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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Frases do Dia—o Estado de Direito e o Capitalismo Americano

“The pioneers of American capitalism were not graduated from Harvard’s School of Business Administration. The early settlers and founding fathers, as well as those who “won the West” and built up cattle, mining and other fortunes, often did so by shady speculations and a not inconsiderable amount of violence. They ignored, circumvented, or stretched the law when it stood in the way of America’s destiny and their own—or were themselves the law when it served their purposes. This has not prevented them and their descendants from feeling proper moral outrage when, under the changed circumstances of the crowded urban environments, latecomers pursued equally ruthless tactics."

Do sociólogo Daniel Bell, citado nessa matéria interessante do Malcolm Gladwell.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Salários altos, Revolução Industrial e o Brasil de hoje

"As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender" (Paulinho da Viola em Coisas do mundo, minha nêga)


Nessa pausa da Copa, aproveite o tempo para ler este paper de Peter Temin (professor emérito do MIT), uma revisão, em linguagem simples e acessível, da evolução da "Nova História Econômica" (que também atende pelo nome de cliometria.) A cliometria é produto tanto da quantificação da economia, cujo marco inicial foi a publicação do The Foundations of Economic Analysis, de Paul Samuelson, em 1947 (Samuelson tinha 32 anos, mortais—e é uma das celebridades que compartilham o dia de aniversário com este que vos escreve, como Raí e os gêmeos De Boer), quanto da evolução das técnicas econométricas, da disponibilidade de dados e do poder dos computadores para processá-los.

Temin destaca a pesquisa recente de Robert C. Allen, Hans-Joachim Voth e Nico Voigtländer (os dois últimos são coautores), que tenta responder a pergunta mais clássica de história econômica: por que a Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra no século XVIII? A narrativa que emerge desses trabalhos é fascinante. Vou tentar resumir em um parágrafo (já me perdoem pela heresia):

A Peste Negra, no século XIV, foi a mãe de todos os choques exógenos: surgiu inesperadamente e, em pouco tempo, reduziu drasticamente a oferta de mão de obra na Europa. Como consequências, para cultivar plantações cujo tamanho não mudou: i) salários subiram, ii) aumentaram os incentivos para adoção de novas tecnologias, iii) mulheres passaram a fazer parte da força de trabalho (tanto pela demanda por trabalhadores quanto pela adoção de tecnologias que diminuíram a necessidade de força física para o trabalho agrícola.) Com isso, mulheres passaram a se casar mais tarde e a ter menos filhos. A população passou a crescer mais lentamente, o que manteve a oferta de mão de obra restrita e os salários mais altos. Começava a se romper a "armadilha malthusiana": as famílias, menores, passaram a dispor de mais renda e puderam incrementar a alimentação (comer mais proteína animal), que, por sua vez, seguiu alterando o padrão da agricultura. A Revolução Industrial surge como uma tentativa de produtores reduzirem custos (já que empregar gente ficou permanentemente mais caro), alimentada pela criatividade de pequenos empreendedores que passaram a ter renda acima do nível de subsistência e tempo livre para experimentar (falta a peça do quebra-cabeça que explica o porquê da Inglaterra e não outro país europeu: energia barata, segundo Allen.)

Temin liga a história do desenvolvimento da Europa (depois replicada para outros continentes) aos problemas atuais de economia do desenvolvimento. A diferença entre a Europa pobre, pré-Revolução Industrial e a Europa rica que veio depois é similar à diferença corrente entre países pobres e países ricos: estes pagam salários maiores e usam tecnologia mais avançada. Ambos os fatores são, claro, interligados: salários mais altos justificam o investimento em tecnologia, e o aumento de produtividade sustenta níveis de renda maiores. A dificuldade está na transição: como fazê-la em (muito) menos que 400 anos e sem depender de um enorme choque exógeno. Se buscarmos respostas na história de sucesso da Europa, um bom começo passa por inclusão de mais mulheres na força de trabalho e redução da taxa de fertilidade.

Corta para o Brasil de hoje: um dos fatores mais importantes e menos alardeados da história econômica do país desde a redemocratização é uma profunda transição demográfica, que segue surpreendendo nós, pobres economistas. A taxa de fertilidade caiu muito rápido: lembro de um texto de Roberto Campos, acho que do início dos anos 1980 (estou sem o livro aqui, é um dos primeiros do Ensaios Imprudentes, salvo engano) que a listava como "o" principal problema do país. Tal problema desapareceu em pouco mais de uma geração: em 1980 esperava-se que cada mulher tivesse 4 filhos durante sua vida; hoje, menos de 2. Em mais uma geração, a população total do país deve começar a declinar, a partir de um pico de 220 milhões. A surpresa mais recente, e que ajuda a explicar porque o desemprego segue baixo mesmo após anos de atividade econômica fraca e salários subindo, é o baixo crescimento da população economicamente ativa (está bem explicado neste artigo do Marcelo Muinhos). Não só a população total cresce pouco como também, aparentemente, demora-se mais para entrar no mercado de trabalho, já que o aumento da renda das famílias permite financiar mais anos de educação e diminui a pressão para que jovens comecem a trabalhar o quanto antes.

A tragédia do Brasil recente é a produtividade, que é frequentemente ligada à adoção de tecnologia. Além dos dados, anedotas não faltam: os ônibus nas grandes cidades ainda empregam cobradores, o enorme contingente de empregadas domésticas, manobristas, garçons, frentistas, recepcionistas, porteiros... Claro que não se trata de simplesmente extinguir esse tipo de trabalho, mas criar condições para que os que se empregam nele consigam trabalhos melhores e sejam substituídos por tecnologia e processos mais avançados (exemplo: grandes prefeituras poderiam aproveitar o mercado de trabalho aquecido e criar projetos para acabar com cobradores de ônibus em poucos anos, oferecendo um pacote de alguns meses de salário e cursos de qualificação. Há, claro, uma briga necesária a ser comprada com sindicatos e afins.) É preciso criar um círculo virtuoso onde empregadores concluam que só conseguirão ser competitivos se diminuírem o uso de mão de obra, invistam em tecnologia e a mão de obra dispensada, suficientemente qualificada, consiga outros empregos, criados por novos investimentos visando um mercado consumidor maior e com mais poder aquisitivo. Mais fácil falar do que fazer, evidentemente, mas boa parte das condições de uma "revolução industrial contemporânea" estão dadas pela transição demográfica descrita acima. Essas condições precisam ser aproveitadas antes que prevaleça a história do "país que envelheceu antes de ficar rico."

A grande conquista dos governos no PT (muito ajudados por um grande choque de termos de troca entre 2002 e 2012, é sempre bom reconhecer), e que, na minha visão, é totalmente coerente com a história do partido, foi o aumento consistente dos salários reais. Como isso ocorreu com produtividade em queda, dependeu de uma grande redistribuição que está culminando, acredito, em taxas de lucro das empresas que não justificam novos investimentos (além da inflação persistentemente alta.) Se isso está correto, a política econômica dos próximos anos deve ser fortemente voltada para o lado da oferta, assumindo que, corretamente, as conquistas recentes em salários não podem retroceder e serão naturalmente defendidas pelos enormes grupos de interesse que se criaram em torno delas (a obviedade aparente do suicídio eleitoral que seria defender a desindexação do salário mínimo é um bom indicador da força dessa defesa.) Acho que, dentro da conjuntura, há pouco espaço para mais "trabalhismo" e muito para um "desenvolvimentismo" que tem pouco a ver com o significado que tem se dado à palavra. Criá-lo vai requerer muita criatividade e esforço de economistas e políticos que, por enquanto, ainda precisam gastar tempo e energia discutindo e pensando em questões como controle da inflação e disciplina fiscal.


Outros links:
—O paper de Voth e Voigtländer;
—Um resumo da pesquisa de Robert C. Allen;
—Se não conseguirem acessar o Temin no NBER, uma alternativa.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Como caíram os poderosos (capitalismo de estado)

Matéria interessante na última Economist sobre o desencanto do mercado com companhias de controle estatal. Em 2009, estavam entre as 10 maiores companhias do mundo bancos chineses, uma petrolífera chinesa e a Petrobras. Hoje, 9 das 10 são americanas, e o capitalismo de mercado parece ter se salvado. O gráfico é de lá, e não custa lembrar que há pouco mais de ano e meio a capa da mesma Economist era essa aqui do lado.



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Frases do Dia - Utopias

In its distance from any existing or realistically imaginable condition of society, “the communist idea” that has been resurrected by thinkers such as Alain Badiou and Slavoj Žižek is on a par with fantasies of the free market that have been revived on the right. The ideology promoted by the Austrian economist F.A. Hayek and his followers, in which capitalism is the winner in a competition for survival among economic systems, has much in common with the ersatz version of evolution propagated by Herbert Spencer more than a century ago. Reciting long-exploded fallacies, these neo-Marxian and neoliberal theories serve only to illustrate the persisting power of ideas that promise a magical deliverance from human conflict.

Da brilhante resenha de John Gray para uma nova biografia de Karl Marx, do historiador Jonathan Sperber.

