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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Uma hipótese para ser testada na Europa: euro fraco

Com o pulo do gato morto da Espanha aparentemente não durando mais que um par de dias (o IBEX testa hoje novamente a mínima de 2009), me ocorre o seguinte:

A ideia (compartilhada com Hugh Hendry) é que o mapa da crise na Europa, em alguns aspectos, é idêntico ao dos EUA: muita alavancagem levando a problemas nos bancos, pacotes de salvação, juros mais baixos e liquidez abundante. Isso nos EUA implicou vários episódios de desvalorização do dólar, parte relevante contra o euro. Assumo que os EUA atualmente estão em condições de aceitar uma moeda mais forte, e que um enfraquecimento do euro seria muito conveniente para a Europa - provavelmente teria como causa uma grande intervenção do BCE (talvez corte de juros), pode gerar um pouco de inflação e ajudaria na competitividade da indústria e na tentativa de roubar alguns pontos de crescimento da Ásia. Parece, também, a linha de menor resistência (mais ainda em tempos de se empurrar problemas com a barriga): ainda que esteja longe de ser a solução preferida pelo Bundesbank, é mais justificável do que emissões de eurobonds ou ter que lidar com uma eventual dissolução da zona do euro nos próximos meses.

Num prazo mais curto: a Espanha vai ser forçada a salvar seus grandes bancos. Assumindo que o dinheiro vem do tesouro espanhol, este terá que emitir mais dívida, o que pioraria a situação já frágil do seu custo de financiamento. Para evitar mais deterioração, o BCE entraria comprando os títulos e forçando os juros para baixo. Isso também deveria contribuir para um euro mais fraco.

O problema de apostar no euro mais fraco é a companhia de quase todo o mercado. Há momentos, porém, em que a regra # 9 de Bob Farrell deve ser desafiada. A Argentina não deixou de calotar a dívida em 2001 porque muitos preços já refletiam isso, e há outros tantos exemplos na história. Um euro substancialmente mais fraco compraria um bom e valioso tempo para o continente (se ao longo dele os problemas vão ser resolvidos é uma história totalmente diferente), e parece ter chegado a hora desse preço ser pago.

P.S. A Grécia parece estar caminhando para novas eleições.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Índice de Preços da The Economist

Dia desses fui tomar um café no posto de gasolina aqui perto do escritório (isso é São Paulo - o posto é muito mais próximo do que qualquer café das imediações) e, entre as revistas, estava a venda a The Economist - a meros R$ 24,90. O preço de capa é tabelado no mundo todo, e, pelo menos no caso do Brasil, muito mais caro que a assinatura (que custa US$ 270 - ao câmbio atual, pouco mais de R$ 10 por edição). Tirei uma foto (porca) da tabela de preços (abaixo) e resolvi checar se, como vale para muitos outros produtos, a The Economist no Brasil é a mais cara do mundo. Calculei o preço em dólares para cada país e comparei com o preço da revista no Reino Unido - essa é a metodologia que a revista usa para o índice Big Mac, sendo o descolamento entre o preço do sanduíche em cada país e nos EUA uma medida de valorização do câmbio real. No caso da revista, esse indicador não tem tanto valor, já que (creio) a revista é impressa em poucos lugares, com custos de produção (entre insumos e mão de obra) que não variam de acordo com o país onde é vendida. De qualquer forma, os resultados são interessantes:



A tabela inclui só os países para onde a edição "latina" é distribuída - para completar, precisaria das edições distribuídas no resto do mundo (se alguém tiver esses dados e quiser me mandar, agradeço). Uma vez li que a estratégia de preços da The Economist leva em conta a renda dos países onde é distribuída (seria mais barata quanto mais pobre o país), mas isso não tem correspondência nos dados - ou talvez só tenha antes de incluídos os custos de distribuição. O fato é que a revista chega aqui muito cara, mas não só aqui. Que apareçam as teorias que expliquem esses preços (não consigo chegar a nenhuma simples e boa).

