Em maio do ano passado, o real era a moeda que mais havia se desvalorizado no ano. Este ano, a situação é oposta: o real corrigiu a desvalorização do ano passado e está entre as moedas que mais se fortaleceram em 2013. Por enquanto, aparentemente, ganha a corrente que defende manter o câmbio relativamente apreciado para combater a inflação contra os industrialistas. No campo dos fundamentos, caminhamos para ter o pior saldo em balança comercial desde 2002.
O gráfico abaixo é de variação percentual contra o dólar americano.
quinta-feira, 14 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Etanol no Brasil
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| Clássico da aborrescência |
1. O governo federal incentivou a criação de uma bolha de investimento em etanol em 2007 / 2008, enquanto o preço do petróleo passava de $100/barril e parecia que ia ficar por lá.
2. O governo federal também passou bastante tempo alimentando a ideia de que "país bom é país onde todo mundo anda de carro", dando incentivo para montadoras e concessão de crédito. A frota aumentou rapidamente.
3. Passado um tempo, surpresa, surpresa - o preço do petróleo caiu e fez com que, no relativo, o etanol ficasse muito caro.
4. Mesmo com a recuperação do preço do petróleo, a Petrobras segura o preço da gasolina abaixo do preço internacional. O etanol segue sem competitividade.
5. O consumo de combustível explodiu, o país tem que importar gasolina. Fura a bolha do etanol, usinas quebram ou são vendidas por uma fração do que custaram.
6. O contribuinte acaba tendo que financiar tanto a salvação das usinas quanto o subsídio à gasolina.
7. Dá pra ler de vários jeitos, mas a história toda me parece um exemplo de livro-texto de como tentar passar por cima de um sistema de preços de mercado gera grandes distorções e má alocação de capital.
8. Em resumo, a gasolina precisa subir, e o álcool precisa se viabilizar como alternativa mesmo com a flutuação de preços de mercado ou ser abandonado. Triste para as nossas ambições nacionalistas, porém verdadeiro.
Esse é um resumo bem rasteiro, vale ler a matéria toda.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Os Ginis do Brasil
Fui matar uma curiosidade e montei essa tabela com os índices de Gini dos estados do Brasil (dados daqui e do Banco Mundial). Nosso padrão de desigualdade é espantoso, nada impressionante nos melhores estados e entre os piores do mundo no geral e na maioria das unidades da federação.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Gráfico do Dia - compressão de margens
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Leituras da Semana
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| Helicópteros de dinheiro são para os fracos |
- Uma comparação interessante entre os índices de inflação de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Venezuela e variações de preços na internet. O resultado é o que você imagina. Dica do leitor J.
- Aviões de dinheiro (literais) teriam salvado a Grécia de uma corrida bancária. O euro esteve incrivelmente perto de se esfacelar ano passado.
- Mansueto Almeida duas vezes sobre bancos públicos: aqui e aqui.
- A (falta de) competitividade internacional do Brasil.
- A Argentinofilia de Paul Krugman.
- Moisés Naím sobre Hugo Chávez. Ótimo gráfico comparando a evolução dos termos de troca nos países da América Latina, reforça o tamanho da sorte que acompanhou os mandatos de Chávez. O editorial da última The Economist.
- Os bairros mais caros do Brasil.
- O Índice Starbucks.
- Ótimo guia para ratings de crédito soberano.
- Uma introdução à desigualdade global, por Branko Milanovic.
- Entrevista da Folha com Ricardo Paes de Barros.
- As cidades com quartos de hotel mais caros do mundo.
- Você anda lendo demais o Zero Hedge?
- Uma carta para Marissa Mayer, a CEO do Yahoo! que proibiu os funcionários de trabalharem de casa.
- Entrevista com John Gray.
- Entrevista com Teju Cole, sobre drones e mais.
- Do que fala a literatura brasileira contemporânea.
- Um projeto para ler todos os romances mais vendidos dos últimos 100 anos.
- Uma resenha muito interessante de Django Livre.
- Candidatando-se para a vaga de papa.
- Jacques Derrida entrevistando Ornette Coleman.
- Criei um Tumblr para alimentar (como se precisasse) meu lado diletante.
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Warren Buffett
quinta-feira, 7 de março de 2013
Bovespa contra resto do mundo
Um par de gráficos que fiz para o trabalho, talvez interesse para alguém. Nos últimos 12 anos, só em duas ocasiões a Bovespa ficou tão atrás desses mercados de ações: nas crises de 2002 e 2008. Ambas foram seguidas de fortes reações.
Banco Central do Brasil, o volúvel
Trabalhinho legal do Credit Suisse, mostrando que, na mediana, o Banco Central do Brasil fica apenas três meses com a taxa Selic parada. Os fatos parecem mudar muito rápido por aqui.
