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terça-feira, 22 de maio de 2012

Inflation Targeting Is Dead, Long Live Inflation Targeting

Escrevi este texto como teste para um projeto de blog em Inglês que parece muito bacana. Se for pra frente, informo por aqui. Correções e comentários são, como de costume, muito benvindos.


Inflation targeting is dead. Harvard’s Kennedy School professor Jeffrey Frankel, a former economic advisor to Bill Clinton, is now trying to write its obituary, in an article for Project Syndicate. According to Prof. Frankel, the system that was born in New Zealand in 1990 and exported successfully to several other countries passed away in September 2008, when most of the world’s central banks cut interest rates to record lows in an attempt to curb the effects of a major liquidity squeeze and avoid the prospects of long term deflation. Since then, the central banks that used to adopt the system did not formally abandon it and the Federal Reserve released an explicit inflation target, but it is clear that price stability is either taken for granted or became less important than other economic policy goals. Inflation targeting may not make much sense in a world where inflation, to paraphrase the FOMC communicates, is to remain subdued for a long period of time.

If inflation is no longer a problem, central banks could use their increased discretionary power to pursue new and more ambitious goals. In a world of difficult political coordination and little consensus about what must be done to put the economy back on the growth and development track, central banks are the ultimate instruments of economic policy implementation. Over the past few years, they have become responsible not only for price and financial stability, but also for a substantial part of government funding in the developed world. The consequences of this huge experiment are still to be totally understood and felt; meanwhile, a group of countries rely heavily on central banks to keep their debt cost at sustainable levels.

One of the many challenges of this new economic order will be dealing with collateral effects of ultra loose monetary policy. Using a single instrument to pursue several and sometimes conflicting goals cannot be seen as a definitive solution. In the near future, governments will be pushed to come up with an answer to the problems masked by unprecedented amounts of central bank intervention. The trigger can be a negative response from voting ballots, or, in a global scale, a return of rising prices. History shows that periods of inflation and deflation always come to an end. Then either the responsibility of economic policy will be transferred back to democratic elected leaders, or central banks will have to reevaluate their priorities and occasionally rediscover inflation targeting as an effective and useful nominal anchor. Reports of the demise of inflation targeting may prove, eventually, to be greatly exaggerated.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Leituras da Semana

- Frase da semana (do falecido Nobel e conterrâneo do Ryszard Kapuscinski, Simon Kuznets, muito apropriadamente resgatada pelo Rodrigo Medeiros e ainda válida): "there are four sorts of countries: underdeveloped, developed, Japan and Argentina."

- Conheça Axel Kicillof, o ilustre desconhecido "peronista-keynesiano-kirchnerista" (tenha medo, muito medo) por trás da nacionalização da YPF - EstadoVanity Fair espanhola.

- Dez nacionalizações históricas. A América Latina é bastante boa no esporte.

- A Apogeo apresenta Irving Kahn, a lenda viva do mercado que já operava antes do Crash de 1929.

- Quem tiver US$ 70 sobrando e trabalha com gestão de dinheiro deveria considerar seriamente comprar a última edição do Grant's Interest Rate Observer, que tem as notas da conferência da semana passada, com muita gente boa (Hugh Hendry, Meredith Whitney, Stanley Druckenmiller, Jim Chanos...).

- O que aconteceria se o Fed oferecesse para todos os cidadãos americanos uma linha de crédito de US$ 10 milhões a juros zero? Ótima provocação de Sheila Bair.

- Quatro tendências dos bancos centrais dos nossos dias.

- Porque a correção dos preços de ativos na Espanha não terminou.

- Porque o Facebook tem medo da internet.

- Porque estudar história econômica, por Robert Skidelsky.

- Entrevista curtinha de Paul Krugman para o Valor.

- Daron Acemoglu sobre as possibilidades econômicas de nossos netos (aparentemente o pessoal do MIT está atualizando o texto do Keynes, de 1930). Eu tenho certeza que os dias do Acemoglu tem umas 8 horas a mais do que os dos mortais.

- O melhor da conferência anual do Institute for New Economic Thinking, patrocinado por George Soros.

- Um interessante guia turístico para o desenvolvimento econômico.

- Uma tentativa de reunir a "sabedoria econômica" em 10 pilares.

- As influências intelectuais de Niall Ferguson.

- Uma longa apresentação de Nassim Taleb em Princeton, com conteúdo bem similar ao que ele mostrou por aqui há umas três semanas.

- As 100 pessoas mais influentes de todos os tempos, texto meio sério, meio piada que acompanhou a lista deste ano da Time.

- Choconomics!

- Como recorrer de uma multa de trânsito, cientificamente.

