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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tentando entender a crise na Europa (parte 3)

Continuação da segunda parte.

6. Tudo isso observado, ainda acredito (com grande risco de me provar errado, claro) que os políticos alemães, com as opções que têm em mãos, acabarão deixando de lado a ortodoxia irrestrita do velho Bundesbank e aprovando um plano de monetização de dívida parecido com o que fizeram, sob o rótulo mais palatável de “afrouxamento quantitativo”, Japão, EUA e Reino Unido (a tentativa atual é de fazer isso via o fundo de establização, EFSF, mas creio que esse mecanismo, que envolve alavancagem e emissão de dívida continental, é complexo e pouco eficiente comparado ao que pode fazer um banco central em pouco tempo). Isso poderia levar de volta os juros dos países mais problemáticos (os PIIGS, todos negociando taxas acima de 6% para os títulos de dez anos) para níveis mais baixos e quebrar o ciclo vicioso que descrevi anteriormente. O primeiro efeito colateral, talvez não tão indesejado, seria alguma desvalorização no euro, nada que ponha a moeda em risco de colapso (a julgar pelos outros exemplos). Afastados os riscos de calotes e quebras generalizadas e com uma nova rodada de estímulo monetário, a Europa poderia voltar a pensar em seus problemas estruturais (ou mesmo tentar acreditar que o passar do tempo vai resolvê-los, como propôs o Kaletsky). Se isso acontecer, ficará em segundo plano outra pergunta extremamente relevante: qual o real custo de aumentar radicalmente a base monetária?

7. O velho Keynes, no clássico As Consequências Econômicas da Paz, escreveu (na tradução de Sérgio Bath para a edição da UnB):

Atribui-se a Lênin a declaração de que a melhor maneira de destruir o sistema capitalista é destruindo a moeda. Com um processo contínuo de inflação os governos podem confiscar uma parte importante da riqueza dos seus cidadãos, secreta e furtivamente. Com esse método eles não só confiscam, mas o fazem arbitrariamente; é um processo que empobrece a muitos mas na verdade enriquece uns poucos. Esse deslocamento arbitrário de riqueza fere não só a segurança mas a confiança na equidade da distribuição de renda. Aqueles a quem o sistema traz vantagens além do que merecem, e mesmo do que esperam ou desejam, passam a ser “aproveitadores” – objeto de ódio da burguesia, que a inflação empobreceu, não menos do que o proletariado. À medida que a inflação se desenvolve, e o valor da moeda flutua de mês a mês, as relações permanentes entre credores e devedores, fundamento do capitalismo, se desorganizam até quase perderem o sentido. E o proceso de aquisição de valor degenera em uma loteria de azar. 
Não há dúvida de que Lênin tinha razão. Não há meio mais seguro e mais sutil de subverter a base da sociedade do que corromper a sua moeda – processo que empenha todas as forças ocultas da economia na sua destruição, de modo tal que só uma pessoa em cada milhão consegue diagnosticar. 

A citação de Lênin é supostamente apócrifa (ver aqui), mas o restante é uma descrição quase profética do que ocorreria na Alemanha alguns anos depois (o livro é de 1919) e do que, supostamente, assusta tanto os alemães até hoje. O porém é que o mundo de hoje não tem a menor cara de inflacionário, com o crescimento rodando abaixo do potencial na maior parte dos países, uma massa enorme de desempregados e aparente excesso de capacidade instalada (além de muito mais estabilidade política do que no período entre guerras). Além disso, as últimas experiências de monetização de dívida (as três citadas acima) não desencadearam processos inflacionários (ainda, dirão alguns), negando a idéia que imprimir dinheiro é caminho certo para hiperinflação: parece ser, sim, um passo necessário, mas não suficiente.

8. O Japão é o caso mais antigo de aplicação de “afrouxamento quantitativo”, e talvez sirva como mapa do que pode ocorrer com o EUA, Reino Unido e Zona do Euro daqui para frente. O Banco do Japão pratica juros zero desde 1999 e anunciou pela primeira vez um programa de compra de títulos em 2001, tentando combater um cenário de risco de deflação que persiste até hoje. Desde o estouro da bolha de crédito (com reflexos no Nikkei e no mercado imobiliário), em 1990, o desempenho da economia e das empresas tem sido, no melhor dos casos, medíocre. Nesse tempo, a dívida bruta do país passou de 68% para 245% do PIB. Apesar disso, o Japão segue sendo rico (com desemprego baixo / alta renda per capita), e, paradoxalmente, os juros longos seguem em patamares muito baixos (menos de 1%, para títulos de 10 anos) e o iene bastante valorizado.