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quarta-feira, 6 de março de 2013
A Venezuela antes e depois de Chávez
Vou deixar uma análise qualitativa e política do chavismo para quem estudou mais do que eu - o Flavio Comim conseguiu, muito rapidamente, produzir uma ótima, sucinta e bastante ponderada. Aqui vou me limitar a apresentar e comentar alguns dados, e que o leitor tome-os com os devidos grãos de sal quanto à confiabilidade. Os números de inflação parecem razoáveis (ver esse estudo do Alberto Cavallo); vejo como principal problema as conversões para dólares, já que o câmbio oficial, mesmo após a desvalorização deste ano, é uma peça de ficção.
Todos esses indicadores melhoraram - a crítica aqui pode ser contrafactual (melhoraram apesar de Chávez, não por causa dele) ou no relativo, já que foi um período em que o mundo e o continente melhoraram bastante.
A coisa fica feia aqui (clique para aumentar se as últimas colunas aparecerem cortadas):
Durante toda a era Chávez, o crescimento do PIB da Venezuela foi menor do que o da América Latina e muito menor do que dos produtores de petróleo. O PIB per capita cresceu 27%, contra uma alta de quase 70% para o continente. Como proporção do PIB mundial, a economia do país ficou estagnada. A dívida pública bruta aumentou (assim como as reservas internacionais), a inflação caiu (mas ainda ficou alta demais para o padrão do resto do mundo) e as exportações de petróleo aumentaram cinco vezes (aumento médio dos outros produtores: nove vezes). No período, o preço do barril de petróleo aumentou 7,5 vezes.
Por essa ótica, o fracasso da era Chávez é enorme, desperdício de uma janela de oportunidade que não deve ocorrer outra vez nesta geração (já tinha chegado nessa mesma conclusão, olhando outros dados, aqui). E se partirmos da (boa, acho) premissa que o maior indutor de desenvolvimento é o crescimento, ganha mutia força a crítica contrafactual dos indicadores da tabela anterior melhoraram, mas poderiam ter sido muito melhores. Que a Venezuela encontre seu rumo no futuro, longe do populismo, do militarismo e da retórica bocó de não-alinhamento.
Alguns dados roubados de outras fontes:
(de um post do Leonardo Monasterio)
(de um post do Lucas Llach)
(do Guardian, com typo e tudo)
(do Valor Econômico de hoje - clique para aumentar)
P.S. Como melhorou o acesso a essas bases de dados dos multilaterais desde que eu comecei a usá-los (2001)... Acho que devemos agradecer o Hans Rosling pela briga para liberar informações coletadas com dinheiro público.
P.P.S. Dica de leitura sobre a Venezuela: essa reportagem recente de Jon Lee Anderson na New Yorker.
Todos esses indicadores melhoraram - a crítica aqui pode ser contrafactual (melhoraram apesar de Chávez, não por causa dele) ou no relativo, já que foi um período em que o mundo e o continente melhoraram bastante.
A coisa fica feia aqui (clique para aumentar se as últimas colunas aparecerem cortadas):
Por essa ótica, o fracasso da era Chávez é enorme, desperdício de uma janela de oportunidade que não deve ocorrer outra vez nesta geração (já tinha chegado nessa mesma conclusão, olhando outros dados, aqui). E se partirmos da (boa, acho) premissa que o maior indutor de desenvolvimento é o crescimento, ganha mutia força a crítica contrafactual dos indicadores da tabela anterior melhoraram, mas poderiam ter sido muito melhores. Que a Venezuela encontre seu rumo no futuro, longe do populismo, do militarismo e da retórica bocó de não-alinhamento.
Alguns dados roubados de outras fontes:
(de um post do Leonardo Monasterio)
(de um post do Lucas Llach)
(do Guardian, com typo e tudo)
(do Valor Econômico de hoje - clique para aumentar)
P.S. Como melhorou o acesso a essas bases de dados dos multilaterais desde que eu comecei a usá-los (2001)... Acho que devemos agradecer o Hans Rosling pela briga para liberar informações coletadas com dinheiro público.
P.P.S. Dica de leitura sobre a Venezuela: essa reportagem recente de Jon Lee Anderson na New Yorker.
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terça-feira, 5 de março de 2013
A maçã que caiu
O gráfico abaixo é do preço das ações da Apple - chegaram a quase $700 em setembro do ano passado e agora operam a $420 - queda de quase 40%. No topo, muita gente respeitada dizia que a companhia seria a primeira a atingir $1 trilhão em valor de mercado e que a $700 as ações ainda eram baratas. How the mighty have fallen.
A queda da Apple serve como exemplo de várias heurísticas conhecidas no mercado, como:
- As regras #1, 2, 3, 4, 5 6, 9 e 10 do lendário estrategista Bob Farrell - um espetacular exagero foi corrigido com uma queda não menos espetacular.
- Nenhuma empresa passou muito tempo com valor de mercado acima de $500 bilhões (mais aqui).
- A enorme dificuldade em lucrar tentando vender uma bolha ou movimento parabólico. A primeira perna parabólica da Apple no ano passado parecia ter terminado em abril, mas as ações ainda subiram mais 10% até o novo pico. Pior ainda, quem tentou vender quando a empresa passou a valer $500 bilhões viu as ações subirem mais 32% até o início da queda. Conseguiu lucrar quem teve pouca preocupação com o mercado ou montou uma estrutura com opções fora do dinheiro. Até agora não apareceu nenhum gestor de fundos que ficou multimilionário com o movimento.
Da minha parte, pelo terceiro ano consecutivo coloquei a queda da Apple entre as minhas previsões do início do ano. Como dizem, mesmo um relógio quebrado acerta o horário duas vezes ao dia, e esta foi minha vez de acertar. Agora, porém, passei a achar o movimento exagerado, e imagino que uma correção está por vir (o Mark Dow concorda comigo). Hora de recolher as fichas (melhor seria se eu tivesse seguido a tal previsão na vida real).
Outro fato que merece nota é como o índice Nasdaq conseguiu descolar, a partir de novembro do ano passado, da queda da Apple, mesmo com esta representando cerca de 12% do índice e tendo liderado toda a alta de 2012. Nesse período, as ações da Google subiram 24%. O setor de tecnologia continua quente.
A queda da Apple serve como exemplo de várias heurísticas conhecidas no mercado, como:
- As regras #1, 2, 3, 4, 5 6, 9 e 10 do lendário estrategista Bob Farrell - um espetacular exagero foi corrigido com uma queda não menos espetacular.
- Nenhuma empresa passou muito tempo com valor de mercado acima de $500 bilhões (mais aqui).
- A enorme dificuldade em lucrar tentando vender uma bolha ou movimento parabólico. A primeira perna parabólica da Apple no ano passado parecia ter terminado em abril, mas as ações ainda subiram mais 10% até o novo pico. Pior ainda, quem tentou vender quando a empresa passou a valer $500 bilhões viu as ações subirem mais 32% até o início da queda. Conseguiu lucrar quem teve pouca preocupação com o mercado ou montou uma estrutura com opções fora do dinheiro. Até agora não apareceu nenhum gestor de fundos que ficou multimilionário com o movimento.
Da minha parte, pelo terceiro ano consecutivo coloquei a queda da Apple entre as minhas previsões do início do ano. Como dizem, mesmo um relógio quebrado acerta o horário duas vezes ao dia, e esta foi minha vez de acertar. Agora, porém, passei a achar o movimento exagerado, e imagino que uma correção está por vir (o Mark Dow concorda comigo). Hora de recolher as fichas (melhor seria se eu tivesse seguido a tal previsão na vida real).
Outro fato que merece nota é como o índice Nasdaq conseguiu descolar, a partir de novembro do ano passado, da queda da Apple, mesmo com esta representando cerca de 12% do índice e tendo liderado toda a alta de 2012. Nesse período, as ações da Google subiram 24%. O setor de tecnologia continua quente.
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segunda-feira, 4 de março de 2013
Qual classe média?
Terminei no fim de semana The Haves and the Have-Nots: A Brief and Idiosyncratic History of Global Inequality, do economista do Banco Mundial Branko Milanovic. O livro é uma ótima introdução não-técnica (quer dizer, até onde consegue ser para adentrar o tema) sobre os vários jeitos de medir desigualdade, temperado com pequenas vinhetas sobre casos específicos.
Uma delas (3.2) pergunta e se propõe-se a responder se há uma classe média global. Nos cálculos do autor, a classe média global (por um critério que considera como classe média famílias que têm renda a até 25% da renda mediana) abrange 850 milhões de pessoas, com renda média diária entre $2,5 e $4 por dia (já ajustados por poder de compra). A reflexão final desse ensaio merece ser compartilhada, sobretudo num país que tem celebrado uma "nova classe média" com renda per capita entre R$291 e R$1.019 por mês (o critério brasileiro é diferente e mais opaco):
Uma delas (3.2) pergunta e se propõe-se a responder se há uma classe média global. Nos cálculos do autor, a classe média global (por um critério que considera como classe média famílias que têm renda a até 25% da renda mediana) abrange 850 milhões de pessoas, com renda média diária entre $2,5 e $4 por dia (já ajustados por poder de compra). A reflexão final desse ensaio merece ser compartilhada, sobretudo num país que tem celebrado uma "nova classe média" com renda per capita entre R$291 e R$1.019 por mês (o critério brasileiro é diferente e mais opaco):
Due to the technological revolution (there were no cell phones ten years ago) and the decline in relative prices, consumer goods are now available to a lot of people. Far be it from me to deny their value and importance, but a cell phone does not a middle class make. If one lives in a shack, in insalubrious conditions, with a volatile income that is barely above subsistence, and is unable to send his kids to school or offer to his family decent health care, it makes no sense to classify him as part of some imaginary "global middle class" because he can dial a cell phone.
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Gráficos do Dia - balança comercial no Brasil
Cortesia do ItaúBBA, mostrando a deterioração recente da balança comercial brasileira. Parte relevante pode ser atribuída ao aumento da importação de combustíveis (mais aqui).
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sexta-feira, 1 de março de 2013
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