- Lars von Trier dirigindo a história do Pato Donald.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Gráfico do dia - bônus para Bernanke (ou: repressão financeira)

Do paper mais recente de Paul McCulley (ex PIMCO) e Zoltan Pozsar. Nunca antes na história daquele país recolheu-se tanta senhoriagem (quase US$ 80 bilhões no ano passado).


segunda-feira, 2 de abril de 2012

QE3 - helicóptero esquentando os motores

Pesquisa da Bloomberg com os 21 dealers de títulos do tesouro dos EUA, apenas sete deles não esperam uma nova rodada de afrouxamento quantitativo.


terça-feira, 27 de março de 2012

A levitação de Bernanke, parte n

Ontem Ben Bernanke falou sobre o mercado de trabalho na conferência anual da National Association for Business Economics, indicando que a criação de empregos ainda está aquém do que o Fed deseja (mais aqui, íntegra do discurso aqui). O mercado entendeu como sinalização de que pode vir uma nova rodada de compra de títulos com dinheiro novo, o famigerado afrouxamento quantitativo, e reagiu de acordo:

Ouro
EUR/USD
S&P500, futuro
O nível de fechamento do S&P500 foi a nova máxima do ano e o mais alto desde maio de 2008. As ações da Apple fizeram nova máxima histórica. A exuberância está por aí, se é racional ou não, veremos em breve.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Leituras das últimas semanas

- A matéria de capa da última The Atlantic, que estampou uma foto de Ben Bernanke com o título The Hero. Não canso de me espantar com como o mundo gosta de se iludir pelo acaso (ou por menos que isso).

- Para quem não estava no sistema solar semana passada, o editorial do NY Times do executivo (não alto, como disseram alguns - a empresa tem quase 500 sócios, e ele não era um deles) de saída da Goldman Sachs. A resposta do banco, um editorial opinativo da Bloomberg e a saída de Darth Vader do Império.

- A Apple continua sua competição com a Torre de Babel: a companhia já vale mais que um ano de PIB da Polônia ou da Bélgica; e há quem acredite que em um ano esse valor de mercado chegará bem perto de US$ 1 trilhão.

- A resenha do NY Times para o Why Nations Fail, de Daron Acemoglu e James Robinson (a simpática ilustração aí do lado é de lá). A The Economist não gostou tanto.

- O novo livro de Robert Shiller, sobre o papel de finanças como bem público.

- O Valor sobre a famosa biblioteca de Delfim Netto, que está sendo transferida para a FEA-USP. E você não sabia que existem 10 mil livros só sobre marxismo analítico, aposto.

- Um perfil de Naji Nahas, na Folha.

- Barry Eichengreen e Kevin O'Rourke revisitam a comparação entre a Grande Depressão e nossos tempos esquisitos. A conclusão é que ainda não há espaço para consolidação fiscal.

- William Easterly não perde o costume de bater de frente com Jeffrey Sachs, e explica como não comandaria o Banco Mundial.

- O Fed agora tem uma conta no twitter. A agenda das aulas de Ben Bernanke sobre a instituição na George Washington University, que começam amanhã e terão transmissão ao vivo pela internet.

- Uma entrevista interessante da Folha sobre a Grécia, com o historiador de Columbia Mark Mazower.

- Longa matéria da Exame com Luis Stuhlberger.

- A vida na Itália não deve estar fácil.

- O (apócrifo) soluço de Winston Churchill e como foi desenhado o mapa do Oriente Médio.

- Martin Scorsese vai mesmo filmar O Lobo de Wall Street. Apesar do título grandiloquente, o livro é sobre um rodapé da história dos mercados (e o personagem, um trombadinha perto dos grandes ladrões que já passaram por lá). Ainda assim, deve dar um filme divertido.

- Mitt Romney ou Senhor Burns?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Leituras da Semana

- Stephen King, do HSBC, sobre metas de inflação e porque o Fed chega atrasado ao padrão: "Inflation today is determined increasingly by factors beyond an individual central bank’s control."

- A ética monogâmica e o espírito do capitalismo, ou porque a monogamia ajudou o comércio e o fluxo de ideias. Delfim Netto sobre classe média e sua relação com o desenvolvimento.

- Tal qual Roberto Jefferson para José Dirceu, John Taylor diz para a Grécia: sai daí, rápido!

- Niall Ferguson concede uma derrota para Paul Krugman na questão da sustentabilidade da dívida dos EUA.

- Porque recém formados querem trabalhar em investment banking.

- Moisés Naím sobre húbris e o Brasil em Davos.

- Luis Martins de Souza Dantas, um brasileiro que merecia ser mais conhecido.

- Harold Bloom já matou uma porção de coisas; aqui, uma lista.

- Fantástica série de fotografias sobre carvão. Quem acha que geração de energia nuclear tem que acabar deveria considerar que existe esse tipo de alternativa.

- Esqueça qualquer coisa lida sobre a crise européia, aqui está a explicação definitiva.

- 20 espetaculares livrarias mundo afora, a Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim aqui em SP entre elas.

- A irrelevância do Oscar - este ano realmente capricharam, com poucas chances de redenção na premiação.

