sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Tchau, 2010
Adeus para um ano difícil. Este blog volta, mais queimado de sol e com alguns dias de ressaca acumulada, em 2011. Aproveito para agradecer os pacientes leitores e desejar um ano novo bestial a todos.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Minhas previsões para 2011
Quem acompanha o blog sabe o quanto eu sou crítico de previsões (concordo com o Yogi Berra: "It's tough to make predictions, especially about the future."), mais ainda das que envolvem números, mais ainda se esses números tiverem alguma casa depois da vírgula. Para o meu trabalho, porém, fazer previsões é um exercício quase necessário, sempre sabendo que os fatos devem mudar as opiniões e que meus clientes não me pagam para eu estar certo. Aí vão algumas coisas que acho que vão acontecer durante 2011, que podem ou não ter algum valor para quem opera no mercado financeiro:
- Os juros longos no Brasil vão continuar caindo, possivelmente para os níveis mais baixos da história.
- A inflação no Brasil será mais baixa do que o mercado prevê.
- Mais algum banco médio brasileiro vai ter problemas com a carteira de crédito.
- As ações de bancos na Europa vão seguir caindo. Possivelmente alguns bancos grandes serão nacionalizados ou receberão ajuda dos governos.
- A União Européia vai garantir a dívida de todos os seus membros. Dessa forma, o esfacelamento do euro que eu achava que ia ocorrer vai ser adiado, até que algum país não aguente mais conviver com uma moeda valorizada.
- O Brasil vai começar a ter problemas com financiamento externo. O real vai se desvalorizar. As reservas internacionais vão parar de crescer.
- A bolha do ouro e da prata vai estourar; o preço de ambos cairá pelo menos 20%.
- Vender volatilidade nos picos vai novamente ser uma estratégia ganhadora. O mercado caminha para cada vez mais preços controlados.
- A carteira de crédito do BNDES vai começar a ter problemas. Talvez demore mais do que um ano, mas a JBS não vai se aguentar.
- Não terminarão o ano acima dos preços máximos deste ano as ações de: Apple, Netflix, bancos brasileiros, índice do México, índice da Alemanha. E, sinto informar, o Facebook não vale US$ 40 bilhões.
- Preços de imóveis em São Paulo e Rio de Janeiro vão seguir altos (e, possivelmente, subindo).
- Eike Batista vai seguir vendendo promessas. Guido Mantega vai continuar falando asneiras. Ben Bernanke vai seguir imprimindo. Eu vou seguir reclamando.
- Vai ficar cada vez mais claro o quanto Lula foi sortudo. E a culpa vai ser colocada em dona Dilma. É do jogo...
- Vou errar pelo menos metade das previsões acima. Espero não perder leitores por isso. Saravá!
- Os juros longos no Brasil vão continuar caindo, possivelmente para os níveis mais baixos da história.
- A inflação no Brasil será mais baixa do que o mercado prevê.
- Mais algum banco médio brasileiro vai ter problemas com a carteira de crédito.
- As ações de bancos na Europa vão seguir caindo. Possivelmente alguns bancos grandes serão nacionalizados ou receberão ajuda dos governos.
- A União Européia vai garantir a dívida de todos os seus membros. Dessa forma, o esfacelamento do euro que eu achava que ia ocorrer vai ser adiado, até que algum país não aguente mais conviver com uma moeda valorizada.
- O Brasil vai começar a ter problemas com financiamento externo. O real vai se desvalorizar. As reservas internacionais vão parar de crescer.
- A bolha do ouro e da prata vai estourar; o preço de ambos cairá pelo menos 20%.
- Vender volatilidade nos picos vai novamente ser uma estratégia ganhadora. O mercado caminha para cada vez mais preços controlados.
- A carteira de crédito do BNDES vai começar a ter problemas. Talvez demore mais do que um ano, mas a JBS não vai se aguentar.
- Não terminarão o ano acima dos preços máximos deste ano as ações de: Apple, Netflix, bancos brasileiros, índice do México, índice da Alemanha. E, sinto informar, o Facebook não vale US$ 40 bilhões.
- Preços de imóveis em São Paulo e Rio de Janeiro vão seguir altos (e, possivelmente, subindo).
- Eike Batista vai seguir vendendo promessas. Guido Mantega vai continuar falando asneiras. Ben Bernanke vai seguir imprimindo. Eu vou seguir reclamando.
- Vai ficar cada vez mais claro o quanto Lula foi sortudo. E a culpa vai ser colocada em dona Dilma. É do jogo...
