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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O último capítulo da convergência de salários entre mulheres e homens

Claudia Goldin, economista de Harvard, dedica parte da sua carreira a estudar o que determina a diferença de salários entre homens e mulheres nos Estados Unidos. No passado não muito distante, a diferença era facilmente explicada pela diferença de produtividade entre os gêneros (fortemente associada ao tempo médio de escolaridade) e pela maioria das mulheres trabalhando em setores tipicamente com baixa remuneração. Ao longo dos últimos 50 anos, o primeiro fator foi praticamente eliminado: em 2006, a própria Goldin e seus coautores mostraram que mulheres eram maioria entre estudantes universitários nos EUA. A convergência em educação contribuiu para que a remuneração média por hora de mulheres passasse de 59% para 77% do equivalente para homens.

O resto do texto está no Estadão.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O primeiro economista

Roubado do INET (clique para aumentar).


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Frases do Dia - instituições, piratas e engenheiros químicos

To be a successful pirate one needs to know a great deal about naval warfare, the trade routes of commercial shipping, the armament, rigging, and crew size of potential victims, and the market for booty. 
To be a successful chemical manufacturer in early twentieth century United States required knowledge of chemistry, potential uses of chemicals in different intermediate and final products, markets, and problems of large scale organization. 
If the basic institutional framework makes income redistribution (piracy) the preferred economic opportunity, we can expect a very different development of knowledge and skills than a productivity increasing (a twentieth century chemical manufacturer) economic opportunity would entail. The incentives that are built into the institutional framework play the decisive role in shaping the kinds of skills and knowledge that pay off.

Douglass North em Institutions, institutional change and economic performance, 1990.

sábado, 21 de setembro de 2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um top 50 de Pol Antràs

O catalão Pol Antràs, professor de Harvard e pesquisador com foco em economia internacional, macroeconomia e teoria aplicada, publicou no Twitter ao longo das últimas semanas sua lista de 50 papers favoritos. Aí vão, em ordem cronológica. Para quem preferir, montei uma pasta no Google Drive com todos os arquivos.

1. Stability in Competition, Harold Hotelling, 1929

2. Cost Curves and Supply Curves, Jacob Viner, 1932

3. The Nature of the Firm, Ronald Coase, 1937

4. Protection and Real Wages, Wolfgang F. Stolper / Paul A. Samuelson, 1941

5. The Use of Knowledge in Society, Friedrich Hayek, 1945

6. A Difficulty in the Concept of Social Welfare, Kenneth J. Arrow , 1950

7. Some Thoughts on the Distribution of Earnings, A.D. Roy, 1951

8. A Value for n-Person Games, Lloyd Shapley, 1953

9. A Contribution to the Theory of Economic Growth (1956) e Technical Change and the Aggregate Production Function (1957), Robert M. Solow

10. An Exact Consumption-Loan Model of Interest with or without the Social Contrivance of Money, Paul A. Samuelson, 1958

11. The Problem of Social Cost, Ronald Coase, 1960

12. A Theory of Optimum Currency Areas, Robert Mundell, 1961

13. The Economics of Information, George J. Stigler, 1961

14. Investment in Human Capital: A Theoretical Analysis, Gary S. Becker, 1962

15. Uncertainty and the Welfare Economics of Medical Care, Kenneth J. Arrow, 1963

16. National Debt in a Neoclassical Growth Model, Peter A. Diamond, 1965

17. The Market for "Lemons": Quality Uncertainty and the Market Mechanism, George A. Akerlof, 1970

18. On the Measurement of Inequality, Anthony B. Atkinson, 1970

19. Optimal Taxation and Public Production I: Production Efficiency, Peter A. Diamond / James A. Mirrlees, 1971

20. Expectations and the Neutrality of Money, Robert E. Lucas, Jr, 1972

21. Job Market Signaling, Michael Spence, 1973

22. Are Government Bonds Net Wealth?, Robert J. Barro, 1974

23. Equilibrium in Competitive Insurance Markets: an Essay on the Economics of Imperfect Information, Michael Rothschild / Joseph Stiglitz, 1976

24. Expectations and Exchange Rate Dynamics, Rudiger Dornbusch, 1976

25. Rules Rather Than Discretion: the Inconsistency of Optimal Plans, Finn E. Kydland / Edward C. Prescott, 1977

26. Comparative Advantage, Trade, and Payments in a Ricardian Model with a Continuum of Goods, Rudiger Dornbusch / Stanley Fischer / Paul Samuelson, 1979