No caso japonês, o equilíbrio depende de uma grande capacidade de gerar superávits externos, que afasta qualquer possibilidade de crise cambial e seus efeitos (muito conhecidos por aqui). Além disso, é necessário que os poupadores japoneses mantenham o dinheiro no país, e que a sociedade tenha aprendido a viver com baixa mobilidade social e total simbiose entre empresas e bancos com o governo. Convém também não pensar muito no futuro, sobretudo nas próximas gerações. Não há a menor perspectiva de que a situação fiscal do país melhore ou que as empresas sejam capazes de voltar ao lucro, e os cidadãos parecem estar razoavelmente bem com isso.

 Sem pensar muito, dá para imaginar que esse modelo seria benvindo em muitos países da Europa: enriquecemos, tivemos poucos filhos e podemos nos dedicar a uma decadência lenta e razoavelmente opulenta. A Itália, por exemplo, tem uma demografia muito parecida com a do Japão: alta expectativa de vida (77 anos para homens, 83 para mulheres), baixa fertilidade (1,4 filho por mulher), população decrescente (deve cair até 2015) e envelhecida (idade média da população de 42 anos, só mais baixa no mundo que a do Japão). Diferenças regionais à parte, imagino que, se perguntado, o italiano médio escolheria “progredir de vez e virar japonês”, como já profetizava o Ultraje a Rigor. Entretanto, essa decisão não é possível, com a limitação evidente do país nas contas externas. A Itália tem conta corrente deficitária desde 1999, com tendência de mais deterioração. A garantia de moeda estável e pouco risco inflacionário, nessa situação, depende da permanência do país na Zona do Euro; uma nova lira (que equilibraria a conta corrente) provavelmente seria, periodicamente, desvalorizada e atacada, o que estragaria o sonho do dolce far niente.

O agregado dos países do euro não tem grandes problemas externos – a Alemanha e a Holanda, muito superavitárias, compensam os grandes déficits de Itália, Espanha e companhia, grosso modo (neste ano o déficit em conta corrente da zona do euro deve ser algo como 0,5% do PIB). Portanto, uma decisão eventual de monetizar dívida e chutar de vez a lata para longe (assumindo que em algum momento no futuro a monetização implicará em custos) teria que ser algo coordenado, com uma conciliação de interesses – os países “ricos” se convencendo de que vale a pena financiar a unidade do continente (pelo menos durante o tempo para as economias mais frágeis se reerguerem e desmontarem a rede de privilégios que quebrou os respectivos tesouros nacionais). Curiosamente esse é o mesmo tipo de pensamento que levou, em outras circunstâncias, à criação da União Européia; seria uma questão de pensar se, após o ocorrido nas últimas décadas, ainda deve-se atribuir um valor alto à estabilidade. A partir daí, a nova questão a ser respondida é quanto isso custará para o crescimento futuro do continente, ou o quanto é possível aceitar a idéia que crescimento pode deixar de ser, por um bom tempo, a grande prioridade de política econômica (e se é possível promover alguma justiça social sem crescimento). Essa, porém, não vou me arriscar a responder, por enquanto (até porque este texto já está muito maior do que o razoável).

O grande condicional para esse item todo é realmente ainda estarmos longe do fim de um longo período deflacionário. Se, por qualquer motivo (há vários bons no ar), a inflação voltar no mundo desenvolvido, a agonia dos credores deixa de ser diluída por muitos anos e passa a ser urgente, e os bancos centrais e governos terão um grande fator adicional de preocupação. Não seria bonito, definitivamente.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tentando entender a crise na Europa (parte 2)

Continuação da primeira parte que postei ontem.

3. Para boa parte da Europa, portanto, não existe a alternativa de amenizar o problema da dívida com crescimento (grow out of the debt, como dizem os anglófonos). Simplesmente não há crescimento: muitas economias não são competitivas com o câmbio valorizado e acabou a era da alavancagem, que, por muito tempo, amenizou ou disfarçou essa condição (para não falar nas fraudes em contas nacionais). Resta atacar diretamente a dívida, com alguma das alternativas:

 i) Impedir ou reduzir o crescimento da dívida, ou seja, diminuir os futuros déficits fiscais, aumentando impostos ou cortando gastos. O problema dessa alternativa, além da dificuldade política de atacar privilégios passados, é prejudicar, no curto prazo, ainda mais uma atividade econômica já bastante debilitada. Não parece razoável, por exemplo, dizer aos espanhóis que uma economia com quase ¼ da força de trabalho desempregada vai ficar ainda pior antes de, possivelmente, melhorar;

