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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Lista de preocupações econômicas, 1798-2016

Deste discurso de Deirdre McCloskey, para quem a economia deve voltar a ser a "ciência otimista da riqueza" ao invés da "ciência pessimista da escassez" – e para quem as imperfeições da economia de mercado não impediram o mundo de enriquecer boa parte de uma população sete vezes maior do que em 1800 (e vão continuar não impedindo):

1. Malthus worried that workers would proliferate and
2. Ricardo worried that the owners of land would engorge the national product.
3. Marx worried, or celebrated, depending on how one views historical
materialism, that owners of capital would at least make a brave attempt to
engorge it.
4. Mill worried, or celebrated, depending on how one views the sick hurry of
modern life, that the stationary state was around the corner. Then the
economists, many on the left but some also on the right, in quick succession
1848 to the present—at the same time that trade-tested betterment was
driving real wages up and up and up by a factor of anywhere from 30 to 100,
3,000 to 10,000 percent—commenced worrying about, to name a few of the
grounds for imperfections and pessimisms they discerned concerning
”capitalism”:
5. greed (offensive to Christians)
6. alienation (as in the Young Marx)
7. the uneducated taste of the workers in consumption
8. the drinking habits of the workers (thus Knut Wicksell; Irving Fisher)
9. infant industries (List in Germany, Carey in the United States)
10. national histories of economies, as against “English” economics (the German
Historical School)
11. lack of bargaining strength by the workers
12. racial impurity
13. women working
14. immigration of lesser breeds
15. the race to the bottom in wages and the eugenic solution (advocated by most
of the American economics profession c. 1900)
16. neoclassical theory being insufficiently evolutionary (Veblen; Alchian)
17. monopoly and the trusts (see Hovenkamp’s article on “the first law and
economics movement”)
18. imperialism, the last stage of capitalism (Lenin; Hobson)
19. imperialism as robbery
20. adulterated food if no regulation
21. Veblen effects: demand curve slopes up
22. unemployment (a new word with Beveridge’s book of 1909)
23. lack of coordination (rationalization in the 1920s)
24. the government is wise and good, unlike self-interested markets
25. business cycles (eventually Schumpeter; Hayek; Keynes)
26. underinvestment in increasing-returns industries (as Pigou argued)
27. externalities
28. under-consumption (dating back to Malthus and the general glut; then
Keynes; now the neo-Keynesians)
29. monopolistic competition
30. separation of ownership from control (Berle and Means)
31. lack of planning (vs. Mises)
32. the economy is embedded in society (Karl Polanyi)
33. price-fixing markets are only recent, and optional (Karl Polanyi; vs. Michael
Polanyi)
34. post-War stagnationism (Keynes, Hansen)
35. investment spillovers
36. unbalanced growth (Hirschman; French indicative planning)
37. capital insufficiency (Harrod/Domar/Solow models; William Easterly on
“capital fundamentalism”)
38. businesspeople do not price by marginal cost or marginal revenue, but by
average plus markups
39. predatory pricing leads to monopoly
40. few competitors in an “industry” leads away from price = marginal cost
41. absence of entrepreneurs in certain cultures
42. dual labor markets (W. Arthur Lewis)
43. cost-push inflation (Otto Eckstein)
