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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sambas e a economia brasileira

O pessimista: "Saco de Feijão", de Chico Santana, gravado pela Beth Carvalho em 1977 (inflação era algo como 45% no ano—ainda tinha muito pra piorar):

No tempo dos "derréis" e do vintém
Se vivia muito bem, sem haver reclamação
Eu ia no armazém do seu Manoel com um tostão
Trazia um quilo de feijão
Depois que inventaram o tal cruzeiro
Eu trago um embrulhinho na mão
E deixo um saco de dinheiro



O otimista: "Partido Baixo do Partido Alto", de Miguel Gustavo, gravado pela Elizeth Cardoso em 1972. Não consegui achar um histórico bom de retornos da bolsa brasileira (Alguém tem aí? Acho que tem uma tabela boa no final do Ordem do Progresso, não tenho o livro aqui), mas, de acordo com este gráfico, o mercado foi bem festivo entre 1966 e 1971.

Comprei Banco do Brasil  
Comprei Vale e Petrobras 
Até eu já estou na bolsa, ninguém me segura mais





Bônus: e mais recentemente tivemos... bem, tivemos "Eike Batista", com o Forró Estourado:

Eu durno na Disney, acordo em Las Vegas
Jogo no cassino com as mulheres mais belas
Que vida boa, não faço nada, e a minha conta só aumenta
A minha vida é 5 estrelas, eu não sei o que é problema
Me diz ai o que é que eu sou
Bi-bi-bilionario... bi-bi-bilionario... bi-bi-bilionario
Dei uma gorjeta pro garçom e ele comprou uma BMW


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

(Mais) Fronteiras da Análise Técnica

(Sim, o primeiro post do blog em 2015 veio depois de quase 60 dias e é só a continuação de uma série sem graça. Precisava, porém, postar algo pra ver se saio da inércia. Espero voltar com alguma frequência até o meio do ano.)

Via Suvi Kosonen, o Vomiting Camel:


E uma lição valiosa do Dilbert:



Mais fronteiras da análise técnica:

- O Beija-Flor
O Martelo de Thor (Batista)
Intraday Bart
Velociraptor
Vampire Black Swan
Bullish Cyclist
Evil Knievel Formation


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O interminável reinado do CDI

Deve haver poucos lugares onde a máxima “dinheiro é rei” vale tanto quanto no Brasil. Em tempos de crise, diz a sabedoria dos mercados, ter dinheiro em caixa, mesmo sem receber juros, é imperativo para o bom desempenho de qualquer carteira de investimentos. Primeiro, porque em tempos difíceis não perder é a maneira mais fácil de bater a concorrência. Segundo, porque a flexibilidade decorrente permite aproveitar as boas oportunidades que uma liquidação generalizada proporciona. Por aqui, entretanto, mesmo nos períodos de bonança não é fácil bater o rendimento do dinheiro emprestado por um dia, com garantias, para bancos (ou para o banco central).

O resto do texto está no Estadão.

sábado, 2 de novembro de 2013

5 lições da queda do Império X para o Brasil

Em 13 de junho de 2008, quando os melhores dias para a bolsa americana antes da crise já haviam passado, a OGX fez a maior oferta inicial da história da Bovespa até então (depois foi superada por Cielo, BB Seguridade e Santander). 6.7 bihões de reais foram levantados, e as ações fecharam o primeiro dia no pregão com mais de 8% de alta. Pouco menos de 2,000 dias depois, a empresa registrou um pedido de recuperação judicial na 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. 

O resto do texto está no Estadão.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

OGX, *2008 †2013



Foi o maior IPO da história da Bovespa, foi o arquétipo do capitalismo de compadrio petista, foi um dos mais espetaculares e rápidos fracassos da história das companhias. Vá em paz, OGX, o Brasil fica melhor sem você (e o país que deixou uma companhia dessas quebrar certamente é melhor do que o contrafactual que a salvaria e seria bem plausível num passado não muito distante).

No mais, tudo o que eu tinha pra dizer sobre o Eike e suas empresas está aqui (Ai-que), aqui (As consequências econômicas do sr. Batista) e aqui (Frases do Dia - Eike Batista x Hugh Hendry). No fim das contas, tenho que dar o braço a torcer para os analistas que miraram na última perna da derrocada, mas sustento o racional deste post. O resto vocês vão cansar de ler na mídia nos próximos dias, e com sorte algum bom meio vai desenrolar o novelo que vai da massa falida da OGX até o governo federal. Torçamos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Fronteiras da Análise Técnica - o Beija-Flor

O pássaro que voa sem sair do lugar aparece como uma possível salvação para a OGXP3:


Dica do Fabrício, obrigado.

