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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Larry Summers, gênio das finanças - ou, que pena, Harvard

Numa notícia da Bloomberg muito comentada ontem, ficamos sabendo que a Universidade Harvard perdeu US$ 1 bilhão em swaps de taxas de juros contratados em 2001 e 2006, quando o atual presidente do Conselho Econômico Nacional, possível futuro presidente do Fed e gênio econômico, Larry Summers, era o reitor da universidade. A operação, teoricamente, serviria de proteção (hedge) para uma emissão de dívida que a universidade pretendia fazer em 2022 (não é erro de digitação). Como ninguém em sã consciência entra em uma operação desse tipo com 20 anos de antecedência, a conclusão é que Summers e seu time de finanças são ou extremamente arrogantes, ao tentar antecipar um movimento de mercado em duas décadas, ou arrumaram uma desculpa para especular no mercado, ou são simplesmente cretinos e não sabiam o que estavam fazendo. Na verdade, as três possibilidades não são excludentes. Os Estados Unidos estão em boas mãos.

Mais com Felix Salmon.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Brasil Foods e você, tudo a ver


Chegou, finalmente, o tão antecipado anúncio da fusão entre Sadia e Perdigão, que cria a maior exportadora de carne processada do mundo, uma "supercampeã brasileira", como, certamente, alguém já definiu ou vai definir. A verdade, como quase sempre, é bem menos romântica. A Sadia, ao invés de contentar-se em ser uma competente produtora de alimentos, enfiou-se até onde não podia na especulação com derivativos, apostando na tola idéia que uma desvalorização súbita do real era muito pouco provável - e perdeu. Totalmente fragilizada financeiramente, mas ainda sendo uma empresa competitiva no que fazia (frangos e afins, e não operações de tesouraria), seria um alvo fácil para uma compra, assim que o dinheiro voltasse a circular no mercado financeiro. Assim deveria funcionar o capitalismo, empresas passando de "mãos fracas" (ou pouco competentes) para "mãos fortes".

Logo após o anúncio das perdas bilionárias com a alta do dólar, começa a operação resgate. Um ex-ministro do desenvolvimento, antes disso executivo de longa data da empresa, é chamado de volta para a presidência do conselho de administração. Para encurtar uma tortuosa história, a empresa que parecia destinada a ser comprada passa a fazer parte de uma fusão, aparentemente positiva para os acionistas das duas envolvidas. Mas, claro, falta a cereja do bolo: a nova empresa fará prontamente uma nova oferta de ações, de R$ 4 bilhões. Que já tem destino certo, caso os tolos do mercado não mostrem interesse: a carteira do BNDES - banco estatal (vinculado ao Ministério do Desenvolvimento - hmmmmmmmmmmmm), capitalizado via emissões do Tesouro Nacional, que, posteriormente, o Tesouro deve resgatar com dinheiro - adivinhe!!! - do contribuinte. Sim, caro leitor, você é uma espécie de sócio da "supercampeã"; só não espere colher nenhum benefício por conta disso.

Resta torcer pelo sucesso da nova empresa, e que não resolvam unificar a linha de produtos - como bom consumidor de embutidos, afirmo que os da Sadia são muito melhores que os da Perdigão...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

BM&F, a jóia da coroa

A Agência Estado noticia que a Bolsa de Chicago, que faz parte do CME Group (surgido da união de duas das maiores bolsas de derivativos e commodities do mundo, a Chicago Board of Trade - CBOT - e a Chicago Mercantile Exchange - CME), negou-se a comentar os rumores de uma possível troca de patrimônio com a BM&F. O negócio consistiria na troca de 10% da BM&F por 2,5% da bolsa americana. Ontem a assembléia da BMF aprovou uma desmutualização de patrimônio (o fim do privilégio de propriedade da bolsa para um pequeno número de detentores de títulos), que culminará na venda de R$ 1 bilhão da BM&F para a General Atlantic, uma empresa de growth equity baseada em Connecticut.

Muito já se falava de uma abertura de capital da BM&F, e as notícias acima sinalizam que esse processo já está bastante avançado. Há uma tendência global de fusões e aquisições entre bolsas (a união das bolsas de Chicago mencionada acima é um bom exemplo disso), e não haveria porque a BM&F ficar de fora. A BM&F é a quinta maior bolsa de derivativos (em volume negociado, veja o gráfico abaixo) do mundo, opera com grande eficiência, possui uma variedade muito atrativa de produtos e já passou por diversos (e severos) testes de choque. Somando a isso o potencial de crescimento e diversificação dos mercados financeiros no Brasil, temos na BM&F um alvo extremamente atrativo para investimentos estrangeiros.



Como em qualquer setor, a abertura de capital das bolsas brasileiras (comenta-se que a Bovespa também deve abrir o capital até o final deste ano) deve ser comemorada. O aumento da base de investidores e o adequamento às regras de boa governança devem trazer mais transparência e eficiência para as operações. Além disso, a aquisição de parte dessas bolsas por alguma bolsa estrangeira pode viabilizar a comercialização no Brasil de diversos produtos financeiros atualmente indisponíveis localmente, o que aumentaria a possibilidade de diversificação das carteiras de bancos, fundos e pessoas físicas. É torcer para que querelas jurídicas (a assembléia da BM&F mencionada acima parece já ter sido suspendida por uma liminar na justiça) e visões retrógradas e protecionistas não atrapalhem essa evolução.


Para os interessados no assunto, recomendo uma matéria publicada recentemente na onipresente The Economist.

* Por algum motivo, o Blogger não aceita o "&" nos marcadores, por isso o aportuguesamento de M&A. Até que não ficou ruim...