P.S. Hoje Hayek faria 114 anos.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

7 mitos sobre a economia brasileira que foram / estão sendo / serão destruídos

Diz George Soros (vou citar de orelha porque meus livros sumiram; se notarem algum erro, por favor corrijam) que bolhas especulativas nascem de uma percepção de mudança de paradigma. Na medida em que aparecem sinais dessa mudança, mais pessoas investem nela, o que reforça os sinais e atrai mais gente. Depois de algumas rodadas desse auto-reforço, a percepção se descola tanto da realidade que, mesmo que a mudança inicialmente prevista ocorra, é impossível que as expectativas embutidas nos preços sejam confirmadas. Isso ocorrendo, é questão de tempo para que a bolha estoure, ativos sejam liquidados e percepção e realidade voltem a se encontrar.

Esse esquema me parece bastante correto para descrever o passado recente do Brasil: do país que ia "decolar" para o pior mercado de ações do mundo e grandes dificuldades em crescer. Abaixo uma lista (sem a menor pretensão de ser exaustiva) dos mitos que foram, estão sendo e (acho que) serão destruídos sobre o Brasil:

1. O PIB potencial do Brasil cresceu

Nos últimos 20 anos, o PIB brasileiro cresceu em média 3,2% ao ano. Entre 2003 e 2010, com o boom de commodities, essa média foi de 4,05% ao ano, e muita gente achou que estávamos entrando em uma nova era de crescimento mais acelerado: no início de 2011, a Fitch dizia que o novo crescimento potencial era de 4,5% anuais, e o recém-empossado governo Dilma determinou uma absurda "meta" de 5,9% de crescimento durante o mandato. O choque de realidade veio com sucessivos "pibinhos", mesmo após cortes de juros e inúmeros pacotes de crescimento. Mais provável mesmo que o PIB potencial esteja ao redor da média de longo prazo (3% anuais, talvez um pouco menos), e todo o crescimento adicional tenha sido função da alta dos preços do que exportamos.

2. O Brasil autossuficiente em petróleo

Em 2006 Lula declarou a "autossuficiência" do Brasil em petróleo. Sete anos depois, nunca antes na história deste país se importou tanta gasolina, a ponto disso preocupar os acionistas e detentores de dívida da Petrobras e prejudicar as contas externas do país.

3. O que trava o país é a Selic alta

Claro que provavelmente ainda estamos passando pelos efeitos defasados da grande queda dos juros no ano passado, mas parece evidente que não vai ser isso que vai fazer o país decolar. Pelo menos serviu para evidenciar outros problemas estruturais.

4. O Brasil não depende tanto de commodities

A dependência no principal índice de ações é claríssima - e volta a ficar claro que, no que depende do mercado interno, o Brasil é um país com inúmeros gargalos e dificuldades estruturais.

5. Eike Batista como empreendedor e possível homem mais rico do mundo

O fundo do poço estava longe de chegar quando escrevi isso, em junho do ano passado. Hugh Hendry acertou em cheio. É o caso mais emblemático (e alavancado) do descolamento entre realidade e percepções do Brasil recente.

6. O triunfo do "capitalismo de estado"

Após a crise de 2007/2008, muita gente defendeu a ideia (mais aqui) de que grandes empresas estatais (ou de capital misto) e bancos de fomento seriam os grandes indutores de crescimento no futuro. Talvez haja versões mais ou menos efetivas do "capitalismo de estado"; a brasileira, aparentemente, não mostrou nenhum novo dinamismo, a não ser a capacidade de prover o crédito que os bancos privados não quiseram conceder, com resultados ainda para serem discutidos.

7. O fim das crises cambiais

Já disse várias vezes por aqui que a história econômica do Brasil pode ser contada pelas suas inúmeras crises cambiais. A bonança de commodities e o consequente aumento de reservas internacionais parece ter afastado o risco de uma nova crise no futuro recente. Desde 2007 o país tem financiado com relativa facilidade déficits sucessivos em conta corrente; resta saber se esse padrão se repetirá no futuro ou quanto tempo levará para que as aparentemente grandes reservas sejam consumidas se o dinheiro estrangeiro que entrou nos últimos anos resolver voltar para casa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Frases do Dia - Solow e Capitalismos

"There is not some glorious theoretical synthesis of capitalism that you can write down in a book and follow. You have to grope your way."

Robert Solow, em 1991, para o New York Times (citado por John McMillan)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Frases do Dia - Einstein e Socialismo

Albert Einstein wrote an article in 1949 called "Why Socialism?" His answer: the market economy brings crisis, instability, and impoverishment. "The economic anarchy of capitalist society as it exists today is, in my opinion, the real source of the evil." The only way to eliminate this evil, he concluded, was by establishing socialism, with the means of production "owned by society itself." He advocated a planned economy, which "adjusts production to the needs of the community, would distribute the work to be done among all those able to work and would guarantee a livelihood to very man, woman, and child."