 ii) Reduzir, via renegociação (ou calote), o estoque da dívida existente. Essa é a alternativa tentada para a Grécia; provavelmente não poderia ser aplicada para dívida maiores (a Itália, por exemplo, é o terceiro maior emissor de títulos soberanos do mundo, só atrás dos EUA e do Japão) sem um amplo pacote de recapitalização dos bancos, seguradoras e fundos de pensão, que teriam que assumir as perdas nas suas carteiras de títulos. O calote, se não negociado, pode fazer também com que os países que escolham essa alternativa fiquem anos sem acesso a crédito no mercado internacional. Uma renegociação com a manutenção do país em questão na Zona do Euro parece relativamente factível; um calote unilateral certamente implicaria na volta para a respectiva moeda nacional (a alternativa a isso é pagar a dívida com novas emissões da moeda nacional, provavelmente bastante desvalorizada - o que, para os credores, teria consequências semelhantes às de um haircut);

 iii) O Banco Central Europeu seguir o exemplo do Fed e do Banco da Inglaterra (e do pioneiro Banco do Japão): ligue a impressora de dinheiro e seja feliz. Ambos compraram, com dinheiro novo, grandes volumes de dívida dos respectivos países, jogaram os juros longos para níveis baixíssimos e, até agora, parecem ter afastado o risco de calote. Mais sobre as consequências dessa alternativa aparentemente mágica em breve;

 iv) Completar o projeto de integração do continente com uma efetiva consolidação fiscal, tornando a dívida e a arrecadação únicas dentro da união monetária. Provavelmente encontraria forte resistência nos países com contas melhores (o tradicional argumento do alemão austero pagando a aposentadoria precoce do grego indolente) e, ainda que viabilizada politicamente, levaria muito tempo para ser implantado. A alternativa a isso que está sendo tentada é a alavancagem do fundo de estabilização europeu (EFSF), mas os detalhes ainda me parecem muito obscuros para que possa sair do papel em tempo hábil para conter a crise.

4. Monetizar dívida parece a opção menos dolorosa no presente, e com efeitos mais imediatos nos juros. No caso da Europa, porém, essa decisão não pode ser feita por cada país, já que há uma única autoridade monetária para os 17 membros da Zona do Euro. É preciso ou abandonar a moeda única (como descrevi acima) ou forçar o Banco Central Europeu a aumentar seu balanço. Hoje se critica muito o BCE por ter mantido, por muito tempo, uma política monetária que parecia adequada para a Alemanha, mas que era apertada demais para outros países. Porém, esse foi o acordo implícito na criação do euro: tomava-se emprestada a credibilidade de manutenção do valor da moeda conquistada pelo Bundesbank para que fossem resolvidos os crônicos problemas cambiais e de inflação de alguns países; em troca, estes se comprometiam a manter suas contas mais ou menos ajustadas e teriam um tempo para viabilizar suas economias com essa restrição fiscal e moeda valorizada (e, em muitos casos, a ajuda das transferências da União Européia). O tempo provou a dificuldade de hábitos antigos serem mudados, e o acúmulo de desequilíbrios que foram por anos sutilmente ignorados culminou na situação atual.

Se as outras alternativas que coloquei no item anterior parecem lentas ou penosas demais, por que o Banco Central Europeu ainda não resolveu seguir o exemplo de suas contrapartes do outro lado do Atlântico e do Canal da Mancha? Não sei a resposta precisa, mas ela parece passar necessariamente por outra pergunta: o que querem os alemães, que, com pouca dúvida, são o motor econômico e, em alguma medida, "autoridades morais" do continente?

5. Também não sei o que querem os alemães. Talvez o mesmo que boa parte dos cidadãos do mundo rico: manutenção do padrão de vida conquistado nos anos após a II Guerra, paz, estabilidade e, se possível, alguma perspectiva para as próximas gerações. O que parece ser particular a Alemanha é o que ela não quer: os contribuintes parecem não estar dispostos a aumentar mais as transferências de sua riqueza para os demais países da Europa (o que excluiria qualquer tentativa de união fiscal - o quanto dessa riqueza conquistada nos últimos anos é produto da União Européia é objeto de grande discussão) e não veem com bons olhos monetização de dívida, suposto reflexo distante do caos hiperinflacionário da República de Weimar (1921-1923). Isso é o que a mídia nos deixa entender; há algum tempo, perguntei para o Magno Karl, que mora em Berlim, qual impressão ele tem do proverbial “alemão médio”. Ele, gentilmente, me deu a seguinte resposta (anedótica e sucinta, claro, mas melhor do que a tentativa do Michael Lewis): 