44. capital-market imperfections
45. peasant irrationality (vs. Theodore Schultz)
46. cultural irrationality
47. economic behavior has motives beyond self-interest
48. low-level traps, cycle of poverty (W. Arthur Lewis)
49. prisoner’s dilemma (and much later Elinor Ostrom’s reply)
50. failure to define property rights (Alchian, Demsetz, Coase: one of a few, like
those immediately following here, from the political right)
51. overfishing (H. Scott Gordon [195X] and Anthony Scott [1955])
52. tragedy of the commons (Garrett Hardin)
53. over-population (Hardin’s motive)
54. transaction costs (Coase)
55. public goods cannot be supplied privately (Samuelson; vs. Coase, Demsetz)
56. public choice (Buchanan, Tullock)
57. regulatory capture (ICC case Gabriel Kolko; Stigler)
58. free riding (Mancur Olson)
59. missing markets (George Akerlof; Joseph Stiglitz)
60. the Cambridge capital controversy and the undefinability of capital (Piero
Sraffa; Joan Robinson; Geoffrey Harcourt; see above, Ricardo)
61. informational asymmetry (Akerlof)
62. unions as good monopolies (H. Gregg Lewis tested it 1955-1980)
63. third-world exploitation (see above, imperialism)
64. advertising (Galbraith)
65. public underinvestment (Galbraith)
66. fine tuning of the economy can work
67. large scale econometric models are the way forward
68. the invisible hand is mere magic unless proven mathematically
69. the conditions sufficient in logic for invisible-hand results are unreasonable
(Hahn; Arrow; Debreu)
70. false trades out of equilibrium make it impossible to conclude that supply =
demand is optimal
71. any imperfection throws economic analysis into a hopeless world of secondbest
72. all policy arguments, such as the effect of minimum wages, must be
expressed in general equilibrium, or else they are inconclusive
73. most economic propositions, such as downward sloping demand curves, are
only provable econometrically
74. most econometric results have serious flaws
75. history is irrelevant: what matters is the future
76. history is decisive: what matters is the past
77. middle-income trap
78. path dependency (Paul David)
79. the economy is a complex system, with chaos and catastrophe
80. worker cooperatives are always better than corporations, but are lamentably
rare
81. lack of international competitiveness
82. consumerism (see above, bad taste of workers)
83. consumption externalities (Robert Frank)
84. unemployment and inefficiency results from menu costs in the product
market (neo-Keynesian neoclassicism)
85. knowledge has zero opportunity cost, but is expensive to produce (Paul
Romer)
86. irrationality (behavioral economics)
87. irrational entrepreneurs (Schumpeter; Keynes; Akerlof and Schiller)
88. hyperbolic discounting
89. too big to fail
90. environmental degradation
91. underpaying of care workers (Nancy Folbre)
92. GDP is a poor indicator of anything important
93. prices are influenced by an unjust distribution of income, and therefore are
irrelevant to policy for a just society
94. profit is against people; profit vs. social well-being
95. overpayment of CEOs
96. artificially high wages cause labor-saving innovation (Kaldor; Habakkuk;
Allen; Robert Reich)
97. the government has innovated most (Mazzucatto)
98. any imperfection—orphan drugs, for example—shows that capitalism is bad
on balance, even if the imperfection is caused by government
99. neo-liberalism has impoverished people worldwide
100. neo-stagnationism (Tyler Cowen; Robert Gordon 2016 )
101. rising inequality in future (Thomas Piketty)

