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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Leituras do feriado chuvoso

- Um debate entre Paul Krugman e Lawrence Summers. O curso que Summers deu em Harvard sobre a crise, no início do ano.

- Nomura sobre a supreendente melhora da balança comercial brasileira neste ano.

- Warren Buffett gosta de companhias antigas (muito antigas, na maioria dos casos).

- A nova carta do Núcleo de Real Estate da Poli, comparando os índices do mercado brasileiro com o Case-Shiller.

- O especial da The Economist sobre petróleo no Brasil.

- A Marfrig, um dos brilhantes investimentos do BNDES, perdeu R$ 540 milhões no terceiro trimestre. A ajuda para Eike Batista reerguer o Hotel Glória.

- Mais na discussão sobre metas para o PIB nominal.

- Dani Rodrik, que passou rapidamente por aqui: "Being in Brazil made me realize there are few countries left now that are consolidated democracies AND have sustainable public finances."


- Itália x EUA, onde você colocaria seu dinheiro (por um banco italiano)?

- Os empregos dos sonhos dos jovens americanos. Parece que o mercado financeiro está perdendo o sex appeal.

- Scott Locklin sobre o ilustre desconhecido (pelo menos para mim) Eudoxo de Cnido.

- O Maurício Santoro encarou o livro de Henry Kissinger sobre a China.

- Novas fronteiras da educação no Brasil: o curso de flanelinha.

- Os livros fundamentais da Sociologia.

- A perturbadora capa da primeira Newsweek, de 1933.

- Brian Eno sobre instrumentos musicais.

- 3eanuts, o desespero existencial nas tiras da turma do Charlie Brown.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ocupando Wall Street, versão didática

John Paulson e Goldman Sachs, acho que é com vocês. Via The Big Picture.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Netflix em queda livre

Parece estar terminando um dos casos de amor mais interessantes dos últimos tempos (nas finanças corporativas, evidentemente): do mercado de ações com a Netflix. A empresa perdeu mais da metade do valor de mercado em um mês, como consequência, em teoria, de uma radical reestruturação de suas atividades (há quem vá dizer que a queda coincide com o anúncio das operações no Brasil e restante da América Latina). Talvez seja um passo para trás para, no futuro, alguns à frente; por enquanto, é uma espetacular destruição de valor.

Mais no Washington Post.


P.S. Quando citei aqui a Netflix como um exemplo de destruição criativa, as ações operavam a US$ 156, máxima histórica. Esse preço beirou os US$ 300 antes do mergulho das últimas semanas. Talvez aquele preço ainda seja espetacular, e estejamos presenciando a correção de mais um de tantos exageros do mercado (início de um estouro da mais recente "bolha" de tecnologia?).

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O fim da era do petróleo?

A Arábia Saudita anunciou hoje que vai construir um novo edifício mais alto do mundo, em Jeddah. Ainda não se sabe a altura exata, mas o prédio será pelo menos 173 metros mais alto do que o Burj Khalifa, de Dubai, e deve passar dos 1000 metros. A sina dos construtores dos edifícios mais altos do mundo é contada aqui; já tinha falado do tema quando o Burj Khalifa ficou pronto.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Leituras pra terminar a semana

Para honrar o dia da semana, mais banalidades do que o usual:

- O tamanho (literal) das dívidas americanas.

- Uma boa análise da proposta de reestruturação da dívida da Grécia.

- O "bolhômetro" de tecnologia chega no nívei seis (de dez) - obrigado, Soneca.

- Um programa da Bloomberg sobre Michael Burry, um dos personagens de The Big Short

- A Apple entre os países do mundo.

- Agnes, Dieter e os Papadopoulos, uma fábula de famílias européias - bastante simplista, mas serve para ilustrar parte do espírito.

- Pocalia! Os chineses estão pirateando Apple Stores inteiras.

- Mapas do Brasil distorcidos por vários parâmetros econômicos / sociais - obrigado, Balu (crédito devido: os mapas são do Daniel Bronfen).

- Scott Adams (o pai do Dilbert) sobre confirmation bias: "In a world of 24-hour news, non-stop punditry, and the Internet, my hypothesis is that confirmation bias has moved to critical levels."

- Isso aqui oô, é um pouquinho da Rússia, iaiá (ou, como diria o Tyler Cowen, the culture that is Russia): o país finalmente passará a classificar cerveja como bebida alcoólica (até esta semana, bebidas com menos de 10% de teor alcoólico eram "foodstuff"). E começa a campanha para a volta de Putin à presidência no ano que vem, com um concurso que dará um iPad para que as moças arranquem as roupas pelo czar. Bônus: This Is Russia, propaganda à parte (valeu, Luiz).