- Domingo é dia de New England Patriots x New York Giants no Super Bowl. As apostas apontam para favoritismo dos Patriots, e isso pode ser ruim para os mercados (pode não ser, também - dããã). Os shows do intervalo classificados por nível de "macheza", o retorno de Ferris Bueller, uma conta que iguala o preço dos comerciais na TV ao PIB da Alemanha.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O que perdi semana passada

- O Fed agora tem uma meta explícita de inflação - e, ao mesmo tempo, se comprometeu a deixar os juros de um dia a zero até o final de 2014. Na terra de Bernanke, isso é compatível, partindo do princípio de que o risco de deflação ainda existe (a inflação esperada está abaixo dos 2%) e o mandato do Fed também cobre estimular a atividade. O outro lado disso é que provavelmente os juros reais vão ficar negativos por bastante tempo, o que também ajuda o Tesouro americano a lidar com a dívida; além disso, vai seguir sendo interessante para os bancos carregar dívida pública longa, desde que a inflação não se mexa muito nesse tempo. Intencionalmente ou não, os EUA entram de vez na era de financial repression.

- A Apple reportou o melhor trimestre de sua história - de que crise estamos falando? As ações já subiram mais que 10% este ano, o que reduz a probabilidade de eu acertar uma das minhas previsões irresponsáveis de 2012.

- Os juros de 10 anos na Itália chegaram a cair abaixo de 6% (já voltaram hoje, a 6,11%). Na Espanha, chegaram a operar abaixo de 5%. Sigo achando que uma linha foi traçada para a dívida européia: Grécia e Portugal podem ter que renegociar, mas a crise para por aí.

- O Banco Central do Brasil reafirmou a disposição em seguir cortando juros. Lembrem-se que das primeiras coisas que Dilma disse depois de eleita foi que ia tentar baixar os juros reais para 2%, estamos nesse caminho (ainda que promessas de políticos não possam exatamente ser tomadas ao pé da letra).

Esqueci de alguma coisa? De qualquer forma, acho que perdi pouca coisa e ganhei o privilégio de, pela primeira vez na vida, contemplar esta vista:


P.S. Parece que a festinha de começo de ano nos mercados está perdendo o gás. Hora dos búfalos recolherem os chifres.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Leituras da Semana

祝福大家新年快樂!!!

- 222 anos de juros longos nos EUA - já foram mais baixos do que agora, nos anos após a II Guerra.

- Discurso de Raghuram Rajan para a American Finance Association, defendendo a ligação entre Wall Street e Main Street e a importância de um mercado acionário vibrante.

- Will Hutton, de Oxford, recomenda cinco livros sobre justiça social e desigualdade (um do Rajan, entre eles).

- Música pop como indicador antecedente dos mercados (dica Balu, paper original aqui). Abordagem diferente do que o Robert Prechter costuma fazer.

- David Einhorn sobre 2011 e a crise, sempre relevante.

- Contra a austeridade fiscal em tempos de crise: Robert Shiller e Richard Koo.

- Lord Skidelsky provoca: dívida realmente importa?

- Alguém teve a paciência de contar as risadas nas reuniões do Fed para quais as transcrições estão disponíveis. Vai ficar interessante quando liberarem as de 2008.

- Ouvido no elevador da Goldman Sachs: matéria no FT e o twitter.

- Tentar imitar o "milagre" de desenvolvimento do Sudeste Asiático pode ser difícil. Falando em Ásia, o Japão, para minha surpresa, fechou 2011 com um déficit comercial, o primeiro desde 1963.

- A The Economist entrevista FHC.

- Eike para presidente, novo marco na sabujice do colunismo brasileiro.

- Vladimir Safatle sobre a Tunísia, primeira de uma série de visitas ao mundo árabe pós-revoluções.

- Existem leis fundamentais para cozinhar? Os quants invadem a cozinha.

- A solidão das Guianas, nossos vizinhos menos prestigiados.

- Pico Iyer sobre os benefícios de se desligar da vida digital.

- Frank Zappa como Jeff "The Dude" Lebowski e outros fantásticos elencos alternativos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um grande filme sobre a crise e o mercado financeiro: Margin Call

[O texto deve ter alguns spoilers - nada que atrapalhe muito quem ainda não assistiu, mas os mais sensíveis a isso talvez prefiram ver o filme antes de ler.]

David Denby, um dos críticos de cinema da New Yorker, disse que Margin Call é "facilmente o melhor filme já feito sobre Wall Street", afirmação da qual é difícil discordar. O que me leva a essa conclusão é tanto o que o filme mostra (mais adiante) quanto o que não mostra: aqui não têm vez prostitutas de luxo (pelo menos visualmente), cocaína, conspirações, mesas de operações histéricas e dândis de dockside sem meia ostentando relógios de ouro. Os estereótipos dão vez a um realismo cínico que é facilmente identificado por quem já trabalhou no mercado financeiro, e a história e os diálogos são tão bem construídos (claro que o elenco estelar ajuda) que mesmo quem não tem interesse particular pelo assunto vê os 107 minutos passarem com facilidade.

