segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E o Nobel de Economia 2012 vai para...

Alvin E. Roth (Harvard, 60 anos) e Lloyd Shapley (UCLA, 89 anos) dividem o Nobel de Economia de 2012, pela "teoria de alocações estáveis e a prática de desenho de mercado". Eu quase tive que ficar um semestre a mais na graduação justamente por teoria dos jogos, e tenho, portanto, zero moral para opinar. Esse resumo do próprio comitê da Real Academia Sueca de Ciências é ótimo como introdução, e tem vários links para quem quiser se aprofundar no trabalho dos dois.

P.S. O atento Lucas Teixeira acabou de observar que a professora Marilda Sotomayor, da FEA-USP, foi coautora do Alvin E. Roth. O IDEAS lista dois trabalhos: um capítulo de um manual de teoria dos jogos e um paper publicado no Journal of Economic Theory. Grande moral para a minha alma mater (não fui aluno da Marilda, ela só lecionava no período da manhã...).

Global Economic Symposium 2012

Embarco hoje para o Rio para o Global Economic Symposium. Sou um dos responsáveis pelo blog do evento, cobrirei o que for dito sobre bancos centrais, estabilidade monetária e, sobrando tempo, o que mais me interessar. Volto aqui na quinta-feira.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Som da Sexta - Neil Young & Crazy Horse

Épico bem ao estilo do cavalo doido, do disco novo que sai no fim do mês.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Leituras da Semana

- Fabio Giambiagi sobre o impacto da queda dos juros nos fundos de pensão brasileiros.

- Olivier Blanchard sobre o multiplicador fiscal.

- Um ótimo trabalho do Banco da Inglaterra defendendo mais simplicidade na regulação bancária, fortemente inspirado nas ideias do psicólogo alemão Gerd Gigerenzer.

- Aritmética simples aplicada a preços pode ser muito cruel.

- Um paper sobre o aumento do uso de equações e ferramentas econométricas nos trabalhos de economia. Essa figura é de lá (via Justin Wolfers):


- A última edição da Foreign Policy, sobre economia global, está muito boa: quem ganhou na Grande Recessão, repensando os BRICS e alguns pensamentos de Nassim Taleb.

- Noah Smith divaga sobre as consequências de blogar sobre economia.

- A relação (ou não) entre centros financeiros e centros de arte.

- A Suécia leva a sério essa história de igualidade.

- Ótimo texto sobre parte da geração que chega agora aos 20 e alguns anos, seu egocentrismo e problemas em lidar com o mundo fora da faculdade (acho que em larga medida vale também para a minha geração, dos 30 e poucos). Dica: Marcio Guilherme.

- Small Demons, um site que lista referências culturais em livros e vai te tomar muitas e muitas horas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Há exatos 10 anos pagava-se 4 reais por 1 dólar

Há exatos 10 anos eu era estagiário com pouco mais de um ano no mercado financeiro, e a taxa de câmbio dólar / real, no surto do mercado ainda não convencido do "Lulinha-paz-e-amor", foi a 4. O Valor lembrou da ocasião; abaixo está um gráfico da taxa de câmbio desde então e de uma conta que fiz de qual seria o câmbio equivalente que levasse em conta o diferencial de juros (CDI - Fed Fund, eu sei que é uma aproximação algo imperfeita, mas não longe da realidade) - ou seja, quem vendeu dólares e comprou reais em 10 de outubro de 2002 teria hoje um ganho equivalente a um movimento do câmbio de 4 reais / dólar para 0,64 centavos de real / dólar.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Fluxos estrangeiros: pare com o mimimi e use regulação

Essa é a mensagem de Barry Eichengreen sobre como o Brasil e outros países devem lidar com os fluxos originados por juros muito baixos no mundo. Nas palavras dele para o Caixin - China Economics & Finance:


