Na CNBC. Altamente instrutiva para quem gosta do tema.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Imóveis em São Paulo, uma anedota
Qualquer um que vive em São Paulo hoje em dia consegue perceber a euforia com o mercado imobiliário -- vê-se gruas pela cidade toda, os jornais estão repletos de anúncios de novos empreendimentos (o André Barcinski fez uma observação hilária sobre isso) e todo mundo mais seus cachorros parece querer adquirir um imóvel, e estes só sobem de preço. Tudo isso junto sugere uma bolha em formação, como já coloquei aqui. Entretanto, nossos juros pornográficos dificultam colocar as coisas em perspectiva. Veja o caso abaixo, catado ontem numa mesa de botequim das mais animadas:Um amigo comprou, em maio de 2001, um apartamento em uma das zonas que mais se desenvolveu em São Paulo desde então (Vila Leopoldina). O imóvel foi comprado por R$ 170 mil, e vale hoje algo como R$ 550 mil - o preço subiu, portanto, 223%. Parece espetacular, até olharmos os juros acumulados (CDI) no período: quase 290%. Pior ainda se considerarmos a liquidez e os riscos envolvidos na compra de um imóvel contra a moleza que é comprar uma LFT (título pós-fixado do Tesouro Nacional) e dormir em cima dela. Portanto, a real aberração no Brasil não são os preços de imóveis em São Paulo, mas sim os juros praticados pelo Banco Central. Bolha imobiliária, como nos acostumamos a ver em outros países, só quando esses juros caírem substancialmente (ou os preços de imóveis subirem de forma ainda mais frenética).
P.S. Anedotas tem valor... anedótico, eu sei disso. Dados de mercado imobiliário no Brasil, entretanto, ainda são paupérrimos -- nesse sentido, é muito benvinda a iniciativa do Banco Central, que, dizem as boas línguas, estão trabalhando para montar um índice de preços de imóveis.
Update (de ago/11): Tem um erro grotesco de cálculo de retorno neste post, uma atualização está aqui.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Pensando alto sobre mercados
(leitores com interesses menos mundanos podem aproveitar o tempo que gastariam lendo este texto aqui)
- No cenário bom para o Fed, mais dólares no mercado conseguiriam segurar os preços nominais enquanto a economia se recupera (se vai se recuperar ou não é outra história). No cenário dos sonhos, a inflação aceleraria um pouco, afastaria o medo de deflação, sustentaria os preços de ações e destruiria parte da poupança aplicada em títulos do governo. Nesse cenário seria esperada uma alta nas taxas de juros de médio / longo prazo. Em ambos os casos o dólar se enfraqueceria, com o aumento da oferta de moeda e juros curtos ainda muito baixos.
- Esse cenário parecia estar sendo corroborado pelos mercados, com o inconveniente de que tanto os juros quanto as expectativas de inflação seguiam muito baixos. Ou seja, havia uma divergência entre os mercados "de risco" e o de títulos: commodities e ações subindo indicariam uma certa inflação (ou pelo menos sucesso temporário na política do Fed de sustentar preços); juros longos baixos podem ser traduzidos por investidores dispostos a aceitar taxas de retorno baixas por muito tempo, sem preocupação com inflação, em busca de alguma segurança. Os recordes no preço do ouro pareciam também concordar com essa visão.
- Teorias à parte, olhemos alguns dados. A impressão de que o Fed estaria disposto a imprimir mais dinheiro teve início em 22 de agosto, no simpósio econômico de Jackson Hole. Desde então, as expectativas de inflação (medidas pela diferença entre o rendmento dos títulos nominais de dez anos e dos títulos indexados para o mesmo prazo) pulou de 1,55% ao ano para 2,17% e o índice S&P 500 subiu 12%. O dólar (DXY) caiu 6,15%. Até aí, sucesso. A divergência incômoda é que os juros das Treasuries de 10 anos seguiram caindo, pelo menos até o último dia 7, quando fizeram a mínima do ano (a 2,38%).Num mundo "normal", valeria o que eu disse acima: juros baixos são sinal de aversão a risco. O paradigma a ser testado é que o Fed de mr. Bernanke conseguiu criar o maravilhoso mundo onde todos os preços de ativos sobem.
