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segunda-feira, 22 de abril de 2013

A união monetária ideal para a Alemanha

Michael Cembalest, do J.P. Morgan, estimou (com base em 22 fatores de competitividade) quais seriam os países mais similares a Alemanha, que, em teoria, formariam uma união monetária melhor que a atual (clique para aumentar):


sexta-feira, 19 de abril de 2013

A teoria Scarlett O'Hara de finanças

The Maastricht Treaty stipulated that no member government could run a deficit of more than 3 percent in any one year. The French, in order to abide by the contract, were the first to institute phony bookkeeping. We will not pay our pension obligations this year, we will pay them next year, they decided. This year things will look good, next year things will look worse, but next year is next year and we are not going to worry about that. It is the Scarlett O'Hara theory of finance: "After all ... tomorrow is another day." The move was seen as pretty outrageous. Even the Italians, who had been using phony bookkeeping for decades - for centuries, in fact - were shocked. After pulling themselves up off the floor, they proceeded to emulate the French, going with their own time-honored recipe for cooking the books.

A versão de Jim Rogers para a adequação de alguns países às regras do Tratado de Maastricht. Está na biografia dele, que já citei aqui.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Leituras da Semana

Cuidado com o tomate
- Entrevista com André Esteves no Estado.

- Jim O'Neill sobre sua aposentadoria.

- O melhor livro sobre a crise recente? Resenha entusiasmada de Roger B. Myerson (Nobel 2007) de The Bankers' New Clothes.

- Olivier Blanchard e cinco lições da crise para economistas.

- Barry Eichengreen sobre Chipre e União Europeia.

- Os possíveis sucessores de Ben Bernanke.

- Curso novo da Marginal Revolution University sobre a economia do México.

- O país mais afetado pela Grande Depressão (não foram os EUA).

- Edward Chancellor sobre o Japão recente.

- Charles Gave sobre o poder dos governos e supressão de livres mercados.

- Uma cantina contra a "bolha" nos preços do tomate em São Paulo, que, claro, é culpa do governo. Como agir nesses tempos.

- John Kay relembrando Jane Jacobs.

- Salários de professores na OCDE. Alguém já cruzou isso com os resultados nos testes padronizados?

- O mapa dos EUA redesenhado pelo movimento do papel-moeda.

- Usando SimCity para melhorar o trânsito de São Paulo.

- Escolhendo destino de férias aleatoriamente (e economizando).

- Os 25 países menos visitados no mundo.

- Os livros de viagem mais influentes da história.

- Entrevista bacana com Ted Gioia, sobre escrever e jazz.

- Os 70 anos de Manfred Eicher, da icônica ECM.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Uma olhada nos sistemas bancários do mundo

Fiz esse gráfico há um tempinho, com dados do Banco Mundial (clique para aumentar). No eixo vertical está o crédito doméstico criado pelo sistema bancário, como percentual do PIB. No horizontal, a razão entre o capital dos bancos e seus ativos. Dividi o gráfico em quadrantes, pela mediana das métricas. A amostra inclui os países do G20 e a zona do euro (estes com marcadores em vermelho).

No segundo quadrante (verde), estão os sistemas bancários relativamente pouco alavancados e relativamente bem capitalizados - onde estão a maioria dos emergentes e apenas dois países (pequenos) da zona do euro. No primeiro e no terceiro quadrantes (vermelho claro) estão países com uma das métricas acima da mediana - notem o caso dos EUA, com um sistema bancário entre os mais capitalizados, mas muito alavancado, e a Itália, bastante próxima do quadrante "desejável". No quarto quadrante (vermelho escuro) estão a maioria dos países que usam o euro, Suíça, Reino Unido, Dinamarca e Japão - bancos muito alavancados e com pouco capital. O Japão é a aberração de costume, e vejam onde está Chipre (OK, agora não adianta mais).


Esse gráfico, creio, bate com a minha opinião de que os problemas com bancos na Europa ainda não acabaram - creio que muitos ainda precisarão reduzir drasticamente os balanços ou buscar novo capital. Também, de certa forma, confirma a ideia de que a Itália é um investimento melhor do que parece - ou ao menos melhor do que Espanha e, possivelmente, França.

Opiniões ou algo que eu esteja perdendo ou superestimando?

terça-feira, 19 de março de 2013

O cálculo político de Chipre

Com a advertência de que quase fiquei um semestre a mais na graduação por conta de Teoria dos Jogos, aí vai uma análise rápida do que pode acontecer com o Chipre nos próximos dias:

- A condição imposta pela Troika para Chipre receber €10 bilhões de ajuda externa é conseguir arrancar dos contribuintes €5,8 bilhões em forma de uma taxa sobre o estoque de depósitos bancários (a outra questão relevante é se esse dinheiro é suficiente para salvar um sistema bancário com €126 bilhões em ativos, sete vezes o PIB da ilha - mas deixemos essa de lado, por enquanto).

