quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Os livros de 2017

É aquela época do ano de novo. Aqui o que andei lendo de bom (em nenhuma ordem particular):

Ficção

‘Sweet Tooth’, Ian McEwan. A Guerra Fria encontra a literatura na Inglaterra dos anos 1970. Ainda estou pra ler um livro ruim do McEwan.

‘El Aleph’, Jorge Luis Borges. Tem El Zahir, El Aleph e mais alguns outros contos pra você ler em 20 minutos e seguir pensando neles por 20 anos.

‘The Plot Against America’, Philip Roth. É ótimo e tem todas aquelas analogias com a eleição do Trump que você está cansado de ouvir.

‘Afirma Pereira’, Antonio Tabucchi. Obra-prima de concisão e erudição, a briga solitária de um jornalista contra o fascismo português.

‘Os Cus de Judas’, António Lobo Antunes. Mais sobre a vida sob o salazarismo, aqui do ponto de vista de um médico dado a digressões longas e originais trabalhando em Angola durante a guerra colonial.

‘O Homem que Amava os Cachorros’, Leonardo Padura. Grande romance histórico e crítica devastadora ao stalinismo.

‘Half of a Yellow Sun’, Chimamanda Ngozi Adichie. Novelona (no melhor dos sentidos) ambientada na Guerra de Biafra. Não perca tempo com o filme, ruinzinho, ruinzinho. (Acabei de descobrir que essa guerra parou pra um amistoso do Santos de Pelé contra uma tal Seleção do Meio Oeste, história fantástica.)

‘Bone’, Yrsa Daley-Ward. Poesia para a minha geração (que não gosta muito de poesia, acho).

‘Laços’, Domenico Starnone. Não há uma linha desperdiçada nessa grande pequena novela. Junto com o Lobo Antunes, foi o que mais gostei de ler no ano.


Não-ficção

‘Guns, Germs, and Steel: The Fates of Human Societies’, Jared Diamond. Uma busca original e erudita pela causa-raiz do desenvolvimento econômico. O tamanho intimida, mas é uma leitura fluente e prazerosa.

‘A Ditadura Acabada’, Elio Gaspari. Esperado último livro da série, é generoso demais com o governo no desastre econômico do fim do “milagre”, mas vale a leitura.

‘A Segunda Mais Antiga Profissão do Mundo’, Paulo Francis. Sempre divertido rever os chutes e acertos de um dos nossos maiores tudólogos.

‘Straw Dogs: Thoughts on Humans and Other Animals’, John Gray. Pra ler na praia, num dia de sol, com um mojito na mão (em qualquer outra situação pode levar à depressão e pensamentos suicidas, epa, peraí, por que você está entrando no mar com uma bigorna amarrada no tornozelo?).

‘Traffic: Why We Drive the Way We Do’, Tom Vanderbilt. Enorme e bem-sucedido esforço para apresentar de forma atrativa os resultados de décadas de pesquisa acadêmica sobre um assunto que tanto nos afeta.

‘Representantes de quem? Os (des)caminhos do seu voto da urna à Câmara dos Deputados’, Jairo Nicolau. Manual claríssimo e bem-escrito para entender os desdobramentos do voto proporcional no Brasil. Merecia uma edição atualizada em 2018 incorporando as mudanças da última rodada de reforma política.

‘Pavões Misteriosos – 1973-1984: A explosão da música pop no Brasil”, André Barcinski. As histórias e personagens, famosos e anônimos, de um período de grande criatividade e cara de pau da brilhante música feita por aqui.

‘Better Presentations: A Guide for Scholars, Researchers, and Wonks’, Jonathan Schwabish.
Excelente para quem, como eu, gasta um tempo inconfessável trabalhando com o PowerPoint e apresentando material técnico.

‘Fifty Inventions That Shaped the Modern Economy’, Tim Harford. Harford é quem melhor leva Economia às massas, segue em grande forma.

‘China Airborne’, James Fallows. A indústria aeronáutica chinesa como ponto de partida para falar sobre desenvolvimento, instituições e, claro, o maior dos “grandes enriquecimentos” da história.

‘1988: Segredos da Constituinte’, Luiz Maklouf Carvalho. Ainda quero ler uma narrativa bem contada da constituinte, mas esse livro de entrevistas é muito informativo e divertido.

'Os Pecados Secretos da Economia', Deirdre McCloskey. A edição ficou linda e a tradução é ótima, até compensam a picaretagem do cara que fez as notas.


Quadrinhos

‘Trinity: A Graphic History of the First Atomic Bomb’, Jonathan Fetter-Vorm. Como diz o título, uma história ilustrada do Projeto Manhattan, com vários diálogos históricos reproduzidos.

 ‘Marbles: Mania, Depression, Michelangelo, and Me’, Ellen Forney. Um relato instrutivo, honesto  e sensível sobre a relação entre transtorno bipolar e arte.

 ‘O Árabe do Futuro 3 – Uma Juventude no Oriente Médio (1985-1987)’, Riad Sattouf. Presença frequente por aqui, a série continua ótima.

Outros

‘This Book Is a Planetarium… And Other Extraordinary Pop-Up Contraptions’, Kelli Anderson. Presente de Natal para a pessoa mais curiosa e inteligente da casa (o pequeno Drunk Jr., claro).



Um ótimo final de ano e um 2018 ainda melhor para todos!

2 comentários:

Mauricio disse...

Sempre muito boa a sua lista de fim de ano. Parabéns!

Men's Care disse...

NICE POST