- A tese do Maravilhoso Mundo de Bernanke precisa que entre tanto dinheiro no mercado a ponto de haver comprador marginal para todas as classes de ativos, com pouquíssima diferenciação entre taxas de retorno esperadas. Ou pelo menos que o mercado acredite nisso. O problema é que, no caso dos títulos, isso só vale enquanto a inflação não suba e destrua a taxa de retorno fixa. É acreditar que Deus não só não joga dados como está de muito bom humor e trabalha na Constitution Avenue com a rua 20, em Washington, DC.
- Nos últimos dias vimos: i) os mercados de "risco" (bolsas e commodities) caindo, ii) os juros das treasuries subindo, iii) a inflação esperada subindo, iv) o dólar se fortalecendo. Um possível cenário que justificaria esse comportamento é a inflação subindo -- o contraponto é que os juros curtos subiram relativamente pouco. Outra possibilidade é que estamos perto do limite do que os ativos conseguem se apreciar com dinheiro fácil -- de fato, é de se imaginar que o segundo bilhão de estímulo tenha efeito menor do que o primeiro bilhão, e assim por diante. Uma terceira explicação, mais cínica, é que o mercado está tentando empurrar o Fed para um corner cuja saída seria anunciar (na próxima reunião de política monetária, no início da semana que vem) um volume obsceno para o QE2 -- há duas semanas já se falava em algo entre US$ 500 bilhões e 1 trilhão de recompra de títulos, o volume que satisfaria o mercado seria ainda maior.
- A questão que fica é: o que acontecerá quando o Fed falhar na tarefa de manipular os mercados (manter juros baixos e preços de ativos relativamente altos)? Teoricamente não há limites para quanto dinheiro ele pode imprimir, desde que o risco de inflação esteja afastado (estará, para alguns, enquanto o mercado de trabalho permanecer anêmico). Na prática, a economia americana está desesperada por estímulo, e toda a pressão da sociedade e dos políticos parece ser na direção de alguma ação. O Fed não depende do Congresso para agir, e tem sido o instrumento escolhido para fazer todo o trabalho sujo. Resta saber até onde vai a desonestidade intelectual de Bernanke ao seguir fazendo algo que parece no mínimo ineficiente no curto prazo e de potencial destrutivo no futuro. Ou, para não personalizar a questão, quão doente está a maior economia do mundo para ter como única fonte visível de recuperação a ilusão de que dinheiro barato e ridiculamente mal distribuído pode resolver problemas.
P.S. Em homenagem ao mestre Jason Vieira: hoje apareceu uma marca nova de papel sulfite aqui no escritório. Made in Finland. Sim, estamos importando papel da Finlândia. E, conhecendo a turma de compras, deve estar mais barato que o velho e bom Report (da Suzano).
P.P.S. Hoje o Banco Bonsucesso (eu também não conhecia, até semana passada) captou US$ 125 milhões no mercado internacional, pagando juros em dólar de 9,5% ao ano (por dez anos).
P.P.P.S. No dia do aniversário de 65 anos do Nosso Guia (hoje), aparece a história (ainda a ser confirmada) de que o Brasil anunciará em breve a descoberta do segundo maior poço de petróleo do mundo. Como disse um sábio: "50% of life is luck, the other 50 is mazel".
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Frase(s) do dia - Robert Shiller
Numa entrevista para a Folha de ontem:A Petrobras está fazendo a maior oferta de ações do mundo para financiar a exploração de petróleo. Há risco de uma bolha do pré-sal?