A lista também deve servir como um superteste de História do Pensamento Econômico. Um dia consigo entender tudo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Salários altos, Revolução Industrial e o Brasil de hoje

"As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender" (Paulinho da Viola em Coisas do mundo, minha nêga)


Nessa pausa da Copa, aproveite o tempo para ler este paper de Peter Temin (professor emérito do MIT), uma revisão, em linguagem simples e acessível, da evolução da "Nova História Econômica" (que também atende pelo nome de cliometria.) A cliometria é produto tanto da quantificação da economia, cujo marco inicial foi a publicação do The Foundations of Economic Analysis, de Paul Samuelson, em 1947 (Samuelson tinha 32 anos, mortais—e é uma das celebridades que compartilham o dia de aniversário com este que vos escreve, como Raí e os gêmeos De Boer), quanto da evolução das técnicas econométricas, da disponibilidade de dados e do poder dos computadores para processá-los.

Temin destaca a pesquisa recente de Robert C. Allen, Hans-Joachim Voth e Nico Voigtländer (os dois últimos são coautores), que tenta responder a pergunta mais clássica de história econômica: por que a Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra no século XVIII? A narrativa que emerge desses trabalhos é fascinante. Vou tentar resumir em um parágrafo (já me perdoem pela heresia):

A Peste Negra, no século XIV, foi a mãe de todos os choques exógenos: surgiu inesperadamente e, em pouco tempo, reduziu drasticamente a oferta de mão de obra na Europa. Como consequências, para cultivar plantações cujo tamanho não mudou: i) salários subiram, ii) aumentaram os incentivos para adoção de novas tecnologias, iii) mulheres passaram a fazer parte da força de trabalho (tanto pela demanda por trabalhadores quanto pela adoção de tecnologias que diminuíram a necessidade de força física para o trabalho agrícola.) Com isso, mulheres passaram a se casar mais tarde e a ter menos filhos. A população passou a crescer mais lentamente, o que manteve a oferta de mão de obra restrita e os salários mais altos. Começava a se romper a "armadilha malthusiana": as famílias, menores, passaram a dispor de mais renda e puderam incrementar a alimentação (comer mais proteína animal), que, por sua vez, seguiu alterando o padrão da agricultura. A Revolução Industrial surge como uma tentativa de produtores reduzirem custos (já que empregar gente ficou permanentemente mais caro), alimentada pela criatividade de pequenos empreendedores que passaram a ter renda acima do nível de subsistência e tempo livre para experimentar (falta a peça do quebra-cabeça que explica o porquê da Inglaterra e não outro país europeu: energia barata, segundo Allen.)

Temin liga a história do desenvolvimento da Europa (depois replicada para outros continentes) aos problemas atuais de economia do desenvolvimento. A diferença entre a Europa pobre, pré-Revolução Industrial e a Europa rica que veio depois é similar à diferença corrente entre países pobres e países ricos: estes pagam salários maiores e usam tecnologia mais avançada. Ambos os fatores são, claro, interligados: salários mais altos justificam o investimento em tecnologia, e o aumento de produtividade sustenta níveis de renda maiores. A dificuldade está na transição: como fazê-la em (muito) menos que 400 anos e sem depender de um enorme choque exógeno. Se buscarmos respostas na história de sucesso da Europa, um bom começo passa por inclusão de mais mulheres na força de trabalho e redução da taxa de fertilidade.

Corta para o Brasil de hoje: um dos fatores mais importantes e menos alardeados da história econômica do país desde a redemocratização é uma profunda transição demográfica, que segue surpreendendo nós, pobres economistas. A taxa de fertilidade caiu muito rápido: lembro de um texto de Roberto Campos, acho que do início dos anos 1980 (estou sem o livro aqui, é um dos primeiros do Ensaios Imprudentes, salvo engano) que a listava como "o" principal problema do país. Tal problema desapareceu em pouco mais de uma geração: em 1980 esperava-se que cada mulher tivesse 4 filhos durante sua vida; hoje, menos de 2. Em mais uma geração, a população total do país deve começar a declinar, a partir de um pico de 220 milhões. A surpresa mais recente, e que ajuda a explicar porque o desemprego segue baixo mesmo após anos de atividade econômica fraca e salários subindo, é o baixo crescimento da população economicamente ativa (está bem explicado neste artigo do Marcelo Muinhos). Não só a população total cresce pouco como também, aparentemente, demora-se mais para entrar no mercado de trabalho, já que o aumento da renda das famílias permite financiar mais anos de educação e diminui a pressão para que jovens comecem a trabalhar o quanto antes.

A tragédia do Brasil recente é a produtividade, que é frequentemente ligada à adoção de tecnologia. Além dos dados, anedotas não faltam: os ônibus nas grandes cidades ainda empregam cobradores, o enorme contingente de empregadas domésticas, manobristas, garçons, frentistas, recepcionistas, porteiros... Claro que não se trata de simplesmente extinguir esse tipo de trabalho, mas criar condições para que os que se empregam nele consigam trabalhos melhores e sejam substituídos por tecnologia e processos mais avançados (exemplo: grandes prefeituras poderiam aproveitar o mercado de trabalho aquecido e criar projetos para acabar com cobradores de ônibus em poucos anos, oferecendo um pacote de alguns meses de salário e cursos de qualificação. Há, claro, uma briga necesária a ser comprada com sindicatos e afins.) É preciso criar um círculo virtuoso onde empregadores concluam que só conseguirão ser competitivos se diminuírem o uso de mão de obra, invistam em tecnologia e a mão de obra dispensada, suficientemente qualificada, consiga outros empregos, criados por novos investimentos visando um mercado consumidor maior e com mais poder aquisitivo. Mais fácil falar do que fazer, evidentemente, mas boa parte das condições de uma "revolução industrial contemporânea" estão dadas pela transição demográfica descrita acima. Essas condições precisam ser aproveitadas antes que prevaleça a história do "país que envelheceu antes de ficar rico."