Só me baseando no que vejo e escuto por aqui, a ajuda aos gregos é bem impopular. Aliás, não só aos gregos, mas a qualquer país que seja visto – com justiça ou não – como mais gastador. Os jornais são mestres em comparar dados como a idade das aposentadorias, o valor médio das aposentadorias, o salário do funcionalismo público, enfim… coisas que mostrem que a Alemanha não deveria ajudar países que não são tão disciplinados assim. 
Eu acho que a megainflação jamais foi esquecida, mas acho que não é algo que amedronte a maioria das pessoas (que jamais viveram com inflação alta). Ou talvez só esteja lá atrás na lista de medos prioritários. O que espanta é que a inflação não amedronte o bastante no Brasil, onde qualquer um com 25 ou 30 anos consegue lembrar da inflação do início dos anos 90. 
 Na média, olhando em volta, os alemães parecem mais ricos que os ingleses, por exemplo, só para comparar com outro país onde eu morei. O tamanho do mercado de produtos orgânicos, que em alguns casos custam 5 vezes mais do que os convencionais, foi uma das coisas que no início mais me impressionaram, e talvez seja um indicativo de prosperidade.
Apesar disso tudo, acho que é difícil avaliar a Alemanha a partir de Berlim. A impressão que se tem aqui é de uma cidade-ilha, cheia de jovens, estudantes, artistas e a burocracia. Aluguéis e salários são baixos em comparação com Frankfurt, Munique ou Hamburgo. O desemprego é bem maior do que a média nacional. Berlim parece um campus universitário, com boa parte da população recebendo benefícios do governo, produzindo arte ou estudando, e talvez planejando “crescer” daqui a alguns anos.

P.S. para o item 4. "O" Anonimo escreveu nos comentários:

A crítica à política monetária única é que por muitos anos era correta para a Alemanha, um país com demanda fortemente deprimida, mas os juros eram BAIXOS demais para a periferia, Espanha e Irlanda em particular, que sofreu com bolhas no setor imobiliário e inflação alta.

Eu tinha respondido:

Você tem razão, ficou ruim no texto: a política monetária passou a ser claramente apertada para a periferia só depois que as bolhas estouraram e o crescimento afundou. 
 Depois preciso olhar os dados de novo, mas o que tinha em mente é que a inflação na periferia, entre a criação do euro e 2007, foi mais baixa do que era com as dracmas e pesetas da vida, não? Creio que a dificuldade de estabilizar os preços estava mais na fragilidade do câmbio, problema que foi resolvido com o euro. 
 Quanto às bolhas, contribuiu muito a ideia de "convergência" e de fim do risco soberano, que fez desaparecer os spreads de crédito - não sei se isso deve-se totalmente à política monetária, tem muito também de um feedback loop do mercado acreditando muito na competência dos políticos em suavizar os ciclos e comprimindo a precificação de risco por conta disso (outra longa discussão).


Os tais dados da inflação nos PIGS (fonte: FMI):


Sobre formação de bolhas, aqui tem um texto introdutório bem sucinto do Edward Chancellor (existem outras tantas opiniões, desde Minsky até as mais recentes, com inspiração na geofísica).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Descoberta aleatória e inútil do dia

A moeda da Mongólia, o tögrög, tem um símbolo próprio, tal qual a libra esterlina ou o iene:



P.S. A Mongólia deve apresentar, em 2011, o terceiro maior crescimento do mundo. Mais aqui.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Frase do dia - Ricos e Pobres

“China is a poor country with only $4,000 per capita income. To talk and think about China to rescue countries with $40,000 per capita incomes is ridiculous.”

Yu Yongding, economista chinês e ex-membro do comitê de política monetária do país (via The Big Picture). Deveria ser ouvido pela turma que agora inventou que os BRICs devem ajudar a socorrer os países europeus (mais no Valor).

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Leituras da volta de férias

Finalmente terminei a pilha acumulada durante agosto. Isso é o que sobreviveu ao teste dessas poucas semanas (em perspectiva, é incrível o tempo que se perde com ruído e besteiras no dia-a-dia):

- A segunda parte da carta trimestral de Jeremy Grantham, cada vez mais pessimista com o que aconteceu com o capitalismo e, sobretudo, com os EUA (na concepção dele, tomou o título da Argentina de "governo mais disfuncional")  depois da crise de 2007 / 2008.

- O texto mais recente de Michael Lewis, sobre sua viagem a Alemanha - só porque o autor já conquistou uma reputação, mas o texto é ruim, cheio de estereótipos, teorias sociais furadas e piadinhas sem graça. Ouso dizer que soa algo ressentido pelo sucesso da economia alemã (com tantos "quadrados" viciados em regras e banqueiros burros no comando) após a crise, comparado ao fiasco dos EUA. O Scott Locklin fez uma crítica ácida e muito melhor do que qualquer uma que eu conseguiria escrever (e talvez o texto original valha mais por despertar esse tipo de reação).

- Essa matéria da Der Spiegel, que alimenta a tradicional imagem de especuladores como destruidores de economias e do bem-estar geral - como todos sabem, também são culpados pela extinção dos dinossauros e pelas forminhas de gelo não se auto-encherem depois de utilizadas. Apesar dessa e de outras concepções que são, acho, equivocadas, é um bom exemplo do zeitgeist e traz alguns depoimentos interessantes.

- Os bons estrategistas da Nomura, Kevin Gaynor e Bob Janjuah, atualizam sua visão sobre os mercados e o estado da economia global. A Nomura tem sido, com folga, a casa de research que mais tem acertado o cenário macro, talvez pela boa influência do guru Richard Koo, ou porque o mundo de fato está virando japonês, no mau sentido.

- A melhor coisa que saiu de Jackson Hole este ano foi o trabalho apresentado por Dani Rodrik, da Kennedy School de Harvard. Ele fala da convergência entre os países em desenvolvimento e o mundo desenvolvido em termos realistas, sem extrapolações: ao longo da história, episódios de crescimento acelerado por muitos anos são exceção, não regra; e, choque para os ortodoxos, a transformação estrutural necessária para o desenvolvimento raramente vem do livre mercado e das "boas práticas" de gerenciamento macroeconômico (estas servem para evitar desastres, entretanto). O paper inteiro é excelente; os apressados, como de costume, podem ficar só com a introdução e a conclusão.

- Nassim Taleb e seu sócio, Mark Spitznagel, pregam um ativismo moral contra ações de bancos. O site de Taleb diz que ele está em "indeterminate leave",  alguém sabe se a saúde dele está bem?

- Bônus: todo mundo já deve ter visto, mas não custa recomendar de novo o mapa que a The Economist fez comparando os estados do Brasil com países. Paulistanos, muszą uczyć się języka Polski!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Leituras pra terminar a semana

Para honrar o dia da semana, mais banalidades do que o usual:

- O tamanho (literal) das dívidas americanas.

- Uma boa análise da proposta de reestruturação da dívida da Grécia.

- O "bolhômetro" de tecnologia chega no nívei seis (de dez) - obrigado, Soneca.

- Um programa da Bloomberg sobre Michael Burry, um dos personagens de The Big Short

- A Apple entre os países do mundo.

- Agnes, Dieter e os Papadopoulos, uma fábula de famílias européias - bastante simplista, mas serve para ilustrar parte do espírito.

- Pocalia! Os chineses estão pirateando Apple Stores inteiras.

- Mapas do Brasil distorcidos por vários parâmetros econômicos / sociais - obrigado, Balu (crédito devido: os mapas são do Daniel Bronfen).

- Scott Adams (o pai do Dilbert) sobre confirmation bias: "In a world of 24-hour news, non-stop punditry, and the Internet, my hypothesis is that confirmation bias has moved to critical levels."

- Isso aqui oô, é um pouquinho da Rússia, iaiá (ou, como diria o Tyler Cowen, the culture that is Russia): o país finalmente passará a classificar cerveja como bebida alcoólica (até esta semana, bebidas com menos de 10% de teor alcoólico eram "foodstuff"). E começa a campanha para a volta de Putin à presidência no ano que vem, com um concurso que dará um iPad para que as moças arranquem as roupas pelo czar. Bônus: This Is Russia, propaganda à parte (valeu, Luiz).

- Uma fantástica animação com algumas capas de discos da Blue Note.

P.S. Tem uma entrevista muito boa do Barry Eichengreen no caderno de fim de semana no Valor, vale procurar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sexo e câmbio

Esse é o título da coluna do Delfim Netto na Folha de hoje (o título deve ter sido escolhido por algum editor com tendências sensacionalistas). Ele cita um trabalho apresentado no seminário anual de economia do leste asiático, organizado pelo NBER, cujo título é "Uma perspectiva darwiniana sobre a taxa de câmbio chinesa" (achei este paper, não é o mesmo título, mas deve tratar do mesmo assunto - update: o paper que o Delfim menciona é este aqui, obrigado, Bisnetto.). Na mesma linha da brilhante relação descoberta entre tamanho do pênis e desenvolvimento econômico, os pesquisadores afirmam que o aumento proporcional no número de homens na China tem como efeito uma desvalorização no câmbio real e consequente aumento do superávit em conta corrente. A cereja do bolo é o corolário extraído da teoria, assim citado pelo Delfim:

"Se o planejador central (talvez alguém com a visão do líder Mao?) puder reduzir a relação entre os sexos (agora matando os nascituros masculinos?), ele produzirá uma redução da conta corrente de acordo com a proposição 2" (que exige uma fantástica coleção de hipóteses para ser demonstrada)."

O último parágrafo da coluna também merece ser citado:

Como disse, nos anos 1910, Vilfredo Pareto, sociólogo e economista matemático sério, "concedam-me as hipóteses e eu lhes demonstrarei qualquer coisa". De que são capazes pequenos matemáticos supostos grandes economistas...

Assim ficamos.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Leituras da terça-feira

Hoje é dia da independência do Laos, país que tem uma das histórias de guerra que mais me choca: no meio da Guerra do Vietnã, entre 1964 e 1973, uma carga de bombas de um B-52 era despejada no país, em média, a cada oito minutos, 24 horas por dia. Nesse período, o território do Laos (do tamanho de Rondônia) recebeu mais bombas (260 milhões) do que toda a Europa durante a II Guerra Mundial (mais no The Guardian). Uma vergonha pouco conhecida para a lista do Tio Sam.

- Um longo perfil de Ray Dalio, da Bridgewater, o maior hedge fund do mundo (cerca de US$ 100 bilhões admnistrados). Excentricidades à parte, ele acha que o mundo desenvolvido está em um ciclo de desalavancagem que pode levar uma década para ser completado.

- O Quantum, fundo de George Soros, tem 3/4 do seu patrimônio em caixa.

- Os Estados Unidos não são mais AAA, para a respeitável Egan-Jones.

- Falando em AAA... a grande farsa dos títulos "sem risco" (The Atlantic).

- Paul Krugman sobre o tratamento a banqueiros nos EUA.

- Alguém achava o Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago, "infilmável"; que tal isso: chega a São Paulo a versão para o cinema de O Capital: nove horas e meia de duração (Estado e Folha). Fiquei com vontade de ver, significa?

- Acho que a imbecilidade no uso de métodos quantitativos na economia atingiu novas máximas: um estudo relaciona o tamanho do órgão sexual masculino com crescimento econômico (pênis de 13,5 centímetros são ideais, acima de 16, problemáticos - talvez isso seja a explicação definitiva para o atraso da África subsaariana, não?). Mais no Improbable Research, mas metade dos blogs de economia que leio já comentou a respeito. Piadas sobre o crescimento do Peru nos comentários serão vetadas.

- Não está na internet ainda, mas recomendo: a Trip deste mês tem uma entrevista muito legal com o David Byrne sobre bicicletas e cidades. O cara é muito articulado, nada demagógico.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Leituras da véspera de feriado

- A taxa de juro natural e a Amazônia: a contribuição de Delfim Netto para a ótima série de conjuntura econômica que o Valor está fazendo.

- Uma série do UBS comparando as diferenças de crescimento entre China e Brasil e como isso afetou os retornos dos investimentos: partes 1 e 2.

- Para quem ainda aguenta ouvir falar da Grécia: a exposição dos bancos europeus à dívida (Guardian) e a comparação Grécia / Chipre com Argentina / Uruguai (FT).

- A Oaktree Capital deve fazer um IPO de US$ 100 milhões. Um perfil de Howard Marks.

- Um novo paper de Nassim Taleb, de novo sobre fragilidade e anti-fragilidade. O Universa, fundo do qual ele é sócio, pretende lançar um ETF para proteção contra cisnes negros (Forbes). Se virar moda, vai causar uma distorção no preço das opções fora do dinheiro, e, possivelmente, destruir a estratégia. Aguardemos.

- A história econômica recontada por listas (Boston Globe).

- Seguindo o Guardian, o New York Times também fez uma lista dos livros mais importantes de não-ficção.

- Woody Allen, Duke Ellington, Richard Feynman, Milton Friedman, Bertrand Russell, Quentin Tarantino e outros 229 ícones culturais em áudios e vídeos históricos (Open Culture).

- A série de história da música moderna que o Guardian preparou para o verão britânico.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O consenso de Borat

O pior do suposto fim do domínio dos países desenvolvidos na economia e geopolítica mundiais é o que vem depois. Por outro lado, a situação em que todo mundo (até escrevedores de blogs anônimos escondidos em prédios espelhados no Itaim) acha que tem moral para recomendar soluções para o capitalismo gera algumas piadas involuntárias muito boas. Esta semana, por exemplo, um tal Astana Economic Forum pagou uma página inteira na The Economist para mostrar ao mundo as recomendações para os líderes do G20 que saíram do encontro na capital do Cazaquistão. Não bastando, apelidaram a lista de "Astana Consensus". Meus pontos favoritos:

It is thus important that there be a stronger accountability mechanism to monitor the compliance of all G20 countries with their financial regulation and supervision commitments. This will make it possible to determine the causes of high and low compliance, and assess the aggregate effects of the all taken measures on the overall financial stability. An accountability mechanism must be transparent, independent and credible.

(De um país que teve que renegociar, há menos de dois anos, um calote de US$ 18 bilhões dos bancos locais com credores estrangeiros.)

We recommend to include a report of the President of the Republic of Kazakhstan Nursultan Nazarbayev on “Global energy and ecological strategy of sustainable development for the XXI century” in the agenda of the UN Conference on Sustainable Development “Rio +20” in 2012.
(...)
N. Nazarbayev has published monographs devoted to this issue – “The strategy of becoming a postindustrial society and a partnership of civilizations” (Moscow, 2008) and “Strategy for a radical renewal of the global community and a partnership of civilizations” (Astana, 2009) and selected works in 2 volumes in 2010.