- Vou errar pelo menos metade das previsões acima. Espero não perder leitores por isso. Saravá!
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Os melhores livros de 2010
Se eu mal consigo acompanhar os filmes na medida em que eles estream no cinema, com os livros é ainda pior. Este ano consegui ler mais do que em 2009 (mesmo não considerando as releituras das histórias do Asterix), mas ainda assim a pilha só cresceu. De qualquer maneira, aí vai o que me chamou a atenção em 2010:
Economia, mercados e afins:
- The Big Short: Inside the Doomsday Machine, Michael Lewis (W.W. Norton, 2010)
Escrevi uma resenha aqui. Para quem trabalha no mercado, uma lição sobre paciência e como bolhas podem ser resilientes.
- Invisible Hands: Hedge Funds Off the Record - Rethinking Real Money, Steve Drobny (Wiley, 2010)
No mesmo molde de entrevistas dos clássicos Market Wizards e do livro anterior de Drobny (Inside the House of Money), só que preservando a identidade dos entrevistados. A tese (corajosa) de Drobny é que o dinheiro dos fundos de pensão deveria fugir da pseudodiversificação em instrumentos parecidos com ou mais arriscados que ações e ser gerido como os ativos de fundos de hedge, com extrema flexibilidade. Talvez a tese seja correta, mas, ainda assim, creio que faltariam gestores talentosos como os retratados no livro (alguns, como Hugh Hendry, são facilmente identificáveis). De qualquer forma, traz algumas grandes histórias e insights.
- The Little Book of Behavioral Investing, James Montier (Wiley, 2010)
Vale mais do que qualquer curso de finanças na universidade. Fala dos mercados e dos investidores como eles são, e não como deveriam ser no mundo da normalidade.
- More Money Than God: Hedge Funds and the Making of a New Elite, Sebastian Mallaby (Penguin, 2010)
Quatro anos de pesquisa foram necessários para montar uma grande história dos fundos de hedge e dos egos e ideias por trás deles. O pecado (menor) é praticamente só falar dos fundos americanos.
- The Soros Lectures, George Soros (PublicAffairs, 2010)
Um dos maiores especuladores da história fala sobre sua visão do mundo. Resenhei aqui.
- Mobs, Messiahs, and Markets, William Bonner e Lila Rajiva (Wiley, 2009)
Às vezes pedante a ponto de irritar, mas uma boa alternativa contemporânea para o clássico Extraordinary Popular Delusions and The Madness of Crowds.
- How to Lie With Statistics, Darrell Huff (W.W. Norton, 1993)
Quase 50 anos se passaram da primeira edição deste livro (de 1954). A quantidade de dados disponíveis se multiplicou algumas vezes; o mau tratamento deles (intencional ou não) segue o mesmo.
- Dance with Chance, Spyros Makridakis, Anil Gaba e Robin Hogarth (Oneword, 2009)
Soa um pouco como autoajuda, mas é muito bem embasado e ensina a fugir de médicos. Vale a leitura, portanto.
Temas menos mundanos:
- O Pequeno Livro do Rock, Hervé Bourhis (Conrad)
- Divertido, apaixonado e bem desenhado (e ousa achar Grandaddy melhor que Radiohead).
- Playing the Enemy, John Carlin (Penguin)
O livro que inspirou Invictus, do Clint Eastwood. História que se lê como um bom romance.
- As Cruzadas Vistas Pelos Árabes, Amin Maalouf (Brasiliense)
Consegue, ao mesmo tempo, defender os árabes e criticar duramente sua decadência. O trabalho de pesquisa, em fontes da época, deve ter sido insano.
- Six Easy Pieces, Richard P. Feynman (Penguin)
Física é para os fortes. O primeiro livro do Feynman que leio; ele realmente devia saber muito para conseguir fazer com que coisas completamente abstratas pareçam minimamente simples.
- Reflexões Sobre um Século Esquecido, Tony Judt (Objetiva)
A lucidez de Judt fará muita falta. Felizmente sua obra seguirá a nosso alcance.
- What Have You Changed Your Mind About?, John Brockman (Harper Perennial)
Tem tantas ideias interessantes que pode ser material de reflexão para a vida inteira.
- Autores de Guias de Viagem Vão Para o Inferno?, Thomas Kohnstamm (Panda)
Sexo, drogas e caipirinha. E, nas horas vagas, escrever um guia de viagens para o Brasil. Deixou a editora do Lonely Planet puta da vida, só por isso já valeria a leitura.
Ficção
- Uma Breve História dos Tratores em Ucraniano, Marina Lewycka (Bertrand Brasil)
Comprei pelo título e pela capa, saí no lucro. Além do aprendizado sobre a história dos tratores nos tempos de Stalin, ganhei uma história original, muito bem contada, divertida e humana.
- The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, Junot Díaz (Riverhead Trade)
A história (de um adolescente de origem dominicana, nascido nos EUA e sofrendo o diabo no país dos pais) é miserável, mas rendeu, ao invés de um dramalhão, uma comédia de humor negro contundente e muito bem escrita.
- Pornopopéia, Reinaldo Moraes (Objetiva)
Mais um herói sem caráter para a história da literatura brasileira. Mais na piauí deste mês.
- Freedom, Jonathan Franzen (Farrar, Straus and Giroux)
O livro mais comentado deste ano nos EUA. Merecia um texto maior aqui, ainda vou fazer. Talvez seja o livro que vai definir uma geração.
E ficaram para o ano que vem (e para o outro... o outro... o outro...):
Economia, mercados e afins:
- The Big Short: Inside the Doomsday Machine, Michael Lewis (W.W. Norton, 2010)
Escrevi uma resenha aqui. Para quem trabalha no mercado, uma lição sobre paciência e como bolhas podem ser resilientes.
- Invisible Hands: Hedge Funds Off the Record - Rethinking Real Money, Steve Drobny (Wiley, 2010)
No mesmo molde de entrevistas dos clássicos Market Wizards e do livro anterior de Drobny (Inside the House of Money), só que preservando a identidade dos entrevistados. A tese (corajosa) de Drobny é que o dinheiro dos fundos de pensão deveria fugir da pseudodiversificação em instrumentos parecidos com ou mais arriscados que ações e ser gerido como os ativos de fundos de hedge, com extrema flexibilidade. Talvez a tese seja correta, mas, ainda assim, creio que faltariam gestores talentosos como os retratados no livro (alguns, como Hugh Hendry, são facilmente identificáveis). De qualquer forma, traz algumas grandes histórias e insights.
- The Little Book of Behavioral Investing, James Montier (Wiley, 2010)
Vale mais do que qualquer curso de finanças na universidade. Fala dos mercados e dos investidores como eles são, e não como deveriam ser no mundo da normalidade.
- More Money Than God: Hedge Funds and the Making of a New Elite, Sebastian Mallaby (Penguin, 2010)
Quatro anos de pesquisa foram necessários para montar uma grande história dos fundos de hedge e dos egos e ideias por trás deles. O pecado (menor) é praticamente só falar dos fundos americanos.
- The Soros Lectures, George Soros (PublicAffairs, 2010)
Um dos maiores especuladores da história fala sobre sua visão do mundo. Resenhei aqui.
- Mobs, Messiahs, and Markets, William Bonner e Lila Rajiva (Wiley, 2009)
Às vezes pedante a ponto de irritar, mas uma boa alternativa contemporânea para o clássico Extraordinary Popular Delusions and The Madness of Crowds.
- How to Lie With Statistics, Darrell Huff (W.W. Norton, 1993)
Quase 50 anos se passaram da primeira edição deste livro (de 1954). A quantidade de dados disponíveis se multiplicou algumas vezes; o mau tratamento deles (intencional ou não) segue o mesmo.
- Dance with Chance, Spyros Makridakis, Anil Gaba e Robin Hogarth (Oneword, 2009)
Soa um pouco como autoajuda, mas é muito bem embasado e ensina a fugir de médicos. Vale a leitura, portanto.
Temas menos mundanos:
- O Pequeno Livro do Rock, Hervé Bourhis (Conrad)
- Divertido, apaixonado e bem desenhado (e ousa achar Grandaddy melhor que Radiohead).
- Playing the Enemy, John Carlin (Penguin)
O livro que inspirou Invictus, do Clint Eastwood. História que se lê como um bom romance.
- As Cruzadas Vistas Pelos Árabes, Amin Maalouf (Brasiliense)
Consegue, ao mesmo tempo, defender os árabes e criticar duramente sua decadência. O trabalho de pesquisa, em fontes da época, deve ter sido insano.
- Six Easy Pieces, Richard P. Feynman (Penguin)
Física é para os fortes. O primeiro livro do Feynman que leio; ele realmente devia saber muito para conseguir fazer com que coisas completamente abstratas pareçam minimamente simples.
- Reflexões Sobre um Século Esquecido, Tony Judt (Objetiva)
A lucidez de Judt fará muita falta. Felizmente sua obra seguirá a nosso alcance.
- What Have You Changed Your Mind About?, John Brockman (Harper Perennial)
Tem tantas ideias interessantes que pode ser material de reflexão para a vida inteira.
- Autores de Guias de Viagem Vão Para o Inferno?, Thomas Kohnstamm (Panda)
Sexo, drogas e caipirinha. E, nas horas vagas, escrever um guia de viagens para o Brasil. Deixou a editora do Lonely Planet puta da vida, só por isso já valeria a leitura.
Ficção
- Uma Breve História dos Tratores em Ucraniano, Marina Lewycka (Bertrand Brasil)
Comprei pelo título e pela capa, saí no lucro. Além do aprendizado sobre a história dos tratores nos tempos de Stalin, ganhei uma história original, muito bem contada, divertida e humana.
- The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, Junot Díaz (Riverhead Trade)
A história (de um adolescente de origem dominicana, nascido nos EUA e sofrendo o diabo no país dos pais) é miserável, mas rendeu, ao invés de um dramalhão, uma comédia de humor negro contundente e muito bem escrita.
- Pornopopéia, Reinaldo Moraes (Objetiva)
Mais um herói sem caráter para a história da literatura brasileira. Mais na piauí deste mês.
- Freedom, Jonathan Franzen (Farrar, Straus and Giroux)
O livro mais comentado deste ano nos EUA. Merecia um texto maior aqui, ainda vou fazer. Talvez seja o livro que vai definir uma geração.
E ficaram para o ano que vem (e para o outro... o outro... o outro...):
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As palavras de 2010
Entre os 10 termos mais consultados no dicionário Merriam-Webster este ano, estão "austeridade", "moratória" e "socialismo". O mundo não anda muito auspicioso, mesmo.
Via Planet Money (a foto também roubei de lá).
Via Planet Money (a foto também roubei de lá).
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Seus problemas acabaram
Vendeu a descoberto e o papel não cai?
Como funciona?
"Garantia e seriedade". Claro. E você pensa que só vale para as ações pouco negociadas?
Mais de 2% em Petrobras? Ouch...
Interessados, dirijam-se ao Mercado Livre. A CVM também podia resolver passar por lá.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Os melhores filmes de 2010
Entre os filmes que estrearam no Brasil em 2010, este palpiteiro amador gostou muito de (em ordem alfabética):
- Direito de Amar (A Single Man) - Tom Ford
Daria para desconfiar da estreia de um estilista como diretor de cinema, mas Tom Ford acertou em quase tudo, do roteiro à escolha do ótimo (e pequeno) elenco. Colin Firth merecia o Oscar que foi para Jeff Bridges.
- Guerra ao Terror (The Hurt Locker) - Kathryn Bigelow
Para um filme difícil sobre um tema difícil levar um Oscar, os méritos não podem ser poucos. Na verdade mereceria destaque só por ter roubado a festa de Avatar e dado alguma esperança para quem quer continuar vendo simplesmente boas histórias bem contadas na tela.
- Ilha do Medo (Shutter Island) - Martin Scorsese
A parceria Scorsese-Di Caprio não para de funcionar. E este foi o ano em que me rendi ao Mark Ruffalo (por Ilha do Medo e...)
- Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right) - Lisa Cholodenko
Famílias felizes são todas parecidas, mesmo quando têm duas mães. O feel good movie do ano.
- A Partida (Okuribito) - Yojiro Takita
Uma reflexão nada piegas sobre morte e dignidade. A trilha sonora, de Joe Hisaishi, é fabulosa.
- O Profeta (Un prophète) - Jacques Audiard
Quem acha que filme francês precisa ser sonolento ou metido a intelectual deveria gastar duas horas e meia (que passam em um estalo de dedos) para ver esse épico. Talvez o melhor filme desta lista.
- A Rede Social (The Social Network) - David Fincher
A vontade depois de sair do cinema foi de apagar minha conta no Facebook. Depois, inspirou uma boa reflexão sobre os nossos tempos. Talvez vá definir uma geração, talvez no ano que vem já estejamos falando de outra "revolução" digital.
- O Segredo dos Seus Olhos (El secreto de sus ojos) - Juan José Campanella
Acredite no hype, é um filmaço. Campanella soube aprender com os americanos sem perder o lado bom de ter nascido ao sul do Equador. A sequência no estádio de futebol é absolutamente memorável.
- Soul Kitchen - Fatih Akin
Um dos cineastas mais interessantes com menos de 40 anos dá um tempo nos filmes sérios e volta ao pastelão de Kebab Connection, sem perder a classe ou abandonar os temas de que tem tratado tão bem - os tipos marginais de Hamburgo, a difícil integração de imigrantes turcos e gregos na Alemanha e a boa música.
- Tropa de Elite 2 - José Padilha
Outro que vale o hype. Uma grande homenagem de Padilha ao ídolo Costa-Gavras.
- Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works) - Woody Allen
O clássico papel de Woody Allen com um ator algumas vezes melhor. Poucas vezes o mau humor foi tão divertido.
- Vincere - Marco Bellocchio
Bellocchio continua contando com maestria a história da Itália.
- Zona Verde (Green Zone) - Paul Greengrass
Bourne vai ao Iraque. Deve ter deixado bastante gente irritada no Pentágono.
Ainda estou me devendo A Origem (Christopher Nolan) e Carlos (Olivier Assayas), que, pelo o que ouvi, também estariam nesta lista. A menção honrosa vai para a boa volta de Francis Ford Coppola em Tetro.
- Direito de Amar (A Single Man) - Tom Ford
Daria para desconfiar da estreia de um estilista como diretor de cinema, mas Tom Ford acertou em quase tudo, do roteiro à escolha do ótimo (e pequeno) elenco. Colin Firth merecia o Oscar que foi para Jeff Bridges.
- Guerra ao Terror (The Hurt Locker) - Kathryn Bigelow
Para um filme difícil sobre um tema difícil levar um Oscar, os méritos não podem ser poucos. Na verdade mereceria destaque só por ter roubado a festa de Avatar e dado alguma esperança para quem quer continuar vendo simplesmente boas histórias bem contadas na tela.
- Ilha do Medo (Shutter Island) - Martin Scorsese
A parceria Scorsese-Di Caprio não para de funcionar. E este foi o ano em que me rendi ao Mark Ruffalo (por Ilha do Medo e...)
- Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right) - Lisa Cholodenko
Famílias felizes são todas parecidas, mesmo quando têm duas mães. O feel good movie do ano.
- A Partida (Okuribito) - Yojiro Takita
Uma reflexão nada piegas sobre morte e dignidade. A trilha sonora, de Joe Hisaishi, é fabulosa.
- O Profeta (Un prophète) - Jacques Audiard
Quem acha que filme francês precisa ser sonolento ou metido a intelectual deveria gastar duas horas e meia (que passam em um estalo de dedos) para ver esse épico. Talvez o melhor filme desta lista.
- A Rede Social (The Social Network) - David Fincher
A vontade depois de sair do cinema foi de apagar minha conta no Facebook. Depois, inspirou uma boa reflexão sobre os nossos tempos. Talvez vá definir uma geração, talvez no ano que vem já estejamos falando de outra "revolução" digital.
- O Segredo dos Seus Olhos (El secreto de sus ojos) - Juan José Campanella
Acredite no hype, é um filmaço. Campanella soube aprender com os americanos sem perder o lado bom de ter nascido ao sul do Equador. A sequência no estádio de futebol é absolutamente memorável.
- Soul Kitchen - Fatih Akin
Um dos cineastas mais interessantes com menos de 40 anos dá um tempo nos filmes sérios e volta ao pastelão de Kebab Connection, sem perder a classe ou abandonar os temas de que tem tratado tão bem - os tipos marginais de Hamburgo, a difícil integração de imigrantes turcos e gregos na Alemanha e a boa música.
- Tropa de Elite 2 - José Padilha
Outro que vale o hype. Uma grande homenagem de Padilha ao ídolo Costa-Gavras.
- Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works) - Woody Allen
O clássico papel de Woody Allen com um ator algumas vezes melhor. Poucas vezes o mau humor foi tão divertido.
- Vincere - Marco Bellocchio
Bellocchio continua contando com maestria a história da Itália.
- Zona Verde (Green Zone) - Paul Greengrass
Bourne vai ao Iraque. Deve ter deixado bastante gente irritada no Pentágono.
Ainda estou me devendo A Origem (Christopher Nolan) e Carlos (Olivier Assayas), que, pelo o que ouvi, também estariam nesta lista. A menção honrosa vai para a boa volta de Francis Ford Coppola em Tetro.
Leituras da segunda-feira
Hoje é a última segunda-feira útil do ano para este escriba.
- O monstro JBS não para de crescer. Pior para o contribuinte brasileiro (Folha).
- O mercado está percebendo que conceder crédito no Brasil não é tão bom negócio assim (Bloomberg).
- Howard Marks discorre sobre o ouro (Zero Hedge).
- Os investidores da bolsa de Dhaka, Bangladesh, estão revoltados porque as ações caíram 6,7% em um dia - depois de terem subido 80% no ano (!!!) (BBC).
- A vitória dos zumbis, por Paul Krugman (NYT).
- Os filmes do ano para Wall Street (NYT).
- Bernanke vai à guerra (Barry Eichengreen).
- Os japoneses são mesmo diferentes de eu e você: ceia de Natal no Japão é sinônimo de KFC. A rede vende nos dias 23, 24 e 25 de dezembro o equivalente à metade das vendas de um mês normal (Financial Times).
- Espere o inesperado: projeções pouco usuais do dinamarquês Saxo Bank (Financial Times). Muito mais interessante do que dizer que a Bovespa vai subir 18% (12% de juros + 6% de prêmio).
- Porque é difícil interpretar números de balança comercial (Ultimi Barbarorum).
- Gráfico do dia: Dow Jones em 2010 (Barron's, clique para aumentar):
- O monstro JBS não para de crescer. Pior para o contribuinte brasileiro (Folha).
- O mercado está percebendo que conceder crédito no Brasil não é tão bom negócio assim (Bloomberg).
- Howard Marks discorre sobre o ouro (Zero Hedge).
- Os investidores da bolsa de Dhaka, Bangladesh, estão revoltados porque as ações caíram 6,7% em um dia - depois de terem subido 80% no ano (!!!) (BBC).
- A vitória dos zumbis, por Paul Krugman (NYT).
- Os filmes do ano para Wall Street (NYT).
- Bernanke vai à guerra (Barry Eichengreen).
- Os japoneses são mesmo diferentes de eu e você: ceia de Natal no Japão é sinônimo de KFC. A rede vende nos dias 23, 24 e 25 de dezembro o equivalente à metade das vendas de um mês normal (Financial Times).
- Espere o inesperado: projeções pouco usuais do dinamarquês Saxo Bank (Financial Times). Muito mais interessante do que dizer que a Bovespa vai subir 18% (12% de juros + 6% de prêmio).
- Porque é difícil interpretar números de balança comercial (Ultimi Barbarorum).
- Gráfico do dia: Dow Jones em 2010 (Barron's, clique para aumentar):
- Vídeo do dia: Nassim Taleb na Bloomberg (The Big Picture).
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O Lulismo vai à academia ou: Doutor é quem faz doutorado
(Agora) Doutor Mercadante inaugura mais um episódio na era da sabujice brasileira:
Mais no UOL.
Futuro ministro da Ciência e Tecnologia no governo Dilma, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) defendeu nesta sexta-feira (17), no Instituto de Economia da Unicamp, em Campinas (SP), tese de doutorado sobre a política econômica do governo Lula. Depois de quatro horas de debates, a tese de 519 páginas foi aprovada, mas recebeu críticas da banca, formada pelos economistas Delfim Netto, Luiz Carlos Bresser Pereira, Ricardo Abramovay e João Manuel Cardoso de Mello.
(...)
Sua tese defende a ideia de que o governo Lula estabeleceu um novo modelo de crescimento econômico, o “neo-desenvolvimentismo”, diferente do “nacional-desenvolvimentismo”, que vigorou na década de 70, e do neoliberalismo, a partir dos anos 90. Este novo modelo, disse, se construiu a partir do primado da política social sobre a econômica.
Mais no UOL.
Som da Sexta - Amy Winehouse + Quincy Jones
Do disco novo de Quincy Jones. 47 anos depois, Amy Winehouse substitui Lesley Gore na marrenta It's My Party. Grande arranjo (padrão Quincy Jones de qualidade), e dona Amy de fato tem talento.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Rasgando a cartilha
Economia bombando? Inflação subindo? Corte juros. Foi o que a Turquia fez hoje, tentando desencorajar a entrada de capitais de curto prazo que valorizam o câmbio. A cartilha de operação dos bancos centrais que foi usada durante a última década está sendo rapidamente abandonada. 2011 promete ser um ano muito interessante nesse campo.
Mais no Financial Times.
Mais no Financial Times.
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