É interessante trazer essa discussão para o petróleo, que tem história de avaliações equivocadas. O México fez descobertas incríveis nos anos 80 e 90. Isso levou a uma euforia. As empresas e os mexicanos emprestaram muito dinheiro. Eles se achavam ricos. Depois, veio a crise de 1994. Definitivamente, há esse risco no Brasil.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Frase do dia - estourando bolhas

"No dia em que achar que as minhas companhias estão [super] avaliadas, com preços inflados na bolsa, eu mesmo enfio o dedo nessa bolha."
Eike Batista, em entrevista para a ValorInveste deste mês. Esperamos sentados, então.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Professor Soros
Terminei há pouco o livrinho The Soros Lectures, que foi lançado este ano nos EUA para juntar cinco aulas que George Soros deu, em outubro do ano passado, na Central European University de Budapeste (fundada por ele próprio em 1991). Creio que essas aulas são o jeito mais fácil de acessar o pensamento abstrato de Soros, já que foram desenhadas para leigos e seus livros não são exatamente famosos pela facilidade de leitura e compreensão.Soros, antes de ganhar bilhões no mercado financeiro e se tornar a cara mais conhecida do mundo dos especuladores, estudou na London School of Economics sob a orientação do filósofo Karl Popper, e daí vem sua ambição de tentar explicar o mundo. Mais do que isso, creio (pela leitura de uma biografia escrita por Robert Slater) que Soros é guiado por três motivações: a primeira é de ser levado a sério, de justificar como ele soube ganhar tanto dinheiro no mercado financeiro sem depender da sorte. A segunda é de devolver para a sociedade, em forma de conhecimento ou filantropia, esse dinheiro ganho às custas de tesouros nacionais e outros especuladores menos competentes. A terceira são suas crenças: Soros de fato parece acreditar em "sociedades abertas" e que o ativismo intelectual e político é uma maneira nobre de dedicar o tempo depois que as preocupações com dinheiro foram (muito) superadas.
Nessas aulas, Soros dedica-se primeiro a explicar sua teoria da reflexividade: em todo processo que envolve seres humanos, suas percepções são tão importantes quanto à realidade, e essas percepções podem também afetar objetivamente a realidade, gerando ciclos que se autoalimentam. Essa teoria serve muito bem para explicar a formação de bolhas no mercado financeiro, mas Soros é mais ambicioso: para ele, a reflexividade é presente em todos os aspectos da sociedade, e deveria ser sempre levada em conta nas formulações feitas por cientistas sociais (economistas inclusos). A realidade de Soros é ambígua, com causas e efeitos se confundindo e, por isso, difícil de ser modelada, para desespero dos que tentam prever o futuro com base nos dados passados.
Feito isso, Soros passa pela crise de 2008 / 2009 (segundo ele, o estouro de uma "super bolha" de alavancagem financeira), por como os anos Bush fizeram ele se decepcionar com os Estados Unidos e chega no que achei a parte mais interessante do livro: como o capitalismo pode ser contra a sociedade aberta. Para isso, ele parte de uma discussão muito interessante (pelo menos para mim, que estava procurando há algum tempo ler algo sobre esse tema) sobre a moralidade dos mercados: segundo ele, os mercados são amorais, já que seus valores são expressos em unidades monetárias e unidades monetárias são intercambiáveis, sem que os participantes precisem exercer algum julgamento moral nas suas decisões de compra e venda. Essa característica pode ser útil no nível individual, com diversos participantes atuando de acordo com seus interesses, mas falha quando é estendida para a política, que deveria levar em conta questões éticas e morais e a defesa do interesse coletivo. Nas palavras dele:
"... taking it for granted that all human behavior is guided by self-interest leaves no room for the exercise of moral judgment - and society cannot exist without some ethical precepts"
"Extending the idea of a free-standing market, self-governing and self-correcting, to the political sphere is highly deceptive because it removes ethical considerations from politics, which cannot properly function without them."