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Leituras da Semana

Pago dividendos em ouro, prata e bronze.
- Festival de horrores na Argentina: a Universidade Católica calcula que o governo subestima em 6 milhões o número de pobres no país. O câmbio paralelo já está em 5,20 pesos por dólar (18% de ágio contra o oficial). O índice Big Mac também é manipulado. Os inspetores de impostos estão usando cães para farejar dólares nos aeroportos, portos e rodoviárias. Pelo menos dona Kirchner ainda não vetou a exportação de Catena Malbec para o Brasil. Ainda.

- Análise interessante sobre uniões monetárias: uma união com países começados com "M" seria (em teoria) mais eficiente que o euro, e a América Latina seria uma boa candidata a adotar moeda única (o que dá alguma razão ao Paulo Guedes).

- O que o spread bancário no Brasil tem a ver com o preço de vergalhões de aço.

- Como era a economia de Cuba antes da revolução de 1959.

- As 20 maiores companhias privadas (não listadas em bolsa) dos EUA.

- Novo paper de Reinhart (os dois) & Rogoff, sobre excesso de dívida e como isso prejudica crescimento.

- Barry Eichengreen indica cinco livros sobre o euro.

- Dani Rodrik sobre o poder das ideias.

- Marcus Nunes sobre porque o Brasil não cresce.

- A Pizza Hut mais cara do mundo.

- Warren Buffett revelando uma atleta olímpica (!!!).

- Entrevista de Amartya Sen para a Veja.

- Amy Finkelstein ganhou a medalha John Bates Clark deste ano.

- Um caixa eletrônico em latim - no Vaticano, obviamente.

- Uma das versões (em pastel) de "O Grito", de Munch, foi leiloada ontem na Sotheby's de Nova York por US$ 120 milhões - maior valor obtido por um quadro em um leilão. Na The Economist, os quadros mais caros da história. Nada de crise nesse mercado.

- Hillary Clinton rejeitando um convite para participar da continuação de Forgetting Sarah Marshall.

- Robert Crumb antecipou o Facebook - em 40 anos.

- Os atletas mais bem pagos do mundo em 30 modalidades.

- Roger Ebert revê sua lista dos dez melhores filmes da história, incluindo Árvore da Vida, para alegria do meu amigo Batata.

- O curioso manual para os novos empregados da Valve, criadora de videogames.

- John Rawls argumenta porque beisebol é o melhor esporte.

- Os dez mandamentos do ensino, por Bertrand Russell.

- Se não quiser mais trabalhar em 2012...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Leituras da Semana

- Dois pesquisadores na Inglaterra reconstruíram o desempenho dos investimentos de Keynes - matéria no Wall Street Journal (de onde saiu o gráfico aí do lado); paper na SSRN.

- O mimimi dos traders de câmbio.

- Benjamin Graham e o primeiro hedge fund da história.

- A Petrobras só sobe o preço da gasolina se o petróleo voltar a US$ 130 / barril (e, suponho, ficar lá por alguns meses). Preços de gasolina ao redor do mundo.

- A ferramenta da Microsoft de busca acadêmica, que, entre outras coisas, traça ligações entre coautores.

- A pequena e irrelevante Harvard juntou-se à guerra contra as editoras que cobram por jornais científicos.

- As FGV de São Paulo e do Rio não concordam muito quanto a Argentina.

- Que ¢$Ħ%Φ*₪ acontece com a Argentina, por Acemoglu e Robinson.

- 11 supostas bolhas que flutuam a altura de nossos olhos.

- Notícia boa: para ser feliz, "bastam" US$ 50 mil por ano. Notícia ruim: isso é mais que o PIB per capita de todos os países do mundo, exceto os 20 mais ricos.

- O Brasil ficou em primeiro em um estudo com 28 países sobre educação financeira. Tanto tempo lidando com indexação e mudanças de regras amalucadas deve ter deixado algum legado.

- Lula encontra Eric Hobsbawm (via Mauricio Santoro).

- Uma história minimalista das Copas do Mundo.

- Quanto custaria a piscina de moedas de ouro do Tio Patinhas (recalcular corrigindo a premissa da onça de ouro a US$ 5 - o preço atual é 330 vezes maior).

- Uma câmera que fotografa descrições.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O índice de preços da balada

Cortesia do Deutsche Bank, o índice mede o preço de um fim de semana de esbórnia em várias cidades do mundo (mais aqui). Kuala Lumpur, Mumbai e São Francisco proporcionam as pândegas mais baratas; São Paulo é 12% mais cara que Nova York para esse propósito (e Sydney ridículos 83%).