27. On the Size Distribution of Business Firms, Robert E. Lucas, Jr, 1978

28. Stochastic Implications of the Life Cycle-Permanent Income Hypothesis: Theory and Evidence, Robert E. Hall, 1978

29. A Model of Innovation, Technology Transfer, and the World Distribution of Income, Paul Krugman, 1979

30. Moral Hazard and Observability, Bengt Holmstrom, 1979

31. Scale Economies, Product Differentiation, and the Pattern of Trade, Paul Krugman, 1980

32. Optimal Auction Design, Roger B. Myerson, 1981

33. Perfect Equilibrium in a Bargaining Model, Ariel Rubinstein, 1982

34. Selection and the Evolution of Industry, Boyan Jovanovic, 1982

35. Aggregate Demand Management in Search Equilibrium, Peter A. Diamond, 1982

36. Strategic Information Transmission, Vincent P. Crawford / Joel Sobel, 1982

37. Equilibrium Unemployment as a Worker Discipline Device, Carl Shapiro / Joseph E. Stiglitz, 1984

38. On the Mechanics of Economic Development, Robert E. Lucas, Jr, 1988

39. On Money as a Medium of Exchange, Nobuhiro Kiyotaki / Randall Wright, 1989

40. Industrialization and the Big Push, Kevin M. Murphy / Andrei Shleifer / Robert W. Vishny, 1989

41. Endogenous Technological Change, Paul M. Romer, 1990

42. Property Rights and the Nature of the Firm, Oliver Hart / John Moore, 1990

43. Economic Growth in a Cross Section of Countries, Robert Barro, 1991

44. The O-Ring Theory of Economic Development, Michael Kremer, 1993

45. Distributive Politics and Economic Growth, Alberto Alesina / Dani Rodrik, 1994

46. Protection for Sale, Gene M. Grossman / Elhanan Helpman, 1994

47. Credit Cycles, Nobuhiro Kiyotaki / John Moore, 1997

48. Why Do New Technologies Complement Skills? Directed Technical Change and Wage Inequality, Daron Acemoglu, 1998

49. Income inequality in the United States, 1913–1998, Thomas Piketty / Emmanuel Saez, 2003

50. The Impact of Trade on Intra-Industry Reallocations and Aggregate Industry Productivity, Marc J. Melitz, 2003

terça-feira, 18 de junho de 2013

Economia em uma frase

Desse texto do escritor John Lanchester (acho que o Tyler Cowen que tinha indicado há alguns meses):

Richard Feynman was once asked what he would pass on if the whole edifice of modern scientific knowledge had been lost, and all he could give to posterity was a single sentence. What axiom would convey the maximum amount of scientific information in the fewest possible words? His candidate was ‘all things are made of atoms.’ In a similar spirit, if the whole ramshackle structure of contemporary macroeconomics vanished into thin air and the field had to be reconstructed from scratch, the sentence which packs as much of the discipline into the fewest possible words might be ‘governments are not households.’ The principles of running an economy are in many crucial respects different from those of keeping your own finances in order. 

E depois:

The fact that the people in charge of recommending huge cuts in public spending don’t, at this basic level, fully understand the economic effect of those cuts, is surprising only if you’re unfamiliar with just how little certainty there is in the world of macroeconomics. (An alternative single-sentence summary of the entire field would be ‘nobody knows anything.’) 

Sem pensar muito, acho que minha frase seria "pessoas respondem a incentivos". Qual seria a sua?

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Frases do Dia - Keynes e os keynesianos

A sagacidade de Keynes no debate público é melhor lembrada por sua observação de que "no longo prazo todos estaremos mortos", mas Keynes não se reconheceria nessa indiferença contemporânea pelos riscos de longo prazo. Recentemente, ouvi a história de que, ao sair de uma reunião de economistas keynesianos no Canadá, após o acordo de Bretton Woods, Keynes observou que provavelmente era o único economista não keynesiano na sala.

