Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de março de 2013

Segunda-feira no Chipre...

Not any given monday
...os bancos estarão fechados pelo feriado que marca o início da Páscoa Ortodoxa. No dia seguinte, quando os bancos reabrirem, os depositantes terão perdido pelo menos 6,75% de seus recursos (9,9% para depósitos de mais de €100 mil). Esse foi o preço escolhido pelo governo para ajudar a pagar por um pacote de €10 bilhões de ajuda para os bancos.

O precedente para os outros países com setores bancários problemáticos na zona do euro é muito perigoso - resta saber se o mercado vai extrapolar essa possibilidade (acredito que sim), e, mais importante, como vão se comportar os correntistas dos outros países ao verem o que aconteceu com os cipriotas. Provavelmente teremos uma semana muito interessante pela frente.

Mais no Financial Times e no Paweł Morski.

P.S. Incrível como esse script, de decisões tomadas no final de semana com feriado bancário no dia seguinte, soa familiar para nós, brasileiros, e deve parecer uma invasão alienígena para os europeus acostumados com tantos anos de estabilidade.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Leituras da Semana

Helicópteros de dinheiro são para os fracos
- A mais recente carta de Warren Buffett aos acionistas da Berkshire Hathaway. John Kay sobre Buffett.

- Uma comparação interessante entre os índices de inflação de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Venezuela e variações de preços na internet. O resultado é o que você imagina. Dica do leitor J.

- Aviões de dinheiro (literais) teriam salvado a Grécia de uma corrida bancária. O euro esteve incrivelmente perto de se esfacelar ano passado.

- Mansueto Almeida duas vezes sobre bancos públicos: aqui e aqui.

- A (falta de) competitividade internacional do Brasil.

- A Argentinofilia de Paul Krugman.

- Moisés Naím sobre Hugo Chávez. Ótimo gráfico comparando a evolução dos termos de troca nos países da América Latina, reforça o tamanho da sorte que acompanhou os mandatos de Chávez. O editorial da última The Economist.

- Os bairros mais caros do Brasil.

- O Índice Starbucks.

- Ótimo guia para ratings de crédito soberano.

- Uma introdução à desigualdade global, por Branko Milanovic.

- Entrevista da Folha com Ricardo Paes de Barros.

- As cidades com quartos de hotel mais caros do mundo.

- Você anda lendo demais o Zero Hedge?

- Uma carta para Marissa Mayer, a CEO do Yahoo! que proibiu os funcionários de trabalharem de casa.

- Entrevista com John Gray.

- Entrevista com Teju Cole, sobre drones e mais.

- Do que fala a literatura brasileira contemporânea.

- Um projeto para ler todos os romances mais vendidos dos últimos 100 anos.

- Uma resenha muito interessante de Django Livre.

- Candidatando-se para a vaga de papa.

- Jacques Derrida entrevistando Ornette Coleman.

- Criei um Tumblr para alimentar (como se precisasse) meu lado diletante.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Valor Agregado

Leio na Economist que a Suíça exportou, no ano passado, US$23,3 bilhões em relógios (mais de 30 milhões de unidades ao preço médio de incríveis US$685). No mesmo período, o Brasil exportou 327 milhões de toneladas de minério de ferro, recebendo por isso US$31 bilhões. Mas beleza, bom mesmo é gastar dinheiro público para incentivar campeões nacionais produtores de commodities.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Frases do Dia - não existe amor em Copenhague

"...our language is one of the most ugly and limited around. You can't seduce anyone in Danish; it sounds like you are throwing up."

Sidse Babett Knudsen, a primeira-ministra Birgitte Nyborg da extraordinária série dinamarquesa Borgen, em entrevista para o Guardian. Está numa matéria da New Yorker sobre o sucesso recente da TV escandinava.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Europa 2013

Entre o que aconteceu de surpreendente no ano passado, nada me espanta mais do que a Zona do Euro ter chegado a 2013 funcionando e com exatamente a mesma composição de um ano atrás. Dentro desse tema, cresce o espanto ao ver que as taxas de juros pagas pelos títulos dos governos que usam a moeda entraram novamente em convergência, diminuindo a diferença para os títulos da Alemanha.