P.S. Um fim de semana onde bebe-se apenas dois pints de cerveja não merece ser chamado de esbórnia, mas  vale a intenção.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Foto do Dia - Preços Relativos

Ontem, em Gelsenkirchen, jogaram o local Schalke 04 e o Athletic Bilbao, primeira perna das quartas-de-final da Liga Europa. O jogo de volta é semana que vem, em Bilbao, e a torcida do Schalke protestou contra os preços das entradas:


90 euros são mais ou menos R$ 220, ao câmbio de hoje. Para os jogos do Corinthians na primeira fase da Libertadores deste ano foram vendidos ingressos entre R$ 50 ("bilhete popular", para arquibancada e tobogã do Pacaembu) e R$ 500, sendo que o segundo setor mais barato já custava R$ 200. Escolha sua explicação:

1. A torcida do Corinthians é mais rica que a do Schalke. Ou, refinando: o Corinthians consegue ter parte da torcida com renda alta o bastante para encher o estádio mesmo a esses preços - seja porque de fato são mais ricos (e o ingresso compromete menos renda que para os alemães) ou porque estão dispostos a pagar mais por esse tipo de entretenimento.

2. Nem todo mundo paga o preço cheio do ingresso, seja por algum "esquema" ou porque as torcidas organizadas e o clube subsidiam parte do público.

3. O "homem cordial brasileiro" não reclama de preços que soariam como abusivos em outros lugares.

4. O real está supervalorizado e tudo vai se ajustar quando voltar à razão 3:1 contra o euro.

5. O escriba é uma besta e não está levando em conta que o cara que vai pagar 90 euros no ingresso ainda tem que somar todo o prejuízo de despencar 1500km de Gelsenkirchen até Bilbao.

Explicações mais criativas são benvindas nos comentários.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Leituras dos últimos dias

- Um passeio pelo escritório de Warren Buffett, em Omaha.

- Repressão financeira, passado e futuro.

- Um bom estudo do FT sobre o comportamento das moedas de países emergentes - China e Brasil lideram as valorizações.

- Como prevenir futuras crises, artigo novo de Nassim Taleb (em coautoria com George A. Martin, da Alternative Investment Analytics).

- Uma nova pesquisa da Colliers sobre preços de aluguel de escritórios. Rio é mais caro que City of London, Genebra, Cingapura...

- Lisístrata pós-moderna: prostitutas espanholas organizaram um boicote a funcionários de bancos.

- O mercado de cervejas artesanais nos EUA não tomou conhecimento da crise.

- Spiegel sobre a degradação de Atenas.

- A Argentina segue atacando os grandes culpados pela fuga de dólares do país, e resolveu dificultar a importação de livros (FT e Folha).

- Os espetaculares lucros do banco do grupo JBS.

- Entrevista (em Português) com James Robinson, coautor de Why Nations Fail (dica Leonardo Monasterio).

- A New Yorker mandou um enviado a Davos, que conta o que acontece por dentro do Fórum Econômico Mundial.

- Uma evidência de que a internet (ainda?) não corrigiu desigualdades.

- Gráfico interessante que a The Economist roubou do Banco Mundial, mostrando que apenas 13 países (de 101) conseguiram, desde 1960, sair da "middle income trap": Grécia, Coréia do Sul, Guiné Equatorial, Maurício, Taiwan, Portugal, Hong Kong, Cingapura, Espanha, Irlanda, Japão, Portugal e Espanha. A questão, pelo menos para os PIGS, é se haverá volta para a renda média.

- Um economista do Colorado College alega ter um modelo que prevê com mais de 90% de precisão o número de medalhas olímpicas de cada país - e diz que o Brasil, potência olímpica do futuro, leva as mesmas três medalhas de ouro de 2008.

- O escritor Teju Cole usa o gancho do vídeo Kony 2012 para dissertar sobre a África e o tratamento dado pelos EUA ao continente.

- Excelente matéria da CNN sobre a Mauritânia, onde pelo menos 10% da população ainda vive na escravidão.

- Os indicados deste ano para o Orwell Prize.