Mais fronteiras da análise técnica:

- O Martelo de Thor (Batista)
Intraday Bart
Velociraptor
Vampire Black Swan
Bullish Cyclist
Evil Knievel Formation

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Brasil, The Economist e as indicações contrárias

Quando a The Economist lançou a famosa edição com o Cristo Redentor decolando na capa (14 de novembro de 2009), o Ibovespa estava em 65.000 pontos, vindo de uma espetacular recuperação de mais de 80% nos doze meses anteriores (no mesmo período, o S&P500 havia subido “só” 28%, tendo feito uma nova mínima em março e só então iniciado uma correção). Uma ação da Petrobras (PETR4) valia R$ 37, uma ação da OGX (OGXP3) valia R$ 14 e gente como Jeremy Grantham, o conservador e respeitado estrategista da gigante americana GMO, dizia que ações de mercados emergentes deveriam operar com um prêmio sobre seus pares em países desenvolvidos, para (aqui cito literalmente de uma das cartas trimestrais dele) “celebrar seu crescimento do PIB obviamente superior comparado ao de um mundo desenvolvido envelhecendo”.

O resto do texto está no Estadão.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Como caíram os poderosos (capitalismo de estado)

Matéria interessante na última Economist sobre o desencanto do mercado com companhias de controle estatal. Em 2009, estavam entre as 10 maiores companhias do mundo bancos chineses, uma petrolífera chinesa e a Petrobras. Hoje, 9 das 10 são americanas, e o capitalismo de mercado parece ter se salvado. O gráfico é de lá, e não custa lembrar que há pouco mais de ano e meio a capa da mesma Economist era essa aqui do lado.



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Ibovespa está morto, vida longa ao Ibovespa!

Um exercício simples, que pode ser resolvido com duas buscas na internet: quais são as 10 maiores companhias dos Estados Unidos? E do Brasil? Se usarmos como critério as receitas anuais, as respostas são, para os EUA: Wal-Mart, Exxon Mobil, Chevron, Phillips 66, Berkshire Hathaway, Apple, General Motors, General Electric, Valero Energy e Ford Motor; e, para o Brasil: Petrobras, BR Distribuidora, Vale, Ipiranga Produtos, Volkswagen, Cargill, Fiat, Vivo, Raízen e Bunge. Todas as 10 maiores americanas fazem parte do S&P 500, o principal índice do mercado de ações por lá. No Brasil, apenas três são listadas na Bovespa, sendo uma delas de controle estatal.

O resto do texto está no Estadão.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Câmbio, bolsa, etc...

Um estimado leitor me escreve dizendo que há tempos não aparecem por aqui posts sobre os mercados brasileiros, em especial bolsa e câmbio. Ele tem razão, claro. Parte da omissão é porque eu tenho estado tão errado que dá uma certa vergonha seguir opinando; parte porque, por estar tão errado, sinto-me meio perdido. De qualquer maneira, atendendo ao pedido e seguindo a recomendação (do Churchill, acho - não estou achando a fonte) de que um economista deve dizer o que vai acontecer e depois explicar porque não aconteceu, aí vão meus pitacos atualizados:

Primeiro, apesar da extrema má vontade dos mercados com o Brasil (em grande medida justificada, claro), a queda da bolsa e desvalorização da moeda não são exclusividade do país. Sim, o Ibovespa tem o pior desempenho entre os principais índices do mundo, mas essa diferenciação pode ser atribuída sobretudo à queda do império X e suas ramificações. As bolsas da América Latina (Chile, México, Peru) também estão mal em 2013, e quase todas as moedas do mundo estão perdendo valor contra o dólar americano. Minha principal mea culpa recente foi não ter levado a sério a possibilidade de uma chacoalhada nos mercados emergentes por conta da possibilidade de alta dos juros nos EUA e fortalecimento do dólar.




Dito isso, vamos às particularidades:

1. Bolsa - a preços atuais, o Ibovespa implica uma relação preço / lucros de 13x para 2013 e 9x para 2013. Esses mesmos múltiplos para o S&P500 são 15x e 13x. O desconto é compatível com o padrão histórico e, creio, com a dependência de commodities do índice brasileiro. As incógnitas aqui são: i) se há alguma possibilidade dos lucros surpreenderem positivamente; ii) o destino do grupo X; iii) (e talvez mais importante) se o ciclo de commodities de fato virou. Sem parar para analisar cada um desses pontos, acho que muito pessimismo já está incorporado, mas achava o mesmo quando o índice operava a 53 mil pontos.