De algum jeito, Mario Draghi, seus colegas tecnocratas e políticos conseguiram: conter uma corrida bancária que, em vários momentos, pareceu se iniciar na Grécia, Portugal e Espanha; evitar a eleição de partidos radicais, que poderiam tirar unilateralmente seus países do acordo monetário; administrar as divergências internas da comunidade e garantir linhas de salvamento para todos os países em crise mais aguda; e fomentar programas de austeridade mesmo em países com alto desemprego e grande pressão por mais gastos públicos. Não é pouca coisa, e só foi conseguido às custas de alguns pactos faustianos, de alto risco: aumento do "risco moral" do sistema (bancos não quebram mais, ponto final); potencial da austeridade gerar mais um longo período de desemprego alto e consequente radicalização política; enormes desequilíbrios entre os balanços de bancos centrais nacionais (o sistema TARGET2, mais neste paper do BIS) e distorção dos mecanismos de mercado para vários preços importantes (notadamente, o custo de financiamento público).

Para o futuro, creio, uma hipótese importante a ser testada (emprestada do Taleb) é se essa supressão de volatilidade implicará em rupturas mais profundas. Afinal, a vida da maioria da população e sua capacidade de consumir ou pagar dívidas não parece ter melhorado, e deve haver um ponto em que a insistência na austeridade, se não gerar resultados concretos para o emprego, passe a ajudar na plataforma de partidos de oposição mais radicais do que aqueles eleitos nas votações mais recentes. Assim, os maiores riscos tornaram-se ocultos, longe das telas de cotações de preços e sujeitos a dinâmicas pouco previsíveis e de grande impacto.

Por enquanto, sobra aos pessimistas o rótulo de Cassandra, já que as apostas vencedoras das quais se têm notícia foram na capacidade dos governos contornarem a crise e na reação que isso gerou nos mercados - como exemplo, basta dizer que ativos gregos forneceram grandes retornos no ano passado. Não há como ignorar, porém, a deterioração progressiva da representatividade de alguns governos e a tentativa de domar grandes sistemas complexos com medidas centralizadas. A história mostra algumas consequências desastrosas dessa combinação e, infelizmente, não vejo porque acreditar que desta vez será diferente. Porém, anos podem se passar sem que nada aconteça, o que inviabiliza boa parte das teses de investimento baseadas nessa ideia. Resta buscar opcionalidades e, sobretudo, evitar a tentação de eventuais ganhos de curto prazo em ativos sabidamente ruins.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Espanha e os 0,1%, aplicado ao futebol

Anteontem, na premiação da FIFA de melhores de 2012 no futebol, foi escolhida uma seleção mundial - os 11 jogadores mais votados por mais de 50.000 outros jogadores profissionais. Em teoria e descontados alguns vieses, são os melhores jogadores do mundo em suas respectivas posições - ou pelo menos é seguro afirmar que estão entre os três ou cinco primeiros em todos os casos. Chamou-me a atenção que todos, 100%, os 11, jogam em clubes espanhóis - cinco no Real Madrid, cinco no Barcelona e um no Atletico de Madrid.


A Espanha, como sabemos, terminou o ano passado com mais de 25% de desemprego - 56,5% para os jovens com menos de 25 anos. Passou mais da metade dos últimos quatro anos em recessão. Ainda assim, seus clubes têm dinheiro para pagar e manter os onze maiores futebolistas em atividade no mundo. Onde está o erro?