Nazarbayev, o democrata que preside o Cazaquistão desde a independência, em 1991, e foi reeleito em abril com mais de 95% dos votos. O Cazaquistão, exemplo globalmente reconhecido de desenvolvimento sustentável. A única coisa a fazer é tocar, ao invés de um tango argentino, o hino que celebra esse great success:

Kazakhstan greatest country in the world.
All other countries are run by little girls.
Kazakhstan number one exporter of potassium.
Other countries have inferior potassium.

A íntegra do Astana Consensus (em Word, porque o pdf ainda não chegou lá) está aqui.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Gráfico do dia - PIB do Afeganistão

Mais aqui.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Taxa de câmbio, essa desconhecida

Confesso que há tempos não lia um paper de macroeconomia inteiro. Feito esse aviso, gostei bastante do último trabalho do Sebastian Edwards (UCLA), que faz uma boa revisão da literatura sobre taxa de câmbio e levanta, dessa literatura e de alguns testes econométricos feitos por ele mesmo e alguns colegas, algumas regularidades observadas no comportamento das taxas de câmbio da América Latina e do leste asiático. Vale ler o trabalho inteiro; para os mais preguiçosos, aí estão as regularidades. A lista é bem útil para debater com tudólogos e chutadores de plantão (quem trabalha em uma mesa de operações sabe bem do que estou falando):

1. Crises cambiais são muito caras (em termos de desaceleração no crescimento, aumento do desemprego e inflação mais alta).

2. Países com taxas de câmbio mais flexíveis tendem a crescer mais rápido no longo prazo do que países com câmbio fixo.

3. Países dolarizados não têm melhor desempenho (em termos de crescimento mais rápido do PIB e menor volatilidade desta medida) do que países com moeda própria.

4. Países com regimes de câmbio flexíveis são capazes de acomodar choques externos melhor que países com taxas fixas.

5. Com mobilidade de capital e cãmbio fixo, não há espaço para política monetária completamente independente.

6. Ajustes na taxa de câmbio baseados em diferenciais de infllação resultam numa perda de ancoragem e em instabilidade macroeconômica.

7. Programas de estabilização baseados na taxa de câmbio são perigosos, e frequentemente geraram supervalorização da moeda.

8. Desalinhamento de taxa de câmbio real pode ser muito custoso; intervenções do banco central podem se justificar, mesmo sob um regime de câmbio flexível.

9. Há uma assimetria entre supervalorização e subvalorização (sobrevalorizações podem ser mais persistentes).

10. Mesmo sob regime de câmbio flexível, a extensão para política monetária independente é limitada.

11. Houve uma importante quebra estrutural no relacionamento entre a taxa de câmbio real efetiva do dólar americano e a taxa de câmbio real efetiva dos exportadores de commodities.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Japão - o sol está se levantando?

Edward Chancellor, autor do quase clássico Salve-se quem puder, dá uma rara visão otimista sobre o Japão.

Edward Chancellor - Japan

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Leituras da segunda-feira

- Seguir tendências no mercado financeiro funciona desde David Ricardo (Au.Tra.Sy).

- A PIMCO dá mais um passo na aposta contra os títulos do tesouro americano (Yahoo! Finance).

- Atualização da ótima lista de Barry Ritholtz de livros, regras e aforismos sobre trading (The Big Picture).

- A gigante de commodities Glencore deve fazer esta semana o maior IPO da história da bolsa de Londres (Financial Times).

- Barry Eichengreen acredita em um mundo mais estável, mas, possivelmente, só depois de mais algumas crises (Project Syndicate).

- Raghuram Rajan e os três caminhos para democracias endividadas. Nenhum parece particularmente brilhante (Project Syndicate).

- Glória Maria foi a Cingapura entrevistar o lendário Jim Rogers. Impagável ver um multimilionário trazendo as crianças da escola de bicicleta, na chuva, enquanto há quem diga que é "impossível" criar um filho sem babá full-time (Globo).

- Novo pensamento econômico = ler os livros antigos (Mark Thoma).

- "Nós não vamo paga nada": a Islândia rejeita novamente uma compensação para os credores do Icesave (WSJ).

- A disputa acirrada para a presidência do Peru (El Comercio).

- Mais um grande cineasta deixa o mundo sem ter ganhado um Oscar: Sidney Lumet. Seus filmes mais famosos (Telegraph) e sua paradoxal relação com o reaganismo (New Yorker).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Leituras da segunda-feira - o outono chegou de vez

- Os hedge funds americanos que mais ganharam em 2010 não foram necessariamente um bom investimento para seus cotistas (NY Times).

- Scott Locklin sobre correlações e porque a produção de manteiga em Bangladesh pode "explicar" o movimento das ações nos EUA (Locklin on Science). Ele não gostou da história das Hathaways.

- Hugh Hendry e uma visão bastante peculiar do afrouxamento quantitativo (Scribd).

- Novo paper de Barry Eichengreen sobre crescimento rápido e a China: "In some circles, the assumption is pervasive that China will continue to grow rapidly. Equivalently, it is assumed that China will be able to avoid the middle income trap and jump to upper-middle-income-country status. But it is worth recalling that only a small group of countries successfully completed this transition in the second half of the 20th century, while a much larger group, in Latin America for example, are still struggling to escape the middle income trap. Given China’s huge size and daunting array of structural challenges, completing this transition is far from a fait accompli." (NBER)

- Chris Blattman fala sobre o novo livro de Dani Rodrik.

- As diferenças regionais de renda no Brasil diminuíram (Folha).

- Mais um ótimo blog está saindo de campo (A Mosca Azul).

- A FEA faz o resumo que eu queria ter feito do I Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia. Eu achei o evento muito bom para uma primeira edição, mas deixo duas sugestões construtivas para as próximas: tentar colocar gente de opiniões mais diversas nos painéis (não precisa chegar ao cúmulo de chamar o Luis Nassif, mas os participantes eram muito concentrados em um círculo que passou pela UFRGS em algum momento) e trazer algum escriba estrangeiro.

- Kenneth Rogoff sobre a criação de conselhos fiscais independentes (Project Syndicate).

- Juliet Lapidos assistiu a todos os filmes do Woody Allen (Slate).

- Por que viajamos? Paul Theroux responde (roubado do Leonardo Monasterio).

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O grande evento esportivo do fim de semana

Não é o clássico italiano entre Milan e Inter no domingo, valendo a liderança do Calcio. Um dia antes mais de um bilhão de pessoas devem parar para assistir à final da copa do mundo de críquete. Em Mumbai, a equipe da casa busca o primeiro título em 28 anos, contra o Sri Lanka. Por que prestar atenção no críquete? A ESPN responde.

Com a benção de Shiva.

Update: E deu Índia. E deu Milan. E o Real Madrid de Mourinho está vendo o Barcelona botar mais alguns dedos no tri.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Grandezas

- Portugal diz que precisa de uma linha de salvamento de € 70 bilhões -- algo como € 6,500 por cada prudente português. A conta da Irlanda foi de € 18,500 por bebedor de Guinness perdulário.Se, por algum infortúnio do destino, a Espanha precisar de ajuda, dá para imaginar algo entre € 300 bilhões e € 800 bilhões. Isso deve machucar.

- James Grant observou que um texto da France-Presse mencionou apenas no quarto parágrafo o tamanho da injeção de dinheiro feita pelo Banco do Japão após o terremoto: 39 trilhões de ienes, ou US$ 481 bilhões. Palavras dele: "When the materialization of nearly a half-trillion dollars in a fortnight's time stops astounding the reporters, it's past time for a monetary reappraisal."

Os governos acham que podem.

terça-feira, 22 de março de 2011

O muro de preocupações

"Bull markets climb a wall of worry", é uma das frases feitas mais famosas no mercado financeiro. Talvez não estejamos em um bull market de longo prazo, mas a resiliência das ações americanas tem sido impressionante: o poder do custo de oportunidade próximo a zero está passando por cima de uma guerra civil na Líbia, a possibilidade de revolta em outros países do mundo árabe e um dos piores terremotos da história, na terceira maior economia do mundo (sem contar os problemas que vêm sendo acumulados desde a crise de 2007 / 2008). O índice S&P500 está a apenas 3.4% da sua máxima recente, que, tudo indica, deve ser superada em poucos dias. Tudo vai acabar em lágrimas, claro. A pergunta multimilionária é: quando? Em meses, anos? Até lá, pelo jeito, a melhor atitude é a do cidadão abaixo:


Mais na Bloomberg.

Update: o Veiga me mandou uma matéria interessante da Wired, falando sobre possíveis indicadores que antecedem crashes nos mercados. Quem também faz um trabalho interessante nessa linha, há alguns anos, é o geofísico Didier Sornette e sua turma do ETH de Zurique.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Duas boas leituras na Bloomberg sobre o Japão

- Michael Lewis comenta o texto de 22 anos atrás (que eu coloquei aqui).

- Caroline Baum explicando porque terremotos não aumentam a riqueza das nações (parece óbvio? Alguém pode explicar ao Larry Summers). Memo: quando Keynes publicou a Teoria Geral, a taxa de desemprego nos EUA era de 17%; no Reino Unido, cerca de 13%.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Gráfico do dia - história acontecendo

Nunca o iene esteve tão forte contra o dólar americano quanto ontem (a máxima anterior foi registrada alguns meses depois do terremoto de Kobe, no começo de 1995). Quem apresentar um modelo de taxa de câmbio que explique isso ganha um pacote de biscoito Globo.