A vitória dos que ele chama de "market fundamentalists" ao longo dos anos 1980 e 1990 teria levado à situação atual, na qual governos seguem os princípios e interesses do livre mercado e deixam de se preocupar com as tais considerações éticas ou com o coletivo. Para isso, Soros propõe uma solução utópica e um pouco ingênua: que as pessoas separem seus papéis de participantes do mercado dos de agentes políticos -- ou seja, ajam em interesse próprio no que diz respeito a mercados e guiem-se pelo interesse público na política. Difícil acreditar que isso vai acontecer sem uma revolução ou uma quebra total do modelo atual.
Na última aula, Soros aponta para a necessidade de uma reforma no sistema financeiro, chamando os governos das principais potenciais para uma nova espécie de Bretton Woods, que tentaria chegar em um modelo de regulação global. Aqui vale novamente a observação acima: a necessidade do Bretton Woods original só foi percebida depois de um cataclisma; imagino que os países só vão deixar seus interesses atuais em busca de algum consenso quando o capitalismo parecer em perigo (mais do que esteve em 2008).
É difícil imaginar que Soros teria a mesma visibilidade atual caso tivesse optado, há mais de 50 anos, por seguir na carreira acadêmica e não tivesse se tornado um dos homens mais ricos do mundo. De qualquer forma, suas causas e idéias são muito interessantes e relevantes e, ao contrário de muitos teóricos, ele efetivamente coloca dinheiro nelas. Isso, junto com a maneira como ele tornou-se rico e influente (sendo um outsider, tomando riscos e, diferentemente de muitos "gênios" do mercado financeiro, sem depender de dinheiro de terceiros e da gentileza de governos), concede a ele uma autoridade que dificilmente é igualada no debate atual. Daí a relevância de The Soros Lectures.
The Soros Lectures, George Soros, 2010. US$ 11,54 na Amazon.
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
A aposentadoria de uma lenda (Stanley Druckenmiller)
Stanley Druckenmiller, o braço direito de George Soros no famoso episódio de ataque à libra esterlina em 1992, resolveu hoje fechar seu fundo (Duquesne, US$ 12 bilhões em ativos) e encerrar uma carreira de 30 anos. Nesse tempo, Druckenmiller juntou uma fortuna de US$ 2,8 bilhões (segundo a Forbes) e tornou-se um dos investidores mais bem sucedidos e conhecidos do mundo.
Segundo a Bloomberg, ele está frustrado por não ter consguido, nos últimos três anos, igualar a performance média do fundo desde sua fundação, em 1986 (cerca de 30% ao ano). No passado recente (2000), o fechamento de dois fundos lendários (Quantum, do próprio Soros e Tiger, de Julian Robertson) quase coincidiu (num intervalo de poucos meses) com uma virada histórica dos mercados -- o estouro da bolha ponto-com. O fracasso relativo de fundos macro anteriormente bem sucedidos pode marcar o clímax de um ambiente contrário a esse tipo de investimento (um mercado com tendências confusas, de movimentos prolongados contra os fundamentos). Em breve saberemos se este é mais um desses episódios.
Update: o The Big Picture tem a carta de despedida da figura.
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terça-feira, 8 de junho de 2010
A história de Charles Ponzi, em animação
Muito bacana (e o sotaque italiano é impagável). Via The Big Picture.
Ponzi from Strike Anywhere on Vimeo.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Dado-bolha do dia - mercado imobiliário em São Paulo
Eu sei que é uma pesquisa informal, com uma amostra pequena e, provavelmente, viesada. Mas não deixou de me assustar os 87% de intenção de adquirir um imóvel neste ano (clique para aumentar), ainda mais num ambiente de juros subindo e crescimento mundial duvidoso. Em breve teremos nossa versão (em outra escala, evidentemente) do subprime.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Mercado imobiliário brasileiro: bolha à vista?