Na prática, se fosse pra dar algum trade idea, recomendaria, para o curto prazo, comprar contra algum outro índice (México, por exemplo). Para a minha poupança, esperaria, sem pressa, por uma nova crise. Nada está tão ruim que não possa piorar muito: a Petrobras segue perdendo dinheiro vendendo gasolina e com um caminhão de dívida para pagar, sem saber bem o que vai ser do pré-sal; o minério de ferro ainda vale muito mais do que o padrão histórico, etc...

2. Câmbio - nove entre dez economistas que conheço acham que, no médio / longo prazo, o câmbio vai ter que seguir se desvalorizando para compensar a deterioração das contas externas. Mais do que isso, acho que ajustar o câmbio é condição necessária para devolver alguma competitividade ao país (lembrando que, se o câmbio terminar o ano no nível atual, a depreciação terá pagado pouco mais do que o diferencial de inflação e quase o mesmo que o diferencial de juros - é preciso mais para que o câmbio real efetivamente mude de patamar).

O que complica a análise aqui é o papel das reservas e o comportamento do banco central. Não há precedente na história do país de um estoque de reservas internacionais do tamanho atual, e não dá para saber (pelo menos não consigo ter uma opinião firme) se quando o BC começar a entregar reservas para o mercado isso vai atenuar a depreciação ou atiçar um ataque especulativo. Também não tenho ideia de quanto do (enorme) passivo externo vai ser chamado de volta em caso de crise mais aguda. Tudo isso considerado, acho que o real segue se enfraquecendo nos próximos anos, e tenho recomendado a todo mundo que me pergunta manter uma boa reserva de dólares. Foi bom enquanto durou, mas durante a história do Brasil moeda forte foi exceção, não regra. Como diz o Teco, chora Mickey, viva Axé Moi.

Bom, é isso... opiniões minhas, não de onde trabalho, etc... Com elas e mais três reais, ganha-se uma viagem de ônibus dentro de São Paulo.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

As consequências econômicas do sr. Batista

O crepúsculo do macho
Ao que parece, o mercado está acelerando a precificação de um calote das empresas do grupo EBX (já há relatórios com preço-alvo de R$0.10 para as ações da OGX - aparentemente eu estava muito errado). Abaixo uma lista, sem a menor pretensão de ser exaustiva, das consequências disso para os mercados e a economia (usem os comentários pra lembrar do que esqueci ou omiti).

1. Ibovespa - é a vítima mais direta, com sua metodologia de cálculo por "negociabilidade" que faz com que a OGX (valor de mercado atual: R$1.5 bilhões) até poucos dias atrás tivesse peso maior do que a Ambev (valor de mercado: R$255 bilhões) - já tinha observado isso aqui. Entre os rebalanceamentos trimestrais, ações que caem muito de preço vão perdendo peso, mas este é recuperado caso o papel continue com giro alto. A Bovespa excluiria papeis de empresas que entrassem em falência ou recuperação judicial, mas, antes disso, não sei o que seria necessário para que considerassem as empresas "X" como caso especial. A situação atual já é bizarra o bastante, e pode piorar se, por algum motivo, os preços de OGX se recuperarem e o peso dos papeis no índice aumentar (porém, nada que não tenha acontecido no passado com os recibos de Telebras, por exemplo).

A convicção do mercado na derrocada do império X é enorme. 35% do free float de OGXP3 está alugado. As taxas anualizadas para aluguel de OGXP3, CCXC3 e MMXM3 estão em, respectivamente, 60%, 52% e 31%. Aqui, creio, o perigo está na ponta oposta, para os cotistas de fundos long/short e equity hedge que estão vendidos a descoberto nesses papeis. Uma notícia de aquisição ou reestruturação bem vista pelo mercado pode catalisar um grande short squeeze. Não parece ser o cenário-base de ninguém, de qualquer maneira.

2. Petrobras - o fracasso da operação da OGX faz com que o mercado aumente a probabilidade de que tal fracasso se repita na exploração da Petrobras. Acredito também que haja algum temor de intervenção estatal que faça a Petrobras adquirir a OGX e comprometer ainda mais seu balanço. PETR4 fechou ontem no menor nível desde 2005, quando o barril de petróleo custava pouco mais de US$60 e a produção diária era quase 20% menor. Por outro lado, desde então a dívida total da companhia quase dobrou - é esse o tamanho da aposta no pré-sal.