Margin Call acompanha 36 horas infernais na vida de um banco de investimentos americano, envolvido até o último fio de cabelo na bolha imobiliária que estourou nos EUA em 2008. As referências ao Lehman Brothers são óbvias: desde a data escolhida para o lançamento no circuito americano (15 de setembro, exatos três anos depois que o Lehman pediu falência) até o nome do presidente do banco fictício - John Tuld, mudando uma letra pode-se ter o ex-presidente do Lehman (Fuld) ou o Inglês para "pedaço de merda" (turd - não sei se essa sacanagem foi intencional, mas me pareceu evidente). Nesse tempo, um executivo de riscos é demitido e entrega para um de seus funcionários um pen drive (uma das poucas cenas pouco críveis do filme - o segurança do banco que o acompanhava no elevador jamais teria permitido). Nele estão simulações estatísticas que levam à conclusão inevitável de que o banco está muito perto de ir pelo ralo.

A partir daí, toda a hierarquia da companhia é convocada para um comitê apocalíptico. Claro que os altos executivos já haviam sido avisados da situação, mas decidiram, como a esmagadora maioria do mercado, dançar até os últimos acordes da música (imagem criada por um ex-presidente do Citi e usada com muita propriedade no filme). Aí começam as diferenças com a realidade: enquanto o Lehman não conseguiu (ou não quis) tomar as medidas que salvariam o banco, e esperou até a última hora por um comprador ou pela intervenção do governo (essa situação está muito bem ilustrada em outro filme bastante recomendável, Too Big To Fail), o banco de Margin Call é o primeiro no mercado a perceber que a música parou. Levando isso em conta, toma as medidas para salvar a companhia: uma das frases antológicas do presidente John Tuld é "existem três maneiras de sobreviver no negócio: ser o primeiro, ser o mais esperto ou trapacear"; em um dia a equipe da mesa de operações exercita um pouco de cada uma delas e, ao fim desse dia, entendo que o banco estava salvo (creio que quem fez algo mais próximo disso na vida real foi a Goldman Sachs).

Enredo à parte, a galeria de personagens, do analista recém formado até o presidente do banco, passando por traders, executivos de risco e sócios, é riquíssima e completamente sintonizada com a realidade. O elenco, como já disse, é fabuloso: só para ficar nos nomes mais famosos, Jeremy Irons, Kevin Spacey, Paul Bettany, Stanley Tucci, Demi Moore, todos excelentes em seus papéis. A direção e o roteiro, de J.C. Chandor, são muito competentes, mais ainda levando em conta que é o primeiro longa no qual trabalhou. O conjunto é um grande filme sobre os nossos tempos, informativo sem ser exageradamente denso; acima de tudo, entretenimento de grande qualidade, que acho que é dos melhores elogios que podem ser feitos a um filme.

Margin Call estreou em São Paulo semana passada, e, enquanto escrevo, ainda sobrevive em três salas. Não sei se já está disponível nos iTunes e Netflix da vida; se não, deve aparecer em breve.

P.S. Não há nenhuma chamada de margem no filme, apesar do título. E é quase óbvio dizer o quanto é desnecessário o subtítulo aqui no Brasil (O Dia Antes do Fim).

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Frases do dia - Don't Mess With the U.S.

The US can force monetization at the ECB. If the Colonel deems sado-fiscalism as a global systemic threat (which it is), the Fed could act. The Fed has an account at the ECB in Euros. When the pesky Europeans borrow dollars from us on currency swaps to fund their insolvent banks we get this lovely account. And right now the Euros just sit there! If things get messy we just jack the "unlimited" lines up, back up the forklift, and buy Euro area bonds. Lots of them. Say a trillion or two across all non-German markets. The Fed already owns nearly 100b in German and French bonds. And if anyone tries to default down the road, well we have a few hundred billion in European gold to confiscate in the basement of the NY Fed. And if that's not enough we just institute "annual fees" for NATO membership or start confiscating European assets in the US. If the shenanigans in Europe are going to mess up a US recovery, or even a presidential election, then there should be a serious US response. We did not spend all that money on the Marshall plan just to have Europe blow up the world again!

Roteiro de ficção de David Zervos, do banco americano Jefferies, um pouco descontente com o que chama de "sadofiscalismo" e falta de ação dos europeus (os grifos no trecho são meus). O texto completo está aqui.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Jornalistas e a crise européia

Eu tinha prometido parar de policiar a cobertura econômica dos jornais, mas está difícil segurar. Mais ainda quando a cobertura é feita por um cara que gosta de bater no peito dizendo que tem 40 anos de carreira (no caso, o Clóvis Rossi) e já viu de tudo (e isso supostamente o qualificou para, hoje em dia, cobrir os grandes encontros de governos e viajar bastante às custas do jornal). Isso implica também que já teve bastante tempo para aprender algo além do superficial sobre os assuntos que cobre. Ainda assim, não raramente ele dá umas escorregadas que seriam imperdoáveis mesmo para um foca com alguma ambição na carreira.