O beyondbrics comentou ontem um artigo do G1 do último dia 15, considerando a possibilidade de formação de uma bolha no mercado imobiliário brasileiro, que vive dias de euforia. Minha primeira reação foi pensar que é difícil imaginar uma bolha se formando em um mercado onde a taxa de juros passa fácil dos dois dígitos. Depois, lembrei de um estudo do Edward Chancellor sobre a China que coloquei aqui, e decidir aplicar ao caso brasileiro o checklist que ele sugere para identificar uma grande bolha se formando (aqui a análise é mais específica para o mercado imobiliário brasileiro, o estudo original se aplicava a um país inteiro):Esse é moleza. Quantas vezes, nos últimos meses, não se ouviu falar que o Brasil estava, finalmente, emergindo? No caso específico do mercado imobiliário, virou moda falar em "déficit habitacional", e as empresas de construção civil, praticamente inexistentes na bolsa há cinco ou dez anos, viraram estrelas, e a atividade de emenei no setor explodiu.
2 - Fé cega na competência das autoridades
Políticos brasileiros saíram da crise de 2008 / 2009 como semideuses. Guido Mantega dá conselhos no FMI e para o secretário do tesouro americano, Henrique Meirelles virou o melhor banqueiro central do mundo e Lula... melhor nem comentar.
3 - Crescimento dos investimentos
O Brasil, em termos de proporção do PIB, ainda é um país que investe pouco (cerca de 20%). Porém, no setor imobiliário, o boom é notável, com novas construções pipocando por todo o país. Dados consolidados do setor são escassos, mas, novamente, o crescimento das construtoras é um indicador confiável para este critério.
4 - Aumento de corrupção
No Brasil? Para aprovar obras que devem sair o mais rápido possível, para aproveitar um mercado pegando fogo? Novamente, não há dados... mas é perfeitamente plausível.
5 - Crescimento da oferta de moeda
Para a conceituação das diversas medidas de oferta de moeda no Brasil, veja a nota do Banco Central. Grosso modo, M1 é a medida mais restrita de oferta de moeda (papel moeda em poder do público + depósitos à vista), e M3 é a mais ampla (inclui depósitos a prazo, cotas de fundos, etc...). Pelos últimos dados do Banco Central, M1 cresce a 18,6% na comparação ano contra ano (só deixou de crescer, desde 2003, em dezembro de 2008); M2 a 9%; M3 a 15% -- todos os crescimentos maiores que o do PIB nominal, como um bom monetarista pregaria. Há alguns dias o Banco Central iniciou um aperto monetário que deve implicar em um arrefecimento desses ritmos de crescimento, mas o saldo dos últimos anos é fortemente expansivo.
6 - Regime de câmbio fixo
Desse mal nos livramos em 1999. Trocamos a volatilidade do mercado por ajustes mais ágeis e um menor acúmulo de desequilíbrios ao longo do tempo. Um regime com o câmbio fixo supervalorizado é receita para acúmulo de empréstimos em moeda estrangeira a taxas atrativas, que viram impagáveis quando há a necessidade de uma desvalorização cambial -- ver Argentina em 2001.
7 - Crescimento do estoque de crédito
O volume total de crédito ao consumidor no país praticamente dobrou desde 2006. O estoque de crédito imobiliário, no mesmo período, foi multiplicado por quatro (partindo de uma base pífia, devemos reconhecer, e chegando num nível ainda muito baixo por comparação com qualquer outro país de nível de renda similar).
8 - Presença de risco moral
Se o conceito não existisse, teria que ser inventado para explicar algumas situações no Brasil. Para ser honesto, o tema é mundial, na medida em que os governos parecem dispostos a não deixar ninguém sofrer com más decisões de investimento.
9 - Estrutura financeira precária (projetos não geram caixa para pagar os empréstimos com os quais foram financiados)
Ainda é difícil avaliar. Por enquanto as companhias parecem estar bem, obrigado. Mas, num ambiente de juros subindo, o fim da euforia pode jogar vários projetos nessa categoria.
10 - Aumento no preço de imóveis
É do que estamos falando. Altas percentuais de dois dígitos são sintomáticas e tendem a não se sustentar no tempo.