3. Bancos - o BofA/ML calculou a exposição de alguns bancos à dívida das companhias. A tabela abaixo é do relatório (clique para aumentar):


Os analistas fazem questão de deixar claro que esses números são parciais, já que não incluem a dívida da holding (EBX). Eles reconhecem que os cálculos de jornais, que colocam a exposição em até R$5 bilhões nos grandes bancos, podem estar corretos (mais na Bloomberg).

Não é surpresa verificar que a maior exposição está nos bancos estatais, que tanto têm se esforçado para criar "campeões nacionais", com critérios esquisitos. Aqui começa o risco de contágio para as contas públicas, que talvez já esteja afetando o mercado de juros locais.

4. Crédito - aqui é difícil separar o impacto dos problemas no grupo X com a deterioração geral da percepção do Brasil nos mercados. Abaixo, só para ilustrar, o descolamento dos prêmios dos CDS de 5 anos de Brasil e México, que em novembro do ano passado andavam no mesmo patamar.


5. Fluxos estrangeiros, investimentos, crescimento - já escrevi aqui que o grupo EBX era o arquétipo do Brasil de alguns anos atrás, a aposta mais alavancada no capitalismo de estado (ou de compadrio) baseado na exploração de commodities. Esse modelo está ruindo espetacularmente, e, julgando pelo desempenho da economia no último par de anos, não apareceu nenhum outro para substituí-lo.

Se confirmada a derrocada do império de Eike e os credores ficarem em má situação (quer dizer, pior do que já estão), aumenta o risco de uma parada súbita de financiamento para o país e as perspectivas de crescimento ficam ainda piores. O modelo dos últimos anos só vai ser enterrado definitivamente com uma desvalorização ainda mais aguda do câmbio e o reconhecimento, na dívida líquida, do custo fiscal do financiamento equivocado das "campeãs nacionais". Achei que isso pudesse ser adiado para depois das eleições do ano que vem; aparentemente o mercado está naqueles momentos de apressar o encontro com a realidade.

6. Ontem a Lúcia Guimarães lançou, no Twitter, a seguinte provocação:
Acho que não há muitos inocentes aqui (a não ser, talvez, os minoritários, que se deixaram levar pelo hype). A ANP sabia da dificuldade da operação, e deveria ter endurecido os critérios para concessão das áreas de exploração. Os banqueiros sabiam que estavam vendendo um investimento de risco precificado como uma cash cow - e o mercado pagou, na época sorridente, por esse preço. A mídia amplificou o barulho, na sede de achar um ícone para a "história de sucesso" do país. O tempo da euforia acabou, agora é vez de exercitarmos novamente o ceticismo. A maioria acreditou no grupo X porque quis, isso faz parte da natureza humana. Sair caçando bruxas pode ser necessário, mas não vai levar a alguma grande conclusão. Os tempos criam ilusões e ilusionistas; se não fosse Eike, seria outro, acredito. Hora de virar a página e ver o que dá pra fazer com o que sobrou.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Paint it red

Hoje vai ser um longo dia...


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Uma parada súbita no Brasil?

Do alto das minhas burrice e teimosia, ainda estou tentando entender qual foi o trem que passou por cima dos ativos brasileiros. Não consigo aceitar a simples e popular tese de que investidores estão deixando o país porque a política econômica é ruim ou algo do tipo. Não que isso, em certa medida, não seja verdade; apenas acho que nada piorou muito com relação a, digamos, o final do ano passado.

Uma parte do movimento é global, direcionado a mercados emergentes. A maioria das moedas desses países perdeu valor contra o dólar, e a possibilidade de alta de juros nos EUA despertou um temor que falte financiamento para quem tem que cobrir déficits em conta corrente. A intensidade da queda do preço de ações e títulos de renda fixa brasileiros nas últimas semanas me faz desconfiar que a percepção desse risco embute alguma urgência, e que o país pode estar começando a sofrer com uma clássica parada súbita de financiamento externo.

Há boas razões que justificariam uma parada súbita no Brasil: as contas externas vêm se deteriorando rapidamente; a taxa de câmbio segue muito valorizada, oferecendo baixa margem de segurança para novas aplicações de estrangeiros; há grande decepção com o retorno de investimentos passados; o problema de inflação ainda parece longe de ser contornado. Porém, há tantas outras para que o Brasil não esteja na linha de frente caso o tema seja mesmo de falta de financiamento para emergentes: o estoque de reservas internacionais é relativamente grande, a dívida soberana é das poucas a pagar juros reais positivos e não depende tanto de estrangeiros para ser rolada, o sistema bancário é bem capitalizado e não empresta em moeda estrangeira; e, pô, no fim das contas, a Monica Bellucci veio morar aqui.