What should Brazil and China do?  Neither has much room to fight fire with fire. Chinese consumer prices rose 2 percent year-on-year in August, and food prices climbed 3.4 percent. Brazilian inflation in the year through mid-September was 5.3 percent, and there too food prices are a problem. Both the Brazilian Central Bank and People's Bank of China have already loosened significantly. Given inflationary pressures, it is not clear that they can do more. 
Tightening fiscal policy is another standard way of leaning against an appreciating exchange rate, but with growth so weak this too is off the table. 
The best way of dealing with the impact of cheap foreign money, under the circumstances, is with regulatory policy. Both Brazil and China have regulatory restrictions on hot money inflows. If advanced-country policy threatens to augment those flows, now is the time to tighten those rules and restrictions. 
And Brazil, for its part, should emulate China and abandon its public criticism of advanced-country quantitative easing. Low interest rates in the advanced countries may be uncomfortable for emerging markets. But recession throughout the advanced country world, which would result from central bank inaction, would be even worse. As the Chinese proverb says, "there is no wisdom like silence."

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Frases do Dia - Tales de Mileto, especulação e "fuck you money"

[...] as pessoas diziam a ele, em tom de reprovação, que a filosofia era inútil, pois o tornara pobre. Mas ele, fazendo deduções a partir do conhecimento das estrelas de que haveria uma boa safra de azeitonas ainda no inverno, usou o pouco dinheiro que tinha para comprar todas as prensas de óleo em Mileto e em Chios, assegurando, assim, que seriam alugadas. Isto lhe custou pouco dinheiro, pois não havia outros interessados. Quando chegou a época da colheita, houve uma demanda repentina e simultânea por prensas de óleo, e ele as alugou pelo preço que queria. Ganhou muito dinheiro e, assim, demonstrou que era fácil para os filósofos enriquecerem, se quisessem; mas esse não era seu objetivo na vida.

Aristóteles sobre Tales de Mileto, em Política, livro I - citado por John Kay em A Beleza da Ação Indireta. Para o conceito de "fuck you money", ver aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Banco Imobiliário x Fed x Física Quântica

Das regras do Monopoly (vulgo Banco Imobiliário) - via TheTrader:


Do Fed de St. Louis, citado por L. Randall Wray:

"As the sole manufacturer of dollars, whose debt is denominated in dollars, the U.S. government can never become insolvent, i.e., unable to pay its bills. In this sense, the government is not dependent on credit markets to remain operational. Moreover, there will always be a market for U.S. government debt at home because the U.S. government has the only means of creating risk-free dollar-denominated assets.“

Sempre acho que o que o grande físico dinamarquês Niels Bohr disse da teoria quântica também se aplica ao sistema de moeda fiduciária:


"Anyone who is not shocked by quantum theory has not understood it."

E eis um post sem absolutamente nenhuma ideia original.

Som da Sexta - aquela bandinha de Liverpool

Há exatos 50 anos saia o single Love Me Do / P.S. I Love You, etc...

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Gráfico do Dia - Metas de Inflação

Roubado do Valor de hoje:


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Um Brasil do futuro: bom para o consumidor, pior para os capitalistas

De ler notícias e ouvir conversas, fiquei com uma impressão que pode ter desdobramentos interessantes (assumindo, claro, que eu não esteja redondamente errado, o que pode perfeitamente acontecer): ao mesmo tempo em que o Brasil tem se tornado mais protecionista para o comércio exterior (tentando manter um câmbio mais depreciado do que o que seria caso o regime fosse flutuante, com medidas tributárias para setores específicos, criando "campeões nacionais", etc), o país está se abrindo e atraindo investimento estrangeiro direto, em diversos setores da economia.

Uma consequência disso é que várias atividades que eram dominadas por players nacionais estão passando ou passarão a ter concorrentes estrangeiros de peso - o que me deu o "clique" foi a notícia de ontem do investimento de Peter Thiel na Oppa, loja virtual de móveis (que já havia sido fundada com capital estrangeiro). Pra pegar esse exemplo aplicado aqui a São Paulo: o mercado que antes era disputado por Casas Bahia e seus dormitórios Bartira, a Marabraz, a Tok & Stok e um monte de pequenos produtores que vendem na rua Teodoro Sampaio terá agora que se adaptar à existência de um novo varejista, possivelmente mais eficiente e disposto a disputar mercado via preços (isso mesmo sem a IKEA ainda não ameaçando aparecer por aqui). As margens devem cair (o que é condizente com a queda nos juros básicos), e o ganhador por excelência é o consumidor, com opções mais abundantes, melhores e mais baratas.