- Aparentemente, a ideia inicial era aprovar as medidas rapidamente, no final de semana, evitando assim o confronto com a população. Esse plano falhou, e agora deve parecer claro que é uma espécie de suicídio eleitoral para um político defender abertamente a medida que gerou tanta controvérsia.

- Assim, é mais provável que o plano não seja aprovado (está em discussão enquanto escrevo), e a bola volta para a Troika, que pode (i) relaxar os termos e pensar em um pacote mais amigável; (ii) bater o pé e não liberar o dinheiro. Se as condições forem amenizadas, é provável que Chipre leve um pacote em termos parecidos que outros países, sem necessidade de medidas imediatas radicais e algum comprometimento para o futuro (esse tipo de blefe funcionou para a Grécia em novembro de 2011, com o então Primeiro Ministro George Papandreou ameaçando convocar um referendo para votar um acordo e provocando um recuo dos emprestadores). Caso isso não ocorra, Chipre pode decidir que passar o pacote é a melhor opção ou romper com a Troika e, possivelmente, sair do euro.

- Para resumir a confusão acima: ou Chipre entra em um acordo com a Troika (em termos ruins ou menos ruins) ou há o risco concreto de Chipre deixar a união monetária. Se isso acontecer, é provável que, novamente, a sobrevivência do euro seja colocada em questão pelos mercados e a Troika teria que apagar outro grande incêndio. Uma matriz de payoffs estilizada e meio torta pode ser:


- Creio que, por agora, Chipre tem os incentivos para adiar uma solução e tentar conseguir uma oferta melhor (ou uma negociação paralela com a Rússia - vida loka). Confrontada com essa opção, a escolha racional da Troika seria apresentar uma alternativa menos draconiana e liberar o dinheiro. Imagino que esse seja o equilíbrio se todos agirem "racionalmente".

- O problema, claro, está no "racionalmente" e em que mensagem a Troika (para alguns, leia-se: Alemanha) quer passar para os periféricos. Deixar Chipre afundar seria uma mudança importante na postura dos países fortes envolvidos, e delimitaria os termos de negociações com outras economias que futuramente precisarem de ajuda.

- Se Chipre resolver sair do euro, curiosamente, vai parecer que a melhor alternativa teria sido aceitar a taxa, já que provavelmente a desvalorização do câmbio e a subsequente inflação devem tirar do poder de compra das economias dos cipriotas muito mais do que os 6,75% (ou 9,9%) propostos. Porém, a saída da desvalorização pode parecer menos arbitrária, e, sobretudo, seria uma demonstração de soberania.

Em resumo, apostaria que esta semana o pacote seja rejeitado e volte uma oferta em condições mais amenas, que seria aprovada. Porém, levando em conta as consequências para os mercados de cada um dos cenários (business as usual, se der tudo certo versus caos, se der tudo errado) e suas probabilidades, é bastante recomendável pensar numa saída para se o pior se concretizar. Confiar na racionalidade humana raramente é uma boa estratégia de sobrevivência.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Europa 2013

Entre o que aconteceu de surpreendente no ano passado, nada me espanta mais do que a Zona do Euro ter chegado a 2013 funcionando e com exatamente a mesma composição de um ano atrás. Dentro desse tema, cresce o espanto ao ver que as taxas de juros pagas pelos títulos dos governos que usam a moeda entraram novamente em convergência, diminuindo a diferença para os títulos da Alemanha.

De algum jeito, Mario Draghi, seus colegas tecnocratas e políticos conseguiram: conter uma corrida bancária que, em vários momentos, pareceu se iniciar na Grécia, Portugal e Espanha; evitar a eleição de partidos radicais, que poderiam tirar unilateralmente seus países do acordo monetário; administrar as divergências internas da comunidade e garantir linhas de salvamento para todos os países em crise mais aguda; e fomentar programas de austeridade mesmo em países com alto desemprego e grande pressão por mais gastos públicos. Não é pouca coisa, e só foi conseguido às custas de alguns pactos faustianos, de alto risco: aumento do "risco moral" do sistema (bancos não quebram mais, ponto final); potencial da austeridade gerar mais um longo período de desemprego alto e consequente radicalização política; enormes desequilíbrios entre os balanços de bancos centrais nacionais (o sistema TARGET2, mais neste paper do BIS) e distorção dos mecanismos de mercado para vários preços importantes (notadamente, o custo de financiamento público).