A grande conquista dos governos no PT (muito ajudados por um grande choque de termos de troca entre 2002 e 2012, é sempre bom reconhecer), e que, na minha visão, é totalmente coerente com a história do partido, foi o aumento consistente dos salários reais. Como isso ocorreu com produtividade em queda, dependeu de uma grande redistribuição que está culminando, acredito, em taxas de lucro das empresas que não justificam novos investimentos (além da inflação persistentemente alta.) Se isso está correto, a política econômica dos próximos anos deve ser fortemente voltada para o lado da oferta, assumindo que, corretamente, as conquistas recentes em salários não podem retroceder e serão naturalmente defendidas pelos enormes grupos de interesse que se criaram em torno delas (a obviedade aparente do suicídio eleitoral que seria defender a desindexação do salário mínimo é um bom indicador da força dessa defesa.) Acho que, dentro da conjuntura, há pouco espaço para mais "trabalhismo" e muito para um "desenvolvimentismo" que tem pouco a ver com o significado que tem se dado à palavra. Criá-lo vai requerer muita criatividade e esforço de economistas e políticos que, por enquanto, ainda precisam gastar tempo e energia discutindo e pensando em questões como controle da inflação e disciplina fiscal.


Outros links:
—O paper de Voth e Voigtländer;
—Um resumo da pesquisa de Robert C. Allen;
—Se não conseguirem acessar o Temin no NBER, uma alternativa.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O primeiro economista

Roubado do INET (clique para aumentar).


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Albert O. Hirschman e a Brahma

Malcolm Gladwell, abrindo um texto sobre Albert O. Hirschman:

In the mid-nineteenth century, work began on a crucial section of the railway line connecting Boston to the Hudson River. The addition would run from Greenfield, Massachusetts, to Troy, New York, and it required tunnelling through Hoosac Mountain, a massive impediment, nearly five miles thick, that blocked passage between the Deerfield Valley and a tributary of the Hudson. 
James Hayward, one of New England’s leading railroad engineers, estimated that penetrating the Hoosac would cost, at most, a very manageable two million dollars. The president of Amherst College, an accomplished geologist, said that the mountain was composed of soft rock and that tunnelling would be fairly easy once the engineers had breached the surface. “The Hoosac . . . is believed to be the only barrier between Boston and the Pacific,” the project’s promoter, Alvah Crocker, declared. 
Everyone was wrong. Digging through the Hoosac turned out to be a nightmare. The project cost more than ten times the budgeted estimate. If the people involved had known the true nature of the challenges they faced, they would never have funded the Troy-Greenfield railroad. But, had they not, the factories of northwestern Massachusetts wouldn’t have been able to ship their goods so easily to the expanding West, the cost of freight would have remained stubbornly high, and the state of Massachusetts would have been immeasurably poorer. So is ignorance an impediment to progress or a precondition for it?

Cristiane Correa em Sonho Grande, a história do império construído por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira:

No dia 6 de novembro de 1989 ele [Marcel Telles] pisou na cervejaria pela primeira vez. Um problema inesperado já o aguardava. Na ânsia de fechar o acordo com a Brahma, o Garantia dispensou a tradicional due dilligence, análise detalhada que o comprador realiza nas contas da empresa a ser adquirida antes que o negócio seja concretizado. Quando finalmente teve acesso a todos os números, Marcel tomou um susto. O fundo de previdência da cervejaria tinha um patrimônio de 30 milhões de dólares e uma necessidade de reservas para cumprir suas obrigações que somava 250 milhões de dólares - quatro vezes o valor que o banco havia pago para comprar a Brahma. Hoje, quando comentam o assunto, Marcel, Jorge Paulo e Beto dizem que foi ótimo não ter feito a lição de casa. Se soubessem o tamanho da encrenca, provavelmente não teriam levado o negócio adiante.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Frases do Dia - Keynes e os keynesianos

A sagacidade de Keynes no debate público é melhor lembrada por sua observação de que "no longo prazo todos estaremos mortos", mas Keynes não se reconheceria nessa indiferença contemporânea pelos riscos de longo prazo. Recentemente, ouvi a história de que, ao sair de uma reunião de economistas keynesianos no Canadá, após o acordo de Bretton Woods, Keynes observou que provavelmente era o único economista não keynesiano na sala.