- Uma fantástica animação com algumas capas de discos da Blue Note.

P.S. Tem uma entrevista muito boa do Barry Eichengreen no caderno de fim de semana no Valor, vale procurar.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mais pitacos sobre a bolha imobiliária brasileira

Virou moda tentar antecipar bolhas. No caso do Brasil, muita gente tem dito que estamos vivendo em uma bolha de crédito (aqui) e uma bolha de preço de imóveis, sobretudo em São Paulo e no Rio - o exemplo dos apartamentos no Leblon a R$ 35 mil por metro quadrado é onipresente. Eu já escrevi algumas vezes sobre o tema; como a discussão anda cada vez mais quente, aí vai um sumário do que penso:

1. Para ser sucinto (e arrogante, alguns dirão): a simples presença do tema na mídia enfraquece muito a possibilidade de haver uma bolha, pelo menos em proporção catastrófica (variação da Bob Farrell rule # 9). Grandes bolhas dependem de um convencimento amplo dos participantes do mercado, do tipo: "preços de imóveis nunca vão cair", "empresas de tecnologia são a nova economia", "comprar tulipas é o caminho para a riqueza", e por aí vai. As manchetes quase diárias nos jornais, revistas e portais de internet, além de refletirem o "social mood", fazem o papel de alertar os incautos que, em outra situação, poderiam alimentar a bolha.

2. A gestora de investimentos GMO, de Boston, se especializou, ao longo de anos, no estudo de bolhas. A definição que eles usam é bastante simples: grosso modo, um determinado ativo está em bolha se seu preço real estiver acima de dois desvios-padrão de uma tendência de longo prazo. É praticamente impossível conduzir um estudo desse tipo para o Brasil, já que os dados históricos de preços de imóveis são precários e os anos de hiperinflação e indexação complicam qualquer normalização de preços. Além disso, como a taxa real de juros é muito alta, creio que a melhor comparação, para ativos, seria contra o custo de oportunidade, o nosso infame e quase imbatível CDI. Neste post eu peguei o caso de um amigo que comprou um apartamento no começo da década: a valorização parecia espetacular, mas, ainda assim, o dinheiro teria rendido mais simplesmente aplicado no overnight. É claro que a alta do preço dos imóveis foi mais acelerada nos últimos anos, mas, por enquanto, parece mais uma correção (talvez um pouco exagerada) de preços deprimidos por muito tempo. Quem acertou bem o timing pode ter ganhado alguma coisa, mas enquanto os juros por aqui andarem nos patamares atuais, sigo dizendo para quem quer que pergunte que comprar imóvel não é uma decisão que faz sentido, de um ponto de vista exclusivamente financeiro. Quando os juros caírem, conversamos novamente.

[É também maluco pensar o quanto as taxas de retorno no Brasil, quando compostas por um período razoável - cinco anos, digamos - precisam ser fabulosas para compensar o custo de oportunidade, mas isso é outra história.]

3. Há pouco mais de um ano, apliquei para o Brasil um checklist que Edward Chancellor, também da GMO, criou para verificar a formação de uma grande bolha na China. Dos dez itens, o Brasil confirmava oito. Desde então, o regime de câmbio continuou flutuante, mas, creio, a taxa de retorno dos novos investimentos só piorou, com os juros básicos subindo. Na época, eu achava que o Brasil tinha mais cara de bolha, com capa da The Economist com o Cristo Redentor decolando e tudo mais. Hoje, pelo menos o mercado de ações parece mais realista (a matéria de Capa do Valor de hoje, por exemplo, destaca as ações da Petrobras operando abaixo do valor patrimonial), mas ainda assim acho que o país não tem projetos bons o bastante para remunerar decentemente todos os investimentos privados que tem sido feitos - mais ainda para os passivos em moeda estrangeira, contratados a um câmbio que parece supervalorizado.

4. Uma das vantagens do atraso do Brasil no desenvolvimento de produtos financeiros, combinado com os juros altos, é que aqui não tem CDO, mortgage equity withdrawal, refinanciamento de hipoteca, etc, etc, etc... A possibilidade de alavancagem é bem menor do que nos mercados desenvolvidos.

