terça-feira, 30 de junho de 2009

Mais energia "limpa"

Mais um dos grandes investimentos do BNDES:

BNDES é sócio de usina acusada de usar trabalho "escravo"

Via Folha.

Acabou

Imagens como essa aí do lado já fazem parte da história, já que a BM&F decidiu acabar com o pregão viva voz (a Bovespa já tinha feito o mesmo há alguns anos) -- agora todas as negociações serão conduzidas de forma eletrônica. Interessante notar que, enquanto o Brasil já automatizou todas as plataformas de negociação em bolsa, nos Estados Unidos ainda são empregados milhares de operadores de pregão, tanto em Chicago quanto em Nova York.

Mais na Bloomberg.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Arbitragem de caminhões

Ah, e como o Brasil é um país muito sério e correto, NINGUÉM vai tomar o juro do BNDES, comprar caminhões das montadoras, vender com algum desconto para o mercado e aplicar o dinheiro em CDBs, fundos, títulos do Tesouro...

Alguém quer comprar um caminhão?

O governo federal anunciou hoje mais um festival de bondades para alguns setores que têm a sorte de contar com bons lobbies no governo. Foram mantidos os cortes no IPI para automóveis, eletrodomésticos e material de construção. Além disso, na prática, os juros praticados pelo BNDES para seus empréstimos foram cortados em quase 3% ao ano (para 6%), e juros para alguns setores específicos caíram ainda mais. Agora, por exemplo, pode-se financiar a compra de um caminhão a um juro de 4,5% ao ano, por até oito anos -- uma verdadeira moleza, comparando-se aos juros de mercado.

É claro que alguém tem que pagar a conta dos subsídios -- por conta disso, e de rumores que Lula teria apertado aquela grande tecla "F" para o superávit primário no ano que vem, os juros no mercado interbancário estão em forte alta (o juro de dez anos sobe 0,3% e já chega a 12,56% ao ano). Essas taxas são, grosso modo, as que o Tesouro é cobrado para financiar seus déficits, que, entre outras despesas, cobrem o capital do BNDES. E quem paga a conta do Tesouro, no fim das contas, são todos os contribuintes, dos quais uma ínfima parcela consegue tomar dinheiro no BNDES, a qualquer custo.

A injustiça pareceria menor se soubéssemos que o dinheiro está de fato sendo aplicado em setores importantes para o desenvolvimento do país, mas, comos temos visto, os recursos acabam indo parar na mão de usineiros, frigoríficos, montadoras quebradas, e por aí vai... Torço para que a imprensa se esforce também para mostrar esse lado, e não só o da "boa notícia da desoneração".

Argentina, ou como a desgraça gosta de companhia

Algumas notas sobre os nossos vizinhos, mais uma vez se afundando em problemas:

-- James Surowiecki escreve na New Yorker sobre o desaparecimento das moedas em Buenos Aires. Possíveis explicações: companhias de ônibus estão retendo as moedas para depois revenderem com uma margem; uma conspiração do governo federal contra o governo de BUenos Aires; pessoas guardando moedas porque, por conta da inflação, o metal da quais são feitas já vale mais do que o valor de face. Nenhuma é exatamente auspiciosa.

-- A Bloomberg noticia que, pela primeira vez na história, a Argentina pode deixar de exportar trigo.

-- O ex-presidente Néstor Kirchner perdeu por mais de dois pontos percentuais as eleições legislativas em Buenos Aires, o que sinaliza a falta de confiança dos portenhos no governo federal.
Já escrevi aqui sobre a vantagem de se ter vizinhos ricos; infelizmente, cada vez mais o Brasil parece uma ilha de prosperidade numa América do Sul muito confusa.

domingo, 28 de junho de 2009

With a little help from my friends

Está na Veja desta semana: os frigoríficos Marfrig e Bertin pediram uma pequena ajuda ao BNDES para concretizar sua fusão: um empréstimo de R$ 120 milhões, com carência de dois anos e juros anuais de 6%. Não duvido que recebam. Enquanto isso, empresas muito mais competentes, mas sem contatos no governo, se esfolam para financiarem seus projetos a taxas bem menos, digamos, generosas. Assim funciona o capitalismo brasileiro, vergonhoso.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Som da Sexta - duh...

Todos conhecem Michael Jackson, mas nem todos sabem quem é Quincy Jones, que produziu os trabalhos de menos sucesso do Rei do Pop (Off The Wall, Bad e Thriller). Para quem assistiu ao filme Ray, Jones é o jovem trompetista que Ray Charles encontra assim que desembarca em Seattle.

Off the Wall traz esta música, na minha opinião o melhor arranjo entre as músicas de Michael Jackson. Fica aqui a homenagem póstuma para Jackson e a lembrança em vida ao grande maestro Quincy Jones.

(vá lá no Youtube porque não deixaram incorporar o vídeo ao blog)
Michael Jackson - Don't Stop 'Til You Get Enough

Espanha

Izabella Kaminska escreve no blog do Financial Times sobre o tamanho do problema por lá. O euro continua operando perto de 1,41 dólares, perto da máxima do ano. Sigo achando que o dólar deve ser fraco, mas o euro não pode estar muito melhor. O futuro próximo nos dirá.

