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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Como ganhar na loteria

Lembrei do nosso João Alves lendo isso no Why Nations Fail:

It was January 2000 in Harare, Zimbabwe. Master of Ceremonies Fallot Chawawa was in charge of drawing the winning ticket for the national lottery organized by a partly state-owned bank, the Zimbabwe Banking Corporation (Zimbank). The lottery was open to all clients who had kept five thousand or more Zimbabwe dollars in their accounts during December 1999. When Chawawa drew the ticket, he was dumbfounded. As the public statement of Zimbank put it, "Master of Ceremonies FAllot Chawawa could hardly believe his eyes ehn the ticket drawn for the Z$100,000 prize was handed to him and he saw His Excellency RG Mugabe written on it."


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Frases do Dia - África e rent seeking (deve valer pra América Latina, também)

Rent seeking in our [African] economies is not a more or less important phenomenon, as would be the case in most economies. It is the centerpiece of our economies. It is what defines and characterizes our economic life.

H.E. Prime Minister Meles Zenawi of Ethiopia, September 5, 2000. Tirada deste (ótimo) paper de Lant Pritchett sobre a (ausência de) retornos da educação para o crescimento.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Frases do Dia - instituições, piratas e engenheiros químicos

To be a successful pirate one needs to know a great deal about naval warfare, the trade routes of commercial shipping, the armament, rigging, and crew size of potential victims, and the market for booty. 
To be a successful chemical manufacturer in early twentieth century United States required knowledge of chemistry, potential uses of chemicals in different intermediate and final products, markets, and problems of large scale organization. 
If the basic institutional framework makes income redistribution (piracy) the preferred economic opportunity, we can expect a very different development of knowledge and skills than a productivity increasing (a twentieth century chemical manufacturer) economic opportunity would entail. The incentives that are built into the institutional framework play the decisive role in shaping the kinds of skills and knowledge that pay off.

Douglass North em Institutions, institutional change and economic performance, 1990.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O mochilão de Albert O. Hirschman, 1964

El Salvador—electric power plant
Ecuador—roads in Guayas Province 
Peru—San Lorenzo irrigation project 
Uruguay—pasture improvements for livestock 
Ethiopia—telecommunications and roads 
Uganda—electric power transmission and distribution 
Sudan—irrigation project 
Nigeria—railway modernization and Bornu extension line 
India—Damodar Valley Corporation and selected industries in Mysore 
West Pakistan—Karnaphuli Paper Mills 
East Pakistan—Karnaphuli Paper Mills 
Thailand—Chao Phya irrigation project 
Italy—irrigation in South

Roteiro de um ano sabático tirado a partir de 1964 por Albert O. Hirschman para examinar projetos de desenvolvimento do Banco Mundial - ou uma excelente desculpa para conhecer o mundo com financiamento da Brookings Institution (notem que termina na inóspita Itália, já que ninguém é de ferro). Está na ótima biografia dele por Jeremy Adelman, na qual estou pelo meio.



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Leituras da Semana

- Apresentação de Jim Chanos sobre o que ele considera armadilhas de valor (Petrobras entre elas).

- Liaquat Ahamed, de Lords of Finance, sobre a atual geração de banqueiros centrais.

- Os últimos países AAA.

- Jens Nordvig, do Nomura, sobre a volta da dominância de política sobre a economia.

- Anatole Kaletsky sobre as consequências de uma eventual saída da Alemanha do euro.

- Mark Dow sobre metais preciosos.

- Persio Arida fala ao Estado sobre o Plano Real (prestes a completar 18 anos) e o Brasil de hoje.

- Fabuloso artigo de Deirdre McCloskey sobre felicidade, uma crítica aguda e pertinente aos "quantitative hedonists".Quando não se perde na própria erudição, McCloskey tem, de longe, o melhor texto que conheço entre economistas vivos. Vejam esse trecho: "Decades ago, I was in Paris alone and decided to indulge myself with a good meal, which, you know, is rather easy to do in Paris. The dessert was something resembling crème brulée, but much, much better. I thought, “I shall give up my professorships at the University of Iowa in economics and history, retire to this neighborhood on whatever scraps of income I can assemble, and devote every waking moment to eating this dessert.” It seemed like a good idea at the time."

- Qual o candidato à presidência dos EUA mais preparado para lidar com uma invasão alienígena?

- A Manifesto for Economic Sense

- O centro de gravidade da economia global.

- Conheça La Línea de la Concepción, a vizinha espanhola de Gibraltar e interessante (e deprimente) microcosmo da crise na Espanha.

