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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Leituras da Semana

- Dois pesquisadores na Inglaterra reconstruíram o desempenho dos investimentos de Keynes - matéria no Wall Street Journal (de onde saiu o gráfico aí do lado); paper na SSRN.

- O mimimi dos traders de câmbio.

- Benjamin Graham e o primeiro hedge fund da história.

- A Petrobras só sobe o preço da gasolina se o petróleo voltar a US$ 130 / barril (e, suponho, ficar lá por alguns meses). Preços de gasolina ao redor do mundo.

- A ferramenta da Microsoft de busca acadêmica, que, entre outras coisas, traça ligações entre coautores.

- A pequena e irrelevante Harvard juntou-se à guerra contra as editoras que cobram por jornais científicos.

- As FGV de São Paulo e do Rio não concordam muito quanto a Argentina.

- Que ¢$Ħ%Φ*₪ acontece com a Argentina, por Acemoglu e Robinson.

- 11 supostas bolhas que flutuam a altura de nossos olhos.

- Notícia boa: para ser feliz, "bastam" US$ 50 mil por ano. Notícia ruim: isso é mais que o PIB per capita de todos os países do mundo, exceto os 20 mais ricos.

- O Brasil ficou em primeiro em um estudo com 28 países sobre educação financeira. Tanto tempo lidando com indexação e mudanças de regras amalucadas deve ter deixado algum legado.

- Lula encontra Eric Hobsbawm (via Mauricio Santoro).

- Uma história minimalista das Copas do Mundo.

- Quanto custaria a piscina de moedas de ouro do Tio Patinhas (recalcular corrigindo a premissa da onça de ouro a US$ 5 - o preço atual é 330 vezes maior).

- Uma câmera que fotografa descrições.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Gráfico do Dia (2) - Livros na América Latina

Via o sempre pertinente Inca Kola News, de uma pesquisa do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe da UNESCO (eu também não sabia da existência de tal órgão). Mais um indicador que ajuda a explicar porque o Chile fica tão à frente dos vizinhos em alguns critérios de desenvolvimento.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um anexo para os fatos subversivos sobre crescimento

Update (2/Maio): não deixe de ver uma atualização de alguns dados deste post (Argentina...) aqui.

Das discussões nos comentários, peguei dois pontos para completar:

1. Dados - é natural a desconfiança quanto a qualquer coisa calculada pelos órgãos oficais de estatística argentinos; daí muita gente perguntar se, por acaso, os dados de crescimento não estariam inflados. Replico uma resposta que dei lá:

Os dados da Argentina são da base do Banco Mundial, que por sua vez os recebe dos órgãos oficiais argentinos. Quando a The Economist decidiu parar de publicar dados oficiais da Argentina (http://www.economist.com/node/21548229), o problema era com a inflação, não chegaram a citar alguma desconfiança específica com os dados de atividade - e eu também não lembro de nenhum economista independente do governo apontar alguma diferença entre as estimativas de PIB que faz e o que o governo publica. Há algum tempo li algo falando dos problemas com o deflator do PIB, mas, de novo, não vi ninguém apontando que os dados de crescimento real não são críveis - se acharem algo dizendo o contrário, coloquem aqui, por favor. Pensando um pouco, se a diferença entre o deflator do PIB usado e a inflação real fosse tão grande quanto o gap entre a inflação do INDEC e a medida por outros observadores, o PIB real "corrigido" dos últimos anos implicaria que o país está numa gigante recessão, o que não parece ser o caso olhando para o anedótico e alguns outros dados.
O câmbio semi-fixo aparentemente faz com que o peso fique artificialmente subvalorizado - creio que um câmbio de mercado melhoraria os dados em USD correntes. Em vários estudos de PPP que vi o peso argentino sempre aparece entre as moedas mais subvalorizadas (mas isso muda rápido na medida em que a inflação vai acelerando e o câmbio fixado pelo BC é mais ou menos o mesmo há algum tempo).