A manchete do caderno Mundo da Folha no sábado foi "G20 adia soluções para crise econômica". Tudo bem o G20 acreditar (ou fingir) que tem soluções para a crise, mas, a essa altura, dar a entender que os caras têm uma solução viável e estão só esperando (sabe-se lá o quê) para agir é algo perigosamente ingênuo (eu sei que, geralmente, não é quem escreve a matéria que coloca o título, mas o tom da matéria é exatamente esse). Em outro texto, seu Rossi diz que Mantega falou em "guerra fiscal" (no lugar de "guerra cambial"), depois de citar o clássico "injeção de dinheiro na veia da economia" - a medicina estaria perdida se as injeções tivessem a eficácia que tiveram os afrouxamentos quantitativos da vida. No domingo, o mesmo autor se meteu a explicar o trading de alta frequência e os dark pools, chamando-os de "cavaleiros da escuridão". Bela retórica, mas não ajuda em nada o entendimento do leitor (pelo menos ele sugeriu uma consulta ao Google, mais por falta de espaço do que por humildade, creio).

Estamos falando de um dos articulistas mais conceituados do maior jornal do Brasil, e aí caímos naquela velha pergunta: por que a cobertura econômica no Brasil é, com nobres exceções, tão precária? Isso deu uma boa discussão no blog do Leonardo Monasterio há um tempo, não tenho muito mais a acrescentar. Outro ponto interessante é tentar imaginar as barbaridades que se fala sobre outros assuntos que não domino, e que passam como verdades. Nisso, pelo menos, a internet faz um grande serviço: é possível ler opiniões de gente que realmente estudou os assuntos, concordando com elas ou não. Além disso, os incentivos para se escrever um blog esporádico me parecem muito menos perversos do que os de um jornal diário. Vida longa aos blogs, portanto (nada como advogar em causa própria).


P.S. O pessoal do G20 não pode alegar ignorância, e diz no comunicado final (também citado na Folha) que "as flutuações nos preços das commodities puseram o crescimento em risco". Ainda bem que é só controlar o mercado de commodities para garantir a volta à trilha do crescimento.

P.P.S. Meu chute é que, agora que um país grande demais para falir começa a preocupar, não vai demorar muito para o Banco Central Europeu (sob nova direção) seguir o mapa desenhado pelo Fed e o Banco da Inglaterra e começar a monetizar dívida em grandes volumes. É o caminho mais fácil, que não envolve grande coordenação entre governos e poderia adiar o problema das dívidas sem passar por um calote. Mais fácil ainda porque pode-se alegar que os casos dos EUA e do Reino Unido foram, até agora, um sucesso: os juros caíram, a inflação não acelerou  (ainda, dirão os mais céticos) e uma depressão foi evitada. O custo, que o legado do Bundesbank tentaria evitar, é a depreciação da moeda, mas essa causa parece estar cada vez mais sem defesa.

Charge roubada da The Economist.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mirando no PIB nominal

Era uma ideia pouco conhecida, que circulava entre alguns economistas relativamente obscuros. Há dois meses, foi debatida na coluna de economia da The Economist. Há 10 dias, ganhou o apoio peso-pesado da Goldman Sachs. Finalmente, na semana passada, após um discurso de Ben Bernanke em Boston, Bill Gross disse acreditar que o Fed estaria aderindo, e o Business Insider classificou-a como "a ideia mais quente em política monetária".

Estamos falando do estabelecimento de metas formais para o PIB nominal (NGDP targeting, para os falantes de Inglês). A ideia é relativamente simples: ao invés de mirar um determinado nível de inflação e usar os juros para, mais ou menos, obtê-lo, os bancos centrais deveriam perseguir um determinado PIB nominal, ou um ritmo fixo de crescimento para esta variável. Considerando que o PIB nominal pode ser visto, grosso modo, como o crescimento real do PIB (o que costumamos ver nos cadernos de economia) mais uma taxa de inflação, seria possível atingir a meta com diversas combinações de crescimento + inflação: em tempos de crescimento alto, a "calibragem" deveria ser feita para manter uma inflação baixa; com o crescimento abaixo do potencial, a diferença viria de um estímulo monetário inflacionário, via juros baixos ou simplesmente imprimindo dinheiro (para os mais sensíveis, via afrouxamento quantitativo).

Sendo a medida do PIB nominal o produto de uma estimativa estatística não exatamente trivial e difícil de ser acompanhada em alta frequência, o banco central precisaria de uma âncora para saber se suas ações estão levando a variável para sua meta. Aí entrariam as inevitáveis expectativas de mercado, no geral feitas com modelos econométricos alimentados com diversas outras variáveis e algum nível de dispersão.

O principal porta-estandarte da ideia é Scott Sumner, professor da pequena Bentley University (que fica em Waltham, a 15km de Boston) e doutor por Chicago. Sinal dos tempos, Sumner ficou conhecido pelo seu blog, onde defende incessantemente o "NGDP target" em posts longos e discussões frequentes com os keynesianos mais prolíficos (geralmente Paul Krugman e Brad DeLong). A "escola" macroeconômica representada por ele ganhou, recentemente, um nome elegante: monetarismo de mercado - ver aqui o manifesto do dinamarquês Lars Christensen.