Goldman responde

"Never believe anything until it has been officially denied."
Claud Cockburn

A Goldman Sachs responde a matéria da Rolling Stone que citei aqui -- via Felix Salmon.

Economia e a difícil conciliação com o mundo real

O caderno de fim de semana do Valor traz uma matéria muito interessante sobre o ensino de economia na universidade. A mais recente polêmica é entre Edward Fullbrook, professor da University of the West of England e o mainstream do ensino de economia, representado pelos livros-texto do professor de Harvard N. Gregory Mankiw, seguidor da tradição didática neoclássica iniciada pela obra Economics (1948), do Nobel Paul Samuelson.

Fullbrook é autor de um manifesto (vale a pena ler) contra o que ele chama de "livros-texto tóxicos", que resumem a economia a modelos matemáticos que muitas vezes guardam pouca relação com a realidade. Ele defende uma economia mais honesta, pluralista e menos "científica" -- para ele, a economia ortodoxa forneceu a base intelectual para a crise financeira e econômica que estamos vivendo, ao supor racionalidade de todos os agentes e deixar todos os problemas de alocação de recursos por conta do mercado. Na matéria do Valor, a defesa da ortodoxia é feita por Simão Silber, que foi meu professor na graduação. Diz ele:

"A ciência tem formas de se comunicar. Esse formato não é o convencional. O formato da ciência tem um profundo formalismo. No blá-blá-blá pode se errar. Mas se você tiver um modelo matemático, não tem erro. O único erro é você estar com o modelo errado. Mas aí você vai para o mundo real, para a prática, e vê se tem uma boa teoria. Esse papo de diálogo é conversa mole pra boi dormir. Isso não é ciência. Você pode colocar como ideologia, como praxis política, não é ciência. Ciência é: me traga um modelo. Se você tem um modelho melhor que o convencional, que explica tudo que está acontecendo no mundo, ótimo. A ciência faz isso. Fez isso com Ptolomeu, com Newton, na medida em que você tem uma teoria superior. Isso é ciência. Não se trata de diálogo."

O problema, claro, é que o mundo real já atropelou diversas vezes supostas boas teorias -- o planejamento econômico centralizado, o mercado eficiente, a racionalidade humana... O impressionante, no caso da economia, é a arrogância dos seus praticantes, que continuam defendendo suas velhas e ultrapassadas visões de forma quase religiosa. Nas Ciências (com "c" maiúsculo), de fato uma teoria serve até ser desmoralizada por outra -- assim foi com o geocentrismo, com a mecânica newtoniana, com o criacionismo, e assim por diante (no caso da economia neoclássica, talvez seja uma questão de tempo, já que as revoluções citadas não foram exatamente bem recebidas inicialmente e levaram um tempo até alcançarem uma certa unanimidade). Na pseudo-ciência econômica, teorias que já se provaram furadas continuam sendo ensinadas e difundidas como se fossem verdades absolutas. O argumento de que não há uma teoria melhor para substituir a corrente não pode ser usado para se continuar propagando idéias sabidamente erradas -- até porque, até agora, tudo indica que não é possível elaborar uma teoria para explicar relações complexas entre os já complexos seres humanos.

Nassim Taleb, talvez o primeiro grande herói intelectual no campo neste século, coloca (no prefácio para o livro Lecturing Birds How to Fly, de Pablo Triana -- também recomendo a leitura integral) o argumento que acho definitivo nessa questão:

"Traditionally charlatans have hidden themselves behind garb, institutions, and language. Now add fancy mathematics. Robert Merton’s book Continuous Time Finance contains 339 mentions of the word theorem (or equivalent). An average physics book of the same length has 25 such mentions. Yet, while economic models, it has been shown, work hardly better than random guesses or the intuition of cab drivers, physics can predict a wide range of phenomena with tenth-of-a-decimal precision."

Como prega o moto deste blog (na coluna da direita), um pouco de humildade para os economistas faria muito bem ao mundo.

Nova joint venture



A operação do mamute russo Gazprom com a NNPC, estatal nigeriana, criou a NIGAZ.

Humor involuntário impagável.

As finanças de Michael Jackson



Enquanto o Balu não escreve o tributo definitivo, aí vão alguns dados das finanças pessoais do Rei do Pop*:

- US$ 14,6 milhões -- o custo do rancho Neverland em 1988

- US$ 30 milhões -- quanto Michael Jackson gastava mais do que ganhava a cada ano

- US$ 47,5 milhões -- quanto ele pagou pela ATV, proprietária do catálogo dos Beatles

- US$ 200 milhões -- um empréstimo que ele tomou, tendo a ATV como garantia, em 2006

Como vemos, disciplina fiscal não era exatamente o forte do ídolo. Nada mais apropriado como símbolo de uma era.

*Números da BBC.

Mais dívidas árabes

"Se você deve a seu banco 100 libras, você tem um problema. Mas se você deve um milhão, ele tem."
John Maynard Keynes

Depois da bolha de Dubai estourar, é a vez da Arábia Saudita começar a expelir os excessos dos últimos anos. A Algosaibi, holding da família real, foi declarada como devedora de um total de cerca de US$ 9 bilhões (2,6% do PIB do país) a mais de 100 bancos. Palmas aos respectivos comitês de crédito.

Mais na Bloomberg.