Outros exemplos recentes que me ocorrem (grandes players multinacionais anunciando entrada no mercado brasileiro): Expedia, Financial Times, Amazon, Netflix, GAP... devo estar esquecendo de muitos outros.

Não sei com qual grau de intenção, mas parece que foi criada uma situação em que o comércio exterior ainda é complicado e de pouco crescimento, mas as taxas de retorno (caindo, mas ainda altas quando comparadas ao resto do mundo), o ambiente macroeconômico / institucional e a expectativa de evolução do mercado têm atraído fluxos robustos de investimento estrangeiro direto. Se a tendência permanecer, esses fluxos devem aliviar as contas externas caso os preços de commodities comecem a cair, afastando por mais tempo o problema crônico de crises cambiais no país - isso tem funcionado para a Austrália há mais de 30 anos. Isso gera um efeito reflexivo para o investimento estrangeiro - com o fim do "peso problem", ou risco de uma grande desvalorização súbita do câmbio, mais investidores sentem-se seguros para trazer dinheiro para o país.

Enfim: margens e preços em queda, mais opções para o consumidor, menor risco de crise cambial. Talvez esse seja um caso próspero e otimista para o Brasil dos próximos anos (mais para o consumidor médio do que para os capitalistas, curiosamente). No caminho, muita coisa pode dar errado, mas boas sementes parecem estar sendo plantadas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Leituras da Semana

- Cortesia do J.P. Morgan Asset Management, um guia para os mercados globais nesse último trimestre do ano.

- PIMCO sobre o impacto da queda dos juros no Brasil.

- A Atlantic Media lançou o Quartz, um projeto ambicioso de jornalismo voltado a alguns temas que surgiram depois da crise de 2007 / 2008. Tem valido a pena acompanhar.

- John Quiggin revisita, 82 anos depois, um dos ensaios clássicos de Keynes, Economic Possibilities for our Grandchildren.

- Um bestiário ilustrado das criaturas que povoam a blogosfera econômica.

- Uma crônica deprimente do escritor Gary Shteyngart sobre a American Airlines.

- O riquíssimo relatório sobre educação da OECD.

- Comparação entre as composições de gastos familiares no Brasil, Índia, China, Rússia, Egito, Turquia, Indonésia e Arábia Saudita.

- "Economists have correctly predicted nine of the last five recessions."

- Ótima matéria da Economist sobre a queda do uso de carros no mundo desenvolvido.

- Como é crescer Gangnam-style.

- 211 anos de mudanças políticas em um GIF animado.

- Dois bons obituários de Eric Hosbawm: no NY Times e na Jacobin.

- Filmes por gênero, de 1908 a 2012.

- Meio atrasado, mas ainda relevante: como a escuridão tem permeado a cultura pop. Trecho brilhante: "These are dark stories about a man in a dark suit driving a dark car through dark streets thinking dark thoughts while darkly fighting dark men doing dark deeds in the dark of night."

- Entrevista com Randall Munroe, do xkcd.

- Zumbis da proatividade, deve ter um perto de você.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Frases do Dia - Eric Hobsbawm, RIP

"Os economistas, como os políticos, sempre tendem a atribuir os sucessos à sagacidade de suas políticas, e durante a Era de Ouro, quando mesmo economias fracas como a britânica floresceram e cresceram, pareceu haver bastante espaço para a autocongratulação."

Eric Hobsbawm, em Era dos Extremos.

"We have never quite lost that sense that - as Hobsbawm himself would probably still insist - you cannot fully appreciate the shape of the twentieth century if you did not once share its illusions, and the communist illusion in particular."

Tony Judt, em Thinking the Twentieth Century.

Morreu hoje o grande historiador marxista, nascido em 1917 em Alexandria - que lugar mais apropriado para ter nascido um historiador?

Estava procurando uma entrevista dele para o Roda Viva, mas não achei em lugar nenhum. Existe ou estou delirando?