- The Economist sobre a Gávea e as gestoras de dinheiro brasileiras (seu Armínio deve ter ficado feliz com a matéria, não sei se com a legenda "Shakira with a beard").
- Extraordinário texto de Michael J. Sandel (professor do curso mais pop de Harvard, Justice) sobre os limites do livre mercado e a ausência de um elemento moral no debate sobre o que deve ou não ser vendido.
- O fundo soberano do greatest country in the world avisa: "The stock market is, in fact, a sophisticated tool. It is unpredictable, and therefore all citizens of Kazakhstan should approach investment in shares of national companies seriously and deliberately."
"Basta de gastar sem ter dinheiro. Basta de tanto subsídio, de tantos incentivos, de tantos privilégios sem justificativas ou utilidade comprovada. Basta de empreguismo. Basta de cartórios. O Brasil não precisa apenas de um choque fiscal. Precisa, também, de um choque de capitalismo, um choque de livre iniciativa, sujeita a riscos e não apenas a prêmios."
Quem acertar o autor e o contexto ganha uma cocada (no fim do dia eu coloco aqui).
P.S. Claro que todo dia é dia da mulher, mas não custa hoje mandar um abraço às leitoras.
Update: o pessoal dos comentários matou muito rápido. A frase é de um discurso de Mário Covas (supostamente redigido por José Serra) na campanha presidencial de 1989, citado no Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti. 23 anos depois, gastamos menos, mas subsídios, privilégios e incentivos continuam, e o choque de capitalismo, fora de moda em todo o mundo, parece longe da realidade.
Acho que hoje abri o jornal de mau humor. Na seção de Tendências & Debates da Folha, o professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite (físico), criticando o corte no orçamento para ciência e tecnologia, encerra o texto com esses dois parágrafos (depois de culpar economistas de "aversão por tecnologia" e jogar no lixo tudo o que já se estudou sobre vantagens comparativas, ideia "obtusa"):
Enquanto na China 80% dos cargos de decisão são ocupados por engenheiros, no Brasil são economistas, quando não advogados, que decidem.
Talvez esse fato explique o desenvolvimento modesto do Brasil em comparação com o da China.
O cientista poderia, primeiro, fornecer alguma evidência de que decisões de investimento público de engenheiros NÃO ELEITOS POR VOTO POPULAR e que, portanto, só prestam contas ao Partido, são melhores do que as de economistas e advogados (ou quaisquer outros profissionais) em uma democracia. Depois, poderia se informar minimamente para não cair na falácia imediatista de que a China é mais desenvolvida que o Brasil - basta ver qualquer ranking de IDH, ou observar há quanto tempo o Brasil atingiu o padrão de vida que se tem na China hoje, depois de anos de crescimento acelerado e (ainda) sem correção dos desequilíbrios do processo. Deve haver muitos bons argumentos para protestar contra o baixo orçamento do Brasil para ciência e tecnologia; infelizmente, o professor preferiu trocá-los por generalizações infundadas e retórica oca.
No mesmo caderno, destaque para a notícia de que a China revisou a meta de crescimento para este ano de 8% para 7,5%. Minha birra aqui é menos com a matéria em si e mais com a noção de que os países podem escolher, ano a ano, o crescimento que vão atingir. Séculos de evidência e falhas de economistas e planejadores ainda não enterraram a ideia de que é possível (e desejável) controlar e prever um fenômeno que envolve tantas variáveis. A dissonância cognitiva de nossos dias é entender o fracasso da União Soviética e de outras economias planejadas e, ao mesmo tempo, acreditar que o modelo chinês atual funciona como um relógio e é imune a falhas. A China, claro, está integrada em um mercado global e respeita mais o sistema de preços, mas guarda muito mais semelhanças com as velhas economias planificadas do que se quer crer. Quando os problemas realmente aparecerem, certamente não se manifestarão como um soft landing onde é possível baixar o crescimento a razão de 0,5% ao ano até um nível "sustentável".
- Duas leituras obrigatórias para quem mexe com ações (ou tiver interesse no mercado financeiro em geral): as últimas cartas de Warren Buffett e Jeremy Grantham. O site da Berkshire Hathaway continua na vanguarda do design mundial.
Comecei a colocar opiniões no twitter, mas a limitação dos caracteres deixou tudo muito confuso. Melhor exercitar a verborragia aqui:
- A notícia é esta: o governo vendeu as concessões de três aeroportos (Cumbica, Viracopos e JK - Brasília) por R$ 24,5 bilhões, ágio médio de espantosos 347% - foi de "apenas" 160% no caso de Viracopos e absurdos 673% para Brasília. Esses números já deveriam levar algum observador atento a perguntar se (i) o preço inicial não foi subestimado ou (ii) o valor pago é fora da realidade.
- Para pegar um dos casos e fazer algumas contas de padaria (já me perdoem as simplificações): o aeroporto de Heathrow, em Londres, é o terceiro mais movimentado do mundo em tráfego de passageiros (e primeiro em tráfego internacional. No ano passado, foram transportados em Heathrow quase 69 milhões de passageiros, mais que o dobro do que em Cumbica, e o aeroporto rendeu de lucros para seus concessionários (um consórcio de empresas do Canadá, Cingapura e Espanha) pouco mais que 1 bilhão de libras (R$ 2,7 bilhões, ao câmbio corrente).
- Vamos ser generosos e assumir que a operação no Brasil é espetacularmente lucrativa e promissora, e que Cumbica conseguirá entregar, na média dos 20 anos da concessão, lucros anuais iguais aos de Heathrow (só lembrando que a Infraero apurou lucros, em 2010 - último balanço disponível - de R$ 234 milhões). Ao pagamento de R$ 16,2 bilhões, devem ser somados investimentos previstos de R$ 4,6 bilhões até o fim da concessão, o que implicaria num desembolso total pelo comprador de R$ 20,8 bilhões. Numa dose extra de generosidade, não considerando os custos de oportunidade, o investimento se pagaria em pouco mais de 8 anos. Para tirar a generosidade, basta estimar um tamanho de Cumbica como proporção de Heathrow e isso afetaria o múltiplo de maneira linear (ou assim pode-se assumir, creio). Se considerarmos, por exemplo, que Cumbica vai continuar sendo meio Heathrow, o prazo para que o investimento se pague passa para 16 anos (amigos que trabalham com valuation, tentem conter a vontade de me espancar - como dito, são contas de padaria, só para uma avaliação superficial).
- Por esses múltiplos, eu diria que o governo fez um bom negócio com as vendas (ou pelo menos não vendeu a preços escandalosamente baixos). Ou melhor, teria feito se recebesse tudo em dinheiro do setor privado: no caso de Guarulhos, entre os compradores estão fundos de pensão estatais, que, em teoria, têm recursos próprios, mas certamente serão bancados pelo Tesouro caso tenham problemas de capitalização no futuro. Além disso, o BNDES pode financiar, com juros subsidiados, até 80% dos investimentos a serem feitos pelas concessionárias. Essa mistura de subsídios cruzados com risco moral torna a avaliação muito mais difícil, mas certamente menos favorável para o vendedor. Se o valor fosse efetivamente pago em moeda corrente e tivesse que bancar todos os investimentos, provavelmente o ágio não teria sido tão alto.
- Torço muito para que as concessionárias consigam lucrar e pagar seus acionistas e credores - até porque, caso isso não aconteça, a conta volta para o governo: ou na forma de calote nos empréstimos no BNDES, ou em mais subsídios para que a operação, que não pode parar, se sustente. Voa, Brasil.
P.S. Uma opinião mais embasada, da analista da Merril Lynch, que diz que "as ofertas não foram totalmente irrealistas, mas não deixam margem para erro".
- Stephen King, do HSBC, sobre metas de inflação e porque o Fed chega atrasado ao padrão: "Inflation today is determined increasingly by factors beyond an individual central bank’s control."
Como se sabe, é das atividades com um dos maiores payoffs da nossa sociedade: para o gestor, o prejuízo é limitado a seu custo de oportunidade (quanto o mercado paga menos o que ele deixa de ganhar, se tiver desempenho ruim - há também um tema reputacional, não quantificável e muito discutível) e os ganhos são potencialmente enormes, com o uso implícito de alavancagem (o patrimônio para se montar uma gestora é, na maioria dos casos, muitas vezes menor do que os ativos administrados, sobre os quais são cobradas as taxas). Para Alice Schroeder, biógrafa de Warren Buffett, os dias de moleza estão acabando. Para Dogbert, continuam:
Estava zapeando na TV há uns dias e parei na Cartoon Network, que estava passando uma sequência dos fantásticos desenhos da Warner feitos nos anos de 1950 (Looney Tunes). Comecei a ver um chamado By Word of Mouse, de 1954 (o título em Português é totalmente diferente, não vou lembrar). Começa com uma família de ratinhos alemães reunidos em volta do pai (Hans), que conta, em flashback, da sua visita a um primo que mora nos EUA. Chegando lá, Hans se impressiona com a massa de consumidores e opções de compras e é levado pelo primo a uma universidade (Putnell University, não captei a referência), onde um professor-rato fala das vantagens da livre concorrência e do consumo em massa. O professor conclui: "All this raised our standard of living to the highest in the world!"
O cartoon é uma peça tão óbvia de propaganda capitalista do pós-guerra que fui pesquisar qual era a origem. Ocorre que By Word of Mouse é o primeiro de três episódios encomendados a Warner pela Alfred P. Sloan Foundation, do lendário ex-presidente da General Motors que a batizou com seu nome. Os seguintes estão no YouTube e têm páginas na Wikipedia, talvez por serem mais populares - têm como protagonistas os mais carismáticos Frajola [Sylvester] e Hortelino Troca-Letras [Elmer Fudd].
Heir-Conditioned (1955) - Frajola herda três milhões de dólares, e é assessorado pelo Hortelino, que defende o investimento em companhias que pagam bons dividendos, geram inovações e melhor padrão de vida.
Yankee Dood It (1956) - Hortelino é o líder de um grupo de duendes que decide convencer um sapateiro a abandonar o trabalho artesanal (que contava com ajuda dos duendes) e migrar para a manufatura.
Na preguiça de ler o livro, fui ver (com dois meses de atraso) o filme que a HBO produziu sobre Too Big To Fail, de Andrew Ross Sorkin, do New York Times. Acabei gostando, mais até do que do documentário Inside Job. O elenco é excelente (James Woods como Dick Fuld, William Hurt como Hank Paulson, Billy Crudrup como Tim Geithner e Paul Giamatti como Ben Bernanke, sendo que este entraria na estranha galeria criada por um amigo de atores que parecem mais com seus personagens do que os próprios personagens – Morgan Freeman como Nelson Mandela e Val Kilmer como Jim Morrison são os outros exemplos). Algumas notas aleatórias sobre o filme (e sobre a história, assumindo que o filme é fiel ao livro e que o livro é fiel à realidade)
- É quase inacreditável ver como Fuld não tinha idéia (ou fazia que não tinha) do tamanho do problema da Lehman. Em algum momento, achou-se que a divulgação de resultados bons em um trimestre iria parar a sangria nas ações da companhia. Claro que olha-se para trás com todo o benefício de saber o desfecho, mas nos é apresentado o principal executivo de um banco que simplesmente desconhecia que havia o risco de seu negócio ser varrido do mercado – sinal dos tempos: um CEO prudente teria sido demitido anos antes, por não lucrar como seus pares com o ciclo de alavancagem.
- Nos primeiros meses, havia a clara impressão de que a crise era localizada e poderia ser contida – algo como o que está acontecendo hoje na Europa.
- Notável também a tentativa dos “campeões do capitalismo” colocarem a culpa da crise na entidade “mercado”: o “mercado” empurra o preço das ações para níveis injustos, a culpa é dos “short sellers”, e por aí vai. Ninguém parece ter se perguntado que talvez, só talvez, os bancos tivessem exagerado na alavancagem e na tomada de risco e que isso estava sendo reconhecido, depois de anos de bonança e extrapolação de premissas irreais.
- O filme salva parcialmente a reputação de Hank Paulson, tido por alguns (ver o livro Capitalism 4.0, de Anatole Kaletsky, por exemplo) como “o” responsável pelo aprofundamento da crise, por deixar o Lehman Brothers ir à falência. Paulson é retratado como um cara aberto e conciliador, que de fato procurou, até o último momento, uma solução que não envolvesse transferência de dinheiro público para os bancos (qualquer nível de estatização parecia totalmente inaceitável). Para quem tem se perguntado por onde ele anda: no final de junho ele foi apontado como senior fellow da Harris School of Public Policy, da Universidade de Chicago.
- Falando no Paulson: alguém sabe se de fato aconteceu a cena em que ele se ajoelha aos pés da Nancy Pelosi, pedindo por um acordo no congresso para aprovação do TARP? E se ele tomou mesmo uma bronca da Christine Lagarde pelo telefone (como em Inside Job, os franceses aparecendo como bastiões de prudência na regulação bancária - creio que a história ainda vai resolver isso)?
- Tim Geithner, se corretamente representado é um cara muito, mas muito irritante: arrogante e cheio de idéias “brilhantes”. Se aconteceu, o episódio dele posando de mestre do universo, tentando organizar fusões entre bancos colocando o nome de cada um em fichas, espalhando-as sobre a mesa, montando os pares e ligando para os CEOs envolvidos é absolutamente patético.
Enfim, evidentemente não substitui a leitura (minhas dúvidas acima deixam isso claro), mas é uma boa diversão com alguma informação, vale fácil a hora e pouco gasta na frente da TV.
O site oficial do filme é este aqui; o MarketBeat, do WSJ, tem uma crítica.
A ignorância às vezes proporciona algumas epifanias:
1. Narayana Kocherlakota, presidente do Fed de Minneapolis, é um homem e;
2. Não tem cara de indiano (ainda que o sobrenome, me diz o Google, venha do sânscrito). Aqui tem mais sobre o cidadão, inclusive como pronunciar o nome.
O que importa, entretanto, é que Kocherlakota meteu-se a explicar a importância que o Fed tem atribuído ao comportamento dos preços de ativos (do WSJ):
“This recession and the relatively slow recovery we’ve gone through, a lot of it can be traced back to net worth,” Kocherlakota told reporters after a speech in New York Wednesday. “The fall in net worth is what drove us into recession” and “in those circumstances you can see why asset values, both for land and for stocks, are really going to be a central ingredient in the recovery process,” he said.
To ensure the recovery will take hold, it’s important for the Fed to help re-flate asset prices and given households and businesses a chance to rebuild and rebalance their respective financial positions, the official explained.
“In this kind of post financial crisis, post net worth driven recession, it makes sense to be thinking about asset value as a way to try to generate more stimulus than you do in a typical recession,” Kocherlakota said.
A idéia que quedas na riqueza levaram à recessão me parece, vamos dizer, vanguardista. Não há pelo menos uma inversão de casualidade aí? Outra observação derivada: preços de ativos costumam ser (ou costumavam, agora já não sei mais) a expectativa de um fundamento econômico (via fluxos de caixa ou animal spirits, para ficar em duas possíveis explicações). Na lógica de Kocherlakota (e, aparentemente, do resto do Fed) isso se inverteu. Na versão menos danosa, isso vai gerar material para milhares e milhares de páginas de teses marxistas sobre o fetiche da mercadoria nos nossos tempos. Sendo mais pessimista, está dado mais um sinal de que o sistema de preços de mercado vai seguir acumulando distorções. A triste e batida conclusão é que o capitalismo precisa ser salvo dos capitalistas.
"The freest, most incentive-driven market economies in the world are not the United States or Hong Kong or even tax havens such as the Cayman Islands but failed states and gangster societies such as Somalia, Congo, and Afghanistan."
O editor do Times londrino Anatole Kaletsky, levantando um ponto elaborado pelo economista britânico John Kay, em seu novo livro Capitalism 4.0, que comecei a ler hoje (parece muito interessante, quando terminar, coloco uma resenha aqui).
Na foto, um lindo e liberal campo de papoulas no Afeganistão.
Este ano o Monopoly, que deu origem ao nosso Banco Imobiliário, completa 75 anos de seu lançamento pela Parker Brothers. No livro The Ascent of Money (lançado aqui como A Ascensão do Dinheiro), o historiador britânico Niall Ferguson usa a história do jogo para ilustrar como os anglo-saxões desenvolveram o culto de adquirir imóveis. Segundo Ferguson, a primeira versão do jogo foi criada em 1903 por Lizzie Phillips, e tinha a intenção de "mostrar a desigualdade de um sistema social no qual uma pequena minoria de donos de terra lucravam com os aluguéis recolhidos de seus inquilinos". Essa versão mostrou-se complexa demais para o gosto do público, mas foi simplificada por dois professores (um de Wharton, outro de Columbia) e transformada de vez em um produto comercial por um engenheiro chamado Charles Darrow, que vendeu o jogo para a Parker Brothers. Ao contrário do que imaginava Lizzie Philips, a moral do jogo transformou-se em "quanto mais você tem [propriedades], mas dinheiro você ganha", e isso ajudou a formar a noção na sociedade (fortemente abalada nos últimos anos) de que não há melhor investimento que imóveis.
No Brasil, a Estrela deteve por muitos anos o licenciamento do jogo em Português (com os clássicos endereços do Rio e São Paulo -- naquele tempo, a avenida Faria Lima valia muito menos que Morumbi). Em 2008, a Hasbro (da qual a Parker Brothers é subsidiária) decidiu se instalar no Brasil e lançar o jogo com seu nome original, enquanto a Estrela seguiu produzindo o Banco Imobiliário em diferentes versões (com cartão de crédito, versão "sustentável", etc), não sei se ainda pagando royalties para a Hasbro.
O tabuleiro aí do lado está numa galeria de 50 versões do jogo que o Damn Cool Pics fez.
P.S. O Banco Imobiliário é o tema de uma crônica genial do Pedro Ivo Resende (O Amigo Socialista), que escrevia, pelos idos de 2000, o Loser, primeiro blog que me lembro de acompanhar.
A Lituânia em questão é a do caos pós-comunista, que fique claro:
"Chip surpreendeu-se com as grandes semelhanças existentes entre a Lituânia do mercado negro e a América do mercado livre. Em ambos os países a riqueza estava concentrada nas mãos de poucos; desaparecera qualquer distinção significativa entre os setores público e privado; os capitães da indústria viviam numa ansiedade permanente, que os impelia a expandirem implacavelmente os seus impérios; os cidadãos comuns viviam no medo permanente de serem despedidos e na confusão permanente quanto a que poderoso interesse privado era dono de que ex-instituição pública em dado dia, e a economia era alimentada em grande parte pela insaciável avidez de luxo da fina flor."
Jonathan Franzen, escritor americano, no livraço As Correções, de 2001, que só descobri recentemente (e ainda não terminei de ler). A visão imperialista podia ser exagerada na época em que o livro foi escrito, mas desde então tem se provado assustadoramente correta.
"Karl Marx is probably dancing somewhere. Because, in America right now, the government owns the automobile industry, the insurance industry, the mortgage industry and the banking industry. The government suddenly owns huge parts of the American economy - that's what Karl Marx said he wanted, and he didn't have to fire a shot."
O Tesouro americano começa hoje a vender suas 7,7 bilhões de ações do Citigroup, adquiridas durante a crise. A tarefa dos tecnocratas americanos é convencer o contribuinte que salvar o banco (sem sequer precisar trocar o presidente) foi um bom negócio, já que as ações devem ser vendidas a um preço maior que o de aquisição. Tim Geithner falou que o custo fiscal da crise será menor que o do resgate do equivalente americano das caixas (savings & loan), no início dos anos de 1990 (cerca de US$ 150 bilhões de dólares). E esse é o estado atual do capitalismo. Risco moral? Vai precisar ser redefinido.
Matthew Lynn escreve na Bloomberg um texto interessante (embora com aquela visão americana que divide o mundo entre vencedores e perdedores) sobre o que emergiu da crise. Para ele, historiadores, hedge funds, a Alemanha, a direita e a frugalidade derrotaram, respectivamente, economistas, banqueiros, a Inglaterra, a esquerda e a extravagância.
Sou economista, em pausa numa carreira no mercado financeiro para um mestrado. Vivo entre Cambridge, MA e São Paulo.
Moto do blog: "If economists could manage to get themselves thought of as humble, competent people on a level with dentists, that would be splendid." - John Maynard Keynes
ou
"It is generally admitted that most grown up people, however regrettably, will try to have a good time." - Bertrand Russell