Aos meus olhos, o tal monetarismo de mercado é uma tentativa (envolta numa embalagem de novidade) de salvar a tradição de crença no livre mercado de Chicago. Arrisco levantar os seguintes pontos (com a ressalva que meu conhecimento de economia monetária é, pra dizer o mínimo, precário):

- Acreditar que metas para o PIB nominal são uma boa depende de confiar em algumas premissas controversas: uma delas é que, nas palavras do Lars Christensen, recessões são fenômenos monetários - ou seja, são causadas, principalmente, por políticas monetárias muito restritivas (e ciclos reais, portanto, não existem). Mirar o PIB nominal é uma forma de seguir uma velha prescrição do seu Friedman: cresça a base monetária a uma taxa razoável e a economia toma conta de si própria.

- É preciso acreditar fortemente na casualidade queda no PIB nominal - recessão (quando é possível argumentar o contrário). É preciso acreditar na eficiência dos mercados ("Let expectations guide Fed policy", diz Sumner). É preciso confiar em trickle-down economics (políticas que afetam principalmente bancos e empresas serão benéficas, indiretamente, para toda a sociedade). Quem acha que isso tudo já se provou irremediavelmente errado com a crise pode começar a atacar daí.

- Se usada uma premissa errada (muito otimista) de tendência de crescimento real, o resultado será mais inflação e crescimento menor. É preciso tomar o crescimento real como dado, confiar que ele voltará apenas com estímulo monetário. Premissa corajosa, sobretudo num mundo de pouca esperança em inovação e ganhos de produtividade.

O assunto é muitíssimo extenso e devo ter feito muitas simplificações exageradas, mas só queria introduzir aqui um tema que ainda deve dar muito o que falar. Acho que é a última cartada do grande experimento monetário mundial, a grande aposta em tentar provar a relevância dos bancos centrais, a viabilidade das economias liberais e a relevância de boa parte do que foi feito na academia nos últimos anos. Sou cético quanto aos resultados: além de não acreditar que crescimento pode ser totalmente endógeno, acho que esse tipo de política acentua o já absurdo nível de risco moral do sistema. Ainda assim, é uma ideia ao mesmo tempo ousada e perfeitamente inserida dentro de um território relativamente confortável para o status quo, daí sua relevância e potencial força. Aguardemos.

P.S. O brasileiro João Marcus Nunes, que passa por aqui de vez em quando, é um interlocutor frequente do Scott Sumner e escreve um blog (em Inglês) bastante focado em monetarismo de mercado. João, se quiser corrigir alguma barbaridade que escrevi ou fazer uma introdução mais apropriada sobre o tema, será um prazer divulgar.

P.P.S. Para quem quiser se aprofundar nos argumentos favoráveis, ver, do próprio Sumner, este artigo ou o vídeo abaixo:



P.P.P.S. Obviamente tendo se inspirado aqui, o Free Exchange acabou de colocar um post sobre o assunto.

P.P.P.P.S. Do João Marcus que mencionei acima, pescado dos comentários:

Eu me convenci do potencial da "meta para o PIB nominal" quando percebi que o Greenspan "aplicou o princípio" sem saber que estava fazendo! O artigo abaixo eu escrevi há pouco mais de 2 anos, em 2009, e transformei em post esse ano. Talvez ajude a entender melhor o princípio: link.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

FOMC, etc

O FOMC acabou de anunciar que vai alongar suas compras de títulos (vai vender os mais curtos e comprar vencimentos acima de 10 anos). É dos dias mais malucos que já vi nos mercados, ainda que os movimentos sejam relativamente pequenos. Volto amanhã.

P.S. Movimentos eram relativamente pequenos. Fechamento dos mais feios que já vi.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mascote do Fed

(e do Los Angeles Angels)


Em ação hoje.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Too Big To Fail", o Filme

Na preguiça de ler o livro, fui ver (com dois meses de atraso) o filme que a HBO produziu sobre Too Big To Fail, de Andrew Ross Sorkin, do New York Times. Acabei gostando, mais até do que do documentário Inside Job. O elenco é excelente (James Woods como Dick Fuld, William Hurt como Hank Paulson, Billy Crudrup como Tim Geithner e Paul Giamatti como Ben Bernanke, sendo que este entraria na estranha galeria criada por um amigo de atores que parecem mais com seus personagens do que os próprios personagens – Morgan Freeman como Nelson Mandela e Val Kilmer como Jim Morrison são os outros exemplos). Algumas notas aleatórias sobre o filme (e sobre a história, assumindo que o filme é fiel ao livro e que o livro é fiel à realidade)

- É quase inacreditável ver como Fuld não tinha idéia (ou fazia que não tinha) do tamanho do problema da Lehman. Em algum momento, achou-se que a divulgação de resultados bons em um trimestre iria parar a sangria nas ações da companhia. Claro que olha-se para trás com todo o benefício de saber o desfecho, mas nos é apresentado o principal executivo de um banco que simplesmente desconhecia que havia o risco de seu negócio ser varrido do mercado – sinal dos tempos: um CEO prudente teria sido demitido anos antes, por não lucrar como seus pares com o ciclo de alavancagem.

- Nos primeiros meses, havia a clara impressão de que a crise era localizada e poderia ser contida – algo como o que está acontecendo hoje na Europa.