Para o futuro, creio, uma hipótese importante a ser testada (emprestada do Taleb) é se essa supressão de volatilidade implicará em rupturas mais profundas. Afinal, a vida da maioria da população e sua capacidade de consumir ou pagar dívidas não parece ter melhorado, e deve haver um ponto em que a insistência na austeridade, se não gerar resultados concretos para o emprego, passe a ajudar na plataforma de partidos de oposição mais radicais do que aqueles eleitos nas votações mais recentes. Assim, os maiores riscos tornaram-se ocultos, longe das telas de cotações de preços e sujeitos a dinâmicas pouco previsíveis e de grande impacto.

Por enquanto, sobra aos pessimistas o rótulo de Cassandra, já que as apostas vencedoras das quais se têm notícia foram na capacidade dos governos contornarem a crise e na reação que isso gerou nos mercados - como exemplo, basta dizer que ativos gregos forneceram grandes retornos no ano passado. Não há como ignorar, porém, a deterioração progressiva da representatividade de alguns governos e a tentativa de domar grandes sistemas complexos com medidas centralizadas. A história mostra algumas consequências desastrosas dessa combinação e, infelizmente, não vejo porque acreditar que desta vez será diferente. Porém, anos podem se passar sem que nada aconteça, o que inviabiliza boa parte das teses de investimento baseadas nessa ideia. Resta buscar opcionalidades e, sobretudo, evitar a tentação de eventuais ganhos de curto prazo em ativos sabidamente ruins.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Legítimo representante do "nobre povo"
- Um caveat emptor para os compradores de ações no México.

- Pastore, Gazzano e Pinotti sobre a estagnação da produção industrial no Brasil.

- Dilma na capa da edição da Forbes com as mulheres mais poderosas do mundo.

- A Bloomberg descobriu a mulher mais rica do Brasil.

- PIMCO sobre a "japanização" do mundo desenvolvido.

- Timothy Garton Ash na Foreign Affairs sobre a história do euro.

- Uma história dos regimes de câmbio no mundo.

- O FRED, ótima base de dados do Fed de St. Louis, agora tem versões para tablets e celulares (sei lá, deve ter um tipo de pessoa que sente uma vontade incontrolável, durante um jantar, de checar como anda a criação de empregos nos EUA).

- Algumas coisas que é bom estudar caso queira discutir política externa a sério.

- Uma lista de leitura sobre economia comportamental, por Michael Mauboussin, da Legg Mason.

- Como se explica o sucesso da The Economist.

- Por que estudar Ayn Rand?

- Virou filme a história do ilustre desconhecido Aristides de Sousa Mendes: cônsul de Portugal em Bordeaux durante a Segunda Guerra, emitiu cerca de 30 mil vistos para refugiados (10 mil judeus, entre eles).

- Baroque Yo' Mama, judeu, nascido em Oslo, presidente dos EUA.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Frases do Dia - União Soviética x União Européia

"Paradoxically, the very fact that the EU was and to a great extent remains an elite project that determines the fact that the real risk for the survival of the EU comes not so much from the anger of the publics but from the calculations of the elites. At the very moment when national elites start questioning the future prospects of the Union, they will start acting in a way that contributes to its collapse. It is not people’s disappointment but elites’ trust in the capacity of the Union to deal with the problems that is the most important factor affecting the chances of the Union to survive."

De uma comparação bastante interessante de Ivan Krastev da União Européia de hoje com o que levou ao desmanche da União Soviética. O que faltou diferenciar é o comportamento de um regime totalitário contra uma união formada por democracias, e talvez isso invalide totalmente a comparação. De qualquer forma, é ótimo material para pensar.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Piquenique na beira do vulcão

Mesmo para os otimistas de ocasião, a semana começou com emoções. Vários indicadores indo hoje para níveis críticos:

Juros títulos 10 anos Alemanha (Bund) - perto da mínima de todos os tempos

Índice IBEX (Espanha) - de volta às mínimas deste ano

Ações do Banco Santander - tentando romper o suporte a EUR 4.0

EUR/USD perto de 1.20

Spread títulos 2 anos - 10 anos Espanha - curva em movimento de inversão

Ibovespa, novamente testando a mínima deste ano

EWZ (ETF ações brasileiras), de novo ameaçando romper $50

Petrobras, recuperação ameaçada

A "novidade" é a volta de um risco concreto da Grécia ser forçada para fora do euro e os temores da possível espiral destrutiva que isso geraria (ver no Spiegel - com a ressalva que deve ser a quarta ou quinta vez que o Spiegel coloca a Grécia nessa situação). Minha visão era que essa coordenação já estava mais ou menos resolvida, pelo visto os alemães ainda não estão totalmente convencidos. Não tenho nenhum palpite no curto prazo; o jeito é continuar com o piquenique e confiar nos níveis de stop-loss. Esperem uma semana de muito ruído.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Leituras da Semana

- Apresentação de Jim Chanos sobre o que ele considera armadilhas de valor (Petrobras entre elas).