Resumindo isso tudo: não acho que estamos vivendo uma bolha imobiliária, pelo menos não de forma generalizada, como vimos em boa parte do mundo. Dos preços altos, alguns vão se confirmar (terrenos na orla do Rio são de fato escassos, assim como prédios em Manhattan e Hong Kong, casas de frente pro mar em Capri, etc.), outros serão corrigidos, mas não acho que isso vá enfiar a economia num buraco. O grande ajuste de preços no Brasil vai acontecer quando o câmbio devolver a sobrevalorização, mas já cansei de errar o timing disso (coloquei dinheiro em um fundo cambial no início do ano, por exemplo) para minha opinião valer alguma coisa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Leituras do 235º aniversário dos EUA

Aproveitemos a paradeira nos mercados para colocar as leituras em dia:

- Festival de notícias e análises sobre o Brasil mundo afora: Roger Cohen, do NYT, evoca a clássica frase de Tom Jobim (O Brasil não é para amadores) para ressuscitar o termo "convergência"; a Bloomberg fala sobre a morte de Itamar Franco; o Wells Fargo contribui para a discussão sobre o nosso câmbio; a BBC discute as possíveis bolhas do país; a Economist opina sobre a briga pelo varejo e, gran finale, um paper do Fed estuda nosso sistema de depósitos compulsórios e seu papel durante a crise, abrindo com uma citação do nosso fiel timoneiro nesse mar de instabilidade.

- George Soros, Niall Ferguson, Paul Krugman, Nouriel Roubini & cia discutem a crise (NY Review of Books).

- O Lauro Martins testa a teoria da normalidade dos retornos para o Ibovespa.

- Um novo blog sobre a América Latina, vista dos EUA (dica do IKN).

- Mais um artigo de Barry Eichengreen sobre o fim do dólar. Para os mais práticos, ele acha que a moeda americana ainda deve perder mais 20%.

- Uma entrevista curtinha com Hugh Hendry. O YouTube não está funcionando hoje no meu Chrome, alguém com o mesmo problema?

- 10 curiosidades da teoria econômica.

- As 14 maiores ideias do ano, até agora (The Atlantic).

- 2000 anos de história da Europa, em mapas (dica da Aline).

- Aberta a temporada de apostas para o Nobel de Literatura (via Marginal Revolution).

- Sobre o Google+.

- Rudresh Mahantappa é o melhor saxofonista (alto) do ano. Eu já sabia :-P

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Leituras da segunda-feira - bolhas, Suécia, vacas...

- A dificuldade de se identificar bolhas antes do estouro: a Slate fala sobre a "hindsight fallacy"; Ezra Klein, do Washington Post, aplica um raciocínio parecido para criticar o Inside Job.

- Um perfil de Peter Thiel, fundador do PayPal, um dos primeiros investidores no Facebook e um desastre como gestor de fundos (Forbes).

- Porque companhias aéreas sempre perdem dinheiro (Freakonomics).

- Câmbio no Brasil, 2002-2010. Dica do Leonardo Monasterio.

- Cinco lições de gestão de crise econômica da Suécia (Washington Post).

- Novo livro de Michael Lewis, sobre suas viagens para países em crise, anunciado para outubro (The Big Picture).

- Chris Blattman indica leituras não óbvias sobre desenvolvimento.

- O Oriente Médio, explicado pela famosa piada das duas vacas. Por aqui, a minha favorita é a versão Eike Batista - Você não tem nenhuma vaca. Vende para um fundo de pensão americano 30% da Centennial Cow LLC por US$1 bilhão de dólares, e compra 1 milhão de vacas por R$ 1.000 reais cada. Você contrata a melhor equipe de engenharia genética do país por US$ 5 milhões de dólares por ano, e estima que os netos das vacas valerão R$ 80.000 cada. Faz um business plan no melhor Power Point e vende 20% da COWX no maior IPO da história, por US$ 10 bilhões. No final você tem 56% da COWX, empresa que vale R$ 80 bilhões na Bovespa, já com a promessa de liderar a consolidação do mercado global de carne. Aparece entre os top 50 da Fortune e avisa Bill Gates que está chegando! (Foreign Policy).

terça-feira, 21 de junho de 2011

O termômetro da nova bolha de tecnologia

Acho que desta vez não vamos chegar no nível 10, mas vai ser interessante observar até que ponto a história vai se repetir.


Via Broadstuff. obrigado ao Soneca pela dica do site.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Leituras da quinta-feira

- Brad DeLong x Jim Grant, sobre a necessidade do QE3.

- Sobre o dólar: Barry Eichengreen e uma das poucas (e boas) mulheres da indústria de fundos, Renée Haugerud.

- A única agência de classificação de risco que deveria ser respeitada sobre a Grécia (Zero Hedge).

- A pipa do vovô não sobe mais? As ações da Berkshire Hathaway parecem baratas (WSJ).

- Uma bolha da qual você provavelmente não ouviu falar: revistas em quadrinhos, em 1993.

- O verdadeiro código de vestimenta de Wall Street (The Reformed Broker).

- Os 100 melhores livros de não-ficção (The Guardian).

- Personagens históricos em encontros inusitados. O Putin de turista está ótimo.

- O (novo) melhor paper do ano: traumatismos cranianos nas histórias do Asterix. Trecho: "The largest group of head-injured characters was constituted by Romans (63.9%), while Gauls caused nearly 90% of the TBIs. A helmet had been worn by 70.5% of victims but had been lost in the vast majority of cases (87.7%). In 83% of cases, TBIs were caused under the influence of a doping agent called “the magic potion”. Genial.

- Cheques artísticos, como este:

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Leituras da Segunda-Feira

Hoje, me informa a Wikipedia, é dia da Segunda Defenestração de Praga. Alguns links jogados pela janela, em comemoração:

- Uma boa entrevista com Jim Grant, que tem defendido a volta do padrão-ouro (Associated Press). Salvos os títulos da dívida brasileira, concordo com a afirmação: "The trouble with the present is that nothing is actually cheap."

- Dois papers que achei interessantes, da última leva do NBER: um sobre o quão universal é o acesso à saúde pública no Brasil (pouco, como qualquer brasileiro deve desconfiar) e alguns padrões empíricos de moedas de países emergentes.

- O Financial Times não tira os olhos da suposta bolha imobiliária brasileira. Esse é o assunto que mais tem gerado comentários neste espaço, devo voltar a ele em breve.

- Centenas de livros sobre mercados e trading, para download (legalidade questionável).

- Christine Lagarde é a favorita para a sucessão do FMI, dizem os mercados (Intrade).

- Jason Zweig, do Wall Street Journal, indica cinco livros sobre finanças pessoais.

- Longa matéria sobre Edward Tufte, o "Leonardo da Vinci da apresentação de dados". O cara é tão unanimidade que dá para desconfiar, mas eu não consigo deixar de achar que o The Visual Display of Quantitative Information deveria ser leitura obrigatória para qualquer um que lida com apresentação de dados. (The Washington Monthly).

- O Aid Watch acabou, depois de grandes serviços prestados ao debate sobre desenvolvimento.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nova Bolha de Tecnologia x Consenso

Está na capa da última The Economist. Está na capa do caderno de negócios da Folha de hoje (citando o IPO do LinkedIn). Todo mundo acha que uma nova bolha de tecnologia está para estourar. Vai acontecer?

"When all the experts and forecasts agree -- something else is going to happen". Número 9 das famosas regras para investir do lendário Bob Farrell.

Update: as ações do LinkedIn estrearam hoje em Nova York - enquanto escrevo, sobem 93.9%. Benvindos a 1999.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Leituras do dia da república do Paquistão

- O indicador contrário de capa de revista aponta para um mercado em alta. (The Art of Contrarian Trading)

- Robert Shiller acha que há uma bolha inflando no mercado de terra nos EUA e no Reino Unido. (Project Syndicate)

- Por que a Finlândia é tão rica? (Marginal Revolution)

- Entrevista com Hans Rosling. (Think Quarterly)

- Uma arma que custa mais que a Austrália (?!?): a indústria de defesa nos EUA segue exuberante em meio à austeridade geral. (The Atlantic)

- Robert Skidelsky critica a nova série de TV de Niall Ferguson. (Project Syndicate)

- A cultura da indexação de preços no Brasil tem um passado brilhante e um futuro promissor. (Folha)

- Revolução científica: apertar botão do andar insistentemente não acelera elevador. (Sensacionalista)

- Muita elegância e sutileza nas 10 maiores pérolas do cinema nacional (YouTube)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Leituras da segunda-feira

- Hugh Hendry acha que o mercado está precificando um cenário muito otimista para a economia (Investment Week).

- O Brasil descobre a especulação imobiliária (Paul Kedrosky). E o aluguel de escritórios no Rio já está mais caro do que em Manhattan (FT).

- A nova versão do Monopoly, agora controlada por um computador central. Acabou a disputa para ser o "banco" e, digamos, obter privilégios. Deve ter acabado metade da diversão, também. (NYT).

- O gênio incompreendido Luis Nassif: "...quanto maior o corte fiscal, maior será o espaço para aumentar os juros.". Ouch. (Leonardo Monasterio).

- 45 jeitos de morrer, por Mario (Damn Cool Pics).

- Frase do dia: "IPCA mais 10% é de graça. O banco tem me rendido 30% ao ano." Ivo Lodo, do banco BVA, no Valor. Sim, o juro no Brasil só é alto para os tontos que não enxergam oportunidades tão espetaculares no mercado.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bolha do dia - algodão

Preço do algodão futuro em Nova York (US$ cents / libra):


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Quanto vale o Facebook?

US$ 50 bilhões, pelo último aporte feito pela Goldman Sachs e o grupo russo DST (mais na The Economist). Fiz uma comparação desse valor com o valor de mercado de algumas companhias do mundo real (outra curiosidade: US$ 50 bilhões é um ano de PIB da Costa Rica):



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Minhas previsões para 2011

Quem acompanha o blog sabe o quanto eu sou crítico de previsões (concordo com o Yogi Berra: "It's tough to make predictions, especially about the future."), mais ainda das que envolvem números, mais ainda se esses números tiverem alguma casa depois da vírgula. Para o meu trabalho, porém, fazer previsões é um exercício quase necessário, sempre sabendo que os fatos devem mudar as opiniões e que meus clientes não me pagam para eu estar certo. Aí vão algumas coisas que acho que vão acontecer durante 2011, que podem ou não ter algum valor para quem opera no mercado financeiro:

- Os juros longos no Brasil vão continuar caindo, possivelmente para os níveis mais baixos da história.

- A inflação no Brasil será mais baixa do que o mercado prevê.

- Mais algum banco médio brasileiro vai ter problemas com a carteira de crédito.

- As ações de bancos na Europa vão seguir caindo. Possivelmente alguns bancos grandes serão nacionalizados ou receberão ajuda dos governos.

- A União Européia vai garantir a dívida de todos os seus membros. Dessa forma, o esfacelamento do euro que eu achava que ia ocorrer vai ser adiado, até que algum país não aguente mais conviver com uma moeda valorizada.

- O Brasil vai começar a ter problemas com financiamento externo. O real vai se desvalorizar. As reservas internacionais vão parar de crescer.

- A bolha do ouro e da prata vai estourar; o preço de ambos cairá pelo menos 20%.

- Vender volatilidade nos picos vai novamente ser uma estratégia ganhadora. O mercado caminha para cada vez mais preços controlados.

- A carteira de crédito do BNDES vai começar a ter problemas. Talvez demore mais do que um ano, mas a JBS não vai se aguentar.

- Não terminarão o ano acima dos preços máximos deste ano as ações de: Apple, Netflix, bancos brasileiros, índice do México, índice da Alemanha. E, sinto informar, o Facebook não vale US$ 40 bilhões.

- Preços de imóveis em São Paulo e Rio de Janeiro vão seguir altos (e, possivelmente, subindo).

- Eike Batista vai seguir vendendo promessas. Guido Mantega vai continuar falando asneiras. Ben Bernanke vai seguir imprimindo. Eu vou seguir reclamando.

- Vai ficar cada vez mais claro o quanto Lula foi sortudo. E a culpa vai ser colocada em dona Dilma. É do jogo...

- Vou errar pelo menos metade das previsões acima. Espero não perder leitores por isso. Saravá!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Leituras do dia (mais um chuvoso em SP)

Como previsto, está difícil produzir conteúdo original este mês:

- Os brasileiros estão consumindo mais cerveja e menos arroz e feijão, diz o IBGE (UOL).

- "Latvia slashed state salaries by 35% and the number of public agencies by half. It also closed half of its excessive number of hospitals and sacked superfluous teachers, of which there was one for every six children before the crisis." Ouch. Anders Åslund fala sobre como o ajuste nominal na Europa tem sido bem melhor sucedido do que se esperava (Project Syndicate).

- O Twitter "vale" US$ 3,7 bilhões (Bloomberg). Vem aí a bolha da Internet 2.0.

- Como escrever o obituário do euro (The Telegraph).

- Conheça Hawa Abdi, "metade Madre Teresa, metade Rambo" (Nicholas D. Kristof para o NY Times).