- Notável também a tentativa dos “campeões do capitalismo” colocarem a culpa da crise na entidade “mercado”: o “mercado” empurra o preço das ações para níveis injustos, a culpa é dos “short sellers”, e por aí vai. Ninguém parece ter se perguntado que talvez, só talvez, os bancos tivessem exagerado na alavancagem e na tomada de risco e que isso estava sendo reconhecido, depois de anos de bonança e extrapolação de premissas irreais.

- O filme salva parcialmente a reputação de Hank Paulson, tido por alguns (ver o livro Capitalism 4.0, de Anatole Kaletsky, por exemplo) como “o” responsável pelo aprofundamento da crise, por deixar o Lehman Brothers ir à falência. Paulson é retratado como um cara aberto e conciliador, que de fato procurou, até o último momento, uma solução que não envolvesse transferência de dinheiro público para os bancos (qualquer nível de estatização parecia totalmente inaceitável). Para quem tem se perguntado por onde ele anda: no final de junho ele foi apontado como senior fellow da Harris School of Public Policy, da Universidade de Chicago.

- Falando no Paulson: alguém sabe se de fato aconteceu a cena em que ele se ajoelha aos pés da Nancy Pelosi, pedindo por um acordo no congresso para aprovação do TARP? E se ele tomou mesmo uma bronca da Christine Lagarde pelo telefone (como em Inside Job, os franceses aparecendo como bastiões de prudência na regulação bancária - creio que a história ainda vai resolver isso)?

- Tim Geithner, se corretamente representado é um cara muito, mas muito irritante: arrogante e cheio de idéias “brilhantes”. Se aconteceu, o episódio dele posando de mestre do universo, tentando organizar fusões entre bancos colocando o nome de cada um em fichas, espalhando-as sobre a mesa, montando os pares e ligando para os CEOs envolvidos é absolutamente patético.



Enfim, evidentemente não substitui a leitura (minhas dúvidas acima deixam isso claro), mas é uma boa diversão com alguma informação, vale fácil a hora e pouco gasta na frente da TV.

O site oficial do filme é este aqui; o MarketBeat, do WSJ, tem uma crítica.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Crescimento x austeridade

A última coluna de economia da The Economist (Economic focus) comenta alguns trabalhos acadêmicos que tentam encontrar casos históricos em que austeridade fiscal levou a maior crescimento econômico, a combinação que muitos julgam desejável para os EUA e a Europa atuais Infelizmente, o sucesso dos defensores do aperto dependerá da incômoda premissa que "this time is different" (o racional suposto é que a austeridade diminui a probabilidade de calote da dívida, baixando as taxas de juros e, por consequência, aumentando os preços de ativos e os incentivos para investimento - esse tipo de argumento embute um grau de crença em expectativas e na preponderância de fatores financeiros que é bastante típica da nossa época, também tem sido usada pelo Fed): em um paper do FMI, por exemplo, foram estudadas 173 mudanças de política fiscal entre 1978 e 2009, e a conclusão é que um corte no orçamento de 1% do PIB leva a um crescimento real cerca de 0,7% menor e a um desemprego 0,3% mais alto.

Fugindo das possíveis distorções que uma modelo econométrico agregado pode gerar, um outro trabalho, de um professor da Universidade Bocconi, apresentou os casos em que políticas austeras tiveram sucesso. As tristes conclusões são que: (i) não são muitos, (ii) dependeram de fortes quedas nos juros (com o estímulo monetário decorrente substituindo algo da restrição fiscal) e/ou de grandes desvalorizações das moedas - possibilidades remotas em nosso mundo de juros já muito baixos e (no caso da Europa) taxas de câmbio não-independentes. Sem crescimento, sobram como opções para diminuir a dívida a combinação perniciosa de monetização e inflação ou o velho e bom calote, com o nome pomposo que queiram dar (reestruturação, renegociação...). O aperto fiscal arrisca piorar a atividade de economias já fragilizadas, e, no fim das contas, levaria por outro caminho a essas duas opções. Não vejo como os detentores de dívida não perderem, e,  até isso acontecer, seguiremos nesse estranho mundo de promessas irreais e políticos de grandes egos tentando controlar o incontrolável (e, tristemente, de dívida ruim sendo transferida de bancos privados para bancos centrais e tesouros nacionais).

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Leituras do 235º aniversário dos EUA

Aproveitemos a paradeira nos mercados para colocar as leituras em dia:

- Festival de notícias e análises sobre o Brasil mundo afora: Roger Cohen, do NYT, evoca a clássica frase de Tom Jobim (O Brasil não é para amadores) para ressuscitar o termo "convergência"; a Bloomberg fala sobre a morte de Itamar Franco; o Wells Fargo contribui para a discussão sobre o nosso câmbio; a BBC discute as possíveis bolhas do país; a Economist opina sobre a briga pelo varejo e, gran finale, um paper do Fed estuda nosso sistema de depósitos compulsórios e seu papel durante a crise, abrindo com uma citação do nosso fiel timoneiro nesse mar de instabilidade.

- George Soros, Niall Ferguson, Paul Krugman, Nouriel Roubini & cia discutem a crise (NY Review of Books).

- O Lauro Martins testa a teoria da normalidade dos retornos para o Ibovespa.