- Liaquat Ahamed, de Lords of Finance, sobre a atual geração de banqueiros centrais.

- Os últimos países AAA.

- Jens Nordvig, do Nomura, sobre a volta da dominância de política sobre a economia.

- Anatole Kaletsky sobre as consequências de uma eventual saída da Alemanha do euro.

- Mark Dow sobre metais preciosos.

- Persio Arida fala ao Estado sobre o Plano Real (prestes a completar 18 anos) e o Brasil de hoje.

- Fabuloso artigo de Deirdre McCloskey sobre felicidade, uma crítica aguda e pertinente aos "quantitative hedonists".Quando não se perde na própria erudição, McCloskey tem, de longe, o melhor texto que conheço entre economistas vivos. Vejam esse trecho: "Decades ago, I was in Paris alone and decided to indulge myself with a good meal, which, you know, is rather easy to do in Paris. The dessert was something resembling crème brulée, but much, much better. I thought, “I shall give up my professorships at the University of Iowa in economics and history, retire to this neighborhood on whatever scraps of income I can assemble, and devote every waking moment to eating this dessert.” It seemed like a good idea at the time."

- Qual o candidato à presidência dos EUA mais preparado para lidar com uma invasão alienígena?

- A Manifesto for Economic Sense

- O centro de gravidade da economia global.

- Conheça La Línea de la Concepción, a vizinha espanhola de Gibraltar e interessante (e deprimente) microcosmo da crise na Espanha.

- The Economist comenta a biografia de Ryszard Kapuscinski, agora traduzida para o Inglês.

- John Gray desconstrói Slavoj Žižek (e não sobra muita coisa).Guardian sobre Žižek .

- Um congestionamento de 12 horas em Lagos, Nigéria.

- Uma teoria geral dos tipos de Muppets.

- A resposta de Ronald Reagan a um quarto de adolescente declarado área de desastre (via goombagoomba).

- Algumas concorrentes do concurso anual de fotografia de viagem da National Geographic (a que ilustra este post está entre elas).

- Os 10 mandamentos do bowieismo.

- A Noite Estrelada, de Van Gogh, com dominós.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Algumas linhas sobre a Grécia pós-eleição

Ontem me perguntaram se eu achava que a Grécia ia sair do euro após as eleições, e eu disse que não, mesmo se o resultado apontasse vitória do partido de esquerda radical (Syriza). Um amigo atento lembrou deste post, onde eu disse que a probabilidade disso acontecer tinha aumentado substancialmente. Desde então, soubemos que: 1) a maioria dos gregos prefere continuar no euro; 2) o próprio líder do Syriza escreveu no Financial Times, com todas as letras (chamei de "Carta ao Povo Grego"), que seu partido está comprometido em manter a Grécia na zona do euro (OK, acredita em político, trouxa...); 3) a Espanha conseguiu um bailout em termos mais favoráveis, o que deve levar a um afrouxamento nas condições impostas para Grécia e Irlanda. Sigo achando que a saída da Grécia do euro será uma decisão dos eleitores gregos, que, quando não estiverem mais dispostos a pagar o preço da austeridade, votarão em um candidato cuja principal bandeira será a volta a dracma. Achei que isso podia acontecer já este ano, pelo visto ainda teremos que esperar. Ruim com o euro, pior sem ele, parece ser a mensagem mais clara das urnas gregas.

Uma outra (boa) opinião (opiniões "boas" geralmente são as que concordam com o que pensamos): Satyajit Das no Wall Street Journal.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Europa, por europeus

Ontem o Pew Research Center (think thank baseada em Washington, financiada com dinheiro da família fundadora da petrolífera Sunoco) publicou um relatório muito interessante, intitulado European Unity on the Rocks - Greeks and Germans at Polar Opposites. O trabalho foi baseado em entrevistas com cerca de 9 mil pessoas em nove países, e busca investigar como os europeus se sentem com relação ao atual arranjo do seu continente e os outros países que o compõe (o projeto do qual faz parte, chamado Global Attitudes, pesquisa 21 países em vários continentes).

O relatório tem inúmeros insights interessantes sobre o espírito do tempo atual; aqui destaco alguns:

- Como os europeus enxergam os outros europeus: o Mark Dow fez uma reflexão muito apropriada sobre a seguinte tabela:


- Como avaliam as condições econômicas e o futuro: a diferença entre Grécia e Alemanha é brutal (mesmo entre Alemanha e todos os outros países pesquisados). Como bem observou o Mark Dow, as forças que atuam no continente são centrífugas, não centrípetas:


Ainda assim, a maioria dos gregos quer permanecer no euro - mais surpreendente que, entre os países pesquisados, são os que mais defendem continuar na moeda única. Talvez isso explique porque até agora não houve uma corrida bancária e porque a opção pelo radicalismo na política está sendo revista (pesquisas para a nova eleição mostram fortalecimento dos partidos moderados).