Fiz também essa comparação entre o IPC calculado pelo INDEC e o deflator do PIB durante a dinastia Kirchner, acho que o gráfico fala por si só (parece claro quando a Mano de Dios começou a agir no IPC):


2. Alguns leitores pediram para incluir o México na comparação. Na preguiça de fazer arquivos com cada uma das figuras e colar aqui, aí embaixo está um pdf com todos os dados. Em 30 anos, o crescimento do México é bem próximo aos de Brasil e Argentina, mas é clara uma desaceleração com relação a América do Sul cujo início coincide com a crise nos EUA. A subversão aqui é que o NAFTA pode não ter sido um grande negócio para o México.

Leituras da Semana

- Frase da semana (do falecido Nobel e conterrâneo do Ryszard Kapuscinski, Simon Kuznets, muito apropriadamente resgatada pelo Rodrigo Medeiros e ainda válida): "there are four sorts of countries: underdeveloped, developed, Japan and Argentina."

- Conheça Axel Kicillof, o ilustre desconhecido "peronista-keynesiano-kirchnerista" (tenha medo, muito medo) por trás da nacionalização da YPF - EstadoVanity Fair espanhola.

- Dez nacionalizações históricas. A América Latina é bastante boa no esporte.

- A Apogeo apresenta Irving Kahn, a lenda viva do mercado que já operava antes do Crash de 1929.

- Quem tiver US$ 70 sobrando e trabalha com gestão de dinheiro deveria considerar seriamente comprar a última edição do Grant's Interest Rate Observer, que tem as notas da conferência da semana passada, com muita gente boa (Hugh Hendry, Meredith Whitney, Stanley Druckenmiller, Jim Chanos...).

- O que aconteceria se o Fed oferecesse para todos os cidadãos americanos uma linha de crédito de US$ 10 milhões a juros zero? Ótima provocação de Sheila Bair.

- Quatro tendências dos bancos centrais dos nossos dias.

- Porque a correção dos preços de ativos na Espanha não terminou.

- Porque o Facebook tem medo da internet.

- Porque estudar história econômica, por Robert Skidelsky.

- Entrevista curtinha de Paul Krugman para o Valor.

- Daron Acemoglu sobre as possibilidades econômicas de nossos netos (aparentemente o pessoal do MIT está atualizando o texto do Keynes, de 1930). Eu tenho certeza que os dias do Acemoglu tem umas 8 horas a mais do que os dos mortais.

- O melhor da conferência anual do Institute for New Economic Thinking, patrocinado por George Soros.

- Um interessante guia turístico para o desenvolvimento econômico.

- Uma tentativa de reunir a "sabedoria econômica" em 10 pilares.

- As influências intelectuais de Niall Ferguson.

- Uma longa apresentação de Nassim Taleb em Princeton, com conteúdo bem similar ao que ele mostrou por aqui há umas três semanas.

- As 100 pessoas mais influentes de todos os tempos, texto meio sério, meio piada que acompanhou a lista deste ano da Time.

- Choconomics!

- Como recorrer de uma multa de trânsito, cientificamente.

- Lars von Trier dirigindo a história do Pato Donald.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Alguns fatos subversivos sobre crescimento

Update (2/Maio): não deixe de ver uma atualização de alguns dados deste post (Argentina...) aqui.

O historiador Timothy Garton Ash acertou em cheio na escolha do nome do seu (ótimo) livro sobre política na década dos 2000: fatos são altamente subversivos - e isso também vale para economia. Muitas teorias elegantes e dogmas ideológicos não resistem a um bom exame de dados e da realidade que representam.

Ontem, em meio a todo o barulho em torno da reestatização da YPF e as conclusões inevitáveis de que a política econômica argentina é um lixo, o Fabio, do Torre de Marfim, apareceu com as seguintes provocações (melhor lido de baixo para cima):


Meu espírito de São Tomé me levou a checar os dados e montar as seguintes tabelas - e notar que o Fabio estava certo:


Escolhi três períodos meio arbitrariamente: (i) um bem longo, de 30 anos; (ii) desde a posse do FHC (1995) e (iii) desde o default da Argentina, em 2001. Para desespero de algumas teorias que ligam diretamente qualidade da política econômica ao desempenho da economia, o crescimento brasileiro em todos os três períodos foi igual ou pior do que o da Argentina. O Chile foi melhor que os dois na maior parte do tempo e a Venezuela, outro caso de desastre teórico na condução da economia, pior. Por outro lado, a variância do crescimento de Brasil e Chile ao longo do tempo é claramente menor que de Argentina e Venezuela, e talvez aí entre algum elemento de qualidade de política econômica (supondo que é preferível, do ponto de vista da qualidade de vida da população, uma trajetória com menos vales e picos).

Crescimento do PIB é, claro, apenas uma dimensão de um fenômeno muito complexo, mas nunca deixou de ser o melhor parâmetro que pode levar a uma melhora na vida das pessoas, o tal desenvolvimento. Para não ficar só nesse dado, fiz alguns outros gráficos comparando os PIBs per capita:

1. PIB per capita em dólares constantes de 2005, ajustado pela paridade do poder de compra.


Subversão 1: o Brasil, nesses termos, é mais pobre que Argentina, Chile e Venezuela. 
Subversão 2: em qualquer dos períodos, a Argentina cresceu mais o PIB per capita do que o Brasil.
Não-subversão 1: o Chile é o caso de sucesso, só não à frente na recuperação da Argentina da crise de 2001 (que se deu partindo de uma base já debilitada).
Não-subversão 2: a Venezuela, apesar de partindo (em 1980) do maior nível de riqueza, foi ultrapassada por Argentina e Chile e, mantidas as trajetórias, logo se igualará ao Brasil.

2. PIB per capita em dólares correntes, sem ajuste





Por esses dados, o Brasil se iguala ao Chile como caso de sucesso nos últimos 30 anos, mas a manutenção dessa conclusão depende do câmbio US$/R$ não estar supervalorizado e tendendo a um ajuste nos próximos anos. Aqui o desempenho da Argentina é bem menos brilhante, também por conta do câmbio - claramente o choque nos termos de troca com a alta de commodities desde 2002 foi bem menos generoso com a Argentina do que com os outros três países da amostra.

Essa é uma análise, como disse acima, só de uma (ainda que muito importante) dimensão. Tantas outras poderiam ser colocadas - para ficar só no campo econômico, distribuição de renda, IDH, etc, mas vou deixar isso para um post no futuro indeterminado. Extrapolar diretamente que o crescimento do PIB leva a uma melhora direta na vida da maioria da população de um determinado país é errado em muitos casos (ainda que seja uma heurística razoavelmente robusta), e por isso essa não deve ser a única medida da qualidade da política econômica implementada. 

Dito isso, olhando esses números é difícil não coçar a cabeça e questionar ao menos um pouco os estereótipos do que é "certo" ou "errado" em decisões de política econômica. Não me entendam mal: nem de longe eu apoio o que tem sido feito na Argentina, e o que sobrou da minha educação econômica ortodoxa ainda é o bastante para me dizer que ou o país poderia estar bem melhor caso não fosse tão caótico, ou que vai, no futuro, piorar de onde está hoje. Porém, o que a frieza dos dados diz é que, quaisquer que sejam as diferenças entre o que se fez de cada lado do rio Iguaçu nas últimas décadas, o resultado foi crescimento maior do lado de lá. Os "desenvolvimentistas" adoram citar esse fato para chegar ao non sequitur de que seria melhor que o Brasil fizesse algo parecido com o que se faz a partir da Casa Rosada; eu prefiro refletir sobre o que poderíamos fazer melhor por aqui (muita coisa aparentemente óbvia e consensual) e quais são os nossos limites potenciais (não poucos). 

Uma outra conclusão interessante desses dados, na linha de porque os países se dão mal, é: não faça como a Venezuela. Nos dados tratados com câmbio fixo PPP (creio que qualquer coisa corrigida com o câmbio corrente de lá é superestimada, dado o descolamento entre o câmbio oficial para o que a maioria da população precisa pagar quando precisa de moeda estrangeira), o PIB per capita do país é quase igual ao de 30 anos atrás e em trajetória de queda nominal desde 2007, mesmo com toda a ajuda do preço do petróleo. Qualitativamente e ideologicamente, o que a Argentina faz aproxima mais o país ao que levou a Venezuela à condição de anti-exemplo, um bom motivo para, dado o mesmo resultado passado, preferir o jeito brasileiro de tocar a economia.

Para finalizar: outro grande acerto em nome de livro foi do William Easterly, que qualificou a busca por crescimento como "elusiva" - impossível não concordar olhando para histórias e trajetórias tão diferentes que levaram, por essa medida, aos mesmos resultados.

P.S. Alguém que já tenha lido o novo Acemoglu / Robinson consegue adiantar o que eles dizem do caso da Argentina?

P.P.S. Um muito obrigado ao Fabio Arranhaponte por provocar este post.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Leituras da Páscoa

- Capitalistas de todos os credos deveriam parar para ler esse excelente texto de John Lanchester para a London Review of Books sobre os acertos e erros de Karl Marx, 193 anos depois de seu nascimento (dica: Bruno Borges).

- Um bom relatório do Santander sobre a indústria brasileira e os fatores que determinam sua produtividade.

- Na Grécia, falta dinheiro para treinar a equipe olímpica de atletismo. O colapso das vendas no varejo.

- Juros para hipotecas nos EUA podem estar muito baixos, mas há tempos os padrões de crédito não eram tão exigentes.

- Barry Ritholtz, do The Big Picture, indica cinco livros sobre as causas da crise financeira.

- A Argentina regride ao escambo, e faz importadoras trocarem vinho e amendoim por carros.

- Paul Krugman compara as recuperações econômicas de Islândia e Letônia.

- Um gráfico para exemplificar o atraso brasileiro na educação.

- Compilação das críticas de livros que Nassim Taleb escreveu na Amazon.

- Antoine Danchin, professor de medicina, sobre antifragilidade na natureza.

- Janteloven em números: os escandinavos estão entre os que menos dão importância para riqueza ou consumo.

- Por que o Haiti é tão pobre?

- O fundo soberano do greatest country in the world avisa: "The stock market is, in fact, a sophisticated tool. It is unpredictable, and therefore all citizens of Kazakhstan should approach investment in shares of national companies seriously and deliberately."

- A tentativa nazista de controlar o... jazz - proibição de tocar o baixo em pizzicato, limite de 10% de síncopes por composição...

Bom feriado aos leitores, segunda-feira estou de volta.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Leituras dos últimos dias

- Um passeio pelo escritório de Warren Buffett, em Omaha.

- Repressão financeira, passado e futuro.

- Um bom estudo do FT sobre o comportamento das moedas de países emergentes - China e Brasil lideram as valorizações.

- Como prevenir futuras crises, artigo novo de Nassim Taleb (em coautoria com George A. Martin, da Alternative Investment Analytics).

- Uma nova pesquisa da Colliers sobre preços de aluguel de escritórios. Rio é mais caro que City of London, Genebra, Cingapura...

- Lisístrata pós-moderna: prostitutas espanholas organizaram um boicote a funcionários de bancos.

- O mercado de cervejas artesanais nos EUA não tomou conhecimento da crise.

- Spiegel sobre a degradação de Atenas.

- A Argentina segue atacando os grandes culpados pela fuga de dólares do país, e resolveu dificultar a importação de livros (FT e Folha).

- Os espetaculares lucros do banco do grupo JBS.

- Entrevista (em Português) com James Robinson, coautor de Why Nations Fail (dica Leonardo Monasterio).

- A New Yorker mandou um enviado a Davos, que conta o que acontece por dentro do Fórum Econômico Mundial.

- Uma evidência de que a internet (ainda?) não corrigiu desigualdades.

- Gráfico interessante que a The Economist roubou do Banco Mundial, mostrando que apenas 13 países (de 101) conseguiram, desde 1960, sair da "middle income trap": Grécia, Coréia do Sul, Guiné Equatorial, Maurício, Taiwan, Portugal, Hong Kong, Cingapura, Espanha, Irlanda, Japão, Portugal e Espanha. A questão, pelo menos para os PIGS, é se haverá volta para a renda média.

- Um economista do Colorado College alega ter um modelo que prevê com mais de 90% de precisão o número de medalhas olímpicas de cada país - e diz que o Brasil, potência olímpica do futuro, leva as mesmas três medalhas de ouro de 2008.

- O escritor Teju Cole usa o gancho do vídeo Kony 2012 para dissertar sobre a África e o tratamento dado pelos EUA ao continente.

- Excelente matéria da CNN sobre a Mauritânia, onde pelo menos 10% da população ainda vive na escravidão.

- Os indicados deste ano para o Orwell Prize.

- A temperatura ideal para se usar uma banana para bater um prego.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Frases do dia - argentinização

"The Treasury Department will be able to put into place accounting measures to keep the government from hitting the debt limit in the next few days, the White House official said. As a result, he said, there is no danger that the government’s creditworthiness will be affected."

De uma notícia do New York Times de 30 de Dezembro, destacada pelo Grant's. Frei Luca Pacioli deve ter dado uma boa espreguiçada no túmulo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

McHermano

Mais bizarrices dos nossos vizinhos. Há alguns meses, o governo apresentou queixas criminais contra uma consultoria que tentava estimar a inflação real (possivelmente mais de 20% ao ano, contra algo como 9% anunciados pelo instituto oficial, o Indec). E já aparecem vários indícios de que começa a entrar água na "espetacular recuperação" da economia depois do calote de 2001. Creio que esse, no futuro, vai ser dos casos mais evidentes de como a bonança de commodities pode esconder, por muito tempo, péssimas decisões de política econômica (o que indica que a Venezuela tem de fato dos piores governos do mundo, capaz de enfiar o país no buraco mesmo após anos de preços de petróleo altos).

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

RIP Armen Kouyoumdjian

Soube há pouco do falecimento desse libanês de origem armênia (e alma cosmopolita, evidentemente) que produzia uma das melhores newsletters sobre política e economia da América Latina (com foco no Chile, onde viva, mas frequentemente falando dos outros países). Fica aqui uma humilde homenagem e um agradecimento póstumo pelo aprendizado, a falta será sentida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Enquanto isso, na Colômbia

Recebi de um amigo colombiano. Borja é candidato (com menos de 1% das intenções de voto) à prefeitura de Barranquilla , terra da Shakira e do carnaval colombiano. Serrucho é a gíria local para o nosso conhecido "esquema".

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Gráfico do dia - Mulheres na cadeia

Tirado do Listverse. Por que tantos países latino americanos entre os com mais mulheres presas?

terça-feira, 26 de julho de 2011

Imigração para o Brasil, por que não?

Estou lendo o Pós-Guerra, do Tony Judt, e cheguei numa passagem em que ele aponta como um dos fatores mais importantes para o sucesso econômico europeu entre 1953 e 1971 as ondas de migração no continente - dentro de países, de regiões mais atrasadas para pólos industriais (na Espanha, da Andaluzia para a Catalunha; em Portugal, do Alentejo para Lisboa; na Itália, do sul para o norte, etc) e entre países, na direção para onde a mão-de-obra era escassa e muito demandada: a Alemanha firmou acordos de imigração com Itália, Grécia, Espanha, Turquia, Marrocos, Portugal, Tunísia e Iugoslávia; a Suíça e a França receberam milhares de portugueses; a Holanda incentivou a vinda de trabalhadores da Espanha, Iugoslávia, Itália, Turquia, Marrocos e Suriname; e a lista de exemplos vai longe.