Dá pra falar de vários aspectos desse caso (quer dizer, daria se eu entendesse alguma coisa dos assuntos), todos fascinantes: a capacidade do futebol descolar do ambiente da sede dos clubes, tanto pela transcendência do esporte quanto pelo dinheiro globalizado aplicado nos times grandes; a atual fase do futebol espanhol (mais da metade dos eleitos) e a tendência desses jogadores preferirem jogar no país / clube de origem, mesmo com potenciais ofertas melhores; o efeito "winner takes all" que o atual esquema de receitas alimenta; a enganação que são os "dois melhores laterais do mundo" brasileiros, etc... Vou me concentrar em um que especialmente me incomoda: os subsídios cruzados que ajudam a sustentar o futebol.

Os times da liga espanhola, segundo estudo de um professor da Universidade de Barcelona (mais, muito mais no ótimo The Swiss Ramble) acumulam cerca de €3,5 bilhões em dívidas - Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, somados, correspondem a quase metade desse valor. Os clubes devem a bancos, outros clubes e ao fisco espanhol (€426 milhões para este). No mundo ideal, essas dívidas um dia seriam devidamente pagas. Clubes de futebol, porém, não estão entre os melhores pagadores, talvez porque não têm grandes incentivos para tal: como executar um grande clube? Decretar sua falência, liquidar e encerrar a história? Quem vai lidar com a pressão popular, ou dos torcedores poderosos (apenas o rei da Espanha, no caso do Real Madrid)? Para piorar, estamos numa conjuntura em que bancos não podem mais quebrar, e suas más decisões de crédito, emprestar a times de futebol entre elas, acabam sendo bancadas pelo contribuinte.

No fim das contas, todos os contribuintes acabam sustentando os clubes - o governo precisa arrecadar de outra maneira os impostos que deixa de cobrar, resgata os bancos que emprestaram aos clubes e, pelo exemplo brasileiro (deve haver muitos outros), resgata os próprios clubes, quando preciso. É um crowdfunding compulsório, tendo como fundo a ideia que clubes de futebol são, ao menos parcialmente, bens públicos. Podem até ser, mas isso deveria ficar mais claro para que os eleitores decidam se é legítimo manter essa casta de multimilionários às custas da população.

O caso específico da Espanha hoje parece particularmente imoral pelo descolamento entre a conjuntura do país e a riqueza da liga de futebol, mas não é o único. Nem é o futebol - o mundo está repleto de negócios que criam milionários indiretamente subsidiados por contribuintes. É ridículo políticos defenderem uma era de austeridade geral  enquanto esses casos não se tornarem explícitos, analisados e repensados.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Grécia e crises do passado

Michael Cembalest, do J.P. Morgan, comparou a atual crise da Grécia com outras tragédias econômicas de após a II Guerra (tabela tirada do Outlook 2013 dele, cuja leitura recomendo):


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Leituras da Semana

- Analisando as últimas medidas de controle de capitais no Brasil.

- Jack Schwager e a diferença entre volatilidade e risco.

- Entrevista de Michael Mauboussin para a Wired.

- Tim Harford defende a teoria dos mercados eficientes (pelo menos para a grande maioria dos mortais).

- Howard Marks sobre o resultado das eleições americanas.

- A GMO dá adeus a sua carteira de renda fixa.

- Entrevista de Reinhart e Rogoff para a Barron's.

- O último relatório do ótimo Dylan Grice para o Societe Generale.

- Jeffrey Frankel vai a Cuba.

- Ótima entrevista de Felipe González para o Valor.

- Professor, o que o governo pode fazer para promover o crescimento? Partes 1, 2 e 3.

- Robert Solow sobre Hayek e Friedman. Tyler Cowen rebate.

- Ronald Coase (quase 102 anos e bem, obrigado) pedindo pés no chão para os economistas.

- Um debate imaginário entre Michael Sandel e economistas.

- A lista de 100 pensadores globais deste ano da Foreign Policy.

- Cingapura, o país menos emotivo do mundo.

- Começa a temporada de listas de melhores livros do ano: Tyler Cowen (ficção e não-ficção), vários autores para o Guardian, os 100 do New York Times.