André Lara Resende no Valor de hoje.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Robert Lucas e a macroeconomia em 2012

Eu tenho uma opinião relativamente pouco informada e ambígua sobre o Robert Lucas: por um lado, acho a hipótese de expectativas racionais extremamente elegante e útil quando não abusada; por outro, acho que ele é uma personificação de "economista autista" que quase ofende meu lado mais prático (a crítica de Lucas, porém, é uma ideia epistemológica ultrapertinente, ainda que não muito original: vejo com uma derivação do "efeito observador" dos físicos). De qualquer maneira, a influência dele ainda é enorme, de forma que sempre vale a pena prestar atenção no que se fala dele e no que ele fala. Esta semana o nome dele apareceu bastante no meu Google Reader:

- Delfim cutucou, na CartaCapital:

"Os economistas já deveriam ter perdido a inocência revelada pelo Prêmio Nobel Robert Lucas, que sonhou ter destruído Keynes quando decretou, em artigo na American Economic Review, que "a macroeconomia foi bem-sucedida: seu problema principal, a prevenção da depressão, está, para todos os fins práticos, resolvido e, de fato, resolvido por muitas décadas."

- A EconomicDynamics publicou uma entrevista, curtinha, com o próprio Lucas, no qual ele minimiza a importância atual da famosa crítica (e este autor lamenta):


"...the models I criticized then have long since been replaced by others that build on their work. I am pleased that my work contributed to this. 
But the term "Lucas critique" has survived, long after that original context has disappeared. It has a life of its own and means different things to different people. Sometimes it is used like a cross you are supposed to use to hold off vampires: Just waving it it an opponent defeats him. Too much of this, no matter what side you are on, becomes just name calling."

- Noah Smith comenta, do ponto de vista de um macroeconomista acadêmico com formação em física.

- Matthew Yglesias usa a entrevista e os comentários de Smith para destacar como dados macroeconômicos são problemáticos, e como isso deveria levar economistas a serem mais humildes.

Enfim, poucas conclusões, mas muito bom material para pensar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E o Nobel de Economia 2012 vai para...

Alvin E. Roth (Harvard, 60 anos) e Lloyd Shapley (UCLA, 89 anos) dividem o Nobel de Economia de 2012, pela "teoria de alocações estáveis e a prática de desenho de mercado". Eu quase tive que ficar um semestre a mais na graduação justamente por teoria dos jogos, e tenho, portanto, zero moral para opinar. Esse resumo do próprio comitê da Real Academia Sueca de Ciências é ótimo como introdução, e tem vários links para quem quiser se aprofundar no trabalho dos dois.

P.S. O atento Lucas Teixeira acabou de observar que a professora Marilda Sotomayor, da FEA-USP, foi coautora do Alvin E. Roth. O IDEAS lista dois trabalhos: um capítulo de um manual de teoria dos jogos e um paper publicado no Journal of Economic Theory. Grande moral para a minha alma mater (não fui aluno da Marilda, ela só lecionava no período da manhã...).

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O que aprendi sobre a Noruega

- Sim, a Noruega é o Peter Perfeito dos países. Lá, como disse uma vez meu amigo e anfitrião-remoto Henrique, é o zerésimo mundo: tudo funciona, os trens e aviões saem na hora, tem internet wifi em praticamente qualquer lugar, é dos melhores lugares do mundo para se ter filhos (não à toa a taxa de fertilidade é bem maior que a média da Europa - 1,78 filhos por mulher, bem próxima a do Brasil - consta que o governo oferece uma bolsa de algo como US$ 35 mil para cada cidadão que nasce) e onde igualdade de direitos entre os sexos é levada bastante a sério (uma lei polêmica determina que pelo menos 40% dos cargos executivos em empresas deve ser ocupado por mulheres).

- A ministra da cultura da Noruega é uma mulher, muçulmana (família paquistanesa), de 29 anos.

- Nada me preparou para o choque com alguns preços. OK, todo mundo sabe que é dos lugares mais caros desta galáxia, mas nada pode te preparar para entrar num tram em Oslo e paga 50 coroas (quase R$ 18) para andar uns três quilômetros. Por que tudo tão caro (evitando sacar direto o efeito Balassa-Samuelson)? O Seth Kugel, do Frugal Traveler, arrumou a seguinte explicação:


Most people assume Norway costs so much because of its high tax rates. Not so, said Nils Henrik von der Fehr, chairman of the economics department at the University of Oslo. Taxes play a supporting role — there is a 25 percent value-added tax on most products, for example — but the real reasons are labor costs and agricultural protectionism.
“The most important factor is the way our labor market works: centralized bargaining,” Mr. von der Fehr said. “One has made an effort to have an egalitarian wage structure. While people like me are not well paid compared to our colleagues in other countries, people at the lower end earn much more. You don’t have cheap labor in Norway.
“All the things you want as a tourist — hotels, restaurants — are labor-intensive,” he said. “That’s why it’s nice for us to be a tourist in the U.S.: everything you want is cheap because of the abundance of cheap labor.”
Another factor is the high tariffs on agricultural imports that keep Norwegian farms in business: “We have perhaps the most protected agricultural system in the world,” he said. “It’s not a particularly easy place to grow anything. Farms are small and the season is short.”