- The Economist comenta a biografia de Ryszard Kapuscinski, agora traduzida para o Inglês.

- John Gray desconstrói Slavoj Žižek (e não sobra muita coisa).Guardian sobre Žižek .

- Um congestionamento de 12 horas em Lagos, Nigéria.

- Uma teoria geral dos tipos de Muppets.

- A resposta de Ronald Reagan a um quarto de adolescente declarado área de desastre (via goombagoomba).

- Algumas concorrentes do concurso anual de fotografia de viagem da National Geographic (a que ilustra este post está entre elas).

- Os 10 mandamentos do bowieismo.

- A Noite Estrelada, de Van Gogh, com dominós.

terça-feira, 19 de junho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

São Paulo e Rio, ficando menos caras...

... ao menos para expatriados. Hoje saiu o ranking de custo de vida nas principais cidades do mundo, publicado pela Mercer. De acordo com o estudo, São Paulo é a 12ª mais cara (era 10ª no ano passado) e o Rio passou de 12ª em 2010 para 13ª este ano. Ambas seguem mais caras que, por exemplo, Oslo e Copenhague. No topo da tabela, Tóquio passou Luanda. Aí vai a pesquisa completa:

terça-feira, 24 de abril de 2012

Padrão-papel

Sabe-se que no regime de padrão-ouro o valor do papel moeda é fixado em uma determinada quantidade de ouro (na prática, estabelece-se que uma certa quantidade de papel moeda pode ser trocada livremente por um certo peso de ouro). Semana passada, a The Economist publicou uma matéria falando do shilling da Somália e de como a moeda, apesar de toda a instabilidade do país, vem se aguentando há vários anos. O texto tenta explicar isso pela relativa estabilidade na oferta do shilling e pela utilidade da moeda no dia-a-dia, OK. Curiosa mesmo é a explicação alternativa enviada por um leitor, que saiu na última edição:


You suggested that the supply of Somali shillings is fairly fixed despite a number of forgeries (“Hard to kill”, March 31st). In fact, it was the introduction of forged notes that ultimately removed the incentive to increase the supply of shillings in circulation. 
 The 1,000 shillings note exchanged for roughly $0.13 when General Muhammad Aideed employed a printing firm to reproduce the note in 1996. As the number of notes in circulation grew, the exchange value fell to just $0.03, which is the cost of producing an additional note. Since the exchange value equals the cost of production, forgers can no longer profit by increasing the supply. Today, the Somali shilling is a commodity money. Its supply is governed by the cost of ink and paper required to produce a note. 
William Luther 
Fairfax, Virginia

Se o senhor Luther está correto, está aí, documentado, o primeiro caso de padrão-papel da história (me corrijam se souberem de algum precedente).

sexta-feira, 30 de março de 2012

Som da Sexta - Orchestre National de Barbes

Virando os Rolling Stones do avesso (dica preciosa do Arthur Dapieve).

quinta-feira, 29 de março de 2012

Leituras dos últimos dias

- Um passeio pelo escritório de Warren Buffett, em Omaha.

- Repressão financeira, passado e futuro.

- Um bom estudo do FT sobre o comportamento das moedas de países emergentes - China e Brasil lideram as valorizações.

- Como prevenir futuras crises, artigo novo de Nassim Taleb (em coautoria com George A. Martin, da Alternative Investment Analytics).

- Uma nova pesquisa da Colliers sobre preços de aluguel de escritórios. Rio é mais caro que City of London, Genebra, Cingapura...

- Lisístrata pós-moderna: prostitutas espanholas organizaram um boicote a funcionários de bancos.

- O mercado de cervejas artesanais nos EUA não tomou conhecimento da crise.

- Spiegel sobre a degradação de Atenas.

- A Argentina segue atacando os grandes culpados pela fuga de dólares do país, e resolveu dificultar a importação de livros (FT e Folha).

- Os espetaculares lucros do banco do grupo JBS.

- Entrevista (em Português) com James Robinson, coautor de Why Nations Fail (dica Leonardo Monasterio).

- A New Yorker mandou um enviado a Davos, que conta o que acontece por dentro do Fórum Econômico Mundial.

- Uma evidência de que a internet (ainda?) não corrigiu desigualdades.

- Gráfico interessante que a The Economist roubou do Banco Mundial, mostrando que apenas 13 países (de 101) conseguiram, desde 1960, sair da "middle income trap": Grécia, Coréia do Sul, Guiné Equatorial, Maurício, Taiwan, Portugal, Hong Kong, Cingapura, Espanha, Irlanda, Japão, Portugal e Espanha. A questão, pelo menos para os PIGS, é se haverá volta para a renda média.

