Dilbert de hoje.
terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Anatomia das crises financeiras
Acabou de sair, pelo NBER, um novo paper muito interessante de Carmen M. Reinhart, coautora do já clássico This Time Is Different. Ela monta uma sequência de eventos que antecederam grandes crises financeiras na história, tentando descobrir o que seria uma crise típica. Para os interessados no assunto, recomendo a leitura integral (apenas 36 páginas, com figuras). Os mais preguiçosos objetivos podem seguir abaixo:
1. As crises têm indicadores quantitativos antecedentes, a saber (tradução capenga minha):
- Grandes fluxos de entrada de capital
- Altas pronunciadas nos preços de ações
- Altas pronunciadas nos preços de imóveis
- Trajetória de crescimento em forma de "V" invertido
- Alta significativa no endividamento
2. Alguns fatores são listados como "amplificadores" da crise - aumentando tanto o tamanho do "boom" quanto da recessão subsequente:
- Políticas macroeconômicas procíclicas
- Dívidas ocultas (com garantias implícitas)
- Moeda supervalorizada
- Regulação pobre
- Supervisão ainda pior
- Fraudes
- Agências de classificação de risco "míopes"
[Sim, talvez seja hora de se preocupar com o Brasil, que marca (ou marcará, em breve) pontos em quase todos os quesitos listados.]
3. Uma vez iniciada, a crise tem a seguinte sequência de eventos (clique para aumentar):
4. O custo das crises bancárias para os respectivos tesouros nacionais é imenso - em média, o estoque real da dívida pública cresce 86% durante os três anos que seguem a crise:
5. O estoque de dívida é reduzido por algum dos seguintes canais (ou uma combinação entre alguns deles):
- Crescimento econômico
- Ajuste fiscal / plano de austeridade
- Calote ou reestruturação da dívida
- Aumento inesperado na inflação
- Dose constante de repressão financeira e inflação (mesmo que dentro do esperado)
Para os países desenvolvidos, com grandes estoques de dívida, o último canal parece ser a escolha menos disruptiva e mais amplamente adotada. Essa deve ser uma tendência para o futuro, junto com reversão na globalização dos mercados financeiros e aumento na regulação dos mercados domésticos. Previsão de economista, vale o que vale... mas melhor, creio, baseada no que já aconteceu do que em algum modelo de extrapolação. Vejamos quão diferente vai ser desta vez.
1. As crises têm indicadores quantitativos antecedentes, a saber (tradução capenga minha):
- Grandes fluxos de entrada de capital
- Altas pronunciadas nos preços de ações
- Altas pronunciadas nos preços de imóveis
- Trajetória de crescimento em forma de "V" invertido
- Alta significativa no endividamento
2. Alguns fatores são listados como "amplificadores" da crise - aumentando tanto o tamanho do "boom" quanto da recessão subsequente:
- Políticas macroeconômicas procíclicas
- Dívidas ocultas (com garantias implícitas)
- Moeda supervalorizada
- Regulação pobre
- Supervisão ainda pior
- Fraudes
- Agências de classificação de risco "míopes"
[Sim, talvez seja hora de se preocupar com o Brasil, que marca (ou marcará, em breve) pontos em quase todos os quesitos listados.]
3. Uma vez iniciada, a crise tem a seguinte sequência de eventos (clique para aumentar):
4. O custo das crises bancárias para os respectivos tesouros nacionais é imenso - em média, o estoque real da dívida pública cresce 86% durante os três anos que seguem a crise:
5. O estoque de dívida é reduzido por algum dos seguintes canais (ou uma combinação entre alguns deles):
- Crescimento econômico
- Ajuste fiscal / plano de austeridade
- Calote ou reestruturação da dívida
- Aumento inesperado na inflação
- Dose constante de repressão financeira e inflação (mesmo que dentro do esperado)
Para os países desenvolvidos, com grandes estoques de dívida, o último canal parece ser a escolha menos disruptiva e mais amplamente adotada. Essa deve ser uma tendência para o futuro, junto com reversão na globalização dos mercados financeiros e aumento na regulação dos mercados domésticos. Previsão de economista, vale o que vale... mas melhor, creio, baseada no que já aconteceu do que em algum modelo de extrapolação. Vejamos quão diferente vai ser desta vez.
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QE3 - helicóptero esquentando os motores
Pesquisa da Bloomberg com os 21 dealers de títulos do tesouro dos EUA, apenas sete deles não esperam uma nova rodada de afrouxamento quantitativo.