Já escrevi inúmeras vezes aqui que o tamanho da queda do Brasil é proporcional ao tamanho da ilusão de sua subida. Tenho me provado consistentemente errado ao achar que o pessimismo era extremo, mas ainda não consegui me convencer de que o Brasil tem os piores fundamentos, que justifiquem o pior mercado de ações do mundo por tanto tempo e juros longos de volta a 11%. Continuando essa situação, porém, as narrativas devem aparecer; sigo buscando alguma coerente.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O annus horribilis do Ibovespa

O Ibovespa já caiu mais de 20% em 2013; abaixo, entre as ações do índice, as que mais contribuíram para essa queda e os poucos papéis que tentaram ajudar:


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Concurso de feiura - OGX x Bankia

Senhores e senhoras, com vocês dois dos piores investimentos em ações dos últimos três anos: em laranja, a petrolífera OGX, que dispensa apresentações. Em preto, o Bankia, conglomerado de sete cajas regionais espanholas que tentou pisotear a "primeira lei das fusões bancárias" conforme postulada no último livro do Gustavo Franco: "duas prostitutas não fazem uma donzela." Façam suas apostas em quem vai primeiro à bancarrota (a minha: acho que a OGX tem salvação; o Bankia, não).



sexta-feira, 26 de abril de 2013

I Like Eike

Na verdade, não, nem perto disso. Segue valendo o que escrevi no ano passado. Ocorre que talvez tenha chegado o ponto em que toda's as notícias ruins conhecidas já estão incorporadas às ações do "Grupo X", e que os preços já caíram tanto que ficaram atrativos para novos investidores, mais realistas e com mais margem de segurança. Alguns sinais contrários são gritantes:

1. Muitos dos analistas que recomendavam compra das ações a preços muito mais altos (tenho uma coleção de relatórios com preço-alvo de OGXP3 a R$20, R$30...) tornaram-se pessimistas, agora "prevendo" cotações muito baixas (a mesma OGXP3 a R$2, R$1,20, R$0,80...). Acho que vão se provar errados tanto na ida quanto na volta. Além disso, não entendo a motivação de um analista para recomendar venda de um papel que caiu 95%, por mais que tenha convicção que a empresa não vale nada. Em preços de liquidação forçada (o que parece ter sido o caso para algumas empresas), a assimetria e a margem de segurança estão para o lado oposto (sem contar o aumento da importância de insiders, pessoas familiarizadas com as possíveis negociações para salvar o grupo). Parece uma obediência cega ao modelo de fluxo de caixa descontado, como se este cobrisse todos os fatores que influenciam o preço de uma ação...

2. O sempre atento Arthur M. apontou para a capa da última edição da Exame. Não é um indicador tão bom quanto a capa da Veja, mas vem em hora oportuna.

Se não ficou claro: não gosto das empresas, da gestão, dos negócios. Só acho que há uma oportunidade altamente especulativa, algo como comprar um bilhete de loteria com algum viés a seu favor. Qualquer investimento nessas empresas deve ser feito considerando que há chance não desprezível dele valer, em alguns meses, zero; acredito, porém, que há uma probabilidade maior de que esses preços dobrem ou tripliquem. Caveat emptor.

P.S. E essa é a capa da Época desta semana:


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pensando alto sobre mercados

Esse é daqueles posts que faço pra organizar minha cabeça. Não deve ser de interesse para quem não se interessa por mercados ou futurologia gratuita (devem sobrar dois leitores).

Depois dos problemas com o sistema bancário do Chipre, passei a trabalhar com a possibilidade que poderíamos voltar a ver sombras de uma crise bancária generalizada sobre a Europa. Por um tempo essa tese encontrou correspondência nos mercados: as bolsas do continente, no geral, tiveram desempenho pior do que as dos EUA; e, dentre essas bolsas, sofreram mais as de países com grande peso de bancos no índice e maior percepção de fragilidade (Espanha, França, Itália). Há mais ou  menos dez dias esses movimentos se intensificaram, com bolsas americanas também caindo e alguns movimentos violentos em commodities dando indicações de uma mini-crise deflacionária.