A propósito, ele conseguiu sobreviver na Escandinávia com US$ 125 por dia. Parte da estratégia: passar menos tempo na Noruega e mais entre Suécia, Dinamarca e Finlândia. Blé.

- A paranóia com o consumo de álcool é quase parecida com a da Islândia: supermercados só vendem cerveja, mas até um horário determinado (20h30, se não me engano). Bebidas mais fortes, só nas lojas estatais. Ah, essa cerveja aí embaixo custou, num ferry, algo como 30 reais. Skål!


- O fundo de pensão do governo tem cerca de US$ 560 bilhões em ativos - mais de US$ 100 mil por habitante. É tanto dinheiro que o governo planeja gastar menos do que a taxa de retorno do fundo para não superaquecer a economia. Boa parte do mundo gostaria de ter esse tipo de problema fiscal...

- Ludvig Ravensberg, pintor:



- O Rosenborg, único time de futebol digno de nota no país (tente lembrar de outro) não é da capital: é de Trondheim, terceira maior cidade. O Rosenborg ganhou 16 das últimas 20 edições do fortíssimo campeonato nacional.

- Estou tirando sarro do futebol norueguês, mas nossa seleção de futebol nunca ganhou da deles.

- Trondheim é o lugar em que mais vi clínicas de bronzeamento artificial no mundo. A cidade tem menos de cinco horas diárias de sol no inverno, mas deve haver outra explicação.

- Seasonal affective disorder, existe.

- Isso só eu não sabia, mas vai lá: o Nobel da Paz é decidido por um comitê norueguês, e entregue em Oslo, nesse prédio bonitão:


Update e P.S.:

- A (o?) Steph, nos comentários, pegou a presepada do Lonely Planet (e deste escriba:
O Nobel da Paz é entregue no salão principal da Prefeitura de Oslo, querido keynesiano ébrio!Esse prédio aí da foto é uma antiga estação de trem, que apenas recentemente foi transformada em museu.Se você não visitou o interior da prefeitura, pode se lamentar: é uma das coisas mais fantásticas que eu fiz em Oslo!
- Por lá tem uma revista de futebol chamada Josimar, em homenagem a ele, mesmo, o da Copa de 1986. Parece bacana, pena que não consigo ler em norueguês:


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Frase do Dia - Crescendo até o céu

"Anyone who believes exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist."

De Kenneth E. Boulding, economista inglês citado por Jeremy Grantham, da GMO, em sua última carta trimestral. Granhtam está resgatando o tom pessimista / malthusiano que mostrou em 2010, vale a leitura.

sábado, 21 de julho de 2012

A sabedoria econômica nas coisas que a minha mãe cantarola


Laranja madura
Na beira da estrada
Tá bichada, Zé
Ou tem marimbondo no pé

Ataulfo Alves, 1966

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Blogosfera econômica brasileira pegando fogo

Quem acompanha os blogs de economia brasileiros, a essa altura já deve ter caído em algum post sobre a polêmica Reinaldo Azevedo x professor João Manoel Pinho de Mello e outros pesquisadores da PUC-RJ e do Banco Mundial. Abaixo tento organizar o que já se falou até agora e depois coloco minhas três linhas de pitacos:

1. Este é o link para o trabalho original, que não necessariamente foi lido por quem o criticou ou defendeu:

Chioda, Laura & de Mello, João M. P. & Soares, Rodrigo R., 2012.
"Spillovers from Conditional Cash Transfer Programs: Bolsa Família and Crime in Urban Brazil,"
IZA Discussion Papers 6371, Institute for the Study of Labor (IZA).

2. O Globo usou os resultados do paper para a matéria:

Bolsa Família reduz violência, aponta estudo da PUC-Rio
3. Reinaldo Azevedo, com sua sutileza habitual e muito provavelmente só com base na notícia (sem ter procurado o paper), chamou o estudo de "cascata autoevidente", acusou os pesquisadores de ideólogos e tentou mostrar com "lógica e bom-senso" os furos do trabalho.


4. Vieram as reações da blogosfera: primeiro do Adolfo Sachsida, depois do Márcio Laurini.


5. O professor João Manoel Pinho de Mello escreveu uma resposta furiosa ao post do Reinaldo Azevedo, tentando explicar algo da metodologia do trabalho e suas limitações (não sem algum nível de "carteirada" e diminuindo o "blogueiro").


