terça-feira, 30 de março de 2010

Dez verdades que o mercado prefere ignorar

Hoje acordei com o espírito de São João, o profeta do Apocalipse. Ao estilo Roubini, que confia no poder de persuasão das listas, aí vai minha pregação:

1 - A Grécia não tem capacidade de gerar euros para pagar sua dívida. Provavelmente nem Portugal, nem a Espanha, nem alguns outros que não parecem evidentes agora.
2 - Um Big Mac em São Paulo não pode ser mais caro (US$ 4,90) que em Londres ou na Zona do Euro. Sinto informar, mas o real está supervalorizado. Aproveite para encher a sacola em Miami enquanto há tempo.

3 - Os índices de ações americanos precificam uma economia como em 2007. Os fundamentos de 2010 são muito piores.

4 - Eike Batista não pode estar entre os dez homens mais ricos do mundo. E não só pela taxa de câmbio.

5 - O pior caso para o preço do petróleo nos próximos anos não é a US$ 60 / barril, como a Petrobras coloca nas contas de viabilidade do pré-sal. A média do preço nos últimos dez anos é US$ 52 / barril, com uma mínima de US$ 18 / barril. Imaginem a alegria do acionista da Petrobras caso o mercado volte para esse preço.

6 - A paciência (e o bolso) do contribuinte alemão tem limites. Não há mentalidade "européia" que convença um operário alemão que ele vai ter que pagar mais impostos para bancar a aposentadoria de um servidor público de Atenas.

7 - O Banco Central do Brasil não é infalível. O Banco Central do Brasil subiu os juros básicos na semana da quebra do Lehman Brothers.

8 - Crescimento econômico é um processo complexo e desequilibrado. O que implica que a China não deve crescer entre 8% e 10% ao ano, por 20 anos consecutivos.
9 - Dilma não é o Lula (parece óbvio, não?). E seu Serra provavelmente não gosta das taxas de câmbio e juros atuais.
10 - Profetas deveriam ser restritos à obras religiosas. Na vida real, o futuro é muito mais nebuloso e imprevisível.

4 comentários:

Gian disse...

Concordo com a maior parte de seu pessimismo, mas ainda acho que a maior parte do Índice Big Mac no Brasil é mark up, como afirmei aqui: http://eudiscordomesmo.blogspot.com/2009/07/gosto-muito-da-economist.html

Anônimo disse...

excelente..bem a cara do Empiricus..vc le empiricus? EIRE NO BLOOMBERG

Fernanda disse...

Não entendo muito bem porquê, mas o Big Mac em Londres é o mais barato que já vi na vida (3,70 GBP). Mais barato que no Leste até!

Drunkeynesian disse...

Gian, acho que você tem alguma razão quanto ao markup. O Big Mac Index é uma das diversas medidas que aponta para um real supervalorizado. Esse é um exercício tautológico, mas imagine que, mesmo com o sanduíche sendo caro em reais, ele seria bem mais barato em dólares caso estivéssemos com uma taxa de câmbio a R$ 2,00 / US$, por exemplo.

Eu leio o Empiricus de vez em quando, muitas vezes discordo do conteúdo, mas torço muito para que eles tenham sucesso e consigam provar que é possível viver de pesquisa independente no Brasil.

Fê, acho que a sua observação em Londres confirma a tese do Gian. Em Londres o Mc Donald's se coloca como opção barata de comer, o que talvez não seja verdade em outras partes do mundo.

Obrigado a todos pela leitura!