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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Leituras da Semana

Bruxelas, Domingo de Páscoa
- The Economist sobre a Gávea e as gestoras de dinheiro brasileiras (seu Armínio deve ter ficado feliz com a matéria, não sei se com a legenda "Shakira with a beard").

- Acemoglu & Robinson sobre política industrial.


- Edward Glaeser sobre a corrida presidencial americana e como a campanha de Romney pode ajudar o país.

- Extraordinário texto de Michael J. Sandel (professor do curso mais pop de Harvard, Justice) sobre os limites do livre mercado e a ausência de um elemento moral no debate sobre o que deve ou não ser vendido.


- New York Times comendo com Tyler Cowen.

- Também no NYT, perfil da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

- O discurso de Dilma na Kennedy School, de Harvard.

- Na Foreign Affairs, o fim do "momento mágico" do Brasil (ainda não consegui uma boa alma para me mandar a matéria inteira).

- Dez fatos interessantes sobre a Turquia (via Mauricio Santoro).

- Timothy Garton Ash sobre a omissão da Europa na Síria e um déjà-vu otomano.

- Como modelos de previsão econométrica falharam em prever a crise de 2008 (mas acertaram a recuperação subsequente).

- Belo trabalho do Credit Suisse sobre urbanização (via Urban Demographics).

- Como era a lista das 500 maiores empresas americanas há 200 anos.

- Quanto ganham os professores das universidades americanas (em muitos casos, menos que muito analista com três anos de experiência do mercado financeiro no Brasil).

- Mais um paper drunkeynesiano: como a cerveja criou a Bélgica (via Marginal Revolution).

- Mais um aspecto nefasto da crise no Reino Unido: caiu a qualidade das pole dancers (via Epicurean Dealmaker).

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Leituras da Páscoa

- Capitalistas de todos os credos deveriam parar para ler esse excelente texto de John Lanchester para a London Review of Books sobre os acertos e erros de Karl Marx, 193 anos depois de seu nascimento (dica: Bruno Borges).

- Um bom relatório do Santander sobre a indústria brasileira e os fatores que determinam sua produtividade.

- Na Grécia, falta dinheiro para treinar a equipe olímpica de atletismo. O colapso das vendas no varejo.

- Juros para hipotecas nos EUA podem estar muito baixos, mas há tempos os padrões de crédito não eram tão exigentes.

- Barry Ritholtz, do The Big Picture, indica cinco livros sobre as causas da crise financeira.

- A Argentina regride ao escambo, e faz importadoras trocarem vinho e amendoim por carros.

- Paul Krugman compara as recuperações econômicas de Islândia e Letônia.

- Um gráfico para exemplificar o atraso brasileiro na educação.

- Compilação das críticas de livros que Nassim Taleb escreveu na Amazon.

- Antoine Danchin, professor de medicina, sobre antifragilidade na natureza.

- Janteloven em números: os escandinavos estão entre os que menos dão importância para riqueza ou consumo.

- Por que o Haiti é tão pobre?

- O fundo soberano do greatest country in the world avisa: "The stock market is, in fact, a sophisticated tool. It is unpredictable, and therefore all citizens of Kazakhstan should approach investment in shares of national companies seriously and deliberately."

- A tentativa nazista de controlar o... jazz - proibição de tocar o baixo em pizzicato, limite de 10% de síncopes por composição...

Bom feriado aos leitores, segunda-feira estou de volta.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Frases do dia - Brasil & capitalismo

"Basta de gastar sem ter dinheiro. Basta de tanto subsídio, de tantos incentivos, de tantos privilégios sem justificativas ou utilidade comprovada. Basta de empreguismo. Basta de cartórios. O Brasil não precisa apenas de um choque fiscal. Precisa, também, de um choque de capitalismo, um choque de livre iniciativa, sujeita a riscos e não apenas a prêmios."

Quem acertar o autor e o contexto ganha uma cocada (no fim do dia eu coloco aqui).

P.S. Claro que todo dia é dia da mulher, mas não custa hoje mandar um abraço às leitoras.