- O britânico que visitou, sem usar avião, todos os países do mundo.

- Nova série da ESPN sobre o futebol no Brasil, Chile, Uruguai e Argentina durante as respectivas ditaduras. Parece interessante.

- Ke$ha + Zizek.

- Adeus, Joelmir Beting.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Lei de Benford

Ontem o amigo T. Maia contou que, em um curso de "computational investing" no Coursera, o professor usou uma pesquisa simples entre os alunos (perguntando o primeiro dígito da quantidade de dinheiro que cada um tinha na carteira e o primeiro dígito do número da respectiva casa) para exemplificar a Lei de Benford, da qual nunca tinha ouvido falar e que achei muitíssimo interessante, mais uma sistematização da observação de fractais no mundo. Aqui o Tim Harford fala de uma aplicação da lei para produzir evidências de que o governo da Grécia forjava os números enviados para a agência de estatísticas europeia. Infelizmente dá para imaginar, por variação de outra lei (a de Goodhart) que fraudadores mais sofisticados vão adaptar os dados de forma que pareçam realistas por aquele critério.

P.S. A Lei de Benford é exemplo de outra lei que conheci ontem, a de Stigler.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O que aprendi sobre a Noruega

- Sim, a Noruega é o Peter Perfeito dos países. Lá, como disse uma vez meu amigo e anfitrião-remoto Henrique, é o zerésimo mundo: tudo funciona, os trens e aviões saem na hora, tem internet wifi em praticamente qualquer lugar, é dos melhores lugares do mundo para se ter filhos (não à toa a taxa de fertilidade é bem maior que a média da Europa - 1,78 filhos por mulher, bem próxima a do Brasil - consta que o governo oferece uma bolsa de algo como US$ 35 mil para cada cidadão que nasce) e onde igualdade de direitos entre os sexos é levada bastante a sério (uma lei polêmica determina que pelo menos 40% dos cargos executivos em empresas deve ser ocupado por mulheres).

- A ministra da cultura da Noruega é uma mulher, muçulmana (família paquistanesa), de 29 anos.

- Nada me preparou para o choque com alguns preços. OK, todo mundo sabe que é dos lugares mais caros desta galáxia, mas nada pode te preparar para entrar num tram em Oslo e paga 50 coroas (quase R$ 18) para andar uns três quilômetros. Por que tudo tão caro (evitando sacar direto o efeito Balassa-Samuelson)? O Seth Kugel, do Frugal Traveler, arrumou a seguinte explicação:


Most people assume Norway costs so much because of its high tax rates. Not so, said Nils Henrik von der Fehr, chairman of the economics department at the University of Oslo. Taxes play a supporting role — there is a 25 percent value-added tax on most products, for example — but the real reasons are labor costs and agricultural protectionism.
“The most important factor is the way our labor market works: centralized bargaining,” Mr. von der Fehr said. “One has made an effort to have an egalitarian wage structure. While people like me are not well paid compared to our colleagues in other countries, people at the lower end earn much more. You don’t have cheap labor in Norway.
“All the things you want as a tourist — hotels, restaurants — are labor-intensive,” he said. “That’s why it’s nice for us to be a tourist in the U.S.: everything you want is cheap because of the abundance of cheap labor.”
Another factor is the high tariffs on agricultural imports that keep Norwegian farms in business: “We have perhaps the most protected agricultural system in the world,” he said. “It’s not a particularly easy place to grow anything. Farms are small and the season is short.”


A propósito, ele conseguiu sobreviver na Escandinávia com US$ 125 por dia. Parte da estratégia: passar menos tempo na Noruega e mais entre Suécia, Dinamarca e Finlândia. Blé.

- A paranóia com o consumo de álcool é quase parecida com a da Islândia: supermercados só vendem cerveja, mas até um horário determinado (20h30, se não me engano). Bebidas mais fortes, só nas lojas estatais. Ah, essa cerveja aí embaixo custou, num ferry, algo como 30 reais. Skål!


- O fundo de pensão do governo tem cerca de US$ 560 bilhões em ativos - mais de US$ 100 mil por habitante. É tanto dinheiro que o governo planeja gastar menos do que a taxa de retorno do fundo para não superaquecer a economia. Boa parte do mundo gostaria de ter esse tipo de problema fiscal...

- Ludvig Ravensberg, pintor:



- O Rosenborg, único time de futebol digno de nota no país (tente lembrar de outro) não é da capital: é de Trondheim, terceira maior cidade. O Rosenborg ganhou 16 das últimas 20 edições do fortíssimo campeonato nacional.

- Estou tirando sarro do futebol norueguês, mas nossa seleção de futebol nunca ganhou da deles.

- Trondheim é o lugar em que mais vi clínicas de bronzeamento artificial no mundo. A cidade tem menos de cinco horas diárias de sol no inverno, mas deve haver outra explicação.

- Seasonal affective disorder, existe.

- Isso só eu não sabia, mas vai lá: o Nobel da Paz é decidido por um comitê norueguês, e entregue em Oslo, nesse prédio bonitão:


Update e P.S.:

- A (o?) Steph, nos comentários, pegou a presepada do Lonely Planet (e deste escriba:
O Nobel da Paz é entregue no salão principal da Prefeitura de Oslo, querido keynesiano ébrio!Esse prédio aí da foto é uma antiga estação de trem, que apenas recentemente foi transformada em museu.Se você não visitou o interior da prefeitura, pode se lamentar: é uma das coisas mais fantásticas que eu fiz em Oslo!
- Por lá tem uma revista de futebol chamada Josimar, em homenagem a ele, mesmo, o da Copa de 1986. Parece bacana, pena que não consigo ler em norueguês:


terça-feira, 25 de setembro de 2012

O que aprendi sobre a Islândia

- A maior cidade fora da "grande Reykjavík" tem 18 mil habitantes (Akureyri). Reykjavik tem 120 mil, mais de um terço da população total do país. E, claro, o país tem mais ovelhas do que pessoas - é possível dirigir dezenas de quilômetros sem ver ninguém, só os bichos peludos, que, aparentemente, cuidam da própria alimentação e se auto-tosquiam na época apropriada.

- Comprar bebida alcoólica por lá é um tormento. Os supermercados só podem vender uma "cerveja light", com no máximo 2,5% de teor alcoólico (e cuja sensação ao tomar é a mesma daquelas tentativas frustradas de quando você é universitário, tem mais pressa do que gosto e tenta compensar a cerveja quente recém comprada com pedras de gelo), e cerveja de verdade (marcas locais: Viking, Thule e Egils) e outras bebidas só são vendidas em lojas estatais - que fecham às 18h30. Bares e restaurantes servem normalmente, desde que se esteja disposto a pagar algo como R$ 20 por uma long neck.

You can't always get what you want...

- Talvez para compensar, os islandeses são os maiores consumidores per capita de Coca-Cola no mundo. Também são os que mais leem e vão ao cinema, e a penetração do Facebook no país é a segunda maior do planeta (70% da população, só atrás do Qatar).

- A recuperação econômica por lá depois da crise de 2008 costuma ser elogiada por gente como Paul Krugman, mas os islandeses aparentemente não estão satisfeitos. O desemprego ainda não voltou ao padrão anterior (está em 4,8%, a média na década antes da crise é perto de 2% - mas no auge da crise foi acima de 9%), e há quem ache que a coroa islandesa ainda é muito instável, depende de controle de capitais e afasta investimento estrangeiro. A solução seria adotar o euro. Regimes de câmbio, sempre um tormento...

Demais moedas, OK jogar na água.