- Um economista do Colorado College alega ter um modelo que prevê com mais de 90% de precisão o número de medalhas olímpicas de cada país - e diz que o Brasil, potência olímpica do futuro, leva as mesmas três medalhas de ouro de 2008.

- O escritor Teju Cole usa o gancho do vídeo Kony 2012 para dissertar sobre a África e o tratamento dado pelos EUA ao continente.

- Excelente matéria da CNN sobre a Mauritânia, onde pelo menos 10% da população ainda vive na escravidão.

- Os indicados deste ano para o Orwell Prize.

- A temperatura ideal para se usar uma banana para bater um prego.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Leituras da semana caótica

Aproveitando enquanto é cedo:

- Favorito da casa 1: Jeremy Grantham, da GMO, explicando porque este não é um mercado para jovens.

- Favorito da casa 2: o Eclectica, de Hugh Hendry, acumula ganhos de quase 40% no ano.

- O "doutor caos" Roubini não é tão favorito, mas junta-se ao coro dos que defendem um calote da Grécia. Dona Cristina Kirchner, ontem, na ONU, levantou a mesma bandeira, só faltou dizer: calotem e sejam felizes.

- Os chutes da Reuters para o Nobel de Economia. O anúncio oficial é no próximo dia 10; todos os virtuais favoritos lecionam nos EUA.

- O trading de alta frequência começa a desafiar a relatividade. Não sei o que achar.

- O Financial Times levantou algumas correlações úteis para quem precisa de material para uma tese sobre comportamento dos mercados.

- Um paper muito interessante sobre os vieses políticos embutidos em testes econométricos aparentemente isentos.

- Um bom resumo do IPEA sobre como o Brasil chega para mais uma possível crise.

- Uma (longa) aula de Nassim Taleb na Universidade da Pensilvânia.

- Montes de papers sobre o futuro da pesquisa em economia.

- Um tumblr que coleciona "coisas" que valem menos do que a Apple, como todo o ouro estocado no Fed, o PIB da Dinamarca, todas as casas de Atlanta...

- Mais um estudo sobre o impacto macroeconômico dos Jogos Olímpicos. O Leonardo Monasterio comenta.

- As consequências econômicas de dona Merkel, por Robert Skidelsky.

- Um Mister M das ciências políticas conta 10 segredos de sua profissão para os mortais (dica do Maurício).

- Anais do idiotismo: Ron Paul disse que a fome na África acaba quando o continente deixar de ser "tão socialista". Para o retorno à sanidade, a resenha do NY Times para Three Famines.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A moeda mais nova do mundo

Benvinda, libra sul-sudanesa. Não vai ser fácil.


Mais no Planet Money.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Leituras da quinta-feira

- A receita de sucesso dos fundos brasileiros: "All you have to do is buy the Bovespa stock index and government bonds". Moleza! (Bloomberg)

- Algumas lendas do mercado de fundos americano estão com dificuldades para oferecer retornos: Bill Gross (WSJ), Paul Tudor Jones e James Simons (Dealbreaker), John Paulson (FT).

- Estrategistas de ações, esses otimistas (WSJ).

- Concordo com Kenneth Rogoff quanto ao futuro do euro (Project Syndicate).

- A lua de mel da The Economist com o Brasil vai acabando (ou somos quentes demais para os frígidos ingleses).

- Colonialismo pós-moderno, baby: hedge funds compram terras na África (BBC).

- A íntegra do The Black Swan of Cairo, de Taleb e Mark Blyth.

- Re-recomendação: assista (ou leia) Geoffrey West (Edge).

- Foto para acompanhar: turminha que ficou na recuperação do supletivo, em 1927:

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Frase do dia - everybody hates the US dollar

"I strongly believe that the days of the U.S. dollar as the world's reserve currency are numbered. There is need for us to begin thinking seriously and urgently about introducing a gold-backed Zimbabwean currency which will not only be stable but internationally acceptable."