- A temperatura ideal para se usar uma banana para bater um prego.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Frases do dia - armas de fogo e primatas

"Muitas vezes, você tem que dar um tiro de carabina 12, e alguns estilhaços acabam se espalhando. Vamos achar soluções para isentar o setor genuinamente exportador."

Ministro Mantega, após anunciar um novo aumento de IOF para captações externas de empresas. Incrível como o trato da política econômica no Brasil adora violar o inestimável princípio KISS e sempre pende para a legislação bizantina e uma lista de exceções com bases em privilégios semi-arbitrários. Mesmo se um dia cair de volta o IOF, vai tentar tirar a "compensação" dada para o exportador...

terça-feira, 13 de março de 2012

Benvindos a 2007!

Alguns indicadores importantes estão de volta a preços de 5 anos atrás:

Petróleo (1º futuro NYMEX)
S&P 500
Ibovespa
Câmbio reais / dólar
VIX
Juros Pré 5 anos
Alguma coisa mudou, porém:

Índice de bancos americanos (S&P 500 Financials Index)
Índice de bancos europeus (STOXX 600 Banks)
Apple Inc

Ouro, US$ por Onça

O sábio e o Conselheiro Acácio diriam que a 2007 se seguiu 2008. Aguardemos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Previsões aleatórias para 2012

Vai chutar...
No mesmo estilo do ano passado, aí vão os meus palpites para o que acho que vai acontecer neste ano. Como bem disse ontem o Ultimi Barbarorum, entre os participantes de mercado hoje em dia falta confiança em qualquer coisa, especialmente neles próprios. Não tenho como discordar, já que 2011 foi uma tragédia (no índice de acerto, não no que diz respeito à remuneração dos chutadores) para a maioria dos que dependem de previsões e, neste ano, os preços de mercado previstos por qualquer cenário podem divergir significativamente caso aconteça alguma ruptura na Europa ou em algum outro canto do mundo (problemas na China, guerra no Irã, etc). E, claro, para quem prevê cenários de ruptura, a não concretização deles é garantia de um rótulo de Cassandra, pelo menos por algum tempo. Enfim, vou tentar me concentrar no que acho que vai acontecer, não dependendo de cisnes de qualquer plumagem:

- Juros reais no Brasil vão seguir caindo. Investir em NTN-Bs seguirá sendo uma boa opção, o retorno deve superar o CDI por mais um ano.

- Juros das Treasuries americanas também cairão, fazendo novas mínimas históricas.

- Juros de 10 anos dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Alemanha começam 2012 mais ou menos nos mesmos níveis (entre 1,9% e 2,0%). Acredito em algumas apostas de divergência, comprando EUA e Canadá e vendendo os outros dois.

- Política monetária segue frouxa no mundo todo. E tome QE3 nos EUA, QEn no Reino Unido, algo parecido na Europa...

- O real vai seguir se depreciando contra o dólar americano, assim como o rand sul-africano, a lira turca, o peso mexicano e o forint húngaro.

- Reservas internacionais brasileiras não chegam aos US$ 400 bilhões. Chance não desprezível de começarem a cair. Comprar CDS do Brasil e México a um prêmio de 160 b.p. (50 b.p. mais baixo que o da França) parece uma boa aposta assimétrica.

- Sigo comprando bancos americanos, vendendo bancos europeus (o short selling está banido na maioria dos mercados na Europa, mas há como montar proxies disso).

- Se o crescimento da China ameaçar ir abaixo do esperado, o banco central voltará a desvalorizar o yuan. Acho o payoff dessa aposta muito bom, mesmo num cenário de crescimento inalterado, já que a maioria do mundo acha que o yuan só deveria se valorizar. Outra aposta muito boa em moedas é comprar coroa dinamarquesa contra euro, favorita do Cerebelo Econômico.

- Preços de imóveis nos EUA já fizeram a mínima; o índice Case-Shiller deve voltar a subir. Em São Paulo e no Rio, creio que estamos perto de uma inflexão. No melhor dos casos, acredito em altas até 10%, e o custo de oportunidade começaria a pesar.

- Ações para vender: Linkedin, Zynga, Groupon, Facebook (depois do IPO). No geral, negócios que dependem de muita fé em crescimento de fluxos de caixa futuros não irão bem (Grupo X?). Vou seguir apostando contra a Apple porque errei no ano passado (péssimo motivo, mas aqui passa).

- Agências de classificação de risco vão continuar o mergulho na direção da irrelevância. Venderia ações da Moody's, por princípio. Possivelmente sofrerão ameaças ou represálias dos governos que tiverem suas notas rebaixadas.

- Será bom comprar ações no Brasil, mas num preço pelo menos 10% mais baixo do que estão começando o ano. Ainda assim, melhor fazer o mínimo de stock picking do que comprar o índice, temo muito pela combinação de commodities + empresas picaretas que o compõe hoje. Para pegar um caso, bancos grandes devem ir melhor do que o índice. Empresas "parceiras" do BNDES, pior.

- Não gosto de Vale, vai ser dos shorts mais líquidos disponíveis no mercado quando o mundo se der conta de que a China pode, surpresa, não crescer perto de 10% ano após ano.

- Bancos médios vão seguir indo mal no Brasil. O modelo de negócios da maioria deles (captar caro no exterior e emprestar ainda mais caro aqui) parece estar se esgotando. O FGC deve ter trabalho.

- Não tenho grandes convicções em commodities, mas se fosse pra comprar algo, seria petróleo.Agrícolas têm cara de que ainda podem cair muito.

- Creio que hedge funds terão outro ano para ser esquecido, com mercados de ações sem tendência e intervenções cada vez maiores dos governos.

- Ainda há alguma intenção de concluir a Rodada de Doha, da OMC? Se há, vai falhar.

- São Paulo vai eleger um prefeito de ruim a muito ruim.

- Metade das participantes do Big Brother farão capas da Playboy e/ou Sexy.

- Meryl Streep será, de novo, indicada para um Oscar (dããã).

- O Corinthians finalmente vence a Libertadores (PAREM DE RIR!). Lusa se segura na série A.

- Usain Bolt perde os 100m rasos, mas leva os 200m em Londres. Brasil fará novo fiasco, no futebol masculino e no geral.

- Os filmes argentinos continuarão (muito) melhores que os brasileiros.

- O megahit Ai Se Eu Te Pego será regravado em Espanhol, Italiano, Romeno, Swahili, Esperanto e Cantonês.

- O mundo não vai acabar em 21 de Dezembro. Lá pra Novembro eu publico a nova data.

- Vou errar mais previsões do que no ano passado.

O leitor mais atento vai notar que não fiz previsões para nenhuma das questões que realmente vão definir o ano: sobrevivência do euro, possibilidade de hard landing na China; eleições na França, EUA, Madagascar e outros países relevantes; ataques de Israel ao Irã; e por aí vai. Para alguns desses eventos, não tenho a menor ideia do desfecho (não que tenha muita para os previstos); para outros, creio que as probabilidades são balanceadas. Resta manter a humildade, apegar-se aos fatos e mudar a cabeça conforme eles aparecerem. Essa dica de investimento é mais valiosa que qualquer uma das barbaridades que listei acima.

Outras boas listas de (anti) previsões para o ano:

- Bristlemouth: 10 Stock Market Predictions for 2012

- Abnormal Returns: 5 reasons to ignore top 10 stock lists

- Saxo Bank: Outrageous Predictions 2012

- The Economist

- globo.com 2012

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gráfico do dia - em caso de acidente...

A Nomura estimou o valor das moedas nacionais da Europa caso o euro imploda (clique para aumentar):


Não parece bonito para os ativos da maioria dos países...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tentando entender a crise na Europa (parte 3)

Continuação da segunda parte.

6. Tudo isso observado, ainda acredito (com grande risco de me provar errado, claro) que os políticos alemães, com as opções que têm em mãos, acabarão deixando de lado a ortodoxia irrestrita do velho Bundesbank e aprovando um plano de monetização de dívida parecido com o que fizeram, sob o rótulo mais palatável de “afrouxamento quantitativo”, Japão, EUA e Reino Unido (a tentativa atual é de fazer isso via o fundo de establização, EFSF, mas creio que esse mecanismo, que envolve alavancagem e emissão de dívida continental, é complexo e pouco eficiente comparado ao que pode fazer um banco central em pouco tempo). Isso poderia levar de volta os juros dos países mais problemáticos (os PIIGS, todos negociando taxas acima de 6% para os títulos de dez anos) para níveis mais baixos e quebrar o ciclo vicioso que descrevi anteriormente. O primeiro efeito colateral, talvez não tão indesejado, seria alguma desvalorização no euro, nada que ponha a moeda em risco de colapso (a julgar pelos outros exemplos). Afastados os riscos de calotes e quebras generalizadas e com uma nova rodada de estímulo monetário, a Europa poderia voltar a pensar em seus problemas estruturais (ou mesmo tentar acreditar que o passar do tempo vai resolvê-los, como propôs o Kaletsky). Se isso acontecer, ficará em segundo plano outra pergunta extremamente relevante: qual o real custo de aumentar radicalmente a base monetária?

7. O velho Keynes, no clássico As Consequências Econômicas da Paz, escreveu (na tradução de Sérgio Bath para a edição da UnB):

Atribui-se a Lênin a declaração de que a melhor maneira de destruir o sistema capitalista é destruindo a moeda. Com um processo contínuo de inflação os governos podem confiscar uma parte importante da riqueza dos seus cidadãos, secreta e furtivamente. Com esse método eles não só confiscam, mas o fazem arbitrariamente; é um processo que empobrece a muitos mas na verdade enriquece uns poucos. Esse deslocamento arbitrário de riqueza fere não só a segurança mas a confiança na equidade da distribuição de renda. Aqueles a quem o sistema traz vantagens além do que merecem, e mesmo do que esperam ou desejam, passam a ser “aproveitadores” – objeto de ódio da burguesia, que a inflação empobreceu, não menos do que o proletariado. À medida que a inflação se desenvolve, e o valor da moeda flutua de mês a mês, as relações permanentes entre credores e devedores, fundamento do capitalismo, se desorganizam até quase perderem o sentido. E o proceso de aquisição de valor degenera em uma loteria de azar. 
Não há dúvida de que Lênin tinha razão. Não há meio mais seguro e mais sutil de subverter a base da sociedade do que corromper a sua moeda – processo que empenha todas as forças ocultas da economia na sua destruição, de modo tal que só uma pessoa em cada milhão consegue diagnosticar. 

A citação de Lênin é supostamente apócrifa (ver aqui), mas o restante é uma descrição quase profética do que ocorreria na Alemanha alguns anos depois (o livro é de 1919) e do que, supostamente, assusta tanto os alemães até hoje. O porém é que o mundo de hoje não tem a menor cara de inflacionário, com o crescimento rodando abaixo do potencial na maior parte dos países, uma massa enorme de desempregados e aparente excesso de capacidade instalada (além de muito mais estabilidade política do que no período entre guerras). Além disso, as últimas experiências de monetização de dívida (as três citadas acima) não desencadearam processos inflacionários (ainda, dirão alguns), negando a idéia que imprimir dinheiro é caminho certo para hiperinflação: parece ser, sim, um passo necessário, mas não suficiente.

8. O Japão é o caso mais antigo de aplicação de “afrouxamento quantitativo”, e talvez sirva como mapa do que pode ocorrer com o EUA, Reino Unido e Zona do Euro daqui para frente. O Banco do Japão pratica juros zero desde 1999 e anunciou pela primeira vez um programa de compra de títulos em 2001, tentando combater um cenário de risco de deflação que persiste até hoje. Desde o estouro da bolha de crédito (com reflexos no Nikkei e no mercado imobiliário), em 1990, o desempenho da economia e das empresas tem sido, no melhor dos casos, medíocre. Nesse tempo, a dívida bruta do país passou de 68% para 245% do PIB. Apesar disso, o Japão segue sendo rico (com desemprego baixo / alta renda per capita), e, paradoxalmente, os juros longos seguem em patamares muito baixos (menos de 1%, para títulos de 10 anos) e o iene bastante valorizado.

No caso japonês, o equilíbrio depende de uma grande capacidade de gerar superávits externos, que afasta qualquer possibilidade de crise cambial e seus efeitos (muito conhecidos por aqui). Além disso, é necessário que os poupadores japoneses mantenham o dinheiro no país, e que a sociedade tenha aprendido a viver com baixa mobilidade social e total simbiose entre empresas e bancos com o governo. Convém também não pensar muito no futuro, sobretudo nas próximas gerações. Não há a menor perspectiva de que a situação fiscal do país melhore ou que as empresas sejam capazes de voltar ao lucro, e os cidadãos parecem estar razoavelmente bem com isso.

 Sem pensar muito, dá para imaginar que esse modelo seria benvindo em muitos países da Europa: enriquecemos, tivemos poucos filhos e podemos nos dedicar a uma decadência lenta e razoavelmente opulenta. A Itália, por exemplo, tem uma demografia muito parecida com a do Japão: alta expectativa de vida (77 anos para homens, 83 para mulheres), baixa fertilidade (1,4 filho por mulher), população decrescente (deve cair até 2015) e envelhecida (idade média da população de 42 anos, só mais baixa no mundo que a do Japão). Diferenças regionais à parte, imagino que, se perguntado, o italiano médio escolheria “progredir de vez e virar japonês”, como já profetizava o Ultraje a Rigor. Entretanto, essa decisão não é possível, com a limitação evidente do país nas contas externas. A Itália tem conta corrente deficitária desde 1999, com tendência de mais deterioração. A garantia de moeda estável e pouco risco inflacionário, nessa situação, depende da permanência do país na Zona do Euro; uma nova lira (que equilibraria a conta corrente) provavelmente seria, periodicamente, desvalorizada e atacada, o que estragaria o sonho do dolce far niente.

O agregado dos países do euro não tem grandes problemas externos – a Alemanha e a Holanda, muito superavitárias, compensam os grandes déficits de Itália, Espanha e companhia, grosso modo (neste ano o déficit em conta corrente da zona do euro deve ser algo como 0,5% do PIB). Portanto, uma decisão eventual de monetizar dívida e chutar de vez a lata para longe (assumindo que em algum momento no futuro a monetização implicará em custos) teria que ser algo coordenado, com uma conciliação de interesses – os países “ricos” se convencendo de que vale a pena financiar a unidade do continente (pelo menos durante o tempo para as economias mais frágeis se reerguerem e desmontarem a rede de privilégios que quebrou os respectivos tesouros nacionais). Curiosamente esse é o mesmo tipo de pensamento que levou, em outras circunstâncias, à criação da União Européia; seria uma questão de pensar se, após o ocorrido nas últimas décadas, ainda deve-se atribuir um valor alto à estabilidade. A partir daí, a nova questão a ser respondida é quanto isso custará para o crescimento futuro do continente, ou o quanto é possível aceitar a idéia que crescimento pode deixar de ser, por um bom tempo, a grande prioridade de política econômica (e se é possível promover alguma justiça social sem crescimento). Essa, porém, não vou me arriscar a responder, por enquanto (até porque este texto já está muito maior do que o razoável).

O grande condicional para esse item todo é realmente ainda estarmos longe do fim de um longo período deflacionário. Se, por qualquer motivo (há vários bons no ar), a inflação voltar no mundo desenvolvido, a agonia dos credores deixa de ser diluída por muitos anos e passa a ser urgente, e os bancos centrais e governos terão um grande fator adicional de preocupação. Não seria bonito, definitivamente.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Paridade do poder de compra, edição natalina

Supermercado em Washington, DC (obrigado ao Fabrício T. pela foto):


US$ 6,99 * 1,755 = R$ 12,27

No Pão de Açúcar:


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Gráfico do dia - Uma moeda, dezesseis juros

Há não muito tempo, o mercado chegou a acreditar que era quase indiferente carregar dívida da Grécia ou da Holanda, já que, no vencimento, ambos os tesouros nacionais retornariam o principal para o investidor em euros, com baixo risco de calote. Hoje o consenso é que há um risco grande de, em muitos casos, o principal não ser devolvido na totalidade ou ser pago nas antigas moedas nacionais, e isso se reflete nos juros pagos pelos títulos da dívida. A era do fim do risco soberano durou pouco: atualmente, na mesma moeda, você pode receber 1.8% ao ano confiando na solidez da Alemanha ou levar 28.4% ao ano em possíveis dracmas futuras.