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domingo, 1 de abril de 2012
Apple, a fraude do século
A essa altura, todo mundo já deve saber da grande história deste final de semana: uma investigação da SEC e do FBI mostrou que a Apple, vem, há mais de dois anos e com consentimento do governo chinês, inflando os números de produção e venda de seus produtos. O número de iPads vendidos, por exemplo, provou-se menor que 10 milhões, contra os 30 milhões divulgados pela companhia. A expectativa para a abertura do mercado amanhã é enorme, com muitos analistas antecipando uma "segunda-feira negra", com o Nasdaq (da qual a Apple tem cerca de 12% de peso) caindo entre 5% e 10%. Fora os efeitos diretos no mercado de ações, teme-se que o problema diplomático gerado cause uma grande disrupção no comércio mundial com a China. Pode ser a "tempestade perfeita" que muitos analistas esperavam (evidentemente sem prever o evento) e que acabará levando o mundo de volta a uma grande recessão.
É sintomático dos nossos tempos que a companhia arquetípica deste século e da recuperação do mercado americano tenha se mostrado, em tão pouco tempo, uma fraude. Paradoxalmente, nunca tanta informação esteve disponível ao alcance de tanta gente, e nunca se acreditou em tantas mentiras, desde que bem embaladas em uma narrativa mais ou menos plausível. Que usemos essa história para uma profunda reflexão sobre em quê acreditar, e com qual grau de certeza.
Mais aqui (Inglês) e aqui (Português).
É sintomático dos nossos tempos que a companhia arquetípica deste século e da recuperação do mercado americano tenha se mostrado, em tão pouco tempo, uma fraude. Paradoxalmente, nunca tanta informação esteve disponível ao alcance de tanta gente, e nunca se acreditou em tantas mentiras, desde que bem embaladas em uma narrativa mais ou menos plausível. Que usemos essa história para uma profunda reflexão sobre em quê acreditar, e com qual grau de certeza.
Mais aqui (Inglês) e aqui (Português).
sexta-feira, 30 de março de 2012
Foto do Dia - Preços Relativos
Ontem, em Gelsenkirchen, jogaram o local Schalke 04 e o Athletic Bilbao, primeira perna das quartas-de-final da Liga Europa. O jogo de volta é semana que vem, em Bilbao, e a torcida do Schalke protestou contra os preços das entradas:
90 euros são mais ou menos R$ 220, ao câmbio de hoje. Para os jogos do Corinthians na primeira fase da Libertadores deste ano foram vendidos ingressos entre R$ 50 ("bilhete popular", para arquibancada e tobogã do Pacaembu) e R$ 500, sendo que o segundo setor mais barato já custava R$ 200. Escolha sua explicação:
1. A torcida do Corinthians é mais rica que a do Schalke. Ou, refinando: o Corinthians consegue ter parte da torcida com renda alta o bastante para encher o estádio mesmo a esses preços - seja porque de fato são mais ricos (e o ingresso compromete menos renda que para os alemães) ou porque estão dispostos a pagar mais por esse tipo de entretenimento.
2. Nem todo mundo paga o preço cheio do ingresso, seja por algum "esquema" ou porque as torcidas organizadas e o clube subsidiam parte do público.
3. O "homem cordial brasileiro" não reclama de preços que soariam como abusivos em outros lugares.
4. O real está supervalorizado e tudo vai se ajustar quando voltar à razão 3:1 contra o euro.
5. O escriba é uma besta e não está levando em conta que o cara que vai pagar 90 euros no ingresso ainda tem que somar todo o prejuízo de despencar 1500km de Gelsenkirchen até Bilbao.
Explicações mais criativas são benvindas nos comentários.
90 euros são mais ou menos R$ 220, ao câmbio de hoje. Para os jogos do Corinthians na primeira fase da Libertadores deste ano foram vendidos ingressos entre R$ 50 ("bilhete popular", para arquibancada e tobogã do Pacaembu) e R$ 500, sendo que o segundo setor mais barato já custava R$ 200. Escolha sua explicação:
1. A torcida do Corinthians é mais rica que a do Schalke. Ou, refinando: o Corinthians consegue ter parte da torcida com renda alta o bastante para encher o estádio mesmo a esses preços - seja porque de fato são mais ricos (e o ingresso compromete menos renda que para os alemães) ou porque estão dispostos a pagar mais por esse tipo de entretenimento.
2. Nem todo mundo paga o preço cheio do ingresso, seja por algum "esquema" ou porque as torcidas organizadas e o clube subsidiam parte do público.
3. O "homem cordial brasileiro" não reclama de preços que soariam como abusivos em outros lugares.
4. O real está supervalorizado e tudo vai se ajustar quando voltar à razão 3:1 contra o euro.
5. O escriba é uma besta e não está levando em conta que o cara que vai pagar 90 euros no ingresso ainda tem que somar todo o prejuízo de despencar 1500km de Gelsenkirchen até Bilbao.
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quinta-feira, 29 de março de 2012
Leituras dos últimos dias
- Um passeio pelo escritório de Warren Buffett, em Omaha.
- Repressão financeira, passado e futuro.
- Um bom estudo do FT sobre o comportamento das moedas de países emergentes - China e Brasil lideram as valorizações.
- Como prevenir futuras crises, artigo novo de Nassim Taleb (em coautoria com George A. Martin, da Alternative Investment Analytics).
- Uma nova pesquisa da Colliers sobre preços de aluguel de escritórios. Rio é mais caro que City of London, Genebra, Cingapura...
- Lisístrata pós-moderna: prostitutas espanholas organizaram um boicote a funcionários de bancos.
- O mercado de cervejas artesanais nos EUA não tomou conhecimento da crise.
- Spiegel sobre a degradação de Atenas.
- A Argentina segue atacando os grandes culpados pela fuga de dólares do país, e resolveu dificultar a importação de livros (FT e Folha).
- Os espetaculares lucros do banco do grupo JBS.
- Entrevista (em Português) com James Robinson, coautor de Why Nations Fail (dica Leonardo Monasterio).
- A New Yorker mandou um enviado a Davos, que conta o que acontece por dentro do Fórum Econômico Mundial.
- Uma evidência de que a internet (ainda?) não corrigiu desigualdades.
- Gráfico interessante que a The Economist roubou do Banco Mundial, mostrando que apenas 13 países (de 101) conseguiram, desde 1960, sair da "middle income trap": Grécia, Coréia do Sul, Guiné Equatorial, Maurício, Taiwan, Portugal, Hong Kong, Cingapura, Espanha, Irlanda, Japão, Portugal e Espanha. A questão, pelo menos para os PIGS, é se haverá volta para a renda média.
- Um economista do Colorado College alega ter um modelo que prevê com mais de 90% de precisão o número de medalhas olímpicas de cada país - e diz que o Brasil, potência olímpica do futuro, leva as mesmas três medalhas de ouro de 2008.
- O escritor Teju Cole usa o gancho do vídeo Kony 2012 para dissertar sobre a África e o tratamento dado pelos EUA ao continente.
- Excelente matéria da CNN sobre a Mauritânia, onde pelo menos 10% da população ainda vive na escravidão.
- Os indicados deste ano para o Orwell Prize.
- A temperatura ideal para se usar uma banana para bater um prego.
- Repressão financeira, passado e futuro.
- Um bom estudo do FT sobre o comportamento das moedas de países emergentes - China e Brasil lideram as valorizações.
- Como prevenir futuras crises, artigo novo de Nassim Taleb (em coautoria com George A. Martin, da Alternative Investment Analytics).
- Uma nova pesquisa da Colliers sobre preços de aluguel de escritórios. Rio é mais caro que City of London, Genebra, Cingapura...
- Lisístrata pós-moderna: prostitutas espanholas organizaram um boicote a funcionários de bancos.
- O mercado de cervejas artesanais nos EUA não tomou conhecimento da crise.
- Spiegel sobre a degradação de Atenas.
- A Argentina segue atacando os grandes culpados pela fuga de dólares do país, e resolveu dificultar a importação de livros (FT e Folha).
- Os espetaculares lucros do banco do grupo JBS.
- Entrevista (em Português) com James Robinson, coautor de Why Nations Fail (dica Leonardo Monasterio).
- A New Yorker mandou um enviado a Davos, que conta o que acontece por dentro do Fórum Econômico Mundial.
- Uma evidência de que a internet (ainda?) não corrigiu desigualdades.