Gideon Gono, presidente do Zimbabwe Reserve Bank e ganhador do prêmio Ig Nobel de Matemática em 2009, com toda a confiança de quem contribuiu para que a economia local tivesse uma inflação de 5.000.000.000% ao ano, que só terminou quando o país desistiu de ter uma moeda própria. Um sinal contrário (para comprar o dólar) mais claro que esse, impossível.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Piada pronta do dia

Da última The Economist:

The British high commissioner to Malawi was told to leave the country. This came after the leak of a diplomatic cable in which he said that Bingu wa Mutharika, the Malawian president, did not tolerate criticism.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Leituras da Quarta-feira de Cinzas

- Anedota da farra pesquisa de campo carnavalesca: uma licença de táxi no Rio de Janeiro custa cerca de R$ 120 mil.

- A Zona do Euro vai sobreviver, dizem Martin Wolf (FT) e o pessoal da Nomura. Nada como uma aliviada dos mercados para encorajar a turma.

- O maior fundo de renda fixa do mundo (PIMCO Total Return, tocado pelo lendário Bill Gross) está fugindo dos títulos do tesouro americano (Zero Hedge).

- O sempre pertinente James Montier e as sete leis imutáveis para investimentos (GMO).

- Os 25 melhores blogs sobre finanças (Time). Abnormal Returns e The Reformed Broker comentam.

- Raghuram Rajan sobre risco moral e política econômica (Project Syndicate).

- O Pé na África acabou, sentirei falta. Há algum outro brasileiro escrevendo regularmente sobre a África?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Curiosidade econômica do dia

Se você acha que a Islândia e a Irlanda estão sofrendo com a volatilidade da economia:

Current GDP per capita of Comoros grew 55% in the Eighties. But this proved unsustainable and it consequently shrank by 42% in the Nineties.

Comoros é o maior produtor mundial de essência de ylang-ylang, um dos principais componentes do Chanel No. 5. Baunilha e cravo-da-índia são as outras principais exportações.

Mais na Wikipedia. Foto do Lonely Planet.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Salve-se quem puder: a inflação da picanha

Estava demorando, mas finalmente chegou a hora da Veja dar sua brilhante contribuição para o debate sobre inflação no país. O padrão da cobertura de economia da revista tem sido ruim (na linha "vamos diluir um tema complexo até que o resultado final possa ser entendido por qualquer imbecil"), mas acho que esta semana novas mínimas foram atingidas

Comecemos pela capa: a chamada "o preço de quase tudo o que você consome está subindo muito mais do que a inflação" deveria gerar pelo menos cartinhaa instrutivas do IBGE, da FGV e da FIPE Os índices de preço ao consumidor são feitos para refletir uma cesta de consumo média do país. Se "quase tudo" está subindo mais do que a inflação, ou estamos no mundo onde a medida de inflação é manipulada (Brasil de outras épocas, Argentina) ou, claro, a Veja fala para um público cujo padrão de consumo está longe da média do país -- de fato, imagino que o brasileiro médio não tenha o hábito de consumir picanha. Escrever para um público específico não é um problema; passar para esse público a impressão de que o correto é ignorar os dados oficiais e levar um debate nacional para o nível da anedota é mais grave.

Ao longo do texto temos outras pérolas:

Por isso, a vitória do Real contra a inflação é tão valiosa. É preciosa porque foi um evento raríssimo na história da economia moderna.

Não se sabe quando começa a história da economia moderna para o autor, mas cabe pelo menos dizer que a inflação no Zimbábue ano passado foi algo como 5% (vindo de 98% ao dia), e nem por isso alguém veio pedir um Nobel de economia para a turma do banco central de lá. Devemos reconhecer que fins de períodos de inflação muito alta não são, para dizer o mínimo, exclusivamente mérito de gênios.

O auge da sofisticação da matéria é ressuscitar a velha e boa analogia do dragão, com requintes:

Não foi por acaso que os brasileiros escolheram como símbolo da inflação uma figura mitológica, o dragão. Esse é justamente um de seus truques mais tinhosos: fingir que não existe. Quando se percebe, a inflação já está instalada no país.
(...)
Como os gigantes, que também nascem pequenos, o dragão da inflação, especialmente o da espécie brasileira, sai do ovo cuspindo um foguinho brando e com uma carinha inocente. Logo, porém, ele se transforma num monstro incontrol
ável.

Só faltou uma fotomontagem com o Tombini vestido de São Jorge. Argh...

P.S. Na verdade eu estou ressentido porque não usaram o meu gráfico do chuchu na matéria.

P.P.S. Falando sério: o Plano Real vai fazer 17 anos. Já é mais do que hora do Brasil deixar de lado a paranóia com inflação e enxergar o problema num contexto que vá além da prateleira do supermercado.

P.P.P.S. Para quem gosta de indicadores contrários, essa é a oportunidade para apostar em inflação mais baixa.