-ideológica dele.

Drunkeynesian disse...

É um critério meio tosco, mas acho que vale pra começar a discutir - da lista de indicadores que a The Economist publica toda semana, os únicos que tem superávit fiscal são: Noruega(15% do PIB!!!), Hong Kong, Cingapura, Coreia, Chile e Arábia Saudita. Fora esses, acho que de fato a periferia da Europa está sendo forçada a fazer o ajuste, mas, como você disse, não por opção.

A Islândia escolheu não socializar a dívida dos bancos, implodir a economia e começar de novo, o que acho bastante correto moralmente, só não sei se funcionaria se todo mundo com o mesmo tipo de problema resolvesse fazer isso. Os EUA, a essa altura, parecem estar confiando que juros reais negativos por muito tempo vão aliviar o problema da dívida.

Igor T. disse...

Sem sombra de dúvida, Drunk., ser um país/ilha pequeno é um fator de peso nessa história. É praticamente um município - dá duas Copacabanas em população. Acho que isso também foi um fator de robustez para a recuperação da Islândia, pois fica mais fácil arrumar a bagunça em casa - os julgamentos que ocorreram lá me parecem uma indicação clara disso.

Engraçado que, dos países que você citou, apenas a Noruega é européia. E, entre os europeus, a Noruega é o único exportador de petróleo (como a Arábia Saudita, que você mencionou na lista). Hong Kong, Singapura, Coreia e Chile são também países pequenos, próximos ao mar, como a Islândia.

Não sei se o Taleb aprovaria, mas dá para identificar aí alguns padrões de "antifragilidade". E, pelo visto, commodities energéticas vão ser a boa pros anos que virão - o negócio é escolher a empresa certa.