quinta-feira, 30 de junho de 2011
Frases do dia - minimalismo
Do manifesto político-sociológico mais importante deste século, até agora. Esse Bruno Maron é brilhante, ainda vamos ouvir falar muito dele.
Leitura do dia - Krugman sobre Keynes
Mr. Keynes and the Moderns, texto que Paul Krugman preparou para a conferência organizada pela Universidade de Cambridge em comemoração aos 75 anos da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (no site você encontra os outros papers e apresentações). Depois comento aqui.
h/t Paulo Gala.
h/t Paulo Gala.
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
Frase do dia - guerra dos supermercados
"Ao conduzir estas negociações, o Carrefour e o sr. Abilio Diniz ignoraram deliberadamente tanto a lei e os contratos quanto os princípios fundamentais da ética comercial."
Do anúncio de meia página que o grupo Casino pagou em alguns jornais para comentar a baixaria anunciada ontem. As ações do Grupo Pão de Açúcar, amigo do rei, subiram 12.6% e fecharam em sua máxima histórica.
Observação "Brave New World" do dia
A volatilidade realizada (30 dias) dos juros longos brasileiros (DI janeiro / 2017) está CINCO VEZES menor que a dos juros dos títulos de 10 anos do tesouro americano. Who's bad?
terça-feira, 28 de junho de 2011
Proteção contra "cisnes negros": quando é bom comprar?
Nos comentários do último post em que indiquei um paper do Nassim Taleb, surgiu uma discussão muito boa sobre a viabilidade e lucratividade de uma estratégia que se propõe a sempre ficar comprada em proteção contra eventos de baixa probabilidade - tail risk, ou os chamados "cisnes negros". Eu tinha ficado de fazer um estudozinho a respeito, mas enquanto procrastino trato os dados, o James Montier, da GMO, apareceu com esse paper. A conclusão: como com qualquer outro investimento, é bom comprar tail risk quando está barato. Parece óbvio, claro, o que pode levar o leitor a achar que finanças são realmente coisa para imbecis ou que são um domínio muito complexo, que requer muita elaboração para chegar à conclusões simples. Qualquer que seja a opinião, recomendo fortemente a leitura.
A Value Investor's Perspective on Tail Risk Protection
A Value Investor's Perspective on Tail Risk Protection
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E o BNDES não toma vergonha...
... acabou de anunciar que vai contribuir com R$ 1.7 bilhão para a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour (a BNDESPAR ficaria com 18% da nova empresa). Nada como menos concorrência entre os varejistas para fomentar o desenvolvimento econômico e social.
Update: serão R$ 4 bilhões - 85% do capital para concretizar o negócio, segundo a Folha. Brasil-sil-sil!!!
Update: serão R$ 4 bilhões - 85% do capital para concretizar o negócio, segundo a Folha. Brasil-sil-sil!!!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Leituras da segunda-feira - bolhas, Suécia, vacas...
- A dificuldade de se identificar bolhas antes do estouro: a Slate fala sobre a "hindsight fallacy"; Ezra Klein, do Washington Post, aplica um raciocínio parecido para criticar o Inside Job.
- Um perfil de Peter Thiel, fundador do PayPal, um dos primeiros investidores no Facebook e um desastre como gestor de fundos (Forbes).
- Porque companhias aéreas sempre perdem dinheiro (Freakonomics).
- Câmbio no Brasil, 2002-2010. Dica do Leonardo Monasterio.
- Cinco lições de gestão de crise econômica da Suécia (Washington Post).
- Novo livro de Michael Lewis, sobre suas viagens para países em crise, anunciado para outubro (The Big Picture).
- Chris Blattman indica leituras não óbvias sobre desenvolvimento.
- O Oriente Médio, explicado pela famosa piada das duas vacas. Por aqui, a minha favorita é a versão Eike Batista - Você não tem nenhuma vaca. Vende para um fundo de pensão americano 30% da Centennial Cow LLC por US$1 bilhão de dólares, e compra 1 milhão de vacas por R$ 1.000 reais cada. Você contrata a melhor equipe de engenharia genética do país por US$ 5 milhões de dólares por ano, e estima que os netos das vacas valerão R$ 80.000 cada. Faz um business plan no melhor Power Point e vende 20% da COWX no maior IPO da história, por US$ 10 bilhões. No final você tem 56% da COWX, empresa que vale R$ 80 bilhões na Bovespa, já com a promessa de liderar a consolidação do mercado global de carne. Aparece entre os top 50 da Fortune e avisa Bill Gates que está chegando! (Foreign Policy).
- Um perfil de Peter Thiel, fundador do PayPal, um dos primeiros investidores no Facebook e um desastre como gestor de fundos (Forbes).
- Porque companhias aéreas sempre perdem dinheiro (Freakonomics).
- Câmbio no Brasil, 2002-2010. Dica do Leonardo Monasterio.
- Cinco lições de gestão de crise econômica da Suécia (Washington Post).
- Novo livro de Michael Lewis, sobre suas viagens para países em crise, anunciado para outubro (The Big Picture).
- Chris Blattman indica leituras não óbvias sobre desenvolvimento.
- O Oriente Médio, explicado pela famosa piada das duas vacas. Por aqui, a minha favorita é a versão Eike Batista - Você não tem nenhuma vaca. Vende para um fundo de pensão americano 30% da Centennial Cow LLC por US$1 bilhão de dólares, e compra 1 milhão de vacas por R$ 1.000 reais cada. Você contrata a melhor equipe de engenharia genética do país por US$ 5 milhões de dólares por ano, e estima que os netos das vacas valerão R$ 80.000 cada. Faz um business plan no melhor Power Point e vende 20% da COWX no maior IPO da história, por US$ 10 bilhões. No final você tem 56% da COWX, empresa que vale R$ 80 bilhões na Bovespa, já com a promessa de liderar a consolidação do mercado global de carne. Aparece entre os top 50 da Fortune e avisa Bill Gates que está chegando! (Foreign Policy).
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Correlação do dia - Petrobras x River Plate
Ações preferenciais da Petrobras, preço em 2011:
River Plate, patrocinado pela Petrobras, rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Argentino pela primeira vez na história.
River Plate, patrocinado pela Petrobras, rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Argentino pela primeira vez na história.
domingo, 26 de junho de 2011
Edição de domingo - Paulo Renato Souza, R.I.P.
Foi meu último voto para deputado federal; um bom economista e um dos poucos políticos que eu conseguia ouvir sem achar que estava sendo enganado e/ou tratado como imbecil. A entrevista abaixo, para a Folha, é de poucos meses atrás.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Devaneios do feriado - o keynesiano e o Fed
Ontem, feriadão, meio gripado e sem nada melhor pra pensar, comecei a lembrar de um professor da graduação. Meio maluco, se declarou keynesiano desde a primeira aula (a matéria, se não me engano, era "Introdução ao Desenvolvimento Econômico"). Tinha uma porção de pós-doutorados, entre Brasil, Inglaterra, Alemanha e Japão. O curso foi cheio de grandes momentos: de vez em quando ele parava a aula e começava a dar conselhos pra carreira, falando pra gente dar um jeito de fazer pelo menos um mestrado no exterior e arrumar um emprego "no FMI, no Banco Mundial, qualquer um desses, são os melhores empregos pra economista, pagam muito bem, você viaja de graça e não trabalha muito" (tenho uma porção de amigos que trabalham ou já trabalharam nesses órgãos e dizem que não é bem assim). Numa outra aula, ele distribuiu uma folha de xerox com vários recortes de textos, uns colados na horizontal e outros na vertical, escritos em alemão (o título era "Das Mundell-Fleming model", não esqueço até hoje), inglês e espanhol. Alguém reclamou que a maioria da classe não lia alemão, ele olhou pro pessoal meio surpreso e emendou o seguinte diálogo:
Mas a história que eu queria lembrar aqui não é nenhuma dessas. Quase no final do curso, rolou uma discussão sobre presença do governo na economia, quais eram as possibilidades e restrições para investimento do estado. Com a aula quase acabando, ele solta:
Acho que tínhamos acabado de sair de alguma aula com um professor monetarista puro-sangue, porque a reação da maioria foi fazer cara de espanto e começar a perguntar:
Ao que ele, sabiamente, respondeu:
Aí acho que a sala caiu na gargalhada e a aula terminou.
Nem tantos anos depois, de algum jeito chegamos no Fed de Ben Bernanke, que pode pensar e se justificar de forma bem diferente, mas, na prática, adota a mesma solução "fácil" que parecia absurda. Não sei se a história tem uma moral: talvez gestão de política econômica tenha mesmo que ser flexível a ponto de não se envergonhar de passar por cima de qualquer dogma estabelecido na academia; talvez a tentativa de preservar um modelo de economia que dá sinais de esgotamento implique em bizarrices que os historiadores do futuro vão quebrar a cabeça para entender; talvez seja mesmo fácil arrumar depois, e Bernanke e meu professor malucão vão rir por último. Daqui a uns anos a gente confere.
- Alemão é fácil, vocês deviam aprender. É só comparar os textos.
- Como assim, professor?
- Você pega um texto em uma língua que você conhece, o mesmo texto em alemão e vai comparando, decorando as palavras.