6. O Reinaldo treplicou em cima da resposta do professor e, aparentemente, ainda sem se dar ao trabalho de tentar ler o paper.


7. Nesse tempo, a blogosfera entrou em combustão:


- "O" Anônimo, do A Mão Visível, aproveitou os posts do Reinaldo para fazer algumas críticas pertinentes ao paper (aqui e aqui - vale ler também os comentários), com muito mais propriedade;


- Márcio Laurini comentou a resposta do professor e a tréplica do R.A.;


- Sachsida criticou o tom agressivo que tomou conta do debate;


- Chutando a Lata argumenta que a discussão evidencia a desmoralização dos economistas no Brasil;


- Mansueto Almeida falou sobre os limites da econometria e desse tipo de pesquisa;


- Claudio Shikida acompanhou as idas e vindas e notou que a econometria acaba fazendo o papel de Geni;


- Prosa Econômica acha que o R.A. armou um circo;


- Cristiano Costa entendeu a indignação do professor;


- Selva Brasilis argumenta que todos os envolvidos saem arranhados.


- Leonardo Monasterio sacou uma regra de bolso para saber quando se deve debater.


8. O R.A. ainda publicou uma "opinião de expert" totalmente furada (mais um que não leu o paper), que o Selva esculachou.


Ainda devo ter perdido alguma coisa (avisem nos comentários, por favor). Faltou a minha contribuição, provavelmente pouco relevante depois de tudo isso:


- Eu tive um pouco de preguiça dessa história desde o começo, confesso. Principalmente porque qualquer um que acompanha ou já acompanhou o Reinaldo Azevedo sabe do viés (pra não dizer ranço) antipetista dele. Para mim, o mais provável é que ele leu a notícia, não gostou da conclusão e começou a atacar a partir daí, sem gastar o mínimo de tempo conferindo se o trabalho acadêmico dizia aquilo mesmo ou tentando entender a metodologia. Também imagino que, se os mesmos pesquisadores tivessem usado exatamente a mesma metodologia e concluído que o Bolsa Família aumenta a criminalidade, ele teria destacado os resultados e chamado os autores de algo como "luzes de racionalidade no meio da névoa petralha". Enfim: não acho que o Reinaldo tenha muito compromisso com a realidade ou honestidade intelectual, ele tem uma agenda política que paira acima de tudo isso, para prejuízo do debate e conforto de quem prefere opiniões prontas e mastigadas.

- Como o Cristiano, entendo a fúria na resposta do professor. Assumindo que o trabalho foi bem feito, custou muito tempo e dedicação, etc (e não vejo motivos para duvidar disso), não deve ter sido legal ver ele sendo desmerecido em um post com uma reflexão superficial influenciada por ideologia e total ignorância sobre como esse tipo de pesquisa é conduzida e tratada. Isso levou a uma resposta que, mesmo informativa, carregou no tom de "falamos do alto da torre de marfim" e pode ter levado a um reforço no preconceito do público geral (sobretudo o leitor do R.A.) com a pesquisa acadêmica. Vendo tudo agora, creio que a resposta mais adequada dos pesquisadores seria um texto de duas ou três páginas bem didático, explicando, em termos simples (mas não simplórios), a pesquisa, os resultados e suas limitações. Tendo sido feita a propaganda, esse texto seria bastante útil para o público e poderia aumentar a reputação da academia. Perdeu-se essa chance, paciência, e, de novo, passado o tempo e à distância, é mais fácil criticar. É difícil ser conciliador logo depois de alguém pisar no seu calo, reconheço.


- Vários doutores em economia que estudaram algumas vezes mais do que eu já comentaram a parte técnica da pesquisa, e nesse quesito não tenho muito a acrescentar. As credenciais dos autores são muito boas, o que me leva a crer que é baixa a probabilidade de terem cometido alguma barbaridade metodológica. Além disso, o trabalho, para ser publicado, deve ter passado por várias revisões técnicas. Uma coisa é a metodologia e os dados usados terem limitações (e tenho pouca dúvida que os pesquisadores são dos primeiros a reconhecê-las), outra é achar que elas invalidam totalmente o trabalho.