- Como aqui, a indexação à inflação é bem popular por lá. A maioria das dívidas bancárias (incluindo hipotecas) são indexadas. O Robert Shiller diria que é o desejável; há quem ache que isso é coisa de terceiro mundo.

- Ótimo blog sobre economia da Islândia: Icelandic Economics.

- Finalmente entendi como funcionam os patrônimos - na verdade é bem simples, eu é que nunca tinha tido paciência de me informar. Funciona bem para um país daquele tamanho, acho.

- Alguns trechos da Ring Road, estrada que dá a volta na ilha e principal do país, fazem a BR-116 parecer uma autobahn. Só não é mais complicado porque na maior parte do tempo dirige-se sem nenhum outro carro por perto. Ainda assim, a Islândia é dos países do mundo com mais carros por habitante (724 para cada 1000; no Brasil, são 259 para 1000).

- A Islândia tem um ganhador de Nobel - Halldór Laxness ganhou o prêmio de literatura, em 1955. Comecei a ler seu livro mais famoso, Independent People, mas estou apanhando pra passar da metade.

- (acabei de descobrir, graças ao Wolfram Alpha, que houve um ganhador de Nobel nascido no Brasil - sir Peter Brian Medawar, Nobel de Medicina em 1960, nasceu em Petrópolis, de mãe britânica e pai libanês; é cidadão britânico desde que nasceu, porém.)

- þ e ð se pronunciam mais ou menos como o "th" em inglês, mas são diferentes entre si (OK, não ajudei em nada). Salvo em palavras de origem estrangeira, na Islândia não são usadas as letras C, Q, W e Z.

- O gosto dos islandeses por doces de alcaçuz deve fazer parte da programação genética, como o dos australianos por vegemite. Não pode haver outra explicação.

- Há vida depois da quebra de bancos e calote, claro - mas disso os brasileiros estão cansados de saber.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Legítimo representante do "nobre povo"
- Um caveat emptor para os compradores de ações no México.

- Pastore, Gazzano e Pinotti sobre a estagnação da produção industrial no Brasil.

- Dilma na capa da edição da Forbes com as mulheres mais poderosas do mundo.

- A Bloomberg descobriu a mulher mais rica do Brasil.

- PIMCO sobre a "japanização" do mundo desenvolvido.

- Timothy Garton Ash na Foreign Affairs sobre a história do euro.

- Uma história dos regimes de câmbio no mundo.

- O FRED, ótima base de dados do Fed de St. Louis, agora tem versões para tablets e celulares (sei lá, deve ter um tipo de pessoa que sente uma vontade incontrolável, durante um jantar, de checar como anda a criação de empregos nos EUA).

- Algumas coisas que é bom estudar caso queira discutir política externa a sério.

- Uma lista de leitura sobre economia comportamental, por Michael Mauboussin, da Legg Mason.

- Como se explica o sucesso da The Economist.

- Por que estudar Ayn Rand?

- Virou filme a história do ilustre desconhecido Aristides de Sousa Mendes: cônsul de Portugal em Bordeaux durante a Segunda Guerra, emitiu cerca de 30 mil vistos para refugiados (10 mil judeus, entre eles).

- Baroque Yo' Mama, judeu, nascido em Oslo, presidente dos EUA.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Leituras da Semana e Meia

Índia, 65
- O Spiegel acha que o Brasil é um país-modelo. Ouch.

- Mark Dow sobre as dificuldades dos fundos global macro.

- Uma lista de leituras para o verão europeu, por Barry Eichengreen.

- Nicholas Kaldor, há 41 anos, sobre a União Européia.

- A Companhia das Letras lança ainda esta semana a versão brasileira do livro de Sylvia Nasar sobre pensamento econômico. A Folha publicou um trecho e a resenha do NY Times. Eu havia resenhado aqui.

- John Kay sobre a abordagem de Keynes para probabilidade.

- 36 indicadores econômicos bizarros.

- Nassim Taleb acha que não é mais uma boa ideia trabalhar na indústria de investimentos.