É interessante ver que os títulos emitidos pelo fundo de estabilização (EFSF) encontraram mercado a taxas acima das de diversos membros do euro. E que os juros pagos pela França, após a forte alta de hoje (0.27 p.b.), operam a uma taxa quase duas vezes maior que a da Alemanha. Claramente alguns AAA são mais AAA que os outros.


Os dados são da Bloomberg. Chipre e Estônia também fazem parte da zona do euro, mas não têm títulos com negociação relevante no mercado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Gráfico do dia - minério de ferro, soja, real

Ideologias à parte, qualquer história econômica dos anos do PT no poder deveria começar com um gráfico desse tipo. Impressionante também ver que as exportações de soja e minério neste ano, supostamente "ruim", serão uns 50% maiores do que no ano passado - Deus continua sendo brasileiro.


O gráfico é da extensa matéria da última The Economist sobre o petróleo no Brasil, vale a leitura.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Leituras do Halloween (ou do Dia do Saci, como preferirem)

- John Cassidy pergunta: onde está um novo Keynes e grandes novas ideias na economia?

- As cartas de Keynes para Franklin Roosevelt, revisitadas.

- A adoção de metas para o PIB nominal nos EUA ganha uma aliada de peso: Christina Romer (via Iconoclastas). Gavyn Davies comenta.

- Economia e seu principal inimigo, o espelho.

- Gavyn Davies fala sobre os problemas do plano de resgate europeu.

- Somos todos gregos: o tradicional pessimismo do Société Générale.

- A Argentina volta a alimentar o mercado negro de câmbio.

- Quase uma hora de Hugh Hendry.

- Os 10 melhores blogs sobre desenvolvimento, pela Vodafone Foundation.

- A economia dos blogs econômicos.

- As sete cidades que mais crescem no mundo, com algumas surpresas.

- Mark Thoma indica cinco livros de econometria.

- Art Spiegelman explica porque desenhou os judeus como ratos no clássico Maus.

Gráfico do dia - Ponte Aérea

Os brasileiros, esses milionários, pagam mais caro, pra variar um pouco.


Mais no Valor. Não sei porque não entrou no mapa, mas o shuttle Nova York - Boston custa algo como US$ 120, segundo o Kayak.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Descoberta aleatória e inútil do dia

A moeda da Mongólia, o tögrög, tem um símbolo próprio, tal qual a libra esterlina ou o iene:



P.S. A Mongólia deve apresentar, em 2011, o terceiro maior crescimento do mundo. Mais aqui.

Leituras atrasadas

O que consegui aproveitar desses dias de molho:

- Gráfico do dia 1: dez anos depois... câncer x terrorismo nos EUA.

- Gráfico do dia 2: uma galeria do Spiegel com vários dados interessantes sobre a crise de dívida global.

- Gráfico do dia 3: os pesos dos setores no S&P500 ao longo da história.

- Gráfico do dia 4: a alavancagem dos bancos. Em outras palavras, um writedown de 10% dos ativos levaria todos da amostra à falência.

- Frase do dia: Paul Krugman sobre jornais acadêmicos.

- O Irineu de Carvalho Filho mostra como as moedas mais frágeis na crise de 2008 seguem frágeis.

- O Fabio Kanczuk explica a alavancagem do Fundo de Estabilização Europeu. A imprensa alemã acha um absurdo.

- Um plano para a saída ordenada de países da zona do euro pode valer US$ 390 mil.

- John Kay sobre como anda a ciência econômica.

- Mais um contraponto para a festa do Nobel de Sargent & Sims.

- Mais um motivo para não dar a mínima atenção para manchetes que "explicam" os movimentos do mercado.

- A Grécia deve até para... Usain Bolt!

- Os maiores salários de chefes de estado. Por aqui, a presidenta recebe pouco mais de US$ 200 mil por ano.

- Um bom resumo do novo livro do Steven Pinker, sobre a queda na violência no mundo.

- A incrível história das medalhas do prêmio Nobel dissolvidas.

- Uma carta de tiete: de um tal Sonny Rollins para Coleman Hawkins.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Yes, nós temos bananas...

... mas é mais barato comprar em Nova York - como quase tudo, as exceções hoje em dia são raras (a única óbvia que me vem à mente é cigarros).

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