John McMillan em Reinventing the Bazaar (que sigo lendo e gostando mais a cada página), mostrando como o famoso físico cedeu às tentações do planejamento centralizado. O texto original de Einstein pode ser lido aqui. Para evitar confundir Einstein com um stalinista de primeira ordem, vale também reproduzir o parágrafo seguinte:

Nevertheless, it is necessary to remember that a planned economy is not yet socialism. A planned economy as such may be accompanied by the complete enslavement of the individual. The achievement of socialism requires the solution of some extremely difficult socio-political problems: how is it possible, in view of the far-reaching centralization of political and economic power, to prevent bureaucracy from becoming all-powerful and overweening? How can the rights of the individual be protected and therewith a democratic counterweight to the power of bureaucracy be assured?

Respostas para essas simples questões podem ser dadas na caixa de comentários abaixo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fala Adam Smith (versão quadrinhos)

Tirei esse trechinho do Economix, um livro muito simpático que tenta contar a história do pensamento econômico em quadrinhos, a partir dos autores clássicos (comecei a ler no fim de semana). Essa é a versão dos autores para o grande Adam Smith:


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Leituras das últimas duas semanas

Skål!
- Trabalho interessante do BIS sobre mercados de dívida em moeda local.

- Nova carta de Jeremy Grantham, da GMO, sempre pertinente.

- Uma boa lista de livros sobre história das finanças; outra de filmes sobre mercado financeiro.

- Mark Dow defende Hillary Clinton como próxima secretária do tesouro americano.

- Entrevista com Eugene F. Fama.

- Luiz Felipe de Alencastro acha que a reeleição de Obama é uma vitória do keynesianismo (não sei se concordo).

- John Kay sobre o fetiche da manufatura.

- Nassim Taleb e cinco princípios para uma sociedade antifrágil. A Economist resenhou seu novo livro, que sai nos EUA semana que vem.

- Acemoglu, Robinson e Verdier sobre variedades de capitalismo (ou porque não podemos ser todos nórdicos).

- O fundo soberano da Noruega tornou-se o maior do mundo, ultrapassando o de Abu Dhabi.

- A história da participação de mulheres em trabalhos científicos. Economia é dos campos com menos presença feminina.

- O Santa Fe Institute abriu seu primeiro curso online, gratuito.

- Coisas mais novas que Oscar Niemeyer.

- A história do piso de cacos de lajota das casas paulistas.

- Ganhe um Nobel de Física... e uma torneira com cerveja ilimitada.

- Uma entrevista longa, meio velha e muito boa com João Moreira Salles.

- Cartões de visita dos personagens de Star Wars.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Capitalismo como objeto impossível e o inconsciente coletivo*

Provavelmente o Bruno Maron nunca viu a arte encomendada pela Artemis Capital que coloquei aqui, mas sua tira mais recente abre com esse quadro:

* Perdão pelo título, mais apropriado para uma tese de doutorado amalucada do que para um simples post.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Um Brasil do futuro: bom para o consumidor, pior para os capitalistas

De ler notícias e ouvir conversas, fiquei com uma impressão que pode ter desdobramentos interessantes (assumindo, claro, que eu não esteja redondamente errado, o que pode perfeitamente acontecer): ao mesmo tempo em que o Brasil tem se tornado mais protecionista para o comércio exterior (tentando manter um câmbio mais depreciado do que o que seria caso o regime fosse flutuante, com medidas tributárias para setores específicos, criando "campeões nacionais", etc), o país está se abrindo e atraindo investimento estrangeiro direto, em diversos setores da economia.

Uma consequência disso é que várias atividades que eram dominadas por players nacionais estão passando ou passarão a ter concorrentes estrangeiros de peso - o que me deu o "clique" foi a notícia de ontem do investimento de Peter Thiel na Oppa, loja virtual de móveis (que já havia sido fundada com capital estrangeiro). Pra pegar esse exemplo aplicado aqui a São Paulo: o mercado que antes era disputado por Casas Bahia e seus dormitórios Bartira, a Marabraz, a Tok & Stok e um monte de pequenos produtores que vendem na rua Teodoro Sampaio terá agora que se adaptar à existência de um novo varejista, possivelmente mais eficiente e disposto a disputar mercado via preços (isso mesmo sem a IKEA ainda não ameaçando aparecer por aqui). As margens devem cair (o que é condizente com a queda nos juros básicos), e o ganhador por excelência é o consumidor, com opções mais abundantes, melhores e mais baratas.

Outros exemplos recentes que me ocorrem (grandes players multinacionais anunciando entrada no mercado brasileiro): Expedia, Financial Times, Amazon, Netflix, GAP... devo estar esquecendo de muitos outros.

Não sei com qual grau de intenção, mas parece que foi criada uma situação em que o comércio exterior ainda é complicado e de pouco crescimento, mas as taxas de retorno (caindo, mas ainda altas quando comparadas ao resto do mundo), o ambiente macroeconômico / institucional e a expectativa de evolução do mercado têm atraído fluxos robustos de investimento estrangeiro direto. Se a tendência permanecer, esses fluxos devem aliviar as contas externas caso os preços de commodities comecem a cair, afastando por mais tempo o problema crônico de crises cambiais no país - isso tem funcionado para a Austrália há mais de 30 anos. Isso gera um efeito reflexivo para o investimento estrangeiro - com o fim do "peso problem", ou risco de uma grande desvalorização súbita do câmbio, mais investidores sentem-se seguros para trazer dinheiro para o país.

Enfim: margens e preços em queda, mais opções para o consumidor, menor risco de crise cambial. Talvez esse seja um caso próspero e otimista para o Brasil dos próximos anos (mais para o consumidor médio do que para os capitalistas, curiosamente). No caminho, muita coisa pode dar errado, mas boas sementes parecem estar sendo plantadas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Frases de 1968

Nosso Produto Interno Bruto agora ultrapassa 800 bilhões de dólares por ano. Mas nesse PIB estão embutidos a poluição do ar, os comerciais de cigarros e as ambulâncias para limpar nossas carnificinas. Ele inclui fechaduras especiais para nossas portas e prisões para as pessoas que as arrombam. Inclui a destruição de nossas sequoias e a perda de nossas maravilhas naturais em acumulações caóticas de lucro. Inclui as bombas napalm e as ogivas nucleares e os veículos blindados da polícia para combater os tumultos em nossas cidades. Inclui (...) os programas de televisão que estimulam a violência com a finalidade de vender brinquedos a nossas crianças. Entretanto, o PIB não garante a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação ou alegria de suas brincadeiras. Não inclui a beleza de nossa poesia ou a solidez de nossos casamentos, a inteligência de nossos debates públicos ou a integridade das autoridades de nosso governo. Ele não mensura nosso talento ou nossa coragem, nossa sabedoria ou nosso aprendizado, nossa compaixão ou nossa devoção a nosso país. Ele tem a ver com tudo, em suma, exceto com aquilo que faz com que a vida valha a pena. E ele pode nos dizer tudo sobre os Estados Unidos, exceto o motivo pelo qual temos orgulho de ser americanos.

Robert F. Kennedy, em discurso na Universidade de Kansas em 18 de março de 1968, citado por Michael J. Sandel no ótimo Justiça. Meio populista e moralista, claro, mas bom contraponto para quando parece ser uma prioridade de política econômica apenas voltar a um padrão de crescimento do PIB nominal, sem maiores considerações sobre os efeitos colaterais.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Frases do Dia - Favorecimento do Governo


Government-granted privileges are pathological. Privileges limit the prospects for mutually beneficial exchange—the very essence of economic progress. They raise prices, lower quality, and discourage innovation. They pad the pockets of the wealthy and well-connected at the expense of the poor and unknown. When governments dispense privileges, smart, hardworking, and creative people are encouraged to spend their time devising new ways to obtain favors instead of new ways  to create value for customers. Privileges depress long-run economic growth and  threaten short-run macroeconomic stability. They even undermine cultural mores,  fostering cronyism, blurring the distinction between productive and unproductive entrepreneurship, and eroding people’s trust in both business and government.


Da conclusão de um ótimo trabalho de Matthew Mitchell, do Mercatus Center da George Mason University. Vale a leitura completa - os exemplos que ele usa são dos EUA, mas dá para encontrar equivalentes do Brasil em todas as categorias.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Frases do Dia - O Mal Estar na Civilização

Negrito meu:


Louise Richardson, now the vice chancellor of the University of St. Andrews, in Scotland, combined an assistant professorship in government at Harvard with mothering three young children. She organized her time so ruthlessly that she always keyed in 1:11 or 2:22 or 3:33 on the microwave rather than 1:00, 2:00, or 3:00, because hitting the same number three times took less time.

Do ultracomentado texto de Anne-Marie Slaughter para a The Atlantic, Why Women Still Can't Have It All. O texto é bom e honesto, mas se conforma com uma visão de sucesso que me deixa profundamente incomodado. Devo andar precisando de férias.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tony Judt e o capitalismo dos nossos tempos

Tinha prometido colocar aqui alguns trechos do último capítulo (The Banality of Good: Social Democrat) do último Tony Judt, Thinking the Twentieth Century. Para economistas, é o capítulo mais interessante do livro. Aí vai o material para pensar:

Página 340:

Adam Smith argued that capitalism does not in itself generate the values that make its success possible; it inherits them from the pre-capitalist or non-capitalist world, or else borrows them (so to speak) from the language of religion or ethics. Values such as trust, faith, belief in the reliability of contracts, assumptions that the future will keep faith with past commitments and so on have nothing to do with the logic of markets per se, but they are necessary for their functioning.

Página 346:

The rates of growth in industrializing societies were thus typically 7 or even 9 percent - pretty much as they are in China today. What this indicate is that high rates of economic growth do not typically suggest prosperity, stability or modernity. They were long thought to be transitional features.

Página 347:

The loss of equilibrium that Keynes and his generation experienced with the First World War and the collapse of Edwardian, and therefore Victorian, certainties and security, is the most important informing sentiment in his theoretical writings.

Página 354:

All six of the foreign ministers who signed the European Steel and Coal Community, the foundation of institutionalized European economic cooperation, were Catholics: from Italy, France, largely Catholic West Germany and the Benelux countries.

Página 355:

We do well to recall that it was only a new generation of Anglo-American-inclined economic theorists and policy makers who claimed that planning as such was a failure. (...) English disillusion with planning was a by-product (not altogether justified) of disillusion with nationalization and the state control of the economy.

Página 358:

We need a similar renewal of attention to what lies under our noses. Today so many of us live in gated communities, physical enclaves that keep one kind of social reality out and also preserve another kind of social reality from intrusion. These enclosed micro-societies reassure their beneficiaries that since they are paying for their own services, they are not responsible for the expenses and demands of the society outside the gates. This makes them reluctant to pay for services and benefits from which they perceive no immediate private gain. 


What gets lost here, what is corroded in the distaste for common taxation, is the very idea of society as a terrain of shared responsibilities.

Página 359:

None of the water-starved, western states of the U.S. could survive a year without the American equivalent of what the European think of as regional subsidies.

Página 360:

The appearance of individual self-reliance is part of the myth of the American frontier. Destroy that or, rather, let it be destroyed, and you destroy part of our roots. This is a defensible and even reasonable political argument - there is no reason in principle why Americans should not pay to maintain whatever they consider most American about their heritage. But as an argument it has nothing to do with capitalism, individualism or the free market. On the contrary, it's an argument for a certain sort of welfare state - not least because of its unquestioned assumption thata certain sort of sustainable individualism requires a good deal of help from the state.

Página 361:

The effect of the dominance of economic language in an intellectual culture which was always vulnerable to the authority of "experts" has acted as a brake upon a more morally informed social debate.

Página 365:

So let's return to the capital markets: under today's arrangements, the losses of the biggest gamblers are covered sufficiently to ensure that people will, indeed, continue to take the risks but with no downside. Which means the risks they take will be ever less justified. If you don't have to worry about making the wrong decision, then there's a greater chance you will make the wrong decision.

Página 368:

... social policy should consist of creating the most educated electorate possible: precisely because the citizenry today are both more exposed to abuse and have more "authority" to abuse themselves than ever before.

Página 375:

Even at the height of the Iraqi absurdity, a majority of Americans favored huge government expenditure on under-articulated or straightforwardly dishones military ends, while claiming to believe in reducing taxation across the board, presumably including taxation that was intended to pay for military expenditure. Americans showed no interest in increasing the role of government in their lives, not realizing that they had just enthusiastically encouraged it to do just that in the most important ways in which government can intervene in their citizens' lives, namely fighting a war. This reveals an American collective cognitive dissonance that is very hard to overcome politically.

Página 386:

... the choice we face in the next generation is not capitalism versus communism, or the end of history versus the return of history, but the politics of social cohesion based around collective purposes versus the erosion of society by the politics of fear.


Evidentemente tem muito mais no livro, fica recomendada a leitura. Judt faz muitas perguntas relevantes, mesmo para quem não concorda com as respostas que ele mesmo fornece.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ai-que

Eike dureza ter que olhar de novo
pra essa capa ridícula...
This post in English.

Ontem o Arthur M. me mandou um e-mail perguntando se eu não ia escrever nada sobre a, digamos, maré de azar nas empresas do grupo X (considerando o meu muitas vezes manifestado ceticismo com relação a esses negócios). Eu respondi que não pretendia porque: primeiro, não entendo quase nada de petróleo - a maior queda (perda de metade do valor de mercado neste mês) foi da OGX, em teoria provocada por um corte de estimativa de produção em uma das áreas de exploração e; segundo, ainda era cedo para declarar Eike e suas empresas uma fraude completa. Isso foi enquanto a queda da OGXP3 no pregão era de "apenas" 7%. No fim do dia acelerou para quase 20%, a MMXM3 caiu outros 17% e fiquei com a impressão de que, na melhor expressão da célebre frase de Dornbusch, as coisas poderiam estar acontecendo mais rápido do que qualquer um poderia imaginar.

Eike é o arquétipo da ilusão do "Brasil que deu certo", que conseguiria enriquecer em uma geração com um modelo baseado em pouco mais do que exploração de commodities e a crença de que os termos de troca nunca voltariam a piorar. A genialidade de Eike foi perceber que o mundo havia se convencido dessas falácias, e que empresas pré-operacionais, com todo o risco associado a esse estágio do negócio e à exploração de commodities, poderiam ser vendidas como empresas maduras, cash cows em plena operação. Acho que o ajuste dos preços de mercado neste mês (que não sei se já terminou - de qualquer forma, o mês útil termina hoje) reflete a reversão dessa ilusão, e as empresas serão reprecificadas de forma a refletir melhor a realidade, não a expectativa de um futuro onde tudo deu certo. Uma próxima reprecificação pode ocorrer se o mercado se convencer de que alguns dos projetos vendidos são fraudes e que o investimento será perdido; não os conheço a fundo para saber se isso vai acontecer, ainda que não me pareceria uma grande surpresa. Ecoa na minha cabeça a frase que ouvi do professor L. Randall Wray em um seminário, há alguns meses: "nada é mais lucrativo que fraude". É possível que a loucura com o caso do Brasil tenha chegado a um ponto em que as expectativas exageradas de lucros só poderiam ser correspondidas com a venda de fraudes, com todas as letras. O próximo par de anos deve ser um bom teste para essa tese.

Um outro aspecto pernicioso do "fenômeno Eike" é o uso de sua história como modelo de gênio capitalista visionário - nada é mais ilustrativo disso do que a ridícula capa de uma edição de janeiro deste ano da revista com maior circulação no país. O capitalismo, nesse caso, é a exploração do setor primário, intensivo em capital e de baixíssimo potencial de inovação, fortemente regulado pelo governo, com o uso de grandes volumes de financiamento a juros subsidiados de um banco de fomento estatal. Compare com a trajetória de verdadeiros capitalistas visionários (pode ser o Steve Jobs, pra pegar um caso mais recente) e ache os sete erros. Até a alusão ao caso da China é apropriada: crescimento brutal em todos os sentidos, também com a possibilidade de ter sido alimentado além do verdadeiro potencial com uma miríade de fraudes. É esse o modelo que queremos usar?

"Não éramos tão ruins, nem ficamos tão bons", foi o que disse o professor Eduardo Giannetti em uma entrevista de dezembro de 2009. Pensando em mercados, se juntarmos a magnitude e o tempo que durou a ilusão de que eramos muito bons com a segunda regra de Bob Farrell (excessos em uma direção levam a excessos na direção oposta), podemos esperar um longo e duro período de correção, até que pareça de novo que somos muito ruins. Talvez estejamos vendo o início desse movimento. Torçamos pelo melhor, nos preparemos para o pior.

Agradeço ao Arthur M. pela provocação e discussão.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Indo pra prateleira...

Umas três ou quatro vezes por ano o carrinho da Amazon passa por aqui e faz a alegria deste ser antiquado que prefere papel às telas de tinta eletrônica ou cristal líquido. Desta vez, chegaram (fora os quadrinhos e romances pouco pertinentes):

- Central Banking in Theory and Practice, de Alan Blinder - vou começar a escrever em breve sobre bancos centrais para outro projeto, e para isso resolvi seguir a indicação de um chefe há uns cinco anos e me informar um pouco mais. Blinder foi um dos chefes dos conselheiros econômicos de Bill Clinton e braço direito de outro Alan, o Greenspan. Esse livrinho é produto das Robbins Lectures que Blinder proferiu na London School of Economics em 1996. Naquela época os EUA estavam quase zerando o déficit do orçamento, cresciam a 4% ao ano e, creio, a vida de banqueiro central era bem mais fácil. Vai ser interessante ver o que mudou nesses longos e esquisitos 16 anos.

- Financial Turmoil in Europe and the United States, de George Soros - coletânea de artigos curtos mais recente de Soros, que, ainda que às vezes repetitivo, segue como um dos observadores mais lúcidos e ilustrados da relação entre mercados financeiros e economia.

- Reinventing the Bazaar: a Natural History of Markets, de John McMillan - foi muito bem recomendado, agora não lembro por quem.

- The Mystery of Capital, de Hernando de Soto - um dos grandes livros sobre desenvolvimento que me falta ler. De Soto fez o famoso experimento tentando descobrir, nos anos 80, quanto tempo levaria para, pelos meios legais, abrir um novo negócio no Peru. Gastou 256 dias úteis para obter as 11 permissões necessárias, tendo que ceder e pagar propina para conseguir duas delas.

- The Element, de Ken Robinson - OK, parece meio auto-ajuda (e deve ser um pouco, mesmo), mas também foi bem recomendado.

- Hedge Fund Market Wizards, de Jack Schwager e The Alpha Masters, de Maneet Ahuja - ambos compilam entrevistas com gestores de hedge funds e devem ser de pouco ou nenhum interesse para quem não trabalha com isso. Eu acho útil, seja para aprender ou para observar as ilusões pelo acaso.

- What Money Can't Buy, de Michael J. Sandel - livro novo do filósofo político popstar de Harvard, antes ainda preciso ler o Justice. O Anatole Kaletsky disse que é naïve e superficial, veremos...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Frases do Dia - reciclando lucros

"There has never been a purely 'Smithian' market; and we know from copious experience that well-intentioned artisans do not normally survive the competition. If the skilled bakers of France survive today, it is thanks to subsidy. To put it no finer, the state recycles the profits of capitalism in its less appealing forms to sustain the more aesthetically appealing marginal enterpreneurs."

Do último Tony Judt, Thinking the Twentieth Century, que finalmente terminei de ler. O último capítulo tem uma das críticas mais inteligentes e pertinentes sobre o capitalismo atual que já li, durante a semana coloco alguns trechos aqui.

E seria bom se a reciclagem de lucros fosse só para atividades de apelo estético. Hoje em dia, vemos dinheiro de arrecadação pública sendo reciclado, para ficar em poucos exemplos, em:

- Companhias aéreas (que deveriam ser reconhecidas como bem público, ainda que moralmente isso seja muito difícil de ser defendido. Daí, creio, a preferência por um modelo que envolva o setor privado);

- Times de futebol, sempre gastando mais do que conseguem arrecadar e renegociando dívidas;

- Shows do Elton John pagos por banqueiros para seus amigos e convidados.

A lista pode ir longe. Agradeço ao Iconoclastas e ao André Poffo por uma discussão desse grande tema no twitter, devo voltar a ele no futuro.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Frases do Dia - Bancos & Prosperidade

The Theater in Chesnut Street Philadelphia, 1809
"We are well aware that some persons suppose much of the prosperity the country at present enjoys is owing to the banks; but we can find sufficient causes for the increase in national wealth in the combined operations of capital accumulated by the preceding generations with the exertions of an increased number of laborers in a country rich in natural resources, aided by improvements in the arts and discoveries in the sciences... Those who maintain that banks enrich a country are bound to prove that speculation creates wealth. Till they establish this paradox, we shall continue to believe in the old-fashioned doctrine that wealth owes its existence to industry and economy."

De um cartaz de 1829 criado por "working men and others opposed to the chartering of any more new banks" da Filadélfia. Citado no Grant's Interest Rate Observer desta semana, fonte de boa reflexão em tempos onde tudo parece ser justificável para salvar bancos.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Leituras da Semana

- Charlie Munger, o primeiro violino do maestro Warren Buffett, faz companhia a Keynes na definição de ouro como uma "relíquia bárbara": "I think gold is a great thing to sew in to your garments if you're a Jewish family in Vienna in 1939 but I think civilized people don't buy gold." A maioria dos americanos acha que ouro é o investimento mais seguro (seguido de imóveis, não parecem ter aprendido muito).

- O poder da "repressão financeira" para destruir dívida.


- Um bom relatório do Santander sobre os limites (ou falta deles) para a atuação do BNDES.

- Os fantásticos cursos abertos virtuais de Yale viraram livros. A iniciativa é tão bacana que eu deveria fazer propaganda toda semana. Dá para aprender sobre mercados financeiros com um tal Robert Shiller; eu comecei a assistir a um curso sobre capitalismo que parece muito bom.

- Enquanto isso, na UERJ, você pode aprender como se tornar um ninja.

- Elio Gaspari e o cheiro de picaretagem no livro Breakout Nations (o autor diz que o Plano Real saiu durante o governo Collor). A The Economist resenhou.

- Raghuram Rajan publicou, na Foreign Affairs, um artigo muito comentado sobre as possíveis lições da recessão nos EUA. Aqui um resumo das discussões.

- John Kay defende o fim do oligopólio bancário e menores barreiras de entrada no setor.

- Shaquille O'Neal agora é doutor (provavelmente o maior do mundo). Título da tese: How Leaders Utilize Humor or Seriousness in Leadership Styles.

- Uma conversa do Wall Street Journal com Deirdre McCloskey (é de Janeiro, tinha deixado passar).

- Para quem estiver pensando em seguir carreira de trader.

- Hugh Hendry preocupado com a "monocultura de fundos". Eu, com iniciativas como a do banco central do Japão, que está comprando ETFs de ações. A época parece ser de grande ameaça para livres mercados.

- James Montier, da GMO, na conferência anual do CFA Institute.

- Celso Barros, do NPTO, sobre as complicações de ler Marx.


- Das Kapital... em quadrinhos.

- O ministério de piadas prontas de Portugal, numa tentativa de amenizar a crise, cortou quatro feriados do calendário. Ganha um (ig)Nobel quem provar a relação entre número de feriados em um país e crescimento econômico.