- Uma retrospectiva da crise argentina.

- McKinsey sobre a Austrália.

- Começa a esquentar o debate pré-eleições nos EUA: Simon Schama e a escolha entre Franklin Roosevelt e Ayn Rand. A matéria de capa da última Newsweek, com Niall Ferguson panfletando para os republicanos. Entre as dezenas de reações, a de Noah Smith e o comentário de John Cassidy. Ezra Klein e o melhor caso contra o mandato de Obama.

- Jeremy Grantham sobre a crise de alimentos.

- O Oikomania faz um resumo sobre as hipóteses correntes para o desenvolvimento.

- As desigualdades regionais na Europa e uma boa reflexão sobre educação.

- Um manual do Brasil, pelo J.P. Morgan.

- William Easterly prova que as Olimpíadas não produzem medalhas.

- Os guias de viagens e suas concessões a tiranias.

- Como tem crescido o consumo de cerveja no mundo.

- Das Kapital em mangá.

- Caso não saibam, é proibido entrar com livros em estádios de futebol no Brasil.

- O Financial Times lê o quadro de medalhas das Olimpíadas de Londres.

- As 10 verdadeiras lições de gestão dos jogos.

- Sonny Rollins na New York Review of Books.

- A globalização segundo a revista Cosmopolitan (Nova, por aqui).

- Os bons tempos em que se podia beber no trabalho.

- Fotos dos 65 anos de independência do Paquistão e da Índia.

- Escândalo: o bolovo é uma invenção escocesa.

- Um grande dilema de lecionar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Still crazy after all these years
- Um bom trabalho do FMI sobre a eterna questão dos juros altos no Brasil.

- A performance de vários ativos nos cinco anos desde o início da crise.

- Saiu a lista de indicados para o prêmio de livro de negócios do ano pelo Financial Times. Vergonhosamente, ainda não li nenhum deles. A Diane Coyle, do The Enlightened Economist, montou sua própria lista.

- Um repórter do Spiegel, alemão nascido na Espanha, refaz a viagem de férias da sua infância e faz uma bela crônica da crise.

- Ezra Klein, do Washington Post, andou pelo Brasil e montou uma compilação interessante de dados sobre o país.

- Raghuram Rajan volta para a Índia, para um cargo que deve ser muito, muito difícil.

- O fim dos "milagres" de crescimento.

- Grande coletânea de gráficos e dados sobre o mercado imobiliário americano.

- Galeria de fotos sobre ouro, da mineração às medalhas olímpicas.

- Última semana de links olímpicos (e eu finalmente vou ter minha vida de volta): o quadro de medalhas per capita. A final dos 100m rasos no último domingo foi a corrida mais rápida da história. Fotos dos momentos de glória em Londres (a do fundista Mo Farah abraçando o mascote é épica). A saga rocambolesca da família dos boxeadores Esquiva e Yamaguchi Falcão. Coisas estranhas acontecem quando a equipe de handebol de um país de 320 mil habitantes ganha uma medalha olímpica. Algumas lições de desenvolvimento aplicado às Olimpíadas. Hoje completa 35 anos Luciana Aymar, a "Maradona de saias", possivelmente a maior jogadora de hóquei da história, e as Leonas disputam a final olímpica contra a Holanda. Fica a torcida da casa.

- E o gráfico do dia, dessa pesquisa esculhambada do FT Alphaville:


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Passeando pelo mundo das ações

O Merrill Lynch publicou há alguns dias um relatório inspiradamente intitulado The Equity Hitchhiker’s Guide to the Global Galaxy. Para quem olha os mercados a uma certa altura, é uma grande fonte de ideais e dados interessantes. Aí vão alguns que me chamaram a atenção:

- O valor das ações negociadas no mundo é US$ 27 trilhões. O PIB global é US$ 70 trilhões, mercado de dívida US$ 43 trilhões, total de reservas internacionais US$ 10,4 trilhões.