André Lara Resende no Valor de hoje.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Leituras da Semana

Not-so-dismal art
- Reinhart & Rogoff disponibilizaram as bases de dados do This Time Is Different.

- O verdadeiro custo do salvamento da AIG.

- A moda México.

- Uma breve história da macroeconomia.

- Charles Goodhart e Vincent Reinhart contra metas pra PIB nominal.

- Resenha da biografia de Paul Volcker. Preciso comprar. O novo livro de Alan S. Blinder, sobre a crise.

- Edward Chancellor e Mike Monnelly sobre a vulnerabilidade do sistema de crédito da China.

- Um "teste de significância" para Davos.

- Debate imaginário entre Keynes, Marx, Lagarde e Schumacher.

- O que economistas sabem sobre imigração.

- Conheça a "Great Gatsby Curve".

- Uma briga (com classe) entre Tim Harford e Gideon Rachman, economista x historiador.

- Boa história sobre o possível fim das empregadas domésticas no Brasil.

- Provavelmente o gráfico econômico mais cool da história.

- A população mundial por latitude e longitude.

- André Lara Resende sobre otimismo.

- Uma entrevista com Edward Tufte.

- Uma visita a Pyongyang.

- 102 grandes artigos do ano passado.

- 38 mil (!!!) livros gratuitos para Kindle. A baixa margem de lucro da Amazon.

- Para os músicos amadores, um ótimo site com partituras dos Real Book.

- Richard Linklater sobre a sequência de Antes de Anoitecer, que estreou no festival de Sundance.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Frases do Dia - Eficiência

"An industrial system which uses forty per cent of the world's resources to supply less than six per cent of the world's population could be called efficient only if it obtained strikingly successful results in terms of human happiness, well-being, culture, peace, and harmony. I do not need to dwell on the fact that the American system fails to do this, or that there are not the slightest prospects that it could do so if only it achieved a higher rate of growth of production."

E.F. Schumacher, Small Is Beautiful, 1973. Citado no Economix, que terminei há pouco. Quanto a este: a primeira metade é excelente, uma introdução à história do pensamento econômico clara, acessível e honesta (o autor realmente leu os livros de que trata). Na segunda, ele assume que o pensamento econômico morreu com o Milton Friedman e começa a contar uma história econômica dos EUA do ponto de vista de luta de classes. Consegue alguns bons insights, mas não escapa do tom panfletário e às vezes descolado da realidade (ou do que é possível ser feito). No saldo, vale muito a leitura.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fala Adam Smith (versão quadrinhos)

Tirei esse trechinho do Economix, um livro muito simpático que tenta contar a história do pensamento econômico em quadrinhos, a partir dos autores clássicos (comecei a ler no fim de semana). Essa é a versão dos autores para o grande Adam Smith:


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Leituras das últimas semanas

Good is travel.
Atualizando o que ficou perdido nos dias de férias e na semana passada:

- A dupla do Marginal Revolution está lançando sua própria universidade virtual.

- A Amazon agora tem um blog sobre dinheiro e mercados, vale colocar nos favoritos.

- Os chutes da Reuters para o Nobel (o de Economia é anunciado no próximo dia 15).

- Michael Lewis entrevista Obama para a Vanity Fair e fala sobre a entrevista.

- Longo perfil de Robert Rubin.

- Um resumo da história recente da macroeconomia.

- Ótima entrevista de Kenneth Rogoff para o Globo News.

- Longa conversa de Daron Acemoglu com o Edge.

- Fractais no Google Earth.

- Uma crônica paulistana engraçadíssima para celebrar os cinco anos do Boteco do JB.

- Os livros favoritos de Teju Cole.

- Os passeios de férias oferecidos no mundo de Star Wars.

- 50 percente of life is mazel, the other 50 is luck.

- Um cartoon épico do xkcd, merecia uma parede inteira de um bom museu de arte contemporânea. Quando cansar, o "gabarito" está aqui.

- Os vencedores do Ig Nobel 2012. Destaque absoluto para o prêmio de literatura: The US Government General Accountability Office, for issuing a report about reports about reports that recommends the preparation of a report about the report about reports about reports.

- Um trabalho acadêmico dos mais inspirados.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Leituras da Semana e Meia

Índia, 65
- O Spiegel acha que o Brasil é um país-modelo. Ouch.

- Mark Dow sobre as dificuldades dos fundos global macro.

- Uma lista de leituras para o verão europeu, por Barry Eichengreen.

- Nicholas Kaldor, há 41 anos, sobre a União Européia.

- A Companhia das Letras lança ainda esta semana a versão brasileira do livro de Sylvia Nasar sobre pensamento econômico. A Folha publicou um trecho e a resenha do NY Times. Eu havia resenhado aqui.

- John Kay sobre a abordagem de Keynes para probabilidade.

- 36 indicadores econômicos bizarros.

- Nassim Taleb acha que não é mais uma boa ideia trabalhar na indústria de investimentos.

- Uma retrospectiva da crise argentina.

- McKinsey sobre a Austrália.

- Começa a esquentar o debate pré-eleições nos EUA: Simon Schama e a escolha entre Franklin Roosevelt e Ayn Rand. A matéria de capa da última Newsweek, com Niall Ferguson panfletando para os republicanos. Entre as dezenas de reações, a de Noah Smith e o comentário de John Cassidy. Ezra Klein e o melhor caso contra o mandato de Obama.

- Jeremy Grantham sobre a crise de alimentos.

- O Oikomania faz um resumo sobre as hipóteses correntes para o desenvolvimento.

- As desigualdades regionais na Europa e uma boa reflexão sobre educação.

- Um manual do Brasil, pelo J.P. Morgan.

- William Easterly prova que as Olimpíadas não produzem medalhas.

- Os guias de viagens e suas concessões a tiranias.

- Como tem crescido o consumo de cerveja no mundo.

- Das Kapital em mangá.

- Caso não saibam, é proibido entrar com livros em estádios de futebol no Brasil.

- O Financial Times lê o quadro de medalhas das Olimpíadas de Londres.

- As 10 verdadeiras lições de gestão dos jogos.

- Sonny Rollins na New York Review of Books.

- A globalização segundo a revista Cosmopolitan (Nova, por aqui).

- Os bons tempos em que se podia beber no trabalho.

- Fotos dos 65 anos de independência do Paquistão e da Índia.

- Escândalo: o bolovo é uma invenção escocesa.

- Um grande dilema de lecionar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Frase do Dia - Crescendo até o céu

"Anyone who believes exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist."

De Kenneth E. Boulding, economista inglês citado por Jeremy Grantham, da GMO, em sua última carta trimestral. Granhtam está resgatando o tom pessimista / malthusiano que mostrou em 2010, vale a leitura.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Milton Friedman, 100

Hoje o economista mais influente da segunda metade do século passado faria 100 anos (só não foi do século inteiro porque antes havia aparecido um tal John Maynard Keynes). Uma lista dos seus trabalhos mais conhecidos, todos os episódios da série da PBS Free to Choose, de 1980. O trecho abaixo é de seu discurso de aceitação do Nobel, em 1976:
As some of you may know, my monetary studies have led me to the conclusion that central banks could profitably be replaced by computers geared to provide a steady rate of growth in the quantity of money. Fortunately for me personally, and for a select group of fellow economists, that conclusion has had no practical impact… else there would have been no Central Bank of Sweden to have established the award I am honoured to receive. Should I draw the moral that sometimes to fail is to succeed? Whether I do or not, I suspect some economists may.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Fala Keynes

Nunca tinha ouvido a voz do velho John Maynard; semana passada, o Open Culture desenterrou esse discurso dele para a BBC, em 1939:

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Frases do Dia - reciclando lucros

"There has never been a purely 'Smithian' market; and we know from copious experience that well-intentioned artisans do not normally survive the competition. If the skilled bakers of France survive today, it is thanks to subsidy. To put it no finer, the state recycles the profits of capitalism in its less appealing forms to sustain the more aesthetically appealing marginal enterpreneurs."