8 / 10. Dá para acender uma luz amarela, não? A "compensação" é que há tantas outras bolhas mais gritantes do mundo que, provavelmente, o estouro delas vai ajudar a normalizar as coisas no Brasil antes que elas implodam por força própria.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Mercados x realidade econômica
Para os fãs do assunto, mais uma aula de Jeremy Grantham.
GMO's Jeremy Grantham quarterly letter - 2Q10
GMO's Jeremy Grantham quarterly letter - 2Q10
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quinta-feira, 22 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
SEC versus Goldman Sachs, ou: o povo versus os bancos
Para a explicação técnica da denúncia feita hoje pela equivalente americana da CVM contra a Goldman Sachs, veja o blog do Felix Salmon. Para os realmente puristas, lá tem inclusive o link para o documento original da SEC.Para entender a possível implicação da notícia: não sei o que aconteceu nos bastidores, mas a notícia de hoje parece ser um recado dos reguladores para os bancos. Talvez tenha chegado a hora em que o povo americano (representado por seus políticos e reguladores) cansou da socialização de prejuízos (e de bônus milionários que, evidentemente, são embolsados nos bons tempos e não devolvidos quando as fraudes aparecem). Pode parecer a morte da galinha dos ovos de ouro dos últimos anos, mas, para o futuro, é um passo absolutamente necessário -- por mais que não se concorde em teoria com um aumento de regulação e regras criadas por burocratas com dez anos de atraso, mas os responsáveis pelos erros passados tem de ser punidos de alguma forma. Talvez alguém, finalmente, esteja desligando a música para acabar com a festa -- às 11 da manhã do dia seguinte, mas ainda a tempo.
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terça-feira, 30 de março de 2010
Dez verdades que o mercado prefere ignorar
Hoje acordei com o espírito de São João, o profeta do Apocalipse. Ao estilo Roubini, que confia no poder de persuasão das listas, aí vai minha pregação: 1 - A Grécia não tem capacidade de gerar euros para pagar sua dívida. Provavelmente nem Portugal, nem a Espanha, nem alguns outros que não parecem evidentes agora.
2 - Um Big Mac em São Paulo não pode ser mais caro (US$ 4,90) que em Londres ou na Zona do Euro. Sinto informar, mas o real está supervalorizado. Aproveite para encher a sacola em Miami enquanto há tempo.
3 - Os índices de ações americanos precificam uma economia como em 2007. Os fundamentos de 2010 são muito piores.
4 - Eike Batista não pode estar entre os dez homens mais ricos do mundo. E não só pela taxa de câmbio.
5 - O pior caso para o preço do petróleo nos próximos anos não é a US$ 60 / barril, como a Petrobras coloca nas contas de viabilidade do pré-sal. A média do preço nos últimos dez anos é US$ 52 / barril, com uma mínima de US$ 18 / barril. Imaginem a alegria do acionista da Petrobras caso o mercado volte para esse preço.
6 - A paciência (e o bolso) do contribuinte alemão tem limites. Não há mentalidade "européia" que convença um operário alemão que ele vai ter que pagar mais impostos para bancar a aposentadoria de um servidor público de Atenas.
7 - O Banco Central do Brasil não é infalível. O Banco Central do Brasil subiu os juros básicos na semana da quebra do Lehman Brothers.
8 - Crescimento econômico é um processo complexo e desequilibrado. O que implica que a China não deve crescer entre 8% e 10% ao ano, por 20 anos consecutivos.
9 - Dilma não é o Lula (parece óbvio, não?). E seu Serra provavelmente não gosta das taxas de câmbio e juros atuais.
10 - Profetas deveriam ser restritos à obras religiosas. Na vida real, o futuro é muito mais nebuloso e imprevisível.