- O setor de tecnologia do mercado dos EUA é maior do que todo o mercado de ações da zona do euro.

- Ações de empresas financeiras (bancos, seguradoras, etc) ainda são a maior fatia do mercado global, quase 20% do total.

- Setor financeiro brasileiro vale tanto quanto o da Alemanha ou da França.

- Ações dos setores de saúde e consumo básico estão, globalmente, bastante perto de suas máximas históricas. Entre os países, México e Malásia são os mais próximos dos melhores dias.

- Setor de saúde como proporção do mercado é ridiculamente pequeno no Brasil - 0,9%, contra 9,6% no mundo.

- Em termos de múltiplo preço / lucro esperado, México é o mercado mais caro do mundo.

- O rendimento de dividendos no Brasil está entre os maiores do mundo, 4,8% nos últimos 12 meses.

- Como eu tinha mostrado, o retorno sobre o capital dos bancos brasileiros não é absurdo ou astronômico: 15,5%, pouco maior que a média do setor nos emergentes (14,4%). Os maiores retornos do setor estão na Indonésia (ah, Armínio Fraga...), na Rússia e no Chile.

- Para entender a atual onda de "largue o Brasil, compre México", olhe o crescimento dos lucros esperado para este ano - deve ser de quase 40% no México; no Brasil, cairão 6,4% - e junte a velha mania de extrapolação que permeia as atividades de analistas e economistas.

- Esse gráfico:


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Gráfico do Dia - o sucesso dos PIGS

Hoje é fácil interpretar a história recente dos PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha) como uma tragédia, mas é sempre bom mudar um pouco a perspectiva. Este estudo do Banco Mundial (que já tinha indicado aqui) mostra que esses países foram dos poucos a escapar da "middle income trap" entre 1960 e 2008. Hoje vi em um interessante relatório da McKinsey sobre o mercado de trabalho no mundo (h/t Urban Demographics) que esses países, entre os desenvolvidos da OECD, foram os únicos a crescer a renda dos mais pobres (último decil da distribuição) em ritmo mais acelerado do que a dos mais ricos (primeiro decil) nos últimos 25 anos.  Resta checar os mesmos dados em alguns anos e descobrir o quanto disso foi sustentado e quanto era devido à fantasia de financiamento barato e câmbio forte do euro.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Leituras da Semana

Greatest sungas in the world
- Não sei o que pensar quando o economista de um grande veículo sugere distribuir dinheiro diretamente à população.

- Barry Eichengreen sobre o desaquecimento da economia da China.

- Suíça: país ou hedge fund?

- Um perfil de Mohamed El-Erian, da PIMCO, no New York Times. Se você acha o bônus de banqueiros absurdo, veja quanto ele e Bill Gross levaram no ano passado (em que os fundos da PIMCO não foram bem).

- 10 cidades americanas onde casas custam menos que um carro (Detroit no topo, para provar que a história gosta de produzir ironias).

- A incapacidade da Europa de fomentar empreendedorismo, ótima matéria na The Economist.

- Cinco livros sobre estatística e risco.

- Compartilhamento de arquivos na internet virou uma religião, na Suécia.

- Saiu a atualização desta década da lista dos melhores filmes da história pela Sight and Sound. Cidadão Kane perdeu o topo que vinha ocupando nos últimos 50 anos.

- Uma bela crítica de O Porto, um dos melhores filmes que vi este ano.

- Susan Sontag sobre amor, ilustrado.

- Os links olímpicos: o The Big Picture sempre tem as melhores coletâneas de fotos - aqui a primeira dos jogos.Cartazes das Olimpíadas de Moscou. As escolhas de grandes momentos olímpicos do ótimo Iconic Photos. Uma classificação dos esportes em duas dimensões.Os significados políticos e históricos da cerimônia de abertura. Uma crítica de Christopher Hitchens aos jogos, de 2010.