quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Os livros de 2021

 Mantendo ao menos a tradição do post anual, vamos lá (tudo que li está no Goodreads, este ano tentei fazer, lá mesmo, uma pequena resenha do que fui registrando). A maioria dos romances que li este ano desapontou (incluindo o novo da Sally Rooney), então a lista ficou carregada em não-ficção. Para o nobre de propósito de achar o que dar de presente, recomendo também a lista dos livros que foram presenteados no amigo secreto do clube de leitura do qual participo, a curadoria ali é de alto nível.

Ficção:

'Outline' e 'Transit', Rachel Cusk. Cusk parece ser uma boa companhia para um daqueles cafés que dura horas, emendando uma história na outra. Ainda não li o volume final da trilogia ('Kudos'), então não tenho um veredito final. Gostei bem mais de 'Outline' do que do seguinte, o que pode só demonstrar que é muito mais fácil gostar de algo ambientado no verão da Grécia do que no inverno de Londres.

'Sabbath's Theater', Philip Roth. O melhor Roth que li, devasso e sem freios morais. Certamente teria dificuldades para ser publicado hoje.


'Diomedes'
, Lourenço Mutarelli. Enorme graphic novel, criativa e delirante. Demorei demais pra me lançar no Mutarelli.

'Livro do Desassossego', Fernando Pessoa. Uma bíblia pagã. Para ler continuamente pro resto da vida.

'Serotonina', Michel Houellebecq. Bem menos irritante que 'Submissão', talvez ainda mais incômodo.

'A Odisseia de Hakim', Fabien Toulmé. Em três volumes. Talvez a obra que mais me tocou este ano. Simplesmente narrando, em quadrinhos, a trajetória de um refugiado sírio de Damasco até conseguir chegar na Provença (seria um voo direto de pouco mais de três horas, me diz o WolframAlpha), Toulmé escancara o absurdo que é o tratamento dado pelo mundo a refugiados.

'A Noiva do Tradutor', João Reis. Divertidíssima atualização das andanças por Lisboa de uma versão menos angustiada e mais raivosa do Bernardo Soares de Pessoa.

'Luster: a novel', Raven Leilani. Ainda terminando, dos poucos lançamentos recentes que parece valer o hype. 


Não-ficção:

'Scale', Geoffrey West. Livros com "teorias gerais de tudo" são sempre fadados a falhar, mas este, aos olhos da física, acaba explicando de forma muito clara e pouco intuitiva muitos fenômenos econômicos e sociais.

'Why Bother with Elections?', Adam Przeworski. Przeworski destila décadas de estudo e reflexão nesse livrinho, que mostra como eleições devem ser, ao mesmo tempo, objeto de pouca esperança e fundamentais. Saiu este ano em Português, também.

'A Canção no Tempo', Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. Em dois volumes, à altura da monumental obra de que trata.

'How Asia Works', Joe Studwell. Ásia aqui são os três países extremamente bem-sucedidos economicamente do leste do continente, Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Em comum tiveram a distribuição em massa de propriedades rurais, incentivos à agricultura familiar e a combinação pouco usual de protecionismo seguido de "disciplina de exportação". Parece algo fácil de ser seguido, mas, como sabemos, a estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções de governos desenvolvimentistas. A China continental parece estar seguindo os passos.

'Why the Germans do it Better', John Kampfner. Aqui, outro arranjo institucional impressionante que emergiu da Segunda Guerra. Ótimo para acompanhar a despedida de frau Merkel.

'The Ends of the Earth', Robert D. Kaplan. Relato de uma viagem de Kaplan (em 1994) em países que pareciam bastante fodidos de maneiras distintas entre eles. Interessante (e animador) ver que, quase 30 anos depois, a grande maioria deles melhorou substancialmente a vida dos seus habitantes: se não enriqueceram, melhoraram substancialmente dois indicadores básicos de saúde pública, mortalidade infantil e taxa de fertilidade. Ia fazer um post sobre isso, mas deu preguiça; tem um monte de gráficos prontos aqui.

'The World for Sale', Javier Blas e Jack Farchy. Belo trabalho para descrever como funcionam empresas das quais, até bem pouco tempo atrás, não se sabia muita coisa (as trades de commodities, no


caso).

'Numbers Don't Lie', Vaclav Smil. Primeiro livro que pego pra ler do prolífico heroi intelectual do Bill Gates. Smil parece ser um mestre nas estimativas de Fermi, além de, claro, saber tudo sobre produção e consumo de energia. Lerei outros.

'Bad Science', Ben Goldacre. Indicação do Tim Harford, grandes capítulos sobre placebos, os incentivos para publicação científica e, claro, vacinas.

'The Swerve', Stephen Greenblatt. O argumento central é meio forçado e furado, mas nunca gostei tanto de um livro que se passa na Idade Média (talvez porque o principal protagonista é um maníaco por livros).

'Range: Why Generalists Triumph in a Specialized World', David Epstein. Peguei esperando um livro de negócios típico (e para exercitar meu viés de confirmação), encontrei uma combinação muitíssimo bem feita de resumo da literatura e boas histórias. 

'Murakami T: The T-Shirts I Love', Haruki Murakami. Os pontos de vista esquisitos, originais e divertidos de Murakami sobre sua enorme coleção de camisetas.


Um grande 2022 pra vocês, com mais humanidade e menos máscaras.

4 comentários:

Sergio Keller disse...

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