Update: o pessoal dos comentários matou muito rápido. A frase é de um discurso de Mário Covas (supostamente redigido por José Serra) na campanha presidencial de 1989, citado no Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti. 23 anos depois, gastamos menos, mas subsídios, privilégios e incentivos continuam, e o choque de capitalismo, fora de moda em todo o mundo, parece longe da realidade.

terça-feira, 6 de março de 2012

Besteiras que se lê por aí

Acho que hoje abri o jornal de mau humor. Na seção de Tendências & Debates da Folha, o professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite (físico), criticando o corte no orçamento para ciência e tecnologia, encerra o texto com esses dois parágrafos (depois de culpar economistas de "aversão por tecnologia" e jogar no lixo tudo o que já se estudou sobre vantagens comparativas, ideia "obtusa"):
Enquanto na China 80% dos cargos de decisão são ocupados por engenheiros, no Brasil são economistas, quando não advogados, que decidem.
Talvez esse fato explique o desenvolvimento modesto do Brasil em comparação com o da China.
O cientista poderia, primeiro, fornecer alguma evidência de que decisões de investimento público de engenheiros NÃO ELEITOS POR VOTO POPULAR e que, portanto, só prestam contas ao Partido, são melhores do que as de economistas e advogados (ou quaisquer outros profissionais) em uma democracia. Depois, poderia se informar minimamente para não cair na falácia imediatista de que a China é mais desenvolvida que o Brasil - basta ver qualquer ranking de IDH, ou observar há quanto tempo o Brasil atingiu o padrão de vida que se tem na China hoje, depois de anos de crescimento acelerado e (ainda) sem correção dos desequilíbrios do processo. Deve haver muitos bons argumentos para protestar contra o baixo orçamento do Brasil para ciência e tecnologia; infelizmente, o professor preferiu trocá-los por generalizações infundadas e retórica oca.

No mesmo caderno, destaque para a notícia de que a China revisou a meta de crescimento para este ano de 8% para 7,5%. Minha birra aqui é menos com a matéria em si e mais com a noção de que os países podem escolher, ano a ano, o crescimento que vão atingir. Séculos de evidência e falhas de economistas e planejadores ainda não enterraram a ideia de que é possível (e desejável) controlar e prever um fenômeno que envolve tantas variáveis. A dissonância cognitiva de nossos dias é entender o fracasso da União Soviética e de outras economias planejadas e, ao mesmo tempo, acreditar que o modelo chinês atual funciona como um relógio e é imune a falhas. A China, claro, está integrada em um mercado global e respeita mais o sistema de preços, mas guarda muito mais semelhanças com as velhas economias planificadas do que se quer crer. Quando os problemas realmente aparecerem, certamente não se manifestarão como um soft landing onde é possível baixar o crescimento a razão de 0,5% ao ano até um nível "sustentável".

segunda-feira, 5 de março de 2012

Leituras da semana (passada)

- A Apple chegou ao meio trilhão de dólares de valor de mercado, e vai se ver com a lei dos grandes números. Para o pessoal que pensa em vender, não deve animar saber que a Cisco Systems chegou a US$ 700 bilhões no auge da bolha, em 2000.

- Faça você mesmo: a produção de cerveja artesanal e como deveria funcionar o capitalismo.

- Mansueto Almeida fala sobre a entrevista de Paul Krugman a Playboy; o próprio fala sobre a crise na ciência econômica. Scott Adams, o economista que criou o Dilbert, numa variação sobre o tema.

- Maurice Obstfeld, um dos coautores do Krugman, explica porque ainda é importante prestar atenção para déficits em conta corrente.

- Scott Sumner faz uma nova introdução para o monetarismo de mercado.

- O Banco Central de Israel vai radicalizar a "diversificação de reservas" e investir em ações. Espero que a moda não chegue por aqui.

- Como a tributação de energia elétrica atrapalha a distribuição de renda no Brasil.

- Duas leituras obrigatórias para quem mexe com ações (ou tiver interesse no mercado financeiro em geral): as últimas cartas de Warren Buffett e Jeremy Grantham. O site da Berkshire Hathaway continua na vanguarda do design mundial.

- Nova Délhi e São Paulo tiveram os mercados imobiliários mais quentes do mundo no ano passado, segundo o Global Property Guide. Nos EUA, só Detroit ganhou em 2011.

- A piauí tirou do paywall a matéria do João Moreira Salles sobre a Islândia que eu tinha recomendado aqui, vale conferir.

- O grande Amartya Sen vai falar em São Paulo no dia 24 de Abril, marque na agenda.

- Uma entrevista pouco usual com Obama, falando longamente sobre esportes (e deixando escapar que já conta com a reeleição).

- Mais uma para a coleção de anedotas absurdas da Grécia.

- O tweet do ano, por enquanto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Leilão dos aeroportos - voa, Brasil!

Comecei a colocar opiniões no twitter, mas a limitação dos caracteres deixou tudo muito confuso. Melhor exercitar a verborragia aqui:

- A notícia é esta: o governo vendeu as concessões de três aeroportos (Cumbica, Viracopos e JK - Brasília) por R$ 24,5 bilhões, ágio médio de espantosos 347% - foi de "apenas" 160% no caso de Viracopos e absurdos 673% para Brasília. Esses números já deveriam levar algum observador atento a perguntar se (i) o preço inicial não foi subestimado ou (ii) o valor pago é fora da realidade.

- Para pegar um dos casos e fazer algumas contas de padaria (já me perdoem as simplificações): o aeroporto de Heathrow, em Londres, é o terceiro mais movimentado do mundo em tráfego de passageiros (e primeiro em tráfego internacional. No ano passado, foram transportados em Heathrow quase 69 milhões de passageiros, mais que o dobro do que em Cumbica, e o aeroporto rendeu de lucros para seus concessionários (um consórcio de empresas do Canadá, Cingapura e Espanha) pouco mais que 1 bilhão de libras (R$ 2,7 bilhões, ao câmbio corrente).

- Vamos ser generosos e assumir que a operação no Brasil é espetacularmente lucrativa e promissora, e que Cumbica conseguirá entregar, na média dos 20 anos da concessão, lucros anuais iguais aos de Heathrow (só lembrando que a Infraero apurou lucros, em 2010 - último balanço disponível - de R$ 234 milhões). Ao pagamento de R$ 16,2 bilhões, devem ser somados investimentos previstos de R$ 4,6 bilhões até o fim da concessão, o que implicaria num desembolso total pelo comprador de R$ 20,8 bilhões. Numa dose extra de generosidade, não considerando os custos de oportunidade, o investimento se pagaria em pouco mais de 8 anos. Para tirar a generosidade, basta estimar um tamanho de Cumbica como proporção de Heathrow e isso afetaria o múltiplo de maneira linear (ou assim pode-se assumir, creio). Se considerarmos, por exemplo, que Cumbica vai continuar sendo meio Heathrow, o prazo para que o investimento se pague passa para 16 anos (amigos que trabalham com valuation, tentem conter a vontade de me espancar - como dito, são contas de padaria, só para uma avaliação superficial).

- Por esses múltiplos, eu diria que o governo fez um bom negócio com as vendas (ou pelo menos não vendeu a preços escandalosamente baixos). Ou melhor, teria feito se recebesse tudo em dinheiro do setor privado: no caso de Guarulhos, entre os compradores estão fundos de pensão estatais, que, em teoria, têm recursos próprios, mas certamente serão bancados pelo Tesouro caso tenham problemas de capitalização no futuro. Além disso, o BNDES pode financiar, com juros subsidiados, até 80% dos investimentos a serem feitos pelas concessionárias. Essa mistura de subsídios cruzados com risco moral torna a avaliação muito mais difícil, mas certamente menos favorável para o vendedor. Se o valor fosse efetivamente pago em moeda corrente e tivesse que bancar todos os investimentos, provavelmente o ágio não teria sido tão alto.

- Torço muito para que as concessionárias consigam lucrar e pagar seus acionistas e credores - até porque, caso isso não aconteça, a conta volta para o governo: ou na forma de calote nos empréstimos no BNDES, ou em mais subsídios para que a operação, que não pode parar, se sustente. Voa, Brasil.

P.S. Uma opinião mais embasada, da analista da Merril Lynch, que diz que "as ofertas não foram totalmente irrealistas, mas não deixam margem para erro".

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Leituras da Semana

- Stephen King, do HSBC, sobre metas de inflação e porque o Fed chega atrasado ao padrão: "Inflation today is determined increasingly by factors beyond an individual central bank’s control."

- A ética monogâmica e o espírito do capitalismo, ou porque a monogamia ajudou o comércio e o fluxo de ideias. Delfim Netto sobre classe média e sua relação com o desenvolvimento.

- Tal qual Roberto Jefferson para José Dirceu, John Taylor diz para a Grécia: sai daí, rápido!

- Niall Ferguson concede uma derrota para Paul Krugman na questão da sustentabilidade da dívida dos EUA.

- Porque recém formados querem trabalhar em investment banking.

- Moisés Naím sobre húbris e o Brasil em Davos.

- Luis Martins de Souza Dantas, um brasileiro que merecia ser mais conhecido.

- Harold Bloom já matou uma porção de coisas; aqui, uma lista.

- Fantástica série de fotografias sobre carvão. Quem acha que geração de energia nuclear tem que acabar deveria considerar que existe esse tipo de alternativa.

- Esqueça qualquer coisa lida sobre a crise européia, aqui está a explicação definitiva.

- 20 espetaculares livrarias mundo afora, a Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim aqui em SP entre elas.

- A irrelevância do Oscar - este ano realmente capricharam, com poucas chances de redenção na premiação.

- Domingo é dia de New England Patriots x New York Giants no Super Bowl. As apostas apontam para favoritismo dos Patriots, e isso pode ser ruim para os mercados (pode não ser, também - dããã). Os shows do intervalo classificados por nível de "macheza", o retorno de Ferris Bueller, uma conta que iguala o preço dos comerciais na TV ao PIB da Alemanha.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O negócio de gestão de dinheiro

Como se sabe, é das atividades com um dos maiores payoffs da nossa sociedade: para o gestor, o prejuízo é limitado a seu custo de oportunidade (quanto o mercado paga menos o que ele deixa de ganhar, se tiver desempenho ruim - há também um tema reputacional, não quantificável e muito discutível) e os ganhos são potencialmente enormes, com o uso implícito de alavancagem (o patrimônio para se montar uma gestora é, na maioria dos casos, muitas vezes menor do que os ativos administrados, sobre os quais são cobradas as taxas). Para Alice Schroeder, biógrafa de Warren Buffett, os dias de moleza estão acabando. Para Dogbert, continuam:


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capitalismo no pós-guerra, via desenhos animados

Estava zapeando na TV há uns dias e parei na Cartoon Network, que estava passando uma sequência dos fantásticos desenhos da Warner feitos nos anos de 1950 (Looney Tunes). Comecei a ver um chamado By Word of Mouse, de 1954 (o título em Português é totalmente diferente, não vou lembrar). Começa com uma família de ratinhos alemães reunidos em volta do pai (Hans), que conta, em flashback, da sua visita a um primo que mora nos EUA. Chegando lá, Hans se impressiona com a massa de consumidores e opções de compras e é levado pelo primo a uma universidade (Putnell University, não captei a referência), onde um professor-rato fala das vantagens da livre concorrência e do consumo em massa. O professor conclui: "All this raised our standard of living to the highest in the world!"



O cartoon é uma peça tão óbvia de propaganda capitalista do pós-guerra que fui pesquisar qual era a origem. Ocorre que By Word of Mouse é o primeiro de três episódios encomendados a Warner pela Alfred P. Sloan Foundation, do lendário ex-presidente da General Motors que a batizou com seu nome. Os seguintes estão no YouTube e têm páginas na Wikipedia, talvez por serem mais populares - têm como protagonistas os mais carismáticos Frajola [Sylvester] e Hortelino Troca-Letras [Elmer Fudd].

Heir-Conditioned (1955) - Frajola herda três milhões de dólares, e é assessorado pelo Hortelino, que defende o investimento em companhias que pagam bons dividendos, geram inovações e melhor padrão de vida.



Yankee Dood It (1956) - Hortelino é o líder de um grupo de duendes que decide convencer um sapateiro a abandonar o trabalho artesanal (que contava com ajuda dos duendes) e migrar para a manufatura.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Too Big To Fail", o Filme

Na preguiça de ler o livro, fui ver (com dois meses de atraso) o filme que a HBO produziu sobre Too Big To Fail, de Andrew Ross Sorkin, do New York Times. Acabei gostando, mais até do que do documentário Inside Job. O elenco é excelente (James Woods como Dick Fuld, William Hurt como Hank Paulson, Billy Crudrup como Tim Geithner e Paul Giamatti como Ben Bernanke, sendo que este entraria na estranha galeria criada por um amigo de atores que parecem mais com seus personagens do que os próprios personagens – Morgan Freeman como Nelson Mandela e Val Kilmer como Jim Morrison são os outros exemplos). Algumas notas aleatórias sobre o filme (e sobre a história, assumindo que o filme é fiel ao livro e que o livro é fiel à realidade)

- É quase inacreditável ver como Fuld não tinha idéia (ou fazia que não tinha) do tamanho do problema da Lehman. Em algum momento, achou-se que a divulgação de resultados bons em um trimestre iria parar a sangria nas ações da companhia. Claro que olha-se para trás com todo o benefício de saber o desfecho, mas nos é apresentado o principal executivo de um banco que simplesmente desconhecia que havia o risco de seu negócio ser varrido do mercado – sinal dos tempos: um CEO prudente teria sido demitido anos antes, por não lucrar como seus pares com o ciclo de alavancagem.

- Nos primeiros meses, havia a clara impressão de que a crise era localizada e poderia ser contida – algo como o que está acontecendo hoje na Europa.

- Notável também a tentativa dos “campeões do capitalismo” colocarem a culpa da crise na entidade “mercado”: o “mercado” empurra o preço das ações para níveis injustos, a culpa é dos “short sellers”, e por aí vai. Ninguém parece ter se perguntado que talvez, só talvez, os bancos tivessem exagerado na alavancagem e na tomada de risco e que isso estava sendo reconhecido, depois de anos de bonança e extrapolação de premissas irreais.

- O filme salva parcialmente a reputação de Hank Paulson, tido por alguns (ver o livro Capitalism 4.0, de Anatole Kaletsky, por exemplo) como “o” responsável pelo aprofundamento da crise, por deixar o Lehman Brothers ir à falência. Paulson é retratado como um cara aberto e conciliador, que de fato procurou, até o último momento, uma solução que não envolvesse transferência de dinheiro público para os bancos (qualquer nível de estatização parecia totalmente inaceitável). Para quem tem se perguntado por onde ele anda: no final de junho ele foi apontado como senior fellow da Harris School of Public Policy, da Universidade de Chicago.

- Falando no Paulson: alguém sabe se de fato aconteceu a cena em que ele se ajoelha aos pés da Nancy Pelosi, pedindo por um acordo no congresso para aprovação do TARP? E se ele tomou mesmo uma bronca da Christine Lagarde pelo telefone (como em Inside Job, os franceses aparecendo como bastiões de prudência na regulação bancária - creio que a história ainda vai resolver isso)?

- Tim Geithner, se corretamente representado é um cara muito, mas muito irritante: arrogante e cheio de idéias “brilhantes”. Se aconteceu, o episódio dele posando de mestre do universo, tentando organizar fusões entre bancos colocando o nome de cada um em fichas, espalhando-as sobre a mesa, montando os pares e ligando para os CEOs envolvidos é absolutamente patético.



Enfim, evidentemente não substitui a leitura (minhas dúvidas acima deixam isso claro), mas é uma boa diversão com alguma informação, vale fácil a hora e pouco gasta na frente da TV.

O site oficial do filme é este aqui; o MarketBeat, do WSJ, tem uma crítica.

sábado, 14 de maio de 2011

Descobertas do dia

A ignorância às vezes proporciona algumas epifanias:

1. Narayana Kocherlakota, presidente do Fed de Minneapolis, é um homem e;

2. Não tem cara de indiano (ainda que o sobrenome, me diz o Google, venha do sânscrito). Aqui tem mais sobre o cidadão, inclusive como pronunciar o nome.

O que importa, entretanto, é que Kocherlakota meteu-se a explicar a importância que o Fed tem atribuído ao comportamento dos preços de ativos (do WSJ):

“This recession and the relatively slow recovery we’ve gone through, a lot of it can be traced back to net worth,” Kocherlakota told reporters after a speech in New York Wednesday. “The fall in net worth is what drove us into recession” and “in those circumstances you can see why asset values, both for land and for stocks, are really going to be a central ingredient in the recovery process,” he said.
To ensure the recovery will take hold, it’s important for the Fed to help re-flate asset prices and given households and businesses a chance to rebuild and rebalance their respective financial positions, the official explained.
“In this kind of post financial crisis, post net worth driven recession, it makes sense to be thinking about asset value as a way to try to generate more stimulus than you do in a typical recession,” Kocherlakota said.


A idéia que quedas na riqueza levaram à recessão me parece, vamos dizer, vanguardista. Não há pelo menos uma inversão de casualidade aí? Outra observação derivada: preços de ativos costumam ser (ou costumavam, agora já não sei mais) a expectativa de um fundamento econômico (via fluxos de caixa ou animal spirits, para ficar em duas possíveis explicações). Na lógica de Kocherlakota (e, aparentemente, do resto do Fed) isso se inverteu. Na versão menos danosa, isso vai gerar material para milhares e milhares de páginas de teses marxistas sobre o fetiche da mercadoria nos nossos tempos. Sendo mais pessimista, está dado mais um sinal de que o sistema de preços de mercado vai seguir acumulando distorções. A triste e batida conclusão é que o capitalismo precisa ser salvo dos capitalistas.

P.S. Paul Krugman também tem problemas com Kocherlakota.

P.P.S. Isso é brilhante.

Update: este post originalmente é de quinta-feira (dia 12); fui consertar o tag e o Blogger republicou como se fosse novo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Resistência ao Capitalismo

Angeli, na Folha de hoje:

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Carlos Slim e Eike Batista não têm vez

Tio Patinhas volta ao topo da lista dos personagens de ficção mais ricos. Pensando bem, dependendo do critério, seu Eike também poderia concorrer nessa categoria.

terça-feira, 22 de março de 2011

Mais um para a lista de crimes do capitalismo

Da Reuters:

Chávez diz que capitalismo por ter acabado com a vida em Marte

Se fosse o bolivarianismo que tivesse passado por lá, certamente Marte seria o Éden que é a Venezuela de hoje em dia.

Dica do Osmar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Frase do dia - uma cutucada no liberalismo econômico

"The freest, most incentive-driven market economies in the world are not the United States or Hong Kong or even tax havens such as the Cayman Islands but failed states and gangster societies such as Somalia, Congo, and Afghanistan."

O editor do Times londrino Anatole Kaletsky, levantando um ponto elaborado pelo economista britânico John Kay, em seu novo livro Capitalism 4.0, que comecei a ler hoje (parece muito interessante, quando terminar, coloco uma resenha aqui).

Na foto, um lindo e liberal campo de papoulas no Afeganistão.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

75 anos do Monopoly

Este ano o Monopoly, que deu origem ao nosso Banco Imobiliário, completa 75 anos de seu lançamento pela Parker Brothers. No livro The Ascent of Money (lançado aqui como A Ascensão do Dinheiro), o historiador britânico Niall Ferguson usa a história do jogo para ilustrar como os anglo-saxões desenvolveram o culto de adquirir imóveis. Segundo Ferguson, a primeira versão do jogo foi criada em 1903 por Lizzie Phillips, e tinha a intenção de "mostrar a desigualdade de um sistema social no qual uma pequena minoria de donos de terra lucravam com os aluguéis recolhidos de seus inquilinos". Essa versão mostrou-se complexa demais para o gosto do público, mas foi simplificada por dois professores (um de Wharton, outro de Columbia) e transformada de vez em um produto comercial por um engenheiro chamado Charles Darrow, que vendeu o jogo para a Parker Brothers. Ao contrário do que imaginava Lizzie Philips, a moral do jogo transformou-se em "quanto mais você tem [propriedades], mas dinheiro você ganha", e isso ajudou a formar a noção na sociedade (fortemente abalada nos últimos anos) de que não há melhor investimento que imóveis.

No Brasil, a Estrela deteve por muitos anos o licenciamento do jogo em Português (com os clássicos endereços do Rio e São Paulo -- naquele tempo, a avenida Faria Lima valia muito menos que Morumbi). Em 2008, a Hasbro (da qual a Parker Brothers é subsidiária) decidiu se instalar no Brasil e lançar o jogo com seu nome original, enquanto a Estrela seguiu produzindo o Banco Imobiliário em diferentes versões (com cartão de crédito, versão "sustentável", etc), não sei se ainda pagando royalties para a Hasbro.

O tabuleiro aí do lado está numa galeria de 50 versões do jogo que o Damn Cool Pics fez.

P.S. O Banco Imobiliário é o tema de uma crônica genial do Pedro Ivo Resende (O Amigo Socialista), que escrevia, pelos idos de 2000, o Loser, primeiro blog que me lembro de acompanhar.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Frase(s) do dia - Jonathan Franzen

A Lituânia em questão é a do caos pós-comunista, que fique claro:

"Chip surpreendeu-se com as grandes semelhanças existentes entre a Lituânia do mercado negro e a América do mercado livre. Em ambos os países a riqueza estava concentrada nas mãos de poucos; desaparecera qualquer distinção significativa entre os setores público e privado; os capitães da indústria viviam numa ansiedade permanente, que os impelia a expandirem implacavelmente os seus impérios; os cidadãos comuns viviam no medo permanente de serem despedidos e na confusão permanente quanto a que poderoso interesse privado era dono de que ex-instituição pública em dado dia, e a economia era alimentada em grande parte pela insaciável avidez de luxo da fina flor."

Jonathan Franzen, escritor americano, no livraço As Correções, de 2001, que só descobri recentemente (e ainda não terminei de ler). A visão imperialista podia ser exagerada na época em que o livro foi escrito, mas desde então tem se provado assustadoramente correta.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Frase(s) do dia - a dança de Karl Marx

"Karl Marx is probably dancing somewhere. Because, in America right now, the government owns the automobile industry, the insurance industry, the mortgage industry and the banking industry. The government suddenly owns huge parts of the American economy - that's what Karl Marx said he wanted, and he didn't have to fire a shot."


Jim Rogers, no Sydney Morning Herald (via Jim Rogers Blog).

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ações do Citigroup, alguém?

O Tesouro americano começa hoje a vender suas 7,7 bilhões de ações do Citigroup, adquiridas durante a crise. A tarefa dos tecnocratas americanos é convencer o contribuinte que salvar o banco (sem sequer precisar trocar o presidente) foi um bom negócio, já que as ações devem ser vendidas a um preço maior que o de aquisição. Tim Geithner falou que o custo fiscal da crise será menor que o do resgate do equivalente americano das caixas (savings & loan), no início dos anos de 1990 (cerca de US$ 150 bilhões de dólares). E esse é o estado atual do capitalismo. Risco moral? Vai precisar ser redefinido.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vencedores e perdedores da crise

Matthew Lynn escreve na Bloomberg um texto interessante (embora com aquela visão americana que divide o mundo entre vencedores e perdedores) sobre o que emergiu da crise. Para ele, historiadores, hedge funds, a Alemanha, a direita e a frugalidade derrotaram, respectivamente, economistas, banqueiros, a Inglaterra, a esquerda e a extravagância.