- O tesouro espanhol descansa, após um ano não exatamente fácil (Bloomberg).

- Leite humano à venda. Vestido de carne. Megalagosta. A democratização da macroeconomia. As ideias de 2010, pelo NY Times.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

As consequências econômicas de mr. Blatter

1. Os cleptocratas russos vão ter mais um canal (dos grandes) para lavar dinheiro;

2. Um território mais de dez vezes menor que a pacífica e minúscula cidade de Heliodora-MG, perto de onde meu pai nasceu, de pouco mais da metade do tamanho de Sergipe vai construir nove estádios (além dos outros três que já existem e serão reformados / ampliados) e estrutura hoteleira para receber uma Copa do Mundo. Vem aí mais uma bolha de construção civil e um desperdício de capital de grandes proporções (no relativo ao tamanho da economia, talvez o maior da história). Vai ser interessante também ver o que a FIFA vai fazer com os patrocínios de fabricantes de cerveja e se as tradicionais musas da Copa serão convidadas a colocar um lencinho na cabeça e uma blusa de manga comprida antes de entrar nos estádios.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os 12 Trabalhos de Dilma (parte 3 de 3)

Os 12 Trabalhos de Dilma (parte 1 de 3)
Os 12 Trabalhos de Dilma (parte 2 de 3)



9 - Lidar com possíveis efeitos de estouro de bolhas

Já escrevi aqui que o Fed está fazendo de tudo para incentivar a criação de bolhas. Se isso de fato se concretizar, é bastante provável que alguma(s) delas estourem durante o mandato de dona Dilma. As políticas anticíclicas adotadas pelo Brasil depois da crise de 2007/2008 foram bastante efetivas, e este exemplo deve servir para o futuro.

(Na verdade eu listei este tópico pensando nos preços de imóveis em algumas cidades do Brasil, mas, como escrevi esta semana, é muito difícil pensar em bolha enquanto trabalhamos com juros acima de 10% ao ano. Quem sabe no próximo mandato.)

10 - Pré-sal

Também já escrevi bastante sobre o pré-sal aqui. A aposta do Brasil no petróleo não é um all in, mas está longe de ser segura. Algo como ter dois valetes na mão antes da virada do flop: parece muito promissor, mas pode muito bem não ser ganhador (e até terminar em desastre, dependendo da sorte). Além das incertezas naturais de um projeto de exploração de commodity, a Petrobras vai ter que controlar os pequenos interesses que aparecem quando uma empresa estatal tem R$ 150 bilhões para gastar. Ah, o vice-presidente é do PMDB.

11 - Infraestrutura

Este tema é tão batido que dá preguiça de escrever a respeito. Estradas, portos, aeroportos, ferrovias, estádios para a Copa... tudo a ser construído, (quase) tudo tem um potencial altamente positivo para o país (de empregos à melhora no bem estar e aumento do crescimento potencial, competitividade, etc), e, ainda assim, estamos há anos adiando os investimentos. Dilma vai precisar fazer mais do que anunciar sequências do PAC e inaugurar remendos da BR-101.

12 - Não cair na tentação do populismo quando as coisas não andarem bem

Um teste básico para saber se determinada atividade tem o acaso como fator preponderante é se perguntar se, deliberadamente, é possível conseguir o efeito contrário da intenção inicial. É impossível perder de propósito um jogo de roleta (100% acaso), mas é relativamente fácil entregar todas as fichas numa mesa de pôquer ou manipular o resultado de um jogo de futebol (o leitor pode pensar a respeito do mercado financeiro: a resposta intuitiva diria que eu poderia ser trocado por um chimpanzé jogando uma moeda para o alto no meu trabalho -- o que não é uma visão exatamente errada em parte do tempo). Em política econômica, as políticas "corretas" não garantem sucesso, mas a história está cheia de exemplos de economias que foram para o buraco quase exclusivamente por decisões de seus líderes -- a Venezuela atual é o exemplo mais fresco, e pelo caminho ficaram Argentina, Cuba, boa parte da África, a Europa comunista... Se o Brasil vai estar em 2014 melhor do que em 2010, vai depender muito do rumo que o mundo tomar, e é difícil imaginar um alinhamento de condições tão positivas para o Brasil quanto nos últimos oito anos. A missão da próxima equipe econômica é reconhecer isso e não fazer concessões imediatistas que ameacem a prosperidade do país por gerações. Primum non nocere.