Do último Tony Judt, Thinking the Twentieth Century, que finalmente terminei de ler. O último capítulo tem uma das críticas mais inteligentes e pertinentes sobre o capitalismo atual que já li, durante a semana coloco alguns trechos aqui.

E seria bom se a reciclagem de lucros fosse só para atividades de apelo estético. Hoje em dia, vemos dinheiro de arrecadação pública sendo reciclado, para ficar em poucos exemplos, em:

- Companhias aéreas (que deveriam ser reconhecidas como bem público, ainda que moralmente isso seja muito difícil de ser defendido. Daí, creio, a preferência por um modelo que envolva o setor privado);

- Times de futebol, sempre gastando mais do que conseguem arrecadar e renegociando dívidas;

- Shows do Elton John pagos por banqueiros para seus amigos e convidados.

A lista pode ir longe. Agradeço ao Iconoclastas e ao André Poffo por uma discussão desse grande tema no twitter, devo voltar a ele no futuro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Leituras da Semana - нехай почнеться гра!

- A Playboy americana mandou um repórter para o encontro da American Economic Association, em Denver. Ele voltou com algumas histórias interessantes e levantou uma boa discussão sobre o que separa ortodoxos e heterodoxos, além do tamanho das barbas.

- Falando em heterodoxia: Vladimir Safatle comenta uma nova coletânea de textos de Celso Furtado.

- O badalado discurso de George Soros no Festival de Economia de Trento, na Itália. Ezra Klein e Felix Salmon comentam. Só vi agora que Soros lançou, em fevereiro, um novo livro de ensaios sobre a crise nos EUA e Europa, já está encomendado. Trecho do discurso: "I am not well qualified to criticize the theory of rational expectations and the efficient market hypothesis because as a market participant I considered them so unrealistic that I never bothered to study them." Soros também no Project Syndicate, o conteúdo é praticamente o mesmo do discurso.

- Um ranking de bem-estar, como medido pela OECD.

- Achtung baby: porque a situação da Alemanha é mais perigosa do que se imagina.

- A história dos fluxos de capitais privados para o Brasil, em um gráfico.

- Boa matéria no Valor sobre fundos de trend following.

- Scott Sumner sobre regimes de câmbio fixo.

- Ariel Rubinstein indica cinco livros sobre teoria dos jogos.

- Mark Dow indica livros de finanças e economia comportamental, e fala sobre o modus operandi do FMI.

- Michael Lewis fala para os formandos de Princeton sobre o poder do acaso. The Epicurean Dealmaker comenta.

- O que Adam Smith sabia sobre desigualdade.

- Milton Friedman e uma receita para reviver a economia japonesa... em 1998. Daí vê-se que o monetarismo de mercado não é uma ideia lá muito original - nem pretende ser, creio (h/t Mark Dow).

- Uma ótima (ainda que meio tendenciosa) animação sobre a crise na Espanha, Españistán. É do ano passado, mas só vi há pouco.

- Uma história da família Safra.

- A economia de Seinfeld: dezenas de trechos do seriado exemplificando conceitos econômicos.

- Relatório bacana do banco italiano UniCredit sobre a Eurocopa, que começa hoje. Divertidíssimos os argumentos científicos e racionais do "client's corner". Tese a ser testada este ano: a Alemanha sempre ganha a edição seguinte a uma em que foi derrotada na final.

- A regra mais esdrúxula para definição de senha eletrônica da história.

- Pulp Fiction em ordem cronológica.

- Ver o Real Madrid perder de forma espetacular é sempre bom, não?

E este é o espírito da Irlanda para a Eurocopa, já ganhou minha torcida:


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Leituras da Semana

Frau Riefenstahl, I presume?
- Para ler quando bater um desânimo com Mantega e companhia: entrevista da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, non, je ne regrette rien.


- Como desgraça gosta de companhia, o azeite de oliva, exportação importante de vários dos países mediterrâneos em crise, está no preço mais baixo dos últimos dez anos.


- John Kay sobre a estupidez de cancelar feriados para combater a crise.

- Carta mais recente da Greenlight Capital, de David Einhorn, com alguns insights interessantes sobre a Apple (ele acha a empresa barata).

- Mark Dow contra os paradigmas ideológicos em política econômica.