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quarta-feira, 24 de março de 2010
Dez passos para uma bolha
Edward Chancellor é um tipo peculiar de economista / historiador: um estudioso de bolhas, na melhor tradição do falecido Charles Kindleberger. Sua obra mais conhecida, Devil Take the Hindmost (aqui traduzida para Salve-se Quem Puder) tenta identificar as características comuns em bolhas e manias especulativas ao longo da história. Agora, como conselheiro da GMO (gestora de ativos americana), ele encaixa a situação atual da China em "dez aspectos das grandes bolhas dos últimos três séculos":
1 - Começo em uma história de crescimento plausível
2 - Fé cega na competência das autoridades
3 - Crescimento dos investimentos
4 - Aumento de corrupção
5 - Crescimento da oferta de moeda
6 - Regime de câmbio fixo
7 - Crescimento do estoque de crédito
8 - Presença de risco moral
9 - Estrutura financeira precária (projetos não geram caixa para pagar os empréstimos com os quais foram financiados)
10 - Aumento no preço de imóveis
O consolo, para nós, é que o Brasil (por enquanto) "só" apresenta oito ou nove desses dez sintomas. E está isolado do que acontece na China (seu Meirelles esta semana disse que o que vai acontecer com o câmbio dólar / yuan é irrelevante para o país). Ufa!
GMO White Paper China
1 - Começo em uma história de crescimento plausível
2 - Fé cega na competência das autoridades
3 - Crescimento dos investimentos
4 - Aumento de corrupção
5 - Crescimento da oferta de moeda
6 - Regime de câmbio fixo
7 - Crescimento do estoque de crédito
8 - Presença de risco moral
9 - Estrutura financeira precária (projetos não geram caixa para pagar os empréstimos com os quais foram financiados)
10 - Aumento no preço de imóveis
O consolo, para nós, é que o Brasil (por enquanto) "só" apresenta oito ou nove desses dez sintomas. E está isolado do que acontece na China (seu Meirelles esta semana disse que o que vai acontecer com o câmbio dólar / yuan é irrelevante para o país). Ufa!
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segunda-feira, 22 de março de 2010
Gráfico do dia - OSX
Hoje estrearam na bolsa as ações do mais novo magnífico empreendimento de Eike Batista (uma empresa que terá como cliente as demais empresas do grupo - cheira ou não a Ponzi?). Enquanto escrevo, os papéis, lançados a R$ 800, operam a R$ 704,80, queda de 11,9%. Será o começo do estouro da Eike Bolhatista?
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
O indicador do prédio mais alto do mundo
Hoje foi inaugurado em Dubai o Burj Dubai Tower, o prédio mais alto do mundo, com 160 andares e 818 metros de altura. O Inca Kola News recomenda um ótimo post do Capital Chronicle, que mostra como a construção do prédio mais alto do mundo tem sido um sinal infalível de proximidade de estouro de uma bolha imobiliária. Lembre-se disso quando alguém resolver revisitar por aqui o projeto estapafúrdio da São Paulo Tower.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Dados do dia - Bancos Europeus
Da Bloomberg:Paris-based BNP Paribas, the world’s biggest bank by assets, increased its balance sheet by 59 percent to 2.29 trillion euros ($3.5 trillion) since the beginning of 2007, an amount equal to 117 percent of France’s gross domestic product.
Assets at London-based Barclays jumped 55 percent to 1.55 trillion pounds ($2.6 trillion), or 108 percent of U.K. GDP.
Santander’s rose 30 percent to 1.08 trillion euros, about the size of Spain’s GDP.
Alguém falou em too big to fail?
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Notícia do dia - Bolhas e Fé
Acabou de passar por aqui:*PLOSSER SAYS HE `NOT A BIG BELIEVER' IN ASSET PRICE BUBBLES
Plosser, no caso, é Charles Plosser, presidente do Fed da Filadélfia. Que deve achar que a NASDAQ a 4,500 pontos era sustentada por fundamentos sólidos e que faz todo sentido esperar que preços de imóveis subam eternamente a 20% ao ano.
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