Dia bom pra ler isso aqui (itens 7 e 8, em especial), mas não antes da explicação definitiva baseada em economia política.
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quarta-feira, 9 de julho de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
O Brasil BBB-
O rebaixamento da nota de crédito no Brasil começou em junho do ano passado. Foi quando, após uma forte alta no risco-país, generalizada entre os emergentes de perfil parecido (México, Colômbia, Peru), os demais crédiotos começaram a se recuperar e o risco-Brasil permaneceu significativamente mais alto. Quando o movimento começou, o prêmio do CDS de 5 anos dos quatro países era algo como 170 pontos; hoje, o Brasil segue pagando 170 pontos, enquanto México, Colômbia e Peru pagam, respectivamente, 87, 108 e 113 pontos. O comportamento do CDS brasileiro assemelha-se mais ao da Turquia, que tem uma situação externa muito pior (6% do PIB em déficit de conta corrente, contra menos de 4% do Brasil) e, politicamente, ameaça descambar de vez para o autoritarismo.
O resto do texto está no Estadão.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Frases do Dia - como ganhar dinheiro no mercado financeiro
The truth is that there are three ways to make money in finance, and only one of them is simple. The first is to possess better information than other market participants and use that information to buy low and sell high: this is nearly impossible to do on a regular basis. The second is to match necessary risks with investors for whom it makes sense to bear extra risk: this is very difficult. The third, and simplest, is to match necessary risks with investors who do not understand what those risks really are. This is especially easy when information in the financial markets is scant -- when securities are complex, when trading is proprietary and secret, and when balance sheets do not accurately represent firms’ performance.
Da resenha de J. Bradford DeLong, de Berkley, para o livro novo de Alan Blinder (After the Music Stopped). Está na última Foreign Affairs.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
I Like Eike
Na verdade, não, nem perto disso. Segue valendo o que escrevi no ano passado. Ocorre que talvez tenha chegado o ponto em que toda's as notícias ruins conhecidas já estão incorporadas às ações do "Grupo X", e que os preços já caíram tanto que ficaram atrativos para novos investidores, mais realistas e com mais margem de segurança. Alguns sinais contrários são gritantes:
1. Muitos dos analistas que recomendavam compra das ações a preços muito mais altos (tenho uma coleção de relatórios com preço-alvo de OGXP3 a R$20, R$30...) tornaram-se pessimistas, agora "prevendo" cotações muito baixas (a mesma OGXP3 a R$2, R$1,20, R$0,80...). Acho que vão se provar errados tanto na ida quanto na volta. Além disso, não entendo a motivação de um analista para recomendar venda de um papel que caiu 95%, por mais que tenha convicção que a empresa não vale nada. Em preços de liquidação forçada (o que parece ter sido o caso para algumas empresas), a assimetria e a margem de segurança estão para o lado oposto (sem contar o aumento da importância de insiders, pessoas familiarizadas com as possíveis negociações para salvar o grupo). Parece uma obediência cega ao modelo de fluxo de caixa descontado, como se este cobrisse todos os fatores que influenciam o preço de uma ação...
2. O sempre atento Arthur M. apontou para a capa da última edição da Exame. Não é um indicador tão bom quanto a capa da Veja, mas vem em hora oportuna.
Se não ficou claro: não gosto das empresas, da gestão, dos negócios. Só acho que há uma oportunidade altamente especulativa, algo como comprar um bilhete de loteria com algum viés a seu favor. Qualquer investimento nessas empresas deve ser feito considerando que há chance não desprezível dele valer, em alguns meses, zero; acredito, porém, que há uma probabilidade maior de que esses preços dobrem ou tripliquem. Caveat emptor.
P.S. E essa é a capa da Época desta semana:
1. Muitos dos analistas que recomendavam compra das ações a preços muito mais altos (tenho uma coleção de relatórios com preço-alvo de OGXP3 a R$20, R$30...) tornaram-se pessimistas, agora "prevendo" cotações muito baixas (a mesma OGXP3 a R$2, R$1,20, R$0,80...). Acho que vão se provar errados tanto na ida quanto na volta. Além disso, não entendo a motivação de um analista para recomendar venda de um papel que caiu 95%, por mais que tenha convicção que a empresa não vale nada. Em preços de liquidação forçada (o que parece ter sido o caso para algumas empresas), a assimetria e a margem de segurança estão para o lado oposto (sem contar o aumento da importância de insiders, pessoas familiarizadas com as possíveis negociações para salvar o grupo). Parece uma obediência cega ao modelo de fluxo de caixa descontado, como se este cobrisse todos os fatores que influenciam o preço de uma ação...
2. O sempre atento Arthur M. apontou para a capa da última edição da Exame. Não é um indicador tão bom quanto a capa da Veja, mas vem em hora oportuna.
Se não ficou claro: não gosto das empresas, da gestão, dos negócios. Só acho que há uma oportunidade altamente especulativa, algo como comprar um bilhete de loteria com algum viés a seu favor. Qualquer investimento nessas empresas deve ser feito considerando que há chance não desprezível dele valer, em alguns meses, zero; acredito, porém, que há uma probabilidade maior de que esses preços dobrem ou tripliquem. Caveat emptor.
P.S. E essa é a capa da Época desta semana:
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terça-feira, 23 de abril de 2013
Frases do Dia - Risco
And if you bundled together the middle-aged schoolteachers and strictly private dentists with the unemployed single parents and moonlighting plasterers, then sliced the bundles into high-, medium- and low-risk tranches, you could persuade the credit rating agencies like Fitch, Moody's and Standard & Poor's to award the top tranches a triple A. After all, even though the risk is pretty high that there'll be one or two defaults on those NINJA mortgages (No Income No Job No Assets - what the hell did they expect?) they're not all going to default, are they?
He smiles. It's at times like this that you need a sense of irony.
People are so stupid. They don't understand about risk. They let themselves be dazzled by returns of 7 per cent, 8 per cent, 9 per cent. Whoever is going to pay you that kind of money unless there's a reason? Then the Government started laying down the law, saying it wasn't their job to bail out reckless gamblers. Too right. But they bailed them out anyway, because they realised they had no choice. As Chicken so brilliantly put it, 'If I owe the bank £10,000, I've got problems. But if I owe it £10 million, the bank's got problems. Ha ha.'
Marina Lewycka, em Various Pets Alive and Dead.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
O problema dos fundos de pensão (e dos poupadores)
Em maio do ano passado, quando o governo mexeu nas regras de remuneração da poupança, escrevi um post sobre o que mudaria com a queda dos juros no Brasil - nenhum grande insight, só resultado de aritmética básica. Entre elas (já me perdoem a autocitação):
Aconteceu que, no ano passado, a combinação de inflação relativamente alta e juros em queda contínua levou os fundos de pensão a terem, na marcação a mercado, um dos melhores anos de sua história, disfarçando o problema e adiando a discussão das soluções. Ontem o Valor publicou a seguinte tabela, que da boa ideia do choque de realidade que esses fundos terão que se aplicar em breve (clique para aumentar):
Atualmente, a NTN-B mais longa (vencimento: 2050) paga juros reais de 3,80%. Ainda que a inflação corrente esteja acima das premissas, se nada mudar, este ano começa a abrir um abismo entre as premissas e o mundo real. Para os gestores de fundos, duas soluções são evidentes:
1. Reconhecer o quanto antes a mudança de paradigma, capitalizar (ou comunicar os cotistas que a vida mudou, o que não funciona para os planos de benefício fixo - aí resta diluir as perdas ao longo do tempo) os fundos e refazer os cálculos para o futuro com premissas mais realistas, de retornos menores;
2. Abandonar gradualmente os títulos públicos em troca de mais risco - ações, hedge funds, crédito, private equity, etc. É o que fazem os fundos de pensão no mundo desenvolvido, com resultados pouco uniformes - isso deixará evidente quem são os bons gestores e a escassez de bons ativos no país.
Para o beneficiário, passa a ser muito relevante a escolha de um bom gestor, já que o cenário é mais difícil e a tentação para barbeiragens aumentou muito.Infelizmente muitas vezes essa escolha não existe, com o plano é atrelado ao pacote de benefícios do empregador, que tem uma equipe de gestão própria (pode, no máximo, terceirizar parte do trabalho). Cabe aí, então, acompanhamento e cobrança. O poupador brasileiro aprendeu, durante muito tempo, a se proteger de instabilidade da moeda e inflação alta; agora deve passar por uma nova readaptação. Não será fácil, nem indolor.