- Um novo blog sobre a América Latina, vista dos EUA (dica do IKN).

- Mais um artigo de Barry Eichengreen sobre o fim do dólar. Para os mais práticos, ele acha que a moeda americana ainda deve perder mais 20%.

- Uma entrevista curtinha com Hugh Hendry. O YouTube não está funcionando hoje no meu Chrome, alguém com o mesmo problema?

- 10 curiosidades da teoria econômica.

- As 14 maiores ideias do ano, até agora (The Atlantic).

- 2000 anos de história da Europa, em mapas (dica da Aline).

- Aberta a temporada de apostas para o Nobel de Literatura (via Marginal Revolution).

- Sobre o Google+.

- Rudresh Mahantappa é o melhor saxofonista (alto) do ano. Eu já sabia :-P

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Devaneios do feriado - o keynesiano e o Fed

Ontem, feriadão, meio gripado e sem nada melhor pra pensar, comecei a lembrar de um professor da graduação. Meio maluco, se declarou keynesiano desde a primeira aula (a matéria, se não me engano, era "Introdução ao Desenvolvimento Econômico"). Tinha uma porção de pós-doutorados, entre Brasil, Inglaterra, Alemanha e Japão. O curso foi cheio de grandes momentos: de vez em quando ele parava a aula e começava a dar conselhos pra carreira, falando pra gente dar um jeito de fazer pelo menos um mestrado no exterior e arrumar um emprego "no FMI, no Banco Mundial, qualquer um desses, são os melhores empregos pra economista, pagam muito bem, você viaja de graça e não trabalha muito" (tenho uma porção de amigos que trabalham ou já trabalharam nesses órgãos e dizem que não é bem assim). Numa outra aula, ele distribuiu uma folha de xerox com vários recortes de textos, uns colados na horizontal e outros na vertical, escritos em alemão (o título era "Das Mundell-Fleming model", não esqueço até hoje), inglês e espanhol. Alguém reclamou que a maioria da classe não lia alemão, ele olhou pro pessoal meio surpreso e emendou o seguinte diálogo:

- Alemão é fácil, vocês deviam aprender. É só comparar os textos.
- Como assim, professor?
- Você pega um texto em uma língua que você conhece, o mesmo texto em alemão e vai comparando, decorando as palavras.
- Aaaaaah, claro. O senhor também aprendeu japonês assim?
(pausa de uns 20 segundos, professor pensativo)
- Nâo, não, japonês é mais complicado. Não dá. Japonês é mais complicado.

Mas a história que eu queria lembrar aqui não é nenhuma dessas. Quase no final do curso, rolou uma discussão sobre presença do governo na economia, quais eram as possibilidades e restrições para investimento do estado. Com a aula quase acabando, ele solta:

"No fim das contas, é fácil. É só o governo imprimir dinheiro."

Acho que tínhamos acabado de sair de alguma aula com um professor monetarista puro-sangue, porque a reação da maioria foi fazer cara de espanto e começar a perguntar:

"Professor... isso não acaba em hiperinflação?"

Ao que ele, sabiamente, respondeu:

" Talvez, mas e daí? Depois arruma."

Aí acho que a sala caiu na gargalhada e a aula terminou.

Nem tantos anos depois, de algum jeito chegamos no Fed de Ben Bernanke, que pode pensar e se justificar de forma bem diferente, mas, na prática, adota a mesma solução "fácil" que parecia absurda. Não sei se a história tem uma moral: talvez gestão de política econômica tenha mesmo que ser flexível a ponto de não se envergonhar de passar por cima de qualquer dogma estabelecido na academia; talvez a tentativa de preservar um modelo de economia que dá sinais de esgotamento implique em bizarrices que os historiadores do futuro vão quebrar a cabeça para entender; talvez seja mesmo fácil arrumar depois, e Bernanke e meu professor malucão vão rir por último. Daqui a uns anos a gente confere.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Leituras da quinta-feira

- Brad DeLong x Jim Grant, sobre a necessidade do QE3.

- Sobre o dólar: Barry Eichengreen e uma das poucas (e boas) mulheres da indústria de fundos, Renée Haugerud.

- A única agência de classificação de risco que deveria ser respeitada sobre a Grécia (Zero Hedge).

- A pipa do vovô não sobe mais? As ações da Berkshire Hathaway parecem baratas (WSJ).

- Uma bolha da qual você provavelmente não ouviu falar: revistas em quadrinhos, em 1993.

- O verdadeiro código de vestimenta de Wall Street (The Reformed Broker).

- Os 100 melhores livros de não-ficção (The Guardian).

- Personagens históricos em encontros inusitados. O Putin de turista está ótimo.

- O (novo) melhor paper do ano: traumatismos cranianos nas histórias do Asterix. Trecho: "The largest group of head-injured characters was constituted by Romans (63.9%), while Gauls caused nearly 90% of the TBIs. A helmet had been worn by 70.5% of victims but had been lost in the vast majority of cases (87.7%). In 83% of cases, TBIs were caused under the influence of a doping agent called “the magic potion”. Genial.

- Cheques artísticos, como este: