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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A crise de representação no Brasil

O blog anda parado porque tenho gastado todo o meu tempo livre tentando entender, à la Santiago Zavala, em que momento o Brasil se fodeu. (Mentira, ando mesmo é com bloqueio de escritor, ou preguiça, a depender da generosidade do leitor). De qualquer forma, com relação à pergunta, li hoje três coisas interessantes:

Frances Hagopian coloca como origem da atual crise de representação a divergência entre a expansão de accountability horizontal e a falha dos partidos em capturar a demanda emergente por representação política:

"Why are voters ready to see the ouster of a president
to whom they gave a second term just two years ago? Why, given
Brazil’s great strides in building a more inclusive democracy buttressed
by stronger institutions of horizontal accountability—which have been
key to exposing the Petrobras scandal—are we witnessing such political
turmoil? What underlies the current crisis?
 
The answer is that stronger horizontal accountability institutions and
an expanded citizenship have paradoxically eroded the bonds of vertical
accountability. Brazil’s recent achievements in empowering accountability
institutions and enforcement agencies and broadening sociopolitical inclusion
have generated demands for political representation that the existing
party system has not been able to meet. The work of judicial institutions
now throws corruption (hardly a new phenomenon) into starker relief. At
the same time, the stabilization of the economy and the expansion of access
to social services and income support have made citizens less reliant
on patronage and more demanding of local and national governments."

Mainwaring, Power e Bizzarro apontam que o relativo sucesso econômico do Brasil até poucos anos atrás ajudou a institucionalizar o sistema de partidos, algo que está em risco com a crise corrente e os dois principais partidos programáticos do país catando os cacos do que já foram por aí. O reverso da institucionalização é o personalismo da política no Peru ou o caos da Venezuela.

Alguma esperança? De novo, Hagopian:

"The protests of recent years in Brazil are a sobering reminder that
democracies need representative institutions to reach citizens, to express
their aspirations, and to translate their preferences into effective governing
solutions. But the protests also offer a ray of hope: Even in hard
times, and with popular anger at the political class threatening to boil
over, Brazilians find their democracy worth taking part in, and respect
the institutions that safeguard it."

E, no mesmo tom, a (grande) coluna desta semana do Michael Reid na The Economist:

 "... in Brazil, with its strong parliamentary tradition, no president can govern against Congress. When Ms Rousseff brandishes her 54m votes in the presidential election of 2014 as a defence, she forgets that they were for Mr Temer too, and that the senators have an equally valid democratic mandate. Brazil has thus offered a tutorial in constitutional theory to the likes of Nicolás Maduro, Venezuela’s dictatorial president. The legacy of a divisive impeachment is not all bad."

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Argentina, a megera domada?

Na peça de Shakespeare, Catarina, a megera do título, é “domada” com uma série de privações impostas por seu marido, Petrúquio. Na semana passada, o ministro da economia da Argentina, Axel Kicilof, anunciou uma nova metodologia de cálculo para a inflação no país, marcando uma “mudança qualitativa com relação ao passado” (palavras dele). Ainda é altamente especulativo pensar que a Argentina foi domada pelas privações impostas pelos mercados internacionais. Porém, a medida, em meio a negociações (que precisam de um aval do FMI) de uma dívida de US$ 6,5 bilhões com o Clube de Paris, pode indicar que o país quer levantar uma bandeira branca para tais mercados.

O resto do texto está no Estadão.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

As últimas leituras do ano..

... já que semana que vem começam minhas provas e não deve sobrar tempo pra diletantismo:

- McKinsey sobre os efeitos dos juros muitos baixos no mundo na distribuição.

- Stiglitz descendo a lenha na política de subsídio agrícolas dos EUA.

- O último Journal of Economic Perspectives sobre os 100 anos do Fed, com textos de Bernanke, Eichengreen, Feldstein, Sandel...

- Na visão (bem mercantilista) de Dani Rodrik, os verdadeiros heróis da economia global são: Áustria, Canadá, Filipinas, Lesoto e Uruguai.

- Robert Solow sobre crescimento igualitário.

- Teoria dos jogos aplicada a jantares.

- Coletânea de gráficos bacanas sobre as megacidades do mundo.

- Pankaj Mishra dá seus pitacos sobre o arranca-rabo entre Amartya Sen e Jagdish Bhagwati.

- Esporte e crescimento com redistribuição.

- A Irlanda está destruindo projetos residenciais abandonados.

- A América Latina enriqueceu e diminuiu desigualdade, mas o crime nunca foi tão alto.

- Tim Harford sobre renda mínima universal. A Suíça vai votar um pagamento mensal de 2.500 francos para cada adulto.

- O megatorneio de previsões de Philip Tetlock e Dan Gardner.

- Mangabeira Unger no BBC Hardtalk.

- Philip Roth x Bertrand Russell.

- John Gray esculachando Malcolm Gladwell.

- Os muros do mundo no Guardian.

- Já é aquela época do ano, de novo: as listas de melhores livros do ano do New York Times e do Financial Times.

- Os cinco melhores ensaios de George Orwell.

- A viagem de ônibus de 96 horas e 5.800 quilômetros (mesma distância de Nova York a Ocotal, Nicarágua) entre São Paulo e Lima.

- Se os times da NFL fossem para o futebol europeu...

- Forte candidata a foto do ano.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Os caminhos divergentes de Brasil e Argentina

Os dados de Brasil e Argentina fornecerão material riquíssimo para os historiadores econômicos de um futuro não muito distante. Ao fim de um período de câmbio fixo e muto valorizado (final dos anos 1990 / início dos anos 2000), os dois países partiram de níveis similares de renda per capita e desde então vêm aprofundando a divergência entre a condução de suas políticas econômicas. O Brasil trocou a âncora nominal do câmbio por metas de inflação e de resultado fiscal (duas pernas do famoso “tripé macroeconômico”); a Argentina, após o maior calote de dívida externa da história, tem se dedicado a abandonar qualquer espécie de âncora e navegar ao gosto do casal de capitães Kirchner. A recente ascensão ao posto de ministro de Axel Kicillof, o arquiteto da nacionalização da petrolífera YPF e representante de uma nova geração da longa tradição de economistas heterodoxos no continente, parece ser uma reafirmação desse caminho.

O resto do texto está no Estadão.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Leituras das Últimas Semanas

Adam Smith faria 290 anos hoje
- Reforma e contra-reforma dos sistemas bancários do mundo desenvolvido, por Andrew Haldane.

- Entrevista com a brasileira Leda Braga, da BlueCrest, uma das gestoras (de qualquer gênero) de fundos  mais bem sucedidas do mundo.

- Apresentação de Dani Rodrik sobre a crise europeia.

- Uma volta dos bond vigilantes?

- Keynes: “How long will it be found necessary to pay City men so entirely out of proportion to what other servants of society commonly receive for performing social services not less useful or difficult?

- Bresser-Pereira, depois de longos anos, jogou a toalha com a economia argentina. Salve-se quem puder.

- Longa reportagem do Financial Times sobre a Colômbia.

- Uma resenha da autobiografia de Benoît Mandelbrot.

- Versão eletrônica grátis da autobiografia de Deirdre McCloskey.

- Boa análise da política econômica do futebol brasileiro.

- As hospedagens mais caras do mundo.

- Porque a educação na Finlândia é tão boa.

- Dambisa Moyo x Bill Gates.

- Tyler Cowen sobre Borgen.

- Um ótimo ensaio sobre ensaios.

- Os 15 países mais difíceis de se visitar.

- O que se aprende usando apenas produtos do Google.

- Para quem gosta de drogas pesadas, vários downloads gratuitos de Anthony Braxton.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Gráficos do Dia - reservas, Peru e Brasil

Anteontem o Inca Kola News postou esse gráfico das reservas internacionais do Peru, que tiveram uma inflexão no meio de abril:


As reservas do Brasil pararam de crescer em setembro do ano passado. O banco central ainda não começou a vender dólares para o mercado (essa queda recente provavelmente é totalmente explicada pela marcação a mercado da carteira de títulos que o país carrega), mas, aparentemente, chegaram ao fim os tempos em que todo mês sobravam dólares no mercado para o BC comprar.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

O mochilão de Albert O. Hirschman, 1964

El Salvador—electric power plant
Ecuador—roads in Guayas Province 
Peru—San Lorenzo irrigation project 
Uruguay—pasture improvements for livestock 
Ethiopia—telecommunications and roads 
Uganda—electric power transmission and distribution 
Sudan—irrigation project 
Nigeria—railway modernization and Bornu extension line 
India—Damodar Valley Corporation and selected industries in Mysore 
West Pakistan—Karnaphuli Paper Mills 
East Pakistan—Karnaphuli Paper Mills 
Thailand—Chao Phya irrigation project 
Italy—irrigation in South

Roteiro de um ano sabático tirado a partir de 1964 por Albert O. Hirschman para examinar projetos de desenvolvimento do Banco Mundial - ou uma excelente desculpa para conhecer o mundo com financiamento da Brookings Institution (notem que termina na inóspita Itália, já que ninguém é de ferro). Está na ótima biografia dele por Jeremy Adelman, na qual estou pelo meio.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Caption contest

Não consegui me conter, essa foto (da Dilma recebendo do presidente da Venezuela um quadro com a foto de Hugo Chávez) pede um concurso de legendas:

Obrigada, vai ficar ótimo no meu lavabo

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Brasil x México, de novo

Isso é do Financial Times de hoje:


E esse é a razão (em moeda local e sem correção, e, sim, sei que talvez não seja o melhor jeito de comparar) entre o Ibovespa e o principal índice de ações do México (IPC) - estamos em níveis de 1994:




Uma das minhas "previsões" do início do ano é que o desempenho da bolsa brasileira seria melhor do que o da mexicana. Por enquanto estou muito errado (mais de 10% errado), mas tanto o sentimento desse valor relativo quanto os preços são extremos (e por isso sigo acreditando na previsão). Nem o Brasil era tão bom, nem o México é tão bom, nem o Brasil é tão ruim, etc, etc, etc...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Leituras da Semana

- Pesquisa do Deutsche Bank sobre preços pelo mundo.

- Uma aula de humildade (parece sincera) por Bill Gross.

- O que a Europa tem a aprender com as crises de dívida da América Latina.

- Charles Gave prevê uma depressão para a França.

- Entrevista da Salon com Jim Chanos.

- John Cassidy sobre Janet Yellen, a possível futura presidente do Fed.

- Robert M. Solow sobre Ben Bernanke e a financialização nos EUA.

- George Soros volta a defender a emissão de eurobônus.

- Barry Eichengreen e a influência da história nas políticas monetárias dos EUA e da Europa.

- A entrevista mais recente de Stanley Druckenmiller, para a Bloomberg.

- Um documentário sobre planos de estabilização no Brasil (ainda não vi).

- Os departamentos de história nos EUA voltaram a estudar o capitalismo.

- Qual questão vários cientistas temem ser perguntados?

- Quatro livros de Tony Judt estão sendo relançados nos EUA.

- Como investir na Coreia do Norte.

- O tratado definitivo sobre tretas na internet.

- Uma tabela periódica do jazz.

- Ian McEwan sobre Margaret Thatcher. Sua carreira em 10 momentos e pelas capas da The Economist. Recomendação de livros sobre o thatcherismo.

- Dana Stevens, a ótima crítica de cinema da Slate, sobre Roger Ebert. Duas das críticas mais legais dele: a do lançamento de Apocalypse Now e  a de Waking Life para a série Great Movies.

- Literatura erótica, literalmente.

- A explicação definitiva para a escalada dos preços do tomate.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Leituras da Semana

Cuidado com o tomate
- Entrevista com André Esteves no Estado.

- Jim O'Neill sobre sua aposentadoria.

- O melhor livro sobre a crise recente? Resenha entusiasmada de Roger B. Myerson (Nobel 2007) de The Bankers' New Clothes.

- Olivier Blanchard e cinco lições da crise para economistas.

- Barry Eichengreen sobre Chipre e União Europeia.

- Os possíveis sucessores de Ben Bernanke.

- Curso novo da Marginal Revolution University sobre a economia do México.

- O país mais afetado pela Grande Depressão (não foram os EUA).