Fast-forward para o Brasil de hoje, vivendo praticamente no pleno emprego, com certa escassez de mão-de-obra (na maioria das vezes especializada, mas, em São Paulo, por exemplo, vive se falando na falta de operários da construção civil, garçons, empregadas domésticas, manicures, etc), grande pressão nos custos do trabalho e rodeado de vizinhos mais pobres. Por que o Brasil não recebe, às dezenas de milhares, bolivianos, paraguaios, argentinos, peruanos, etc? Superficialmente, vejo os seguintes possíveis motivos:

1. Falta de interesse do governo brasileiro, que não faz questão de facilitar a situação dos imigrantes que já estão aqui, muito menos de incentivar a vinda de mais gente. Isso pode ser pelo motivo ruim (xenofobia disfarçada) ou pelo relativamente bom (proteção da mão-de-obra local e necessidade de gerar uma pressão deliberada por salários mais altos).

2. Falta de interesse dos possíveis imigrantes, seja por diferenças de língua e culturais ou porque a situação em seus países não está tão ruim (certamente já esteve pior, na maioria dos casos).

3. Descompasso entre a oferta e a demanda por trabalho: o tipo de profissional requerido por aqui não é facilmente encontrado nos vizinhos. Pode ser verdade para alguns casos, mas, novamente, em muitas regiões do país falta a mão-de-obra mais básica.

4. Compreensível falta de vontade dos hermanos latinos de viver no mesmo país que a Valeska Popozuda, o Gabriel Chalita e o Restart.

Seria muito interessante ouvir de alguém que estuda demografia, a ajuda dos universitários nos comentários é mais do que benvinda.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Você acha São Paulo, Rio e Brasília caras?

Segundo a Mercer, tem toda a razão. Saiu hoje a pesquisa anual de custo de vida, que, graças ao real forte e a inflação, colocou São Paulo entre as dez cidades mais caras do mundo (à frente de Oslo e Copenhague - vai Brasil!). Rio e Brasília são, respectivamente, a 12ª e a 33ª. Férias baratas podem ser conseguidas em La Paz, Manágua, Addis Abeba e Karachi, ou mesmo em Nova York, como hordas de brasileiros tem atestado.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Leituras do 235º aniversário dos EUA

Aproveitemos a paradeira nos mercados para colocar as leituras em dia:

- Festival de notícias e análises sobre o Brasil mundo afora: Roger Cohen, do NYT, evoca a clássica frase de Tom Jobim (O Brasil não é para amadores) para ressuscitar o termo "convergência"; a Bloomberg fala sobre a morte de Itamar Franco; o Wells Fargo contribui para a discussão sobre o nosso câmbio; a BBC discute as possíveis bolhas do país; a Economist opina sobre a briga pelo varejo e, gran finale, um paper do Fed estuda nosso sistema de depósitos compulsórios e seu papel durante a crise, abrindo com uma citação do nosso fiel timoneiro nesse mar de instabilidade.

- George Soros, Niall Ferguson, Paul Krugman, Nouriel Roubini & cia discutem a crise (NY Review of Books).

- O Lauro Martins testa a teoria da normalidade dos retornos para o Ibovespa.

- Um novo blog sobre a América Latina, vista dos EUA (dica do IKN).

- Mais um artigo de Barry Eichengreen sobre o fim do dólar. Para os mais práticos, ele acha que a moeda americana ainda deve perder mais 20%.

- Uma entrevista curtinha com Hugh Hendry. O YouTube não está funcionando hoje no meu Chrome, alguém com o mesmo problema?

- 10 curiosidades da teoria econômica.

- As 14 maiores ideias do ano, até agora (The Atlantic).

- 2000 anos de história da Europa, em mapas (dica da Aline).

- Aberta a temporada de apostas para o Nobel de Literatura (via Marginal Revolution).

- Sobre o Google+.

- Rudresh Mahantappa é o melhor saxofonista (alto) do ano. Eu já sabia :-P

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Leituras da véspera de feriado

- A taxa de juro natural e a Amazônia: a contribuição de Delfim Netto para a ótima série de conjuntura econômica que o Valor está fazendo.

- Uma série do UBS comparando as diferenças de crescimento entre China e Brasil e como isso afetou os retornos dos investimentos: partes 1 e 2.

- Para quem ainda aguenta ouvir falar da Grécia: a exposição dos bancos europeus à dívida (Guardian) e a comparação Grécia / Chipre com Argentina / Uruguai (FT).

- A Oaktree Capital deve fazer um IPO de US$ 100 milhões. Um perfil de Howard Marks.

- Um novo paper de Nassim Taleb, de novo sobre fragilidade e anti-fragilidade. O Universa, fundo do qual ele é sócio, pretende lançar um ETF para proteção contra cisnes negros (Forbes). Se virar moda, vai causar uma distorção no preço das opções fora do dinheiro, e, possivelmente, destruir a estratégia. Aguardemos.

- A história econômica recontada por listas (Boston Globe).

- Seguindo o Guardian, o New York Times também fez uma lista dos livros mais importantes de não-ficção.

- Woody Allen, Duke Ellington, Richard Feynman, Milton Friedman, Bertrand Russell, Quentin Tarantino e outros 229 ícones culturais em áudios e vídeos históricos (Open Culture).

- A série de história da música moderna que o Guardian preparou para o verão britânico.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Taxa de câmbio, essa desconhecida

Confesso que há tempos não lia um paper de macroeconomia inteiro. Feito esse aviso, gostei bastante do último trabalho do Sebastian Edwards (UCLA), que faz uma boa revisão da literatura sobre taxa de câmbio e levanta, dessa literatura e de alguns testes econométricos feitos por ele mesmo e alguns colegas, algumas regularidades observadas no comportamento das taxas de câmbio da América Latina e do leste asiático. Vale ler o trabalho inteiro; para os mais preguiçosos, aí estão as regularidades. A lista é bem útil para debater com tudólogos e chutadores de plantão (quem trabalha em uma mesa de operações sabe bem do que estou falando):

1. Crises cambiais são muito caras (em termos de desaceleração no crescimento, aumento do desemprego e inflação mais alta).

2. Países com taxas de câmbio mais flexíveis tendem a crescer mais rápido no longo prazo do que países com câmbio fixo.

3. Países dolarizados não têm melhor desempenho (em termos de crescimento mais rápido do PIB e menor volatilidade desta medida) do que países com moeda própria.

4. Países com regimes de câmbio flexíveis são capazes de acomodar choques externos melhor que países com taxas fixas.

5. Com mobilidade de capital e cãmbio fixo, não há espaço para política monetária completamente independente.

6. Ajustes na taxa de câmbio baseados em diferenciais de infllação resultam numa perda de ancoragem e em instabilidade macroeconômica.

7. Programas de estabilização baseados na taxa de câmbio são perigosos, e frequentemente geraram supervalorização da moeda.

8. Desalinhamento de taxa de câmbio real pode ser muito custoso; intervenções do banco central podem se justificar, mesmo sob um regime de câmbio flexível.

9. Há uma assimetria entre supervalorização e subvalorização (sobrevalorizações podem ser mais persistentes).

10. Mesmo sob regime de câmbio flexível, a extensão para política monetária independente é limitada.

11. Houve uma importante quebra estrutural no relacionamento entre a taxa de câmbio real efetiva do dólar americano e a taxa de câmbio real efetiva dos exportadores de commodities.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Humala e os mercados

Aparentemente a turma do mercado não gostou muito do resultado das eleições no Peru... o principal índice da bolsa de Lima cai 11% hoje.

Foto do dia - Vantagens Comparativas

E chegamos no ponto em que o Brasil importa carvão para churrasco... do Paraguai! É sinal de desenvolvimento ou (mais um) de câmbio supervalorizado?