- Aaaaaah, claro. O senhor também aprendeu japonês assim?
(pausa de uns 20 segundos, professor pensativo)
- Nâo, não, japonês é mais complicado. Não dá. Japonês é mais complicado.
Mas a história que eu queria lembrar aqui não é nenhuma dessas. Quase no final do curso, rolou uma discussão sobre presença do governo na economia, quais eram as possibilidades e restrições para investimento do estado. Com a aula quase acabando, ele solta:
"No fim das contas, é fácil. É só o governo imprimir dinheiro."
Acho que tínhamos acabado de sair de alguma aula com um professor monetarista puro-sangue, porque a reação da maioria foi fazer cara de espanto e começar a perguntar:
"Professor... isso não acaba em hiperinflação?"
Ao que ele, sabiamente, respondeu:
" Talvez, mas e daí? Depois arruma."
Aí acho que a sala caiu na gargalhada e a aula terminou.
Nem tantos anos depois, de algum jeito chegamos no Fed de Ben Bernanke, que pode pensar e se justificar de forma bem diferente, mas, na prática, adota a mesma solução "fácil" que parecia absurda. Não sei se a história tem uma moral: talvez gestão de política econômica tenha mesmo que ser flexível a ponto de não se envergonhar de passar por cima de qualquer dogma estabelecido na academia; talvez a tentativa de preservar um modelo de economia que dá sinais de esgotamento implique em bizarrices que os historiadores do futuro vão quebrar a cabeça para entender; talvez seja mesmo fácil arrumar depois, e Bernanke e meu professor malucão vão rir por último. Daqui a uns anos a gente confere.
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
Leituras da véspera de feriado
- A taxa de juro natural e a Amazônia: a contribuição de Delfim Netto para a ótima série de conjuntura econômica que o Valor está fazendo.
- Uma série do UBS comparando as diferenças de crescimento entre China e Brasil e como isso afetou os retornos dos investimentos: partes 1 e 2.
- Para quem ainda aguenta ouvir falar da Grécia: a exposição dos bancos europeus à dívida (Guardian) e a comparação Grécia / Chipre com Argentina / Uruguai (FT).
- A Oaktree Capital deve fazer um IPO de US$ 100 milhões. Um perfil de Howard Marks.
- Um novo paper de Nassim Taleb, de novo sobre fragilidade e anti-fragilidade. O Universa, fundo do qual ele é sócio, pretende lançar um ETF para proteção contra cisnes negros (Forbes). Se virar moda, vai causar uma distorção no preço das opções fora do dinheiro, e, possivelmente, destruir a estratégia. Aguardemos.
- A história econômica recontada por listas (Boston Globe).
- Seguindo o Guardian, o New York Times também fez uma lista dos livros mais importantes de não-ficção.
- Woody Allen, Duke Ellington, Richard Feynman, Milton Friedman, Bertrand Russell, Quentin Tarantino e outros 229 ícones culturais em áudios e vídeos históricos (Open Culture).
- A série de história da música moderna que o Guardian preparou para o verão britânico.
- Uma série do UBS comparando as diferenças de crescimento entre China e Brasil e como isso afetou os retornos dos investimentos: partes 1 e 2.
- Para quem ainda aguenta ouvir falar da Grécia: a exposição dos bancos europeus à dívida (Guardian) e a comparação Grécia / Chipre com Argentina / Uruguai (FT).
- A Oaktree Capital deve fazer um IPO de US$ 100 milhões. Um perfil de Howard Marks.
- Um novo paper de Nassim Taleb, de novo sobre fragilidade e anti-fragilidade. O Universa, fundo do qual ele é sócio, pretende lançar um ETF para proteção contra cisnes negros (Forbes). Se virar moda, vai causar uma distorção no preço das opções fora do dinheiro, e, possivelmente, destruir a estratégia. Aguardemos.
- A história econômica recontada por listas (Boston Globe).
- Seguindo o Guardian, o New York Times também fez uma lista dos livros mais importantes de não-ficção.
- Woody Allen, Duke Ellington, Richard Feynman, Milton Friedman, Bertrand Russell, Quentin Tarantino e outros 229 ícones culturais em áudios e vídeos históricos (Open Culture).
- A série de história da música moderna que o Guardian preparou para o verão britânico.
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terça-feira, 21 de junho de 2011
O termômetro da nova bolha de tecnologia
Acho que desta vez não vamos chegar no nível 10, mas vai ser interessante observar até que ponto a história vai se repetir.
Via Broadstuff. obrigado ao Soneca pela dica do site.
Via Broadstuff. obrigado ao Soneca pela dica do site.
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