quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Top 10 filmes dos anos 00

Toda lista desse tipo não tem como não ser estritamente pessoal e sujeita a idiossincrasias que muitas vezes passam longe de qualquer argumento técnico, histórico, artístico, etc... Eu entendo muito pouco desses aspectos. Sou apenas uma pessoa que assiste a muitos filmes. Sendo assim, consegui separar mais de 40 títulos que me agradaram bastante. Para chegar ao Top 10, resolvi separar os filmes que mais me tocaram, na maioria dos casos os que têm personagens nos quais identifiquei o meu passado ou como gostaria que fosse / imagino que será o meu futuro. Gosto quando o cinema fornece algo a mais que cento e poucos minutos de diversão, embora, claro, diversão de qualidade tenha muito valor. Aí vai; divirtam-se, critiquem e, sobretudo, façam suas próprias listas. Certamente será uma lição de autoconhecimento.




Top 10 (feito a muito custo, que pode mudar a qualquer minuto, e a ordem entre o Top 3 e dele para baixo é quase aleatória):




1. Match Point (Woody Allen, 2005)

Woody Allen dirigiu exatamente dez longas durante a década (teria tido uma regularidade ainda mais impressionante se não tivesse passado em branco por 2004 e compensado lançando dois títulos em 2005). Uma sequência fraca (para padrões Woody Allen, claro) nos primeiros cinco anos foi interrompida por este filme, o melhor dos anos 00 e um dos melhores da carreira de Allen. Match Point volta aos temas de culpa e moralidade do genial Crimes e Pecados (1989), constrói uma versão século XXI para a obra prima de Dostoiévski Crime e Castigo e introduz a visão do diretor, cínica e realista, sobre o papel da sorte na vida. Nas mãos de alguém menos hábil, tal combinação poderia resultar em um filme árido e sonolento; nas mãos do mestre, virou uma história de suspense, temperada com bom humor e Scarlett Johansson.



2. Antes do Pôr do Sol (Before Sunset, Richard Linklater, 2004)

Eu imagino qual teria sido o impacto desse filme em mim se eu tivesse a mesma idade dos protagonistas – algo como vinte e poucos anos em 1995, quando foi lançado o primeiro filme (Antes do Amanhecer) e mais perto dos 30 em 2004. De qualquer maneira, como só fui ver os dois em uma idade intermediária, me identifiquei com as duas situações. O passado, romântico e bastante ingênuo; e o futuro breve, mais difícil, mas não menos fascinante. Talvez por este filme ter tido participação dos dois atores principais (Ethan Hawke e Julie Delpy) no roteiro, ele às vezes parece um documentário, mas não deixa de alimentar um pouco do ideal romântico de Antes do Amanhecer.

Ah, e a cena final, com Julie Delpy imitando os trejeitos de Nina Simone no palco, contem toda a sensualidade que todas as cenas que a Megan Fox já gravou com roupas mínimas nunca terão.

3. As Invasões Bárbaras (Les Invasions Barbares, Denys Arcand, 2003)

Denys Arcand traz de volta os mesmos personagens de O Declínio do Império Americano (1986): intelectuais da parte francófona do Canadá, inteligentes, céticos, beberrões, sarcásticos e meio tarados. As Invasões Bárbaras é sobre a despedida de um deles, Rémy, da vida, e traz uma reflexão honesta e realista sobre família, amigos e a morte.






4. Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights, Wong Kar Wai, 2007)

Fui assistir a esse filme esperando absolutamente nada, já que tinha achado muito chato o único filme (In the Mood for Love, não lembro como ficou o título em Português) que havia visto do diretor. Dada a posição dele na lista, não preciso falar quão boa foi a surpresa ao terminar a sessão. As histórias dos personagens de Norah Jones (grata surpresa como atriz), Jude Law, David Strathairn, Rachel Weisz (não dá para entender como ela ganhou o Oscar por O Jardineiro Fiel e não por este papel) e Natalie Portman são envolventes e profunamente humanas. E a música (The Story) composta por Norah Jones para a trilha é das coisas mais sensuais que já foram gravadas. Aliás, a trilha toda (Cat Power, Cassandra Wilson, Otis Redding, Ruth Brown) é tão boa quanto o filme.

5. Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)

Cidade de Deus deve ser quase uma unanimidade nessas listas de Top 10 da década. Há muito tempo um filme brasileiro não era tão reconhecido, e hoje é uma influência visível para histórias filmadas sobre países subdesenvolvidos (vide Quem Quer Ser um Milionário?, talvez o filme mais superestimado da década).








6. Antiherói Americano (American Splendor, Shary Springer Berman / Robert Pulcini, 2003)

Antiherói Americano mistura cinema, quadrinhos e documentário para contar a história de Harvey Pekar, um americano ranzinza, funcionário público e viciado em jazz. Esse vício levou-o a conhecer o grande desenhista Robert Crumb, e a amizade dos dois transformou-se numa parceria onde Pekar contava seus “causos” e pensamentos e Crumb transformava-os em histórias em quadrinhos. Brilhante interpretação de Paul Giamatti, e uma cena comovente usando a interpretação de John Coltrane para My Favorite Things como trilha sonora.


7. Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, Quentin Tarantino, 2009)

“Tarantino é doente”, foi o consenso que eu e os amigos cinéfilos conseguimos chegar após ver Bastardos Inglórios. Felizmente sua doença é canalizada para filmes brilhantes e delirantes como este, o melhor desde Pulp Fiction. E se há alguma justiça no Oscar, Christoph Waltz sai da premiação do ano que vem com uma estatueta pelo papel do coronel poliglota Hans Landa.




8. O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, David Fincher, 2008)

A idéia do conto de F.S. Fitzgerald é tão boa que é de se estranhar que tenha levado tanto tempo para ser adaptada para o cinema. Felizmente a espera foi recompensada, e ganhamos um ótimo filme de um dos diretores mais interessantes da atualidade. Infelizmente, o filme teve que concorrer com a febre Quem Quer Ser um Milionário?, e não levou nada no Oscar. Acho as cenas em que Brad Pitt e Tilda Swinton contracenam, no segmento em que Button está em Murmansk, uma aula sobre como mulheres gostam, sobretudo, de serem ouvidas.




9. Os Sonhadores (The Dreamers, Bernardo Bertolucci, 2003)

Valeria só pelas cenas com a Eva Green, mas, como mulher pelada não é o critério da lista, esse filme é um dos motivos que me fazem ter vontade de ter vivido os anos 1960. Ou melhor, ser um estudante americano morando em Paris em 1968 e tendo um caso com a Eva Green.








10. Closer - Perto Demais (Closer, Mike Nichols, 2004)

Closer é o contraponto à esperança de Antes do Amanhecer, e condensa, embora de forma menos bem humorada, o pensamento de Woody Allen sobre relacionamentos no final de Annie Hall: "I thought of that old joke, y'know, the, this... this guy goes to a psychiatrist and says, "Doc, uh, my brother's crazy; he thinks he's a chicken." And, uh, the doctor says, "Well, why don't you turn him in?" The guy says, "I would, but I need the eggs." Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships; y'know, they're totally irrational, and crazy, and absurd, and... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us... need the eggs”

Filmes que poderiam, a qualquer minuto, entrar para o Top 10:

- Up - Altas Aventuras (Up, Peter Docter / Bob Peterson, 2009)
- Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)
- Tropa de Elite (José Padilha, 2007)
- Superbad (Greg Mottola, 2007)
- Juno (Jason Reitman, 2007)
- Na Natureza Selvagem (Into the Wild, Sean Penn, 2007)
- WALL-E (Andrew Stanto, 2008)
- Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, Clint Eastwood, 2003)
- Amantes (Two Lovers, James Gray, 2008)
- Kill Bill (Quentin Tarantino, 2003/2004)

Filmes que entraram na primeira lista que fiz para filtrar os escolhidos acima:

- Réquiem Para um Sonho (Requiem for a Dream, Darren Aronofsky, 2000)
- Oldboy (Chan-wook Park, 2003)
- Senhor das Armas (Lord of War, Andrew Niccol, 2005)
- Soldado Anônimo (Jarhead, Sam Mendes, 2005)
- Syriana (Stephen Gaghan, 2005)
- Os Inflitrados (The Departed, Martin Scorsese, 2006)
- Babel (Alejandro González Iñárritu, 2006)
- Borat (Larry Charles, 2006)
- Shrek (Andrew Adamson / Vicky Jenson, 2001)
- Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen, 2008)
- O Pianista (The Pianist, Roman Polanski, 2002)
- Quase Famosos (Almost Famous, Cameron Crowe, 2000)
- Alta Fidelidade (High Fidelity, Stephen Frears, 2000)
- Volver (Pedro Almodóvar, 2006)
- Fale Com Ela (Hable Con Ella, Pedro Almodóvar, 2002)
- Sideways (Alexander Payne, 2004)
- A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale, Noah Baumbach, 2005)
- Desejo e Reparação (Se, jie, Ang Lee, 2007)
- Do Outro Lado (Auf der Anderen Seite, Fatih Akin, 2007)
- Batman Begins e Batman: O Cavaleiro das Trevas (Batman Begins / The Dark Knight, Christopher Nolan, 2005 / 2008)
- Quando Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburger, 2006)
- A Viagem de Chihiro (Sem to Chihiro no kamikakushi, Hayao Miyazaki, 2001)
- Um Táxi para a Escuridão (Taxi to the Dark Side, Alex Gibney, 2007)
- Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr., David Lynch, 2001)
- Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, Sam Mendes, 2008)
- Mais Estranho que a Ficção (Stranger Than Fiction, Marc Forster, 2006)
- C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y., Jean-Marc Vallée, 2005)

Filmes que iam entrar na lista, mas depois fui ver que são de 1999:

- Magnolia (Paul Thomas Anderson)
- O Clube da Luta (Fight Club, David Fincher)
- Beleza Americana (American Beauty, Sam Mendes)
As listas do Ronalt e da galera estão aqui.

5 comentários:

Anônimo disse...

Nao gostou de "Crash"?

Ricardo Medeiros dos Santos disse...

Mandou bem!

Acho que trocaria 1 ou 2 apenas!

Abs
Panazelia

Drunkeynesian disse...

Gostei de "Crash", sim... mas acho que bem menos que a opinião média. Engraçado que esse filme estreou no Brasil em poucas salas, ficou em cartaz algumas semanas, saiu e só foi lembrado novamente depois que ganhou o Oscar...

Anônimo disse...

falando em listas, esse eh boa:
http://listas.20minutos.es/?do=show&id=159307

ART PERCEPTIONS disse...

Bela compilação, só trocaria o Estranho Caso de Benjamin Button (Forrest Gump II)por Réquiem para um sonho.