- Para quem ficou só nos posts do R.A., provavelmente vai mesmo sair com a impressão que pesquisadores são uns lunáticos, não sabem nada sobre o mundo real e perdem-se entre seus cálculos esotéricos. Uma pena. Se há algo que esse debate todo evidenciou é: primeiro, a ignorância geral sobre a metodologia de pesquisa econômica e a confusão ao tomar resultados estatísticos (aceitáveis apenas dentro de um grau de confiança e, portanto, sempre sujeito a erros) como peças de ideologia ou conclusões determinísticas ou lógicas e; segundo, as dificuldades da academia na comunicação com jornalistas e o público leigo. Por outro lado, reforçou-se o estereótipo (que acho errado, fique claro - ou pelo menos é errado para toda a classe) que jornalistas não têm espaço ou capacidade para ir além da superficialidade. Talvez ainda haja algum esclarecimento nesses sentidos, mas, por enquanto, as chances foram perdidas. Em resumo: quem não tem formação em economia ou acompanhou apenas um dos lados da discussão provavelmente saiu com preconceitos reforçados e pouco mais.

- Como tinha dito, a história toda me deu um pouco de preguiça no início. Porém, como disse um amigo, levou a boas discussões sobre pesquisa acadêmica, econometria, causalidade, comunicação, política, etc; além disso, não lembro de outra questão ter mobilizado tanto a blogosfera econômica brasileira (aqui está o ex-preguiçoso, empolgadão, terminando texto à 1 da manhã) - que sempre deveria dar as boas-vindas a esse tipo de diálogo e, no fim das contas, enriqueceu com essa história.  Serendipity, baby.

P.S. Outra coisa legal que surgiu nas discussões foi esse texto que o goombagoomba indicou, sobre a crítica conservadora à educação superior.

P.P.S. Bem que o Hermenauta podia sair da hibernação para entrar na discussão.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Gráfico do Dia dos Namorados

Porque, ainda que pareça improvável, economistas também amam.


Mais aqui - 14 Ways an Economist Says I Love You.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Leituras da Semana - нехай почнеться гра!

- A Playboy americana mandou um repórter para o encontro da American Economic Association, em Denver. Ele voltou com algumas histórias interessantes e levantou uma boa discussão sobre o que separa ortodoxos e heterodoxos, além do tamanho das barbas.

- Falando em heterodoxia: Vladimir Safatle comenta uma nova coletânea de textos de Celso Furtado.

- O badalado discurso de George Soros no Festival de Economia de Trento, na Itália. Ezra Klein e Felix Salmon comentam. Só vi agora que Soros lançou, em fevereiro, um novo livro de ensaios sobre a crise nos EUA e Europa, já está encomendado. Trecho do discurso: "I am not well qualified to criticize the theory of rational expectations and the efficient market hypothesis because as a market participant I considered them so unrealistic that I never bothered to study them." Soros também no Project Syndicate, o conteúdo é praticamente o mesmo do discurso.

- Um ranking de bem-estar, como medido pela OECD.

- Achtung baby: porque a situação da Alemanha é mais perigosa do que se imagina.

- A história dos fluxos de capitais privados para o Brasil, em um gráfico.

- Boa matéria no Valor sobre fundos de trend following.

- Scott Sumner sobre regimes de câmbio fixo.

- Ariel Rubinstein indica cinco livros sobre teoria dos jogos.

- Mark Dow indica livros de finanças e economia comportamental, e fala sobre o modus operandi do FMI.

- Michael Lewis fala para os formandos de Princeton sobre o poder do acaso. The Epicurean Dealmaker comenta.

- O que Adam Smith sabia sobre desigualdade.

- Milton Friedman e uma receita para reviver a economia japonesa... em 1998. Daí vê-se que o monetarismo de mercado não é uma ideia lá muito original - nem pretende ser, creio (h/t Mark Dow).

- Uma ótima (ainda que meio tendenciosa) animação sobre a crise na Espanha, Españistán. É do ano passado, mas só vi há pouco.

- Uma história da família Safra.

- A economia de Seinfeld: dezenas de trechos do seriado exemplificando conceitos econômicos.

- Relatório bacana do banco italiano UniCredit sobre a Eurocopa, que começa hoje. Divertidíssimos os argumentos científicos e racionais do "client's corner". Tese a ser testada este ano: a Alemanha sempre ganha a edição seguinte a uma em que foi derrotada na final.

- A regra mais esdrúxula para definição de senha eletrônica da história.

- Pulp Fiction em ordem cronológica.

- Ver o Real Madrid perder de forma espetacular é sempre bom, não?

E este é o espírito da Irlanda para a Eurocopa, já ganhou minha torcida: