"Investment is intolerably boring and over-exacting to anyone who is entirely exempt from the gambling instinct."
John Maynard Keynes, citado por David Denby no brilhante 7º capítulo de American Sucker. OK, zzzzzzzzz, de novo frase do Keynes falando de investimento, mas essa eu não conhecia.
Já que tocamos no tema, Gavyn Davies publicou um texto esta semana sobre o desempenho e o aprendizado de Keynes como investidor (ou pioneiro de várias técnicas comuns aos hedge funds de hoje), vale a leitura.
Mostrando postagens com marcador fundos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fundos. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Leituras da Semana e Meia
![]() |
| Índia, 65 |
- Mark Dow sobre as dificuldades dos fundos global macro.
- Uma lista de leituras para o verão europeu, por Barry Eichengreen.
- Nicholas Kaldor, há 41 anos, sobre a União Européia.
- A Companhia das Letras lança ainda esta semana a versão brasileira do livro de Sylvia Nasar sobre pensamento econômico. A Folha publicou um trecho e a resenha do NY Times. Eu havia resenhado aqui.
- John Kay sobre a abordagem de Keynes para probabilidade.
- 36 indicadores econômicos bizarros.
- Nassim Taleb acha que não é mais uma boa ideia trabalhar na indústria de investimentos.
- Uma retrospectiva da crise argentina.
- McKinsey sobre a Austrália.
- Começa a esquentar o debate pré-eleições nos EUA: Simon Schama e a escolha entre Franklin Roosevelt e Ayn Rand. A matéria de capa da última Newsweek, com Niall Ferguson panfletando para os republicanos. Entre as dezenas de reações, a de Noah Smith e o comentário de John Cassidy. Ezra Klein e o melhor caso contra o mandato de Obama.
- Jeremy Grantham sobre a crise de alimentos.
- O Oikomania faz um resumo sobre as hipóteses correntes para o desenvolvimento.
- As desigualdades regionais na Europa e uma boa reflexão sobre educação.
- Um manual do Brasil, pelo J.P. Morgan.
- William Easterly prova que as Olimpíadas não produzem medalhas.
- Os guias de viagens e suas concessões a tiranias.
- Como tem crescido o consumo de cerveja no mundo.
- Das Kapital em mangá.
- Caso não saibam, é proibido entrar com livros em estádios de futebol no Brasil.
- O Financial Times lê o quadro de medalhas das Olimpíadas de Londres.
- As 10 verdadeiras lições de gestão dos jogos.
- Sonny Rollins na New York Review of Books.
- A globalização segundo a revista Cosmopolitan (Nova, por aqui).
- Os bons tempos em que se podia beber no trabalho.
- Fotos dos 65 anos de independência do Paquistão e da Índia.
- Escândalo: o bolovo é uma invenção escocesa.
- Um grande dilema de lecionar.
Marcadores:
Argentina,
Austrália,
bancos,
Brasil,
commodities,
crise,
desenvolvimento,
esportes,
EUA,
Europa,
fundos,
HPE,
Keynes,
livros,
mercado financeiro,
mídia,
Nassim Taleb,
off topic,
política
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
O que ando lendo
E está difícil baixar essa pilha...
O Hedge Fund Market Wizards até que está andando. Com o The Most Important Thing estou brigando há muito tempo, acho que perdi a paciência com o tom professoral do Howard Marks. Expected Returns é mais obra de referência do que para ser lido na ordem, mas é muito muito bom.
P.S. Como disse nos comentários, a pilha acima é a que fica no escritório. A de casa é esta:
P.P.S. Ontem mesmo descobri (com seis anos de atraso) o Goodreads, e coloquei o aplicativo na coluna aí do lado. Agora os leitores podem praticar a saudável bisbilhotice literária em tempo real.
O Hedge Fund Market Wizards até que está andando. Com o The Most Important Thing estou brigando há muito tempo, acho que perdi a paciência com o tom professoral do Howard Marks. Expected Returns é mais obra de referência do que para ser lido na ordem, mas é muito muito bom.
P.S. Como disse nos comentários, a pilha acima é a que fica no escritório. A de casa é esta:
P.P.S. Ontem mesmo descobri (com seis anos de atraso) o Goodreads, e coloquei o aplicativo na coluna aí do lado. Agora os leitores podem praticar a saudável bisbilhotice literária em tempo real.
Marcadores:
fundos,
livros,
mercado financeiro,
meta
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Frase do Dia - Controlando Riscos
"I talk about macro themes a lot because they are fun to talk about, but it is the risk management that is the most important thing."
Michael Platt, fundador da BlueCrest Capital Management, em entrevista para Jack Schwager no novo Hedge Fund Market Wizards. Para meu prejuízo, demorei bastante para aprender isso.
Michael Platt, fundador da BlueCrest Capital Management, em entrevista para Jack Schwager no novo Hedge Fund Market Wizards. Para meu prejuízo, demorei bastante para aprender isso.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Leituras da Semana
![]() |
| Greatest sungas in the world |
- Barry Eichengreen sobre o desaquecimento da economia da China.
- Suíça: país ou hedge fund?
- Um perfil de Mohamed El-Erian, da PIMCO, no New York Times. Se você acha o bônus de banqueiros absurdo, veja quanto ele e Bill Gross levaram no ano passado (em que os fundos da PIMCO não foram bem).
- 10 cidades americanas onde casas custam menos que um carro (Detroit no topo, para provar que a história gosta de produzir ironias).
- A incapacidade da Europa de fomentar empreendedorismo, ótima matéria na The Economist.
- Cinco livros sobre estatística e risco.
- Compartilhamento de arquivos na internet virou uma religião, na Suécia.
- Saiu a atualização desta década da lista dos melhores filmes da história pela Sight and Sound. Cidadão Kane perdeu o topo que vinha ocupando nos últimos 50 anos.
- Uma bela crítica de O Porto, um dos melhores filmes que vi este ano.
- Susan Sontag sobre amor, ilustrado.
- Os links olímpicos: o The Big Picture sempre tem as melhores coletâneas de fotos - aqui a primeira dos jogos.Cartazes das Olimpíadas de Moscou. As escolhas de grandes momentos olímpicos do ótimo Iconic Photos. Uma classificação dos esportes em duas dimensões.Os significados políticos e históricos da cerimônia de abertura. Uma crítica de Christopher Hitchens aos jogos, de 2010.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Frase do Dia - Crescendo até o céu
"Anyone who believes exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist."
De Kenneth E. Boulding, economista inglês citado por Jeremy Grantham, da GMO, em sua última carta trimestral. Granhtam está resgatando o tom pessimista / malthusiano que mostrou em 2010, vale a leitura.
De Kenneth E. Boulding, economista inglês citado por Jeremy Grantham, da GMO, em sua última carta trimestral. Granhtam está resgatando o tom pessimista / malthusiano que mostrou em 2010, vale a leitura.
Marcadores:
citações,
commodities,
fundos,
HPE,
Jeremy Grantham,
mercado financeiro,
teoria econômica
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Leituras da Semana
![]() |
| Enxergar bem é um luxo desnecessário |
- A última carta ao investidor da Greenlight Capital, de David Einhorn.
- Bolhas na ausência de mercados são mais devastadoras, diz Robert Shiller.
- John Kay conta a parábola do boi.
- Oito jovens economistas falam sobre os possíveis rumos da dismal science.
- O mapa do Japão e sua curva de Phillips.
- O fracasso da Europa em fomentar empreendedorismo.
- O que é possível comer com uma renda abaixo da linha da pobreza em 15 países.
- Republicanos, esses socialistas.
- A história de quatro grandes impérios (espanhol, francês, português, britânico) contada como criaturas numa placa de Petri.
- Fui apresentado ao Coursera, um excelente agregador de cursos online de ótimas universidades.
- O aniversário do grande Nelson Mandela foi semana passada, mas vale ver esse vídeo da história da vida dele contada pelas redes sociais.
- Noruega, sempre dando aulas de civilização.
- Ai. Thomas. Friedman.
- O rabugento e exigente Miles Davis ouvindo alguns discos de jazz, e soltando provavelmente um dos maiores elogios que João Gilberto já recebeu: "He could read a newspaper and sound good!"
- É científico: música pop nunca foi tão barulhenta e chata.
- A relação de escritores com dinheiro.
- Porque Nicolas Cage é o maior ator de sua geração.
- O que lê Lisa Simpson.
- A Ernst & Young sobre o impacto socioeconômico da Copa 2014.
- Os inevitáveis links olímpicos: cinco livros sobre a história olímpica de Londres. O Guardian compilou seis previsões do quadro de medalhas (todas com os EUA voltando à frente da China, sem precisar apelar para a contagem de todas as medalhas ao invés de só os ouros). Xavier Sala-i-Martín e The Economist sobre os métodos por trás dessas previsões. Mais uma receita para criar potências olímpicas. O regularmente brilhante Adam Gopnik, da New Yorker, sobre os jogos. Na Foreign Policy, os oito momentos mais carregados de política da história dos jogos.
Marcadores:
academia,
Ásia,
bolhas,
cinema,
desenvolvimento,
esportes,
Europa,
fundos,
história,
livros,
macroeconomia,
mercado financeiro,
off topic,
política
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Leituras da semana (passada)
![]() |
| Palau, mom |
- Pedro Malan sobre os 18 anos do Plano Real. Semana passada resgataram também um texto da época assinado por um tal Guido Mantega.
- Edmar Bacha consegue encontrar erotismo na macroeconomia. Cada um com sua tara...
- Flavio Comim sobre o acerto de Dilma ao minimizar a importância do PIB.
- Um mito da FEA-USP se despede.
- Marcelo Ballvé sobre securitização e os problemas dos bancos médios no Brasil. O Marcelo tem feito um ótimo trabalho na cobertura desses temas, vale acompanhar.
- Dani Rodrik acha que Brasil, Índia e Coréia do Sul estão em boa posição relativa para os próximos anos na economia global.
- Richard P. Mattione, da GMO, sobre a Espanha.
- Os "gráficos mais importantes do mundo" (sei lá se são, mas muitos são bem interessantes).
- Uma boa crítica de Noah Smith ao Zero Hedge.
- O maior hedge fund do mundo não está tendo um ano exatamente brilhante.
- As ligações perigosas de Hayek com Pinochet.
- Como economistas se atrapalham com estatística.
- O que Daniel Kahneman sabe.
- Guardian sobre um possível renascimento do marxismo na Inglaterra.
- Infográficos (picaretas) da antiga União Soviética.
- Uma carta de Kurt Vonnegut para a família, direto de um campo de repatriação de prisioneiros da II Guerra.
- Como fazer um TED Talk.
- Procrastine e seja feliz.
- Considere migrar para Palau.
Marcadores:
academia,
bancos,
Brasil,
crise,
desenvolvimento,
econometria,
Europa,
fundos,
Guido Mantega,
Hayek,
história,
Inglaterra,
Marx,
off topic,
psicologia
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Leituas da Semana Gloriosa
- Duas coleções de dados interessantes: Merrill Lynch com um looooooooongo histórico de vários preços; UBS sobre o estado da economia brasileira.
- Liaquat Ahamed e porque ser banqueiro deveria ser chato.
- The Economist sobre Seth Klarman.
- Uma história ilustrada do Fed.
- Entrevistas do Correio Braziliense sobre os 18 anos do Plano Real: FHC e Edmar Bacha.
- A mão frouxa da regulação brasileira com insider trading.
- A "Putinização" do México, com a volta do PRI ao poder.
- 88 livros que moldaram os EUA, selecionados pela Biblioteca do Congresso.
- Três passos para refutar qualquer argumento.
- Wall Street Journal sobre os 50 anos de Garota de Ipanema.
- A melhor página de acadêmico do mundo?
- A enorme lista de livros de verão do Edge. Por lá, fiquei sabendo que em Outubro sai nos EUA a autobiografia do grande Benoît Mandelbrot. O que Bill Gates está lendo.
- A Granta dedicada a jovens autores brasileiros.
- Qualquer um pode escrever um artigo de matemática pura. O meu tem alguns coautores de peso.
- Como comentar em grandes portais de notícias. Não use por aqui.
- Mais uma vez, a ciência confirmando a sabedoria popular.
- Como os bisões vão ajudar a transformar os EUA em um império comunista.
- Liaquat Ahamed e porque ser banqueiro deveria ser chato.
- The Economist sobre Seth Klarman.
- Uma história ilustrada do Fed.
- Entrevistas do Correio Braziliense sobre os 18 anos do Plano Real: FHC e Edmar Bacha.
- A mão frouxa da regulação brasileira com insider trading.
- A "Putinização" do México, com a volta do PRI ao poder.
- 88 livros que moldaram os EUA, selecionados pela Biblioteca do Congresso.
- Três passos para refutar qualquer argumento.
- Wall Street Journal sobre os 50 anos de Garota de Ipanema.
- A melhor página de acadêmico do mundo?
- A enorme lista de livros de verão do Edge. Por lá, fiquei sabendo que em Outubro sai nos EUA a autobiografia do grande Benoît Mandelbrot. O que Bill Gates está lendo.
- A Granta dedicada a jovens autores brasileiros.
- Qualquer um pode escrever um artigo de matemática pura. O meu tem alguns coautores de peso.
- Como comentar em grandes portais de notícias. Não use por aqui.
- Mais uma vez, a ciência confirmando a sabedoria popular.
- Como os bisões vão ajudar a transformar os EUA em um império comunista.
Marcadores:
academia,
América Latina,
Brasil,
dados,
EUA,
Fed,
fundos,
história,
livros,
macroeconomia,
off topic,
política,
The Economist
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Leituras da Semana
- Apresentação de Jim Chanos sobre o que ele considera armadilhas de valor (Petrobras entre elas).
- Liaquat Ahamed, de Lords of Finance, sobre a atual geração de banqueiros centrais.
- Os últimos países AAA.
- Jens Nordvig, do Nomura, sobre a volta da dominância de política sobre a economia.
- Anatole Kaletsky sobre as consequências de uma eventual saída da Alemanha do euro.
- Mark Dow sobre metais preciosos.
- Persio Arida fala ao Estado sobre o Plano Real (prestes a completar 18 anos) e o Brasil de hoje.
- Fabuloso artigo de Deirdre McCloskey sobre felicidade, uma crítica aguda e pertinente aos "quantitative hedonists".Quando não se perde na própria erudição, McCloskey tem, de longe, o melhor texto que conheço entre economistas vivos. Vejam esse trecho: "Decades ago, I was in Paris alone and decided to indulge myself with a good meal, which, you know, is rather easy to do in Paris. The dessert was something resembling crème brulée, but much, much better. I thought, “I shall give up my professorships at the University of Iowa in economics and history, retire to this neighborhood on whatever scraps of income I can assemble, and devote every waking moment to eating this dessert.” It seemed like a good idea at the time."
- Qual o candidato à presidência dos EUA mais preparado para lidar com uma invasão alienígena?
- A Manifesto for Economic Sense
- O centro de gravidade da economia global.
- Conheça La Línea de la Concepción, a vizinha espanhola de Gibraltar e interessante (e deprimente) microcosmo da crise na Espanha.
- The Economist comenta a biografia de Ryszard Kapuscinski, agora traduzida para o Inglês.
- John Gray desconstrói Slavoj Žižek (e não sobra muita coisa).Guardian sobre Žižek .
- Um congestionamento de 12 horas em Lagos, Nigéria.
- Uma teoria geral dos tipos de Muppets.
- A resposta de Ronald Reagan a um quarto de adolescente declarado área de desastre (via goombagoomba).
- Algumas concorrentes do concurso anual de fotografia de viagem da National Geographic (a que ilustra este post está entre elas).
- Os 10 mandamentos do bowieismo.
- A Noite Estrelada, de Van Gogh, com dominós.
- Liaquat Ahamed, de Lords of Finance, sobre a atual geração de banqueiros centrais.
- Os últimos países AAA.
- Jens Nordvig, do Nomura, sobre a volta da dominância de política sobre a economia.
- Anatole Kaletsky sobre as consequências de uma eventual saída da Alemanha do euro.
- Mark Dow sobre metais preciosos.
- Persio Arida fala ao Estado sobre o Plano Real (prestes a completar 18 anos) e o Brasil de hoje.
- Fabuloso artigo de Deirdre McCloskey sobre felicidade, uma crítica aguda e pertinente aos "quantitative hedonists".Quando não se perde na própria erudição, McCloskey tem, de longe, o melhor texto que conheço entre economistas vivos. Vejam esse trecho: "Decades ago, I was in Paris alone and decided to indulge myself with a good meal, which, you know, is rather easy to do in Paris. The dessert was something resembling crème brulée, but much, much better. I thought, “I shall give up my professorships at the University of Iowa in economics and history, retire to this neighborhood on whatever scraps of income I can assemble, and devote every waking moment to eating this dessert.” It seemed like a good idea at the time."
- Qual o candidato à presidência dos EUA mais preparado para lidar com uma invasão alienígena?
- A Manifesto for Economic Sense
- O centro de gravidade da economia global.
- Conheça La Línea de la Concepción, a vizinha espanhola de Gibraltar e interessante (e deprimente) microcosmo da crise na Espanha.
- The Economist comenta a biografia de Ryszard Kapuscinski, agora traduzida para o Inglês.
- John Gray desconstrói Slavoj Žižek (e não sobra muita coisa).Guardian sobre Žižek .
- Um congestionamento de 12 horas em Lagos, Nigéria.
- Uma teoria geral dos tipos de Muppets.
- A resposta de Ronald Reagan a um quarto de adolescente declarado área de desastre (via goombagoomba).
- Algumas concorrentes do concurso anual de fotografia de viagem da National Geographic (a que ilustra este post está entre elas).
- Os 10 mandamentos do bowieismo.
- A Noite Estrelada, de Van Gogh, com dominós.
Marcadores:
ações,
África,
Brasil,
commodities,
crise,
EUA,
euro,
Europa,
fundos,
história,
Jim Chanos,
livros,
macroeconomia,
mercado financeiro,
off topic,
ouro,
política
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Indo pra prateleira...
Umas três ou quatro vezes por ano o carrinho da Amazon passa por aqui e faz a alegria deste ser antiquado que prefere papel às telas de tinta eletrônica ou cristal líquido. Desta vez, chegaram (fora os quadrinhos e romances pouco pertinentes):
- Central Banking in Theory and Practice, de Alan Blinder - vou começar a escrever em breve sobre bancos centrais para outro projeto, e para isso resolvi seguir a indicação de um chefe há uns cinco anos e me informar um pouco mais. Blinder foi um dos chefes dos conselheiros econômicos de Bill Clinton e braço direito de outro Alan, o Greenspan. Esse livrinho é produto das Robbins Lectures que Blinder proferiu na London School of Economics em 1996. Naquela época os EUA estavam quase zerando o déficit do orçamento, cresciam a 4% ao ano e, creio, a vida de banqueiro central era bem mais fácil. Vai ser interessante ver o que mudou nesses longos e esquisitos 16 anos.
- Financial Turmoil in Europe and the United States, de George Soros - coletânea de artigos curtos mais recente de Soros, que, ainda que às vezes repetitivo, segue como um dos observadores mais lúcidos e ilustrados da relação entre mercados financeiros e economia.
- Reinventing the Bazaar: a Natural History of Markets, de John McMillan - foi muito bem recomendado, agora não lembro por quem.
- The Mystery of Capital, de Hernando de Soto - um dos grandes livros sobre desenvolvimento que me falta ler. De Soto fez o famoso experimento tentando descobrir, nos anos 80, quanto tempo levaria para, pelos meios legais, abrir um novo negócio no Peru. Gastou 256 dias úteis para obter as 11 permissões necessárias, tendo que ceder e pagar propina para conseguir duas delas.
- The Element, de Ken Robinson - OK, parece meio auto-ajuda (e deve ser um pouco, mesmo), mas também foi bem recomendado.
- Hedge Fund Market Wizards, de Jack Schwager e The Alpha Masters, de Maneet Ahuja - ambos compilam entrevistas com gestores de hedge funds e devem ser de pouco ou nenhum interesse para quem não trabalha com isso. Eu acho útil, seja para aprender ou para observar as ilusões pelo acaso.
- What Money Can't Buy, de Michael J. Sandel - livro novo do filósofo político popstar de Harvard, antes ainda preciso ler o Justice. O Anatole Kaletsky disse que é naïve e superficial, veremos...
- Central Banking in Theory and Practice, de Alan Blinder - vou começar a escrever em breve sobre bancos centrais para outro projeto, e para isso resolvi seguir a indicação de um chefe há uns cinco anos e me informar um pouco mais. Blinder foi um dos chefes dos conselheiros econômicos de Bill Clinton e braço direito de outro Alan, o Greenspan. Esse livrinho é produto das Robbins Lectures que Blinder proferiu na London School of Economics em 1996. Naquela época os EUA estavam quase zerando o déficit do orçamento, cresciam a 4% ao ano e, creio, a vida de banqueiro central era bem mais fácil. Vai ser interessante ver o que mudou nesses longos e esquisitos 16 anos.
- Financial Turmoil in Europe and the United States, de George Soros - coletânea de artigos curtos mais recente de Soros, que, ainda que às vezes repetitivo, segue como um dos observadores mais lúcidos e ilustrados da relação entre mercados financeiros e economia.
- Reinventing the Bazaar: a Natural History of Markets, de John McMillan - foi muito bem recomendado, agora não lembro por quem.
- The Mystery of Capital, de Hernando de Soto - um dos grandes livros sobre desenvolvimento que me falta ler. De Soto fez o famoso experimento tentando descobrir, nos anos 80, quanto tempo levaria para, pelos meios legais, abrir um novo negócio no Peru. Gastou 256 dias úteis para obter as 11 permissões necessárias, tendo que ceder e pagar propina para conseguir duas delas.
- The Element, de Ken Robinson - OK, parece meio auto-ajuda (e deve ser um pouco, mesmo), mas também foi bem recomendado.
- Hedge Fund Market Wizards, de Jack Schwager e The Alpha Masters, de Maneet Ahuja - ambos compilam entrevistas com gestores de hedge funds e devem ser de pouco ou nenhum interesse para quem não trabalha com isso. Eu acho útil, seja para aprender ou para observar as ilusões pelo acaso.
- What Money Can't Buy, de Michael J. Sandel - livro novo do filósofo político popstar de Harvard, antes ainda preciso ler o Justice. O Anatole Kaletsky disse que é naïve e superficial, veremos...
Marcadores:
academia,
bancos centrais,
capitalismo,
crise,
desenvolvimento,
Fed,
fundos,
George Soros,
livros,
meta
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Leituras da Semana
![]() |
| Frau Riefenstahl, I presume? |
- Como desgraça gosta de companhia, o azeite de oliva, exportação importante de vários dos países mediterrâneos em crise, está no preço mais baixo dos últimos dez anos.
- John Kay sobre a estupidez de cancelar feriados para combater a crise.
- Carta mais recente da Greenlight Capital, de David Einhorn, com alguns insights interessantes sobre a Apple (ele acha a empresa barata).
- Mark Dow contra os paradigmas ideológicos em política econômica.
- Um guia argentino para a crise na Grécia (não, não pode ser bom).
- Muito boa entrevista da Time com o líder da esquerda radical grega (SYRIZA), Alexis Tsipras. Mesmo pesando o desconto que deve se dar a qualquer declaração de político, teria meu voto.
- Um gráfico importante sobre a crise do euro.
- O Paraguai vai ter uma bolsa de futuros.
- Países subvalorizados, para Tyler Cowen: Filipinas, Paquistão, México...
- Acemoglu e Robinson estão animados com a Bolívia de Evo Morales.
- Adam Smith e Barack Obama, socialistas.
- Pesquisa do ManpowerGroup sobre a dificuldade de encontrar profissionais em diversos países e áreas.
- Custo de uma noite a dois em várias cidades.
- O mercado antecipou a abolição da escravidão no Brasil?
- A sucessão do IPEA está pegando fogo no Mão Visível.
- Sherry Turkle, do MIT, sobre como usamos aparelhos eletrônicos para fugir de conversas e como isso nos atrapalha.
- Fabuloso artigo de Susan Sontag, de 1975, sobre a estética do fascismo e a fascinação que exerce (partindo de um livro de fotografias de Leni Riefenstahl). Alguém apontou no twitter, não consigo lembrar quem e fico devendo o agradecimento.
Marcadores:
ações,
América Latina,
Brasil,
commodities,
crise,
fundos,
Grécia,
Guido Mantega,
história,
HPE,
macroeconomia,
off topic,
preços,
tecnologia
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Leituras da Semana
![]() |
| #OccupyFourthDimension |
- Mark Spitznagel, sócio de Nassim Taleb na Universa, sobre economia austríaca e a utilidade de seu arcabouço para evitar cisnes negros nos mercados de ações.
- Robert Shiller tentando dar uma força para os formandos em finanças: "Finance, at its best, does not merely manage risk, but also acts as the steward of society’s assets and an advocate of its deepest goals."
- Apostolos Doxiadis, coautor do fabuloso Logicomix, acha que autodestruição faz parte do caráter nacional da Grécia. Como a história ajuda a entender os dilemas do país.
- Albert Fishlow respondendo à onda de pessimismo com o Brasil.
- Paul Krugman sobre as impossibilidades da desvolarização cambial.
- Jared Diamond sobre o Why Nations Fail e a dificuldade do livro em conciliar sua tese central (instituições) com alguns fatores geográficos que lhe parecem evidentes. Acho que dá pra tirar um axioma postulando que todos essas obras com teses grandiosas de desenvolvimento e história econômica não conseguem passar sem furos grandes, a tarefa é impossível. Boas resenhas, como a do Diamond, também não ficam sem presepadas: ele fala que a Argentina é o maior exportador de alimentos da América Latina (pelos dados da OMC, o Brasil exporta quase o dobro).
- Amartya Sen sobre a Europa, para o NY Times.
- Como vai o futebol, vai a economia? Jamil Chade usa a final da Liga dos Campeões para comparar as finanças da liga alemã com as outras da Europa.
- Dois bons contrapontos a todo o confete jogado para Tony Judt nos últimos tempos: Eric Hobsbawm, num texto ao mesmo tempo ressentido, crítico e elogioso; e o sociólogo de Berkeley Dylan Riley, numa crítica muito aguda a toda a obra de Judt e sua postura como historiador.
- Open the Spigots and Drown the Bigots! As marchas drunkeynesianas pela legalização da cerveja nos EUA, em 1932.
- Um exemplo de intervenção pesada nos mercados.
- Carl Sagan sobre o equilíbrio entre ceticismo e aceitação de novas ideias.
- Hans Rosling em dose dupla: sobre riqueza, religião e fertilidade e nessa demonstração fantástica de concisão, clareza e elegância (seguramente vai ser um dos minutos mais bem gastos da sua semana):
Marcadores:
academia,
Amartya Sen,
austríacos,
Brasil,
crise,
dados,
desenvolvimento,
euro,
Europa,
fundos,
futebol,
Grécia,
história,
livros,
mercado financeiro,
Nassim Taleb,
off topic,
Tony Judt
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Frases do dia - Jim Chanos sobre China
Residential real estate prices, in aggregate in China, at construction cost, are equal to 350% of GDP. The only two economies that ever saw higher numbers at roughly 375% were Japan in 1989 and Ireland in 2007, and both had epic property collapses. So the data does not look good for China.
Da longa entrevista que o Brazilian Bubble achou na Graham and Doddsville, newsletter dos alunos da Columbia Business School. Não poderia recomendar mais a leitura de toda a entrevista para quem se interessa por investimentos. Chanos fala longamente sobre sua carreira, metodologia, características dos mercados, balanços de empresas, China, Europa... Grande oportunidade para aprender com um dos grandes.
Marcadores:
ações,
bolhas,
China,
citações,
fundos,
Jim Chanos,
mercado imobiliário
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Um PS do post anterior
Esqueci de mencionar que, semana passada, dois grandes fundos de commodities foram encerrados:
- O Fortress Commodities Fund, de US$ 500 milhões;
- O Centaurus Energy Master Fund, de cerca de US$ 2 bilhões.
O Centaurus, supostamente, foi o fundo que mais lucrou quando outra gigante, a Amaranth, colapsou, em setembro de 2006. Não sei se dá para ter uma leitura conjunta dos dois episódios, mas deve ter gente que vai dizer que esses fundos, muito alavancados e operando em mercados não tão líquidos e muito voláteis, são as primeiras vítimas de uma futura crise de liquidez.
P.S. do P.S. O Samer me mandou hoje esse artigo sobre o tema, é um modelo interessante que avalia o impacto das limitações da capacidade dos produtores fazerem hedge no mercado futuro no preço das commodities.
- O Fortress Commodities Fund, de US$ 500 milhões;
- O Centaurus Energy Master Fund, de cerca de US$ 2 bilhões.
O Centaurus, supostamente, foi o fundo que mais lucrou quando outra gigante, a Amaranth, colapsou, em setembro de 2006. Não sei se dá para ter uma leitura conjunta dos dois episódios, mas deve ter gente que vai dizer que esses fundos, muito alavancados e operando em mercados não tão líquidos e muito voláteis, são as primeiras vítimas de uma futura crise de liquidez.
P.S. do P.S. O Samer me mandou hoje esse artigo sobre o tema, é um modelo interessante que avalia o impacto das limitações da capacidade dos produtores fazerem hedge no mercado futuro no preço das commodities.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Leituras da Semana
- Charlie Munger, o primeiro violino do maestro Warren Buffett, faz companhia a Keynes na definição de ouro como uma "relíquia bárbara": "I think gold is a great thing to sew in to your garments if you're a Jewish family in Vienna in 1939 but I think civilized people don't buy gold." A maioria dos americanos acha que ouro é o investimento mais seguro (seguido de imóveis, não parecem ter aprendido muito).
- O poder da "repressão financeira" para destruir dívida.
- Um bom relatório do Santander sobre os limites (ou falta deles) para a atuação do BNDES.
- Os fantásticos cursos abertos virtuais de Yale viraram livros. A iniciativa é tão bacana que eu deveria fazer propaganda toda semana. Dá para aprender sobre mercados financeiros com um tal Robert Shiller; eu comecei a assistir a um curso sobre capitalismo que parece muito bom.
- Enquanto isso, na UERJ, você pode aprender como se tornar um ninja.
- Elio Gaspari e o cheiro de picaretagem no livro Breakout Nations (o autor diz que o Plano Real saiu durante o governo Collor). A The Economist resenhou.
- Raghuram Rajan publicou, na Foreign Affairs, um artigo muito comentado sobre as possíveis lições da recessão nos EUA. Aqui um resumo das discussões.
- John Kay defende o fim do oligopólio bancário e menores barreiras de entrada no setor.
- Shaquille O'Neal agora é doutor (provavelmente o maior do mundo). Título da tese: How Leaders Utilize Humor or Seriousness in Leadership Styles.
- Uma conversa do Wall Street Journal com Deirdre McCloskey (é de Janeiro, tinha deixado passar).
- Para quem estiver pensando em seguir carreira de trader.
- Hugh Hendry preocupado com a "monocultura de fundos". Eu, com iniciativas como a do banco central do Japão, que está comprando ETFs de ações. A época parece ser de grande ameaça para livres mercados.
- James Montier, da GMO, na conferência anual do CFA Institute.
- Celso Barros, do NPTO, sobre as complicações de ler Marx.
- Das Kapital... em quadrinhos.
- O ministério de piadas prontas de Portugal, numa tentativa de amenizar a crise, cortou quatro feriados do calendário. Ganha um (ig)Nobel quem provar a relação entre número de feriados em um país e crescimento econômico.
- O poder da "repressão financeira" para destruir dívida.
- Um bom relatório do Santander sobre os limites (ou falta deles) para a atuação do BNDES.
- Os fantásticos cursos abertos virtuais de Yale viraram livros. A iniciativa é tão bacana que eu deveria fazer propaganda toda semana. Dá para aprender sobre mercados financeiros com um tal Robert Shiller; eu comecei a assistir a um curso sobre capitalismo que parece muito bom.
- Enquanto isso, na UERJ, você pode aprender como se tornar um ninja.
- Elio Gaspari e o cheiro de picaretagem no livro Breakout Nations (o autor diz que o Plano Real saiu durante o governo Collor). A The Economist resenhou.
- Raghuram Rajan publicou, na Foreign Affairs, um artigo muito comentado sobre as possíveis lições da recessão nos EUA. Aqui um resumo das discussões.
- John Kay defende o fim do oligopólio bancário e menores barreiras de entrada no setor.
- Shaquille O'Neal agora é doutor (provavelmente o maior do mundo). Título da tese: How Leaders Utilize Humor or Seriousness in Leadership Styles.
- Uma conversa do Wall Street Journal com Deirdre McCloskey (é de Janeiro, tinha deixado passar).
- Hugh Hendry preocupado com a "monocultura de fundos". Eu, com iniciativas como a do banco central do Japão, que está comprando ETFs de ações. A época parece ser de grande ameaça para livres mercados.
- James Montier, da GMO, na conferência anual do CFA Institute.
- Celso Barros, do NPTO, sobre as complicações de ler Marx.
- Das Kapital... em quadrinhos.
- O ministério de piadas prontas de Portugal, numa tentativa de amenizar a crise, cortou quatro feriados do calendário. Ganha um (ig)Nobel quem provar a relação entre número de feriados em um país e crescimento econômico.
Marcadores:
academia,
bancos,
BNDES,
capitalismo,
citações,
commodities,
crise,
Europa,
fundos,
Hugh Hendry,
Keynes,
livros,
macroeconomia,
Marx,
mercado financeiro,
ouro,
renda fixa,
Warren Buffett
segunda-feira, 7 de maio de 2012
As revoluções dos juros baixos no Brasil
Pouca coisa deve ter sobrado para ser dita sobre as mudanças nas regras de remuneração da poupança. O Brasil, no momento certo ou não, está fazendo uma tentativa ousada de levar os juros locais para patamares compatíveis com os do resto do mundo. Ainda é cedo para dizer se será possível manter os juros baixos por muito tempo (acho que são boas as chances), mas as consequências em breve serão (ou já estão sendo) sentidas:
- A poupança é o exemplo mais evidente. Há tempos o Brasil deveria ter se mexido para acabar com o direito sagrado do poupador em moeda nacional de receber, sem risco e sem impostos, juros entre os mais altos do mundo (e, tirando os impostos, isso também vale para as LFTs e os fundos DI). O poupador (ou rentista) brasileiro vai precisar se acostumar com a ideia de que o primeiro ponto da curva de juros soberana é o de menor remuneração, e retornos maiores só podem ser obtidos tomando mais risco. É o básico de qualquer teoria de finanças, mas, por muito tempo, pouca coisa foi melhor (retorno ajustado pelo risco) no Brasil do que receber o CDI.
- O problema agora, claro, é o que os poupadores vão fazer com seus recursos, que há tempos deixaram de render o cômodo e habitual 1% mensal. Minha maior preocupação é com os grandes fundos de pensão, que, até alguns meses atrás, conseguiam bater a meta atuarial (algo como inflação mais 6% ao ano) aplicando em NTN-Bs longas e correndo relativamente pouco risco. Os novos fluxos compram esses papéis a taxas de mercado perto de inflação mais 4,5% ao ano, o que vai fazer com que esses fundos sejam levados a tomar mais risco (comprando ações e títulos privados, investindo em fundos multimercado, imóveis, commodities e o que mais passar pela frente) ou reavaliem suas contas atuariais, provavelmente concluindo que o rombo é maior ou virá antes do que se esperava. Correr os riscos mencionados acima não é nenhuma garantia de que a diferença entre a meta atuarial e os retorno dos fundos será preenchida; dependendo da qualidade da gestão, justo o contrário.
- A tendência que parece estar se desenhando é: dinheiro deixando de financiar o setor público para investir no setor privado. No melhor dos casos, finalmente o Brasil conseguirá dar um grande passo no desenvolvimento do mercado de capitais (ações, dívida corporativa, dívida imobiliária, etc), o financiamento da atividade econômica passará a depender menos do governo e a remuneração dos investimentos refletirá uma taxa de mercado, proporcional ao risco tomado; no pior, como no mundo desenvolvido, as más decisões de investimento não serão punidas (investidores salvos pelo governo) e o custo do dinheiro ficará distorcido de outra maneira. Esse, porém, será assunto para daqui a alguns bons anos (mas meu lado Cassandra não pode deixar de achar que cairemos nesse pior caso) .
- A queda nos juros deixa evidente quão ridículas são as taxas cobradas por alguns fundos de baixo risco (ver a Folha de hoje). Também deveria ser uma bonança para fundos multimercado, que buscam retorno absoluto.
- Quedas nos juros, num primeiro momento, são boas para bancos - reduzem o custo de captação e marcam as carteiras de crédito pré-fixado a juros de mercado mais favoráveis. Resta saber qual vai ser a conclusão da suposta "cruzada contra o spread bancário". Sigo com a impressão de que o governo não tem incentivos para atacar os lucros dos bancos privados (nem acho que deveria fazer isso diretamente), mas posso estar enganado. De qualquer maneira, parece claro o aumento do risco para os bancos públicos, que, na prática, vão acabar cedendo créditos piores para reforçar uma postura de política econômica. Podendo, eu aproveitaria o momento para vender ações do Banco do Brasil e comprar Itaú, que foi muito punido pelos mercados no mês passado por ser o primeiro banco a demonstrar mais cautela com o atual ponto no ciclo de crédito.
Na melhor tradição da célebre frase de Rudiger Dornbusch, o cenário para os juros no Brasil está mudando muito mais rápido do que se achava possível. Para quem reclamava de inação, já no segundo ano de mandato a equipe de Dilma está tomando (grandes, dirão alguns) riscos. Tenho pouca dúvida de que as medidas vão na direção correta; saber se o tempo para elas já havia chegado, para quem respeita fatos antes de qualquer teoria, só será possível em alguns meses ou anos.
P.S. Parece que alguém em Brasília tem um certo apego pelo capítulo 24 da Teoria Geral (o da célebre expressão "eutanásia do rentista") - "só" faltaria começar a mexer na estrutura tributária :
P.P.S. Não tinha visto antes de escrever este post, mas quase toda a edição da revista ValorInveste que acompanha o jornal de hoje (e depois fica à venda nas bancas) é sobre esse tema, num tom mais otimista. Vale a leitura.
- A poupança é o exemplo mais evidente. Há tempos o Brasil deveria ter se mexido para acabar com o direito sagrado do poupador em moeda nacional de receber, sem risco e sem impostos, juros entre os mais altos do mundo (e, tirando os impostos, isso também vale para as LFTs e os fundos DI). O poupador (ou rentista) brasileiro vai precisar se acostumar com a ideia de que o primeiro ponto da curva de juros soberana é o de menor remuneração, e retornos maiores só podem ser obtidos tomando mais risco. É o básico de qualquer teoria de finanças, mas, por muito tempo, pouca coisa foi melhor (retorno ajustado pelo risco) no Brasil do que receber o CDI.
- O problema agora, claro, é o que os poupadores vão fazer com seus recursos, que há tempos deixaram de render o cômodo e habitual 1% mensal. Minha maior preocupação é com os grandes fundos de pensão, que, até alguns meses atrás, conseguiam bater a meta atuarial (algo como inflação mais 6% ao ano) aplicando em NTN-Bs longas e correndo relativamente pouco risco. Os novos fluxos compram esses papéis a taxas de mercado perto de inflação mais 4,5% ao ano, o que vai fazer com que esses fundos sejam levados a tomar mais risco (comprando ações e títulos privados, investindo em fundos multimercado, imóveis, commodities e o que mais passar pela frente) ou reavaliem suas contas atuariais, provavelmente concluindo que o rombo é maior ou virá antes do que se esperava. Correr os riscos mencionados acima não é nenhuma garantia de que a diferença entre a meta atuarial e os retorno dos fundos será preenchida; dependendo da qualidade da gestão, justo o contrário.
- A tendência que parece estar se desenhando é: dinheiro deixando de financiar o setor público para investir no setor privado. No melhor dos casos, finalmente o Brasil conseguirá dar um grande passo no desenvolvimento do mercado de capitais (ações, dívida corporativa, dívida imobiliária, etc), o financiamento da atividade econômica passará a depender menos do governo e a remuneração dos investimentos refletirá uma taxa de mercado, proporcional ao risco tomado; no pior, como no mundo desenvolvido, as más decisões de investimento não serão punidas (investidores salvos pelo governo) e o custo do dinheiro ficará distorcido de outra maneira. Esse, porém, será assunto para daqui a alguns bons anos (mas meu lado Cassandra não pode deixar de achar que cairemos nesse pior caso) .
- A queda nos juros deixa evidente quão ridículas são as taxas cobradas por alguns fundos de baixo risco (ver a Folha de hoje). Também deveria ser uma bonança para fundos multimercado, que buscam retorno absoluto.
- Quedas nos juros, num primeiro momento, são boas para bancos - reduzem o custo de captação e marcam as carteiras de crédito pré-fixado a juros de mercado mais favoráveis. Resta saber qual vai ser a conclusão da suposta "cruzada contra o spread bancário". Sigo com a impressão de que o governo não tem incentivos para atacar os lucros dos bancos privados (nem acho que deveria fazer isso diretamente), mas posso estar enganado. De qualquer maneira, parece claro o aumento do risco para os bancos públicos, que, na prática, vão acabar cedendo créditos piores para reforçar uma postura de política econômica. Podendo, eu aproveitaria o momento para vender ações do Banco do Brasil e comprar Itaú, que foi muito punido pelos mercados no mês passado por ser o primeiro banco a demonstrar mais cautela com o atual ponto no ciclo de crédito.
Na melhor tradição da célebre frase de Rudiger Dornbusch, o cenário para os juros no Brasil está mudando muito mais rápido do que se achava possível. Para quem reclamava de inação, já no segundo ano de mandato a equipe de Dilma está tomando (grandes, dirão alguns) riscos. Tenho pouca dúvida de que as medidas vão na direção correta; saber se o tempo para elas já havia chegado, para quem respeita fatos antes de qualquer teoria, só será possível em alguns meses ou anos.
P.S. Parece que alguém em Brasília tem um certo apego pelo capítulo 24 da Teoria Geral (o da célebre expressão "eutanásia do rentista") - "só" faltaria começar a mexer na estrutura tributária :
Thus we might aim in practice (there being nothing in this which is unattainable) at an increase in the volume of capital until it ceases to be scarce, so that the functionless investor will no longer receive a bonus; and at a scheme of direct taxation which allows the intelligence and determination and executive skill of the financier, the entrepreneur et hoc genus omne (who are certainly so fond of their craft that their labour could be obtained much cheaper than at present), to be harnessed to the service of the community on reasonable terms of reward.
P.P.S. Não tinha visto antes de escrever este post, mas quase toda a edição da revista ValorInveste que acompanha o jornal de hoje (e depois fica à venda nas bancas) é sobre esse tema, num tom mais otimista. Vale a leitura.
Marcadores:
Brasil,
citações,
crédito,
fundos,
Keynes,
livros,
mercado financeiro,
renda fixa
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Frases do Dia - Eike Batista x Hugh Hendry
Do último (e, como de costume, imperdível) comentário de Hugh Hendry, do Eclectica Fund - íntegra aqui:
Eu compraria cotas do Eclectica Fund contra quaisquer das ações do grupo X. Daqui a alguns anos desenterramos a aposta.
Eu compraria cotas do Eclectica Fund contra quaisquer das ações do grupo X. Daqui a alguns anos desenterramos a aposta.
Marcadores:
Brasil,
China,
commodities,
Eike Batista,
fundos,
Hugh Hendry
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Leituras da Semana
- Frase da semana (do falecido Nobel e conterrâneo do Ryszard Kapuscinski, Simon Kuznets, muito apropriadamente resgatada pelo Rodrigo Medeiros e ainda válida): "there are four sorts of countries: underdeveloped, developed, Japan and Argentina."
- Conheça Axel Kicillof, o ilustre desconhecido "peronista-keynesiano-kirchnerista" (tenha medo, muito medo) por trás da nacionalização da YPF - Estado e Vanity Fair espanhola.
- Dez nacionalizações históricas. A América Latina é bastante boa no esporte.
- A Apogeo apresenta Irving Kahn, a lenda viva do mercado que já operava antes do Crash de 1929.
- Quem tiver US$ 70 sobrando e trabalha com gestão de dinheiro deveria considerar seriamente comprar a última edição do Grant's Interest Rate Observer, que tem as notas da conferência da semana passada, com muita gente boa (Hugh Hendry, Meredith Whitney, Stanley Druckenmiller, Jim Chanos...).
- O que aconteceria se o Fed oferecesse para todos os cidadãos americanos uma linha de crédito de US$ 10 milhões a juros zero? Ótima provocação de Sheila Bair.
- Quatro tendências dos bancos centrais dos nossos dias.
- Porque a correção dos preços de ativos na Espanha não terminou.
- Porque o Facebook tem medo da internet.
- Porque estudar história econômica, por Robert Skidelsky.
- Entrevista curtinha de Paul Krugman para o Valor.
- Daron Acemoglu sobre as possibilidades econômicas de nossos netos (aparentemente o pessoal do MIT está atualizando o texto do Keynes, de 1930). Eu tenho certeza que os dias do Acemoglu tem umas 8 horas a mais do que os dos mortais.
- O melhor da conferência anual do Institute for New Economic Thinking, patrocinado por George Soros.
- Um interessante guia turístico para o desenvolvimento econômico.
- Uma tentativa de reunir a "sabedoria econômica" em 10 pilares.
- As influências intelectuais de Niall Ferguson.
- Uma longa apresentação de Nassim Taleb em Princeton, com conteúdo bem similar ao que ele mostrou por aqui há umas três semanas.
- As 100 pessoas mais influentes de todos os tempos, texto meio sério, meio piada que acompanhou a lista deste ano da Time.
- Choconomics!
- Como recorrer de uma multa de trânsito, cientificamente.
- Lars von Trier dirigindo a história do Pato Donald.
- Conheça Axel Kicillof, o ilustre desconhecido "peronista-keynesiano-kirchnerista" (tenha medo, muito medo) por trás da nacionalização da YPF - Estado e Vanity Fair espanhola.
- Dez nacionalizações históricas. A América Latina é bastante boa no esporte.
- A Apogeo apresenta Irving Kahn, a lenda viva do mercado que já operava antes do Crash de 1929.
- Quem tiver US$ 70 sobrando e trabalha com gestão de dinheiro deveria considerar seriamente comprar a última edição do Grant's Interest Rate Observer, que tem as notas da conferência da semana passada, com muita gente boa (Hugh Hendry, Meredith Whitney, Stanley Druckenmiller, Jim Chanos...).
- O que aconteceria se o Fed oferecesse para todos os cidadãos americanos uma linha de crédito de US$ 10 milhões a juros zero? Ótima provocação de Sheila Bair.
- Quatro tendências dos bancos centrais dos nossos dias.
- Porque a correção dos preços de ativos na Espanha não terminou.
- Porque o Facebook tem medo da internet.
- Porque estudar história econômica, por Robert Skidelsky.
- Entrevista curtinha de Paul Krugman para o Valor.
- Daron Acemoglu sobre as possibilidades econômicas de nossos netos (aparentemente o pessoal do MIT está atualizando o texto do Keynes, de 1930). Eu tenho certeza que os dias do Acemoglu tem umas 8 horas a mais do que os dos mortais.
- O melhor da conferência anual do Institute for New Economic Thinking, patrocinado por George Soros.
- Um interessante guia turístico para o desenvolvimento econômico.
- Uma tentativa de reunir a "sabedoria econômica" em 10 pilares.
- As influências intelectuais de Niall Ferguson.
- Uma longa apresentação de Nassim Taleb em Princeton, com conteúdo bem similar ao que ele mostrou por aqui há umas três semanas.
- As 100 pessoas mais influentes de todos os tempos, texto meio sério, meio piada que acompanhou a lista deste ano da Time.
- Choconomics!
- Como recorrer de uma multa de trânsito, cientificamente.
- Lars von Trier dirigindo a história do Pato Donald.
Marcadores:
academia,
América Latina,
citações,
crise,
desenvolvimento,
Europa,
Fed,
fundos,
história,
internet,
Keynes,
livros,
mercado financeiro,
Nassim Taleb,
off topic
Assinar:
Postagens (Atom)





