Minha maior preocupação é com os grandes fundos de pensão, que, até alguns meses atrás, conseguiam bater a meta atuarial (algo como inflação mais 6% ao ano) aplicando em NTN-Bs longas e correndo relativamente pouco risco. Os novos fluxos compram esses papéis a taxas de mercado perto de inflação mais 4,5% ao ano, o que vai fazer com que esses fundos sejam levados a tomar mais risco (comprando ações e títulos privados, investindo em fundos multimercado, imóveis, commodities e o que mais passar pela frente) ou reavaliem suas contas atuariais, provavelmente concluindo que o rombo é maior ou virá antes do que se esperava. Correr os riscos mencionados acima não é nenhuma garantia de que a diferença entre a meta atuarial e os retorno dos fundos será preenchida; dependendo da qualidade da gestão, justo o contrário.
Aconteceu que, no ano passado, a combinação de inflação relativamente alta e juros em queda contínua levou os fundos de pensão a terem, na marcação a mercado, um dos melhores anos de sua história, disfarçando o problema e adiando a discussão das soluções. Ontem o Valor publicou a seguinte tabela, que da boa ideia do choque de realidade que esses fundos terão que se aplicar em breve (clique para aumentar):
Atualmente, a NTN-B mais longa (vencimento: 2050) paga juros reais de 3,80%. Ainda que a inflação corrente esteja acima das premissas, se nada mudar, este ano começa a abrir um abismo entre as premissas e o mundo real. Para os gestores de fundos, duas soluções são evidentes:
1. Reconhecer o quanto antes a mudança de paradigma, capitalizar (ou comunicar os cotistas que a vida mudou, o que não funciona para os planos de benefício fixo - aí resta diluir as perdas ao longo do tempo) os fundos e refazer os cálculos para o futuro com premissas mais realistas, de retornos menores;
2. Abandonar gradualmente os títulos públicos em troca de mais risco - ações, hedge funds, crédito, private equity, etc. É o que fazem os fundos de pensão no mundo desenvolvido, com resultados pouco uniformes - isso deixará evidente quem são os bons gestores e a escassez de bons ativos no país.
Para o beneficiário, passa a ser muito relevante a escolha de um bom gestor, já que o cenário é mais difícil e a tentação para barbeiragens aumentou muito.Infelizmente muitas vezes essa escolha não existe, com o plano é atrelado ao pacote de benefícios do empregador, que tem uma equipe de gestão própria (pode, no máximo, terceirizar parte do trabalho). Cabe aí, então, acompanhamento e cobrança. O poupador brasileiro aprendeu, durante muito tempo, a se proteger de instabilidade da moeda e inflação alta; agora deve passar por uma nova readaptação. Não será fácil, nem indolor.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Leituras da Semana
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| Por que não 100 trilhões? |
- Neste ano o Brasil deve se tornar o maior produtor de soja do mundo.
- A recuperação nos preços de minério de ferro.
- Um olhar por cima nas ações da Bovespa.
- Kevin O'Rourke, curtinho, sobre o desemprego na zona do euro.
- Os maiores riscos de 2013, pelo Eurasia Group.
- Eichengreen e seus coautores sobre a middle-income trap.
- O excesso de oferta de profissionais com MBA.
- Condensando o conhecimento econômico em uma frase.
- A morte da teoria (em relações internacionais e economia)?
- Max Planck sobre economia.
- O único guia possível para a história da moeda de um trilhão de dólares.
- O atum mais caro da história.
- Como seria a Europa se todos os movimentos separatistas tivessem sucesso.
- Um gerador de textos aleatórios do Thomas Friedman.
- Dois discos que estou ansioso pra ouvir: os novos de Patricia Barber e Rudresh Mahanthappa.
- Fatos verdadeiros sobre bichos-preguiça.
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Conferindo as previsões para 2012
Hora do leitor se divertir com a pretensão deste escriba ao imaginar há um ano o que aconteceria nos doze meses seguintes:
- Juros reais no Brasil vão seguir caindo. Investir em NTN-Bs seguirá sendo uma boa opção, o retorno deve superar o CDI por mais um ano.
Comecei com um mega acerto: para a alegria dos fundos multimercados, os juros caíram de forma praticamente ininterrupta durante 2010. Para os detentores de NTN-B, melhor ainda, já que a inflação seguiu relativamente alta. O rendimento anual da NTN-B 2022 caiu de 5,47% para 3,32%, e o índice IMA-B rendeu quase 27% no ano. 1 / 1.
- Juros das Treasuries americanas também cairão, fazendo novas mínimas históricas.
Fato: os juros de 10 anos americanos começaram o ano a 1,95%, terminaram a 1,80%, mas chegaram a 1,39% em julho, menor taxa desde sempre. 1 / 1.
- Juros de 10 anos dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Alemanha começam 2012 mais ou menos nos mesmos níveis (entre 1,9% e 2,0%). Acredito em algumas apostas de divergência, comprando EUA e Canadá e vendendo os outros dois.
A hipótese por trás dessa previsão é que o mercado de renda fixa ia começar a diferenciar ainda mais entre os créditos soberanos; aconteceu justo o contrário: spreads fecharam e os juros tiveram uma nova convergência. No caso da Europa, a decisão da Alemanha de, indiretamente, financiar a dívida da parte "ruim" do continente não só não piorou sua percepção de risco de crédito, mas muito dinheiro entrou no país em busca de segurança. Os juros de EUA, Canadá e Inglaterra terminaram 2012 mais ou menos no mesmo patamar (perto de 1,9%); a Alemanha furou de vez a previsão e encerrou o ano pagando 1,32%. 0 / 1.
- Política monetária segue frouxa no mundo todo. E tome QE3 nos EUA, QEn no Reino Unido, algo parecido na Europa...
Sim, bancos centrais seguiram muito ativos, e a política monetária seguiu bastante frouxa (mais em termos de juros baixos do que em crescimento de balanços - monetaristas vão preferir esta medida). A próxima alta de juros no mundo desenvolvido concorre no futuro distante com a volta do cometa Halley. 1 / 1.
- O real vai seguir se depreciando contra o dólar americano, assim como o rand sul-africano, a lira turca, o peso mexicano e o forint húngaro.
2012 passou longe de ser um ano de fortalecimento geral do dólar. O real e o rand de fato se depreciaram, mas as demais moedas que listei bateram com gosto na minha cara (lira turca +6%, peso mexicano +8,4%, forint +10%). 0,3 / 1.
- Reservas internacionais brasileiras não chegam aos US$ 400 bilhões. Chance não desprezível de começarem a cair. Comprar CDS do Brasil e México a um prêmio de 160 b.p. (50 b.p. mais baixo que o da França) parece uma boa aposta assimétrica.
De novo previsão baseada na ideia de dólar mais forte, ou um aperto na liquidez nesta moeda. Valeu para as reservas do Brasil (terminaram o ano perto de US$380 bilhões, mais ou menos estáveis desde maio), mas os prêmios de CDS seguiram o fechamento dos spreads de renda fixa. Brasil e México começam 2013 com prêmios próximos a 100 b.p. (do ponto de vista de assimetria, a aposta agora é ainda melhor). 0,4 / 1.
- Sigo comprando bancos americanos, vendendo bancos europeus (o short selling está banido na maioria dos mercados na Europa, mas há como montar proxies disso).
A estratégia teria sido muito ganhadora se fosse revertida por volta do meio do ano. Desde então, o pacote de bondades de Mario Draghi e companhia provocou uma forte recuperação nas ações dos bancos europeus. Os índices que representam esses mercados tiveram desempenhos muito parecidos: o S&P500 Financials Index (EUA) subiu 26%; o Stoxx 600 Banks subiu 23,5%. 0,5 / 1.
- Se o crescimento da China ameaçar ir abaixo do esperado, o banco central voltará a desvalorizar o yuan. Acho o payoff dessa aposta muito bom, mesmo num cenário de crescimento inalterado, já que a maioria do mundo acha que o yuan só deveria se valorizar. Outra aposta muito boa em moedas é comprar coroa dinamarquesa contra euro, favorita do Cerebelo Econômico.
É, a maioria do mundo teve razão, e o yuan valorizou 1% contra o dólar durante 2012 (pelo menos confirmou a assimetria da aposta). O peg euro / coroa dinamarquesa seguiu inabalado. 0,2 / 1.