- Edward Chancellor sobre o Japão recente.

- Charles Gave sobre o poder dos governos e supressão de livres mercados.

- Uma cantina contra a "bolha" nos preços do tomate em São Paulo, que, claro, é culpa do governo. Como agir nesses tempos.

- John Kay relembrando Jane Jacobs.

- Salários de professores na OCDE. Alguém já cruzou isso com os resultados nos testes padronizados?

- O mapa dos EUA redesenhado pelo movimento do papel-moeda.

- Usando SimCity para melhorar o trânsito de São Paulo.

- Escolhendo destino de férias aleatoriamente (e economizando).

- Os 25 países menos visitados no mundo.

- Os livros de viagem mais influentes da história.

- Entrevista bacana com Ted Gioia, sobre escrever e jazz.

- Os 70 anos de Manfred Eicher, da icônica ECM.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Argentina e uma possível falta de dólares no mundo

Ontem o dólar paralelo atingiu novo recorde na Argentina, cotado a 8,63 pesos (ágio de quase 70% contra a cotação oficial - mais na Folha; cotações atualizadas aqui; gráfico aqui). Todo mundo sabe do problema de escassez da moeda americana por lá, e é claro que ele tem mais motivações idiossincráticas do que globais. Mas pode ser que a Argentina esteja sendo o canário na mina de carvão, a primeira indicação de um problema de financiamento em dólares que em breve pode afetar outros países.

De alguns meses para cá, creio que os EUA se tornaram novamente o melhor destino para a poupança global - melhor até do que a Suíça, que em 2011 colocou um teto para sua moeda contra o euro. Os EUA têm bancos sólidos, já saneados; oportunidades interessantes de investimento; legisladores não muito hostis com o mercado financeiro (para dizer o mínimo) e, pelo "privilégio exorbitante" de emitir a moeda global de transações, não terão problemas de financiamento externo até onde seja possível enxergar.

Além disso, o déficit em conta corrente americano vem diminuindo desde 2006, tendo mudado de patamar desde então e, aparentemente, voltado a fechar a partir do ano passado. Se vale a alternativa de substituição de importações de combustível pelo shale gas, essa pode ser uma nova tendência. E, amigos, déficit externo americano diminuindo não é nada bom para o resto do mundo, como mostra esse gráfico do Simple Economic Concepts for Complicated Financial Markets, ótimo livro da turma do GaveKal Research que merece uma reedição (como de costume, descontem minhas incríveis habilidades de digitalização de imagens - clique para aumentar):



Se de fato a Argentina for a primeira da série de vítimas de um encolhimento da liquidez em dólares, quais serão os próximos dominós a caírem? Os candidatos evidentes são países com grandes déficits de conta corrente: entre os maiores (critério: os que aparecem toda semana nas tabelas das últimas páginas da The Economist) estão Turquia (6% do PIB) e África do Sul (5,4% do PIB). A moeda turca anda relativamente bem comportada, mas o rand sul-africano já perdeu quase 30% contra o dólar desde o topo, em abril de 2011.

Ainda que o déficit externo brasileiro seja relativamente pequeno (3,5% do PIB), me preocupa a dependência do país de commodities para gerar dólares. É provável que, se o dólar começar a se valorizar contra as principais moedas do mundo, isso afete os preços das matérias primas, e a balança comercial brasileira pode se deteriorar rapidamente (mais ainda com a nossa recém criada demanda por gasolina importada - mais nesse relatório da Nomura). Com isso em mente, tenho cerca de 30% da minha poupança em dólares, e recomendo a todos que me perguntam considerar essa opção. Os dias em que comprar até lenço de papel em Miami é mais barato podem estar acabando.

DXY (dólar americano contra cesta de moedas, preto) x CRB (índice de commodities, laranja)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Leituras da Semana

Helicópteros de dinheiro são para os fracos
- A mais recente carta de Warren Buffett aos acionistas da Berkshire Hathaway. John Kay sobre Buffett.

- Uma comparação interessante entre os índices de inflação de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Venezuela e variações de preços na internet. O resultado é o que você imagina. Dica do leitor J.

- Aviões de dinheiro (literais) teriam salvado a Grécia de uma corrida bancária. O euro esteve incrivelmente perto de se esfacelar ano passado.

- Mansueto Almeida duas vezes sobre bancos públicos: aqui e aqui.

- A (falta de) competitividade internacional do Brasil.

- A Argentinofilia de Paul Krugman.

- Moisés Naím sobre Hugo Chávez. Ótimo gráfico comparando a evolução dos termos de troca nos países da América Latina, reforça o tamanho da sorte que acompanhou os mandatos de Chávez. O editorial da última The Economist.

- Os bairros mais caros do Brasil.

- O Índice Starbucks.

- Ótimo guia para ratings de crédito soberano.

- Uma introdução à desigualdade global, por Branko Milanovic.

- Entrevista da Folha com Ricardo Paes de Barros.

- As cidades com quartos de hotel mais caros do mundo.

- Você anda lendo demais o Zero Hedge?

- Uma carta para Marissa Mayer, a CEO do Yahoo! que proibiu os funcionários de trabalharem de casa.

- Entrevista com John Gray.

- Entrevista com Teju Cole, sobre drones e mais.

- Do que fala a literatura brasileira contemporânea.

- Um projeto para ler todos os romances mais vendidos dos últimos 100 anos.

- Uma resenha muito interessante de Django Livre.

- Candidatando-se para a vaga de papa.

- Jacques Derrida entrevistando Ornette Coleman.

- Criei um Tumblr para alimentar (como se precisasse) meu lado diletante.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A Venezuela antes e depois de Chávez

Vou deixar uma análise qualitativa e política do chavismo para quem estudou mais do que eu - o Flavio Comim conseguiu, muito rapidamente, produzir uma ótima, sucinta e bastante ponderada. Aqui vou me limitar a apresentar e comentar alguns dados, e que o leitor tome-os com os devidos grãos de sal quanto à confiabilidade. Os números de inflação parecem razoáveis (ver esse estudo do Alberto Cavallo); vejo como principal problema as conversões para dólares, já que o câmbio oficial, mesmo após a desvalorização deste ano, é uma peça de ficção.


Todos esses indicadores melhoraram - a crítica aqui pode ser contrafactual (melhoraram apesar de Chávez, não por causa dele) ou no relativo, já que foi um período em que o mundo e o continente melhoraram bastante.

A coisa fica feia aqui (clique para aumentar se as últimas colunas aparecerem cortadas):

Durante toda a era Chávez, o crescimento do PIB da Venezuela foi menor do que o da América Latina e muito menor do que dos produtores de petróleo. O PIB per capita cresceu 27%, contra uma alta de quase 70% para o continente. Como proporção do PIB mundial, a economia do país ficou estagnada. A dívida pública bruta aumentou (assim como as reservas internacionais), a inflação caiu (mas ainda ficou alta demais para o padrão do resto do mundo) e as exportações de petróleo aumentaram cinco vezes (aumento médio dos outros produtores: nove vezes). No período, o preço do barril de petróleo aumentou 7,5 vezes.

Por essa ótica, o fracasso da era Chávez é enorme, desperdício de uma janela de oportunidade que não deve ocorrer outra vez nesta geração (já tinha chegado nessa mesma conclusão, olhando outros dados, aqui). E se partirmos da (boa, acho) premissa que o maior indutor de desenvolvimento é o crescimento, ganha mutia força a crítica contrafactual dos indicadores da tabela anterior melhoraram, mas poderiam ter sido muito melhores. Que a Venezuela encontre seu rumo no futuro, longe do populismo, do militarismo e da retórica bocó de não-alinhamento.

Alguns dados roubados de outras fontes:



(de um post do Leonardo Monasterio)



(de um post do Lucas Llach)



(do Guardian, com typo e tudo)



(do Valor Econômico de hoje - clique para aumentar)


P.S. Como melhorou o acesso a essas bases de dados dos multilaterais desde que eu comecei a usá-los (2001)... Acho que devemos agradecer o Hans Rosling pela briga para liberar informações coletadas com dinheiro público.

P.P.S. Dica de leitura sobre a Venezuela: essa reportagem recente de Jon Lee Anderson na New Yorker.