- Gráfico interessante que a The Economist roubou do Banco Mundial, mostrando que apenas 13 países (de 101) conseguiram, desde 1960, sair da "middle income trap": Grécia, Coréia do Sul, Guiné Equatorial, Maurício, Taiwan, Portugal, Hong Kong, Cingapura, Espanha, Irlanda, Japão, Portugal e Espanha. A questão, pelo menos para os PIGS, é se haverá volta para a renda média.
- Um economista do Colorado College alega ter um modelo que prevê com mais de 90% de precisão o número de medalhas olímpicas de cada país - e diz que o Brasil, potência olímpica do futuro, leva as mesmas três medalhas de ouro de 2008.
- O escritor Teju Cole usa o gancho do vídeo Kony 2012 para dissertar sobre a África e o tratamento dado pelos EUA ao continente.
- Excelente matéria da CNN sobre a Mauritânia, onde pelo menos 10% da população ainda vive na escravidão.
- Os indicados deste ano para o Orwell Prize.
- A temperatura ideal para se usar uma banana para bater um prego.
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quarta-feira, 28 de março de 2012
Gráfico do dia - vinho no Brasil
A ridícula proposta de aumento do imposto sobre a importação de vinhos foi parar na capa da Folha de hoje - não basta o vinho importado no Brasil já ser muito caro, nem a indústria nacional ter mais de 3/4 do mercado. Para os interessados no assunto, recomendo a leitura desta carta aberta do Ciro Lilla, dono da melhor importadora de vinhos que temos. Abaixo, a medida de quanto vinho no Brasil é um negócio incipiente.
terça-feira, 27 de março de 2012
A levitação de Bernanke, parte n
Ontem Ben Bernanke falou sobre o mercado de trabalho na conferência anual da National Association for Business Economics, indicando que a criação de empregos ainda está aquém do que o Fed deseja (mais aqui, íntegra do discurso aqui). O mercado entendeu como sinalização de que pode vir uma nova rodada de compra de títulos com dinheiro novo, o famigerado afrouxamento quantitativo, e reagiu de acordo:
O nível de fechamento do S&P500 foi a nova máxima do ano e o mais alto desde maio de 2008. As ações da Apple fizeram nova máxima histórica. A exuberância está por aí, se é racional ou não, veremos em breve.
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| Ouro |
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| EUR/USD |
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| S&P500, futuro |
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Economia em cartazes
O Planet Money começou fazendo seus próprios cartazes minimalistas sobre conceitos econômicos; depois pediu a alguns economistas que rascunhassem outros, que também viraram arte. Meu favorito, por enquanto, é este, bolado pelo Tim Harford:
Commodities agrícolas
Há umas duas semanas fiz um post mostrando como vários preços de mercado voltaram aos níveis onde estavam em 2007. Tinha esquecido desse índice de commodities agrícolas (DBA), que considero especialmente relevante para o Brasil. Seu nível hoje é cerca de 20% menor do que era há um ano, o que, creio, ajudou a conter pressões inflacionárias em países onde alimentação tem peso relevante nos índices de preços. Curioso também ver como a última rodada de afrouxamento de política monetária teve efeito quase nulo nesses preços, o que parece indicação de que o ciclo de aumento de oferta (em função dos preços altos recentes) é o fator dominante na formação de preços.
Os principais componentes do DBA (e seus pesos aproximados) são: soja (15%), açúcar (13%), boi gordo (13%), milho (12%), cacau (10%), café (9%) e carne suína (8%).
Os principais componentes do DBA (e seus pesos aproximados) são: soja (15%), açúcar (13%), boi gordo (13%), milho (12%), cacau (10%), café (9%) e carne suína (8%).
Frases do dia - algo novo no Banco Mundial
“Through a series of specific cases, we have demonstrated how growth – the market-led economic growth sought by governments, the growth in profits celebrated by businesses, and the growth in power and influence of transnational financial and corporate interests – often comes at the expense of the disenfranchised and vulnerable… As the imperatives of growth at any cost increasingly determine economic and social policy and the behavior of global corporations, more people join the ranks of the poor and greater numbers suffer and die.”
Tirado de um livro cujo coautor é o provável futuro presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, indicado como candidato dos EUA para o cargo por Obama. No blog do Instituto de Pesquisas do Desenvolvimento da NYU tem mais.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Som da Sexta - Jorge Ben, 70
Babulina completou 70 ontem, e bem que podia aproveitar a comemoração pra voltar a tocar violão. Grande favorito da casa, desde quase sempre.
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