- Preços de imóveis nos EUA já fizeram a mínima; o índice Case-Shiller deve voltar a subir. Em São Paulo e no Rio, creio que estamos perto de uma inflexão. No melhor dos casos, acredito em altas até 10%, e o custo de oportunidade começaria a pesar.
A última leitura do Case-Shiller é do final de outubro; se vale a tendência, de fato, o índice fez uma mínima no final de 2011 e passou a subir. A alta até então era de 5%. Por aqui, o FIPE ZAP subia 13% nos doze meses até o final de novembro - nada perto da exuberância dos últimos anos, mas longe de causar alguma preocupação para os compradores. 0,5 / 1.
- Ações para vender: LinkedIn, Zynga, Groupon, Facebook (depois do IPO). No geral, negócios que dependem de muita fé em crescimento de fluxos de caixa futuros não irão bem (Grupo X?). Vou seguir apostando contra a Apple porque errei no ano passado (péssimo motivo, mas aqui passa).
Nas ações americanas LinkedIn bateu na minha cara (+75%), acertei em cheio as demais (Zynga -75%, Groupon -75%, Facebook caiu 33% do IPO até o final do ano). O ano de fato foi péssimo para os sócios do Eike Batista (OGX -65%, MMX -36%, LLX -25%, OSX -11%), assim como era o motivo para apostar contra a Apple (+33% - ainda que tenha valido a regra de bolso que diz que empresas ainda não conseguiram passar muito tempo com valor de mercado acima de US$500 bilhões). 0,7 / 1.
- Agências de classificação de risco vão continuar o mergulho na direção da irrelevância. Venderia ações da Moody's, por princípio. Possivelmente sofrerão ameaças ou represálias dos governos que tiverem suas notas rebaixadas.
Talvez tenha acertado o princípio (os mercados de dívida soberana pouco reagiram a vários rebaixamentos, sobretudo na Europa), mas o acionista da Moody's teve um grande ano (+47%), provavelmente pela forte atividade de novos emissores. 0,3 / 1.
- Será bom comprar ações no Brasil, mas num preço pelo menos 10% mais baixo do que estão começando o ano. Ainda assim, melhor fazer o mínimo de stock picking do que comprar o índice, temo muito pela combinação de commodities + empresas picaretas que o compõe hoje. Para pegar um caso, bancos grandes devem ir melhor do que o índice. Empresas "parceiras" do BNDES, pior.
10% de queda no Ibovespa coincide (foi sorte, mesmo, não tinha pensado nesses termos) com o melhor suporte para o índice no ano, ao redor dos 52.000 pontos. E de fato o stock picking evitando commodities e picaretas funcionou muito bem, vide o bom desempenho de muitos fundos ativos ou long-short. Houve alguma dispersão entre os bancos grandes (BB e Bradesco melhores, Itaú e Santander piores), e as empresas X e os frigoríficos (pra ficar nos casos mais evidentes) de fato foram pior do que o índice. 0,8 / 1.
- Não gosto de Vale, vai ser dos shorts mais líquidos disponíveis no mercado quando o mundo se der conta de que a China pode, surpresa, não crescer perto de 10% ano após ano.
Vale chegou a cair mais de 20% no ano, teve uma grande recuperação e terminou mais ou menos no 0 x 0. O susto com o minério de ferro passou relativamente rápido, mas foi uma oportunidade para quem soube realizar lucros. 0,4 / 1.
- Bancos médios vão seguir indo mal no Brasil. O modelo de negócios da maioria deles (captar caro no exterior e emprestar ainda mais caro aqui) parece estar se esgotando. O FGC deve ter trabalho.
BVA, Cruzeiro do Sul... as fraudes começaram a aparecer, mas o mercado diferenciou bem o setor, e os demais listados (Indusval, Pine, ABC) tiveram um bom ano. 0,5 / 1.
- Não tenho grandes convicções em commodities, mas se fosse pra comprar algo, seria petróleo.Agrícolas têm cara de que ainda podem cair muito.
Petróleo passou bem pouco tempo acima de onde começou o ano ($103 para o barril de WTI), teria sido péssimo investimento. O índice de agrícolas (DBA) caiu um pouco durante o ano (3%), com grande diferenciação (trigo, soja e milho subiram; açúcar, algodão e café caíram bastante). 0,1 / 1.
- Creio que hedge funds terão outro ano para ser esquecido, com mercados de ações sem tendência e intervenções cada vez maiores dos governos.
De fato, o ano foi muito difícil para hedge funds, que muito provavelmente (dados demoram para serem consolidados) tiveram desempenho pior do que a maioria das estratégias passivas. Ações ficaram mesmo sem tendência durante grande parte do ano, e as intervenções tiveram gatilhos e consequências muito difíceis de serem previstas. 1 / 1.
- Ainda há alguma intenção de concluir a Rodada de Doha, da OMC? Se há, vai falhar.
Não houve, aparentemente o mundo tinha coisas mais importantes para se preocupar. 0 / 0.
- São Paulo vai eleger um prefeito de ruim a muito ruim.
Considerando que estivemos perto de eleger o Rousseau Mano, acho que saímos no lucro. 0,5 / 1.
- Metade das participantes do Big Brother farão capas da Playboy e/ou Sexy.
Não contei, mas essa previsão é quase como dizer que o sol vai nascer amanhã: um dia vai falhar, mas demora... 1 / 1.
- Meryl Streep será, de novo, indicada para um Oscar (dããã).
Não só foi indicada, ganhou o terceiro como a Margaret Thatcher do fraquinho A Dama de Ferro. 1 / 1.
- O Corinthians finalmente vence a Libertadores (PAREM DE RIR!). Lusa se segura na série A.
Preciso recorrer aos grandes irmãos Gershwin para celebrar o maior acerto da história deste blog:
They all laughed at Christopher Columbus
When he said the world was round
They all laughed when Edison recorded sound
They all laughed at Wilbur and his brother
When they said that man could fly
They told Marconi
Wireless was a phony
It's the same old cry
(...)
For ho, ho, ho!
Who's got the last laugh?
Hee, hee, hee!
Let's at the past laugh
Ha, ha, ha!
Who's got the last laugh now?
E a Lusa bem que tentou cair, mas se segurou entre os grandes. 1,2 / 1.
- Usain Bolt perde os 100m rasos, mas leva os 200m em Londres. Brasil fará novo fiasco, no futebol masculino e no geral.
Bolt foi a Apple dos esportes, impossível apostar contra. Quanto ao Brasil:
- Os filmes argentinos continuarão (muito) melhores que os brasileiros.
Na minha lista de melhores do ano entraram um argentino e um brasileiro, mas não foi um ano em que acompanhei de perto a produção de ambos (leitores, alguma opinião?). Grandes expectativas para O Som ao Redor, que estreia em SP amanhã. 0,5 / 1.
- O megahit Ai Se Eu Te Pego será regravado em Espanhol, Italiano, Romeno, Swahili, Esperanto e Cantonês.
Devem ter gravado até em klingon e algumas das línguas do Tolkien. Algumas amostras aqui. 0,8 / 1.
- O mundo não vai acabar em 21 de Dezembro. Lá pra Novembro eu publico a nova data.
Esqueci de publicar a nova data, mas, aparentemente, sobrevivemos. 1 / 1.
- Vou errar mais previsões do que no ano passado.
Somando meus pontos (se corretamente atribuídos, cornetem nos comentários):
Previsões "sérias" (economia, mercados e afins): 8,5 / 16 = 53%
Previsões aleatórias: 6,9 / 8 = 86%
Total: 15,4 / 24 = 64%
Acertei mais do que ano passado, o que faz esta metaprevisão contar como erro e joga meu desempenho para 62%, um pouco melhor do que um chimpanzé jogando cara ou coroa (pior ainda considerando que o que puxou a média pra cima foram as previsões não relacionadas à economia - aceito ofertas de emprego para comentar entretenimento e esportes).
Numa nota um pouco mais séria: a cada ano que passo trabalhando com gestão de dinheiro, aumenta minha convicção de que acertar previsões tem importância secundária para essa atividade (sorte, flexibilidade, gestão de risco e margem de segurança são muito mais relevantes). Hoje trato-as como hipóteses: boas até serem contrariadas pelos mercados, tendo que ser trocadas ou modificadas a partir daí (como diz um antigo chefe, somos pagos para ganhar dinheiro para os clientes, não para nos provarmos certos). Tendo partido de economista de formação quase totalmente ortodoxa e cheio de convicções, esse tem sido um processo difícil de deseducação, mas que tem facilitado enormemente minha vida. Talvez sirva de conselho para quem quer seguir o mesmo caminho.
Em alguns dias coloco aqui meus chutes para este ano, ainda preciso gastar mais um tempo pensando.
- Juros reais no Brasil vão seguir caindo. Investir em NTN-Bs seguirá sendo uma boa opção, o retorno deve superar o CDI por mais um ano.
Comecei com um mega acerto: para a alegria dos fundos multimercados, os juros caíram de forma praticamente ininterrupta durante 2010. Para os detentores de NTN-B, melhor ainda, já que a inflação seguiu relativamente alta. O rendimento anual da NTN-B 2022 caiu de 5,47% para 3,32%, e o índice IMA-B rendeu quase 27% no ano. 1 / 1.
- Juros das Treasuries americanas também cairão, fazendo novas mínimas históricas.
Fato: os juros de 10 anos americanos começaram o ano a 1,95%, terminaram a 1,80%, mas chegaram a 1,39% em julho, menor taxa desde sempre. 1 / 1.
- Juros de 10 anos dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Alemanha começam 2012 mais ou menos nos mesmos níveis (entre 1,9% e 2,0%). Acredito em algumas apostas de divergência, comprando EUA e Canadá e vendendo os outros dois.
A hipótese por trás dessa previsão é que o mercado de renda fixa ia começar a diferenciar ainda mais entre os créditos soberanos; aconteceu justo o contrário: spreads fecharam e os juros tiveram uma nova convergência. No caso da Europa, a decisão da Alemanha de, indiretamente, financiar a dívida da parte "ruim" do continente não só não piorou sua percepção de risco de crédito, mas muito dinheiro entrou no país em busca de segurança. Os juros de EUA, Canadá e Inglaterra terminaram 2012 mais ou menos no mesmo patamar (perto de 1,9%); a Alemanha furou de vez a previsão e encerrou o ano pagando 1,32%. 0 / 1.
- Política monetária segue frouxa no mundo todo. E tome QE3 nos EUA, QEn no Reino Unido, algo parecido na Europa...
Sim, bancos centrais seguiram muito ativos, e a política monetária seguiu bastante frouxa (mais em termos de juros baixos do que em crescimento de balanços - monetaristas vão preferir esta medida). A próxima alta de juros no mundo desenvolvido concorre no futuro distante com a volta do cometa Halley. 1 / 1.
- O real vai seguir se depreciando contra o dólar americano, assim como o rand sul-africano, a lira turca, o peso mexicano e o forint húngaro.
2012 passou longe de ser um ano de fortalecimento geral do dólar. O real e o rand de fato se depreciaram, mas as demais moedas que listei bateram com gosto na minha cara (lira turca +6%, peso mexicano +8,4%, forint +10%). 0,3 / 1.
- Reservas internacionais brasileiras não chegam aos US$ 400 bilhões. Chance não desprezível de começarem a cair. Comprar CDS do Brasil e México a um prêmio de 160 b.p. (50 b.p. mais baixo que o da França) parece uma boa aposta assimétrica.
De novo previsão baseada na ideia de dólar mais forte, ou um aperto na liquidez nesta moeda. Valeu para as reservas do Brasil (terminaram o ano perto de US$380 bilhões, mais ou menos estáveis desde maio), mas os prêmios de CDS seguiram o fechamento dos spreads de renda fixa. Brasil e México começam 2013 com prêmios próximos a 100 b.p. (do ponto de vista de assimetria, a aposta agora é ainda melhor). 0,4 / 1.
- Sigo comprando bancos americanos, vendendo bancos europeus (o short selling está banido na maioria dos mercados na Europa, mas há como montar proxies disso).
A estratégia teria sido muito ganhadora se fosse revertida por volta do meio do ano. Desde então, o pacote de bondades de Mario Draghi e companhia provocou uma forte recuperação nas ações dos bancos europeus. Os índices que representam esses mercados tiveram desempenhos muito parecidos: o S&P500 Financials Index (EUA) subiu 26%; o Stoxx 600 Banks subiu 23,5%. 0,5 / 1.
- Se o crescimento da China ameaçar ir abaixo do esperado, o banco central voltará a desvalorizar o yuan. Acho o payoff dessa aposta muito bom, mesmo num cenário de crescimento inalterado, já que a maioria do mundo acha que o yuan só deveria se valorizar. Outra aposta muito boa em moedas é comprar coroa dinamarquesa contra euro, favorita do Cerebelo Econômico.
É, a maioria do mundo teve razão, e o yuan valorizou 1% contra o dólar durante 2012 (pelo menos confirmou a assimetria da aposta). O peg euro / coroa dinamarquesa seguiu inabalado. 0,2 / 1.
- Preços de imóveis nos EUA já fizeram a mínima; o índice Case-Shiller deve voltar a subir. Em São Paulo e no Rio, creio que estamos perto de uma inflexão. No melhor dos casos, acredito em altas até 10%, e o custo de oportunidade começaria a pesar.
A última leitura do Case-Shiller é do final de outubro; se vale a tendência, de fato, o índice fez uma mínima no final de 2011 e passou a subir. A alta até então era de 5%. Por aqui, o FIPE ZAP subia 13% nos doze meses até o final de novembro - nada perto da exuberância dos últimos anos, mas longe de causar alguma preocupação para os compradores. 0,5 / 1.
- Ações para vender: LinkedIn, Zynga, Groupon, Facebook (depois do IPO). No geral, negócios que dependem de muita fé em crescimento de fluxos de caixa futuros não irão bem (Grupo X?). Vou seguir apostando contra a Apple porque errei no ano passado (péssimo motivo, mas aqui passa).
Nas ações americanas LinkedIn bateu na minha cara (+75%), acertei em cheio as demais (Zynga -75%, Groupon -75%, Facebook caiu 33% do IPO até o final do ano). O ano de fato foi péssimo para os sócios do Eike Batista (OGX -65%, MMX -36%, LLX -25%, OSX -11%), assim como era o motivo para apostar contra a Apple (+33% - ainda que tenha valido a regra de bolso que diz que empresas ainda não conseguiram passar muito tempo com valor de mercado acima de US$500 bilhões). 0,7 / 1.
- Agências de classificação de risco vão continuar o mergulho na direção da irrelevância. Venderia ações da Moody's, por princípio. Possivelmente sofrerão ameaças ou represálias dos governos que tiverem suas notas rebaixadas.
Talvez tenha acertado o princípio (os mercados de dívida soberana pouco reagiram a vários rebaixamentos, sobretudo na Europa), mas o acionista da Moody's teve um grande ano (+47%), provavelmente pela forte atividade de novos emissores. 0,3 / 1.
- Será bom comprar ações no Brasil, mas num preço pelo menos 10% mais baixo do que estão começando o ano. Ainda assim, melhor fazer o mínimo de stock picking do que comprar o índice, temo muito pela combinação de commodities + empresas picaretas que o compõe hoje. Para pegar um caso, bancos grandes devem ir melhor do que o índice. Empresas "parceiras" do BNDES, pior.
10% de queda no Ibovespa coincide (foi sorte, mesmo, não tinha pensado nesses termos) com o melhor suporte para o índice no ano, ao redor dos 52.000 pontos. E de fato o stock picking evitando commodities e picaretas funcionou muito bem, vide o bom desempenho de muitos fundos ativos ou long-short. Houve alguma dispersão entre os bancos grandes (BB e Bradesco melhores, Itaú e Santander piores), e as empresas X e os frigoríficos (pra ficar nos casos mais evidentes) de fato foram pior do que o índice. 0,8 / 1.
- Não gosto de Vale, vai ser dos shorts mais líquidos disponíveis no mercado quando o mundo se der conta de que a China pode, surpresa, não crescer perto de 10% ano após ano.
Vale chegou a cair mais de 20% no ano, teve uma grande recuperação e terminou mais ou menos no 0 x 0. O susto com o minério de ferro passou relativamente rápido, mas foi uma oportunidade para quem soube realizar lucros. 0,4 / 1.
- Bancos médios vão seguir indo mal no Brasil. O modelo de negócios da maioria deles (captar caro no exterior e emprestar ainda mais caro aqui) parece estar se esgotando. O FGC deve ter trabalho.
BVA, Cruzeiro do Sul... as fraudes começaram a aparecer, mas o mercado diferenciou bem o setor, e os demais listados (Indusval, Pine, ABC) tiveram um bom ano. 0,5 / 1.
- Não tenho grandes convicções em commodities, mas se fosse pra comprar algo, seria petróleo.Agrícolas têm cara de que ainda podem cair muito.
Petróleo passou bem pouco tempo acima de onde começou o ano ($103 para o barril de WTI), teria sido péssimo investimento. O índice de agrícolas (DBA) caiu um pouco durante o ano (3%), com grande diferenciação (trigo, soja e milho subiram; açúcar, algodão e café caíram bastante). 0,1 / 1.
- Creio que hedge funds terão outro ano para ser esquecido, com mercados de ações sem tendência e intervenções cada vez maiores dos governos.
De fato, o ano foi muito difícil para hedge funds, que muito provavelmente (dados demoram para serem consolidados) tiveram desempenho pior do que a maioria das estratégias passivas. Ações ficaram mesmo sem tendência durante grande parte do ano, e as intervenções tiveram gatilhos e consequências muito difíceis de serem previstas. 1 / 1.
- Ainda há alguma intenção de concluir a Rodada de Doha, da OMC? Se há, vai falhar.
Não houve, aparentemente o mundo tinha coisas mais importantes para se preocupar. 0 / 0.
- São Paulo vai eleger um prefeito de ruim a muito ruim.
Considerando que estivemos perto de eleger o Rousseau Mano, acho que saímos no lucro. 0,5 / 1.
- Metade das participantes do Big Brother farão capas da Playboy e/ou Sexy.
Não contei, mas essa previsão é quase como dizer que o sol vai nascer amanhã: um dia vai falhar, mas demora... 1 / 1.
- Meryl Streep será, de novo, indicada para um Oscar (dããã).
Não só foi indicada, ganhou o terceiro como a Margaret Thatcher do fraquinho A Dama de Ferro. 1 / 1.
- O Corinthians finalmente vence a Libertadores (PAREM DE RIR!). Lusa se segura na série A.
Preciso recorrer aos grandes irmãos Gershwin para celebrar o maior acerto da história deste blog:
They all laughed at Christopher Columbus
When he said the world was round
They all laughed when Edison recorded sound
They all laughed at Wilbur and his brother
When they said that man could fly
They told Marconi
Wireless was a phony
It's the same old cry
(...)
For ho, ho, ho!
Who's got the last laugh?
Hee, hee, hee!
Let's at the past laugh
Ha, ha, ha!
Who's got the last laugh now?
E a Lusa bem que tentou cair, mas se segurou entre os grandes. 1,2 / 1.
- Usain Bolt perde os 100m rasos, mas leva os 200m em Londres. Brasil fará novo fiasco, no futebol masculino e no geral.
Bolt foi a Apple dos esportes, impossível apostar contra. Quanto ao Brasil:
0,7 / 1.
- Os filmes argentinos continuarão (muito) melhores que os brasileiros.
Na minha lista de melhores do ano entraram um argentino e um brasileiro, mas não foi um ano em que acompanhei de perto a produção de ambos (leitores, alguma opinião?). Grandes expectativas para O Som ao Redor, que estreia em SP amanhã. 0,5 / 1.
- O megahit Ai Se Eu Te Pego será regravado em Espanhol, Italiano, Romeno, Swahili, Esperanto e Cantonês.
Devem ter gravado até em klingon e algumas das línguas do Tolkien. Algumas amostras aqui. 0,8 / 1.
- O mundo não vai acabar em 21 de Dezembro. Lá pra Novembro eu publico a nova data.
Esqueci de publicar a nova data, mas, aparentemente, sobrevivemos. 1 / 1.
- Vou errar mais previsões do que no ano passado.
Somando meus pontos (se corretamente atribuídos, cornetem nos comentários):
Previsões "sérias" (economia, mercados e afins): 8,5 / 16 = 53%
Previsões aleatórias: 6,9 / 8 = 86%
Total: 15,4 / 24 = 64%
Acertei mais do que ano passado, o que faz esta metaprevisão contar como erro e joga meu desempenho para 62%, um pouco melhor do que um chimpanzé jogando cara ou coroa (pior ainda considerando que o que puxou a média pra cima foram as previsões não relacionadas à economia - aceito ofertas de emprego para comentar entretenimento e esportes).
Numa nota um pouco mais séria: a cada ano que passo trabalhando com gestão de dinheiro, aumenta minha convicção de que acertar previsões tem importância secundária para essa atividade (sorte, flexibilidade, gestão de risco e margem de segurança são muito mais relevantes). Hoje trato-as como hipóteses: boas até serem contrariadas pelos mercados, tendo que ser trocadas ou modificadas a partir daí (como diz um antigo chefe, somos pagos para ganhar dinheiro para os clientes, não para nos provarmos certos). Tendo partido de economista de formação quase totalmente ortodoxa e cheio de convicções, esse tem sido um processo difícil de deseducação, mas que tem facilitado enormemente minha vida. Talvez sirva de conselho para quem quer seguir o mesmo caminho.
Em alguns dias coloco aqui meus chutes para este ano, ainda preciso gastar mais um tempo pensando.
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Leituras da Semana
- Analisando as últimas medidas de controle de capitais no Brasil.
- Jack Schwager e a diferença entre volatilidade e risco.
- Entrevista de Michael Mauboussin para a Wired.
- Tim Harford defende a teoria dos mercados eficientes (pelo menos para a grande maioria dos mortais).
- Howard Marks sobre o resultado das eleições americanas.
- A GMO dá adeus a sua carteira de renda fixa.
- Entrevista de Reinhart e Rogoff para a Barron's.
- O último relatório do ótimo Dylan Grice para o Societe Generale.
- Jeffrey Frankel vai a Cuba.
- Ótima entrevista de Felipe González para o Valor.
- Professor, o que o governo pode fazer para promover o crescimento? Partes 1, 2 e 3.
- Robert Solow sobre Hayek e Friedman. Tyler Cowen rebate.
- Ronald Coase (quase 102 anos e bem, obrigado) pedindo pés no chão para os economistas.
- Um debate imaginário entre Michael Sandel e economistas.
- A lista de 100 pensadores globais deste ano da Foreign Policy.
- Cingapura, o país menos emotivo do mundo.
- Começa a temporada de listas de melhores livros do ano: Tyler Cowen (ficção e não-ficção), vários autores para o Guardian, os 100 do New York Times.
- O britânico que visitou, sem usar avião, todos os países do mundo.
- Nova série da ESPN sobre o futebol no Brasil, Chile, Uruguai e Argentina durante as respectivas ditaduras. Parece interessante.
- Ke$ha + Zizek.
- Adeus, Joelmir Beting.
- Jack Schwager e a diferença entre volatilidade e risco.
- Entrevista de Michael Mauboussin para a Wired.
- Tim Harford defende a teoria dos mercados eficientes (pelo menos para a grande maioria dos mortais).
- Howard Marks sobre o resultado das eleições americanas.
- A GMO dá adeus a sua carteira de renda fixa.
- Entrevista de Reinhart e Rogoff para a Barron's.
- O último relatório do ótimo Dylan Grice para o Societe Generale.
- Jeffrey Frankel vai a Cuba.
- Ótima entrevista de Felipe González para o Valor.
- Professor, o que o governo pode fazer para promover o crescimento? Partes 1, 2 e 3.
- Robert Solow sobre Hayek e Friedman. Tyler Cowen rebate.
- Ronald Coase (quase 102 anos e bem, obrigado) pedindo pés no chão para os economistas.
- Um debate imaginário entre Michael Sandel e economistas.
- A lista de 100 pensadores globais deste ano da Foreign Policy.
- Cingapura, o país menos emotivo do mundo.
- Começa a temporada de listas de melhores livros do ano: Tyler Cowen (ficção e não-ficção), vários autores para o Guardian, os 100 do New York Times.
- O britânico que visitou, sem usar avião, todos os países do mundo.
- Nova série da ESPN sobre o futebol no Brasil, Chile, Uruguai e Argentina durante as respectivas ditaduras. Parece interessante.
- Ke$ha + Zizek.
- Adeus, Joelmir Beting.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Leituras da Semana
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| What y'all want, man? Huh? Money? |
- Quanto gasta o governo brasileiro, em comparação com outros países?
- Grande conjuntos de dados da África, pela Mo Ibrahim Foundation.
- Entrevista de André Esteves para a Folha.
- Algumas dúvidas que economistas deveriam admitir.
- Sebastian Mallaby e a volta do risco político para os mercados.
- Falei aqui de Christopher Cole; sua última apresentação sobre o "bull market in fear".
- Ensinando economia com The Wire.
- Desigualdade em vários países em gráficos, por várias medidas.
- Ótimos dados que indicam os vencedores e perdedores em 20 anos de globalização.
- Simon Schama sobre a vitória de Obama. O hindsight bias nas "previsões" posteriores do resultado das eleições.
- Timothy Garton Ash sobre os novos mandatos nos EUA e China.
- Um manual para o usuário (gringo) do Brasil.
- Dez capas de discos por Andy Warhol.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Frase do Dia - Controlando Riscos
"I talk about macro themes a lot because they are fun to talk about, but it is the risk management that is the most important thing."
Michael Platt, fundador da BlueCrest Capital Management, em entrevista para Jack Schwager no novo Hedge Fund Market Wizards. Para meu prejuízo, demorei bastante para aprender isso.
Michael Platt, fundador da BlueCrest Capital Management, em entrevista para Jack Schwager no novo Hedge Fund Market Wizards. Para meu prejuízo, demorei bastante para aprender isso.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Leituras da Semana
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| Greatest sungas in the world |
- Barry Eichengreen sobre o desaquecimento da economia da China.
- Suíça: país ou hedge fund?
- Um perfil de Mohamed El-Erian, da PIMCO, no New York Times. Se você acha o bônus de banqueiros absurdo, veja quanto ele e Bill Gross levaram no ano passado (em que os fundos da PIMCO não foram bem).
- 10 cidades americanas onde casas custam menos que um carro (Detroit no topo, para provar que a história gosta de produzir ironias).
- A incapacidade da Europa de fomentar empreendedorismo, ótima matéria na The Economist.
- Cinco livros sobre estatística e risco.
- Compartilhamento de arquivos na internet virou uma religião, na Suécia.
- Saiu a atualização desta década da lista dos melhores filmes da história pela Sight and Sound. Cidadão Kane perdeu o topo que vinha ocupando nos últimos 50 anos.
- Uma bela crítica de O Porto, um dos melhores filmes que vi este ano.
- Susan Sontag sobre amor, ilustrado.
- Os links olímpicos: o The Big Picture sempre tem as melhores coletâneas de fotos - aqui a primeira dos jogos.Cartazes das Olimpíadas de Moscou. As escolhas de grandes momentos olímpicos do ótimo Iconic Photos. Uma classificação dos esportes em duas dimensões.Os significados políticos e históricos da cerimônia de abertura. Uma crítica de Christopher Hitchens aos jogos, de 2010.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Leituras do começo de ano
- Já que está na moda criar novas doutrinas econômicas ou revisitar antigas (semana passada aprendi o que é chartalismo, por exemplo), com esta notícia fica oficialmente criado o drunkeynesianismo, que defende estímulos governamentais para produção e consumo de bebidas alcoólicas. Saúde!
- Paper novo (com ideias antigas) do Nassim Taleb, sobre limites da probabilidade. Seu novo livro, Antifragility, está quase pronto e sai ainda este ano pela Penguin.
- Gavyn Davies sobre as consequências da expansão dos balanços dos bancos centrais.
- Bob "The Bear" Janjuah continua... pessimista.
- Hungria: um texto anedótico que foi lido por 5% da população do país (obrigado, MK); um bom resumo da situação do país.
- Uma triste crônica de parte da academia econômica brasileira.
- Na Itália, a arte de ter uma Lamborghini declarando renda de 20 mil euros / ano.
- A série de textos do primeiro Estado do ano, com muita gente boa falando sobre a economia em 2012 (cortesia do Mansueto Almeida).
- Cinco livros sobre História Econômica.
- Moeda que vale para alguma coisa: uma das moedas de 50 pence comemorativas das Olimpíadas de Londres explica a regra do impedimento.
- Tyler Cowen tem uma nova conta no twitter para falar de comida (tema de seu próximo livro).
- 2011 foi o ano mais seguro da história da aviação.
- Uma defesa dos cursos de graduação em humanas, nos EUA.
- Como você colocaria um elefante numa geladeira? Perguntas pouco usuais feitas em entrevistas de emprego no ano passado.
- As belas capas dos livros da editora Civilização Brasileira, entre 1959 e 1970.
- Cartuns da campanha presidencial de F.D. Roosevelt, em 1933.
- A vida imita o The Onion.
- Paper novo (com ideias antigas) do Nassim Taleb, sobre limites da probabilidade. Seu novo livro, Antifragility, está quase pronto e sai ainda este ano pela Penguin.
- Gavyn Davies sobre as consequências da expansão dos balanços dos bancos centrais.
- Bob "The Bear" Janjuah continua... pessimista.
- Hungria: um texto anedótico que foi lido por 5% da população do país (obrigado, MK); um bom resumo da situação do país.
- Uma triste crônica de parte da academia econômica brasileira.
- Na Itália, a arte de ter uma Lamborghini declarando renda de 20 mil euros / ano.
- A série de textos do primeiro Estado do ano, com muita gente boa falando sobre a economia em 2012 (cortesia do Mansueto Almeida).
- Cinco livros sobre História Econômica.
- Moeda que vale para alguma coisa: uma das moedas de 50 pence comemorativas das Olimpíadas de Londres explica a regra do impedimento.
- Tyler Cowen tem uma nova conta no twitter para falar de comida (tema de seu próximo livro).
- 2011 foi o ano mais seguro da história da aviação.
- Uma defesa dos cursos de graduação em humanas, nos EUA.
- Como você colocaria um elefante numa geladeira? Perguntas pouco usuais feitas em entrevistas de emprego no ano passado.
- As belas capas dos livros da editora Civilização Brasileira, entre 1959 e 1970.
- Cartuns da campanha presidencial de F.D. Roosevelt, em 1933.
- A vida imita o The Onion.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Breve nota sobre mercados neste início de ano
Quem acompanha este escriba no twitter possivelmente percebeu que comecei o ano mais otimista com os mercados (ou com "risco", como a imprensa tem gostado de chamar). Os motivos são os seguintes:
- Generalização do pessimismo no último trimestre do ano passado - todo comentarista econômico e mais seu cachorro resolveram alertar para o fim do euro, a insolvência dos PIIGS, o balanço dos bancos e o controle do Irã sobre o estreito de Hormuz. Regra # 9 do seu Bob Farrell.
- Mercados pararam de reagir a certas notícias pessimistas. Para pegar um caso, as ações do UniCredit, maior banco da Itália, já caíram mais de 40% este ano, e os índices dos principais mercados estão entre levemente negativos e positivos.
- Retomada da iniciativa dos governos. Fiquei com a impressão de que os governos e bancos centrais deixaram de ser reativos, e parecem agora antecipar minimamente a resolução (ou enrolação) dos problemas fundamentais. Ajuda também o fato de os EUA estarem em ano eleitoral: semana passada havia rumores de que Obama anunciaria um megaplano de renegociação de hipotecas; ainda que não seja exatamente essa a medida, é difícil acreditar que os incumbentes do poder não farão uso dessa vantagem e tentarão estimular a economia via política monetária e/ou fiscal. Também é ano de eleições presidenciais na França.
- Sazonalidade - mercados eficientes ou não, a história mostra que Janeiro é um bom mês para bolsas. Ver aqui.
- Fluxos - quando ouvir de algum analista de mercado que ações subiram ou caíram por "fluxos", desconfie, porque trata-se de uma explicação tautológica (ainda que correta): o mercado cai quando há mais vendedores que compradores e sobe na situação oposta. Feita a ressalva: o mercado parece sub-alocado em ações, e creio que vai ganhar força o tema de deslocar parte do dinheiro que era investido em governos (títulos públicos) para ações de empresas sólidas e boas pagadoras de dividendos.
O ambiente econômico, quase desnecessário dizer, segue ruim. Ocorre que conjuntura não dita a direção dos mercados, que, por natureza, tentam antecipá-la. Para resumir, muito pessimismo já está precificado, e talvez seja hora de uma certa correção. Nada que vá garantir um ano brilhante, mas talvez o suficiente para dispersar um pouco a manada de ursos que andou se formando.
P.S. Prestem muita atenção na Hungria.
- Generalização do pessimismo no último trimestre do ano passado - todo comentarista econômico e mais seu cachorro resolveram alertar para o fim do euro, a insolvência dos PIIGS, o balanço dos bancos e o controle do Irã sobre o estreito de Hormuz. Regra # 9 do seu Bob Farrell.
- Mercados pararam de reagir a certas notícias pessimistas. Para pegar um caso, as ações do UniCredit, maior banco da Itália, já caíram mais de 40% este ano, e os índices dos principais mercados estão entre levemente negativos e positivos.
- Retomada da iniciativa dos governos. Fiquei com a impressão de que os governos e bancos centrais deixaram de ser reativos, e parecem agora antecipar minimamente a resolução (ou enrolação) dos problemas fundamentais. Ajuda também o fato de os EUA estarem em ano eleitoral: semana passada havia rumores de que Obama anunciaria um megaplano de renegociação de hipotecas; ainda que não seja exatamente essa a medida, é difícil acreditar que os incumbentes do poder não farão uso dessa vantagem e tentarão estimular a economia via política monetária e/ou fiscal. Também é ano de eleições presidenciais na França.
- Sazonalidade - mercados eficientes ou não, a história mostra que Janeiro é um bom mês para bolsas. Ver aqui.
- Fluxos - quando ouvir de algum analista de mercado que ações subiram ou caíram por "fluxos", desconfie, porque trata-se de uma explicação tautológica (ainda que correta): o mercado cai quando há mais vendedores que compradores e sobe na situação oposta. Feita a ressalva: o mercado parece sub-alocado em ações, e creio que vai ganhar força o tema de deslocar parte do dinheiro que era investido em governos (títulos públicos) para ações de empresas sólidas e boas pagadoras de dividendos.
O ambiente econômico, quase desnecessário dizer, segue ruim. Ocorre que conjuntura não dita a direção dos mercados, que, por natureza, tentam antecipá-la. Para resumir, muito pessimismo já está precificado, e talvez seja hora de uma certa correção. Nada que vá garantir um ano brilhante, mas talvez o suficiente para dispersar um pouco a manada de ursos que andou se formando.
P.S. Prestem muita atenção na Hungria.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Dados do dia - FUBAR
FUBAR, segundo consta, é um acrônimo inventado durante a II Guerra pelo exército americano para designar algo que está "fucked up beyond any repair", ou, em Português popular, "problema de 'junta' - 'junta' tudo e joga fora". A Moody's publicou um estudo de sustentabilidade da dívida de vários países, levando em conta o nível atual de endividamento (quanto o país pode aumentá-lo sem atingir um nível crítico - chamado de fiscal space, mais sobre a metodologia aqui) e qual a taxa máxima de juros que poderia ser paga pela dívida sem iniciar uma espiral destrutiva. Os resultados estão resumidos na tabela (mais na The Economist):
Para a Moody's, Irlanda, Itália, Portugal, Grécia e Japão estão (ou muito perto de) FUBAR. O fato das notas de crédito não refletirem isso só confirma a inconsistência das agências e a inutilidade prática desse indicador.
Para a Moody's, Irlanda, Itália, Portugal, Grécia e Japão estão (ou muito perto de) FUBAR. O fato das notas de crédito não refletirem isso só confirma a inconsistência das agências e a inutilidade prática desse indicador.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Gráfico do dia - Uma moeda, dezesseis juros
Há não muito tempo, o mercado chegou a acreditar que era quase indiferente carregar dívida da Grécia ou da Holanda, já que, no vencimento, ambos os tesouros nacionais retornariam o principal para o investidor em euros, com baixo risco de calote. Hoje o consenso é que há um risco grande de, em muitos casos, o principal não ser devolvido na totalidade ou ser pago nas antigas moedas nacionais, e isso se reflete nos juros pagos pelos títulos da dívida. A era do fim do risco soberano durou pouco: atualmente, na mesma moeda, você pode receber 1.8% ao ano confiando na solidez da Alemanha ou levar 28.4% ao ano em possíveis dracmas futuras.
É interessante ver que os títulos emitidos pelo fundo de estabilização (EFSF) encontraram mercado a taxas acima das de diversos membros do euro. E que os juros pagos pela França, após a forte alta de hoje (0.27 p.b.), operam a uma taxa quase duas vezes maior que a da Alemanha. Claramente alguns AAA são mais AAA que os outros.
Os dados são da Bloomberg. Chipre e Estônia também fazem parte da zona do euro, mas não têm títulos com negociação relevante no mercado.
É interessante ver que os títulos emitidos pelo fundo de estabilização (EFSF) encontraram mercado a taxas acima das de diversos membros do euro. E que os juros pagos pela França, após a forte alta de hoje (0.27 p.b.), operam a uma taxa quase duas vezes maior que a da Alemanha. Claramente alguns AAA são mais AAA que os outros.
Os dados são da Bloomberg. Chipre e Estônia também fazem parte da zona do euro, mas não têm títulos com negociação relevante no mercado.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
De volta
Voltando para um mundo financeiro que parece mais realista. Ah, a GWI aprontou de novo - não vou conseguir segurar um "eu já sabia". Dadas as dificuldades intrínsecas de uma volta ao trabalho depois de 20 dias de férias, o movimento por aqui deve ser lento esta semana, mas ao poucos o ritmo normal se reestabelece.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Fuga de risco
Não vai demorar para alguém falar de uma bolha de aversão a risco. Franco suíço, iene e ouro estão nas suas máximas históricas (contra o dólar) - o franco suíço já se valorizou 16% neste ano.
O sentimento negativo com relação ao dólar e ao euro é impressionante. Juntando isso com o fato de que a reação dos mercados ao novo pacote da Europa resumiu-se a uma semana de maior otimismo relativo, devemos ter mais emoções em breve.
O sentimento negativo com relação ao dólar e ao euro é impressionante. Juntando isso com o fato de que a reação dos mercados ao novo pacote da Europa resumiu-se a uma semana de maior otimismo relativo, devemos ter mais emoções em breve.
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terça-feira, 19 de julho de 2011
Leituras da terça-feira
Hoje é dia da independência do Laos, país que tem uma das histórias de guerra que mais me choca: no meio da Guerra do Vietnã, entre 1964 e 1973, uma carga de bombas de um B-52 era despejada no país, em média, a cada oito minutos, 24 horas por dia. Nesse período, o território do Laos (do tamanho de Rondônia) recebeu mais bombas (260 milhões) do que toda a Europa durante a II Guerra Mundial (mais no The Guardian). Uma vergonha pouco conhecida para a lista do Tio Sam.
- Um longo perfil de Ray Dalio, da Bridgewater, o maior hedge fund do mundo (cerca de US$ 100 bilhões admnistrados). Excentricidades à parte, ele acha que o mundo desenvolvido está em um ciclo de desalavancagem que pode levar uma década para ser completado.
- O Quantum, fundo de George Soros, tem 3/4 do seu patrimônio em caixa.
- Os Estados Unidos não são mais AAA, para a respeitável Egan-Jones.
- Falando em AAA... a grande farsa dos títulos "sem risco" (The Atlantic).
- Paul Krugman sobre o tratamento a banqueiros nos EUA.
- Alguém achava o Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago, "infilmável"; que tal isso: chega a São Paulo a versão para o cinema de O Capital: nove horas e meia de duração (Estado e Folha). Fiquei com vontade de ver, significa?
- Acho que a imbecilidade no uso de métodos quantitativos na economia atingiu novas máximas: um estudo relaciona o tamanho do órgão sexual masculino com crescimento econômico (pênis de 13,5 centímetros são ideais, acima de 16, problemáticos - talvez isso seja a explicação definitiva para o atraso da África subsaariana, não?). Mais no Improbable Research, mas metade dos blogs de economia que leio já comentou a respeito. Piadas sobre o crescimento do Peru nos comentários serão vetadas.
- Não está na internet ainda, mas recomendo: a Trip deste mês tem uma entrevista muito legal com o David Byrne sobre bicicletas e cidades. O cara é muito articulado, nada demagógico.
- Um longo perfil de Ray Dalio, da Bridgewater, o maior hedge fund do mundo (cerca de US$ 100 bilhões admnistrados). Excentricidades à parte, ele acha que o mundo desenvolvido está em um ciclo de desalavancagem que pode levar uma década para ser completado.
- O Quantum, fundo de George Soros, tem 3/4 do seu patrimônio em caixa.
- Os Estados Unidos não são mais AAA, para a respeitável Egan-Jones.
- Falando em AAA... a grande farsa dos títulos "sem risco" (The Atlantic).
- Paul Krugman sobre o tratamento a banqueiros nos EUA.
- Alguém achava o Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago, "infilmável"; que tal isso: chega a São Paulo a versão para o cinema de O Capital: nove horas e meia de duração (Estado e Folha). Fiquei com vontade de ver, significa?
- Acho que a imbecilidade no uso de métodos quantitativos na economia atingiu novas máximas: um estudo relaciona o tamanho do órgão sexual masculino com crescimento econômico (pênis de 13,5 centímetros são ideais, acima de 16, problemáticos - talvez isso seja a explicação definitiva para o atraso da África subsaariana, não?). Mais no Improbable Research, mas metade dos blogs de economia que leio já comentou a respeito. Piadas sobre o crescimento do Peru nos comentários serão vetadas.
- Não está na internet ainda, mas recomendo: a Trip deste mês tem uma entrevista muito legal com o David Byrne sobre bicicletas e cidades. O cara é muito articulado, nada demagógico.
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
Sobre economistas, políticos e controle
Seu Bresser-Pereira encerra sua coluna na Folha de hoje, sobre a crise na Europa, com a seguinte frase:
É curioso como boa parte dos economistas que já passaram por algum cargo importante no governo tem a impressão de que é possível "controlar" uma economia além das variáveis que efetivamente podem ser controladas - pouco mais do que os juros de um dia, ou algo dos gastos do governo, ou a geração de incentivos que, com algum grau de certeza, podem produzir efeitos desejados. Como "controlar" uma união monetária de 17 economias, como todas as suas peculiaridades, ligações e complexidades? O caminho escolhido até agora tem sido suprimir os mercados: atualmente três membros do euro (Portugal, Irlanda e Grécia) operam com juros de mercado acima de 10% ao ano para seus títulos de dez anos. A essas taxas, a dinâmica da dívida inevitavelmente leva a um calote em pouco tempo (a regra de bolso, na verdade, é 7% - evidentemente não vale para o Brasil, que desenvolveu ao longo de gerações um arcabouço para lidar com juros lunáticos). O que se faz? Tira-se o mercado do jogo, garante-se o financiamento por alguns anos e espera-se que os países consigam uma combinação mágica de crescimento e ajuste fiscal que os permita conseguir honrar o serviço e reduzir o estoque da dívida existente.
Os defensores da estratégia argumentam que os problemas são restritos a esses poucos países, que são pequenos o bastante para que a União Européia mate as dívidas no peito, sem grandes prejuízos para os tesouros dos países solventes. E se o problema da dívida for estrutural e generalizado? Não é difícil pensar em uma situação em que o buraco seja grande demais, e que a decisão a ser tomada seja menos trivial do que aparecer com algumas dezenas de bilhões de euros. Em última instância, se a tentativa de suprimir o mercado se estender, a consequência é que de fato o mercado desaparecerá, e ficará evidente que os financiamentos são simples transferências de arrecadação de um país para outro. Pode-se discutir que é isso que se busca (uma união fiscal), mas não creio que os governos tenham respaldo de seus eleitores para que esse passo seja dado sem votações ou discussões.
Voltando para a divagação abstrata: não há como manter controle sobre um ambiente muito grande e muito complexo. A situação atual da Europa é o resultado de um acúmulo de desequilíbrios, que, na medida em que ocorriam, talvez pudessem ser controlados. Hoje, o melhor que os detentores do poder poderiam fazer é tentar alinhar esses desequilíbrios com os mercados e reerguer as economias a partir de um novo patamar. A ideia de que mercados são controlados por especuladores que manipulam os preços de acordo com sua conveniência é errada. A verdadeira manipulação é feita pelos governos, que são agentes maiores do que qualquer agregado de "especuladores" (os grandes bancos, que potencialmente poderiam se juntar à turma, claramente estão do mesmo lado dos governos, ou vice-versa). Os governantes deveriam tratar os cidadãos como adultos responsáveis pelos seus atos, reconhecer a dificuldade da situação e deixar que ajustes sejam feitos, com premissas realistas. Infelizmente, isso não vai acontecer: a tendência é que a precificação de risco continue sendo distorcida e que a ruptura implique numa distribuição de perdas dos detentores da dívida (que deveriam sofrer as consequências de suas más decisões de investimento) para toda a população - pior, proporcionalmente, para quem parte de uma situação pior; daí a covardia desse tipo de decisão. Tentar controlar o que, por natureza, é incontrolável, não tem nada de heroísmo, trata-se de pura tolice ou interesses inconfessáveis disfarçados.
Desviando um pouco do assunto, recomendo o vídeo de Tim Harford que apareceu no TED semana passada, diz algo sobre os problemas do "complexo de Deus":
"O fundamental é manter a economia europeia sob controle."
É curioso como boa parte dos economistas que já passaram por algum cargo importante no governo tem a impressão de que é possível "controlar" uma economia além das variáveis que efetivamente podem ser controladas - pouco mais do que os juros de um dia, ou algo dos gastos do governo, ou a geração de incentivos que, com algum grau de certeza, podem produzir efeitos desejados. Como "controlar" uma união monetária de 17 economias, como todas as suas peculiaridades, ligações e complexidades? O caminho escolhido até agora tem sido suprimir os mercados: atualmente três membros do euro (Portugal, Irlanda e Grécia) operam com juros de mercado acima de 10% ao ano para seus títulos de dez anos. A essas taxas, a dinâmica da dívida inevitavelmente leva a um calote em pouco tempo (a regra de bolso, na verdade, é 7% - evidentemente não vale para o Brasil, que desenvolveu ao longo de gerações um arcabouço para lidar com juros lunáticos). O que se faz? Tira-se o mercado do jogo, garante-se o financiamento por alguns anos e espera-se que os países consigam uma combinação mágica de crescimento e ajuste fiscal que os permita conseguir honrar o serviço e reduzir o estoque da dívida existente.
Os defensores da estratégia argumentam que os problemas são restritos a esses poucos países, que são pequenos o bastante para que a União Européia mate as dívidas no peito, sem grandes prejuízos para os tesouros dos países solventes. E se o problema da dívida for estrutural e generalizado? Não é difícil pensar em uma situação em que o buraco seja grande demais, e que a decisão a ser tomada seja menos trivial do que aparecer com algumas dezenas de bilhões de euros. Em última instância, se a tentativa de suprimir o mercado se estender, a consequência é que de fato o mercado desaparecerá, e ficará evidente que os financiamentos são simples transferências de arrecadação de um país para outro. Pode-se discutir que é isso que se busca (uma união fiscal), mas não creio que os governos tenham respaldo de seus eleitores para que esse passo seja dado sem votações ou discussões.
Voltando para a divagação abstrata: não há como manter controle sobre um ambiente muito grande e muito complexo. A situação atual da Europa é o resultado de um acúmulo de desequilíbrios, que, na medida em que ocorriam, talvez pudessem ser controlados. Hoje, o melhor que os detentores do poder poderiam fazer é tentar alinhar esses desequilíbrios com os mercados e reerguer as economias a partir de um novo patamar. A ideia de que mercados são controlados por especuladores que manipulam os preços de acordo com sua conveniência é errada. A verdadeira manipulação é feita pelos governos, que são agentes maiores do que qualquer agregado de "especuladores" (os grandes bancos, que potencialmente poderiam se juntar à turma, claramente estão do mesmo lado dos governos, ou vice-versa). Os governantes deveriam tratar os cidadãos como adultos responsáveis pelos seus atos, reconhecer a dificuldade da situação e deixar que ajustes sejam feitos, com premissas realistas. Infelizmente, isso não vai acontecer: a tendência é que a precificação de risco continue sendo distorcida e que a ruptura implique numa distribuição de perdas dos detentores da dívida (que deveriam sofrer as consequências de suas más decisões de investimento) para toda a população - pior, proporcionalmente, para quem parte de uma situação pior; daí a covardia desse tipo de decisão. Tentar controlar o que, por natureza, é incontrolável, não tem nada de heroísmo, trata-se de pura tolice ou interesses inconfessáveis disfarçados.
Desviando um pouco do assunto, recomendo o vídeo de Tim Harford que apareceu no TED semana passada, diz algo sobre os problemas do "complexo de Deus":
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