Quase todos gostam dos alemães:


Daria para destacar outros tantos dados, fica recomendada a leitura do relatório inteiro.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Esperando Godot, versão 2012

Cortesia de Michael Cembalest, do J.P. Morgan (é, economistas conseguem ser engraçados - é raro, mas acontece). Qualquer semelhança da situação da Europa com humor nonsense não é mera coincidência. Clique para aumentar:


A referência para as "M Countries" é o gráfico abaixo, que sugere que uma união monetária formada por países cujo nome começa com a letra "M" seria mais coesa que a zona do euro.


O relatório inteiro está aqui.

domingo, 27 de maio de 2012

O dia de fúria de Lagarde

Algumas das frases do ano, até agora, na entrevista da diretora geral do FMI para o Guardian (grandes méritos para a entrevistadora, Decca Aitkenhead):


Asked whether she is able to block out of her mind the mothers unable to get access to midwives or patients unable to obtain life-saving drugs, Lagarde replies: "I think more of the little kids from a school in a little village in Niger who get teaching two hours a day, sharing one chair for three of them, and who are very keen to get an education. I have them in my mind all the time. Because I think they need even more help than the people in Athens."


Lagarde, predicting that the debt crisis has yet to run its course, adds: "Do you know what? As far as Athens is concerned, I also think about all those people who are trying to escape tax all the time. All these people in Greece who are trying to escape tax." She says she thinks "equally" about Greeks deprived of public services and Greek citizens not paying their tax.


"I think they should also help themselves collectively." Asked how, she replies: "By all paying their tax."


Asked if she is essentially saying to the Greeks and others in Europe that they have had a nice time and it is now payback time, she responds: "That's right."


(...)



In her interview Lagarde says Greece is not getting softer treatment than a poor country in the developing world, and that the IMF does not find it harder to impose strong conditions on a rich nation.


"No, it's not harder. No. Because it's the mission of the fund, and it's my job to say the truth, whoever it is across the table. And I tell you something: it's sometimes harder to tell the government of low-income countries, where people live on $3,000, $4,000 or $5,000 per capita per year, to actually strengthen the budget and reduce the deficit. Because I know what it means in terms of welfare programmes and support for the poor. It has much bigger ramifications."

Talvez tenha faltado algum tato na escolha das palavras e medida do impacto desse tipo de declaração (além, claro, dos problemas com a generalização dos hábitos tributários da população de um país inteiro). Mesmo pesando isso, acho que é exatamente esse tipo de postura que falta em políticos quando se discute a crise: essa é linguagem para adultos, sem dissimulação ou promessas impossíveis de serem cumpridas. O FMI está longe de ser uma entidade filantrópica, representa interesses e defende uma certa visão de política econômica. Que os eleitores envolvidos informem-se e tomem a decisão que julgarem mais adequada, pesando as consequências associadas. Declarações desse tipo ajudam nessa tarefa, mas tem sido tão raras que devem ser celebradas. Bien fait, madame Lagarde.

A última pergunta da entrevista foi menos destacada, mas também merece registro:

I try once more. When history books are written about the financial crisis, they will say it began in 2008. What date will they give for its end? "Hmm, after the hyphen? After 2008? Two thousand," she says firmly. How odd, I think – her English is perfect, but she must have misunderstood the question. I ask again, but she is laughing. There was no misunderstanding.


"Well, I'm sure about the first two digits: 20. But I'm not sure about the last two digits."

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Leituras da Semana

#OccupyFourthDimension
- Entrevista de Ray Dalio, da Bridgewater, para a Barron's. Vale também recomendar de novo a entrevista de Jim Chanos para a Graham & Doddsville.

- Mark Spitznagel, sócio de Nassim Taleb na Universa, sobre economia austríaca e a utilidade de seu arcabouço para evitar cisnes negros nos mercados de ações.

- Robert Shiller tentando dar uma força para os formandos em finanças: "Finance, at its best, does not merely manage risk, but also acts as the steward of society’s assets and an advocate of its deepest goals."

- Apostolos Doxiadis, coautor do fabuloso Logicomix, acha que autodestruição faz parte do caráter nacional da Grécia. Como a história ajuda a entender os dilemas do país.

- Albert Fishlow respondendo à onda de pessimismo com o Brasil.

- Paul Krugman sobre as impossibilidades da desvolarização cambial.

- Jared Diamond sobre o Why Nations Fail e a dificuldade do livro em conciliar sua tese central (instituições) com alguns fatores geográficos que lhe parecem evidentes. Acho que dá pra tirar um axioma postulando que todos essas obras com teses grandiosas de desenvolvimento e história econômica não conseguem passar sem furos grandes, a tarefa é impossível. Boas resenhas, como a do Diamond, também não ficam sem presepadas: ele fala que a Argentina é o maior exportador de alimentos da América Latina (pelos dados da OMC, o Brasil exporta quase o dobro).

- Amartya Sen sobre a Europa, para o NY Times.

- Como vai o futebol, vai a economia? Jamil Chade usa a final da Liga dos Campeões para comparar as finanças da liga alemã com as outras da Europa.

- Dois bons contrapontos a todo o confete jogado para Tony Judt nos últimos tempos: Eric Hobsbawm, num texto ao mesmo tempo ressentido, crítico e elogioso; e o sociólogo de Berkeley Dylan Riley, numa crítica muito aguda a toda a obra de Judt e sua postura como historiador.

- Open the Spigots and Drown the Bigots! As marchas drunkeynesianas pela legalização da cerveja nos EUA, em 1932.

- Um exemplo de intervenção pesada nos mercados.

- Carl Sagan sobre o equilíbrio entre ceticismo e aceitação de novas ideias.

- Hans Rosling em dose dupla: sobre riqueza, religião e fertilidade e nessa demonstração fantástica de concisão, clareza e elegância (seguramente vai ser um dos minutos mais bem gastos da sua semana):

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Foto & manchete do dia

Do jornal grego Kathimerini, melhor fonte de informações sobre o país em Inglês que conheço:


Já mudei de assunto várias vezes sobre o assunto Grécia / euro, e acho que estou mudando novamente. Em junho de 2010, eu achava que o euro estava perto do fim. No início do ano passado, fiquei mais otimista com a ideia de uma união fiscal mais profunda e a manutenção da moeda única. Agora, creio que a combinação da insistência alemã em só ver austeridade como solução com a situação política da Grécia (dificuldade de formar um governo, ascensão de um partido de esquerda mais radical) parece apontar para a maior probabilidade desde o início da crise de um país deixar a união monetária. Talvez isso, de imediato, não signifique o fim do euro - o projeto de moeda única é tanto mais viável quanto mais parecidos forem entre si os países que o adotam, e hoje parece claro que a Grécia tem mais a ver com seus vizinhos do leste europeu que com Alemanha ou Holanda. Porém, caso a saída da Grécia via desvalorização e destruição da dívida mostre-se, em alguns meses ou anos, bem sucedida, provavelmente vai servir como guia e inspiração para lideranças políticas de outros países com problemas parecidos. Claro que, se a Alemanha resolver transigir e abrir o bolso, a situação muda radicalmente em pouco tempo e o euro ganha uma sobrevida mais robusta (ainda que, creio, mais desvalorizado).

Em tempo: esta opinião eu não mudei. Os gregos (e quaisquer outros povos) merecem ser tratados como adultos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Últimas palavras sobre a Grécia

(Eu já devo ter prometido algumas vezes que não ia falar mais da Grécia, mas não me segurei. Conto com a compreensão do leitor.)

Irrito-me ao ler a expressão "ditadura de mercado" para definir a situação da Grécia: sendo "forçada" a aceitar cortes de orçamento e se comprometer com políticas austeras sugeridas pela "troika", Berlim ou quem quer que seja. Vendo só por esse lado, parece que a Grécia chegou no ponto em que está do dia para a noite, sem colher nenhum benefício e sem nenhuma aprovação de sua população.

Austeridade é o preço cobrado para que a Grécia continue no euro e evite um calote da dívida. É um caminho escolhido - e, se não do jeito mais democrático possível, a população nas ruas é a manifestação dessa insatisfação. Outros caminhos são possíveis, com suas devidas consequências: sem austeridade, não há dinheiro do FMI / União Européia; sem o dinheiro, a opção é o calote e desvalorização da moeda. Inúmeros casos na história mostram que há vida depois disso. O que não é aceitável, e é o que deveria estar claro desde que o país entrou no euro, é continuar desrespeitando as regras de um acordo e continuar se beneficiando dele.

A dívida da Grécia foi acumulada por políticos gregos, eleitos por cidadãos gregos que, com maior ou menor participação, se beneficiaram do período de endividamento. E, no fim das contas, quem vai decidir o destino do país e vivê-lo depois são esses mesmos gregos, que, se ficarem insatisfeitos com os resultados da austeridade, votarão em quem a desafie ou seguirão ocupando a Syntagma até que o governo atual caia e convoque eleições. Assim deve funcionar a democracia; o resto é coitadismo ou Lei de Gérson aplicada. Os gregos devem e merecem ser tratados como adultos, como foram os brasileiros, argentinos, russos, mexicanos e islandeses do passado recente.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Para saber onde pisamos: um pouco da história do euro