Em algum momento da semana passada, isso mudou, com os movimentos descritos acima sendo descontinuados: bolsas europeias passaram a subir, deixando EUA para trás; entre essas bolsas, os maiores ralis foram nos países mais frágeis. O ouro começou a se recuperar de um movimento particularmente agudo e o iene voltou a se depreciar contra a maioria das outras moedas. O dólar seguiu se fortalecendo e os juros de títulos longos em parte do mundo desenvolvido fizeram novas mínimas.

Como fundo a isso, vejo duas possibilidades:

i. Uma recuperação técnica, já que alguns dos índices europeus estavam testando suportes importantes, que, se respeitados, levariam a uma correção da queda e possível formação de um intervalo bem definido para os próximos meses;

ii. Indicação de corte de juros pelo Banco Central Europeu - isso seria compatível com as indicações de atividade mais fraca na Alemanha, o movimento das bolsas, dos títulos e do euro. Também estaria em linha com o tema geral de iniciativa dos bancos centrais, que deixaram de reagir a choques e passaram a tomar iniciativas para tentar promover crescimento.

Se (ii) estiver correto, poderemos ver bolsas fazendo novas máximas para o ano e, eventualmente, o euro encontrando um novo patamar, mais perto de US$1,20. Com o dólar relativamente forte, é mais difícil para commodities encontrarem espaço para subir, o que daria continuidade à fraqueza relativa de moedas de produtores e suas respectivas bolsas.

Ontem outro fato me convenceu de que provavelmente estamos no início de um período de recuperação das bolsas da Europa com relação às dos EUA: a Apple, que foi claramente a líder dos índices americanos no ano passado, anunciou recompra de ações e aumento de dividendos. Creio que a mensagem é que a companhia perdeu, ao menos temporariamente, a capacidade de gerar lucros com base em inovação, e está gastando caixa para agradar acionistas e comprar tempo (e tomando um risco de cross-border grande, já que o caixa da companhia está no exterior e ela tomará empréstimos nos EUA para pagar as recompras e dividendos). Isso pode ser bom para os preços das ações no curto prazo, mas me parece um sinal claro de que a companhia está num momento de inflexão (como se não bastasse o movimento dos preços). Evidentemente tudo pode mudar com o lançamento de novos produtos, mas não é bom contar com isso (o que também ficou evidenciado desde o ano passado, quando muitos analistas citavam a "capacidade infinita de inovar" da empresa como justificativa para preços-alvo ao redor de $1,000). Se a Apple não lidera, os candidatos naturais são os bancos, novamente registrando lucros recorde. Porém, se é esse o tema dominante, há muito mais espaço para recuperação na Europa, a preços mais descontados e possibilidade de aumento de lucros com juros mais baixos e outras possíveis benesses do BCE.

No médio / longo prazo, é importante notar que quase toda a recuperação dos mercados estará fundada em ideias no mínimo duvidosas: que bancos centrais podem influenciar decisivamente os níveis de atividade e preços, que ações de bancos com problemas graves de balanço podem valer alguma coisa e que bancos são os melhores instrumentos para distribuir dinheiro público para toda a economia. Isso faz com que os níveis atuais sejam extremamente frágeis, já que não parece haver melhora significativa em fundamentos (justo o contrário, em alguns casos). Porém, talvez o confronto com a realidade demore a acontecer, e também é possível que a primeira indicação (dados do Japão neste ano) apontem para a direção oposta, de sucesso da iniciativa de expansão monetária. O "sucesso" levaria, claro, a mais incentivos para repetição desse tipo de política, inflando ainda mais preços e deixando cada vez menos opções à disposição dos governos.

Em resumo, creio que tudo vai acabar em lágrimas, mas provavelmente estamos num período de euforia para alguns mercados, até que um novo esqueleto saia do armário (não são poucos enfiados nos balanços de bancos na Europa). Na dúvida, compre dólares.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Brasil x México, de novo

Isso é do Financial Times de hoje:


E esse é a razão (em moeda local e sem correção, e, sim, sei que talvez não seja o melhor jeito de comparar) entre o Ibovespa e o principal índice de ações do México (IPC) - estamos em níveis de 1994:




Uma das minhas "previsões" do início do ano é que o desempenho da bolsa brasileira seria melhor do que o da mexicana. Por enquanto estou muito errado (mais de 10% errado), mas tanto o sentimento desse valor relativo quanto os preços são extremos (e por isso sigo acreditando na previsão). Nem o Brasil era tão bom, nem o México é tão bom, nem o Brasil é tão ruim, etc, etc, etc...