- Um guia argentino para a crise na Grécia (não, não pode ser bom).

- Muito boa entrevista da Time com o líder da esquerda radical grega (SYRIZA), Alexis Tsipras. Mesmo pesando o desconto que deve se dar a qualquer declaração de político, teria meu voto.

- Um gráfico importante sobre a crise do euro.

- O Paraguai vai ter uma bolsa de futuros.

- Países subvalorizados, para Tyler Cowen: Filipinas, Paquistão, México...

- Acemoglu e Robinson estão animados com a Bolívia de Evo Morales.

- Adam Smith e Barack Obama, socialistas.

- Pesquisa do ManpowerGroup sobre a dificuldade de encontrar profissionais em diversos países e áreas.

- Custo de uma noite a dois em várias cidades.

- O mercado antecipou a abolição da escravidão no Brasil?

- A sucessão do IPEA está pegando fogo no Mão Visível.

- Sherry Turkle, do MIT, sobre como usamos aparelhos eletrônicos para fugir de conversas e como isso nos atrapalha.

- Fabuloso artigo de Susan Sontag, de 1975, sobre a estética do fascismo e a fascinação que exerce (partindo de um livro de fotografias de Leni Riefenstahl). Alguém apontou no twitter, não consigo lembrar quem e fico devendo o agradecimento.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Judt sobre Hayek x Keynes

Este trecho é do último livro de Tony Judt, Thinking the Twentieth Century (estou pela metade):


The three quarters of century that followed Austria’s collapse in the 1930s can be seen as a duel between Keynes and Hayek. Keynes, as I was saying, begins with the observation that under conditions of economic uncertainty we would be imprudent to assume stable outcomes and therefore had better devise ways to intervene in order to bring these about. Hayek, writing quite consciously against Keynes and from the Austrian experience, argues in The Road to Serfdom that intervention - planning, however benevolent or well-intentioned and whatever the political context - must end badly. His book was published in 1945 and is most remarkable for its prediction that the post-World War II British welfare state already in the making should anticipate a fate similar to that of the socialist experiment in post-1918 Vienna. Starting with socialist planning, you would end with Hitler or a comparable successor. For Hayek, in short, the lesson of Austria and indeed the disaster of interwar Europe at large boiled down to this: don’t intervene, and don’t plan. Planning hands the initiative to those who would, in the end, destroy society (and the economy) to the benefit of the state. Three quarters of a century later, this remains for many people (especially here in the U.S.) the salient moral lesson of the twentieth century.
(...)
It is as though what had taken place in Austria was a debate between planning and freedom, which was never the case, and as though it were self-evident that the course of events which led from a planned city to authoritarian repression and ultimately fascism can be summarized as a necessary causal relationship between economic planning and political dictatorship. Relieved of its Austrian historical context and, indeed, even of the very historical reference, this set of assumptions - imported to the U.S. in the suitcases of a handful of disabused Viennese intellectuals - has come to inform not just the Chicago school of economics but all significant public conversation over policy choices in the contemporary United States.


Isso provocou uma discussão interessante na blogolândia em Inglês. Começou com este post do Tyler Cowen, que diz que Judt foi injusto na caracterização do Hayek. O Crooked Timber discutiu aqui, com uma leitura do próprio Hayek. Por fim, o Moneybox aponta uma inconsistência no pensamento de Hayek sobre o estado de bem-estar social (e o Crooked Timber, de novo, dá mais referências). Pena Judt não estar mais entre nós para seguir alimentando a polêmica.

Ah, no primeiro post do Crooked Timber foi possível encontrar esta pérola entre os comentários:

I would certainly be happy if I was generally regarded as being as dishonest and as ignorant as Tony Judt. After achieving that, I think I’d try to become as poor as Donald Trump and as ugly as Jude Law.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Maravilhas da divisão do trabalho

Via Marginal Revolution. Adam Smith ficaria orgulhoso.

Amazon is so serious about its next big thing that it hired three women to do nothing but try on size 8 shoes for its Web reviews. Full time.

O "next big thing" é o mercado de roupas de luxo. Consta que a Amazon chega ao Brasil em Setembro deste ano; eu estaria muito preocupado se fosse acionista de alguma empresa de varejo na internet.