Terminei, depois de longos três meses (dois, descontando minhas férias), o enciclopédico Pós-Guerra, do Tony Judt. É o terceiro livro dele que leio; a essa altura, já estou quase me declarando social-democrata e lamentando a falta que ele faz no debate sobre um cenário tão nebuloso para a Europa. Esses, porém, são temas para outros textos. Aqui, quero colocar um trecho no qual ele explica o contexto histórico que desembocou no euro. Segundo consta, Judt desprezava a idéia de que a história pode servir como um guia para o futuro, mas validava a tese de George Santayana de como é importante aprender história para não repetir erros do passado. Com a palavra, mr Judt:

(...) ao longo dos anos 70, um número crescente de políticos passou a crer que a inflação agora impunha riscos maiores do que os altos níveis de desemprego - especialmente porque os custos humanos e políticos do desemprego eram institucionalmente aliviados. Não era possível tratar a inflação sem alguma espécie de esquema internacional que visasse a regulação de moedas e taxas de câmbio, em substituição ao sistema de Bretton Woods, prematuramente derrubado por Washington. Em 1972, os seis primeiros Estados membros da Comunidade Econômica Européia já responderam à situação com a criação do "Serpente Dentro do Túnel": um acordo para manter a taxa de câmbio de suas moedas semifixadas dentro de determinado valor, permitindo variações de 2,25% para cima ou para baixo da taxa aprovada. Contando com a adesão inicial da Grã-Bretanha, Irlanda e dos países escandinavos, o acordo durou apenas dois anos: os governos britânico, irlandês e italiano - incapazes de resistir (ou não querendo fazê-lo) a pressões domésticas por desvalorizações monetárias além dos índices estabelecidos - foram obrigados a desistir do acordo e permitir a queda de suas moedas. Até os franceses, em duas ocasiões (em 1974 e 1976) tiveram de abandonar o "Serpente". Era evidente que algo mais seria necessário.
Em 1978, o chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Schmidt, propôs a reformulação do acordo em termos bem mais rigorosos: um Sistema Monetário Europeu (SME). Seria criado um esquema de taxas de câmbio bilaterais fixas, baseado numa unidade de medida meramente teórica, a Unidade Monetária Européia*, e garantido pela estabilidade e pelas prioridades antiinflacionárias da economia alemã e do Bundesbank. Os países participantes se comprometeriam a adotar uma austeridade econômica doméstica para se manterem no SME. Foi a primeira inciativa alemã nesse sentido, e traduzia, oficiosa senão oficialmente, a recomendação de que, ao menos na Europa, o marco alemão deveria substituir o dólar enquanto moeda de referência.
Alguns países ficaram de fora - notadamente o Reino Unido, cujo primeiro ministro trabalhista, James Callaghan, percebeu que o SME impediria a Grã-Bretanha de adotar políticas de reflação capazes de fazer frente ao problema de desemprego no país. Outros países adotaram o sistema precisamente por esse motivo. Enquanto "solution de rigueur", o SME teria um funcionamento semelhante ao Fundo Monetário Internacional (ou à Comissão Européia e o euro, anos mais tarde): o sistema obrigaria os países a tomar medidas impopulares cuja responsabilidade poderia ser imputada a regras e tratados formulados no exterior. Na realidade, a longo prazo, essa seria a verdadeira relevância dos novos acordos. Não era tanto o fato de eles terem conseguido expulsar o demônio da inflação, mas o fato de que, para realizar tal façanha, os novos acordos terem privado os governos de inciativa em relação à política doméstica.
Isso constituiu uma grande guinada, com consequências maiores do que se pensou à época. No passado, se um governo optasse por uma estratégia de "dinheiro duro", aderindo ao padrão-ouro ou recusando-se a diminuir as taxas de juros, era obrigado a responder ao eleitorado local. Mas, dadas as circunstâncias do final dos anos 70, qualquer governo - em Londres, Estocolmo ou Roma - que enfrentasse persistentes índices de desemprego, um setor industrial decadente ou presão para inflacionar os salários podia invocar os termos de um empréstimo contraído junto ao FMI, ou os rigores de taxas de câmbio pré-negociadas no âmbito europeu, e se eximir de responsabilidade. Os benefícios táticos desse tipo de medida eram óbvios, mas haveria um custo.
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O impulso que estava por trás das ações franco-germânicas nos anos 70 era a ansiedade econômica. A economia européia crescia lentamente (ou simplesmente não crescia), a inflação era endêmica e a incerteza decorrente do colapso do sistema de Bretton Woods resultava em taxas de câmbio voláteis e imprevisíveis. O sistema "serpente", o SME e o ecu eram uma espécie de paliativo para o problema (por serem soluções regionais, e não internacionais) e introduziam o marco alemão, em vez do dólar norte-americano, como moeda de referência para banqueiros e mercados europeus. Alguns anos mais tarde, a substituição das moedas nacionais pelo euro, apesar das implicações simbolicamente problemáticas da medida, foi a consquência lógica. O surgimento de uma única moeda européia decorreu, portanto, de uma reação pragmática a problemas econômicos, e não de uma estratégia calculada e posta em prática em nome de um objetivo europeu predeterminado.
* Em inglês, "European Currency Unit" - ECU. O acrônimo tinha emprego marcantemente político: ao invocar o nome de uma moeda de prata francesa corrente no século XVIII, a palavra diminuía o constrangimento parisiense diante do reconhecimento da crescente primazia da Alemanha Ocidental em questões européias.

Algumas possíveis lições:

- O euro pode ser visto como o último legado de Bretton Woods, como a âncora que alguns países precisavam (pela falta de controle das finanças ou qualquer outro motivo) para ajudar no controle da inflação, depois do fim da paridade do dólar americano com o ouro. Tomavam-se emprestadas as credenciais do Bundesbank e o problema de credibilidade da moeda estava resolvido.  Em um cenário onde inflação não é problema, porém, essa função deixa de ser primordial. Talvez esse seja o caso agora: as economias periféricas, deprimidas, não apresentam risco inflacionário e provavelmente estariam melhor caso pudessem trabalhar com moedas mais desvalorizadas. O problema é que, uma vez abandonado o euro, há o risco da desvalorização das moedas nacionais desencadear uma alta forte na inflação. Não há almoço grátis, já diria um velhinho de Chicago.

- O ponto acima levanta a questão: é possível o mundo operar sem ao menos uma referência cambial? Por um lado, talvez tenhamos mais moedas flutuando por algum tempo; por outro, é razoável concluir que tal situação levaria a uma grande tentação de fixação de taxas em razoavelmente pouco tempo. Na prática: uma nova dracma, caso gerasse inflação, seria logo fixada ao que sobrar do euro (marco alemão?) ou ao dólar, numa taxa que o BC da Grécia julgasse controlável. Só especulações, tudo isso deve estar ainda muito longe de acontecer.

- Muitos governos nacionais precisam retomar a iniciativa para reerguer suas economias (ao contrário do ambiente descrito por Judt, onde a prioridade era passar medidas impopulares sem associação direta aos políticos eleitos). Isso não é prioridade nem consenso dentro da zona do euro; mais um motivo para o arranjo atual ser contestado.

- Frase que vale ser repetida integralmente: "O surgimento de uma única moeda européia decorreu, portanto, de uma reação pragmática a problemas econômicos, e não de uma estratégia calculada e posta em prática em nome de um objetivo europeu predeterminado." Se Judt está certo e isso valeu para uma época mais ideológica, onde os fantasmas da II Guerra eram muito mais recentes, mudanças devem ocorrer no euro em pouco tempo. O "objetivo europeu", no campo econômico, teria surgido como narrativa para uma resolução de problemas práticos, e não tem sustentação própria. Atualmente, a reação pragmática tem sido "chutar a lata ladeira abaixo", esperando que os problemas se resolvam com o passar do tempo ou com medidas de austeridade que são ou pouco realistas na execução, ou que não fazem diferença dado o tamanho do problema (das dívidas). Essa reação não tem levado a nenhuma resolução minimamente satisfatória; daí, creio que é questão de tempo até o pragmatismo preponderar novamente e os problemas econômicos serem encarados a sério: ou os países problemáticos traçam uma linha de quanto estão dispostos a se sacrificar pelos credores, ou a Alemanha consegue costurar uma ampla união fiscal, consenso dificílimo de ser alcançado.

No ano passado, decretei o fim do euro justamente por achar que essa união fiscal era impossível. No início deste ano, parecia estar se formando um certo consenso, e o euro vem sobrevivendo. Nesse tempo, o problema das dívidas soberanas não foi resolvido, apareceu uma questão não trivial de capitalização dos bancos (reapareceu, na verdade, posto que não havia sido resolvida em 2008) e, cereja do bolo, a atividade econômica mergulhou e parece apontar para uma nova recessão. Não há consenso, ainda mais fracamente ideológico, que resista a tantas provações e interesses conflitantes. Evoco aqui a História não como um guia para o futuro, mas como instrumento para entender o que trouxe a situação atual e, mantida a lógica do passado (um grande "se", aí talvez abusando do papel da História), concluir que havia substância por trás do projeto de integração monetária europeu. Essa substância foi se perdendo com o tempo, e, creio, o que sobrou agora são egos de tecnocratas e políticos covardes demais para enfrentarem a realidade. Mudaram os fatos, é preciso que as pessoas mudem de opinião e ajam em função de uma nova realidade.